10/01/2023

Publicações em Janeiro 10



 Evangelho

Mc I,7-11

 

Naquele tempo, João começou a pregar, dizendo: «Vai chegar depois de mim quem é mais forte do que eu, diante do qual eu não sou digno de me inclinar para desatar as correias das suas sandálias. Eu baptizo na água, mas Ele baptizar-vos-á no Espírito Santo». Sucedeu que, naqueles dias, Jesus veio de Nazaré da Galileia e foi baptizado por João no rio Jordão. Ao subir da água, viu os céus rasgarem-se e o Espírito, como uma pomba, descer sobre Ele. E dos céus ouviu-se uma voz: «Tu és o meu Filho muito amado, em Ti pus toda a minha complacência».

 

DENTRO DO EVANGELHO

 

O preconceito é um dos piores defeitos e frequentemente gera juízos e atitudes que toldam a justiça e ferem a caridade para com o próximo. Quase sempre está associado a um orgulho pessoal que leva a um egreijamento próprio que exclui liminarmente um são critério.

Estas pessoas vão pela vida como sendo detentores da verdade absoluta e consideram-se a si próprios como modelos e paradigma. A sua visão distorcida nem sequer os deixa ver nem o ridículo nem o repúdio que normalmente se desenvolve a sua volta.

O milagre do apostolado é exactamente estarmos dispostos e disponíveis fazer o que convém e segundo as sugestões que nos são dadas na direcção espiritual. Milagre porque é o Espírito Santo que nos urge e insinua a vencer a nossa resistência e, não poucas vezes, apatia. Sim, é sempre preciso um esforço da nossa parte em dar o que recebemos de graça, em trazer outros para o reino de Deus.

 

Não há outro caminho para conseguir do Senhor o que pedimos: Ter Fé!

Aliás, não faria muito sentido, pedir algo sem ter a certeza de que Ele no-lo pode conceder. Mas, ter fé, não é algo adrede, que se tem “mais ou menos”.

Ter fé – e tenhamos bem claro que a Fé só Deus a pode dar – é acreditar sem reservas ou dúvidas no poder de Deus e na Sua infinita misericórdia de nos conceder o que pedimos.

É algo enigmática esta recomendação de Jesus: «Tende cuidado, para que ninguém o saiba».

Talvez Jesus achasse que não seria conveniente que quem O procurasse o fizesse movido pela curiosidade do milagre que efectuara.

Cristo não quer atrair as pessoas como “milagreiro” mas unicamente como o Salvador, o Messias de Deus.

Os milagres se bem que convenientes para consolidar a fé das pessoas, não podem ser o essencial da Sua missão que é, como bem sabemos, a conversão dos homens ao Reino de Deus.

O Senhor olha para a vastidão do mundo e os milhões de almas que não O conhecem porque nunca ouviram falar a Seu respeito e sente uma enorme compaixão.

Vê, também, os muitos milhões de homens e mulheres atraídos por falsos profetas que prometem o que não podem e acenam com maravilhosas profecias. Talvez que, estes, sejam os mais dignos de dó.

São necessários homens e mulheres dedicados a evangelizar usando os meios que melhor se adaptem à sua maneira de ser, à sua vida pessoal, à sua cultura e conhecimentos. Não são tão necessários “pregadores” esclarecidos e inflamados como pessoas de todas as condições e origens que, no meio em que vivem, transmitam, sobretudo pelo exemplo, as verdades da Fé Cristã, e conduzam por caminhos seguros os que não sabem onde ir – hesitam – para alcançar o que é o “fim último” de qualquer ser humano: A salvação!

O Senhor foi o primeiro a “arregimentar” os trabalhadores para a Sua messe, deu-nos o exemplo.

Foi uma escolha pessoal do Fundador da Igreja, do Dono da messe que é o mundo.

Aqueles primeiros Doze empenharam-se totalmente nesse trabalho e, o resultado, está à vista: três séculos de evangelização sem paragens nem tréguas até aos confins do mundo. Do exemplo destes homens e mulheres dedicados e empenhados em espalhar a Palavra de Deus temos de tirar lições para a nossa vida e pensar – seriamente pensar – que não estamos excluídos, ninguém está dispensado - deste trabalho na Messe Divina. Com os meios e capacidades que temos sob a direcção de guias seguros e de são critério, conseguiremos trabalhar de forma tal que os frutos abundantes surgirão, para glória de Deus e nossa salvação.

Estar com Jesus é viver a alegria mais completa que se pode aspirar.

 

 

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09/01/2023

Publicações em Janeiro 9

  


DENTRO DO EVANGELHO

 

 

Muitos comentários se têm escrito sobre o trecho do Evangelho que relata o acontecido em Gerasa.

O demónio não tem outro objectivo senão fazer o mal.

Ao pedirem a Jesus que os enviasse para a vara dos porcos, precipitando-se no mar, como que quiseram demonstrar que os gadarenos não acreditavam em Jesus Cristo, dando maior importância aos bens materiais que à vida humana. E o Senhor não sabia o que iria acontecer?

Evidentemente que sim, Ele sabe tudo, mas não podia permitir que acreditassem nele pela confissão do demónio que é o pai da mentira.

Talvez sem querer, ficamos algo decepcionados com Jesus por ter permitido que os demónios entrassem nos porcos com o resultado que se sabe.

Talvez possamos tirar duas ou três ilacções: A primeira é a confirmação que o demónio existe o que, muitos, insistem em negar; A segunda será que Cristo não poderia consentir que acreditassem nEle pelo testemunho do demónio, que é o pai da mentira; A terceira é a completa inversão de valores dos gadarenos que dão mais importância a perda dos porcos que à recuperação da saúde da pessoa humana; E, uma quarta, - talvez a mais inesperada – é a sua reacção pedindo a Jesus que Se afaste do seu território, sem procurar compreender, sem fazer uma pergunta, sem sequer, considerar o extraordinário do acontecimento.

Preferem, de facto, fechar os olhos e os ouvidos e ignorar o que foi tão patente perante todos. Disseram em alta voz: «Que tens a ver connosco, Filho de Deus? Vieste aqui atormentar-nos antes do tempo?». Por aqui se vê que o demónio não só sabia quem era Jesus como conhecia o que a Sua vinda à terra significava: que o domínio, quase discricionário, que exercia sobre a humanidade, iria terminar com a instauração do Reino de Deus.

Já o dissemos: O Senhor não podia consentir que a Sua Pessoa: Jesus Cristo fosse revelada pelo demónio que é o Pai da mentira.

O episódio com a vara de porcos revela claramente a maldade e desprezo do tentador. Fica bem claro que dele só se pode esperar o mal e o ódio.

 

Ter amigos como este pobre paralítico descido por cordas através e um buraco no telhado da casa onde Jesus estava, é uma prova inestimável que querem o melhor para o seu amigo e não se deixam vencer nem pelas dificuldades ou circunstâncias desfavoráveis para levarem por diante o que se propõem. Mas, mais, sabem que Jesus é O Médico Divino que cura todas as doenças e males por maiores ou graves que sejam, assim, se o que os move é a amizade a Fé em Jesus é singularmente definitiva para fazerem o que fizeram. Foi esta Fé que Jesus se deu conta e O levou a actuar imediatamente.

O milagre é, sem dúvida, espectacular, mas, o mais importante é a lição, que – talvez por isso mesmo – o Senhor quis dar aos circunstantes: a confirmação do Seu poder, a Sua Divindade. Há como que uma aura de excepcional grandeza em todo este episódio que São Lucas também relata embora com maior detalhe.

Grandeza, desde logo pela demonstração de amizade dos companheiros do paralítico, também pela docilidade deste em deixar-se conduzir sem receio ou respeito humano pelo insólito da situação.

Grandeza pela lição que, como sempre, o Senhor dá aos circunstantes numa catequese alicerçada no exemplo, confirmada pela acção. Sim! O que é mais fácil: curar uma doença ou perdoar os pecados? Ambas são curas, uma do corpo a outra da alma. A primeira pode constatar-se imediatamente, a outra só pode confirmar-se pela Fé. Uma também pode ser conseguida pela ciência humana a segunda pertence exclusivamente a Deus.

É o próprio Mateus que relata o seu encontro com Jesus. Encontro, talvez fortuito, mas definitivo e decisivo para a sua vida.

Será que – podemos perguntar-nos – já teria ouvido falar de Jesus? Estaria à espera de O encontrar? Podemos pensar que sim porque o Senhor acaba sempre por Se encontrar com aqueles que O procuram e que, talvez, a indecisão tolha de dar o “passo em frente”.

Um dos resultados deste chamamento – e de o mesmo ter sido prontamente aceite – foi a presença dos colegas de profissão de Mateus no banquete em sua casa. A simplicidade com que o Senhor os apelida de “pecadores” – como eram tidos pelos chefes do povo – não os ofende nem afasta, antes lhes confirma a Sua vontade de emendar os erros, corrigir os maus procedimentos. Jesus Cristo afirma claramente que: «Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores.» Esta declaração deve encher-nos de alegria e consolação porque, efectivamente, todos somos pecadores. E, Ele, chama-nos constantemente, sem descanso nem tréguas. Procura-nos onde estivermos sejam quais forem as circunstâncias e, se acaso não damos pela Sua presença, voltará uma e outra vez até que oiçamos o que tem para nos dizer. Depois… dependerá exclusivamente de nós acolher ou não o Seu convite para que O sigamos. Da escolha que fizermos dependerá, portanto, a nossa salvação eterna.

O Senhor cruza-se constantemente connosco nos caminhos da vida. De facto, procura-nos com verdadeiro e legítimo desejo de nos encontrar. Verdadeiro, desde logo, porque, Ele, é a VERDADE! Legítimo porque somos – todos os homens – Seus irmãos!

O que faz uma pessoa quando se encontra com um irmão? Pois, naturalmente, sente uma grande alegria e vontade de conviver, saber o que se passa com ele, contar-lhe o que se passa consigo. Se descobrem pontos em comum – como é natural entre irmãos – a convivência aprofunda-se cada vez mais até se tornaram “inseparáveis”. É o desejo – íntimo do Senhor – tornar-se “inseparável” do homem que encontra, num “crescendo de intimidade cada vez mais forte, de uma união sempre crescente até que, possamos dizer como São Paulo: «Já não sou eu quem vive, mas Cristo que vive em mim».

Evidentemente que a “qualificação” de pecadores era, naquele tempo, altamente pejorativa e muito pouco honesta. De facto, todos somos pecadores e não aceitar esta realidade é – segundo as palavras do Senhor - excluir-se dos planos de Deus para a nossa salvação.

Este «segue-me» de Cristo deveria conter uma força e convicção tais que tornavam o convite irresistível como a pronta resposta de Mateus sugere. Jesus vem ter connosco onde for e não perde tempo com explicações, convida claramente a segui-Lo e deixa ao convidado a liberdade de aceitar ou não o convite.

E, estes convidados, quem são? Ele próprio esclarece: 'não vim chamar os justos mas os pecadores'.

Então, sei, tenho a certeza, veio chamar-me a mim!

 

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08/01/2023

Publicações em Janeiro 8

  


DENTRO DO EVANGELHO

 

Jesus Cristo dá uma instrução, uma regra absolutamente fundamental quando se trata de avaliar a honestidade e credibilidade dos que se apresentam como mestres e directores: «Pelos frutos, pois, os conhecereis»

As palavras por mais belas, os discursos por mais elaborados, as “teorias” por mais consistentes só têm de facto valor e merecem credibilidade se corresponderem aos actos de quem as profere ou apresenta. Nunca se ouvirá dizer de alguém que é um santo porque “fala muito bem”, mas, unicamente porque as obras que pratica e a vida que leva corresponde ao que diz. Por isso, para nós cristãos, o apostolado mais importante e, diria, “primário” é o exemplo que damos. Temos, forçosamente, que insistir no exemplo como primordial no apostolado. O que fazemos tem de corresponder ao que dizemos porque quem nos ouve estará atento ao que fazemos. O que dará credibilidade ás nossas palavras são os actos e não a beleza do discurso ou, até, a lógica dos argumentos.

Res non verba! Obras e não palavras! Antigo aforismo latino absolutamente actual e a ter em conta.

 

 O Senhor enfatiza a importância do exemplo que é sobretudo fruto da unidade e coerência de vida. Mais importante que parecer é ser e fazer o que desejamos sirva de exemplo aos outros. Sem vida interior sólida e bem estruturada não é possível convencer ninguém - nem a nós próprios - que é fundamental uma vida coerente e bem assente na honestidade de procedimentos.

Jesus Cristo espera de nós uma “colaboração” activa na difusão do Reino de Deus. Essa “colaboração” não é outra coisa que apostolado e este, não é mais que a distribuição que fazemos aos outros dos frutos das nossas boas obras.

Como se sabe os Judeus consideravam – e ainda assim é – que alguns alimentos eram impróprios – impuros – e que Deus não desejava que os tomassem para não ficarem eles próprios contaminados.

Jesus Cristo vem explicar claramente que a Lei é, assim, mal interpretada porque se de facto antigamente se recomendava a abstinência de alguns alimentos tal se devia a evitar excessos de comida e bebida daí também se recomendasse o jejum frequente. Uma “medida profiláctica” dada a um povo rude e violento transformou-se numa lei de observância rigorosa e talvez caricata. A pureza ou impureza não tem a ver com a limpeza do corpo, mas com a brancura da alma e do coração. O que se pensa e deseja no íntimo, só o próprio e Deus o sabem e só a Este haverá que dar contas.

Temos necessidade premente de pedir ao Senhor - com insistente perseverança -, que nos dê a graça de um coração puro. Livres de amarras a coisas que não interessam, de prisões a sentimentos que não nos convêm, de desejos que não nos dignificam Esta necessidade é bem real porque, pobres de nós, homens, somos constantemente arrastados pela nossa sensualidade, apetites e desejos. Dá-me, Senhor, um coração puro.

O Evangelista tem a preocupação de que conste neste relato algo singular: Jesus «tomando-o à parte de entre a multidão»… Porquê o Senhor deseja fazer este milagre com a discrição possível, fora dos olhares dos circunstantes? Talvez por um pormenor: «atravessando o território da Decápole» onde como se sabe, não era bem-vindo. Não obstante, alguns pedem-Lhe por um pobre surdo-mudo, que o cure e, o Senhor, não resiste aos pedidos justos. Tal como Deus desistiria do castigo de Sodoma e Gomorra por causa dos justos que Abraão invocava, assim Cristo, por um só filho Seu fará o que Se Lhe pedir.

«abre-te», diz-nos o Senhor a nós constantemente. Abre-te a Mim que Sou a Vida! Abre-te a Mim que Sou o amor! Abre-te a Mim que Sou a Salvação! Abre-te e vive, e ama e salva-te! Como resistir a este apelo de Cristo? Como ficar parados na berma do caminho por onde Ele passa num constante convite, num insistente apelo? Não nos fechemos em nós mesmos que somos tão pouca coisa, abramo-nos, antes, a Cristo que É tudo.

A Liturgia, seguramente com um objectivo muito concreto, quer dar-nos uma imagem do verdadeiro Jesus Cristo Nosso Senhor e das Suas relações com os homens. Um milagre portentoso: A cura do servo do centurião; outro de escasso relevo: A cura da sogra de Pedro; e, depois as curas incontáveis - todos os doentes o procuravam - e a expulsão dos demónios. Ou seja, o poder de Jesus não tem nem medida nem obedece a outro critério que não seja a Sua infinita misericórdia. Jesus Cristo sendo Deus todo-poderoso não tem nada de Seu nem sequer «onde reclinar a cabeça»! Que chefe é este que espera seguidores fiéis e entusiasmados? Não haverá n’Ele algo que poderíamos chamar "visionário?". Seguramente que sim! O Senhor é um visionário, um entusiasta que acredita nos homens e deseja absolutamente os homens acreditem nEle e O sigam. Porquê? Porque só se o fizerem poderão salvar-se.

Não podemos deixar de reagir naturalmente, com admiração enorme e, ao mesmo tempo, surpresa.  Admiração por constatar – como de resto o próprio Jesus o afirma – uma fé tão profunda que traduz uma confiança total e absoluta no poder de Jesus Cristo por parte de um homem que nem sequer é considerado como “um crente”.   Surpresa porque este homem – de posição destacada – se preocupa e sofre com a saúde de um subalterno seu, contrariando todos os sentimentos – comuns, sobretudo naquela época – em o que os “patrões”, ou “senhores” tratavam os subalternos com profundo desprezo. Mais uma vez, vem ao de cima a absoluta necessidade de sermos – os cristãos – pessoas se são critério e isentos de preconceitos ou reservas em relação aos outros. Este acontecimento – que supomos ser o mesmo – é relatado de forma diferente por outro evangelista, mas, o que interessa não é o pormenor, mas sim a extraordinária lição de fé daquele homem que procura Jesus. Não é um judeu nem sequer se poderia considerar um “crente” no sentido que lhe davam os chefes do povo daquela época, e, por isso mesmo, constatamos que o Senhor não faz acepção de pessoas e que ter fé não é privilégio de alguns, mas um dom que Deus concede a quem muito bem entende. E a fé deste homem está alicerçada – profundamente – no seu coração misericordioso porque o que pede não é para si, porque não se considera digno, mas para um servo, um subalterno.

Quando, na vida corrente, nos propõem algo, a nós cabe-nos ter uma de duas atitudes: aceitar ou recusar. Não obtemos nenhum resultado positivo por tentar emitir as nossas condições de acordo com as conveniências próprias. Quem o faz é quem faz a proposta, o convite, porque, naturalmente, é quem sabe o que pretende de nós, o que deseja que façamos. Assim com o chamamento que Cristo faz pessoalmente a cada um em particular. Ele sabe para que nos quer, para que nos chama.

Uma pessoa séria de bom critério quando é chamada só tem uma de duas respostas: Sim, aceito! Ou: Não, recuso!   Estamos a considerar o chamamento divino que num momento qualquer da nossa vida o Senhor não deixará de nos fazer. Em primeiro lugar, ser chamado é uma honra e um privilégio que, só por si, deveria ser mais que suficiente para o nosso acolhimento imediato; depois considerando Quem chama não nos deve preocupar para quê ou porquê porque só pode ser bom e conveniente para nós.

Impressiona o diálogo tão simples entre o pobre leproso e Jesus Cristo. Não são necessárias nem muitas palavras nem grandes gestos. Uma afirmação de fé: «Se quiseres»!  Não há pior lepra que o pecado. Se nos fosse dado ver o mal, o horror que constitui a ferida aberta no Coração de Jesus por um pecado nosso ficaríamos arrepiados e aturdidos. E, no entanto, como neste trecho do Evangelho, o Senhor estende a Sua mão e toca-nos. Mais, humilha-Se num pouco de pão consagrado e oferece-se como alimento! Diria que, de facto, somos “curados” cada vez que recebemos a Comunhão Eucarística, não prostrados como o leproso do Evangelho, mas com toda a vénia, respeito e compunção que o nosso amor por Jesus nos obriga e sugere. Com o Senhor tudo é simples e claro. A gente diz-lhe o que deseja sem duvidar um segundo que Ele o pode fazer. E se o pedido é justo e a Fé verdadeira Ele nos dará o que pedimos. Sem dúvida que este leproso fez o seu pedido da forma mais correcta e - atrevo-me – eficaz, para obter o que desejava. Mostra a sua confiança no poder de Jesus e na Sua infinita misericórdia. Reparemos bem: Pede o que deseja com simplicidade sem se alongar em palavras ou justificações desnecessárias, porque sabe, acredita, confia, que O Senhor conhece o que ele precisa e tem o poder e o desejo de lho conceder.   Jesus cura todos os que a Ele recorrem com Fé e Confiança.

Não precisa de grandes manifestações porque o Seu Coração Amantíssimo e Misericordioso vibra e comove-Se com as necessidades e carências dos Seus irmãos os homens. Pois se Ele deu a Sua vida por nós como não fará o que lhe pedirmos? Estamos habituados, por assim dizer, aos pormenorizados relatos que São Mateus faz da actividade diária de Jesus. Incansavelmente percorre lugar após lugar, povoação após povoação movido pelo desejo de encontrar quem precise da Sua assistência, conselho, auxílio. Na verdade, todos precisam de algo e sabem que, Jesus pode satisfazer e atender as suas necessidades.

A resposta de Jesus aos discípulos aterrados com a procela tem toda a razão de ser. Talvez pudesse acrescentar: ‘Eu não estou aqui convosco? Como podeis temer?’ Mas, como se vê pelo texto eles não tinham, ainda fé suficiente em Jesus. Por isso ficam admirados com o poder de Jesus.   Nós, também, não temos nada a temer porque se O Senhor está connosco, na nossa alma em graça, nada – absolutamente – nos poderá fazer mal. Confiar na Sua Infinita Misericórdia SEMPRE, mesmo quando parece que está ausente, desinteressado ou a dormir. Perante situações extremas - guerras, cataclismos da natureza, perseguições e violências de toda a ordem, somos, por vezes, levados a exclamar: Senhor, onde estás? Dormes? Não Te importas? Este “grito” explica-se, é natural. Somos humanos e reconhecemos a nossa impotência.

Mas, Ele, não, pode tudo, é o Senhor de tudo.

Não Se enfadará com o nosso “grito”, bem ao contrário, actuará com a urgência que julgar conveniente.

 

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