Padroeiros do blog: SÃO PAULO; SÃO TOMÁS DE AQUINO; SÃO FILIPE DE NÉRI; SÃO JOSEMARIA ESCRIVÁ
13/09/2019
Leitura espiritual
Amigos
de Deus
252
Além
disso, seria bom que pensásseis que ninguém escapa ao mimetismo.
Os
homens, até inconscientemente, movem-se num contínuo afã de se imitarem uns aos
outros.
E
nós, abandonaremos o convite para imitar Jesus?
Cada
indivíduo esforça-se por se identificar, pouco a pouco, com aquilo que o atrai,
com o modelo que escolheu para a sua própria maneira de ser.
De
acordo com o ideal que cada um forja para si mesmo, assim resulta o seu modo de
proceder.
O
nosso Mestre é Jesus Cristo: o Filho de Deus, a Segunda Pessoa da Santíssima
Trindade.
Imitando
a Cristo, alcançamos a maravilhosa possibilidade de participar nessa corrente
de amor, que é o mistério de Deus Uno e Trino.
Se
em certas ocasiões não vos sentis com forças para seguir as pisadas de Jesus
Cristo, conversai, como entre amigos, com aqueles que o conheceram enquanto
permaneceu nesta nossa terra.
Em
primeiro lugar, com Maria, que o trouxe para nós.
Com
os Apóstolos. Vários gentios aproximaram-se de Filipe, que era de Betsaida da
Galileia, e fizeram-lhe este pedido, dizendo: desejamos ver Jesus.
Foi
Filipe e disse-o a André; André e Filipe disseram-no a Jesus.
Não
é verdade que isto nos anima?
Aqueles
estrangeiros não se atrevem a apresentar-se ao Mestre e procuram um bom
intercessor.
253
Pensas
que os teus pecados são muitos, que o Senhor não poderá ouvir-te?
Não
é assim, porque tem entranhas de misericórdia.
Se,
apesar desta maravilhosa verdade, dás conta da tua miséria, mostra-te como o
publicano: Senhor, aqui estou, tal como Tu vês!
E
observai o que nos conta S. Mateus, quando põem diante de Jesus um paralítico.
Aquele
doente não diz nada: só está ali, na presença de Deus.
E
Cristo, comovido por essa contrição, pela dor daquele que sabe que nada merece,
não tarda em reagir com a sua misericórdia habitual: Tem confiança, são-te
perdoados os teus pecados.
Eu
aconselho-te a que, na tua oração, intervenhas nas passagens do Evangelho, como
um personagem mais.
Primeiro,
imaginas a cena ou o mistério, que te servirá para te recolheres e meditares.
Depois,
aplicas o entendimento, para considerar aquele rasgo da vida do Mestre: o seu
Coração enternecido, a sua humildade, a sua pureza, o seu cumprimento da
Vontade do Pai.
Conta-lhe
então o que te costuma suceder nestes assuntos, o que se passa contigo, o que
te está a acontecer.
Mantém-te
atento, porque talvez Ele queira indicar-te alguma coisa: surgirão essas moções
interiores, o caíres em ti, as admoestações.
254
Para
orientar a oração, costumo - talvez isto possa ajudar algum de vós -
materializar até o que há de mais espiritual.
Nosso
Senhor utilizava este processo.
Gostava
de ensinar por parábolas, tiradas do ambiente que o rodeava: do pastor e das
ovelhas, da vide e dos sarmentos, de barcos e redes, da semente que o semeador
lança às mãos cheias...
Na
nossa alma caiu a Palavra de Deus.
Que
tipo de terra é a que lhe preparámos?
Abundam
as pedras?
Está
cheia de espinhos?
É
talvez um lugar demasiadamente calcado por pegadas meramente humanas,
mesquinhas, sem brio?
Senhor,
que a minha parcela seja terra boa, fértil, exposta generosamente à chuva e ao
sol; que a tua semente pegue; que produza espigas gradas, trigo bom.
Eu
sou a videira, vós os sarmentos.
Chegou
Setembro e as cepas estão carregadas de vergônteas longas, finas, flexíveis e
nodosas, abarrotadas de fruto, prontas já para a vindima.
Reparai
nesses sarmentos repletos, porque participam da seiva do tronco.
Só
assim aqueles minúsculos rebentos de alguns meses atrás puderam converter-se em
polpa doce e madura, que encherá de alegria a vista e o coração das pessoas.
No
solo ficam talvez algumas varas toscas, soltas, meias enterradas. Eram
sarmentos também, mas secos, estiolados.
São
o símbolo mais gráfico da esterilidade. Porque, sem mim, nada podeis fazer.
O
tesouro. Imaginai a alegria imensa do afortunado que o encontra. Acabaram os
apertos, as angústias.
Vende
tudo o que possui e compra aquele campo.
Todo
o seu coração pulsa aí: onde esconde a sua riqueza.
O
nosso tesouro é Cristo; não nos deve importar o facto de deitarmos pela borda
fora tudo o que for estorvo, para o poder seguir.
E
a barca, sem esse lastro inútil, navegará directamente para o porto seguro do
Amor de Deus.
255
Há
mil maneiras de rezar, digo-vos de novo.
Os
filhos de Deus não precisam de um método, quadriculado e artificial, para se
dirigirem ao seu Pai.
O
amor é inventivo, industrioso; se amamos, saberemos descobrir caminhos
pessoais, íntimos, que nos levam a este diálogo contínuo com o Senhor.
Queira
Deus que tudo o que acabamos de contemplar hoje, não passe pela nossa alma como
uma tormenta de verão: quatro gotas, sol e de novo a seca.
Esta
água de Deus tem de remansar-se, chegar às raízes e dar fruto de virtudes.
Assim
irão passando os nossos anos - dias de trabalho e de oração - na presença do
Pai.
Se
fraquejarmos, recorreremos ao amor de Santa Maria, Mestra de oração; e a S.
José, Pai e Senhor nosso, a quem tanto veneramos, que é quem mais intimamente
privou neste mundo com a Mãe de Deus e - depois de Santa Maria - com o seu
Filho Divino. E eles apresentarão a nossa debilidade a Jesus, para que Ele a
converta em fortaleza.
256
A
vocação cristã, que é um chamamento pessoal do Senhor, leva cada um de nós a
identificar-se com Ele.
Não
devemos esquecer-nos, porém, de que Ele veio à Terra para redimir o mundo
inteiro, porque quer que os homens se salvem.
Não
há uma só alma que não interesse a Cristo. Cada uma lhe custou o preço do seu
Sangue.
Ao
considerar estas verdades, vem-me à memória a conversa dos Apóstolos com o
Mestre momentos antes do milagre da multiplicação dos pães.
Uma
grande multidão acompanhara Jesus.
Nosso
Senhor ergue os olhos e pergunta a Filipe: Onde
compraremos pão para dar de comer a toda esta gente?
Fazendo
um cálculo rápido, Filipe responde: Duzentos
dinheiros de pão não bastam para cada um receber um pequeno bocado.
Como
não dispõem de tanto dinheiro, lançam mão de uma solução caseira.
Diz-lhe
um dos seus discípulos, André, irmão de Simão Pedro: Está aqui um rapaz que tem cinco pães de cevada e dois peixes, mas que
é isto para tanta gente.
257
O fermento e a massa
Nós
queremos seguir o Senhor e desejamos difundir a sua Palavra. Humanamente
falando, é lógico que também perguntemos a nós mesmos: mas que somos nós para
tanta gente?
Em
comparação com o número de habitantes da Terra, ainda que nos contemos por
milhões, somos poucos.
Por
isso, temos de considerar-nos como uma pequena levedura, preparada e disposta a
fazer o bem à humanidade inteira, recordando as palavras do Apóstolo: Um pouco de levedura fermenta toda a massa,
transforma-a.
Precisamos,
portanto, de aprender a ser esse fermento, essa levedura, para modificar e
transformar as multidões.
Por
si mesmo é o fermento melhor do que a massa?
Não.
Mas
é o meio necessário para que a massa se transforme, tornando-se alimento
comestível e são.
Pensai
mesmo que seja a traços largos, na eficácia do fermento, que serve para
fabricar o pão, alimento básico, simples, ao alcance de todos.
A
preparação da fornada, em muitos sítios, é uma verdadeira cerimónia, e dali sai
um produto estupendo, saboroso que se come "com os olhos"...
Talvez
já a tenhais presenciado.
Escolhem
farinha boa; se é possível, da melhor.
Trabalham
a massa na masseira, para a misturar bem com o fermento, em longo e paciente
labor.
Depois
um tempo de repouso, imprescindível para que a levedura cumpra a sua missão,
inchando a massa.
Entretanto
arde o lume no forno, animado pela lenha que se consome...
E
aquela massa, metida no calor do lume, torna-se o pão fresco, esponjoso, de
grande qualidade.
Resultado
impossível de conseguir, se não fosse pela levedura - em pouca quantidade - que
se diluiu, que desapareceu no meio dos outros elementos, num trabalho
eficiente, mas que não se vê...
258
Se
meditarmos com sentido espiritual no texto de S. Paulo, compreenderemos que
temos de trabalhar em serviço de todas as almas. O contrário seria egoísmo.
Se
olharmos para a nossa vida com humildade, veremos claramente que o Senhor nos
concedeu talentos e qualidades, além da graça da fé.
Nenhum
de nós é um ser repetido.
O
Nosso Pai criou-nos um a um, repartindo entre os seus filhos diverso número de
bens.
Pois
temos de pôr esses talentos, essas qualidades, ao serviço de todos; temos de
utilizar esses dons de Deus como instrumentos para ajudar os homens a
descobrirem Cristo.
Não
vejais este afã como um acrescentamento, como uma espécie de enfeite que se junta
à nossa condição de cristãos.
Se
a levedura não fermenta, apodrece.
Pode
desaparecer dando vida à massa, mas também pode desaparecer porque se perde em
homenagem à ineficácia e ao egoísmo.
Não
prestamos um favor a Deus Nosso Senhor quando o damos a conhecer aos outros: por pregar o Evangelho não tenho de que me
gloriar, pois me é imposta essa obrigação, por mandato de Jesus Cristo; e ai de
mim se eu não evangelizar!
(cont)
Pequena agenda do cristão
(Coisas muito simples, curtas, objectivas)
Propósito:
Contenção; alguma privação; ser humilde.
Senhor: Ajuda-me a ser contido, a privar-me de algo por pouco que seja, a ser humilde. Sou formado por este barro duro e seco que é o meu carácter, mas não Te importes, Senhor, não Te importes com este barro que não vale nada. Parte-o, esfrangalha-o nas Tuas mãos amorosas e, estou certo, daí sairá algo que se possa - que Tu possas - aproveitar. Não dês importância à minha prosápia, à minha vaidade, ao meu desejo incontido de protagonismo e evidência. Não sei nada, não posso nada, não tenho nada, não valho nada, não sou absolutamente nada.
Lembrar-me:
Filiação divina.
Ser Teu filho Senhor! De tal modo desejo que esta realidade tome posse de mim, que me entrego totalmente nas Tuas mãos amorosas de Pai misericordioso, e embora não saiba bem para que me queres, para que queres como filho a alguém como eu, entrego-me confiante que me conheces profundamente, com todos os meus defeitos e pequenas virtudes e é assim, e não de outro modo, que me queres ao pé de Ti. Não me afastes, Senhor. Eu sei que Tu não me afastarás nunca. Peço-Te que não permitas que alguma vez, nem por breves instantes, seja eu a afastar-me de Ti.
Pequeno exame:
Cumpri o propósito que me propus ontem?
Evangelho e comentário
São
João Crisóstomo – Doutor da Igreja
Evangelho: Lc 6, 39-42
Naquele tempo, Jesus falou aos seus
discípulos, dizendo: «Digo-vos a vós que Me escutais: Amai os vossos inimigos,
fazei bem aos que vos odeiam. Abençoai os que vos amaldiçoam, orai por aqueles
que vos injuriam. A quem te bater numa face, apresenta-lhe também a outra; e a
quem te levar a capa, deixa-lhe também a túnica. Dá a todo aquele que te pedir
e ao que levar o que é teu, não o reclames. Como quereis que os outros vos
façam, fazei-lho vós também. Se amais aqueles que vos amam, que agradecimento
mereceis? Também os pecadores amam aqueles que os amam. Se fazeis bem aos que
vos fazem bem, que agradecimento mereceis? Também os pecadores fazem o mesmo. E
se emprestais àqueles de quem esperais receber, que agradecimento mereceis?
Também os pecadores emprestam aos pecadores, a fim de receberem outro tanto.
Vós, porém, amai os vossos inimigos, fazei o bem e emprestai, sem nada esperar
em troca. Então será grande a vossa recompensa e sereis filhos do Altíssimo,
que é bom até para os ingratos e os maus. Sede misericordiosos, como o vosso
Pai é misericordioso. Não julgueis e não sereis julgados. Não condeneis e não
sereis condenados. Perdoai e sereis perdoados. Dai e dar-se-vos-á:
deitar-vos-ão no regaço uma boa medida, calcada, sacudida, a transbordar. A
medida que usardes com os outros será usada também convosco».
Comentário:
Continua
a catequese sobre o comportamento a ter com o próximo.
Parece
ser um conjunto de regras algo difícil de cumprir já que se trata de amar sem
peso nem medida os outros.
A
recompensa é “fabulosa” «deitar-vos-ão no
regaço uma boa medida, calcada, sacudida, a transbordar».
O
Senhor nunca Se fica por menos mas, de qualquer forma avisa:
«A medida que usardes com os outros será
usada também convosco»
Atenção,
pois, será bem avisado quem proceder com o próximo como indica o Segundo
Mandamento, que a própria Lei refere tão importante como o Primeiro.
(AMA,
comentário sobre Lc 6, 39-42, 25.06.2019)
Temas para reflectir e meditar
Neste
corrupio da vida mal nos sobra tempo para reflectir. Isto, tenho eu ouvido
muitas vezes a pessoas bem-intencionadas mas com uma desordem interior que se
manifesta desta forma: não ter tempo!
A
afirmação pretende também servir de desculpa para uma omissão de palavra ou
acto.
Penso
que na verdade ninguém tem uma noção exacta do tempo, o que é, concretamente.
Tem
evidentemente pelo menos uma dimensão, mas que não é nem certa nem constante.
Tempo
é existência passada, presente ou futura.
Maça-me
falar deste tema. E acho uma perda de tempo.
AMA,
24.04.2018
Fazendo com amor as pequenas coisas
De longe
– além, no horizonte – parece que o céu se une à terra. Não te esqueças de que,
na realidade, onde a Terra e o Céu se unem é no teu coração de filho de Deus. (Sulco, 309)
Esta doutrina da Sagrada Escritura, que
se encontra, como sabeis, no próprio cerne do espírito do Opus Dei, há-de levar-vos
a realizar o vosso trabalho com perfeição, a amar a Deus e os homens fazendo
com amor as pequenas coisas da vossa jornada habitual, descobrindo esse quê
divino que está encerrado nos pormenores. Que bem se enquadram aqui aqueles
versos do poeta de Castela: Devagar, e boa letra;/que fazer as coisas bem/
importa mais que fazê-las
Asseguro-vos, meus filhos, que, quando
um cristão realiza com amor a mais intranscendente das acções diárias, ela
transborda da transcendência de Deus. Por isso vos tenho repetido, com
insistente martelar, que a vocação cristã consiste em fazer poesia heróica da
prosa de cada dia. Na linha do horizonte, meus filhos, parecem unir-se o céu e
a terra. Mas não; onde se juntam deveras é nos vossos corações, quando viveis
santamente a vida de cada dia... (Temas Actuais do Cristianismo, 116)
12/09/2019
Leitura espiritual
Amigos
de Deus
246
Vencei,
se por acaso disso vos apercebeis, a preguiça, o falso critério segundo o qual
a oração pode esperar.
Nunca
atrasemos esta fonte de graças para amanhã.
Agora
é o tempo oportuno.
Deus,
que é amoroso espectador de todo o nosso dia, preside à nossa íntima prece.
E
tu e eu - volto a assegurar - temos de nos confiar a Ele como se confia num
irmão, num amigo, num pai. Diz-lhe - eu faço assim - que Ele é toda a Grandeza,
toda a Bondade, toda a Misericórdia.
E
acrescenta: por isso, quero apaixonar-me por Ti, apesar da rudeza das minhas
maneiras, destas minhas pobres mãos, marcadas e maltratadas pelo pó das
veredas da terra.
Desta
maneira, quase sem darmos por isso, avançaremos com passos divinos, fortes e
vigorosos, saboreando a íntima convicção de que junto do Senhor também são
agradáveis a dor, a abnegação, os sofrimentos.
Que
fortaleza, para um filho de Deus, saber-se tão perto de seu Pai! Por esta
razão, aconteça o que acontecer, estou firme e seguro contigo, meu Senhor e meu
Pai, que és a rocha e a fortaleza.
247
Para
alguns, tudo isto é talvez familiar; para outros, novo; para todos, árduo.
Mas
eu, enquanto tiver alento, não cessarei de pregar a necessidade primordial de
ser alma de oração - sempre! - em qualquer ocasião e nas circunstâncias mais
díspares, porque Deus nunca nos abandona. Não é cristão pensar na amizade
divina exclusivamente como um recurso extremo.
Pode
parecer-nos normal ignorar ou desprezar as pessoas que amamos?
Evidentemente
que não.
Para
os que amamos dirigimos constantemente as palavras, os desejos, os pensamentos:
há como que uma presença contínua.
Pois,
o mesmo com Deus.
Com
esta busca do Senhor, toda a nossa jornada se converte numa única conversa,
íntima e confiada.
Afirmei-o
e escrevi-o tantas vezes, mas não me importo de o repetir, porque Nosso Senhor
faz-nos ver - com o seu exemplo - que este é o comportamento certo: oração
constante, de manhã à noite e da noite até de manhã.
Quando
tudo sai com facilidade: obrigado, meu Deus!
Quando
chega um momento difícil: Senhor, não me abandones!
E
esse Deus, manso e humilde de coração, não esquecerá os nossos rogos nem
permanecerá indiferente, porque Ele afirmou: pedi e dar-se-vos-á; buscai, e encontrareis; batei, e abrir-se-vos-á.
Procuremos,
portanto, nunca perder o ponto de mira sobrenatural, vendo Deus por detrás de
cada acontecimento, seja ele agradável ou desagradável, quer nos cause
satisfação... ou desconsolo pela morte de um ser querido.
Antes
de mais, a conversa com o nosso Pai Deus, procurando o Senhor no centro da
nossa alma.
Não
é coisa que possa considerar-se como uma miudeza, de pouca monta: é uma
manifestação clara de vida interior constante, de um autêntico diálogo de amor.
Será
uma prática que não nos produzirá nenhuma deformação psicológica, porque -
para um cristão - deve ser tão natural como o bater do coração.
248
Orações vocais e oração
mental
Neste
entretecido, neste actuar da fé cristã, engastam-se, como joias, as orações
vocais.
São
fórmulas divinas: Pai Nosso...,Ave-Maria... Glória ao Pai e ao Filho e ao
Espírito Santo.
Há
essa coroa de louvores a Deus e à Nossa Mãe que é o Santo Rosário e tantas e
tantas outras aclamações, cheias de piedade, que os nossos irmãos cristãos
recitaram desde o princípio.
Santo
Agostinho, comentando um versículo do Salmo 85 - Senhor, tem piedade de mim
porque por Ti clamei todo o dia, e não apenas um dia - escreve: por todo o dia quer significar todo o tempo,
sem cessar... Um só homem alcança até
ao fim do mundo, pois são os idênticos membros de Cristo que clamam: alguns já
descansam n'Ele, outros invocam-no actualmente e outros implorarão quando nós
já tivermos morrido e, depois destes, outros mais continuarão a suplicar.
Não
vos emociona a possibilidade de participar nesta homenagem ao Criador, que se
perpetua pelos séculos?
Que
grande é o homem quando se reconhece criatura predilecta de Deus e recorre a
Ele tota die, em cada instante da sua
peregrinação terrena!
249
Que
não faltem no nosso dia alguns momentos dedicados especialmente a travar
intimidade com Deus, elevando até Ele o nosso pensamento, sem que as palavras
tenham necessidade de vir aos lábios, porque cantam no coração.
Dediquemos
a esta norma de piedade um tempo suficiente, a hora fixa, se possível.
Ao
lado do Sacrário, acompanhando Aquele que ali ficou por Amor. Se não houver
outro remédio, em qualquer lugar, porque o nosso Deus está de modo inefável na
nossa alma em graça.
Aconselho-te,
contudo, a que vás ao oratório sempre que possas.
E
empenho-me em não lhe chamar capela, para que ressalte de forma mais evidente
que não é um sítio para estar, com uma atitude oficial de cerimónia, mas para
elevar a mente em recolhimento e intimidade até ao Céu, com a convicção de que
Cristo nos vê, nos ouve, nos espera e nos preside no Sacrário, onde está
realmente presente, oculto nas espécies sacramentais.
Cada
um de vós, se quiser, pode encontrar o caminho que lhe for mais propício para
este colóquio com Deus.
Não
me agrada falar de métodos nem de fórmulas, porque nunca fui amigo de
espartilhar ninguém; tenho procurado animar todas as pessoas a aproximarem-se
do Senhor, respeitando cada alma tal como ela é, com as suas próprias
características.
Pedi-lhe
vós que meta os seus desígnios na nossa vida: e não apenas na nossa cabeça, mas
no íntimo do nosso coração e em toda a nossa actividade externa.
Garanto-vos
que deste modo evitareis grande parte dos desgostos e das penas do egoísmo e
sentir-vos-eis com força para propagar o bem à vossa volta.
Quantas
contrariedades desaparecem, quando interiormente nos colocamos muito próximos
deste nosso Deus, que nunca nos abandona! Renova-se com diversos matizes esse
amor de Jesus pelos seus, pelos doentes, pelos entrevados, quando pergunta: que
se passa contigo? Comigo...
E,
logo a seguir, luz ou, pelo menos, aceitação e paz.
Ao
convidar-te para fazeres essas confidências com o Mestre, refiro-me
especialmente às tuas dificuldades pessoais, porque a maioria dos obstáculos
para a nossa felicidade nascem de uma soberba mais ou menos oculta.
Pensamos
que temos um valor excepcional, qualidades extraordinárias.
Mas,
quando os outros não são da mesma opinião, sentimo-nos humilhados. É uma boa
ocasião para recorrer à oração e para rectificar, com a certeza de que nunca é
tarde para mudar a rota.
Mas
é muito conveniente iniciar essa mudança de rumo quanto antes.
Na
oração, com a ajuda da graça, a soberba pode transformar-se em humildade.
E
brota da alma a verdadeira alegria, mesmo quando ainda notamos o barro nas
asas, o lodo da pobre miséria, que vai secando.
Depois,
com a mortificação, cairá esse barro e poderemos voar muito alto, porque nos
será favorável o vento da misericórdia de Deus.
250
Olhai
que o Senhor anseia por nos conduzir com passos maravilhosos, divinos e
humanos, que se traduzem numa abnegação feliz, de alegria com dor, de
esquecimento de nós mesmos.
Se
alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo. Um conselho que já todos
ouvimos.
Temos
de nos decidir a segui-lo de verdade: que o Senhor se sirva de nós para que,
metidos em todas as encruzilhadas do mundo - e estando nós metidos em Deus -
sejamos sal, levedura, luz.
Tu,
em Deus, para iluminar, para dar sabor, para aumentar, para fermentar.
Mas
não te esqueças de que não somos nós quem cria essa luz; apenas a reflectimos.
Não
somos nós quem salva as almas, levando-as a praticar o bem. Somos apenas um
instrumento, mais ou menos digno, para os desígnios salvíficos de Deus.
Se
alguma vez pensássemos que o bem que fazemos é obra nossa, voltaria a soberba,
ainda mais retorcida; o sal perderia o sabor, a levedura apodreceria, a luz
converter-se-ia em trevas.
251
Um personagem mais
Nestes
trinta anos de sacerdócio, ao insistir tenazmente na necessidade da oração, na
possibilidade de converter a existência num clamor incessante, algumas pessoas
têm-me perguntado: mas será possível comportar-se sempre assim?
É.
Essa
união com Nosso Senhor não nos afasta do mundo, não nos transforma em seres
estranhos, alheios à passagem dos tempos.
Se
Deus nos criou, se nos redimiu, se nos ama até ao ponto de entregar o seu Filho
unigénito por nós, se nos espera - todos os dias! - como aquele pai da parábola
esperava o seu filho pródigo, como não há-de desejar que o tratemos com amor?
O
que seria estranho era não falar com Deus, afastar-se d'Ele, esquecê-lo,
dedicar-se a actividades estranhas a esses toques ininterruptos da graça.
(cont)
Evangelho e comentário
Santíssimo
Nome de Maria
Evangelho: Lc 6, 27-38
27«Digo-vos, porém, a vós que me
escutais: Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, 28 abençoai os
que vos amaldiçoam, rezai pelos que vos caluniam. 29 A quem te bater numa das
faces, oferece-lhe também a outra; e a quem te levar a capa, não impeças de
levar também a túnica. 30 Dá a todo aquele que te pede e, a quem se apoderar do
que é teu, não lho reclames. 31O que quiserdes que os outros vos façam,
fazei-lho vós também. 32Se amais os que vos amam, que agradecimento mereceis?
Os pecadores também amam aqueles que os amam. 33 Se fazeis bem aos que vos fazem
bem, que agradecimento mereceis? Também os pecadores fazem o mesmo. 34 E, se
emprestais àqueles de quem esperais receber, que agradecimento mereceis? Também
os pecadores emprestam aos pecadores, a fim de receberem outro tanto. 35 Vós,
porém, amai os vossos inimigos, fazei o bem e emprestai, sem nada esperar em
troca. Então, a vossa recompensa será grande e sereis filhos do Altíssimo,
porque Ele é bom até para os ingratos e os maus. 36 Sede misericordiosos como o
vosso Pai é misericordioso.» 37 «Não julgueis e não sereis julgados; não
condeneis e não sereis condenados; perdoai e sereis perdoados. 38 Dai e
ser-vos-á dado: uma boa medida, cheia, recalcada, transbordante será lançada no
vosso regaço. A medida que usardes com os outros será usada convosco.»
Comentário:
Este
trecho do Evangelho de São Lucas bem poderia ser considerado com uma exposição
que Jesus faz aos Seus discípulos sobre as regras de conduta de qualquer
pessoa, ou, se quisermos, fazer-mos um exame sério sobre o nosso comportamento.
Resume-se
– pode assim dizer-se – a fazer aos outros o que desejamos nos façam a nós.
Deixemos
de lado as “dificuldades” como, por exemplo amar o inimigo. É difícil? Custa
resistir à tentação de retribuir na mesma “moeda”?
É
verdade, somos assim mesmo, pensamos primeiro em nós e, depois nos outros
Suponhamos
que somos nós quem ofende outro: justificamos a sua conduta se também ele nos
ofender?
Não
será muito mais conveniente e sadio pedir perdão, desculpa pela ofensa e tentar
reparar?
Somos,
de verdade, impecáveis nas nossas relações com os outros - quer em obras quer
em pensamentos – não emitimos juízos nem “medimos” com critério “curto” o que pedem
que lhes façamos?
Somos
o “centro”, os “credores” das atenções e cuidados dos outros ou também nos
interessamos por eles e pelo que possam legitimamente esperar de nós?
No
fim e ao cabo, o critério que o Senhor propõe é uma regra simples, como já se
enunciou: “fazer aos outros o que desejamos nos façam a nós”.
(AMA,
comentário sobre Lc 6, 27-38, 03.12.2018)
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