16/07/2021

NUNC COEPI: Publicações em Julho 16

 



Sexta-Feira 

PEQUENA AGENDA DO CRISTÃO

 

PLANO DE VIDA:  (Coisas muito simples, curtas, objectivas)

Propósito: Pequena mortificação

Pequeno exame: Cumpri o propósito que me propus ontem?


 

LEITURA ESPIRITUAL

 

Evangelho

Mt X, 1-42

 

1 Jesus chamou doze discípulos e deu-lhes poder de expulsar os espíritos malignos e de curar todas as enfermidades e doenças. 2 São estes os nomes dos doze Apóstolos: primeiro, Simão, chamado Pedro, e André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão; 3 Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o cobrador de impostos; Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu; 4 Simão, o Zelota, e Judas Iscariotes, que o traiu. 5 Jesus enviou estes doze, depois de lhes ter dado as seguintes instruções: «Não sigais pelo caminho dos gentios, nem entreis em cidade de samaritanos. 6 Ide, primeiramente, às ovelhas perdidas da casa de Israel. 7 Pelo caminho, proclamai que o Reino do Céu está perto. 8 Curai os enfermos, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demónios. Recebestes de graça, dai de graça. 9 Não possuais ouro, nem prata, nem cobre, em vossos cintos; 10 nem alforge para o caminho, nem duas túnicas, nem sandálias, nem cajado; pois o trabalhador merece o seu sustento. 11 Em qualquer cidade ou aldeia onde entrardes, procurai saber se há nela alguém que seja digno, e permanecei em sua casa até partirdes. 12 Ao entrardes numa casa, saudai-a. 13 Se essa casa for digna, a vossa paz desça sobre ela; se não for digna, volte para vós. 14 Se alguém não vos receber nem escutar as vossas palavras, ao sair dessa casa ou dessa cidade, sacudi o pó dos vossos pés. 15 Em verdade vos digo: No dia do juízo, haverá menos rigor para a terra de Sodoma e de Gomorra do que para aquela cidade.» 16 «Envio-vos como ovelhas para o meio dos lobos; sede, pois, prudentes como as serpentes e simples como as pombas. 17 Tende cuidado com os homens: hão-de entregar-vos aos tribunais e açoitar-vos nas suas sinagogas; 18 sereis levados perante governadores e reis, por minha causa, para dar testemunho diante deles e dos pagãos. 19 Mas, quando vos entregarem, não vos preocupeis nem como haveis de falar nem com o que haveis de dizer; nessa altura, vos será inspirado o que tiverdes de dizer. 20 Não sereis vós a falar, mas o Espírito do vosso Pai é que falará por vós. 21 O irmão entregará o seu irmão à morte, e o pai, o seu filho; os filhos hão-de erguer-se contra os pais e hão-de causar-lhes a morte. 22 E vós sereis odiados por todos, por causa do meu nome. Mas aquele que se mantiver firme até ao fim será salvo. 23 Quando vos perseguirem numa cidade, fugi para outra. Em verdade vos digo: Não acabareis de percorrer as cidades de Israel, antes de vir o Filho do Homem.» 24 «O discípulo não está acima do mestre, nem o servo acima do senhor. 25 Basta ao discípulo ser como o mestre e ao servo ser como o senhor. Se ao dono da casa chamaram Belzebu, o que não chamarão eles aos familiares! 26 Não os temais, portanto, pois não há nada encoberto que não venha a ser conhecido. 27 O que vos digo às escuras, dizei-o à luz do dia; e o que escutais ao ouvido, proclamai-o sobre os terraços. 28 Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma. Temei antes aquele que pode fazer perecer na Geena o corpo e a alma. 29 Não se vendem dois pássaros por uma pequena moeda? E nem um deles cairá por terra sem o consentimento do vosso Pai! 30 Quanto a vós, até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados! 31 Não temais, pois valeis mais do que muitos pássaros.» 32 «Todo aquele que se declarar por mim, diante dos homens, também me declararei por ele diante do meu Pai que está no Céu. 33 Mas aquele que me negar diante dos homens, também o hei-de negar diante do meu Pai que está no Céu. 34 Não penseis que vim trazer a paz à terra; não vim trazer a paz, mas a espada. 35 Porque vim separar o filho do seu pai, a filha da sua mãe e a nora da sua sogra; 36 de tal modo que os inimigos do homem serão os seus familiares. 37 Quem amar o pai ou a mãe mais do que a mim, não é digno de mim. Quem amar o filho ou filha mais do que a mim, não é digno de mim. 38 Quem não tomar a sua cruz para me seguir, não é digno de mim. 39 Aquele que conservar a vida para si, há-de perdê-la; aquele que perder a sua vida por causa de mim, há-de salvá-la.» 40 «Quem vos recebe, a mim recebe; e quem me recebe, recebe aquele que me enviou. 41 Quem recebe um profeta por ele ser profeta, receberá recompensa de profeta; e quem recebe um justo, por ele ser justo, receberá recompensa de justo. 42 E quem der de beber a um destes pequeninos, ainda que seja somente um copo de água fresca, por ser meu discípulo, em verdade vos digo: não perderá a sua recompensa.»

 

Comentário

 

Aqui constam os nomes dos Doze escolhidos por Jesus Cristo para serem os Seus mais próximos seguidores e as colunas da Igreja que irá fundar. Dá-lhes uma missão de enorme importância: Anunciar por toda a parte o Evangelho.

Com instruções de pormenor, porque muito bem conhece as limitações de cada um dos que escolheu, orienta-os e avisa-os sobre as enormes dificuldades e oposições de toda a ordem que irão encontrar na sua missão. Mas transmite-lhes segurança e confiança, Ele nunca os abandonará e estará sempre presente para suprir o que fizer falta.

O Espírito Santo porá nas suas bocas as palavras mais convenientes em cada situação, guiará os seus passos pelos caminhos que mais urgem e, sobretudo, estará disponível com os Seus Dons de Fortaleza para que encontrem forças e ânimo quando estas lhe faltarem.

A sua missão deverá ser guiada pelo AMOR, Ele que É O AMOR, deu-lhes o exemplo, não terão mais que segui-Lo.

O AMOR não precisa de bens terrenos ou capacidades pessoais de relevo porque correria o risco de ser interesseiro e estabelecer prioridades.

O AMOR não tem condições prévias nem escolhe quem amar, o verdadeiro AMOR é, deve ser, universal.

De facto, se pensarmos bem, o AMOR é omnipotente.

(AMA, 2021)

 


VIRTUDES

As virtudes teologais

 

Em geral, «a virtude é uma disposição habitual e firme para praticar o bem» (Catecismo, 1803). «As virtudes teologais referem-se directamente a Deus e dispõem os cristãos para viverem em relação com a Santíssima Trindade» (Catecismo, 1812). «São infundidas por Deus na alma dos fiéis para os tornar capazes de proceder como filhos seus» (Catecismo, 1813) [15]. As virtudes teologais são três: fé, esperança e caridade (cf. 1 Cor 13, 13).


      

REFLEXÃO

Reflexão

O sofrimento é… o preço da liberdade, o preço do amor. Um Deus que, em virtude da Sua omnipotência e bondade, impedisse o sofrimento, teria de impossibilitar o amor (que pressupõe a liberdade). O amor sem sofrimento, seria, portanto, como um ferro de madeira ou como um círculo de três lados.

 

(Gisbert Greshake, Der Preis der Liebe, Bestnnung uber das Leid, Freiburg, 1978, p. 46.)


 

SÃO JOSEMARIA – textos

Tens de ser fermento

Dentro da grande multidão humana – interessam-nos todas as almas – tens de ser fermento, para que, com a ajuda da graça divina e com a tua correspondência, actues em todos os lugares do mundo como a levedura que dá qualidade, que dá sabor, que dá volume, com o fim de que depois o pão de Cristo possa alimentar outras almas. (Forja, 973)

Uma grande multidão acompanhara Jesus. Nosso Senhor ergue os olhos e pergunta a Filipe: Onde compraremos pão para dar de comer a toda esta gente?. Fazendo um cálculo rápido, Filipe responde: Duzentos dinheiros de pão não bastam para cada um receber um pequeno bocado. Como não dispõem de tanto dinheiro, lançam mão de uma solução caseira. Diz-lhe um dos seus discípulos, André, irmão de Simão Pedro: Está aqui um rapaz que tem cinco pães de cevada e dois peixes, mas que é isto para tanta gente. Nós queremos seguir o Senhor e desejamos difundir a sua Palavra. Humanamente falando, é lógico que também perguntemos a nós mesmos: mas que somos nós para tanta gente? Em comparação com o número de habitantes da Terra, ainda que nos contemos por milhões, somos poucos. Por isso, temos de considerar-nos como uma pequena levedura, preparada e disposta a fazer o bem à humanidade inteira, recordando as palavras do Apóstolo: Um pouco de levedura fermenta toda a massa, transforma-a. Precisamos, portanto, de aprender a ser esse fermento, essa levedura, para modificar e transformar as multidões. Se meditarmos com sentido espiritual no texto de São Paulo, compreenderemos que temos de trabalhar em serviço de todas as almas. O contrário seria egoísmo. Se olharmos para a nossa vida com humildade, veremos claramente que o Senhor nos concedeu talentos e qualidades, além da graça da fé. Nenhum de nós é um ser repetido. O Nosso Pai criou-nos um a um, repartindo entre os seus filhos diverso número de bens. Pois temos de pôr esses talentos, essas qualidades, ao serviço de todos; temos de utilizar esses dons de Deus como instrumentos para ajudar os homens a descobrirem Cristo. (Amigos de Deus, 256–258)

 

 

 

 

 

 

 

 

15/07/2021

NUNC COEPI: Publicações em Julho 15

 




 PEQUENA AGENDA DO CRISTÃO

Quinta-Feira 

 

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)

 

Propósito: Participar na Santa Missa.

Senhor, vendo-me tal como sou, nada, absolutamente, tenho esta percepção da grandeza que me está reservada dentro de momentos: Receber o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade do Rei e Senhor do Universo.

O meu coração palpita de alegria, confiança e amor. Alegria por ser convidado, confiança em que saberei esforçar-me por merecer o convite e amor sem limites pela caridade que me fazes. Aqui me tens, tal como sou e não como gostaria e deveria ser.

Não sou digno, não sou digno, não sou digno! Sei porém, que a uma palavra Tua a minha dignidade de filho e irmão me dará o direito a receber-te tal como Tu mesmo quiseste que fosse. Aqui me tens, Senhor. Convidaste-me e eu vim.

Lembrar-me: Comunhões espirituais.

Senhor, eu quisera receber-vos com aquela pureza, humildade e devoção com que Vos recebeu Vossa Santíssima Mãe, com o espírito e fervor dos Santos. 

Pequeno exame: Cumpri o propósito que me propus ontem?



                                                   

LEITURA ESPIRITUAL

Existe Deus?

Verdade do cristianismo?

 

No final do segundo milénio, e justamente no espaço da sua expansão originária, na Europa, o cristianismo encontra-se mergulhado numa profunda crise, provinda da crise da sua pretensão de verdade.

Esta crise tem uma dupla dimensão: em primeiro lugar, pergunta-se cada vez com maior insistência se, no fundo, será justo aplicar à religião a noção de verdade; por outras palavras, se ao homem é dado conhecer a verdade propriamente dita sobre Deus e as coisas divinas.

 O homem contemporâneo reconhece-se muito melhor na parábola budista do elefante e dos cegos: uma vez, um rei, do Norte da Índia, reuniu em certo lugar todos os habitantes cegos da cidade.

Depois, fez passar um elefante diante dos que ali estavam presentes. Deixou que uns tocassem na cabeça, e disse: “Um elefante é assim”.

 Outros puderam tocar na orelha ou no dente, na tromba, no lombo, no casco, na traseira, nos pelos da cauda.

O rei, em seguida, perguntou a cada um: “Como é um elefante?”.

E, segundo a parte que tinham tocado, respondiam:

“É como um cesto entrançado…”, “é como um vaso…”, “é como a haste de um arado…”;

“É como um armazém…”;

“É como um pilar…”;

“É como uma giesta…”.

Então – continua a parábola – começaram a discutir, gritando:

“O elefante é assim”, “não, é assim”, atiraram-se uns aos outros e começaram a lutar, para grande divertimento do rei.

A disputa entre religiões surge aos homens de hoje como esta discussão entre cegos de nascença.

Pois, face ao mistério de Deus, somos cegos de nascença, assim parece.

Para o pensamento actual, o cristianismo não está de modo algum mais bem situado do que as restantes religiões; pelo contrário, com a sua pretensão de verdade, parece sofrer de uma cegueira peculiar em face do limite do nosso conhecimento do divino, e caracteriza-se por um fanatismo particularmente insensato que, de modo incorrigível, confunde o todo com a porção apreendida na sua própria experiência.

Além disso, este cepticismo generalizado perante a pretensão de verdade em matéria de religião vê-se apoiado pelas questões que a ciência moderna levantou sobre as origens e os conteúdos do cristianismo.

A teoria evolucionista parece ter superado a doutrina da criação;

Os conhecimentos sobre origem do homem debelaram, aparentemente, a doutrina do pecado original;

A exegese crítica relativiza a figura de Jesus e questiona a sua consciência filial;

A origem da Igreja em Jesus afigura-se duvidosa, etc.

O fundamento filosófico do cristianismo revela-se problemático após o “fim da metafísica” e as suas bases históricas surgem a uma luz ambígua em virtude dos modernos métodos históricos.

É, pois, fácil reduzir os conteúdos cristãos a símbolos, não lhes atribuir uma maior verdade do que aos mitos da história das religiões – vê-los como uma modalidade de experiência religiosa que, com humildade, se deveria situar ao lado das outras.

Aparentemente, vistas assim as coisas, poderia continuar a ser-se cristão e prosseguir na utilização das formas de expressão do cristianismo, cuja pretensão se alterou de modo radical: a verdade, que era para o homem uma força vinculante e uma promessa segura, converte-se doravante numa forma de expressão cultural da sensibilidade religiosa geral, e que se nos afigura óbvia em virtude da nossa origem europeia.

Ernst Troeltsch, no início do século XX, fez uma formulação filosófica e teológica desta retirada do cristianismo da sua pretensão originariamente universal, que apenas se podia fundar na sua pretensão de verdade.

O cristianismo é, pois, apenas o lado do rosto de Deus voltado para a Europa.

As “particulares características ligadas à cultura e às raças”, e “as características das suas grandes formações religiosas que abarcam um contexto mais amplo” elevam-se à categoria de instância derradeira:

“Quem se atreveria a formular juízos de valor verdadeiramente categóricos a tal respeito?

É algo que só o próprio Deus poderia fazer, ele que está na origem destas diferenças”.

Um cego de nascença sabe que não nasceu para ser cego e, por conseguinte, não deixará de se interrogar sobre o porquê da sua cegueira e sobre o modo como dela sair.

Só aparentemente o homem se resignou ao veredicto de ser cego de nascença frente àquilo que lhe pertence, à única realidade que, em última instância, conta na nossa vida.

A tentativa titânica de se apropriar do mundo inteiro, de extrair da nossa vida e para a nossa vida todo o possível mostra, tal como as explosões de um culto do êxtase, da transgressão e da destruição de si, que o homem se não contenta com semelhante juízo.

Porque, se não sabe donde vem e porque existe, não será porventura em todo o seu ser uma criatura falhada?

O adeus aparentemente indiferente à verdade sobre Deus e sobre a existência do nosso eu, a aparente satisfação por não ter já de se ocupar de tudo isto, é um engano.

O homem não pode resignar-se a ser e a permanecer, quanto ao que é essencial, um cego de nascença.

O adeus à verdade nunca pode ser definitivo.

Sendo assim, importa levantar de novo a questão extemporânea da verdade do cristianismo, por supérflua e difícil de responder que a muitos se afigure.

Mas como?

A teologia cristã deverá, sem dúvida, examinar cuidadosamente, sem medo de se expor, as diferentes instâncias que se levantaram contra a pretensão de verdade do cristianismo no campo da filosofia, das ciências naturais, da história natural.

Mas, por outro lado, deverá tentar igualmente obter uma visão geral do problema relativo à verdadeira essência do cristianismo, da sua posição na história das religiões e do seu lugar na existência humana. Gostaria de dar um passo nesta direcção, realçando como, nas suas origens e dentro do cosmos das religiões, o cristianismo encarou esta sua pretensão.

Que eu saiba, não existe nenhum texto do cristianismo antigo que arroje tanta luz sobre a questão como a discussão de Santo Agostinho com a filosofia religiosa do “mais erudito entre os Romanos”, Marco Terêncio Varrão 116-27 a.C.

Este partilhava a imagem estóica de Deus e do mundo;

Definiu Deus como animam motu ac ratione mundum gubernantem (como “a alma que governa o mundo por meio do movimento e da razão”), por outras palavras: como a alma do mundo que os Gregos chamam kosmos: hunc ipsum mundum esse deum.

Esta alma do mundo, porém, não recebe nenhum culto.

Não é objecto de religio.

Por outras palavras: verdade e religião, conhecimento racional e ordem cultual situam-se em dois planos de todo diversos.

A ordem cultual, o mundo concreto da religião, não pertence à ordem da res, da realidade como tal, mas à dos mores – dos costumes.

Não foram os deuses que criaram o Estado, o Estado é que instituiu os deuses, cuja veneração é essencial para a ordem do Estado e para o bom comportamento dos cidadãos.

Na sua essência, a religião é um fenómeno político.

Varrão distingue assim três tipos de “teologia”, entendendo por teologia a ratio, quae de diis explicatur – a compreensão e a explicação do divino, poderíamos traduzir.

Tais são a theologia mythica, a theologia civilis e a theologia naturalis.

Mediante quatro definições, explica ele, em seguida, que se deve entender por estas “teologias”.

A primeira definição refere-se aos três teólogos associados a estas três teologias: os teólogos da teologia política são os poetas, porque compuseram cantos sobre os deuses e são, por isso, cantores da divindade.

Os teólogos da teologia física (natural) são os filósofos, os eruditos, os pensadores, que, indo além dos hábitos, se interrogam sobre a realidade, sobre a verdade;

Os teólogos da teologia civil são os “povos”, que decidiram não se aliar aos filósofos (à verdade), mas aos poetas, às suas visões poéticas, às suas imagens e às suas figuras.

A segunda definição concerne aos lugares a que na realidade estão associadas as teologias singulares.

À teologia mítica corresponde o teatro, que tinha efectivamente um carácter religioso, cultual; segundo a opinião comum, os espectáculos tinham sido instituídos em Roma por ordem dos deuses.

À teologia política corresponde a urbs.

O espaço da teologia natural seria o cosmos.

A terceira definição designa o conteúdo das três teologias: A teologia mítica teria por conteúdo as fábulas sobre os deuses, criadas pelos poetas; a teologia de Estado, o culto; A teologia natural responderia à questão sobre quem são os deuses.

Vale a pena, agora, prestar maior atenção: «Se – como em Heraclito – esses (os deuses) são feitos de fogo ou – como em Pitágoras – de números, ou – como em Epicuro – de átomos, e outras coisas ainda que os ouvidos podem suportar mais facilmente dentro dos muros escolares do que fora deles, na praça pública», depreende-se com absoluta clareza que esta teologia natural é uma desmitologização, ou melhor uma racionalidade, que perscruta criticamente o que existe por detrás da aparência mítica e a dissolve mediante o conhecimento científico-natural.

Culto e conhecimento ficam entre si separados.

O culto continua necessário, enquanto for uma questão de utilidade política; o conhecimento tem um efeito destruidor sobre a religião e não deveria, por isso, trazer-se à praça pública.

(Joseph Ratzinger (Bento xvi)

SACRAMENTOS

 

O Matrimónio

 

1. O desígnio divino sobre o matrimónio

 

«Jesus Cristo não só restabelece a ordem inicial querida por Deus, mas dá a graça para viver o Matrimónio na nova dignidade de sacramento, que é o sinal do seu amor esponsal pela Igreja: «Vós maridos amai as vossas mulheres, como Cristo amou a Igreja» (Ef 5,25)» (Compêndio, 341).

«Entre os baptizados, não pode haver contrato matrimonial válido que não seja por isso mesmo sacramento» (CDC, 1055 §2).

 


REFLEXÃO

 

Algumas vezes a nossa vontade parece condicionada ás conveniências e é bom que assim seja, por isso convém não agir por impulso.

(AMA,17.06.2021)




SÃO JOSEMARIA – textos 

Que a tua vida não seja uma vida estéril

Que a tua vida não seja uma vida estéril. – Sê útil. – Deixa rasto. – Ilumina, com o resplendor da tua fé e do teu amor. Apaga, com a tua vida de apóstolo, o rasto viscoso e sujo que deixaram os semeadores impuros do ódio. – E incendeia todos os caminhos da Terra com o fogo de Cristo que levas no coração. (Caminho, 1)

Se cedesses à tentação de perguntar a ti mesmo: quem me manda a mim meter-me nisto? teria de responder-te: manda-to, pede-to o próprio Cristo. A messe é grande e os operários são poucos. Rogai, pois, ao Senhor da messe que mande operários para a sua messe. Não digas, comodamente: eu para isto não sirvo; para isto já há outros; não estou feito para isto... Não. Para isto não há outros. Se tu pudesses falar assim, todos podiam dizer a mesma coisa. O pedido de Cristo dirige-se a todos e cada um dos cristãos. Ninguém está dispensado: nem por razões de idade, nem de saúde, nem de ocupação. Não há desculpas de nenhum género. Ou produzimos frutos de apostolado ou a nossa fé será estéril. Além disso, quem disse que para falar de Cristo, para difundir a sua doutrina, era preciso fazer coisas especiais, fora do comum? Faz a tua vida normal; trabalha onde estás a trabalhar, procurando cumprir os deveres do teu estado, acabar bem o que é próprio da tua profissão ou do teu ofício, superando-te, melhorando-te dia-a-dia. Sê leal, compreensivo com os outros e exigente contigo mesmo. Sê mortificado e alegre. Será esse o teu apostolado. E, sem saberes porquê, tendo perfeita consciência das tuas misérias, os que te rodeiam virão ter contigo e, numa conversa natural, simples – à saída do trabalho, numa reunião familiar, no autocarro, ao dar um passeio, em qualquer parte – falareis de inquietações que em todas as almas existem, embora às vezes alguns não queiram dar por isso. Mas cada vez as perceberão melhor, desde que comecem a procurar Deus a sério. (Amigos de Deus, 272–273)

 

 





14/07/2021

NUNC COEPI: Publicações em Julho 14

 



PEQUENA AGENDA DO CRISTÃO

Quarta-Feira 

 

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)

 

Propósito: Simplicidade e modéstia.

Senhor, ajuda-me a ser simples, a despir-me da minha “importância”, a ser contido no meu comportamento e nos meus desejos, deixando-me de quimeras e sonhos de grandeza e proeminência.

Lembrar-me: Do meu Anjo da Guarda.

Senhor, ajuda-me a lembrar-me do meu Anjo da Guarda, que eu não despreze companhia tão excelente. Ele está sempre a meu lado, vela por mim, alegra-se com as minhas alegrias e entristece-se com as minhas faltas.

Anjo da minha Guarda, perdoa-me a falta de corres-pondência ao teu interesse e protecção, a tua disponibilidade permanente. Perdoa-me ser tão mesquinho na retribuição de tantos favores recebidos. 

Pequeno exame: Cumpri o propósito que me propus ontem?

 


LEITURA ESPIRITUAL

 

Evangelho

Mt IXI, 1-38

1 Depois disto, subiu para o barco, atravessou o mar e foi para a sua cidade. 2 Apresentaram-lhe um paralítico, deitado num catre. Vendo Jesus a fé deles, disse ao paralítico: «Filho, tem confiança, os teus pecados estão perdoados.» 3 Alguns doutores da Lei disseram consigo: «Este homem blasfema.» 4 Jesus, conhecendo os seus pensamentos, disse-lhes: «Porque alimentais esses maus pensamentos nos vossos corações? 5 Que é mais fácil dizer: ‘Os teus pecados te são perdoados’, ou: ‘Levanta-te e anda’? 6 Pois bem, para que saibais que o Filho do Homem tem, na terra, poder para perdoar pecados - disse Ele ao paralítico: ‘Levanta-te, toma o teu catre e vai para tua casa.» 7 E ele, levantando-se, foi para sua casa. 8 Ao ver isto, a multidão ficou dominada pelo temor e glorificou a Deus, por ter dado tal poder aos homens. 9 Partindo dali, Jesus viu um homem chamado Mateus, sentado no posto de cobrança, e disse-lhe: «Segue-me!» E ele levantou-se e seguiu-o. 10 Encontrando-se Jesus à mesa em sua casa, numerosos cobradores de impostos e outros pecadores vieram e sentaram-se com Ele e seus discípulos. 11 Os fariseus, vendo isto, diziam aos discípulos: «Porque é que o vosso Mestre come com os cobradores de impostos e os pecadores?» 12 Jesus ouviu-os e respondeu-lhes: «Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os doentes. 13 Ide aprender o que significa: Prefiro a misericórdia ao sacrifício. Porque Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores.» 14 Depois, foram ter com Ele os discípulos de João, dizendo: «Porque é que nós e os fariseus jejuamos e os teus discípulos não jejuam?» 15 Jesus respondeu-lhes: «Porventura podem os convidados para as núpcias estar tristes, enquanto o esposo está com eles? Porém, hão-de vir dias em que lhes será tirado o esposo e, então, hão-de jejuar.» 16 «Ninguém põe um remendo de pano novo em roupa velha, porque o remendo puxa parte do tecido e o rasgão torna-se maior. 17 Nem se deita vinho novo em odres velhos; de contrário, rompem-se os odres, derrama-se o vinho e estragam-se os odres. Mas deita-se o vinho novo em odres novos; e, desta maneira, ambas as coisas se conservam.» 18 Enquanto Jesus lhes dizia estas coisas, aproximou-se um chefe que se prostrou diante dele e disse: «Minha filha acaba de morrer, mas vem impor-lhe a tua mão e viverá.» 19 Jesus, levantando-se, seguiu-o com os discípulos. 20 Então, uma mulher, que padecia de uma hemorragia há doze anos, aproximou-se dele por trás e tocou-lhe na orla do manto, 21 pois pensava consigo: ‘Se eu, ao menos, tocar nas suas vestes, ficarei curada.’ 22 Jesus voltou-se e, ao vê-la, disse-lhe: «Filha, tem confiança, a tua fé te salvou.» E, naquele mesmo instante, a mulher ficou curada. 23 Quando chegou a casa do chefe, vendo os flautistas e a multidão em grande alarido, disse: 24 «Retirai-vos, porque a menina não está morta: dorme.» Mas riam-se dele. 25 Retirada a multidão, Jesus entrou, tomou a mão da menina e ela ergueu-se. 26 A notícia espalhou-se logo por toda aquela terra. 27 Ao sair dali, seguiram-no dois cegos, gritando: «Filho de David, tem misericórdia de nós!» 28 Ao chegar a casa, os cegos aproximaram-se dele, e Jesus disse-lhes: «Credes que tenho poder para fazer isso?» Responderam-lhe: «Cremos, Senhor!» 29Então, tocou-lhes nos olhos, dizendo: «Seja-vos feito segundo a vossa fé.» 30E os olhos abriram-se-lhes. Jesus advertiu-os em tom severo: «Vede lá, que ninguém o saiba.» 31 Mas eles, saindo, divulgaram a sua fama por toda aquela terra. 32 Mal eles se tinham retirado, apresentaram-lhe um mudo, possesso do demónio. 33 Depois que o demónio foi expulso, o mudo falou; e a multidão, admirada, dizia: «Nunca se viu tal coisa em Israel.» 34 Os fariseus, porém, diziam: «É pelo chefe dos demónios que Ele expulsa os demónios.» 35 Jesus percorria as cidades e as aldeias, ensinando nas sinagogas, proclamando o Evangelho do Reino e curando todas as enfermidades e doenças. 36 Contemplando a multidão, encheu-se de compaixão por ela, pois estava cansada e abatida, como ovelhas sem pastor. 37 Disse, então, aos seus discípulos: «A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. 38 Rogai, portanto, ao Senhor da messe para que envie trabalhadores para a sua messe.»

 

Comentário

Impressiona este diálogo tão simples entre o pobre leproso e Jesus Cristo. Não são necessárias nem muitas palavras nem grandes gestos. Uma afirmação de fé: «Se quiseres»!

Não há pior lepra que o pecado. Se nos fosse dado ver o mal, o horror que constitui a ferida aberta no Coração de Jesus por um pecado nosso ficaríamos arrepiados e aturdidos. E, no entanto, como neste trecho do Evangelho, o Senhor estende a Sua mão e toca-nos. Mais, humilha-se num pouco de pão consagrado e oferece-se como alimento! Diria que, de facto, somos “curados” cada vez que recebemos a Comunhão Eucarística, não prostrados como o leproso do Evangelho, mas com toda a vénia, respeito e compunção que o nosso amor por Jesus nos obriga e sugere.

Com o Senhor tudo é simples e claro. A gente diz-Lhe o que deseja sem duvidar um segundo que Ele o pode fazer. E se o pedido é justo e a Fé verdadeira Ele nos dará o que pedimos.

Sem dúvida que este leproso fez o seu pedido da forma mais correcta e - atrevo-me – eficaz, para obter o que desejava.

Mostra a sua confiança no poder de Jesus e na Sua infinita misericórdia.

Reparemos bem: Pede o que deseja com simplicidade sem se alongar em palavras ou justificações desnecessárias, porque sabe, acredita, confia, que o Senhor conhece o que ele precisa e tem o poder e o desejo de lho conceder.

Não podemos deixar de reagir a este trecho de São Mateus! Reagir, naturalmente, com admiração enorme e, ao mesmo tempo, surpresa. Admiração por constatar – como de resto o próprio Jesus o afirma – uma fé tão profunda que traduz uma confiança total e absoluta no poder de Jesus Cristo por parte de um homem que nem sequer é considerado como “um crente”. Surpresa porque este homem – de posição destacada – se preocupa e sofre com a saúde de um subalterno seu, contrariando todos os sentimentos – comuns, sobretudo naquela época – em o que os “patrões”, ou “senhores” tratavam os subalternos com profundo desprezo. Mais uma vez, vem ao de cima a absoluta necessidade de sermos – os cristãos – pessoas de são critério e isentos de preconceitos ou reservas em relação aos outros.

Este acontecimento – que supomos ser o mesmo – é relatado de forma diferente por outro evangelista, mas, o que interessa não é o pormenor, mas sim a extraordinária lição de fé daquele homem que procura Jesus. Não é um judeu nem sequer se poderia considerar um “crente” no sentido que lhe davam os chefes do povo daquela época, e, por isso mesmo, constatamos que o Senhor não faz acepção de pessoas e que ter fé não é privilégio de alguns, mas um dom que Deus concede a quem muito bem entende. E a fé deste homem está alicerçada – profundamente – no seu coração misericordioso porque o que pede não é para si, porque não se considera digno, mas para um servo, um subalterno.

Jesus cura todos os que a Ele recorrem com Fé e Confiança.

Não precisa de grandes manifestações porque o Seu Coração Amantíssimo e Misericordioso vibra e comove-se com as necessidades e carências dos Seus irmãos os homens. Pois se Ele deu a Sua vida por nós como não fará o que lhe pedir-mos?

 Estamos habituados, por assim dizer, aos pormenorizados relatos que São Mateus faz da actividade diária de Jesus. Incansavelmente percorre lugar após lugar, povoação após povoação movido pelo desejo de encontrar quem precise da Sua assistência, conselho, auxílio. Na verdade, todos precisam de algo e sabem que, Jesus pode satisfazer e atender as suas necessidades.

Um milagre portentoso: A cura do servo do centurião; outro de escasso relevo: A cura da sogra de Pedro;  e, depois as curas incontáveis - todos os doentes o procuravam - e a expulsão dos demónios. Ou seja, o poder de Jesus não tem nem medida nem obedece a outro critério que não seja a Sua infinita misericórdia.

Jesus Cristo sendo Deus todo poderoso não tem nada de Seu nem sequer " onde reclinar a cabeça"! Que chefe é este que espera seguidores fiéis e entusiasmados? Não haverá algo que poderíamos chamar "visionário?" Seguramente que sim! O Senhor é um visionário, um entusiasta que acredita nos homens e deseja absolutamente os homens acreditem nele e O sigam. Porquê? Porque só se o fizerem poderão salvar-se.

Quando, na vida corrente, nos propõem algo, a nós cabe-nos ter uma de duas atitudes: aceitar ou recusar. Não obtemos nenhum resultado positivo por tentar emitir as nossas condições de acordo com as conveniências próprias. Quem o faz é quem faz a proposta, o convite, porque, naturalmente, é quem sabe o que pretende de nós, o que deseja que façamos. Assim com o chamamento que Cristo faz pessoalmente a cada um em particular. Ele sabe para que nos quer, para que nos chama.

Uma pessoa séria de bom critério quando é chamada só tem uma de duas respostas: Sim, aceito!  Ou: Não, recuso! Estamos a considerar o chamamento divino que num momento qualquer da nossa vida o Senhor não deixará de nos fazer. Em primeiro lugar, ser chamado é uma honra e um privilégio que, só por si, deveria ser mais que suficiente para o nosso acolhimento imediato; depois considerando Quem chama não nos deve preocupar para quê ou porquê porque só pode ser bom e conveniente para nós.

A resposta de Jesus aos discípulos aterrados com a procela tem toda a razão de ser. Talvez pudesse acrescentar: ‘Eu não estou aqui convosco? Como podeis temer?’ Mas, como se vê pelo texto eles ainda não tinham fé suficiente no Senhor. Por isso ficam admirados com o Seu. Nós, também, não temos nada a temer porque se o Senhor está connosco, na nossa alma em graça, nada – absolutamente – nos poderá fazer mal. Confiar na Sua Infinita Misericórdia SEMPRE, mesmo quando parece que está ausente, desinteressado ou a dormir.

Perante situações extremas - guerras, cataclismos da natureza, perseguições e violências de toda a ordem, somos, por vezes, levados a exclamar: Senhor, onde estás? Dormes? Não Te importas? Este “grito” explica-se, é natural; somos humanos e reconhecemos a nossa impotência. Mas, Ele, não, pode tudo, É O Senhor de tudo. Não Se enfadará com o nosso “grito”, bem ao contrário, actuará com a urgência que julgar conveniente.

Disseram em alta voz: «Que tens a ver connosco, Filho de Deus? Vieste aqui atormentar-nos antes do tempo?» Por aqui se vê que o demónio não só sabia quem era Jesus como conhecia o que a Sua vinda à terra significava: que o domínio, quase discricionário, que exercia sobre a humanidade, iria terminar com a instauração do Reino de Deus. O demónio não tem outro objectivo senão fazer o mal. Ao pedirem a Jesus que os enviasse para a vara dos porcos, precipitando-se no mar, como que quiseram demonstrar que os gadarenos não acreditavam em Jesus Cristo, dando maior importância aos bens materiais que à vida humana. E o Senhor não sabia o que iria acontecer? Evidentemente que sim, Ele sabe tudo, mas não podia permitir que acreditassem nele pela confissão do demónio que é o pai da mentira.

Muitos comentários se têm escrito sobre este trecho do Evangelho. Talvez sem querer, ficamos algo decepcionados com Jesus ter permitido que os demónios entrassem nos porcos com o resultado que se sabe. Talvez possamos tirar duas ou três ilacções: A primeira é a confirmação que o demónio existe o que, muitos, insistem em negar; A segunda, que Cristo não poderia consentir que acreditassem nele pelo testemunho do demónio, que é o pai da mentira; a terceira é a completa inversão de valores dos gadarenos que dão mais importância a perda dos porcos que à recuperação da saúde do seu conterrâneo; e, uma quarta, - talvez a mais inesperada – é a sua reacção pedindo a Jesus que Se afaste do seu território, sem procurar compreender, sem fazer uma pergunta, sem, sequer, considerar o extraordinário do acontecimento. Preferem, de facto, fechar os olhos e os  ouvidos e ignorar o que foi tão patente perante todos.

Já o dissemos: O Senhor não podia consentir que a Sua Pessoa: Jesus Cristo fosse revelada pelo demónio que é o Pai da mentira. O episódio com a vara de porcos revela claramente a maldade e desprezo do tentador. Fica bem claro que dele só se pode esperar o mal e o ódio.

 

(AMA, 2018)


 

ANJO DA GUARDA

Senhor: "Força-me" a lembrar-me do meu Anjo da Guarda que eu não despreze companhia tão excelente.

Ele está sempre a meu lado, vela por mim, alegra-se com as minhas alegrias e entristece-se com as minhas faltas.

Anjo da minha Guarda, perdoa-me a falta de correspondência ao teu interesse e protecção, a tua disponibilidade permanente. Perdoa-me ser tão mesquinho na retribuição de tantos favores recebidos.

 

Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador pois que a ti me confiou a Piedade Divina, para sempre me protege, guarda e ilumina.

 

Trium puerórum 

 

Cantémus hymnum, quem cantábant Sancti in camíno ignis,

benedicéntes Dóminum. (T. P. Allelúja.)

Canticum trium Puerorum Dan. 3, 57-88 et 56

 

Benedícite, ómnia ópera Dómini, Dómino: * laudáte et superexaltáte eum in sæcula.

Benedícite, Angeli Dómini, Dómino: * benedícite, cæli, Dómino.

Benedícite, aquæ omnes, quæ super cælos sunt, Dómino: * benedícite, omnes virtútes dómini, Dómino.

Benedícite, sol et luna, Dómino: * benedícite, stellæ cæli, Dómino. 

Benedícite, omnis imber et ros, Dómino: * benedícite, omnes spíritus Dei, Dómino.

Benedícite, ignis et æstus, Dómino: * benedícite, frigus et æstus, Dómino.

Benedícite, rores et pruína, Dómino: * benedícite, gelu et frigus, Dómino.

Benedícite, glácies et nives, Dómino: * benedícite, noctes et dies, Dómino.

Benedícite, lux et ténebræ, Dómino: * benedícite, fúlgura et nubes, Dómino.

Benedícat terra Dóminum: * laudet et superexáltet eum in sæcula.

Benedícite, montes et colles, Dómino: * benedícite, univérsa germinántia in terra, Dómino.

Benedícite, fontes, Dómino: * benedícite, mária et flúmina, Dómino.

Benedícite, cete, et ómnia quæ movéntur in aquis, Dómino: * benedícite, omnes vólucres cæli, Dómino.

Benedícite, omnes béstiæ et pécora, Dómino: * benedícite, fílii hóminum, Dómino.

Benedícat Israel Dóminum: * laudet et superexáltet eum in sæcula.

Benedícite, sacerdótes Dómini, Dómino: * benedícite, servi Dómini, Dómino.

Benedícite, spíritus et ánimæ justórum, Dómino: * benedícite, sancti et húmiles corde, Dómino.

Benedícite, Ananía, Azaría, Mísael, Dómino: * laudáte et superexaltáte eum in sæcula.

Benedicámus Patrem et Fílium cum Sancto Spíritu: * laudémus et superexaltémus eum in sæcula.

Benedíctus es, Dómine, in firmaménto cæli: * et laudábilis, et gloriósus, et superexaltátus in sæcula.

 

Psalmus 150

Laudáte Dóminum in sanctis ejus: * laudáte eum in firmaménto virtútis ejus.

Laudate eum in virtútibus ejus: * laudáte eum secúndum multitúdinem magnitúdinis ejus.

Laudate eum in in sono tubæ: * laudáte eum in psaltério et cíthara.

Laudate eum in týmpano, et choro: * laudáte eum in chordis, et órgano.

Laudate eum in cýmbalis benesonántibus: laudáte eum in cýmbalis jubilatiónis: * omnis spíritus laudet Dóminum.

Glória Patri, et Fílio, et Spirítui Sancto.

Sicut erat in princípio, et nunc et semper, et in sæcula sæculórum. Amen.

 

Ant. Trium puerórum * cantémus hymnum, quem cantábant Sancti in camíno ignis, benedicéntes Dóminum. (T. P. Allelúja.

Kýrie, eléison. Christe, eléison. Kýrie, eléison.

Pater noster secreto usque ad

V. Et ne nos indúcas in tentatiónem. R. Sed líbera nos a malo.

V. Confiteántur tibi, Dómine, ómnia ópera tua. R. Et Sancti tui benedícant tibi.

V. Exsultábunt Sancti in glória. R. Lætabúntur in cubílibus suis.

V. Non nobis, Dómine, non nobis. R. Sed nómini tuo da glóriam.

V. Dómine, exáudi oratiónem meam. R. Et clamor meus ad te véniat.

V. Dóminus vobíscum. R. Et cum spíritu tuo.

Orémus.

Deus, qui tribus púeris mitigásti flammas ígnium: concéde propítius; ut nos fámulos tuos non exúrat flamma vitiórum.

Actiónes nostras, quæsumus, Dómine, aspirándo præveni et adjuvándo proséquere: ut cuncta nostra orátio et operátio a te semper incípiat, et per te cœpta finiátur. 

Da nobis, quæsumus, Dómine, vitiórum nostrórum flammas exstínguere: qui beáto Lauréntio tribuísti tormentórum suórum incéndia superáre. Per Christum, Dóminum nostrum. R. Amen.


REFLEXÃO 


Filiação divina

Em qualquer momento do dia ou da noite deve manter-se esse empenho por sermos com a ajuda da graça, homens e mulheres de uma só peça, que não se comportam segundo o vento que corre ou que deixam a relação com o Senhor para quando estão na igreja ou recolhidos em oração. Por isso, convirá ter presente que na rua, no trabalho, no desporto, numa reunião social, temos de ser sempre os mesmos: filhos de Deus, que reflectem com a sua ama­bilidade e fortaleza o seguirem Cristo em situações bem diversas.

 

(Francisco Fernández carvajal & Pedro Betteta López, Filhos de Deus, DIEL, ISBN 972-8040-08-03, nr. 124)

 


SÃO JOSEMARIA – textos

Faz o que deves e está no que fazes

Fazei tudo por Amor. – Assim não há coisas pequenas: tudo é grande. – A perseverança nas pequenas coisas, por Amor, é heroísmo. (Caminho, 813)

Queres deveras ser santo? – Cumpre o pequeno dever de cada momento faz o que deves e está no que fazes. (Caminho, 815)

A santidade "grande" consiste em cumprir os "pequenos deveres" de cada instante. (Caminho, 817)

Dizes-me: quando se apresentar a ocasião de fazer algo de grande... então sim! – Então! Pretendes fazer-me crer, e crer tu seriamente, que poderás vencer na Olimpíada sobrenatural, sem a preparação diária, sem treino? (Caminho, 822)

Viste como ergueram aquele edifício de grandeza imponente? – Um tijolo, e outro. Milhares. Mas um a um. – E sacos de cimento, um a um. E blocos de pedra, que pouco representam na mole do conjunto. – E pedaços de ferro. – E operários que trabalham, dia a dia, as mesmas horas... Viste como levantaram aquele edifício de grandeza imponente?... À força de pequenas coisas! (Caminho, 823)

Não tens reparado em que "ninharias" está o amor humano? – Pois também em "ninharias" está o Amor divino. (Caminho, 824)