12/05/2015

Evangelho, comentário .L Espiritual (A beleza de ser cristão)


Semana VI da Páscoa


Beata Joana Princesa de Portugal

Evangelho: Jo 16 -5-11

5 «Agora vou para Aquele que Me enviou e nenhum de vós Me pergunta: Para onde vais? 6 Mas, porque vos disse estas coisas a tristeza encheu o vosso coração. 7 «Contudo, digo-vos a verdade: A vós convém que Eu vá, porque se não for, o Paráclito não virá a vós; mas, se for, Eu vo-l'O enviarei. 8 Ele, quando vier, convencerá o mundo quanto ao pecado, à justiça e ao juízo. 9 Quanto ao pecado, porque não creram em Mim; 10 quanto à justiça, porque vou para o Pai e vós não Me vereis mais; 11 quanto ao juízo, porque o príncipe deste mundo já está julgado.

Comentário:

Justiça!

Sim, é o que a humanidade necessita urgentemente! Justiça é, no fim e ao cabo, o amor a Deus sobre todas as coisas, ao próximo como a nós mesmos.
Assim seremos justos e é impossível praticar-mos qualquer mal. 
Não esqueço que no AT chamam aos santos... Justos!

(ama, comentário sobre Jo 16, 5-11, 2010.05.11)


Leitura espiritual


a beleza de ser cristão

PRIMEIRA PARTE


XIII os mandamentos da lei de deus

…/2

Agora podemos compreender melhor o «mandamento novo» com que Cristo deu cumprimento à Lei e aos Profetas «amai-vos uns aos outros».
Se para o homem na sua constituição de criatura poeriam ser suficientes «a Lei e os Profetas», para o homem como cristão, como filhos de Deus, «a Lei e os Profetas» têm de ser convertidos, transformados pela Graça.
Na sua conversão está a sua realização e a sua plenitude segundo a plenitude do homem que é Cristo.

Daí que o cristão no seu caminho de santificação tenha de viver os Mandamentos com o espírito das Bem-Aventuranças, reflectido e contido no «mandamento novo»: ami-vos uns aos outros como Eu vos amei».
A explicação dessa plenitude parece clara e simples: só amando os outros seres humanos, toda a criação, como Cristo os ama, o amor de Cristo que vive em nós adquire e capacidade de nos transformar verdadeiramente em «filhos de Deus», em «Cristo Jesus», noutro «Cristo», no próprio «Cristo» e ao mesmo tempo é fruto dessa transformação.

Com o Catecismo podemos dizer que: «os preceitos do Decálogo estabelecem os fundamentos da vocação do homem, formado à imagem de Deus.
Proíbem o que é contrário ao amor a Deus e ao próximo e prescrevem o que lhes é essencial.
O Decálogo é uma luz oferecida à consciência de todo o homem para lhe manifestar a chamada e os caminhos de Deus e pata o proteger contra o mal:
‘Deus escreveu na tábuas da Lei o que os homens não liam nos seus corações’.[i] [ii]

Compreendemos assim que os Mandamentos vividos na nova luz de Cristo não se limitam a uma regra do actuar do cristão nem tampouco um «objectivo» que cada um de nós tem de alcançar (este aspecto vê-lo-emos com mais detalhe na Segunda Parte), repetimos, antes são fundamentalmente o canal pelo qual transita a nossa vida cristã.

Com efeito cada um de n´so cristãos sabendo que a nossa pessoa vive a sua natureza humana enxertada em Cristo e participa da «natureza divina», se descobre impulsionado pela caridade infundida pelo Espírito Santo «que foi derramado nos nossos corações».
É o começo e o desenvolvimento do viver do homem sendo «nova criatura» em Cristo Jesus.

Os Mandamentos convertem-se assim, repetimos, não em simples indicações dadas por Deus como legislação a um povo que tinha que formar e submeter à Lei com o fim de o manter no caminho recto para alcançar o fim assinalado pelo Criador, mas sim em luzes – e não só limites – que iluminam o caminho da sua conversão, da sua transformação, caminhos adequados para que o homem tenha sempre um ponto de referência seguro e claro que a vida de Cristo vive nele e possa dizer como São Paulo: «Vivo, mas já não sou eu que vivo, mas Cristo que vive em mim».[iii]

Não é estranho, mais, é lógico portanto, que os Mandamentos sejam os mesmos no Antigo e no Novo Testamento.
O homem cristão jamais deixa de ser criatura e esta permanência mostra-nos além disso e mais claramente o desejo de Deus de recuperar e de redimir no homem toda a criação e de a santificar em todos os detalhes e pormenores verdadeiramente humanos, libertando-a do pecado.

Com Cristo muda o espírito com que se hão-de viver estes Mandamentos porque muda o modo de como o homem se relaciona com Deus,
O homem deixou de ser servo para se converter em amigo de Deus, em filho de Deus em Cristo, em amigo e filho do Pai no Filho e por acção do Espírito Santo.

O próprio Cristo anuncia esta transformação da criatura em filho de Deus, esta conversão, ao proclamar o mandamento novo: «Já não vos chamo servos porque o servo não sabe o que faz o seu senhor, a vós chamei-vos amigos porque vos dei a conhecer tudo quanto ouvi a meu Pai»[iv]

Como criatura, o homem caído no pecado tinha-se convertido a si próprio em servo, sem, por outro lado perder a condição de filho.
Servo não só no pecado mas também ante Deus a quem já não tratava como Pai.
E tinha-se tornado evidente ante os seus próprios olhos e sua incapacidade e a sua indignidade para ser outra coisa que «servo».
Como «servo» vê uma libertação ao estar submetido à lei e não viver o «peso» de ser filho.

Agora, na liberdade que Cristo nos ganhou na Cruz a criatura deixa de ser servo para se converter em amigo, em filho.

São Paulo recorda aos Gálatas com palavras imortais a transformação originada em Cristo:
«E assim antes que chegasse a Fé, estávamos encerrados sob a vigilância da Lei à espera da fé que deveria manifestar-se. De forma que até Cristo a Lei foi o nosso pedagogo, para sermos justificados pela Fé.
Mas uma vez chegada a Fé já não estamos sob o pedagogo. Pois todos sois filhos de Deus pela Fé em Cristo Jesus (…).
E se sois de Cristo já sois descendência de Abraão, herdeiros segundo a promessa».[v]

Em Cristo Abraão tem sentido, sentido e plenitude.

Na Redenção Cristo instaura para sempre a ordem da Caridade, a ordem do Espírito Santo.
E Ele diz: «amai-vos uns aos outros como Eu vos amei».
Este mandamento dá novo sentido à indicação de «amar o próximo como a sai mesmo» e a todos os outros preceitos.
É a expressão do coração da «nova criatura».

Vistos deste ângulo os Mandamentos adquirem uma luz e um significado que os liberta das «limitações da Lei» e converte-os em caminhos para o desenvolvimento e crescimento da graça no homem.

o amor a deus nos três primeiros mandamentos

Já recordamos que a vida da graça se manifesta primária e essencialmente na Fé, na Esperança e na Caridade.
Se os Mandamentos hão-de ser os caminhos para que essa vida cresça na alma o seu cumprimento converte-se em garantia no sinal de que o homem actua sob a acção das três virtudes teologais.

Co efeito os três primeiros Mandamentos recordam ao homem a sua condição de criatura e de filho de Deus e indicam-lhe o modo de encher de conteúdo as limitações que tem e vive como criatura.
Amando a Deus sobre todas as coisas, glorificando o Seu nome e vivendo com Ele as festas – que na realidade são memórias e participação no triunfo de Cristo na Ressurreição e na glória de Deus Pai – o homem não afasta o seu olhar do Céu e ao caminhar pela terra jamais perde o seu rumo em Deus e para Deus.
O seu coração está firme no Senhor, a sua inteligência tem sempre presente a glória do Altíssimo e goza nessa glória.
O conteúdo destes três primeiros Mandamentos esclarece-se todavia mais se considerarmos que o primeiro está assente na Caridade: « Amarás o Senhor teu Deus»; e na caridade se sustêm os outros.
O segundo: «não usar o nome do Senhor em vão», reforça o preceito de amar a Deus sobre todas as coisas, exigido no primeiro ao recordar ao homem que mantenha viva a plena confiança em Deus.
Se o homem usa em vão o nome de Deus, acabará por abandoná-lo como recurso inútil, perderia a proximidade e a simplicidade ante o seu olhar e ver-se-ia definitivamente despojado da esperança.

Para reforçar a caridade e a esperança recomenda-se-nos «santificar as festas».
E a razão parece clara.
O homem precisa de renovar sempre no seu interior a consciência da proximidade de Deus na sua vida, necessita que a sua inteligência não esqueça o anseio de Deus de viver com ele.
Necessita de uma «imersão» em Deus.
Essa é a missão do acto de fé profundo que o cristão faz germinar no seu espírito e na sua inteligência quando participa nas festas do Senhor que são a manifestação ais clara da permanência de Jesus Cristo, o Filho de Deus feito homem, no meio de nós os homens, na nossa história humana e, com Ele, o Pai e o Espírito Santo.

Vivendo estes três mandamentos compreende-se que as acções de graças que São Paulo dirige a Deus quando escreve as Tessalonicenses:
«não cessamos de dar graças a Deus porque ao receber apalavra de Deus que vos pregamos a acolhestes não como palavra de homem mas como na verdade é como palavra de Deus que permanece operante em vós os crentes».[vi]

Se o viver estes primeiros preceitos do Decálogo leva a um crescimento da Fé, da Esperança e da Caridade entende-se que também preparem o homem para viver cristãmente o respeito pela ordem da criação descrito nos outros preceitos.
E preparam-no porque lhe abrem os olhos da inteligência e da vontade para descobrir na criação, no mundo e neles próprios o projecto amoroso de Deus e lhe mantenham a esperança de poder alcançá-lo e viver no gozo de «amar a Deus sobre todas as coisas».


(cont)

ernesto juliá, La belleza de ser cristiano, trad. ama)





[i] Santo Agostinho
[ii] Catecismo n. 1962
[iii] Ga 2, 20
[iv] Jo 15, 15
[v] Ga 3, 23-29
[vi] 1 Ts 3, 13

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