16/04/2021

NUNC COEPI: Publicações em Abril 16

PLANO DE VIDA:  (Coisas muito simples, curtas, objectivas)

Propósito: Pequena mortificação

Pequeno exame: Cumpri o propósito que me propus ontem?

 

Leitura espiritual 

 

Evangelho

Lc XXIII, 33-49

Crucificação

33 Quando chegaram ao lugar chamado Calvário, crucificaram-no a Ele e aos malfeitores, um à direita e outro à esquerda. 34 Jesus dizia: «Perdoa-lhes, Pai, porque não sabem o que fazem.» Depois, deitaram sortes para dividirem entre si as suas vestes. 35 O povo permanecia ali, a observar; e os chefes zombavam, dizendo: «Salvou os outros; salve-se a si mesmo, se é o Messias de Deus, o Eleito.» 36 Os soldados também troçavam dele. Aproximando-se para lhe oferecerem vinagre, 37 diziam: «Se és o rei dos judeus, salva-te a ti mesmo!» 38 E por cima dele havia uma inscrição: «Este é o rei dos judeus.»

 

O bom ladrão

39 Ora, um dos malfeitores que tinham sido crucificados insultava-o, dizendo: «Não és Tu o Messias? Salva-te a ti mesmo e a nós também.» 40 Mas o outro, tomando a palavra, repreendeu-o: «Nem sequer temes a Deus, tu que sofres o mesmo suplício? 41 Quanto a nós, fez-se justiça, pois recebemos o castigo que as nossas acções mereciam; mas Ele nada praticou de condenável.» 42 E acrescentou: «Jesus, lembra-te de mim, quando estiveres no teu Reino.» 43 Ele respondeu-lhe: «Em verdade te digo: hoje estarás comigo no Paraíso.»

 

Morte de Jesus

44 Por volta do meio-dia, as trevas cobriram toda a região até às três horas da tarde. 45 O Sol tinha-se eclipsado e o véu do templo rasgou-se ao meio. 46 Dando um forte grito, Jesus exclamou: «Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito.» Dito isto, expirou. 47 Ao ver o que se passava, o centurião deu glória a Deus, dizendo: «Verdadeiramente, este homem era justo!» 48 E toda a multidão que se tinha aglomerado para este espectáculo, vendo o que acontecera, regressava batendo no peito. 49 Todos os seus conhecidos e as mulheres que o tinham acompanhado desde a Galileia mantinham-se à distância, observando estas coisas.

 

Considerações

 

O São Lucas dedica o penúltimo capítulo do Evangelho que escreveu à Crucificção e morte de Jesus.

A primeira consideração que me ocorre é o perdão do Crucificado: «Perdoa-lhes, Pai, porque não sabem o que fazem.» esclarecendo o motivo pelo qual perdoa: porque não sabiam o que faziam.

Para nós, os cristãos de hoje ou de outro tempo qualquer é consolador saber que a responsabilidade do pecado pessoal cometido por ignorância ou sem o propósito de o cometer não merece condenação.

Uma segunda consideração é o valor do reconhecimento do pecado praticado, assumindo a responsabilidade pessoal pelo mesmo e, depois o arrependimento sincero do que se fez.

Por exemplo alguém com grave deficiência mental, não pode ser responsável pelos actos que comete nem os maus nem os bons porque não tem consciência deles e, o pecado como tal, é sempre um acto da vontade consciente.

Ora, neste caso, Jesus advertia que os que O crucificavam apenas cumpriam ordens e que não tinham como perceber que a crucificação de Jesus teria de ser diferente de numerosas outras como era hábito naqueles tempos.

Vemos bem, pelo que São Lucas descreve, que o perdão ”instantâneo” que Jesus concede ao “bom ladrão” «hoje estarás comigo no Paraíso.» é o prémio da confissão e do arrependimento.

A Confissão Sacramental para ser perfeita tem de conter estas duas condições.

Em terceiro lugar vem o relato da reacção do centurião quando compreende que os fenómenos que se sucedem a seguir à morte de Jesus estão directamente relacionados.

Mais avulta, talvez, ter sido um não judeu, a reconhecer esses “sinais” quando, constantemente ojudeus, o povo e os seus chefes pediam a Jesus sinais que o identificassem como Deus. Nem os numerosos milagres que constataram durante os três anos de vida pública de Jesus - e alguns desses milagres não poderiam nunca ser ignorados como, por exemplo, as multiplicações de pães e peixes com que alimentou milhares de pessoas, ou o instantâneo apasiguamento de tempestades violentas, a cura de paralíticos, cegos de nascença, leprosos… foram bastantes para serem considerados ”sinais” eloquentes da Divindade de Jesus Cristo.

De facto, pior que não enxergar é não querer ver, pior, muito pior que não entender é não procurar perceber.   

  

DOUTRINA (Perguntas e respostas)

O AGNOSTICISMO

 

3. O agnosticismo é apenas uma teoria?

 

Aparentemente, o agnosticismo é apenas uma teoria, mas na realidade tem importantes consequências práticas.

Na prática, é um ateísmo.

 

REFLEXÃO

Igualdade de vida

 

Houve-se com frequência dizer a respeito de alguém: 'É muito honesto'.

Isto é dito como se fosse algo extraordinário, fora do "normal".

Mas, então, o normal não é ser-se honesto!

Aliás, não se é "muito honesto" ou se é ou não!

Por isso penso que esta locução não faz qualquer sentido e que o que realmente se deveria dizer seria: 'Pode confiar-se' (nessa pessoa).

Isto sim é o que realmente queremos pensar a respeito dos outros e que igualmente desejamos que os outros pensem de nós.

Claro que uma pessoa digna de confiança é, por natureza, honesta.

É que parece haver uma tendência para considerar que a honestidade se resume e conclui em não se apropriar do alheio quando, de facto, é muito mais que isso: é viver, pensar e actuar com critérios sãos e estáveis, que não mudam conforme as circunstâncias, o ambiente ou outra coisa qualquer.

Considerar alguém honesto só porque não se apropria do que não lhe pertence é reduzir essa virtude a um mero comportamento, ou dito de outra forma, que essa virtude é a consequência lógica de não ter o defeito.

Mas... não ter um defeito não determina possuir uma virtude.

Por exemplo: Se não me embriago não permite concluir que tenha a virtude da temperança, mas apenas que sou comedido na bebida; Se cumpro as regras de trânsito não quer dizer que sou obediente, mas que respeito as leis; As virtudes - tema já abordado antes -  só se adquirem com os bons hábitos praticados com regularidade e independentemente das circunstâncias.

Por isso mesmo é muito importante a igualdade de vida.

Mas… E o que vem a ser a "igualdade de vida"?

Para os cristãos, é proceder de acordo com a Fé que afirmam professar, sem "intervalos" ou concessões.

Que os actos correspondam ao que se diz, que haja coerência, sintonia, entre o que se pensa e diz e o que se pratica.

Que, em suma, se seja honesto consigo próprio.

Mas, sobretudo, se seja honesto com Deus Nosso Senhor que não pode aceitar nem desculpas nem "justificações" se o nosso comportamento não corresponde integralmente ao que Ele tem todo o direito de esperar.

Ele sabe muito bem se o que fazemos corresponde à Sua Vontade ou aos nossos desejos ou conveniências de momento.

Portanto, pode concluir-se, igualdade de vida é fazer, em tudo, a Vontade de Deus!

 

15/04/2021

NUNC COEPI: Publicações em Abril 15

PLANO DE VIDA: (Coisas muito simples, curtas, objectivas)

 

Propósito: Participar na Santa Missa.

Senhor, vendo-me tal como sou, nada, absolutamente, tenho esta percepção da grandeza que me está reservada dentro de momentos: Receber o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade do Rei e Senhor do Universo.

O meu coração palpita de alegria, confiança e amor. Alegria por ser convidado, confiança em que saberei esforçar-me por merecer o convite e amor sem limites pela caridade que me fazes. Aqui me tens, tal como sou e não como gostaria e deveria ser.Não sou digno, não sou digno, não sou digno! Sei porém, que a uma palavra Tua a minha dignidade de filho e irmão me dará o direito a receber-te tal como Tu mesmo quiseste que fosse. Aqui me tens, Senhor. Convidaste-me e eu vim.

Pequeno exame: Cumpri o propósito que me propus ontem?

 

Evangelho

Lc XXIII, 13-32

Jesus de novo ante Pilatos

13 Pilatos convocou os sumos sacerdotes, os chefes e o povo, 14 e disse-lhes: «Trouxestes este homem à minha presença como se andasse a revoltar o povo. Interroguei-o diante de vós e não encontrei nele nenhum dos crimes de que o acusais. 15 Herodes tão-pouco, visto que no-lo mandou de novo. Como vedes, Ele nada praticou que mereça a morte. 16 Vou, portanto, libertá-lo, depois de o castigar.»

 

Jesus e Barrabás

17 Ora, em cada festa, Pilatos era obrigado a soltar-lhes um preso. 18 E todos se puseram a gritar: «A esse mata-o e solta-nos Barrabás!» 19 Este último fora metido na prisão por causa de uma insurreição desencadeada na cidade, e por homicídio. 20 De novo, Pilatos dirigiu-lhes a palavra, querendo libertar Jesus. 21 Mas eles gritavam: «Crucifica-o! Crucifica-o!» 22 Pilatos disse-lhes pela terceira vez: «Que mal fez Ele, então? Nada encontrei nele que mereça a morte. Por isso, vou libertá-lo, depois de o castigar.» 23 Mas eles insistiam em altos brados, pedindo que fosse crucificado, e os seus clamores aumentavam de violência.

 

Considerações

Este personagem – Pilatos – avulta na História da Salvação humana pelos piores motivos.

De facto ele é o primeiro e último responsável pela morte de Jesus.

Detinha o poder absoluto, pertencia-lhe decidir com justiça e razoável certeza mas, optou pelo mais fácil… não dar muita importância ao assunto concedendo o que lhe solicitavam, conquistar amigos entre os judeus, particularmente Herodes como expressamente o Evangelho refere… enfim… livrar-se de um assunto algo complicado, que não compreendia nem queria esmiuçar.

Uma personalidade fraca, dúbia, sem vontade de aplicar a justiça como seria de supor, ignorando factos e evidências.

Confessa que não encontra nenhum motivo para condenar Jesus e, no entanto, condena-O; lava as mãos para simbólicamente evidenciar que considera inocente na Morte de Jesus… como se tal fosse posível!

E, esta é a verdade – que ele próprio não sabe o que é nem se mostra interessado em saber -: Sem a sua concordância Jesus Cristo não teria sido crucificado.

A história já o julgou e guarda como Um homem sinistro, sem consciência ou critério, cobarde… repugnante!

 

Oração pelos Sacerdotes

Meu Senhor Jesus Cristo:

Dai à Vossa Igreja Sacerdotes Santos que se entreguem ao serviço exclusivo da Igreja e das almas, ao anúncio fiel da palavra de Deus, à administração dos Sacramentos, em especial da Eucaristia e da Penitência, obedientes ao Magistério da Igreja e observando amorosamente a Sagrada Liturgia, para exemplo e guia seguro do Povo de Deus. (AMA, 2009)

Com autorização eclesiástica

 

 

 

14/04/2021

NUNC COEPI: Publicações em Abril 14

PLANO DE VIDA: (Coisas muito simples, curtas, objectivas)

Propósito: Simplicidade e modéstia.

Senhor, ajuda-me a ser simples, a despir-me da minha “importância”, a ser contido no meu comportamento e nos meus desejos, deixando-me de quimeras e sonhos de grandeza e proeminência.

 

Lembrar-me: Do meu Anjo da Guarda.

Senhor, ajuda-me a lembrar-me do meu Anjo da Guarda, que eu não despreze companhia tão excelente. Ele está sempre a meu lado, vela por mim, alegra-se com as minhas alegrias e entristece-se com as minhas faltas.

Anjo da minha Guarda, perdoa-me a falta de correspondência ao teu interesse e protecção, a tua disponibilidade permanente. Perdoa-me ser tão mesquinho na retribuição de tantos favores recebidos.

 

Pequeno exame: Cumpri o propósito que me propus ontem?

 

Leitura espiritual

Evangelho

Lc XXII, 63-71; Lc XXIII, 1-12

Jesus é escarnecido

63 Entretanto, os que guardavam Jesus troçavam dele e maltratavam-no. 64 Cobriam-lhe o rosto e perguntavam-lhe: «Adivinha! Quem te bateu?» 65 E proferiam muitos outros insultos contra Ele.

Jesus em presença do Sinédrio

66 Quando amanheceu, reuniu-se o Conselho dos anciãos do povo, sumos sacerdotes e doutores da Lei, que o levaram ao seu tribunal. 67 Disseram-lhe: «Declara-nos se Tu és o Messias.» Ele respondeu-lhes: «Se vo-lo disser, não me acreditareis 68 e, se vos perguntar, não respondereis. 69 Mas doravante, o Filho do Homem vai sentar-se à direita de Deus todo-poderoso.» 70 Disseram todos: «Tu és, então, o Filho de Deus?» Ele respondeu-lhes: «Vós o dizeis; Eu sou.» 71 Então, exclamaram: «Que necessidade temos já de testemunhas? Nós próprios o ouvimos da sua boca.»

 

Jesus diante de Pilatos e de Herodes

1 Levantando-se todos, levaram-no a Pilatos 2 e começaram a acusá-lo, nestes termos: «Encontrámos este homem a sublevar o povo, a impedir que se pagasse tributo a César e a dizer-se Ele próprio o Messias-Rei.» 3 Pilatos interrogou-o: «Tu és o rei dos judeus?» Jesus respondeu: «Tu o dizes.» 4 Pilatos disse, então, aos sumos sacerdotes e à multidão: «Nada encontro de culpável neste homem.» 5 Mas eles insistiram, dizendo: «Ele amotina o povo, ensinando por toda a Judeia, desde a Galileia até aqui.» 6 Ao ouvir isto, Pilatos perguntou se o homem era galileu; 7 e, ao saber que era da jurisdição de Herodes, enviou-o a Herodes, que também se encontrava em Jerusalém nesses dias. 8 Ao ver Jesus, Herodes ficou extremamente satisfeito, pois havia bastante tempo que o queria ver, devido ao que ouvia dizer dele, esperando que fizesse algum milagre na sua presença. 9 Fez-lhe muitas perguntas, mas Ele nada respondeu. 10 Os sumos sacerdotes e os doutores da Lei, que lá estavam, acusavam-no com veemência. 11 Herodes, com os seus oficiais, tratou-o com desprezo e, por troça, mandou-o cobrir com uma capa vistosa, enviando-o de novo a Pilatos. 12 Nesse dia, Herodes e Pilatos ficaram amigos, pois eram inimigos um do outro.

 

Considerações

 

Pela primeira vez consta no Evangelho a recusa de Jesus em responder a perguntas.

Muitas vezes os chefes do povo e os saduceus fizeram perguntas e colocaram questões  cuja intenção bem visível era ou uma armadilha ou uma falsa questão e, outras vezes simples provocações.

Em nenhum caso Jesus Se recusou dar resposta mesmo até, por exemplo, questões disparatadas como com quem seria casada, vida eterna, a mulher que tinha enviuvado sete vezes .

Compreendemos que as respostas de Jesus não se destinavam tanto a quem perguntava mas mais em benefício dos circunstantes.

Ou seja aproveitava sempre o ensejo de dar doutrina clara e consistente.

O exemplo que nos dá a todos os cristãos é clarissímo: não devemos fugir a qualquer questão sobre  Doutrina Católica seja qual for a intenção por detrás da mesma, sobretudo se houver outras pessoas presentes.

Pode acontecer que não estejamos muito seguros da resposta que devemos dar e, neste caso, com toda a humildade e simplicidade dizê-lo, acrescentando que, se for adequado, se dará uma resposta em tempo futuro.

Nunca emitir uma consideração da “nossa lavra” será um erro tremendo que devemos evitar.

A Doutrina da Igreja Católica está ao dispôr de qualquer um e os cristãos têm por dever conhecê-la em profundidade.

De resto, como admitir uma Doutrina que não se conhece bem?

No acontecimento que estamos a considerar - o silêncio de Jesus perante Herodes – fica também muito claro que não quis declaradamente dar ensejo a troça e blasfémias, o que decerto aconteceria fosse qual fosse a resposta que desse como de resto se comprova no final do versículo 11 «Hero-des, com os seus oficiais, tratou-o com desprezo e, por troça, mandou-o cobrir com uma capa vistosa».

 

SÃO JOSÉ

Ano de São José

A figura de São José no Evangelho

 

Para viver a virtude da castidade não é preciso ser-se velho ou carecer de vigor. A castidade nasce do amor; a força e a alegria da juventude não constituem obstáculo para um amor limpo. Jovem era o coração e o corpo de São José quando contraiu matrimónio com Maria, quando conheceu o mistério da sua Maternidade Divina, quando viveu junto d'Ela respeitando a integridade que Deus lhe queria oferecer ao mundo como mais um sinal da sua vinda às criaturas. Quem não for capaz de compreender um amor assim conhece muito mal o verdadeiro amor e desconhece por completo o sentido cristão da castidade. (São Josemaria, Cristo que passa, 40)

 

 

13/04/2021

NUNC COEPI: Publicações em Abril 13

 

PLANO DE VIDA: (Coisas muito simples, curtas, objectivas)

Propósito: Aplicação no trabalho.

Senhor, ajuda-me a fazer o que devo, quando devo, empenhando-me em fazê-lo bem feito para to poder oferecer.

Pequeno exame: Cumpri o propósito que me propus ontem?

 

Leitura espiritual 

Evangelho

Lc XII, 39-62

 

Agonia de Jesus em Getzemani

39 Saiu então e foi, como de costume, para o Monte das Oliveiras. E os discípulos seguiram também com Ele. 40 Quando chegou ao local, disse-lhes: «Orai, para que não entreis em tentação.» 41 Depois afastou-se deles, à distância de um tiro de pedra, aproximadamente; e, pondo-se de joelhos, começou a orar, dizendo: 42 «Pai, se quiseres, afasta de mim este cálice; contudo, não se faça a minha vontade, mas a tua.» 43 Então, vindo do Céu, apareceu-lhe um anjo que o confortava. 44 Cheio de angústia, pôs-se a orar mais instantemente, e o suor tornou-se-lhe como grossas gotas de sangue, que caíam na terra. 45 Depois de orar, levantou-se e foi ter com os discípulos, encontrando-os a dormir, devido à tristeza. 46 Disse-lhes: «Porque dormis? Levantai-vos e orai, para que não entreis em tentação.»

Jesus é preso no horto

47 Ainda Ele estava a falar quando surgiu uma multidão de gente. Um dos Doze, o chamado Judas, caminhava à frente e aproximou-se de Jesus para o beijar. 48 Jesus disse-lhe: «Judas, é com um beijo que entregas o Filho do Homem?» 49 Vendo o que ia suceder, aqueles que o cercavam perguntaram-lhe: «Senhor, ferimo-los à espada?» 50 E um deles feriu um servo do Sumo Sacerdote, cortando-lhe a orelha direita. 51 Mas Jesus interveio, dizendo: «Basta, deixai-os.» E, tocando na orelha do servo, curou-o. 52 Depois, disse aos que tinham vindo contra Ele, aos sumos sacerdotes, aos oficiais do templo e aos anciãos: «Vós saístes com espadas e varapaus, como se fôsseis ao encontro de um salteador! 53 Estando Eu todos os dias convosco no templo, não me deitastes as mãos; mas esta é a vossa hora e o domínio das trevas.»

Pedro nega Jesus três vezes

54 Apoderando-se, então, de Jesus, levaram-no e introduziram-no em casa do Sumo Sacerdote. Pedro seguia de longe. 55 Tendo acendido uma fogueira no meio do pátio, sentaram-se e Pedro sentou-se no meio deles. 56 Ora, uma criada, ao vê-lo sentado ao lume, fitando-o, disse: «Este também estava com Ele.» 57 Mas Pedro negou-o, dizendo: «Não o conheço, mulher.» 58 Pouco depois, disse outro, ao vê-lo: «Tu também és dos tais.» Mas Pedro disse: «Homem, não sou.» 59 Cerca de uma hora mais tarde, um outro afirmou com insistência: «Com certeza este estava com Ele; além disso, é galileu.» 60 Pedro respondeu: «Homem, não sei o que dizes.» E, no mesmo instante, estando ele ainda a falar, cantou um galo. 61 Voltando-se, o Senhor fixou os olhos em Pedro; e Pedro recordou-se da palavra do Senhor, quando lhe disse: «Hoje, antes de o galo cantar, irás negar-me três vezes.» 62 E, vindo para fora, chorou amargamente.

 

Considerações

 

A Agonia de Jesus no Horto de Getzemani descrita por São Lucas não pode deixar ninguém indiferente de tal forma choca o dramatismo da circunstância.

Parece que Jesus Cristo Se “desmorona” completamente exteriorizando o Seu sofrimento interior de forma tão visível que, talvez por isso mesmo, os três discípulos não o suportam e, esmagados, adormecem.

Não admira, a Última Ceia celebrada pouco antes tinha sido tão densa, tão cheia de coisas novas, o anúncio da traição de Judas o discurso testamentário de Jesus, a instituição da Eucaristia, o Mandamento Novo… enfim, umas duas horas de revelações, exemplos, acções extraordinárias.

Dom Javier Echevarria no seu livro “Getzemani” descreve e contempla com admirável profundidade quanto se passou no Horto.

Detem-se com particular ênfase na intensidade do sofrimento de Cristo naqueles momentos de profunda oração ao Pai.

Lágrimas de sangue revelam o intenso sofrimento que vivia.[1]

Trata-se de um livro para meditar e não apenas para ler. Encerra ilacções importantes sobre o “valor” do sofrimento e da realidade da Paixão de Cristo.

Getzesemani não pode dissociar-se da Paixão da Cruz porque nos dá uma certeza: Jesus Cristo sabia o que O esperava nas horas seguintes e, mesmo assim, com todo o conhecimento do futuro próximo que O aguardava, aceita e submete-Se donde, não podem restar quaisquer dúvidas que aceitou a “Voluntáriamente aceitou a toda a Paixão e a Morte na Cruz.

Deu a Sua Vida porque quis salvar a humanidade convertendo todos em verdadeiros e legítimos Filhos de Deus e Herdeiros da Vida Eterna.

Podemos ter a tentação de pensar que foi “excessiva” esta forma de o levar a cabo, mas, temos de considerar que só o ofendido pode perdoar e o ofensor e o perdão completo e verdadeiro terá de estar de acordo com a gravidade da ofensa.

Ora, concluimos, se o pecado é uma ofensa a Deus, quem mais o poderia perdoar a não ser Ele?

  

CONFISSÃO SACRAMENTAL

Cristo instituiu o sacramento da Penitência oferecendo-nos uma nova possibilidade de nos convertermos e de recuperarmos, depois do Baptismo, a graça da justificação.

“Cristo instituiu o sacramento da Penitência para todos os membros pecadores da sua Igreja, antes de mais para aqueles que, depois do Baptismo, caíram em pecado grave e assim perderam a graça baptismal e feriram a comunhão eclesial. É a eles que o sacramento da Penitência oferece uma nova possibilidade de se converterem e de reencontrarem a graça da justificação. Os Padres da Igreja apresentam este sacramento como “a segunda tábua (de salvação), depois do naufrágio que é a perda da graça”.[2]

Foi ao dar o Espírito Santo aos Apóstolos que Cristo ressuscitado lhes transmitiu o Seu próprio poder divino de perdoar os pecados: “Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos”» (Jo 20, 22-23).[3]


REFLEXÃO

Da necessidade de reconvenção

O que se entende, exactamente reconvenção?

De forma sintética quererá significar rever o passado, tornar a andar o já andado.

Porque é necessária? Não dizemos que o passado não interessa mas, sim, o presente?

É verdade, mas também é verdade que o presente começou ontem e tem consigo, digamos, a carga, o efeito, a consequência do feito ontem.

Não podemos voltar a fazer o mesmo que já fizemos?

Podemos, claro, repetir corrigindo o que foi mal ou deficientemente feito.

Podemos e devemos principalmente fazer o que deveríamos ter feito e não fizemos.

Lembremos que para Deus não há tempo tal como o consideramos, mas um presente contínuo, permanente.

Portei-me mal? Pois, peço perdão e corrijo portando-me bem.

Talvez que, na reconvenção, preocupados com o ter feito mal ou não ter cumprido a nossa obrigação, nos esqueçamos de aferir algo muito importante: fomos agradecidos? Demos graças a Deus por tudo - absolutamente - quanto Lhe devemos?

Pois aproveitemos este tempo que nos é concedido para o fazer.

 

 



[1] Hematidrose (Também chamado hematohidrose ou hemidrose ou suor de sangue. Do grego haima/haimatos αἷμα, αἵματος, sangue; hidrōs' ἱδρώς sangue) é uma condição muito rara em que um humano sua sangue.

A hematidrose afecta o rosto, as orelhas, o nariz e os olhos, mas na sua  na origem também está um outro fenómeno: as lágrimas de sangue.

Para já a ciência sabe que este fenómeno do corpo humano está associado a momentos de maior pressão, tensão ou stress.

O medo e o stress emocional intenso podem também impulsionar esta condição, pois estes estados emocionais têm um impacto directo nos micro vasos sanguíneos das glândulas sudoríparas, que explodem' e dão origem à saída de sangue, em simultâneo com o suor.

[2] Catecismo, 1446

[3] Catecismo, 976

12/04/2021

NUNC COEPI: Publicações em Abril 12

PLANO DE VIDA;  (Coisas muito simples, curtas, objectivas)

 

Propósito: Sorrir; ser amável; prestar serviço.

 

Senhor que eu faça "boa cara" que seja alegre e transmita aos outros, principalmente em minha casa, boa disposição.

 

 

Lembrar-me: Papa, Bispos, Sacerdotes.

 

Que o Senhor assista e vivifique o Papa, santificando-o na terra e não consinta que seja vencido pelos seus inimigos.

 

Que os Bispos se mantenham firmes na Fé, apascentando a Igreja na fortaleza do Senhor.

 

Que os Sacerdotes sejam fiéis à sua vocação e guias seguros do Povo de Deus.

 

Pequeno exame: Cumpri o propósito que me propus ontem?

 

Leitura espiritual 

 

Evangelho

Lc XXII, 21-38

 

Jesus revela o traidor

21 «No entanto, vede: a mão daquele que me vai entregar está comigo à mesa! 22 O Filho do Homem segue o seu caminho, como está determinado; mas ai daquele por meio de quem vai ser entregue!» 23 Começaram a perguntar uns aos outros qual deles iria fazer semelhante coisa.

 

Últimos avisos

24 Levantou-se entre eles uma discussão sobre qual deles devia ser considerado o maior. 25 Jesus disse-lhes: «Os reis das nações imperam sobre elas e os que nelas exercem a autoridade são chamados benfeitores. 26 Convosco, não deve ser assim; o que fôr maior entre vós seja como o menor, e aquele que mandar, como aquele que serve. 27 Pois, quem é maior: o que está sentado à mesa, ou o que serve? Não é o que está sentado à mesa? Ora, Eu estou no meio de vós como aquele que serve. 28 Vós sois os que permaneceram sempre junto de mim nas minhas provações, 29 e Eu disponho do Reino a vosso favor, como meu Pai dispõe dele a meu favor, 30 a fim de que comais e bebais à minha mesa, no meu Reino. E haveis de sentar-vos, em tronos, para julgar as doze tribos de Israel.» 31 E o Senhor disse: «Simão, Simão, olha que Satanás pediu para vos joeirar como trigo. 32 Mas Eu roguei por ti, para que a tua fé não desapareça. E tu, uma vez convertido, fortalece os teus irmãos.» 33 Ele respondeu-lhe: «Senhor, estou pronto a ir contigo até para a prisão e para a morte.»

 

Predição da negação de Pedro

34 Jesus disse-lhe: «Eu te digo, Pedro: o galo não cantará hoje sem que, por três vezes, tenhas negado conhecer-me.» 35 Depois, acrescentou: «Quando vos enviei sem bolsa, nem alforge, nem sandálias, faltou-vos alguma coisa?» Eles responderam: «Nada.» 36 E Ele acrescentou: «Mas agora, quem tem uma bolsa que a tome, assim como o alforge, e quem não tem espada venda a capa e compre uma. 37 Porque, digo-vo-lo Eu, deve cumprir-se em mim esta palavra da Escritura: Foi contado entre os malfeitores. Efectivamente, o que me diz respeito chega ao seu termo.» 38 Disseram-lhe eles: «Senhor, aqui estão duas espadas.» Mas Ele respondeu-lhes: «Basta!»

 

Considerações

 

  Estes versículos do Evangelho escrito por São Lucas são tão “densos” que me “perco” no que desejo considerar.

  Resolvo não ter em conta o que se refere a Judas e a todo o complexo e misterioso processo da sua traição para me ater ao versículo  35 «Quando vos enviei sem bolsa, nem alforge, nem sandálias, faltou-vos alguma coisa?» para evidenciar a Providência Divina no que diz respeito a qualquer cristão.

  Ele manifestou uma missão para cada um de nós: Propagar a Palavra e o Reino de Deus em todos os lugares da terra.

  Como o faremos com as nossas fraquezas, debilidades, falta de recursos?

  Pois, parece, exactamente assim, porque se Ele nos entrega uma missão providenciará o que nos faltar para que a levemos a cabo com êxito.

  Desde logo o Divino Espírito Santo porá no nosso espirito o que devemos dizer, escrever ou de alguma forma, manifestar da forma mais adequada ás circunstâncias que se apresentarem.

  Depois o Próprio Jesus Cristo nos concederá os meios necessários para desempenhar o que nos compete.

  Por fim, Deus Pai abençoará a nossa acção tornado-a profícua e eficaz.

  E – espantemo-nos – tudo isto gratuitamente sem necessidade de fazer-mos outra coisa que pôr-mo-nos inteiramente ao serviço da Santíssima Trindade.

  Deus Nosso Senhor está diponível e desejoso de nos dar o que precisamos e, para o fazer, só tem uma condição: Que Lho peçamos com simplicidade e confiança de filhos pequenos… nada mais.

   Pode ser que – imaginemos – fazemos um pedido ao nosso Pai: ‘Dá-me isto porque quero fazer aquilo…’, e ele responde ‘Posso dar-te o que me pedes mas não te convém fazer o que te propões’ e, por justa sabedoria paterna não nos concede o que pedimos.

  Pois com Deus Nosso Senhor acontece o mesmo: Dar-nos-á o que pedimos se for para nosso bem porque a Sua Infinita Misericórdia anda sempre a par da Sua Infinita Justiça.

  

VIRTUDES

Prudência

Para alcançar a sabedoria, são necessárias, em primeiro lugar, a oração e a meditação da Palavra de Deus: “Foi por isso que a pedi e me foi concedida a prudência. Supliquei e o espírito de sabedoria veio a mim ”(Sab 7, 7);

"Mas, percebendo que eu não poderia possuir a sabedoria se Deus não ma desse – e já era um fruto de prudência saber de quem procedia essa graça – dirigi-me ao Senhor e pedi-Lha" (Sab 8, 21).

 

REFLEXÃO

Conhecer-se

 

Dissertar sobre este tema coloca imediatamente uma questão óbvia: quem sou eu?

Daqui parte-se para um dilema que se apresenta como inevitável: sou quem sou ou quem pretendo ser, ou, talvez de outro ângulo: actuo de acordo ou desvio-me como pretendo?

Pode - e talvez seja - mera especulação filosófica muito conveniente para mascarar a realidade. Não estar absolutamente satisfeito com o que se faz parece-me normal e saudável exactamente porque desperta o desejo de melhoria ou, a convicção de não se fazer quanto realmente está ao nosso alcance fazer.

Quem sou eu?

Magna questão cuja resposta tem forçosamente de assentar num profundo e sincero sentimento de humildade sem o qual esta surgirá sempre ou evasiva e incompleta ou, pelo menos, sem grande mérito.

Penso que a resposta não está disponível imediatamente como se estivesse escondida no âmago mais íntimo da nossa idiossincrasia, mas, antes, levará a um exercício constante e automático de exame pessoal.

Exame, digo, despido, de emoção ou condicionalismo seja qual for, mas animado de uma decidida vontade lógica e simples de análise sem temer as consequências que o "desfecho " ou resultado possam significar.

Quando acima falei em "exercício automático" quis significar exactamente isso: criar o hábito de análise imediata subsequente ao que se pensou, disse ou fez.

O exame é assim um acto contínuo e as correções que se mostrem necessárias mais fáceis de levar a cabo.

Em resumo: caminharemos decidida e seguramente para uma melhoria pessoal e estaremos muito mais próximos de saber quem, de facto, somos.

Qualquer coisa, escrito, ideia, acto, afirmação... o que for emanado do ser humano tem, pelo menos, duas interpretações, duas reacções, dois impactos.

Evidentemente que se conta com o primeiro, isto é, daquele que pensou, disse, fez ou concluiu.

Depois haverá os outros em que dificilmente se encontrarão coincidentes resultados.

A razão parece simples: não há duas pessoas iguais... absolutamente iguais logo, a sua reacção tende a ser diferente.

Isto que parece óbvio tanto que dispensaria mais elucubrações é maior riqueza ou o bem mais notável do ser humano o que no fundo o distingue do irracional.

A idiossincrasia de cada ser está intimamente associada ao progresso da sociedade porque, esta, não é um "bloco" uniforme e indivisível, mas sim um conjunto mais ou menos equilibrado de várias idiossincrasias que concorrem para um mesmo resultado: a variedade pluriforme da sociedade humana.

Gregário por natureza o ser humano não se confunde nem se deixa absorver pelo conjunto antes concorre e contribui com o que lhe é próprio para o que é comum.

Tantas vezes se tenta algo diferente do habitual daquilo que ao longo dos dias vamos construindo, às vezes laboriosamente ­ forçado ou não ­ e não conseguimos encontrar o "fio condutor" que nos leve onde não programamos ir mas que ambicionados chegar.

E quem tem por hábito, sina ou feitio escrever sente de forma muito radical por vezes um como que bloqueio inexplicável não conseguindo "arrancar" de dentro de si mesmo o que sente necessidade de expor, mas, como não sabe bem o que é, está­lhe ausente e foge do seu controlo.

Escrever por escrever pode se bom e até saudável. Sem esforço, deixando as palavras fluírem livremente acaba por se envolver num processo quase automático de escalpelização íntima como que uma catarse que tem de incluir um esforço muito concreto de não se deixar cair na auto­comiseração, no "esmagamento" do "eu" ­ sempre uma forma fácil de dar guarida ao amor­próprio e orgulho ­ e tentar manter o pensamento lógico e saudável.

Escrever sobre si mesmo não é nem fácil nem difícil se se segue uma regra simples: escrever para si mesmo sem a preocupação ou desejo que outros venham a ler o escrito.

Aliás, penso que só deste modo a escrita tem autenticidade concreta porque se por detrás dela se encontra algum ­ por ténue ou indefinido que seja ­ desejo ou intento de ser lido, é praticamente impossível fugir ao uso da máscara ou disfarce da realidade.

Sem querer, talvez, é­se levado pelo desejo de parecer inteligente, original, interessantemas, depois, ao rever o escrito, fica­se com um sentimento ­ bem amargo por vezes ­ de inutilidade.

O "truque" está numa fórmula muito simples: escrevi o que me apeteceu!

Esta conclusão que não se pretende transformar em corolário, resolve muitos dilemas futuros, como, por exemplo, concluir: já escrevi isto! Não vale a pena repetir!

E, daqui, pode surgir uma nova ideia que leve a uma elaboração diferente de um tema já rebuscado.

Parece-me aceitável esta conclusão.