16/06/2023

Publicações em Junho 16

  


Dentro do Evangelho –  (cfr: São Josemaria, Sulco 253)

 

(Re Mt XVVIII)

 

Personagem

 

Desta vez vou “meter-me” neste trecho de São Mateus personificando a figura do Rei.

Tenho por hábito – assim me ensinou o Rei meu Pai – acudir às necessidades dos meus súbditos e, por vezes, vou algo mais além do que seria aconselhável ou, até, prudente. Aconteceu exactamente com um homem que, sei, possuía razoáveis meios de fortuna, mas que por motivos que não averiguei se viu numa situação muito delicada. Veio à minha presença várias vezes com pedidos de ajuda que nunca lhe neguei. Concedi-lhe sempre o que me pedia.  Acontece que ontem mesmo, o meu administrador veio ter comigo para me expor um problema que me deixou… atónito. Começou por dizer-me que o erário real estava francamente desfalcado e que os empréstimos que vinha fazendo não poderiam continuar no mesmo ritmo e, sobretudo, montantes, sob pena de correr risco de forte recessão. Concretamente referiu-me o tal servo de que falava cuja dívida atingia a enormidade de dez mil talentos!   Rapidamente fiz as ”contas”: Dez mil talentos, uns sessenta milhões de denários! Sendo um denário o salário diário de um trabalhador… Tive de reconhecer que me excedera e de algum modo não fora justo para com os outros meus súbditos entregando a um o que poderia ter repartido por muitos. Mandei chamar o homem e, sem mais, disse-lhe que era tempo de me devolver o que lhe emprestara. A reacção foi surpreendente: disse-me pura e simplesmente que não tinha como pagar-me. Perguntei-lhe o que fizera com tanto dinheiro que lhe emprestara para reconstruir a sua vida, mas… não me deu resposta.   Ao meu ouvido o administrador dizia-me que este súbdito não era muito boa pessoa, descurava os seus deveres até para com a família e, tudo isto porque tinha o terrível vício da avareza. No fim e ao cabo o dinheiro que eu lhe dava graciosamente servia para empresta-lo a outros cobrando juros elevadíssimos, praticando uma usura miserável com o que não era de facto seu. Fiquei naturalmente indignado e lavrei uma sentença que, em suma, decretava que se vendesse quanto tinha, se apreendessem todos os seus bens, se necessário vendessem a mulher e os filhos até reunir a quantia em dívida. Mas o desgraçado – não posso chamar-lhe outra coisa – lavado em lágrimas e gemendo pediu-me encarecidamente que lhe desse um pouco mais de tempo, que conseguiria resolver a sua vida e reunir o necessário para satisfazer a dívida. Tive pena do pobre homem, é verdade! Senti uma enorme pena de uma pessoa que, não obstante a sua má conduta, talvez merecesse que lhe concedesse o que me pedia. Mas eu tinha bem a noção da enormidade da dívida e que nunca lhe seria possível devolver-me o que lhe emprestara. Assim, para acabar com o assunto e na esperança que realmente se corrigisse, perdoei-lhe toda a dívida e mandei-o embora em paz. Confesso que fiquei muito contente com a minha decisão, afinal de que me serve ser Rei se não posso fazer o que quero com o que é meu?

 

 

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15/06/2023

Publicações em Junho 15

  


Dentro do Evangelho –  (cfr: São Josemaria, Sulco 253)

 

(Re Mt I… )

Viver a fé na vida normal de todos os dias.

Este é o grande desafio da minha vida de cristão; estar à espera de uma ocasião soberana em que a minha fé seja posta à prova é uma patetice, uma tentação; uma patetice porque nada me diz que tal venha a acontecer, uma tentação porque me desvia do imediato e concreto para considerar uma hipótese futura.

Viver a Fé não é outra coisa que cumprir um dever pessoalmente assumido, considerar que O Meu Deus e Criador, comenda a minha vida inteira, todos os dias, e espera de mim que eu faça quanto possa para O satisfazer.

Bem sei, posso pouco, muito  pouco mas, ao considerar que nunca estou só, que Ele me acompanha sempre, sinto-me confortado e àvontade.

A minha Mãe do Céu me guiará com mão terna e segura pelos caminhos que devo seguir.

Portanto, concluo, para ter Fé é necessário entregar-me decidida e inteiramente nas Mãos de Jesus e de Sua e minha Mãe, Maria Santíssima.

 

Reflexão

Querer e poder

 

Quero... então Posso…

Bartimeu respondeu à pergunta Jesus: «Se quiseres podes curar-me». É uma afirmação de completa e profunda Fé.

«Se posso? A quem acredita tudo é possível», respondeu Jesus.

Parece pois claríssimo: Se acredito... posso.

 

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14/06/2023

Publicações em Junho 14

 


Dentro do Evangelho –  (cfr: São Josemaria, Sulco 253)

 

(Re Mt V… )

 

Este texto que São Mateus escreve revela bem o valor, a dignidade da pessoa humana.

Jesus considera bem-aventurados todos os homens sem excluir nenhum; eu, portanto,sou bem-aventurado o meu Criador deu-me quanto possa ser necessário para ser feliz, já aqui nesta vida terrena e, depois, na vida eterna no Céu.

Ao imprimir em mim a Sua Imagem e Semelhança atribuiu-me a própria Dignidade Divina e, ao dar-me bem conta deste extraordinário benefício não posso mais que pedir-Lhe, constantemente, que me ajude a ser digno, a não defraudar as Suas expectativas a meu respeito.

Sei muito bem a “esmagadora” responsabilidade que se me depara e a minha fraca capacidade para a assumir como devo, mas sei, tenho absoluta certeza que Ele não me faltará para suprir o muito que me falta. Só espera que eu Lho peça para alegremente mo conceder; por isso Lhe digo do fundo do meu coração:

Senhor, ajuda-me a ser, a comportar-me como teu Filho!

 

Reflexão

 

Deixaram tudo e seguiram-No

 

Pedro e o seu irmão, André «Deixaram tudo»!... diz Mateus.

Como Cristo hão-de entregar também as suas vidas na cruz.

Ambos se consideraram indignos ser crucificados como o Rabi por Quem tinham abandonado tudo, naquele dia, nas margens do mar da Galileia: Pedro quer ser crucificado de cabeça para baixo; André escolhe uma cruz em X. Quiseram deixar bem claro quem era o Mestre e quem eram os discípulos. E eu? O que é que eu tenho deixado, ao longo da minha vida, pelo meu Mestre? Umas poucas coisitas de pouca monta e, mesmo assim, sempre relutante, a contra-gosto.

Fico-me para aqui, agarrado às minhas redes, encostado ao meu barco e não avanço mar dentro à pesca com é meu dever. Ah! Porque o tempo não está favorável; talvez amanhã; porque estou cansado; porque chove; está frio; faz muito calor; não me apetece; ainda ontem fui e não apanhei nada! Tantas razões sem razão nenhuma!

Vá! Nunc coepi! Agora...agora começo. Com o que tenho, com as minhas misérias e pouca coisa, com os meus enormes defeitos e pequenas virtudes, mas de ouvidos bem atentos à voz de quem chama: Tu...! Vem e segue-me!

 

 

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13/06/2023

Publicações em Junho 13

 


Dentro do Evangelho –  (cfr: São Josemaria, Sulco 253)

 

Re Act, VIII, 9-18

O texto refere que São Paulo "rapou a cabeça em cumprimento de um voto".

É para mim evidente que esta referência foi "autorizada" pelo Apóstolo.

A mim... apaixonado por este HOMEM, tal "confissão" suscita-me uma pergunta: Porquê?

Sabe-se que o Apóstolo tinha "fraquezas" pessoais que, talvez, o incomodassem: a gaguez seria uma delas - por isso, talvez preferisse escrever que falar e ainda bem porque nos deixou um extraordinário acervo de escritos catequéticos -, a calvície incipiente fosse como que um "desafio" à sua vaidade pessoal... não sei mas, que constato é que o Apóstolo "corta o mal pela raíz"... rapa a cabeça.

Um pregador gago e de cabeça rapada! Que coisa...!

Mas, São Paulo, não se preocupa com isso, o que deseja e quer, é cumprir a sua missão com os meios que tem, tal qual é, e, por isso mesmo, converteu milhões abrindo-lhes as portas da Vida Eterna.

Eu, que sou quem sou, tenho de ter bem presente que se o Senhor me pede algo é porque sabe, absolutamente, que com o que tenho, com o que sou, posso fazer o que Ele espera que faça: ser Apóstolo, servi-Lo.

 

Festa – Santo António de Lisboa

Não me é possivel fazer um comentário “desapaixonado” sobre Santo António, não só porque eu próprio me chame António e “pese sobre os meus ombros” o ónus deste nome do Santo até hoje mais céleremente canonizado… um escasso ano após a sua morte…, mas porque a  sua vida, os seus escritos e sermões encerram uma vastidão de conhecimentos e lições que não se contêm num simples escrito.

 

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12/06/2023

Publicações em Junho 12

  


Dentro do Evangelho –  (cfr: São Josemaria, Sulco 253)

EVANGELHO

 

(Re Mt I…)

Esta descrição da genealogia de São José constava nos Registos dos Varões de Israel, bastaria aos enimigos de Jesus consultá-los para saberem Quem era, donde vinha, talvez o tivessem feito mas não lhes convinha confessar a verdade, os seus estatutos, cargos, importância estariam em jogo.

Extraio uma lição:  Tenho de procurar quanto estiver ao meu alcance para ser esclarecido sobre o que me ofereça dúvidas, nomeadamente factos, sinais, declarações de outrém; decidir e, pior… julgar, sem saber, é algo que não posso consentir-me.

 

São José

 

CARTA APOSTÓLICA PATRIS CORDE

 

6. Pai trabalhador

 

Um aspecto que carateriza São José – e tem sido evidenciado desde os dias da primeira encíclica social, a Rerum novarum de Leão XIII – é a sua relação com o trabalho. São José era um carpinteiro que trabalhou honestamente para garantir o sustento da sua família. Com ele, Jesus aprendeu o valor, a dignidade e a alegria do que significa comer o pão fruto do próprio trabalho.

Neste nosso tempo em que o trabalho parece ter voltado a constituir uma urgente questão social e o desemprego atinge por vezes níveis impressionantes, mesmo em países onde se experimentou durante várias décadas um certo bem-estar, é necessário tomar renovada consciência do significado do trabalho que dignifica e do qual o nosso Santo é patrono e exemplo.

O trabalho torna-se participação na própria obra da salvação, oportunidade para apressar a vinda do Reino, desenvolver as próprias potencialidades e qualidades, colocando-as ao serviço da sociedade e da comunhão; o trabalho torna-se uma oportunidade de realização não só para o próprio trabalhador, mas sobretudo para aquele núcleo originário da sociedade que é a família. Uma família onde falte o trabalho está mais exposta a dificuldades, tensões, fraturas e até mesmo à desesperada e desesperadora tentação da dissolução. Como poderemos falar da dignidade humana sem nos empenharmos para que todos, e cada um, tenham a possibilidade dum digno sustento?

A pessoa que trabalha, seja qual for a sua tarefa, colabora com o próprio Deus, torna-se em certa medida criadora do mundo que a rodeia. A crise do nosso tempo, que é económica, social, cultural e espiritual, pode constituir para todos um apelo a redescobrir o valor, a importância e a necessidade do trabalho para dar origem a uma nova «normalidade», em que ninguém seja excluído. O trabalho de São José lembra-nos que o próprio Deus feito homem não desdenhou o trabalho. A perda de trabalho que afeta tantos irmãos e irmãs e tem aumentado nos últimos meses devido à pandemia de Covid-19, deve ser um apelo a revermos as nossas prioridades. Peçamos a São José Operário que encontremos vias onde nos possamos comprometer até se dizer: nenhum jovem, nenhuma pessoa, nenhuma família sem trabalho!

 

Francisco

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