18/07/2021

NUNC COEPI: Publicações em Julho 18

 



PEQUENA AGENDA DO CRISTÃO

DOMINGO

 

PLANO DE VIDA;  (Coisas muito simples, curtas, objectivas)

Propósito: Viver a família.

Senhor, que a minha família seja um espelho da Tua Família em Nazareth, que cada um, absolutamente, contribua para a união de todos pondo de lado diferenças, azedumes, queixas que afastam e escurecem o ambiente. Que os lares de cada um sejam luminosos e alegres.

Pequeno exame: Cumpri o propósito que me propus ontem?

 


LEITURA ESPIRITUAL

Evangelho

 

Mt XII, 1-50

 

1 Naquele tempo, num dia de Sábado, passava Jesus por umas searas, e os Seus discípulos, tendo fome, começaram a colher espigas e a comê-las. 2 Vendo isto os fariseus disseram-Lhe: «Olha que os Teus discípulos fazem o que não é permitido fazer ao Sábado». 3 Jesus respondeu-lhes: «Não lestes o que fez David e os seus companheiros, quando tiveram fome? 4 Como entrou na casa de Deus, e comeu os pães sagrados, dos quais que não era lícito comer, nem a ele, nem aos que iam com ele, mas só aos sacerdotes? 5 Não lestes na Lei que ao Sábado os sacerdotes no Templo violam o Sábado e ficam sem culpa? 6 Ora Eu digo-vos que aqui está alguém que é maior que o Templo. 7 Se vós soubésseis o que quer dizer: “Quero misericórdia e não sacrifício”, jamais condenaríeis inocentes. 8 Porque o Filho do Homem é senhor do próprio Sábado». 9 partindo dali foi à sinagoga deles, onde se encontrava um homem que tinha uma das mãos atrofiada 10 e eles, para terem de que O acusar, perguntaram-lhe: «É permitido curar aos sábados?» 11 Ele respondeu-lhes: «Que homem haverá entre vós que, tendo uma ovelha, se esta cair num dia de Sábado a uma cova, não agarre e não a tire de lá? 12 Ora quanto mais vale um homem que uma ovelha? Logo é permitido fazer o bem no dia de Sábado». 13 Então disse ao homem: «Estende a tua mão. Ele estendeu-a e ela tornou-se são como a outra. 14 Os fariseus, saindo dali, tiveram conselho contra Ele sobre o modo de O levarem á morte. 15 Jesus, sabendo isto, retirou-se daquele lugar. 16 Muitos seguiram-no, e curou-os a todos. 17 Ordenou-lhes que não O descobrissem, para que se cumprisse o que tinha sido anunciado pelo profeta Isaías: 18 «Eis o Meu servo, que Eu escolhi, o Meu amado, em quem a Minha alma pôs as suas complacências. Farei repousar sobre Ele o Meu Espírito, e Ele anunciará a justiça às nações. 19 Não discutirá nem clamará, nem ouvirá alguém a Sua voz nas praças; 20 Não quebrará a cana rachada, nem apagará a torcida que fumega, até que faça triunfar a justiça; 21 e as nações esperarão no Seu nome». 22 Então trouxeram-lhe um endemoninhado cego e mudo, e Ele curou-o, de modo que falava e via. 23 E as multidões ficaram admiradas e diziam: «Não será este o Filho de David?».  24 Mas os fariseus, ouvindo isto, disseram: «Este não expulsa os demónios senão por virtude de Belzebu, príncipe dos demónios. 25 Porém, Jesus, conhecendo os pensamentos deles, disse-lhes: «Todo o reino dividido contra si mesmo será destruído; e toda a cidade ou família dividida contra si mesma não subsistirá. 26 Ora, se Satanás expulsa a Satanás, está dividido contra si mesmo, como subsistirá, então, o seu reino?» 27 E se Eu expulso os demónios por virtude de Belzebu, por virtude de quem os expulsam os vossos filhos? Por isso é que eles serão os vossos juízes. 28 Se Eu, porém, expulso os demónios por virtude do Espírito de Deus, chegou a vós o reino de Deus. 29 Como pode alguém entrar em casa de um valente, e saquear os seus móveis, se antes não prender o valente? Só então poderá saquear a casa. 30 Quem não é comigo é contra Mim; e quem não junta comigo, desperdiça. 31 Por isso vos digo: todo o pecado e blasfémia será perdoado aos homens, mas a blasfémia contra o Espírito Santo não será perdoada. 32 Todo aquele que disser uma palavra contra o Filho do Homem, ser-lhe-á perdoado; porém, o que a disser contra o Espírito Santo, não se lhe perdoará, nem neste mundo nem no futuro. 33 Ou dizeis que a árvore é boa e o seu fruto bom, ou dizeis que a árvore é má e o seu fruto mau, porque pelo fruto se conhece a árvore. 34 Raça de víboras, como podeis dizer coisas boas, vós que sois maus? Porque a boca fala da abundância do coração. 35 O homem bom tira coisas boas do seu bom tesouro, e o homem mau tira coisas más do seu mau tesouro. 36 Ora eu digo-vos que de qualquer palavra inútil que os homens tiverem proferido, darão conta dela no dia do juízo. 37 Porque pelas suas palavras será justificado ou condenado.38 Então replicaram-lhe alguns dos escribas e fariseus, dizendo: «Mestre, nós desejávamos ver algum prodígio Teu». 39 Ele respondeu-lhes: «Esta geração má e adúltera pede um prodígio, mas não lhe será dado outro prodígio senão o prodígio do profeta Jonas.40 Porque, assim como Jonas esteve no centro da baleia três dias e três noites, assim estará o Filho do Homem e três dias e três noites no centro da terra. 41 Os habitantes de Nínive levantar-se-ão no dia do juízo contra esta geração, e a condenarão, porque se converteram com a pregação de Jonas. Ora aqui está Quem é maior que Jonas. 42  A rainha do Meio-Dia levantar-se-á no dia do Juízo contra esta geração e a condenará, porque veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria de Salomão. Ora aqui está Quem é mais que Salomão. 43  «Quando o espírito imundo de um homem, anda errando por lugares áridos, à busca de repouso, enão o encontra. 44 Então diz: voltarei para minha casa, donde saí. E, quando vem, a encontra desocupada, varrida e adornada. 45 Então vai e toma consigo outros sete espíritos piores do que ele e, entrando, habitam ali; e o último estado daquele homem torna-se pior que o primeiro. 46 Estando Ele ainda a falar ao povo, eis que Sua mãe e Seus irmãos se achavam fora desejando falar-lhe. 47 Alguém disse-Lhe: «Tua mãe e teus irmãos estão ali fora e desejam falar-Te». 48 Ele, porém, respondeu ao que falava: «Quem é a Minha mãe e quem são os meus irmãos?» 49 E, estendendo a mão para os Seus discípulos, disse: 50 «Eis Minha mãe e Meus irmãos. Porque todo aquele que fizer a vontade de Meu Pai que está nos Céus, esse é Meu irmão e Minha irmã e Minha mãe».

 

Comentário

 

“Agarrados” ás palavras da Lei os Escribas e Chefes do Povo esquecem, propositadamente, o seu sentido verdadeiro. Propositadamente por conveniência, convém-lhes manter o povo submisso, temeroso impedindo-o de ver o verdadeiro “lado” de Deus: O AMOR!

Nãos abem o que é O AMOR, conhecem apenas o que lhes interessa para manter o seu domínio.

Seja qual for a atitude de Jesus, os milagres, os prodígios, a pregação, são contestados com as reacções mais absurdas e ridículas como esta de que o que faz é pelo poder do demónio.

E Jesus não deixa de responder e contestar, não para eles que não estão insteressados em conhecer a verdade mas, para todos os outros, o povo anónimo que precisa ser instruído e catequizado no sentido que a verdade é só uma, Ele próprio e não outra qualquer.

O capítulo termina com umas palavras de Jesus que nos enchem de alegria: «Eis Minha mãe e Meus irmãos. Porque todo aquele que fizer a vontade de Meu Pai que está nos Céus, esse é Meu irmão e Minha irmã e Minha mãe».

Fazendo em tudo a Vontade de Deus, seremos como Irmãos e Mãe de Cristo!

 

 


REFLEXÃO

 

Um desejo satisfeito traz sempre consigo outro desejo por satisfazer, e muitas vezes maior que o primeiro!

 

(João Mohana, Sofrer e amar, Livros do Brasil, p. 64)

 


FAMÍLIA

O quarto mandamento do Decálogo: honrar pai e mãe

O quarto mandamento dirige-se expressamente aos filhos nas suas relações com os seus pais. No entanto, refere-se também a outras relações de parentesco, educativas, de trabalho, etc.

1. Diferença entre os três primeiros mandamentos do Decálogo e os sete seguintes

 

Os três primeiros mandamentos falam do amor de Deus, Sumo Bem e Fim Último da pessoa criada e de todas as criaturas do universo, infinitamente digno de ser amado. Os sete restantes têm como objecto o bem do próximo (e o bem pessoal), que deve ser amado por amor de Deus, que é o seu Criador.

No Novo testamento, o preceito supremo de amar a Deus e o segundo, semelhante ao primeiro, de amar o próximo por amor de Deus, compendiam todos os mandamentos do Decálogo (cf. Mt 22,36-40; Catecismo, 2196).

 


SÃO JOSEMARIA – textos

Virtudes humanas

               

É certo que não é suficiente essa capacidade pessoal: ninguém se salva sem a graça de Cristo. Mas se o indivíduo conserva e cultiva um espírito de rectidão, Deus aplanar-lhe-á o caminho e poderá ser santo, porque soube viver como homem de bem. Talvez tenhais observado outros casos, de certo modo contrapostos: tantos e tantos que se dizem cristãos - porque foram baptizados e recebem outros Sacramentos -, mas que se mostram desleais, mentirosos, insinceros, orgulhosos... E caem de repente. Parecem estrelas que brilham durante alguns momentos no céu e, de súbito, despenham-se irremediavelmente. Se aceitarmos a nossa responsabilidade de filhos de Deus, saberemos que Ele quer que sejamos muito humanos. A cabeça pode tocar o céu, mas os pés assentam na terra, com segurança. O preço de se viver cristãmente não é nem deixar de ser homem nem abdicar do esforço por adquirir essas virtudes que alguns têm, mesmo sem conhecerem Cristo. O preço de todo o cristão é o Sangue redentor de Nosso Senhor, que nos quer - insisto - muito humanos e muito divinos, com o empenho diário de O imitar, pois é perfectus Deus, perfectus homo. (Amigos de Deus, 75)

 

 

 

 

 

17/07/2021

NUNC COEPI: Publicações em Julho 17

 

 


Sábado 


PEQUENA AGENDA DO CRISTÃO

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)

 

Propósito: Honrar a Santíssima Virgem.

 

A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador, porque pôs os olhos na humildade da Sua serva, de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas, santo é o Seu nome. O Seu Amor se estende de geração em geração sobre os que O temem. Manifestou o poder do Seu braço, derrubou os poderosos do seu trono e exaltou os humildes, aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. Acolheu a Israel Seu servo, lembrado da Sua misericórdia, como tinha prometido a Abraão e à sua descendência para sempre.

Lembrar-me: Santíssima Virgem Mãe de Deus e minha Mãe.

Minha querida Mãe: Hoje queria oferecer-te um presente que te fosse agradável e que, de algum modo, significasse o amor e o carinho que sinto pela tua excelsa pessoa.

Não encontro, pobre de mim, nada mais que isto: O desejo profundo e sincero de me entregar nas tuas mãos de Mãe para que me leves a Teu Divino Filho Jesus. Sim, protegido pelo teu manto protector, guiado pela tua mão providencial, não me desviarei no caminho da salvação.

Pequeno exame: Cumpri o propósito que me propus ontem?


REFLEXÃO

Quem se arma em vítima utiliza o seu sofrimento para censurar os outros ou então para se colocar acima. Com isso fica, no entanto, cego, em relação às suas próprias agressividades. O seu sofrimento é a expressão da agressão contra si próprio e contra as pessoas e dele não tem nada de curativo, mas sim a confusão e a fragmenta­-o.


(Anselm Grun, A incompreensível existência de Deus, Paulinas, p. 49)

 


 

LEITURA ESPIRITUAL

 

Evangelho

 

Mt XI, 1 – 30

 

1 Quando Jesus acabou de dar estas instruções aos doze discípulos, partiu dali, a fim de ir ensinar e pregar nas suas cidades. 2 Ora João, que estava no cárcere, tendo ouvido falar das obras de Cristo, enviou-lhe os seus discípulos 3 com esta pergunta: «És Tu aquele que há-de vir, ou devemos esperar outro?» 4 Jesus respondeu-lhes: «Ide contar a João o que vedes e ouvis: 5 Os cegos vêem e os coxos andam, os leprosos ficam limpos e os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e a Boa-Nova é anunciada aos pobres. 6 E bem-aventurado aquele que não encontra em mim ocasião de escândalo.» 7 Depois de eles terem partido, Jesus começou a falar às multidões a respeito de João: «Que fostes ver ao deserto? Uma cana agitada pelo vento? 8 Então que fostes ver? Um homem vestido de roupas luxuosas? Mas aqueles que usam roupas luxuosas encontram-se nos palácios dos reis. 9 Que fostes, então, ver? Um profeta? Sim, Eu vo-lo digo, e mais que um profeta. 10 É aquele de quem está escrito: Eis que envio o meu mensageiro diante de ti, para te preparar o caminho. 11 Em verdade vos digo: Entre os nascidos de mulher, não apareceu ninguém maior do que João Baptista; e, no entanto, o mais pequeno no Reino do Céu é maior do que ele. 12 Desde o tempo de João Baptista até agora, o Reino do Céu tem sido objecto de violência e os violentos apoderam-se dele à força. 13 Porque todos os Profetas e a Lei anunciaram isto até João. 14 E, quer acrediteis ou não, ele é o Elias que estava para vir. 15 Quem tem ouvidos, oiça!» 16 «Com quem poderei comparar esta geração? É semelhante a crianças sentadas na praça, que se interpelam umas às outras, 17 dizendo: ‘Tocámos flauta para vós e não dançastes; entoámos lamentações e não batestes no peito!’ 18 Na verdade, veio João, que não come nem bebe, e dizem dele: ‘Está possesso!’ 19 Veio o Filho do Homem, que come e bebe, e dizem: ‘Aí está um glutão e bebedor de vinho, amigo de cobradores de impostos e pecadores!’ Mas a sabedoria foi justificada pelas suas próprias obras.» 20 Jesus começou então a censurar as cidades onde tinha realizado a maior parte dos seus milagres, por não se terem convertido: 21 «Ai de ti, Corozaim! Ai de ti, Betsaida! Porque, se os milagres realizados entre vós, tivessem sido feitos em Tiro e em Sídon, de há muito se teriam convertido, vestindo-se de saco e com cinza. 22 Aliás, digo-vos Eu: No dia do juízo, haverá mais tolerância para Tiro e Sídon do que para vós. 23 E tu, Cafarnaúm, julgas que serás exaltada até ao céu? Serás precipitada no abismo. Porque, se os milagres que em ti se realizaram tivessem sido feitos em Sodoma, ela ainda hoje existiria. 24 Aliás, digo-vos Eu: No dia do juízo, haverá mais tolerância para os de Sodoma do que para ti.» 25 Naquela ocasião, Jesus tomou a palavra e disse: «Bendigo-te, ó Pai, Senhor do Céu e da Terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e aos entendidos e as revelaste aos pequeninos. 26 Sim, ó Pai, porque isso foi do teu agrado. 27 Tudo me foi entregue por meu Pai; e ninguém conhece o Filho senão o Pai, como ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar.» 28 «Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, que Eu hei-de aliviar-vos. 29 Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração e encontrareis descanso para o vosso espírito. 30 Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.»

 

Comentário

 

Compreende-se a atitude de João: quer que os seus enviados confirmem pessoalmente quanto lhes tem dito sobre Jesus Cristo. Ouvindo da boca do próprio Senhor o que tem feito na sua missão por terras de Israel, compreendem que tal corresponde ao que estava anunciado a respeito do Messias, ou seja, que as Escrituras se cumprem à letra na Pessoa de Cristo. Assim se confirma a sua fé e podem seguir sem medo os ensinamentos de João Baptista seguros que eles os levam ao Redentor.

Será que, ao ler este trecho de São Mateus, podemos concluir que João não sabia quem era Jesus? Não! Em primeiro lugar eram primos, familiares próximos, João tinha – ainda no seio de sua mãe, Isabel, reconhecido Cristo como consta no trecho de São Lucas relativo à Visitação de Nossa Senhora – então, porque envia os seus discípulos a obter, directamente, uma confirmação do que já sabe? Pois… por eles mesmos, os seus discípulos que vendo o Senhor e ouvindo as Suas palavras ficam sem dúvidas ou quaisquer perguntas por responder. E, isto, é muito importante, porque serão estes mesmos discípulos de João que, mais tarde, se tornarão discípulos de Jesus, certos que seguem o caminho certo e a Pessoa que convém. Assim, o mestre, seja quem for, deve pôr à disposição dos seus seguidores a “chave” do conhecimento que tem e a origem do mesmo para que, quando oportuno, possam beber directamente da “fonte”, quanto lhes transmitiu e, assim, fortalecerem a sua fé e garantirem a verdade do que aprenderam.

Terão os ouvintes de Jesus percebido exactamente o que lhes disse sobre João Baptista? Talvez não e, por isso mesmo, o Senhor termina com um apelo: «Quem tem ouvidos, oiça!» Isto como se dissesse: Perguntai o que não sabeis, esclarecei o que não entenderdes, não vos fiqueis na dúvida, na interrogação, dando voltas à imaginação. Se quiserdes e assim pedirdes, tudo vos será explicado com meridiana clareza.

O Senhor discorre sobre a figura do Baptista com palavras simples que só podem ter uma interpretação. Deve-se ouvir mas também compreender o que se ouve. As dúvidas, se as houver, devem ser expostas de modo que fique bem ciente do que se ouviu e não haja “desculpas” para não proceder de acordo com o que se aprendeu.

O que na realidade interessa na vida do cristão são as obras que leva a cabo e não as intenções que possa ter. Qualquer pessoa é avaliada pelo que faz e não pelo que apregoa ou sugere. Porquê? Porque o exemplo vem das acções e não das intenções e, para arrastar outros há que dar o exemplo.

Muitos pensam que basta falar apregoar até pregar para arrastar outros para o caminho que leva a Deus. Não chega! Sem o exemplo de obras concretas que correspondam tudo não passará de intenções e acabará por não resultar.

Quando, mais tarde, Jesus afirmar que «Elias já veio» não fará mais que confirmar as palavras do Arcanjo na sua mensagem a Zacarias. Confirma, portanto, que o Baptista é um profeta que, como Elias, tem como principal missão anunciar a vinda do Messias.

João negará que seja Elias e não há aqui qualquer contradição, bem ao contrário, afirma o seu papel, a sua missão de Percursor. O Senhor que sabe tudo - o passado, o presente e o futuro - lamenta e deixa o Seu Coração Amantíssimo exprimir essa pena que sente. Ao mesmo tempo deixa um claro aviso: as acções divinas, os milagres, as graças, têm o objectivo claro de nos chamar a atenção para a necessidade de correcção de vida - emendatio vitae - enquanto temos tempo, isto é, agora! Esperar para mais tarde é um risco enorme que não devemos correr. Não sabemos nem o dia nem a hora. Portanto...

Jesus Cristo é O Profeta por excelência porque Ele sabe, conhece o passado, o presente e o futuro. Por isso mesmo não profetiza: afirma! Ao revelar o que acontecerá aquelas cidades quer que os que O ouvem tomem consciência da gravidade dos seus actos e as consequências destes no futuro. Apela à conversão e à penitência como o caminho a seguir – com urgência – para evitarem esses terríveis castigos.

Por vezes pode parecer-nos que Jesus Cristo tem um discurso algo “duro” e pronunciador de desgraças e cataclismos. Sim, também estes “elementos” fazem parte do discurso de Jesus porque, a Sua Missão principal – diria – é conduzir os homens ao arrependimento absolutamente necessário para obterem o perdão pelas suas faltas e, com esse perdão, conquistarem a Vida Eterna. Portanto, do que realmente se trata, é que o Senhor que só diz a verdade “doa a quem doer” e, a verdade que é por vezes difícil de aceitar, não pode ser escondida ou “camuflada” com belas palavras. Nunca – absolutamente – ninguém poderá dizer: ‘Se eu tivesse sabido a tempo…’

Os milagres que o Senhor prodigaliza destinam-se fundamentalmente a consolidar a fé dos que os constatam e a empreender uma revisão de vida conducente com o objectivo de alcançar a felicidade eterna. Não são um espectáculo mas sim sinais marcantes da verdade que O Senhor nos trouxe: «Quem puser em prática as Minhas palavras será salvo».

Nós cristãos dos dias de hoje, somos mais afortunados que os Apóstolos porque graças ao Espírito Santo conhecemos as verdades da nossa fé. Sabemos que Deus é Uno e Trino: Pai, Filho e Espírito Santo. De tal forma acreditamos que este é o Símbolo da nossa Fé.

Porquê o Senhor escondeu as verdades aos prudentes? O próprio Jesus Cristo aconselha os Seus discípulos a serem prudentes com as serpentes! Uma coisa não tem que ver com a outra. O conselho de Cristo refere-se ao apostolado, à difusão do Reino de Deus. As escolhas têm de obedecer a critérios que necessitam por sua vez de direcção espiritual. O que no Evangelho se refere é aquela prudência que leva muitos a tudo questionarem antes de aceitar seja o que for, mesmo que seja uma verdade evidente e venha de quem merece todo o crédito. Muitos dizem: ‘esperar para ver.´ É uma atitude cobarde e perigosa porque pode acontecer que essa espera não traga nenhum resultado.

Pode parecer que se as revelações de Jesus tivessem sido feitas aos sábios – os chefes do povo – estes poderiam ter acreditado e, assim, conduzirem por caminho seguro aqueles que deles dependiam. Mas, de facto, o Senhor falou sempre para todos e, a prova disso, é que vários chefes – do Sinédrio, como Nicodemos, ou de sinagogas – ouviram, entenderam e acreditaram. Mas, também de facto, os que acreditaram em Jesus e O seguiram, foram muito mais gente do povo anónimo, talvez sem grande instrução, mas sequiosos de uma doutrina que lhes trouxesse esperança e alívio ao mesmo tempo. Quem sabe muito tem muito maior responsabilidade, esta é a verdade, mas, quem sabe pouco tem em si mesmo uma muito maior disposição para ver e ouvir e, sobretudo, acreditar no que vêm e ouvem.


 

 

SANTÍSSIMA VIRGEM

 

Eu sou a Mãe do amor formoso, do temor, da ciência e da santa esperança, lições que hoje nos recorda Santa Maria. 

Lição de amor formoso, de vida limpa, de um coração sensível e apaixonado, para que aprendamos a ser fiéis ao serviço da Igreja. 

Este não é um amor qualquer; é o Amor. 

Aqui não há traições, nem cálculos, nem esquecimentos. 

Um amor formoso, porque tem como princípio e como fim o Deus três vezes Santo, que é toda a Beleza e toda a Bondade e toda a Grandeza.

J. A. Loarte

 


 

SÃO JOSEMARIA – textos

 

Se alguém não luta...

A alegria é um bem cristão, que possuímos enquanto lutarmos, porque é consequência da paz. A paz é fruto de ter vencido a guerra, e a vida do homem sobre a terra, lemos na Escritura Santa, é luta. (Forja, 105)

A tradição da Igreja sempre se referiu aos cristãos como milites Christi, soldados de Cristo; soldados que dão serenidade aos outros enquanto combatem continuamente contra as suas próprias más inclinações. Às vezes, por falta de sentido sobrenatural, por uma descrença prática, não querem compreender de forma alguma como milícia a vida na Terra. Insinuam maliciosamente que, se nos consideramos milites Christi, há o perigo de utilizarmos a fé para fins temporais de violência, de sedições. Esse modo de pensar é um triste e pouco lógico simplismo, que costuma andar unido ao comodismo e à cobardia. Nada há de mais estranho à fé católica do que o fanatismo. Este conduz a estranhas confusões, com os mais diversos matizes, entre o que é profano e o que é espiritual. Tal perigo não existe, se a luta se entende como Cristo no-la ensinou, isto é, como guerra de cada um consigo mesmo, como esforço sempre renovado por amar mais a Deus, por desterrar o egoísmo, por servir todos os homens. Renunciar a esta contenda, seja com que desculpa for, é declarar-se de antemão derrotado, aniquilado, sem fé, com a alma caída e dissipada em complacências mesquinhas. Para o cristão, o combate espiritual diante de Deus e de todos os irmãos na fé é uma necessidade, uma consequência da sua condição. Por isso, se alguém não luta, está a trair Jesus Cristo e todo o Corpo Místico, que é a Igreja. (Cristo que passa, 74)

 

 

 

 

 

 

16/07/2021

NUNC COEPI: Publicações em Julho 16

 



Sexta-Feira 

PEQUENA AGENDA DO CRISTÃO

 

PLANO DE VIDA:  (Coisas muito simples, curtas, objectivas)

Propósito: Pequena mortificação

Pequeno exame: Cumpri o propósito que me propus ontem?


 

LEITURA ESPIRITUAL

 

Evangelho

Mt X, 1-42

 

1 Jesus chamou doze discípulos e deu-lhes poder de expulsar os espíritos malignos e de curar todas as enfermidades e doenças. 2 São estes os nomes dos doze Apóstolos: primeiro, Simão, chamado Pedro, e André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão; 3 Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o cobrador de impostos; Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu; 4 Simão, o Zelota, e Judas Iscariotes, que o traiu. 5 Jesus enviou estes doze, depois de lhes ter dado as seguintes instruções: «Não sigais pelo caminho dos gentios, nem entreis em cidade de samaritanos. 6 Ide, primeiramente, às ovelhas perdidas da casa de Israel. 7 Pelo caminho, proclamai que o Reino do Céu está perto. 8 Curai os enfermos, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demónios. Recebestes de graça, dai de graça. 9 Não possuais ouro, nem prata, nem cobre, em vossos cintos; 10 nem alforge para o caminho, nem duas túnicas, nem sandálias, nem cajado; pois o trabalhador merece o seu sustento. 11 Em qualquer cidade ou aldeia onde entrardes, procurai saber se há nela alguém que seja digno, e permanecei em sua casa até partirdes. 12 Ao entrardes numa casa, saudai-a. 13 Se essa casa for digna, a vossa paz desça sobre ela; se não for digna, volte para vós. 14 Se alguém não vos receber nem escutar as vossas palavras, ao sair dessa casa ou dessa cidade, sacudi o pó dos vossos pés. 15 Em verdade vos digo: No dia do juízo, haverá menos rigor para a terra de Sodoma e de Gomorra do que para aquela cidade.» 16 «Envio-vos como ovelhas para o meio dos lobos; sede, pois, prudentes como as serpentes e simples como as pombas. 17 Tende cuidado com os homens: hão-de entregar-vos aos tribunais e açoitar-vos nas suas sinagogas; 18 sereis levados perante governadores e reis, por minha causa, para dar testemunho diante deles e dos pagãos. 19 Mas, quando vos entregarem, não vos preocupeis nem como haveis de falar nem com o que haveis de dizer; nessa altura, vos será inspirado o que tiverdes de dizer. 20 Não sereis vós a falar, mas o Espírito do vosso Pai é que falará por vós. 21 O irmão entregará o seu irmão à morte, e o pai, o seu filho; os filhos hão-de erguer-se contra os pais e hão-de causar-lhes a morte. 22 E vós sereis odiados por todos, por causa do meu nome. Mas aquele que se mantiver firme até ao fim será salvo. 23 Quando vos perseguirem numa cidade, fugi para outra. Em verdade vos digo: Não acabareis de percorrer as cidades de Israel, antes de vir o Filho do Homem.» 24 «O discípulo não está acima do mestre, nem o servo acima do senhor. 25 Basta ao discípulo ser como o mestre e ao servo ser como o senhor. Se ao dono da casa chamaram Belzebu, o que não chamarão eles aos familiares! 26 Não os temais, portanto, pois não há nada encoberto que não venha a ser conhecido. 27 O que vos digo às escuras, dizei-o à luz do dia; e o que escutais ao ouvido, proclamai-o sobre os terraços. 28 Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma. Temei antes aquele que pode fazer perecer na Geena o corpo e a alma. 29 Não se vendem dois pássaros por uma pequena moeda? E nem um deles cairá por terra sem o consentimento do vosso Pai! 30 Quanto a vós, até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados! 31 Não temais, pois valeis mais do que muitos pássaros.» 32 «Todo aquele que se declarar por mim, diante dos homens, também me declararei por ele diante do meu Pai que está no Céu. 33 Mas aquele que me negar diante dos homens, também o hei-de negar diante do meu Pai que está no Céu. 34 Não penseis que vim trazer a paz à terra; não vim trazer a paz, mas a espada. 35 Porque vim separar o filho do seu pai, a filha da sua mãe e a nora da sua sogra; 36 de tal modo que os inimigos do homem serão os seus familiares. 37 Quem amar o pai ou a mãe mais do que a mim, não é digno de mim. Quem amar o filho ou filha mais do que a mim, não é digno de mim. 38 Quem não tomar a sua cruz para me seguir, não é digno de mim. 39 Aquele que conservar a vida para si, há-de perdê-la; aquele que perder a sua vida por causa de mim, há-de salvá-la.» 40 «Quem vos recebe, a mim recebe; e quem me recebe, recebe aquele que me enviou. 41 Quem recebe um profeta por ele ser profeta, receberá recompensa de profeta; e quem recebe um justo, por ele ser justo, receberá recompensa de justo. 42 E quem der de beber a um destes pequeninos, ainda que seja somente um copo de água fresca, por ser meu discípulo, em verdade vos digo: não perderá a sua recompensa.»

 

Comentário

 

Aqui constam os nomes dos Doze escolhidos por Jesus Cristo para serem os Seus mais próximos seguidores e as colunas da Igreja que irá fundar. Dá-lhes uma missão de enorme importância: Anunciar por toda a parte o Evangelho.

Com instruções de pormenor, porque muito bem conhece as limitações de cada um dos que escolheu, orienta-os e avisa-os sobre as enormes dificuldades e oposições de toda a ordem que irão encontrar na sua missão. Mas transmite-lhes segurança e confiança, Ele nunca os abandonará e estará sempre presente para suprir o que fizer falta.

O Espírito Santo porá nas suas bocas as palavras mais convenientes em cada situação, guiará os seus passos pelos caminhos que mais urgem e, sobretudo, estará disponível com os Seus Dons de Fortaleza para que encontrem forças e ânimo quando estas lhe faltarem.

A sua missão deverá ser guiada pelo AMOR, Ele que É O AMOR, deu-lhes o exemplo, não terão mais que segui-Lo.

O AMOR não precisa de bens terrenos ou capacidades pessoais de relevo porque correria o risco de ser interesseiro e estabelecer prioridades.

O AMOR não tem condições prévias nem escolhe quem amar, o verdadeiro AMOR é, deve ser, universal.

De facto, se pensarmos bem, o AMOR é omnipotente.

(AMA, 2021)

 


VIRTUDES

As virtudes teologais

 

Em geral, «a virtude é uma disposição habitual e firme para praticar o bem» (Catecismo, 1803). «As virtudes teologais referem-se directamente a Deus e dispõem os cristãos para viverem em relação com a Santíssima Trindade» (Catecismo, 1812). «São infundidas por Deus na alma dos fiéis para os tornar capazes de proceder como filhos seus» (Catecismo, 1813) [15]. As virtudes teologais são três: fé, esperança e caridade (cf. 1 Cor 13, 13).


      

REFLEXÃO

Reflexão

O sofrimento é… o preço da liberdade, o preço do amor. Um Deus que, em virtude da Sua omnipotência e bondade, impedisse o sofrimento, teria de impossibilitar o amor (que pressupõe a liberdade). O amor sem sofrimento, seria, portanto, como um ferro de madeira ou como um círculo de três lados.

 

(Gisbert Greshake, Der Preis der Liebe, Bestnnung uber das Leid, Freiburg, 1978, p. 46.)


 

SÃO JOSEMARIA – textos

Tens de ser fermento

Dentro da grande multidão humana – interessam-nos todas as almas – tens de ser fermento, para que, com a ajuda da graça divina e com a tua correspondência, actues em todos os lugares do mundo como a levedura que dá qualidade, que dá sabor, que dá volume, com o fim de que depois o pão de Cristo possa alimentar outras almas. (Forja, 973)

Uma grande multidão acompanhara Jesus. Nosso Senhor ergue os olhos e pergunta a Filipe: Onde compraremos pão para dar de comer a toda esta gente?. Fazendo um cálculo rápido, Filipe responde: Duzentos dinheiros de pão não bastam para cada um receber um pequeno bocado. Como não dispõem de tanto dinheiro, lançam mão de uma solução caseira. Diz-lhe um dos seus discípulos, André, irmão de Simão Pedro: Está aqui um rapaz que tem cinco pães de cevada e dois peixes, mas que é isto para tanta gente. Nós queremos seguir o Senhor e desejamos difundir a sua Palavra. Humanamente falando, é lógico que também perguntemos a nós mesmos: mas que somos nós para tanta gente? Em comparação com o número de habitantes da Terra, ainda que nos contemos por milhões, somos poucos. Por isso, temos de considerar-nos como uma pequena levedura, preparada e disposta a fazer o bem à humanidade inteira, recordando as palavras do Apóstolo: Um pouco de levedura fermenta toda a massa, transforma-a. Precisamos, portanto, de aprender a ser esse fermento, essa levedura, para modificar e transformar as multidões. Se meditarmos com sentido espiritual no texto de São Paulo, compreenderemos que temos de trabalhar em serviço de todas as almas. O contrário seria egoísmo. Se olharmos para a nossa vida com humildade, veremos claramente que o Senhor nos concedeu talentos e qualidades, além da graça da fé. Nenhum de nós é um ser repetido. O Nosso Pai criou-nos um a um, repartindo entre os seus filhos diverso número de bens. Pois temos de pôr esses talentos, essas qualidades, ao serviço de todos; temos de utilizar esses dons de Deus como instrumentos para ajudar os homens a descobrirem Cristo. (Amigos de Deus, 256–258)

 

 

 

 

 

 

 

 

15/07/2021

NUNC COEPI: Publicações em Julho 15

 




 PEQUENA AGENDA DO CRISTÃO

Quinta-Feira 

 

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)

 

Propósito: Participar na Santa Missa.

Senhor, vendo-me tal como sou, nada, absolutamente, tenho esta percepção da grandeza que me está reservada dentro de momentos: Receber o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade do Rei e Senhor do Universo.

O meu coração palpita de alegria, confiança e amor. Alegria por ser convidado, confiança em que saberei esforçar-me por merecer o convite e amor sem limites pela caridade que me fazes. Aqui me tens, tal como sou e não como gostaria e deveria ser.

Não sou digno, não sou digno, não sou digno! Sei porém, que a uma palavra Tua a minha dignidade de filho e irmão me dará o direito a receber-te tal como Tu mesmo quiseste que fosse. Aqui me tens, Senhor. Convidaste-me e eu vim.

Lembrar-me: Comunhões espirituais.

Senhor, eu quisera receber-vos com aquela pureza, humildade e devoção com que Vos recebeu Vossa Santíssima Mãe, com o espírito e fervor dos Santos. 

Pequeno exame: Cumpri o propósito que me propus ontem?



                                                   

LEITURA ESPIRITUAL

Existe Deus?

Verdade do cristianismo?

 

No final do segundo milénio, e justamente no espaço da sua expansão originária, na Europa, o cristianismo encontra-se mergulhado numa profunda crise, provinda da crise da sua pretensão de verdade.

Esta crise tem uma dupla dimensão: em primeiro lugar, pergunta-se cada vez com maior insistência se, no fundo, será justo aplicar à religião a noção de verdade; por outras palavras, se ao homem é dado conhecer a verdade propriamente dita sobre Deus e as coisas divinas.

 O homem contemporâneo reconhece-se muito melhor na parábola budista do elefante e dos cegos: uma vez, um rei, do Norte da Índia, reuniu em certo lugar todos os habitantes cegos da cidade.

Depois, fez passar um elefante diante dos que ali estavam presentes. Deixou que uns tocassem na cabeça, e disse: “Um elefante é assim”.

 Outros puderam tocar na orelha ou no dente, na tromba, no lombo, no casco, na traseira, nos pelos da cauda.

O rei, em seguida, perguntou a cada um: “Como é um elefante?”.

E, segundo a parte que tinham tocado, respondiam:

“É como um cesto entrançado…”, “é como um vaso…”, “é como a haste de um arado…”;

“É como um armazém…”;

“É como um pilar…”;

“É como uma giesta…”.

Então – continua a parábola – começaram a discutir, gritando:

“O elefante é assim”, “não, é assim”, atiraram-se uns aos outros e começaram a lutar, para grande divertimento do rei.

A disputa entre religiões surge aos homens de hoje como esta discussão entre cegos de nascença.

Pois, face ao mistério de Deus, somos cegos de nascença, assim parece.

Para o pensamento actual, o cristianismo não está de modo algum mais bem situado do que as restantes religiões; pelo contrário, com a sua pretensão de verdade, parece sofrer de uma cegueira peculiar em face do limite do nosso conhecimento do divino, e caracteriza-se por um fanatismo particularmente insensato que, de modo incorrigível, confunde o todo com a porção apreendida na sua própria experiência.

Além disso, este cepticismo generalizado perante a pretensão de verdade em matéria de religião vê-se apoiado pelas questões que a ciência moderna levantou sobre as origens e os conteúdos do cristianismo.

A teoria evolucionista parece ter superado a doutrina da criação;

Os conhecimentos sobre origem do homem debelaram, aparentemente, a doutrina do pecado original;

A exegese crítica relativiza a figura de Jesus e questiona a sua consciência filial;

A origem da Igreja em Jesus afigura-se duvidosa, etc.

O fundamento filosófico do cristianismo revela-se problemático após o “fim da metafísica” e as suas bases históricas surgem a uma luz ambígua em virtude dos modernos métodos históricos.

É, pois, fácil reduzir os conteúdos cristãos a símbolos, não lhes atribuir uma maior verdade do que aos mitos da história das religiões – vê-los como uma modalidade de experiência religiosa que, com humildade, se deveria situar ao lado das outras.

Aparentemente, vistas assim as coisas, poderia continuar a ser-se cristão e prosseguir na utilização das formas de expressão do cristianismo, cuja pretensão se alterou de modo radical: a verdade, que era para o homem uma força vinculante e uma promessa segura, converte-se doravante numa forma de expressão cultural da sensibilidade religiosa geral, e que se nos afigura óbvia em virtude da nossa origem europeia.

Ernst Troeltsch, no início do século XX, fez uma formulação filosófica e teológica desta retirada do cristianismo da sua pretensão originariamente universal, que apenas se podia fundar na sua pretensão de verdade.

O cristianismo é, pois, apenas o lado do rosto de Deus voltado para a Europa.

As “particulares características ligadas à cultura e às raças”, e “as características das suas grandes formações religiosas que abarcam um contexto mais amplo” elevam-se à categoria de instância derradeira:

“Quem se atreveria a formular juízos de valor verdadeiramente categóricos a tal respeito?

É algo que só o próprio Deus poderia fazer, ele que está na origem destas diferenças”.

Um cego de nascença sabe que não nasceu para ser cego e, por conseguinte, não deixará de se interrogar sobre o porquê da sua cegueira e sobre o modo como dela sair.

Só aparentemente o homem se resignou ao veredicto de ser cego de nascença frente àquilo que lhe pertence, à única realidade que, em última instância, conta na nossa vida.

A tentativa titânica de se apropriar do mundo inteiro, de extrair da nossa vida e para a nossa vida todo o possível mostra, tal como as explosões de um culto do êxtase, da transgressão e da destruição de si, que o homem se não contenta com semelhante juízo.

Porque, se não sabe donde vem e porque existe, não será porventura em todo o seu ser uma criatura falhada?

O adeus aparentemente indiferente à verdade sobre Deus e sobre a existência do nosso eu, a aparente satisfação por não ter já de se ocupar de tudo isto, é um engano.

O homem não pode resignar-se a ser e a permanecer, quanto ao que é essencial, um cego de nascença.

O adeus à verdade nunca pode ser definitivo.

Sendo assim, importa levantar de novo a questão extemporânea da verdade do cristianismo, por supérflua e difícil de responder que a muitos se afigure.

Mas como?

A teologia cristã deverá, sem dúvida, examinar cuidadosamente, sem medo de se expor, as diferentes instâncias que se levantaram contra a pretensão de verdade do cristianismo no campo da filosofia, das ciências naturais, da história natural.

Mas, por outro lado, deverá tentar igualmente obter uma visão geral do problema relativo à verdadeira essência do cristianismo, da sua posição na história das religiões e do seu lugar na existência humana. Gostaria de dar um passo nesta direcção, realçando como, nas suas origens e dentro do cosmos das religiões, o cristianismo encarou esta sua pretensão.

Que eu saiba, não existe nenhum texto do cristianismo antigo que arroje tanta luz sobre a questão como a discussão de Santo Agostinho com a filosofia religiosa do “mais erudito entre os Romanos”, Marco Terêncio Varrão 116-27 a.C.

Este partilhava a imagem estóica de Deus e do mundo;

Definiu Deus como animam motu ac ratione mundum gubernantem (como “a alma que governa o mundo por meio do movimento e da razão”), por outras palavras: como a alma do mundo que os Gregos chamam kosmos: hunc ipsum mundum esse deum.

Esta alma do mundo, porém, não recebe nenhum culto.

Não é objecto de religio.

Por outras palavras: verdade e religião, conhecimento racional e ordem cultual situam-se em dois planos de todo diversos.

A ordem cultual, o mundo concreto da religião, não pertence à ordem da res, da realidade como tal, mas à dos mores – dos costumes.

Não foram os deuses que criaram o Estado, o Estado é que instituiu os deuses, cuja veneração é essencial para a ordem do Estado e para o bom comportamento dos cidadãos.

Na sua essência, a religião é um fenómeno político.

Varrão distingue assim três tipos de “teologia”, entendendo por teologia a ratio, quae de diis explicatur – a compreensão e a explicação do divino, poderíamos traduzir.

Tais são a theologia mythica, a theologia civilis e a theologia naturalis.

Mediante quatro definições, explica ele, em seguida, que se deve entender por estas “teologias”.

A primeira definição refere-se aos três teólogos associados a estas três teologias: os teólogos da teologia política são os poetas, porque compuseram cantos sobre os deuses e são, por isso, cantores da divindade.

Os teólogos da teologia física (natural) são os filósofos, os eruditos, os pensadores, que, indo além dos hábitos, se interrogam sobre a realidade, sobre a verdade;

Os teólogos da teologia civil são os “povos”, que decidiram não se aliar aos filósofos (à verdade), mas aos poetas, às suas visões poéticas, às suas imagens e às suas figuras.

A segunda definição concerne aos lugares a que na realidade estão associadas as teologias singulares.

À teologia mítica corresponde o teatro, que tinha efectivamente um carácter religioso, cultual; segundo a opinião comum, os espectáculos tinham sido instituídos em Roma por ordem dos deuses.

À teologia política corresponde a urbs.

O espaço da teologia natural seria o cosmos.

A terceira definição designa o conteúdo das três teologias: A teologia mítica teria por conteúdo as fábulas sobre os deuses, criadas pelos poetas; a teologia de Estado, o culto; A teologia natural responderia à questão sobre quem são os deuses.

Vale a pena, agora, prestar maior atenção: «Se – como em Heraclito – esses (os deuses) são feitos de fogo ou – como em Pitágoras – de números, ou – como em Epicuro – de átomos, e outras coisas ainda que os ouvidos podem suportar mais facilmente dentro dos muros escolares do que fora deles, na praça pública», depreende-se com absoluta clareza que esta teologia natural é uma desmitologização, ou melhor uma racionalidade, que perscruta criticamente o que existe por detrás da aparência mítica e a dissolve mediante o conhecimento científico-natural.

Culto e conhecimento ficam entre si separados.

O culto continua necessário, enquanto for uma questão de utilidade política; o conhecimento tem um efeito destruidor sobre a religião e não deveria, por isso, trazer-se à praça pública.

(Joseph Ratzinger (Bento xvi)

SACRAMENTOS

 

O Matrimónio

 

1. O desígnio divino sobre o matrimónio

 

«Jesus Cristo não só restabelece a ordem inicial querida por Deus, mas dá a graça para viver o Matrimónio na nova dignidade de sacramento, que é o sinal do seu amor esponsal pela Igreja: «Vós maridos amai as vossas mulheres, como Cristo amou a Igreja» (Ef 5,25)» (Compêndio, 341).

«Entre os baptizados, não pode haver contrato matrimonial válido que não seja por isso mesmo sacramento» (CDC, 1055 §2).

 


REFLEXÃO

 

Algumas vezes a nossa vontade parece condicionada ás conveniências e é bom que assim seja, por isso convém não agir por impulso.

(AMA,17.06.2021)




SÃO JOSEMARIA – textos 

Que a tua vida não seja uma vida estéril

Que a tua vida não seja uma vida estéril. – Sê útil. – Deixa rasto. – Ilumina, com o resplendor da tua fé e do teu amor. Apaga, com a tua vida de apóstolo, o rasto viscoso e sujo que deixaram os semeadores impuros do ódio. – E incendeia todos os caminhos da Terra com o fogo de Cristo que levas no coração. (Caminho, 1)

Se cedesses à tentação de perguntar a ti mesmo: quem me manda a mim meter-me nisto? teria de responder-te: manda-to, pede-to o próprio Cristo. A messe é grande e os operários são poucos. Rogai, pois, ao Senhor da messe que mande operários para a sua messe. Não digas, comodamente: eu para isto não sirvo; para isto já há outros; não estou feito para isto... Não. Para isto não há outros. Se tu pudesses falar assim, todos podiam dizer a mesma coisa. O pedido de Cristo dirige-se a todos e cada um dos cristãos. Ninguém está dispensado: nem por razões de idade, nem de saúde, nem de ocupação. Não há desculpas de nenhum género. Ou produzimos frutos de apostolado ou a nossa fé será estéril. Além disso, quem disse que para falar de Cristo, para difundir a sua doutrina, era preciso fazer coisas especiais, fora do comum? Faz a tua vida normal; trabalha onde estás a trabalhar, procurando cumprir os deveres do teu estado, acabar bem o que é próprio da tua profissão ou do teu ofício, superando-te, melhorando-te dia-a-dia. Sê leal, compreensivo com os outros e exigente contigo mesmo. Sê mortificado e alegre. Será esse o teu apostolado. E, sem saberes porquê, tendo perfeita consciência das tuas misérias, os que te rodeiam virão ter contigo e, numa conversa natural, simples – à saída do trabalho, numa reunião familiar, no autocarro, ao dar um passeio, em qualquer parte – falareis de inquietações que em todas as almas existem, embora às vezes alguns não queiram dar por isso. Mas cada vez as perceberão melhor, desde que comecem a procurar Deus a sério. (Amigos de Deus, 272–273)