04/07/2022

Publicações em Julho 04

  


Dentro do Evangelho –  (cfr: São Josemaria, Sulco 253)

 

(Re Lc XXX…)

 

Penso que se os Apóstolos que tinham acompanhado Jesus durante os quase três anos da Sua pregação por Israel, ouvido as Suas palavras, presenciado os Seus milagres, precisaram que Jesus lhes aparecesse como Ressuscitado para que acreditassem, definitivamente n’Ele, quanto mais eu, pobre homem, não precisarei!

De facto, pensando melhor, sou mais afortunado que os Apóstolos foram porque eles para acreditarem dependiam só de si próprios ao passo que eu tenho esses dois mil anos de testemunhos, muitos deles regados com o próprio sangue, que me consolidam a fé n’Ele. Sim, serei mais afortunado mas, sobretudo mais responsável por, aproveitando esses exemplos, pôr em prática uma vida coerente, séria, contida, sem excessos nem claudicações, ultrapassando os obstáculos que possam deparar-se-me, obstáculos muitas vezes levantados por mim próprio.

Eu sei que Cristo Ressuscitou e que com a Sua Ressurreição me ganhou definitivamente a Vida Eterna onde me aguarda para partilhar com Ele a ventura queme tem reservada.

 

Reflexão

Quando cumpro o meu plano de orações diárias esforço-me por seguir em frente.

Tenho a percepção que, isto, não agrada ao tentador porque está constantemente a sugerir-me coisas novas, outras opções... daí que acho que estou procedendo bem.

 

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03/07/2022

Publicações em Julho 03

 


Dentro do Evangelho –  (cfr: São Josemaria, Sulco 253)

 

(Re Jo XIII)

 

Mantendo-me atento ás palavras de Jesus, hoje como que sobressaíu algo que me provocou algumas questões; refiro particularmente «o servo não é maior que o seu Senhor», isto não porque não aceite algo óbvio como seja o servo está num plano inferior ao do Senhor, mas porque guardo no coração as várias declarações de Jesus dizendo que vinha para salvar todos os homens sem distinção de categoria social e, enfantizando que, Ele Próprio tinha vindo ao mundo para servir, ou seja, ser o servo de todos, principalmente e em primeiro lugar os oprimidos, os sem esperança, os "restringidos" na sua intrínseca dignidade humana. Quero crer que, este discurso, naquela época em que os israelitas estavam como que estractificados em classes sociais - realmente apenas duas... o grupo dos Escribas  Anciãos e Fariseus e, depois... todos os outros que não "contavam", não tinham qualquer direito a manifestar-se, a emitir uma opinião, tenha causado grande preocupação nos Chefes do Povo porque viam a "atracção" que exerciam sobre ele. De facto, uns quantos eram os senhores, todos os outros estavam cometidos à condição de servos e, portanto, sem quaisquer direitos. Ora esta "gente" via e percebia que as atitudes e as palavras de Jesus alastravam como apelo irresistível por entre o povo que, ao escutá-Lo sentiam na alma uma irreprimível esperança. Postos de lado os exaltados dispostos a lutar com as armas disponíveis, ficam os pacíficos que antes de encetarem uma guerra se esforçam por conseguir a Paz. Estes "Pacíficos" que Jesus menciona no, chamado, "discurso das Bem-Aventuranças", estão destinados a "possuir a terra", ou seja, concluo, só a Paz vence qualquer conflito. É verdade, por vezes travar uma guerra pode ser justificável como a única solução para defender a Fé e a Igreja. Estarão neste caso, por exemplo, a batalha de Lepanto, ou o "princípio" que esteve na origem das Cruzadas.  Próprio Jesus disse: «Quem não tem uma espada que compre uma», o que, no meu entender, significa que as verdades da Fé devem ser defendidas até ao último reduto". Entendo pois,  que Jesus não deseja a guerra mas aconselha vivamente aos Seus seguidores que estejam preparados e dispostos a defender a sua Fé. De facto, concluo, é diferente lutar para impor o que seja, que lutar para resistir ao que outros lhe querem impor sobretudo se tal restringe a sua liberdade pessoal e, rematando, penso que é uma elementar noção de Justiça.

Reflexão

O que são, verdadeiramente, as "reservas" que tenho relativamente a alguém?

Pois penso que é tudo aquilo que tenho no "arquivo" da memória e que não passa de um julgamento imediato sobre essa pessoa.

E penso que a melhor forma de obviar este defeito pessoal será, quando seja porque for me lembrar de alguém a primeiríssima coisa que devo fazer é rezar um Pai-Nosso por esse alguém e, tenho a certeza, o resto desvanece-se.

 

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02/07/2022

Publicações em Julho 02

 


Dentro do Evangelho –  (cfr: São Josemaria, Sulco 253)

 

(Re Mc V…)

 

O Baptismo

Já se tinham passado uns Trinta e poucos anos depois daquele acontecimento memorável no estábulo de Belém. Fui tentando seguir os passos daquele Menino mas, na verdade, fora a Fuga para o Egipto, o desencontro e encontro com Ele no Templo, que pretendo reportar, e outros pequenos incidentes, a Sua vida era a mesma em tudo igual à dos rapazinhos da Sua idade. Mas, não desisti, mantive-me atento até que um dia, passados mais de trinta anos constatei a cena, talvez, mais importante... Jesus chega à margem do Jordão no local onde se encontrava o Seu Primo João, entra na água e pede-lhe que, tal como fazia a muitíssimos que a ele ocorriam, que O baptize. Eu posso, e sinto que devo confirmar, foi algo extraordinário, inesquecível; depois de, com alguma relutância, por assim dizer, o Baptista O ter erguido da água onde O mergulhara, eu e muitos ouvimos um fragor tempestuoso, vimos os Céus abrirem-se e uma pomba alvíssima pairar sobre Ele enquanto se fazia ouvir uma voz tronitruante que dizia; «Este É o Meu Filho muito amado sobre Quem derramo a Minha Complacência». Estava, assim, definitivamente instituído o Primeiro Sacramento; imprime carácter o que quer dizer, é eterno, nada nem ninguém o pode fazer desaparecer. A queda dos nossos primeiros Pais, Adão e Eva, trouxe consigo uma consequência terrível: estarmos sujeitos a ter de conseguir por nós mesmos a prover os nossas necessidades; até esse momento, Adão e Eva não conheciam tal, o Criador provia todas as suas necessidades que, de resto, não existiam: não tinham fome, nem frio, nem calor, o Sol ardente ou a Chuva copiosa eram indiferentes, não precisavam de nenhum resguardo ou protecção, na verdade, não tinham de fazer absolutamente nada mas, apenas, viver felizes no Edén Paradisíaco, era o que Deus queria e Se comprazia em contemplar: a Sua Obra Acabada, a criação de um Ser formado à Sua Imagem e Semelhança. Todo este "Estado de Graça" foi irremediavelmente perdido por uma falta que, simbólicamente, a Bíblia descreve como uma cedência ao desejo de serem superiores a Deus. De facto, penso eu, como foi possível que aquele Casal deitasse tudo a perder com uma desobediência tão inexplicável como, diria, patética, à única "condição" que o seu Criador lhes tinha imposto: o reconhecimento que Lhe pertenciam e que, portanto, deveriam confiadamente obedecer-Lhe. Com toda a Sua Magnânima Bondade o Criador deu-lhes, também, uma outra benesse: a liberdade de escolha e eleição e foi, diria eu, esta benesse que os perdeu.

Se me fosse possível, eu pediria ao Senhor que me libertasse da minha liberdade e, como escravo submisso, não pudesse eleger, fazer escolhas sobre os passos a dar, o que tenho de fazer, mas, bem sei, que uma herança, mesmo que "pesada", esmagadora, não se pode ignorar e, portanto não me rebelo, aceito-a e peço ao meu Criador que me ajude a suportá-la.

O Pecado Original esteve na origem de séculos de violências, lutas fratricidas que ceifaram milhões de seres humanos e continuam, hoje em dia, a verificar-se. O Criador, diria eu, como que fez uma "revisão" do que decidira e, por isso enviou ao mundo o Seu Filho Predilecto para, na Cruz, redimir definitivamente a Culpa Original. O Baptismo, lava, apaga a culpa herdada, o baptizado assume um carácter definitivo de Filho de Deus,, puro e santo, em tudo igual a Ele excepto no pecado.

Como poderá alguém, pela (falsa) razão que possa aduzir, retardar ou mesmo negar esta BENESSE a um filho!?!

 

Reflexão

Não tenho nada que fazer!

 

O ! significa uma afirmação.

 

Não aceito!

 

Substituo, quando muito, por: O que vou fazer agora?

 

Sim, agora, não mais tarde, daqui a pouco, logo quando me apetecer.

Tenho tanto que fazer, sim, é verdade, tenho imenso fazer. Talvez não tenha tempo para fazer quanto quero, mas essa constatação, lógica, absolutamente verdadeira, não pode impedir-me de fazer o que devo, quando devo.

 

Então, para não ter pruridos nem prioridades, que mais não são que formas de ir protelando, pergunto-lhe do fundo do meu mais íntimo: Domine, quid me vis facere? (Senhor, que queres que faça?)

 

E, a resposta vem sempre, nunca falha!

 

 

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01/07/2022

Publicações em Julho 01

 



 

Dentro do Evangelho –  (cfr: São Josemaria, Sulco 253)

 

(Re Jo XXI…)

 

Sentado com os outros "mais íntimos" ouvi Jesus perguntar por três vezes a Pedro:

«Simão, filho de João: Tu amas-Me?»

Sim, três vezes repetiu esta pergunta e o pobre Pedro acabrunhado pela insistência respondia que sim… que O amava com todas as forças do seu coração.

Só passado todo  o “drama” do Gólgota, compreendi a insistência de Jesus na pergunta, destinava-se a sublinhar indelevelmente a afirmação do Apóstolo de tal modo que, quando O negou três vezes percebeu a sua fraqueza, o pocuo que era e, arrependendo-se chorou amargamente.

Na verdade, foi este arrependimento, este choro sentido no mais fundo do coarção que salvou Pedro e o confirmou como o Príncipe dos Apóstolos, o primeiro Papa.

O facto de São Marcos descrever este episódio que o próprio Pedro lhe terá relatado, revela bem a humildade de Pedro.

Senti Jesus a tocar-me no ombro. Estremeci!

Disse-me: olha para Mim, olhos nos olhos.

Assim fiz.

- António, tu amas-Me?

Fiquei suspenso, olhei para Pedro que me acenou com a cabeça e respondi:

- Senhor, Tu sabes tudo, bem sabes que Te amo!

- Sei, sim sei que Me amas mas... amas-Me com todo o teu coração, a tua alma, todo o teu ser?

- Oh Senhor! Sim, sim, sim... mas bem sabes que sou um pobre homem com escassas forças e tenho receio que não seja capaz de Te amar como deveria!

- Ah! Então que queres que Eu faça?

- Senhor, meu Jesus... ajuda-me a amar-Te como devo, total e incondicionalmente, como coisa inteiramente Tua!

- Está bem, António, era isto mesmo que esperava ouvir de ti... e desTe-me um apertado abraço.

 

Reflexão

Ofensa e perdão

A ofensa tem o "valor" do ofendido e, consequentemente, a atinente gravidade. Daqui que o perdão da mesma tenha de estar de acordo. Concretizo; a ofensa feita a Deus só pode ser perdoada por Ele próprio, mas, impõe que o ofensor se arrependa e o manifeste específicamente usando,  para tal, da Confissão Sacramental, especificando, pedindo perdão, arrepender-se e tomar o propósito de não repetir. "Acuso-me de ter feito isto, tenho consciência que não o deveria ter feito, aceito a minha culpa, peço perdão e faço o propósito de não reincidir". Com a absolvição sacramental e o cumprimento da penitência imposta pelo Sacerdote, regressa a paz e reconquista-se o convívio com Deus. Este é o perdão de Deus. O perdão dos homens é muito diferente sobretudo devido à dificuldade em esquecer. Perdão sem esquecimento do que se perdoa... não é perdão!

 

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30/06/2022

Publicações em Junho 30

  


Dentro do Evangelho –  (cfr: São Josemaria, Sulco 253)

 

(Re Lc XV…)

 

Oiço as perguntas dos discípulos que querem saber o que se lhes afigura "complicado" para entenderem, insatisfeitos com as respostas dos Chefes do Povo que usavam sempre os mesmos "chavões" refugiando-se na Lei que eles próprios tinham ido adapatando ás suas conveniências resultando numa amálgama trapalhona sem nexo algum. Isto tinha uma intenção… mantendo o povo na ignorância era mais fácil manipulá-lo conforme lhes conviesse.

As respostas de Jesus são completamente diferentes, não só esclarecem liminarmente como, aproveitando o ensejo, discursa breve ou longamente explicando, dando exemplos de tal forma claros, transparentes que ficarão para sempre na memória. Está, neste caso, a Parábola do Filho Pródigo. 

Esta Parábola, que São Lucas relata tão admiravelmente, ficará para todo o sempre como a expressão mais extraordinária do Perdão.

Revejo os meus apontamentos sobre esta Parábola e, embora tenha receio de não ter "apontado" quanto devia, leio-os amiúde porque me consolam e esclarecem a alma.

Em primeiro lugar considero a injustiça do pedido do filho mais novo ao pedir ao Pai o que lhe caberia em herança. 

Uma herança, qual for, só tem justificação após a morte de quem se herda; na Parábola o Pai ainda está vivo, de modo que posso concluir que ao Filho lhe interessam mais os bens que a vida ou a morte do Pai. Depois... a atitude do Pai, numa decisão de amor pelo filho resolve dar-lhe o que este lhe pede.

Expresso a minha opinião para dizer que acho más as duas atitudes, a do filho porque revela uma insensibilidade rasteira, ignóbil, a do Pai porque se deixa vencer por uma visão errada do amor paternal. O amor por um filho não é sinónimo de lhe conceder quanto pede mas, dar o que é justo e razoável. Anuir aos pedidos de um filho implica uma responsabilidade paternal e não o desejo de que o filho o ame mais porque lhe concede o que lhe pede. Esta responsabilidade acresce quando se trata de um filho jovem cuja personalidade não está ainda totalmente desenvolvida.

Ou seja... ir dando na justa medida do possível e conveniente e não dar, de uma vez para "arrumar a questão". 

Concluo, portanto, que quem mais errou foi quem tinha naior responsabilidade: o Pai!

 

Reflexão

A Santa Missa

“Já foste à Missa hoje?”, houve-se perguntar, às vezes, aos Domingos.

Claro que, a intenção subjacente na pergunta é muito específica. Como quem dissesse ‘Já cumpriste a tua obrigação de Cristão?”

Cumprir uma obrigação? Está bem, pelo menos… isso!

Mas fazer o que seja por obrigação, porque “tem de ser” tem um mérito muito relativo.

O mérito reside no desejo de dar exemplo, de vencer a vontade de fazer outra coisa…

Mas…quem faz o que deve não terá mérito?

Claro que tem, mas, terá um mérito incomensuravelmente maior se ofizer por convicção e amor, sobretudo amor.

O amor tempera os actos e as intenções, qualifica as obras, o que se faz.

 

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