11/06/2023

Publicações em Junho 11

  


Dentro do Evangelho –  (cfr: São Josemaria, Sulco 253)

 

 

(Re Jo XII, 20-22)

Considero esta passagem do Evangelho escrito por São João como que a definição do que deve ser o apostolado que, como qualquer cristão baptizado, estou obrigado a fazer. Antes de qualquer acção apostólica tenho de informar-me colhendo a opinião abalizada do meu Director Espiritual. Ele tem a Graça do Espírito Santo que o leva a transmitir-me o que devo fazer, como devo fazer e com quem. Atribuir-me a mim próprio estas decisões é um risco que não devo assumir. Todo o conhecimento que possa ter, instrução religiosa, certezas sobre a Fé não constituem garantia de acertar no caminho, precisarei, sempre, de um guia. Os mais íntimos de Jesus não hesitavam em consultar-se uns aos outros sobre o caminho a seguir. A sua acção apostólica começou quando Cristo os enviou dois a dois. Fê-lo, exactamente, para que, apoiando-se uns nos outros, fossem corrigindo e acertando as próprias acções para que a missão pudesse ter os resultados que desejavam colocar aos pés de Jesus. Os "resultados do meu apostolado pessoal" não me pertencem, são de Jesus; ao recebê-los, Ele que nem um "simples copo de água" dado por amor deixa sem prémio, como me premiará?! O tentador haverá de insinuar-me que não passo de um interesseiro mas, eu não me importo de, neste caso, concordar; tenho o maior interesse na minha Salvação Eterna, logo, quanto estiver ao meu alcance para o conseguir fá-lo-ei sem hesitar. Tenho de ter bem presente que, eu, não posso nada, não tenho nada, sou menos que nada. Não tenho nenhuma competência, pergaminho ou estatuto para advogar em causa própria e, muito menos pretender fazê-lo com outros. Mas tenho, isso sim, que ter bem presente que, muito melhor que eu, o Senhor conhece-me e, portanto, não espera de mim grandes ou pequenas coisas, espera, todavia, que Lhe dê quanto possa, e, penso, aqui está a "chave": se der quanto tenho a mais não serei obrigado e, despido de tudo, poderei apresentar-me a "julgamento" sereno e confiante. Que é difícil? Não! Para mim é dificílimo porque dado o que sou e como sou tenho esta fraqueza de pretender "dar um passo maior que a perna", daí que, se avanço um centímetro, recuo um metro. Sinto absoluta necessidade de uma "estratégia" que, talvez seja... não pretender avançar um metro mas apenas um centímetro e, desta forma, o milímetro que recuar será de mais fácil recuperação. A aritmética aplicada ás coisas do espírito?! Talvez... possa ser um recurso eficaz.

Tendo muito presentes o que clarissimamente disse Jesus Cristo... «Um só É o vosso Mestre, um só É o vosso Doutor», fico, tenho de ficar absolutamente tranquilo, Ele nunca me deixará sem a Sua assistência.

Reflexão

 

A Santa Missa

Alguns dizem: Assistir à Missa pela televisão, o computador… não interessa nada, não “vale”.

O conceito é profundamente errado porque, “assistir” à Missa não faz sentido nenhum.

Se vamos à Igreja “assistir” à Missa, porque não o poderemos fazer pela Televisão ou telemóvel?

O que está em causa é “assistir” quando o que deveria ser era: PARTICIPAR!

É aqui que  reside a diferença… assistir e partcipar são duas coisas completamente diferentes. Assisto à projecção de um filme, a uma peça de teatro e digo bem porque não participo nem no filme nem nas cenas teatrais.

Mas, a Santa  Missa não é para “assistir” é para participar. «Fazei isto em minha memória» foi o que Jesus disse clarissímamente e que os Apóstolos e os que se lhes seguiram entendenderam perfeitamente.

Donde, concluo: se pela televisão ou computador… “assisto” à celebração da Santa Missa, e a minha atenção, a minha alma tudo o que sou, quer, verdadeiramente quer, participar, então aúnica coisa que diferencia uma Missa da outra será a Comunhão Eucaristica, mas, esta é perfeitamente “substituida” pela Comunhão Espiritual, que é a que verdadeiramente interessa.

Uma Comunhão Eucaristica presencial, física, só é verdadeiramente Comunhão se no íntimo do nosso coração tivermos esses “sentimentos de pureza, humildade e devoção com que Vos recebeu Vossa Santíssima Mãe, com o espírito e fervor dos Santos”.

Donde…

 

 

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09/06/2023

Publicações em Junho 9

  


Dentro do Evangelho –  (cfr: São Josemaria, Sulco 253)

EVANGELHO

Mt XVII

 

Hoje aconteceu uma coisa extraordinária, não mais extraordinária que muitíssimas outras que tenho vivido acompanhando Jesus no Seu deambular habitual mas, talvez, pelo detalhe que o próprio Evangelista faz constar: Depois de uma noite sem pescar nada e obedecendo a Jesus, os discípulos lançaram a rede e recolheram "153 grandes peixes". Este detalhe excita a minha imaginação... o que seriam "grandes peixes"? No lago onde pescavam os peixes eram pequenos, mal chegando a pesar 1 quilo, daí que considere que " grandes peixes" pesem muito mais... talvez 3 quilos cada um... se assim for, temos que a pesca somou qualquer coisa à volta dos 550/600 quilos de peixe! Quase uma tonelada de peixe! O que fazer com tanto peixe? Desde logo, chamar amigos, conhecidos, parentes, vizinhos e distribuir a cada um, mas... ainda sobra muito peixe, muito peixe!!! Jesus Cristo nunca Se fica por pouco, pelo estritamente necessário, vai sempre mais além; com mãos largas dá sempre muito mais que o que pedimos porque, o Seu Amor por nós não se mede nem com números nem com "contabilidades", vai sempre muito mais além dando-nos a possibilidade de distribuir por muitos outros o que a Sua larguesa e generosidade nos deu. Toda a minha já longa vida está recheada destas "atitudes" do Senhor, (peço cem e Ele dá-me mil) e eu, tenho de pensar que se Ele procede assim comigo, sendo eu o que sou, como não procederá para com aqueles que, verdadeiramente, O seguem? Por isso, eu, que sou um ousado insatisfeito, não me canso de Lhe pedir: 'Senhor dá-me o que Te peço e manda o que quiseres", DA QUOD IUBES ET IUBE QUOD VIS!

 

Reflexão

"Corrigir os que erram" é um dever cristão. Corrigir não tem a ver com criticar. A crítica está sempre conectada com uma consideração pessoal ao passo que a correção tem de "estabelecer" a verdade sobre o que for.

Daqui que seja absolutamente necessário pedir, antes de actuar, a assistência do Divino Espírito Santo e, em particular, do Seu Dom de Ciência, para que o que fizer estar de acordo com a sã Doutrina.

 

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07/06/2023

Publicações em Junho 7

 


Dentro do Evangelho –  (cfr: São Josemaria, Sulco 253)

EVANGELHO

 

(Re Jo, XV, 15…)

 

 

O servo do centurião

Nessa altura fora também um Centurião a implorar pelo seu servo doente. Não se achara digno de comparecer ante Jesus e, assim pedira por interpostas pessoas. Fez mais, declarou expressamente ao Mestre que se sentia indigno de O receber em sua casa, mas que sabia que bastaria uma palavra Sua para se cumprir o que desejava. Jesus ficou admirado com a sua fé e fez o que lhe pedia. [i]   Agora o que se passa é mais grave. Jesus sabe muito bem que a filha de Jairo já morreu. Pode, se quiser, devolvê-la à vida em qualquer momento, em não importa que local, mas encontra uma ocasião propícia para edificar o povo que O seguia e, talvez principalmente, os três discípulos que convocará para O acompanharem. Estes três escolhidos terão sempre um lugar muito particular nos grandes momentos da vida pública de Jesus. Estiveram nas bodas de Caná como São João diz expressamente [ii] – era usual os “rabis” fazerem-se acompanhar de alguns dos seus discípulos mais chegados -, talvez, na altura, não se tivessem dado bem conta do portentoso milagre que, a instâncias de Sua Mãe, Jesus operou. Por uma razão simples e muito humana, poder-se-ia dizer: “salvar a face” dos noivos aflitos com a falta de vinho. Não são necessárias grandes causas ou magnos problemas para que Cristo Se compadeça do ser humano. O Seu Coração amantíssimo move-Se pelos mais singelos problemas dos homens e, ainda mais, quando a Sua Mãe intervém. ‘A ti, Mãe, recorro nesta hora de preocupação. Como em Caná intervieste em favor dos noivos que, sem terem pedido, obtiveram por teu intermédio uma graça inesperada, diz-lhe também agora: Este meu filho não tem! E como é uma graça que por tua maternal intercessão, solicito, tenho a certeza que a obterei’.  

Terão os discípulos percebido que fora devido à intervenção da Virgem que, Jesus decidira, definitivamente, fazer o milagre? Talvez não. Podemos supor que sendo a primeira vez que o poder divino de Jesus se manifestava de forma tão evidente, eles não estivessem preparados para dar atenção aos pormenores. Mais tarde, sim. No fragor dos dias que se seguiram à Crucifixão e Morte do Senhor, hão-de procurar refúgio junto da Mãe e, será junto dela, no Cenáculo, que receberão o Espírito Santo que lhes abrirá definitivamente a compreensão de todas as coisas. Junto dela encontramos, sempre, refúgio e protecção, a luz necessária para distinguir os caminhos que Jesus quer que percorramos e, também, a compreensão das incidências e agruras que inevitavelmente surgem na vida de cada um. Pedro, que será a coluna sobre a qual assentará a Igreja de Cristo, duvidará muito, terá momentos de desânimo, sem compreender o que Jesus lhe diz acerca do sofrimento, da Cruz. Maria, ajudá-lo-á a compreender, a confiar e, sobretudo, a aceitar. Repetirá, vezes sem conta, o que dissera em Caná: Fazei tudo o que Ele vos disser[iii] Chamá-los-á também para testemunhar a Sua Transfiguração, para verem com os seus olhos tão humanos a glória do Filho de Deus. Ainda aqui, não entendiam nada. Com os olhos carregados de sono, a Pedro só lhe ocorre dizer que se sente bem, que não quer afastar-se daquela visão, daquele local. Depois, nos momentos derradeiros, convidá-los-á, aos mesmos três, para O acompanharem no Horto das Oliveiras para testemunharem a Sua Agonia. Mais uma vez, o sono vence-os. Este sono é a figura do desânimo, da preocupação, da incerteza, do medo.   Tristeza e sono… como andam juntas estas “fraquezas” do homem! Consentir na tristeza é caminho certo para adormecer. Ficamos absortos no problema ou na situação que nos aflige e nos entristece. Tudo parece cinzento à nossa volta, não vemos nem saída nem escapatória e, se nos deixarmos ir por aí, o mais certo é os nossos olhos deixarem de ver o que realmente se passa à nossa volta e cerrarem-se com sono.  E, a tristeza, que tem a ver com isto, que, afinal, são coisas pequenas que procuramos reprimir de imediato? Tem, e muito, a ver. Porque essa alegria e esse contentamento depressa se desvanecem quando nos damos conta da nossa fraqueza, do pouco que somos, da nossa tendência para considerar detidamente tudo quanto é agradável aos nossos sentidos e, em contrapartida, a fuga ao sacrifício, à entrega, à renúncia, à simples contenção de pensamentos, atitudes e palavras. Os discípulos agora, não sentem sono. Estão bem despertos, talvez preocupados com a multidão que cerca Jesus num turbilhão de pessoas de todas as condições sociais, homens, mulheres, jovens e anciãos, gente humilde e de posses, letrados e ignorantes, sãos e doentes, que querem aproximar-se, ouvir, tocar o Mestre. A sua preocupação é protegê-Lo, resguardá-Lo e, talvez, também darem a perceber que são os discípulos, os próximos, os íntimos. Talvez haja algum orgulho, vaidade até. Afinal, são eles os confidentes de Jesus…‘Que são orgulho! Que justificada vaidade! Estar próximo de Jesus. Ser Seu íntimo!’

Mas, como se pode ser íntimo de alguém se não convivemos com esse alguém com regularidade, com interesse?

 

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[i] Cfr. Lc 7, 1-10.

[ii] Jo II,2

[iii] Jo 2, 5

06/06/2023

Publicações em Junho 6

  


Dentro do Evangelho –  (cfr: São Josemaria, Sulco 253)

EVANGELHO

 

(re Jo XV

 

Personagem - Jairo

Ser servo e ser amigo

Há de facto uma diferença e vê-se bem qual é. O amo pode ser amigo do seu servo, isto é, sente amizade por ele porque faz o que lhe manda fazer, é diligente, não recalcitra, aceita de bom grado o trabalho que lhe encomenda, a sua liberdade para escolher outro servo está condicionada pela aptidão que esse outro possa ter para cumprir as tarefas que este cumpre a contento, mas mesmo querendo-lhe como amigo tratá-lo-á sempre como servo. O inverso pode também ser verdadeiro, o servo pode ter amizade pelo seu senhor porque é justo, o trata com urbanidade, não lhe exige tarefas que vão além das suas capacidades, mas sempre o considerará como seu amo e não tem a liberdade de poder escolher outro. Então a diferença está exactamente nisto: os amigos verdadeiros são-no em qualquer circunstância e não se exigem nada um ao outro pelo contrário gozam com as diferenças e idiossincrasias de cada um encontrando sempre pontos comuns ou que se completam. São livres de ter outros amigos, diferentes interesses e objectivos. Sim, de facto existem diferenças e de monta, mas também existe algo que é comum e, esse algo, é exactamente o serviço. Os amigos verdadeiros prestam-se serviços mútuos, pequenos ou grandes, de muita ou escassa importância. Serviço que começa na disponibilidade gratuita para suprir uma necessidade, ajudar a ultrapassar um momento menos bom, na partilha da alegria e da dor do outro, tudo como que balizado por um profundo respeito mútuo pela privacidade de cada um. É esta a amizade à qual o Senhor se refere [i] e, de facto, uma amizade assim pode conduzir à dádiva da própria vida pelo amigo.

Esta realidade que me atinge como um raio, deixa-me sem palavras: Jesus é meu amigo! Sendo eu o que sou. Sendo eu como sou. Durante os anos, e não são poucos, quantas conversas, quantos desabafos, queixas e pedidos não Lhe fiz! Meu amigo! Jesus é meu amigo. Com esta certeza, com este AMIGO, que mais posso precisar? Que posso temer? Não tenhamos receio que o que pedimos seja algo grande, muito importante, absolutamente desajustado aos nossos méritos (na verdade, não temos qualquer mérito). Aprendamos a ser simples nas nossas conversas com o Senhor, com simplicidade porque é assim que pedem as crianças e nós, seja qual for  nossa idade ou o estsuto que possamos ter, para Deus somos sempre crisnças. Porque a oração de Jairo foi assim, simples, concreta, confiada, Jesus foi com ele sem mais delongas ou perguntas. Não temos junto de nós, fisicamente, como Jairo tinha naquele momento, a Pessoa de Jesus, não podemos fixar o Seu olhar amabilíssimo, apreender os Seus gestos de acolhimento e amor, mas, nos Sacrários de toda a terra, talvez algum bem próximo onde nos encontramos, Ele está realmente presente em Corpo, Sangue, Alma e Divindade, aguardando a nossa visita diária para uma pequena e íntima conversa a dois.   Jairo teve de informar-se por onde andava Jesus naquela hora, qual o Seu caminho, por onde passaria e tem de apressar-se pois Jesus, caminhava continuamente pelos caminhos da Palestina. Detinha-Se junto dos doentes, dos aflitos, demorava-Se por vezes em pregações mais demoradas que as multidões ansiavam por ouvir. Embora sem pressas, nunca Se detém num local por tempo além do necessário. Tem muito que fazer! Nós não temos de fazer grande esforço para encontrar Jesus. Temo-Lo ali, à nossa espera, sempre disponível para nos atender o tempo que quisermos dedicar à nossa conversa. Somos, na verdade, muito mais afortunados que aqueles contemporâneos de Jesus – que Jairo – que tinham de percorrer distâncias consideráveis, ficando muitas vezes sem comer, beber ou descansar, só para terem a dita de O ver ou de O escutar. O Evangelho fala-nos concretamente das multidões que O seguiam há três dias sem sequer comer. [ii]   Visitar Jesus no Sacrário é, portanto, um dever de amor porque, Ele está ali única e exclusivamente por amor de nós e, amor, com amor se deve pagar. O mistério da oração tem-nos sempre suspensos como que numa espécie de limbo nebuloso. Eu penso, quero confiar no Senhor e, por isso, rezo, mas, cá no meu íntimo, sei que não mereço nada e que a minha oração, muito provavelmente, não será ouvida. Que mal estaríamos, se o Senhor só ouvisse as orações dos que têm algum merecimento…! Eu sei, também, que o próprio Jesus insistiu, tantas vezes, em que rezássemos continuamente, sem desfalecer. Deu-nos exemplos que constam nos Evangelhos. Só que, por vezes, é tão difícil rezar! Parece sempre tanto tempo! Na verdade, muitas vezes procuramos consolações na oração, um empolgamento do espírito que nos arrebate e eleve o coração no espaço espiritual onde nos sentimos mais perto de Deus. Infelizmente, parece que, assim, estamos a rezar a nós próprios, num contentamento espiritual que é, desde logo, a paga almejada. É uma pena porque assim, perdemos aquela outra paga, extraordinariamente mais importante e de valor incomensuravelmente maior, porque é uma paga divina. Nem a gente sabe “fazer as contas” que o Senhor usa para connosco.

Conta-se que Alexandre o Grande mandou dar o governo de cinco cidades a um pobre camponês que lhe dera uma indicação útil. O pobre homem, espantado, terá dito: Senhor, nunca me atreveria a pedir tanto! Ao que Alexandre respondeu: Tu pedes como quem és, eu dou como quem sou!

Eu peço como quem sou: um pobre miserável que precisa de tudo, absolutamente tudo, do seu Senhor. Nada tenho, nada valho e tudo o que tenho ou possa valer é d’Ele, desse Senhor que me deu uma alma imortal e nela imprimiu a Sua imagem. É o meu único bem de valor – aliás, incalculável – a imagem de Deus impressa na minha alma. Ele ouve a minha oração e dá-me não o que Lhe peço, mas o que entende dar-me, com uma generosidade e uma grandeza que me espantam. E atrevo-me a dizer-lhe profundamente agradecido: Peço-te, Senhor, que recebas o meu amor como se fosse o único amor que tens na terra. Assim não notarás como é pequeno, miserável... Serei feliz porque mesmo sabendo o pouco que é, como to dou todo... fico disponível para me “encher” do Teu...’  

 

Reflexão

Ir à Missa

 

É como se houve dizer: vou à Missa!

Está mal?

Não propriamente, porque se está a dar uma informação, mas, é importante que, dentro de mim tal signifique - vou participar na Missa -  e, mais, que pelo meu comportamento, os outros saibam que é o que vou fazer. Ir à Missa pode ser um hábito social, participar na Missa é uma atitude cristã, a que deve ser.

 

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[i] Cfr. Jo 15 12-17

[ii] Cfr. Mc 8, 1-10.

05/06/2023

Publicações em Junho 5

  


Dentro do Evangelho –  (cfr: São Josemaria, Sulco 253)

(re Lc X, 25…)

 

Personagem – Jairo

Na sua viagem no mar da vida, Jairo, encontra-se com a tempestade. O drama da doença, da morte eminente da sua filha querida. É um personagem importante, mas perante a gravidade da situação sabe, no mais íntimo do seu coração que só com um milagre a sua filha poderá a saúde e alguém lhe terá dito que, Jesus, poderia fazer esse milagre. Talvez tenha ouvido falar dos milagres recentes que Ele fizera. Na sequência do Evangelho de São Mateus, Jesus tinha vindo de Gerasa e, decerto, os acontecimentos extraordinários, os dois mil porcos precipitados no mar como “preço”, da cura do endemoninhado,[i] teriam chegado ao seu conhecimento. Também poderá ter ouvido falar do filho da viúva de Naim, ressuscitado em pleno cortejo fúnebre. Vai, portanto, ter com Ele à praia, não espera que o chame, adianta-se e decide-se.  A situação é grave, a tormenta violentíssima. «Cai-lhe aos pés»[ii], diz expressamente o Evangelho. Uma atitude de enorme humildade, de profunda entrega. Cair aos pés de Jesus é “meio caminho andado” para alcançar a misericórdia que se implora. Que tem de mais ajoelhar-me? Não é Ele o Criador e Senhor de todas as coisas? Esta passagem tão linear deve fazer-me pensar na facilidade com que, por vezes, me aproximo de Jesus, por exemplo, em frente do Sacrário, onde Ele está presente em Corpo, Alma e Divindade como me comporto? Ajoelho reverentemente ou, se não o posso fazer, detenho-me sem pressas e faço uma vénia conveniente, sentida, própria de quem se sabe servo que cumprimenta o seu Senhor? E como O recebo na Sagrada Comunhão? Aproximamo-me com respeito, com profundo recolhimento interior? Se Ele Se me entrega em Corpo, Alma e Divindade para meu alimento, não será para mim bastante recebê-lo como alimento?  A comunhão deve ser um acto íntimo e respeitoso, feito com decoro e compenetração. Diria até, com cerimónia. Trata-se de Deus Nosso Senhor, Criador dos Céus e da Terra e de todas as coisas visíveis e invisíveis. O respeito, nunca demasiado, pelas coisas sagradas e, sobretudo, pela Sagrada Eucaristia, deve ser uma atitude permanente em mim e deveria esforçar-me para o fazer também sentir aos outros. Lembra-me de antigamente se comungar de joelhos, que é a atitude natural de recolhimento interior e respeito do homem para com Deus. Os tempos são outros, evidentemente, e a prática comum hoje em dia é comungar-se de pé. Ajoelhar-se diante de Jesus é uma atitude constante no Evangelho. Pouco antes deste relato sobre Jairo, São Marcos conta-nos o que aconteceu com um leproso: «Vem ter com Ele um leproso que, suplicando e lançando-se de joelhos Lhe diz: Se quiseres, podes limpar-me»[iii]. De facto, qualquer atitude corporal pode ser adequada para se falar com Deus. Perante o nosso progenitor também não costumamos tomar nenhuma atitude especial, claro está, dentro das normas do respeito que nos merece mas, na oração, que é o meu diálogo com Deus a minha postura deverá ser, além de amor filial, e preferencialmente, de recolhimento, de veneração de reconhecimento do meu “nada” perante o Criador de todas as coisas. A resposta de Jesus a esta postura de humildade e entrega confiante é sempre generosa, pronta, extraordinária. Ele comove-Se, enternece-Se, sente-Se movido a satisfazer o que peço.[iv]   

Jairo não sabe nada destas coisas, sabe apenas que, aquele Homem em frente do qual se prostra é a sua única esperança naquela grande aflição. Reconhece, assim, a Omnipotência de Jesus e, por causa deste reconhecimento que é já, em si mesmo, uma graça de Deus, toma a atitude de entrega, de submissão, de profundo respeito por Quem, sabe no íntimo do seu coração de pai amargurado, pode salvar a sua filha. Jesus tem de se deter junto daquele homem que se ajoelha aos Seus pés. A conversa interrompe-se, faz-se silêncio na multidão próxima, todos ficam expectantes do que se vai seguir. Jairo explica, certamente com um acento de ansiedade: «A minha filhinha está em agonia, Vem impor-Lhe as mãos, para que se salve e viva!»[v]  Jesus entende muito bem a mensagem. Nela, Jairo, diz tudo quanto quer, o que precisa, o que deseja do Mestre. Diz o que o traz ali, à Sua presença, a urgência que o impele, a gravidade da situação que o consome e, com total confiança, faz o pedido, simples, concreto, objectivo. É assim que devo rezar. Não me ficarmos por “generalidades”. Como as crianças, dizer exactamente o que desejo, pedir o que quereo, abrir a alma e o coração sem medos nem receios. Como as crianças – Pai, quero isto, quero aquilo , sem rodeios nem falsas razões. O Senhor sabe muito bem o que preciso e o que é melhor para mim e nunca deixará de me ouvir como desejamo ser ouvido; dar-me o que peçp depende da Sua Vontade e do bem que o que peço pode, ou não, ser para mim. Mas, Ele, sabe mais, sempre, fará o que é melhor para mim, por isso mesmo posso – e devo dizer: ‘Sei que farás sempre melhor que aquilo que Te peço. Aceito a Tua Vontade Santa sobre todas as coisas. Ámen.

Voltamos ao leproso. «Se quiseres podes limpar-me».[vi].   Que manifestação de fé, confiança absoluta no Senhor! Uma confissão tão simples, sem rodeios, sem muitas palavras não pode deixar de tocar no fundo do Coração amantíssimo de Jesus. Ele olha para aquele homem, um destroço humano de quem todos se afastam com repulsa e compadece-Se de tal forma que faz algo tão extraordinário, - que deve ter espantado tanto os circunstantes -, que o evangelista achou que o deveria fazer constar: «Ele, enternecido, estendeu a mão e tocou-o».[vii]  Jesus não sente repulsa por ninguém, por mais doente que o homem possa estar, por mais grave ou horroroso que seja o mal que o afecta. Pois se não há pior mal que o pecado, nem nada mais horrível, e, Ele, nos acolhe, esquece, perdoa! Jesus não me afasta nunca, sou eu que me afasto deLe. Há uma frase de Jesus que me deve tranquilizar a este respeito: «Em verdade vos digo que aos filhos dos homens serão perdoados todos os pecados e todas as blasfémias que proferirem».[viii] Que afirmação extraordinária, esta, de Jesus! Que entranhas de misericórdia! Quem, entre os homens, poderia alguma vez dizer tal coisa? Eu que, muitas vezes ando carregado com uma lista de agravos, desconsiderações, atropelos; que, penso, me são feitos; a minha dignidade ferida; a importância que me atribuí-o desprezada; as qualidades, que julgo possuir, ignoradas… não me lembrando, quase nunca, das vezes que fiz juízos, pensei o pior, avistei defeitos, erros, incongruências, coisas estranhas; os comentários, as lucubrações, insinuando, levantando a dúvida, a suspeita… vou, assim, pela vida, muitas vezes, com uma postura de personagem ferida sem repararmos que, a maior parte das vezes, o único ferimento que ostento está no meu orgulho. Jesus, não! Perdoa tudo, absolutamente, quando, arrependido e contrito, me ajoelho aos Seus pés e Lhe peço perdão. Mas não só perdoa, o que já seria muito, esquece e coloca-me novamente ao pé de Si como se nunca dali tivesse saído.   Como o pai do filho pródigo, restitui-me a posição, a dignidade e a liberdade: o anel no dedo, o melhor vestido, as sandálias nos pés. E eu, pecador miserável, vou e venho, uma e outra vez, quase sempre pelos mesmos motivos, com as mesmas faltas, numa repetição de erros, abandonos, fraquezas e, Ele, sempre à minha espera e mal me avista ao longe «corre ao nosso encontro a lançar-se ao nosso pescoço e a beijar-nos».[ix] Eu, na hora de perdoar, guardo, quase sempre, uma pequena “reserva” que, mais tarde, a propósito e a despropósito, talvez lembre. Claro, Jesus, é Deus e, eu sou humano, mas, não obstante, Ele quer que O imitem em tudo, mas, sobretudo, no perdão. Por isso fez constar na oração que ensinou, de uma forma muito clara, essa necessidade de perdoar para ser perdoado. Se Deus fizesse exactamente o que Lhe pedço e me perdoasse só na medida em que perdoo os outros – tal como rezo no Pai-nosso – que desgraçado seria. Felizmente, que o Senhor sabe muito bem de que “massa sou feito” e, na Sua Infinita Misericórdia concede-me um “desconto” precioso no meu compromisso. Tão difícil perdoar! Tão difícil não julgar!

Senhor, ajuda-me a conter-me no meu tão frequente julgamento dos outros. Intimamente e de viva voz. Põe na minha frente o espelho dos meus próprios defeitos e faltas de carácter, tudo aquilo que julgo ver nos outros. Não valho nada, não sei nada, não tenho nada, não sou nada»

 Ao ver a Seus pés aquele pai angustiado, com certeza que Jesus Se debruçou a levantá-lo do solo. Jairo é tão claro e determinado, mostra tanta confiança e fé que Jesus foi «com ele». Cristo não precisa de grandes discursos, de interpelações grandiloquentes para que a Sua misericórdia se manifeste. Deseja tão só que Lhe peça o que quero. Ele já decidirá se o nosso pedido é justo e nos convém que seja atendido. Orar, no fim e ao cabo, é a forma que tenho de me relacionar com o Senhor e, orar é… é falar com Deus.

Ele sabe muito bem quem eu sou e o que sou, conhece-me intimamente e, por isso mesmo, não se importa que me considere indigno, como de facto sou, e de, não obstante, me dirigir a Ele com familiaridade. Quer, deseja, que seja Seu amigo e, os amigos, não têm “cerimónias” uns com os outros.

 

 

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[i] Cfr. Lc 8, 26-39.

[ii] Mc 5, 22.

[iii] Mc 1, 40.

 

[v] Mc 5, 23.

[vi] Mc 4, 5-40.

[vii] Mc 1, 41.

[viii] Mc 3, 28-29.

[ix] Cfr. Lc 15, 20-22.