
Questão 18: Da bondade e
da malícia dos actos humanos em geral.
Art. 11 ― Se toda circunstância referente à bondade ou à malícia especifica um acto.
(Infra, q. 73, a . 7, IV Sent.,
dist. XVI,
q. 3, a . 2, qª3, De Malo, q. 2, a . 7).
O
undécimo discute-se assim. ― Parece que toda circunstância referente à bondade
ou malícia especifica um acto.
1. ― Pois o bem e o mal são diferenças específicas dos actos morais. Donde, o que causa uma diferença na bondade ou malícia do acto moral também a causa na diferença específica. Ora, tudo o que aumenta a bondade ou malícia de um acto, fá-lo diferir, sob este aspecto, e portanto especificamente. Logo, toda circunstância que aumenta a bondade ou malícia de um acto especifica-o.
2.
Demais. ― A circunstância adveniente ou implica em si alguma razão de bondade
ou malícia, ou não implica. Se não, nada pode acrescentar à bondade ou malícia
do acto, pois, o que não é bom não pode tornar melhor, nem pode tornar pior o
que não é mau. Se, pelo contrário, incluir em si qualquer razão de bondade ou
malícia, especifica por isso mesmo o acto. Logo, toda circunstância, que
aumenta a bondade ou a malícia, constitui nova espécie de bem ou de mal.
3.
Demais. ― Segundo Dionísio, o mal é causado por um defeito qualquer 1.
Ora, qualquer circunstância agravante da malícia implica um defeito especial.
Logo, causa nova espécie de pecado. E pela mesma razão, qualquer que aumente a
bondade parece acrescentar-lhe nova espécie de bondade, assim como qualquer
unidade acrescentada ao número produz nova espécie numérica, pois, o bem
consiste em número, peso e medida.
Mas,
em contrário. ― O mais e o menos não diversificam a espécie, mas um e outro é
circunstância que aumenta a bondade ou a malícia. Logo, nem toda circunstância,
que aumente a bondade ou a malícia, especifica o acto moral como bom ou mau.
DONDE
A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJECÇÃO. ― A diferença de aumento e diminuição, nas
coisas susceptíveis, desta e daquela, não diversifica a espécie, assim como a
diferença de maior ou menor brancura não faz diferir a espécie da cor. E,
semelhantemente, o que diversifica, aumentando e diminuindo o bem ou o mal, não
causa diferença específica no acto moral.
RESPOSTA
À SEGUNDA. ― A circunstância que agrava o pecado ou aumenta a bondade de um acto
não tem às vezes bondade ou malícia em si mesma, mas relativamente a uma outra
condição do acto, como se disse. E portanto, não confere espécie nova, mas
aumenta a bondade ou a malícia proveniente dessa outra condição.
RESPOSTA
À TERCEIRA. ― Uma circunstância pode implicar um defeito particular, não em si
mesma, mas relativamente à outra coisa. E semelhantemente, pode acrescentar uma
nova perfeição só por comparação com outra coisa. De modo que, embora aumente a
bondade ou a malícia, contudo nem sempre faz variar a espécie de bem ou de mal.
Nota:
Revisão da tradução portuguesa por ama.
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Notas:
1.
IV cap. De div. Nom., lect. XXII.
2. Q. 18, a. 10.
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