03/08/2023

Publicações em Agosto 3

  


Dentro do Evangelho –  (cfr: São Josemaria, Sulco 253)

 

(Re Lc XIX...)

 

A caminho de Jerusalém Jesus deteve-Se e ouvi-O dizer a dois discípulos: «Ide à povoação que está em frente de vós e, logo que nela entrardes, encontrareis um jumentinho preso, que ainda ninguém montou. Soltai-o e trazei-o. E se alguém vos perguntar: 'Porque fazeis isso?' respondei: 'O Senhor precisa dele;' e logo trouxeram o jumentinho a Jesus, lançaram-lhe por cima as capas e Jesus montou nele. Muitos estenderam as capas pelo caminho; outros, ramos de verdura que tinham cortado nos campos. E tanto os que iam à frente como os que vinham atrás gritavam:

Hossana! Bendito seja o que vem em nome do Senhor! Bendito o Reino do nosso pai David».

Todas estas cenas ficaram-me gravadas de forma indelével e nelas me detenho uma e outra vez.

Jesus não possui senão a roupa que veste, uma túnica de uma só peça, sem costuras, confeccionada por Sua Mãe e mantida pelas mulheres dos discípulos que, igualmente asseguravam a limpeza e manutenção das vestes de todos e se encarregavam das suas parcas refeições. Sim... parcas refeições porque como o Evangelista refere «Mal tinham tempo para comer» e, noutra passagem... comiam «as espigas que encontravam porque tinham fome».

Considerando tudo isto, revendo uma e outra vez estas cenas entranháveis, sou levado a pensar na responsabilidade, o dever que tenho de acorrer com o que possa para a manutenção dos Templos, as alfaias, o recheio, mas, mais... a manutenção do  Clero que precisa de se apresentar aos fiéis dignamente vestido, com saúde, isento de preocupações materiais.

A "esmola" que deposito na bandeja que passa pelos assistentes na Santa Missa tem de ser algo significativo de valor.

Uma moeda! Mas... por exemplo, um maço de cigarros ou uma Revista Semanal, custam várias moedas que não me coíbo gastar!

Cada um saberá como fazer, eu disponho-me a colocar na bandeja pelo menos... um "maço de cigarros ou uma Revista" , resolvo, também, não me ficar por aqui e dizer ao meu Senhor:

'Meu Jesus, deixa-me, pelo menos, ser o Teu jumentinho'.

 

Reflexão

Como já terei escrito - mas não me importo repetir - os meus actos têm sempre uma consequência. Não interessa a sua "importância", grande, pequena, trivial... geram consequências.

Tal conclusão deve levar-me a avaliar préviamente o que me proponho fazer; o que faço é visto, talvez, por muitos que não sabendo as razões porque fiz o que fiz só podem avaliar o que constatam e, talvez perplexos concluam: "Este não sabe o que faz".

 

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02/08/2023

Publicações em Agosto 02

  


Dentro do Evangelho –  (cfr: São Josemaria, Sulco 253)

 

(Re Mc XII…)

 

Dentro do Evangelho –  (cfr: São Josemaria, Sulco 253)

«Clamei bem alto e não me ouvias! No denso nevoeiro da doença, mergulhado num mar povoado de estranhos seres, sem saber se estava acordado ou adormecido, sem ter a noção onde começava e acabava o meu corpo: a cabeça... os pés... as mãos...; “aparafusado” numa cama que fazia parte de mim... os calcanhares...? (como é possível doerem tanto, os calcanhares?!...), clamei por Ti e não me ouvias! E, eu, mergulhava outra vez naquele oceano de perdição e voltava à superfície e de novo me perdia. Havia uma espécie de estratificação dos pensamentos, tinha tudo ordenado, muito bem organizado na minha cabeça: azuis, encarnados, verdes... dois azuis, três verdes... não... agora é um verde e depois... três ou quatro doutra cor qualquer. (decidi que as cores não eram importantes). Nada fazia sentido, estava vivo...?; morto...?; moribundo...? calado...?; aos gritos...? e o ar? Sim o ar: era solene, composto, digno ou, pelo contrário tinha a boca retorcida num esgar, os olhos vítreos esbugalhados, o gesto descontrolado? ‘Ne timeas!’’ Ouvi-te, finalmente! Percebi, então, só então, que estava tão preocupado com a minha doença, o meu sofrimento, que ficara incapacitado para Te ouvir...

Tranquilo, fui repetindo até adormecer: Ofereço..., ofereço..., ofereço!

Faça-se, cumpra-se a Tua Justíssima e Amabilíssima Vontade sobre todas as coisas. Ámen. Ámen.» ([1])

 

Como somos pequenos… e fracos… e débeis… Tantas coisas que nos afectam o espírito e condicionam a vontade! Por vezes há como que um alheamento da realidade, pretendemos conseguir resolver as dificuldades ignorando-as, na esperança, fútil, que elas se resolvam por si mesmas. Outras vezes dizemos para nós mesmos que já rezámos pelo assunto – até fizemos uma novena – e, portanto, tudo se resolverá.

Que tentação! ‘Já rezaste… deixa lá…’

O maligno sabe muito bem por onde pegar, e, embora não possa conhecer o nosso íntimo, pelos sinais exteriores apercebe-se da nossa fragilidade, talvez momentânea, e não perde ocasião de a aproveitar.

«Os espíritos imundos não podem conhecer a natureza dos nossos pensamentos. Unicamente lhes é dado adivinhá-los mercê de indícios sensíveis, ou examinando as nossas disposições, as nossas palavras ou as coisas que indicam uma propensão da nossa parte. Ao invés o que não exteriorizamos e permanece oculto nas nossas almas, é-lhes totalmente inacessível. Inclusive os próprios pensamentos que eles nos sugerem, o acolhimento que lhes damos, a reacção que nos causam, tudo isto não o conhecem pela própria essência da alma (...) mas, em todo o caso, pelos movimentos e manifestações externas. ([2])

 

Temos sempre de pôr todos os meios na procura do que necessitamos. O Senhor não espera de nós nada que vá além das nossas forças e das nossas capacidades. Mas espera que as utilizemos, todas, com critério e sem desfalecimentos.

Jesus não é uma espécie de milagreiro a quem recorremos nas aflições, nas dificuldades, resolvendo as coisas, ou concedendo sem demora aquilo que pedimos. É verdade que Deus é infinitamente bondoso, mas também é infinitamente justo.

A Sua justiça pede, portanto, um empenhamento pessoal, dedicado e completo.

Atrever-me-ia a dizer que, muitas vezes, o Senhor concede a graça que pedimos, não pela graça em si, pelo bem em que ela consiste, mas movido pelo esforço, empenho e persistência que pusemos da nossa parte em conquistá-la.

O contrário será, talvez, uma espécie de tentação a Deus, apresentar-nos assim, miserandos, aflitos e até chorosos, ante o Senhor, pedindo-lhe que nos conceda isto ou aquilo. Com Deus não se fazem chantagens ou exercem pressões, ou se fazem negócios do género: ‘se me concederes isto eu, faço aquilo’.

 

No nosso mar “particular”, que é a nossa vida, não estamos nunca sozinhos. Na margem, Jesus espera uma oportunidade de subir para a nossa barca para nos indicar o melhor rumo a seguir. Quer que vamos mar adentro «duc in altum», mas sabe muito bem que somos incapazes, por nós mesmos, de o fazer. E, então, dispõe-se a dar-nos as instruções precisas, fundamentais que, só um timoneiro divino pode dar. Remar sem descanso, com um ritmo certo e vigoroso, levantar as velas quando houver vento favorável, recolhê-las, cautelosamente, quando a tempestade se aproxima, corrigir o rumo quando as correntes nos desviam da rota e, finalmente, lançar a rede onde só Ele sabe que há peixe para recolher. É um trabalho de uma vida, sem descanso nem distracções, somos pescadores não do “nosso mar” mas do oceano divino e, o mandato que recebemos é bem preciso: Pescadores de homens!

‘Quais homens?’ pergunto-me às vezes. E a resposta é sempre a mesma: ‘Todos os homens, todos são Meus filhos, por todos dei a Minha Vida’.

Há para aí alguns – muitos, infelizmente – que andam perdidos, embrulhados nas redes das paixões deste mundo, confundidos com as correntes das opiniões dos outros, desnorteados com os rumos que lhe sugerem. ‘Tu – diz-me Ele a mim – és importante, imprescindível para os trazeres de volta à praia. Aqueles que esperam por ti, se não os encontrares e salvares, perder-se-ão porque não há substitutos para a tua missão.’

 

«Por cima do meu mar revolto levantou-se um nevoeiro espesso que me envolvia como num manto ou, talvez, como uma mortalha bem à minha medida já que não conseguia mexer-me minimamente. Queria muito tocar o nevoeiro, a sua textura, perceber de que era feito. Parecia-me como que uma espuma das ondas do mar bravio, mas, ao mesmo tempo, também se apresentava como uma nuvem etérea de uma tarde de Inverno, mas as minhas mãos não me obedeciam. Estavam onde deviam estar, nas extremidades dos braços, aparentemente prontas e disponíveis para o que fosse preciso, mas... não…, não conseguia movê-las, ou melhor, moviam-se como se tivessem vontade própria, para coçar uma comichão no nariz, a mão direita ia “viajar” até à nuca, depois ao pescoço e, quando lhe parecia, lá tocava, então, no nariz. Entretanto, a esquerda, para carregar no botão do telemóvel para atender uma chamada, encarava o serviço como algo tão difícil e custoso que, normalmente, quem me chamava, desistia.

‘Nevoeiro e mar... Que mais, Senhor, que mais mandas? Olha que eu... não posso, sou fraco, débil, tenho medo!’

 

Ne timeas!

Ouvi-Te e... deixei-me “ir” murmurando como podia: 'Gratias tibi, Gratias tibi'.» ([3])

 

O medo! O medo paralisa.

O medo revela, sempre, uma atitude de cobardia pessoal. Assumir as consequências das nossas atitudes, dos actos que praticamos é, muitas vezes difícil, nomeadamente quando, por um motivo ou outro, temos a percepção que merecemos crítica ou reparo.

Faz parte da vida de todos os dias, a vida corrente de cada um, ter de assumir responsabilidades, grandes ou pequenas, dar respostas, tomar decisões. Fugir ou pretender ignorar, ou, muitas vezes, adiar para uma ocasião que consideremos mais oportuna ou favorável, não resolve nada, bem pelo contrário, talvez agrave e complique, desnecessariamente, a questão.

Quantas vezes nos sentimos ufanos de comentários favoráveis a nosso respeito e nos deixamos invadir por uma confortável sensação de bonomia quando, complacentemente, ouvimos um elogio? Não pensamos que, o elogio que nos é feito vem de alguém que não nos conhece verdadeiramente, isto é, não imagina sequer os muitos defeitos do nosso carácter?

Então, surge o medo que se venha a saber, que de alguma forma descubram esses defeitos, essas deficiências que conhecemos bem. 

Medo da vida… sim… medo da vida, do futuro, do dia de amanhã. O dia de hoje, este dia concreto em que estamos, é que é importante e tem de ser vivido com plenitude, não descurando nenhuma oportunidade que se nos apresente de fazer algo bom, de emendar algo errado que fizemos ontem, de concretizar aquele plano que tínhamos guardado.

Hoje é o tempo oportuno, a ocasião favorável.

Medo do comprometimento em algo que exija de nós desprendimento, serviço, doação. Daquilo que pode alterar a tranquilidade do nosso viver, o ritmo a que estamos habituados do esquema de vida que fomos construindo ao longo dos anos e onde nos sentimos confortáveis.

Medo de corrigir o que está mal nos outros de, com caridade, mas com desassombro, apontar o erro, o engano.

Medo de “ficar mal” se nos mantivermos firmes nas nossas convicções bem informadas e não transigirmos com o erro – propositado ou fruto da ignorância – que outros divulgam à nossa volta.

Medo de procurar conselho, ajuda quando pensamos que esse conselho, essa ajuda, vem exigir de nós novas atitudes de correcção interior.

Medo, finalmente, de não sermos ouvidos nas nossas preces quando consideramos a nossa total falta de merecimento.

Não revelam, todos estes “medos” falta de coragem, ou seja, cobardia?

 

Jesus Cristo deu-nos numerosos exemplos do que é não ter medo.

Por exemplo, quando pegou num azorrague expulsou os vendilhões do templo, não teve medo de ser mal interpretado, nem então nem nos séculos futuros, e poder ser considerado um arruaceiro intransigente e fanático.

Fez o que achou que deveria ser feito, exactamente para nos ensinar o que, em situações semelhantes de adulteração e profanação do sagrado – e tantas há nos nossos dias – devemos fazer.

As Suas atitudes eram tão desassombradas que Lhe perguntavam: «Com que autoridade fazes estas coisas» E, Jesus, não ficou “mal”, bem pelo contrário.

A Sua resposta é a adequada às pessoas preconceituosas que o interrogam: «Também Eu vos farei uma pergunta; respondei-me e dir-vos-ei, então, com que autoridade faço estas coisas: O baptismo de João era do Céu, ou dos homens? Respondei-me([4])

 

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[1] AMA, memórias do Hospital, Synesthesia,

[2] Cassiano, Collationes, VI 17.

[3] AMA, memórias do Hospital, Synesthesia,

[4] Cfr. Mc 11, 27-33.

01/08/2023

Publicações em Agosto 01

  


Dentro do Evangelho –  (cfr: São Josemaria, Sulco 253)

 

(Re Mc XIV…)

 

Debruço-me sobre o ombro de São Lucas tentando ler o que escreve; apercebo-me que está a relatar os acontecimentos que se registaram nos nove meses que antecederam o Nascimento de Jesus.

Estivera longas horas conversando a Santíssima Virgem tomando notas, fazendo algumas perguntas.

A Senhora acedeu prontamente em revelar quanto «guardava no seu Coração» porque, estou certo, entendeu que tal seria muito importante para confirmar os seus filhos, os homens, na Fé no seu Divino Filho.

Como estou grato a São Lucas por me ter deixado este "testemunho em primeira mão" que me permite que, uma e outra vez, me detenha na maravilhosa história da minha salvação maravilhando-me com a "arquitectura", minúcia e cuidado dos Planos de Deus.

Na minha memória conservo gráficamente intactas lembranças da minha vida desde a minha infância, considero tal como um bem inestimável porque, hoje, com esta idade, posso como que aferir ou comparar quanto me surge como sendo "novo" com algo similar que já vivi. Quase sempre encontro referências, porque a vida humana, sei-o bem, não é uma sucessão de factos, acontecimentos desgarrados mas, antes, os efeitos concretos de actuações anteriores. O que faço, o que fiz será a causa. Se a causa está correcta então, o efeito, será correcto.

Volto ao princípio para considerar que a resposta da Santíssima Virgem ás palavras do Arcanjo São Gabriel é a causa que encerra toda a maravilha do efeito: Fui salvo por Jesus Cristo, convertido em Seu irmão, candidato predestinado à Vida Eterna na contemplação da Santíssima Trindade.

Uma, talvez, das mais expressivas manifestações do amor estará no acto sexual. No entanto tal envolve, deve envolver, uma consideração que não pode descartar-se: a licitude dessa manifestação. Por licitude entendo que o acto sexual só é licíto entre um homem e uma mulher unidos pelo Matrimónio, ou seja, um casal, Homem e  Mulher, constituídos num só. Tudo resto não passam de corrupções desta verdade absoluta. Haverá desvios que pretendem justificar outras condutas, mas não são outra coisa que isso mesmo... desvios, tentativas e pseudo- razões para justificar o que não é justificável. Dentro deste conceito avulta particularmente a prática homossexual, ou seja, praticar actos sexuais com alguém do mesmo sexo. Sei, reconheço, que este será um assunto controverso e sujeito a interpretações várias, mas a verdade é só uma e, portanto não admite nem interpretações nem "acomodações" que possam convir a quem seja. O acto sexual só é licíto entre um casal heterogéneo, um homem e uma mulher, unidos pelo Sacramento do Matrimónio, tudo resto não é aceitável.

 

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31/07/2023

Publicações em Julho 31

  


Dentro do Evangelho –  (cfr: São Josemaria, Sulco 253)

 

(Re Mt IX…)

 

Hoje, o que melhor guardei das palavras de Jesus foi a sua insistência na Fidelidade como meio indispensável para alcançar a santidade pessoal; «Nem todo aquele que diz: Senhor, Senhor entrará no Reino dos Céus, mas o que faz a vontade de Meu Pai» e, na continuação do Seu discurso foi realçando e insistindo na importância da Fidelidade.

De facto, ninguém consegue fazer a vontade de Deus se não for fiel em tudo, na sua vida, no seu querer, nos seus actos. Mesmo quando essa fidelidade custe a observar porque estou “ocupado” noutras coisas que considero urgentes, assoberbado por preocupações para as quais não encontro solução, ser fiel, isto é, em primeiro lugar fazer o que devo, como e quando devo tenho de fazer quanto possa por cumprir o que sei é a Vontade de Deus.

Por vezes, talvez muitas vezes, é difícil porque a Vontade de Deus não coincide com a minha ou, até, se opõe frontalmente; o Senhor olhará para mim, como sempre, com olhos de misericórdia infinita e saberá como ajudar-me a ser fiel e, assim, alcançar essa Santidade que procuro e desejo.

A “paga” é generosa, abundante, absolutamente gratificante… sentir-me bem comigo mesmo porque fui fiel à minha condição de Filho de Deus.

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