04/07/2019

Evangelho e comentário


TEMPO COMUM



Santa Isabel de Portugal

Evangelho: Mt 9, 1-8

1 Naquele tempo, Jesus subiu para um barco, atravessou o mar e foi para a cidade de Cafarnaum. 2 Apresentaram-Lhe então um paralítico que jazia numa enxerga. Ao ver a fé daquela gente, Jesus disse ao paralítico: «Filho, tem confiança; os teus pecados estão perdoados». 3 Alguns escribas disseram para consigo: «Este homem está a blasfemar». 4 Mas Jesus, conhecendo os seus pensamentos, disse: «Porque pensais mal em vossos corações? 5 Na verdade, que é mais fácil: dizer: ‘Os teus pecados estão perdoados’, ou dizer: ‘Levanta-te e anda’? 6 Pois bem. Para saberdes que o Filho do homem tem na terra o poder de perdoar os pecados, ‘Levanta-te – disse Ele ao paralítico – toma a tua enxerga e vai para casa’. 7 O homem levantou-se e foi para casa. 8 Ao ver isto, a multidão ficou cheia de temor e glorificava a Deus por ter dado tal poder aos homens.

Comentário:

Há como que uma aura de excepcional grandeza em todo este episódio que São Lucas também relata embora com maior detalhe.

Grandeza, desde logo pela demonstração de amizade dos companheiros do paralítico, também pela docilidade deste em deixar-se conduzir sem receio ou respeito humano pelo insólito da situação.

Grandeza pela lição que, como sempre, o Senhor dá aos circunstantes numa catequese alicerçada no exemplo, confirmada pela acção.

(AMA, comentário sobre Mt 9, 1-8, 06.07.2017)




Leitura espiritual


Sobre a Leitura espiritual 1

Esta prática da leitura espiritual diária é muito aconselhada pelos directores espirituais.
É um momento de calma e tranquilidade que nos pacifica e  faz com que possamos reflectir com mais facilidade.
Juntamente com o  Evangelho diário deverá ter um tempo aproximado de quinze minutos. Assim, com estas duas práticas teremos um tempo aproximado de trinta minutos.
Evidentemente que tanto a leitura do Evangelho como a própria leitura espiritual são para ser lidas pausadamente meditando no que se lê e, muito provavelmente guardando no coração esses mesmos pensamentos.
Seguramente que ao longo do dia nos serão de grande ajuda e auxílio.


A leitura espiritual  não é senão algo que alguém meditou e que achou por bem pôr por escrito para servir outros.
A vida dos Santos pode servir de leitura espiritual mas penso que estas embora normalmente ricas em bons exemplos têm características mais do tipo biográfico que podem desviar a atenção. 
Por isso julgo que a leitura espiritual deve ser mais ou menos como a oração mental e ajudará muito nesta prática.
Não interessa muito a extensão do livro ou escrito que estamos a utilizar. Para o efeito podem muito bem ser compilações de pensamentos, reflexões etc. sobre os assuntos que interessam à nossa alma e, sobretudo, à nossa formação cristã.

Dez ou quinze minutos de leitura espiritual diária contarão no fim do ano mais de quinhentas horas que nos enriqueceram e fizeram progredir na nossa cultura religiosa e na consolidação da nossa fé cristã. 

Talvez que seja útil não utilizar um livro completo sobre um determinado tema mas ir alternando com outros textos cujos temas variam entre si.

Explico:

Estar a ler todos os dias um livro cujo tema de fundo seja a Esperança, pode tornar-se cansativo ou, até, monótono, daí que intercalar uns dias com, por exemplo, temas do Magistério, discursos do Santo Padre, pode tornar a Leitura Espiritual mais viva e interessante.

Ao mesmo tempo o nosso director espiritual ponderando circunstâncias particulares que estamos a viver em determinado período pode aconselhar uma leitura que vá mais ao encontro do que nos convém.
Aliás e muito conveniente ouvir previamente o que ele tem para nos dizer sobre o assunto.

Não convém ter ilusões a este respeito supondo que qualquer escrito de cariz espiritual nos pode ser útil, fazer bem.
Corremos o risco de não entender muito do que lemos e, não entendendo que fruto se colhe?

A formação espiritual deve começar como todas as coisas: pelo princípio, pelo básico estruturando o espírito de forma consistente e segura.
Depois o caminho vai evoluindo num progresso natural que surge como uma necessidade de aperfeiçoamento e melhoria  espiritual que nos impele para assuntos mais exigentes no que respeita à sua compreensão e, sobretudo, ao aproveitamento prático para a nossa vida espiritual.

(Evidentemente que a vida do ser humano tem sempre uma componente espiritual)

Precisamente o que mais nos distingue dos outros seres é o espírito,  isto é a alma que  é com o que o selo indelével que o Criador garante não só a Sua criação como a Sua propriedade plena e absoluta.

É naturalmente este espírito que constantemente se interroga, sente desejos de saber mais, compreender melhor.

E como obter este desiderato a não ser pelo estudo, interrogação e desejo sincero de conhecer?

Não aceitamos submeter-nos a uma cirurgia complexa  se não temos um mínimo de certeza que o médico que vai  intervir não tiver qualquer aptidão para a praticar.
Haverá algo mais complexo que a vida humana?
E essa complexidade não requer  - para nosso bem - cuidados e assistência prestados por quem tem capacidades para tal?

O Senhor avisou várias vezes:
Cuidado com os falsos profetas.
Atentai nos lobos vestidos com pele de cordeiro!

Temos de ser prudentes e cuidar muito bem das nossas escolhas.
Não tenhamos dúvida que há gente que sabe muito bem como manipular uma consciência e levá-la por onde não convém.
Quem tenta seriamente progredir na vida espiritual pode estar certo de um especial empenho do demónio em levantar toda a espécie de artimanhas e dificuldades para o afastar desse propósito.
O Anjo da nossa Guarda - se lho pedirmos - estará particularmente atento de forma a prestar-nos um auxílio precioso.

Aliás damos-lhe exactamente o nome que traduz a sua principal missão: a nossa guarda e protecção.

Recorramos, pois a ele. Nunca nos defraudará.

Pois bem, é natural que no mês de Maio a leitura recaia sobre textos ou reflexões sobre a Santíssima Virgem já que este mês lhe é especialmente dedicado.

Uma das decisões importantes que podemos tomar é o empenho em rezar o Santo Rosário com mais atenção e de forma mais pausada meditando nos sucessivos mistérios que o compõem.

Tal ajudará muito à eficácia da oração. 

Devoção e calma sem ser "a despachar" o que, no mínimo será uma falta de respeito.

Rezar o Santo Rosário não é uma prática "para cumprir" mas a expressão de um genuíno desejo de louvar e agradar à nossa Mãe do Céu.

Não esqueçamos que Maria é o caminho para o Coração Amantíssimo de Jesus esse mesmo Coração que não "resiste" às petições da Sua Mãe.
Por isso, talvez, Nossa Senhora não nos tenha deixado a fórmula de uma oração "especial" mas sim uma veemente recomendação: fazei o que Ele vos disser.

Peçamos com confiança:

Minha Mãe ensina-me a Vontade do teu Filho e ajuda-me a cumpri-la com amor e devoção.


(AMA, reflexão, 2019)


Temas para reflectir e meditar

Alegria



A alegria é o primeiro tributo que devemos a Deus, a maneira mais simples e sincera de demonstrar que temos consciência dos dons da natureza e da graça e que os agradecemos.



(P. A. ReggioEspírito Sobrenatural y Buen Humor, Madrid, 1966, nr. 12, trad ama

Pequena agenda do cristão

Quinta-Feira



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Participar na Santa Missa.


Senhor, vendo-me tal como sou, nada, absolutamente, tenho esta percepção da grandeza que me está reservada dentro de momentos: Receber o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade do Rei e Senhor do Universo.
O meu coração palpita de alegria, confiança e amor. Alegria por ser convidado, confiança em que saberei esforçar-me por merecer o convite e amor sem limites pela caridade que me fazes. Aqui me tens, tal como sou e não como gostaria e deveria ser.
Não sou digno, não sou digno, não sou digno! Sei porém, que a uma palavra Tua a minha dignidade de filho e irmão me dará o direito a receber-te tal como Tu mesmo quiseste que fosse. Aqui me tens, Senhor. Convidaste-me e eu vim.


Lembrar-me:
Comunhões espirituais.


Senhor, eu quisera receber-vos com aquela pureza, humildade e devoção com que Vos recebeu Vossa Santíssima Mãe, com o espírito e fervor dos Santos.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?






Senhor, socorre-me.


Sinais inequívocos da verdadeira Cruz de Cristo: a serenidade, um profundo sentimento de paz, um amor disposto a qualquer sacrifício, uma eficácia grande, que dimana do próprio Lado de Jesus, e sempre – de modo evidente – a alegria: uma alegria que procede de saber que, quem se entrega de verdade, está junto da Cruz e, por conseguinte, junto de Nosso Senhor. (Forja, 772)

Aconselharei a quem quiser aprender com a experiência de um pobre sacerdote que não pretende falar senão de Deus, que, quando a carne tentar recobrar os seus foros perdidos, ou a soberba – que é pior – se revoltar e se encabritar, correr a abrigar-se nessas divinas fendas abertas no Corpo de Cristo pelos cravos que O seguraram à Cruz e pela lança que atravessou o Seu peito. Vamos como nos comover mais; derramemos nas Chagas de Nosso Senhor todo esse amor humano... e esse amor divino. Que isto é desejar a união, sentir-se irmão de Cristo, ser seu consanguíneo, filho da mesma Mãe, porque foi Ela que nos levou até Jesus.

Afã de adoração, ânsias de desagravo com sossegada suavidade e com sofrimento. Far-se-à vida na nossa vida a afirmação de Jesus: aquele que não toma a sua cruz para me seguir, não é digno de mim. E Nosso Senhor manifesta-se-nos cada vez mais exigente, pede-nos reparação e penitência, até nos fazer experimentar o fervoroso desejo de querer viver para Deus, pregado na cruz juntamente com Cristo. Mas guardamos este tesouro em vasos de barro frágil e quebradiço, para que se reconheça que a grandeza do poder que se vê em nós é de Deus e não nossa.

Vemo-nos acossados por toda a espécie de atribulações e nem por isso perdemos o ânimo; encontramo-nos em grandes apuros, mas não desesperados, ou sem recursos; somos perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não inteiramente perdidos: trazemos sempre no nosso corpo por toda a parte a mortificação de Jesus.

Parece-nos, além disso, que Nosso Senhor não nos escuta, que andamos enganados, que só se ouve o monólogo da nossa voz. Encontramo-nos como se não tivéssemos apoio na terra e fossemos abandonados pelo Céu. No entanto, é verdadeiro e prático o nosso horror ao pecado, mesmo ao pecado venial. Com a obstinação da Cananeia, prostramo-nos rendidamente como ela, que O adorou, implorando: Senhor, socorre-me. E desaparece a obscuridade, superada pela luz do Amor. (Amigos de Deus, nn. 303–304)

03/07/2019

Evangelho e comentário


TEMPO COMUM



São Tomé - Apóstolo

Evangelho: Jo 20, 24-29

24 Naquele tempo, Tomé, um dos Doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus. 25 Disseram-lhe os outros discípulos: «Vimos o Senhor». Mas ele respondeu-lhes: «Se não vir nas suas mãos o sinal dos cravos, se não meter o dedo no lugar dos cravos e a mão no seu lado, não acreditarei». 26 Oito dias depois, estavam os discípulos outra vez em casa e Tomé com eles. Veio Jesus, estando as portas fechadas, apresentou-Se no meio deles e disse: «A paz esteja convosco». 27 Depois disse a Tomé: «Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos; aproxima a tua mão e mete-a no meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente». 28 Tomé respondeu-Lhe: «Meu Senhor e meu Deus!». 29 Disse-lhe Jesus: «Porque Me viste acreditaste: felizes os que acreditam sem terem visto».

Comentário:

A Igreja Celebra hoje a festa do Apóstolo São Tomé e retemos deste trecho de São João o que se passou depois da Ressurreição de Jesus.

Fica bem patente a fortaleza de carácter deste homem, simples e algo rude, sem dúvida, mas sincero e pragmático.

Não acredita no que não vê, mas, quando vê não só acredita como faz uma espontânea e profunda profissão de Fé: Meu Senhor e meu Deus!

A nós, serve-nos de exemplo magnífico e, ao mesmo tempo, enche-nos de uma alegria profunda porque o Senhor nos considera felizes, porque, sem vermos, acreditamos.

(AMA, comentário sobre Jo 20, 24-29, 13.03.2017)


Pequena agenda do cristão

Quarta-Feira



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)






Propósito:

Simplicidade e modéstia.


Senhor, ajuda-me a ser simples, a despir-me da minha “importância”, a ser contido no meu comportamento e nos meus desejos, deixando-me de quimeras e sonhos de grandeza e proeminência.


Lembrar-me:
Do meu Anjo da Guarda.


Senhor, ajuda-me a lembrar-me do meu Anjo da Guarda, que eu não despreze companhia tão excelente. Ele está sempre a meu lado, vela por mim, alegra-se com as minhas alegrias e entristece-se com as minhas faltas.

Anjo da minha Guarda, perdoa-me a falta de correspondência ao teu interesse e protecção, a tua disponibilidade permanente. Perdoa-me ser tão mesquinho na retribuição de tantos favores recebidos.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?









Leitura espiritual

Porque é que o Papa é Pedro?

Opus Dei - Porque é que o Papa é Pedro?
Os católicos professam obediência ao Papa comolegítimo sucessor de Pedro, e consideram-norepresentante de Nosso Senhor Jesus Cristo aqui na terra. Perante esta afirmação, hoje alguns questionam-se: de onde vem a autoridade do Papa? Não é ele apenas um homem? Ser infalível significa que o Papa não se pode enganar?
1. Se Cristo é a Cabeça da Igreja, porque dizemos que S. Pedro é o Chefe da Igreja?
Por várias passagens da Escritura, sabemos que Cristo nomeou S. Pedro Chefe da Igreja: Cristo, ao instituir os Doze, «deu-lhes a forma de um corpo colegial, quer dizer, de um grupo estável, e colocou à sua frente Pedro, escolhido de entre eles» ( LG 19). (Catecismo da Igreja Católica, nº 880).
Foi só de Simão, a quem deu o nome de Pedro, que o Senhor fez a pedra da sua Igreja. Confiou-lhe as chaves desta (cf Mt 16, 18-19). Instituiu-o pastor de todo o rebanho (cf Jo 21, 15-17). «Mas o múnus de ligar e desligar, que foi dado a Pedro, também foi dado, sem dúvida alguma, ao colégio dos Apóstolos unidos ao seu chefe»(LG 22). Este múnus pastoral de Pedro e dos outros apóstolos pertence aos fundamentos da Igreja e é continuado pelos bispos sob o primado do Papa (Catecismo da Igreja Católica, 881).
Contemplar o mistério
O Papa é chamado Vigário de Cristo porque ocupa o Seu lugar no governo da Igreja.
‘O teu maior amor, a tua maior estima, a tua mais profunda veneração, a tua obediência mais rendida, o teu maior afeto há-de ser também para o Vice-Cristo na terra, para o Papa.

Os católicos têm de pensar que, depois de Deus e da nossa Mãe a Virgem Santíssima, na hierarquia do amor e da autoridade, vem o Santo Padre’. (Forja, 135)
Esta é a única Igreja de Cristo, que professamos no Credo como Una, Santa, Católica e Apostólica, aquela que o nosso Salvador, depois da Sua Ressurreição (1 Tim. 3,5), entregou a Pedro para que a apascentasse (Jo21,17), confiando também a ele e aos outros Apóstolos a sua difusão e governo (cf. Mt 28,18 ss.), e erigindo-a para sempre em «coluna e fundamento da verdade». Confiou-a aos cuidados pastorais de Pedro, encarregando-o, e aos outros apóstolos, de a difundir e a governar, e erigiu-a para sempre como o pilar e fundamento da verdade (Concílio Vaticano II, Const. Dogm. Lumen gentium, nº 8). (cf .Amar a Igreja, 19)
2. Porque é o Papa sucessor de S. Pedro?
O Papa é o legítimo sucessor de S. Pedro, porque Cristo nomeou S. Pedro chefe da Sua Igreja. Pedro, por vontade divina, estabeleceu a sua residência em Roma. E assim, por disposição divina, quem lhe sucede como Bispo de Roma, sucede-lhe também no supremo governo da Igreja. (cf Catecismo da Igreja Católica, 882)
Contemplar o mistério
O amor pelo Romano Pontífice há de ser em nós uma formosa paixão, porque nele vemos Cristo. Se convivemos com o Senhor na oração, caminharemos com um olhar claro que nos permite distinguir, também nos acontecimentos que às vezes não entendemos ou que nos causam pranto ou dor, a ação do Espírito Santo. ( cf. Amar a Igreja, 30)
‘Católico, Apostólico, Romano! Gosto que sejas muito romano. E que tenhas o desejo de fazer a tua "romaria", videre Petrum, para ver Pedro’ (Caminho, 520).
‘Venero com todas as minhas forças a Roma de Pedro e de Paulo, banhada pelo sangue dos mártires, centro de onde tantos saíram para difundir por todo o mundo a palavra salvadora de Cristo. Ser romano não inclui nenhum sinal de particularismo, mas de autêntico ecumenismo: pressupõe o desejo de ampliar o coração, de o abrir a todos com os anseios redentores de Cristo, que a todos busca e a todos acolhe, porque a todos amou primeiro’. (Amar a Igreja, 28)
3. Qual é a missão do Papa?
As cidades antigas eram cercadas por muralhas. E entregar as chaves que davam acesso às muralhas equivalia a entregar o poder sobre a cidade. A expressão dar as chaves equivale a dar-lhe o poder supremo sobre a Sua Igreja, a que muitas vezes chama "o reino dos céus".
O Papa, Bispo de Roma e sucessor de S. Pedro, é o princípio perpétuo e visível e fundamento da unidade da Igreja. É o Vigário de Cristo, cabeça do colégio dos Bispos e pastor de toda a Igreja, sobre a qual tem, por instituição divina, poder pleno, supremo, imediato e universal. (Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, 182)
O Bispo da Igreja de Roma, em quem permanece a função que o Senhor confiou singularmente a Pedro, o primeiro entre os Apóstolos, e que tinha de a transmitir aos seus sucessores, é Cabeça do Colégio dos Bispos, Vigário de Cristo e Pastor da Igreja Universal na terra. Portanto, em virtude de sua função, ele tem o poder ordinário, que é supremo, pleno, imediato e universal na Igreja, e que pode sempre exercer livremente ". (Código de Direito Canónico, c. 331).
Contemplar o mistério
Qual é a missão permanente de S. Pedro? Fazer que a Igreja nunca se identifique apenas com uma única nação, com uma única cultura, com um único Estado. Que seja sempre a Igreja de todos. Que reúna a humanidade acima de todas as fronteiras e, no meio das divisões deste mundo, torne presente a paz de Deus, a força reconciliadora do Seu amor. Graças à tecnologia, que é idêntica em toda a parte, graças à rede mundial de informações, e também graças à união de interesses comuns, existem hoje no mundo novas formas de unidade, mas que podem também gerar novos contrastes e dão novo impulso aos antigos. No meio dessa unidade externa, baseada em coisas materiais, temos grande necessidade de unidade interior, que provém da paz de Deus, unidade de todos aqueles que, através de Jesus Cristo, se tornaram irmãos e irmãs. Esta é a missão permanente de S. Pedro, e também a tarefa particular confiada à Igreja de Roma. (cf. Bento XVI, Homilia de 29 de junho de 2008).
O caminho de S. Pedro para Roma, como representante dos povos do mundo, rege-se principalmente pela palavra una: a sua tarefa é criar a unidade católica da Igreja formada por judeus e pagãos, da Igreja de todos os povos. S. Pedro, que segundo a ordem de Deus tinha sido o primeiro a abrir a porta aos pagãos, deixa agora a presidência da igreja cristã-judaica a Tiago, o Menor, para se dedicar à sua verdadeira missão: o ministério para a unidade da única Igreja de Deus formada por judeus e pagãos. (cf. Bento XVI, Homilia de 29 de junho de 2008)
4. Que significa dizer que o Papa é o vigário de Cristo?
O Papa é chamado Vigário de Cristo porque faz as Suas vezes no governo da Igreja. Vigário vem das palavras latinas: vices agere, fazer as vezes. É a cabeça visível da Igreja, porque a governa com a mesma autoridade de Cristo, que é a Cabeça invisível. (Catecismo da Igreja Católica, 882)
5. Porque é chamado Sumo Pontífice?
Sumo Pontífice significa sumo sacerdote, porque tem em seu poder todos os poderes espirituais com os quais Cristo enriqueceu a Sua Igreja. O Sumo Pontífice, bispo de Roma e sucessor de S. Pedro, "é o princípio e fundamento perpétuo e visível da unidade, tanto dos bispos como da multidão de fiéis" (LG 23).
Contemplar o mistério
‘Esta Igreja Católica é romana. Eu saboreio esta palavra: romana! Sinto-me romano, porque romano significa universal, católico, porque me leva a amar carinhosamente o Papa, il dolce Cristo in terra, como Santa Catarina de Sena gostava de repetir’. (Amar a Igreja, 28)
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‘Para tantos momentos da História (que o diabo se encarrega de repetir) parecia-me muito acertada aquela consideração que me escrevias sobre a lealdade: "Trago todo o dia no coração, na cabeça e nos lábios, uma jaculatória: Roma! "’(Sulco, 344)
‘A nossa Santa Mãe, a Igreja, em magnífica extensão de amor, vai espalhando a semente do Evangelho por todo o mundo. De Roma à periferia.

- Ao colaborares nessa expansão, pelo orbe inteiro, leva a periferia ao Papa, para que a terra toda seja um só rebanho e um só Pastor: um só apostolado!’ (Forja, 638)
6. Infalível significa que o Papa não se pode enganar em nada?
Para garantir que o Povo de Deus permaneça na verdade que liberta, Cristo dotou os Seus pastores com o carisma da infalibilidade em matéria de fé e de costumes. (Catecismo da Igreja Católica , 890).
«Desta infalibilidade goza o pontífice romano, chefe do colégio episcopal, por força do seu ofício, quando, na qualidade de pastor e doutor supremo de todos os fiéis, e encarregado de confirmar na fé os seus irmãos, proclama, por um acto definitivo, um ponto de doutrina respeitante à fé ou aos costumes [...] (Catecismo da Igreja Católica, 891)
Contemplar o mistério
A potestade supremo do Romano Pontífice e a sua infalibilidade, quando fala ex cathedra, não são uma invenção humana: baseiam-se na explícita vontade fundacional de Cristo. Que pouco sentido tem então confrontar o governo do Papa com o dos bispos, ou reduzir a validade do Magistério pontifício ao consentimento dos fiéis! Nada mais estranho que o equilíbrio de poderes: os esquemas humanos não nos servem aqui, por mais atraentes ou funcionais que possam ser. Ninguém na Igreja goza por si mesmo de poder absoluto, enquanto homem: na Igreja não há mais nenhum chefe senão Cristo. E Cristo quis constituir um vigário Seu - o Romano Pontífice - para a Sua esposa peregrina nesta terra.(Amar a Igreja, 30)
7. Quando se exerce a infalibilidade do Magistério?
A infalibilidade exerce-se quando o Romano Pontífice, em virtude da sua autoridade de supremo Pastor da Igreja, ou o Colégio Episcopal, em comunhão com o Papa, sobretudo reunido num Concílio Ecuménico, proclamam com um ato definitivo uma doutrina respeitante à fé ou à moral, e também quando o Papa e os Bispos, no seu Magistério ordinário, concordam ao propor uma doutrina como definitiva. A tais ensinamentos, cada fiel deve aderir com o obséquio da fé. (Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, 185),
Contemplar o mistério
‘Cada dia hás-de crescer em lealdade à Igreja, ao Papa, à Santa Sé ... Com um amor cada vez mais teológico!’ (Sulco, 353)
‘A fidelidade ao Romano Pontífice implica uma obrigação clara e determinada: a de conhecer o pensamento do Papa, manifestado nas Encíclicas ou noutros documentos, fazendo tudo o que estiver ao nosso alcance para que todos os católicos acolham o magistério do Santo Padre e acomodem a esses ensinamentos a sua actuação na vida’ (Forja, 633).
‘Acolhe a palavra do Papa, com uma adesão religiosa, humilde, interna e eficaz: serve-lhe de eco!’ (Forja, 133).

Temas para reflectir e meditar

Corrupção

Os problemas económicos de África agudizaram-se pelo comportamento desonesto de alguns governantes corruptos que, em cumplicidade com interesses locais ou estrangeiros, desbaratam em seu proveito os recursos nacionais, transferindo dinheiro público para contas privadas em bancos estrangeiros. 
Trata-se de verdadeiros e autênticos roubos, seja qual for a cobertura legal. Desejo vivamente que os organismos internacionais e as pessoas íntegras dos países africanos ou de outros países do mundo saibam dispor dos meios jurídicos adequados para fazer regressar os capitais injustamente subtraídos. 


(São João Paulo IIExort. Apost. Ecclesia in Africa,1995.09.14, nr. 113)

Vazio de todo o meu eu, enche-o de Ti


Pede ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo, e à tua Mãe, que te façam conhecer-te e chorar por esse montão de coisas sujas que passaram por ti, deixando – ai! – tanto depósito... E ao mesmo tempo, sem quereres afastar-te dessa consideração, diz-lhe: – Dá-me, Jesus, um Amor como fogueira de purificação, onde a minha pobre carne, o meu pobre coração, a minha pobre alma, o meu pobre corpo se consumam, limpando-se de todas as misérias terrenas... E, já vazio de todo o meu eu, enche-o de Ti: que não...
...e apegue a nada daqui de baixo; que sempre me sustente o Amor. (Forja, 41)

É a hora de clamar: lembra-Te das promessas que me fizeste, para me encher de esperança; isto consola-me no meu nada e enche o meu viver de fortaleza. Nosso Senhor quer que contemos com Ele para tudo: vemos com evidência que sem Ele nada podemos e que com Ele podemos tudo. E confirma-se a nossa decisão de andar sempre na Sua presença.

Com a claridade de Deus no entendimento, que parece inactivo, torna-se-nos indubitável que, se o Criador cuida de todos – mesmo dos inimigos –, quanto mais cuidará dos amigos! Convencemo-nos que não há mal nem contradição que não venham por bem: assim assentam com mais firmeza, no nosso espírito, a alegria e a paz que nenhum motivo humano poderá arrancar-nos, porque estas visitas deixam sempre em nós algo de Seu, algo divino. Louvaremos o Senhor Nosso Deus que efectuou em nós coisas admiráveis e compreenderemos que fomos criados com capacidade de possuir um tesouro infinito.

Tínhamos começado com orações vocais, simples, encantadoras, que aprendemos na nossa meninice e que gostaríamos de não perder jamais. A oração, que começou com essa ingenuidade pueril, desenvolve-se agora em caudal largo, manso e seguro, porque acompanha a nossa amizade com Aquele que afirmou: Eu sou o caminho. Se amarmos Cristo assim, se com divino atrevimento nos refugiarmos na abertura que a lança deixou no Seu peito, cumprir-se-á a promessa do Mestre: qualquer que me ame observará a minha doutrina e meu Pai o amará e viremos a ele e nele faremos morada. (Amigos de Deus, nn. 305–306)

02/07/2019

Pequena agenda do cristão


TeRÇa-Feira


(Coisas muito simples, curtas, objectivas)




Propósito:

Aplicação no trabalho.

Senhor, ajuda-me a fazer o que devo, quando devo, empenhando-me em fazê-lo bem feito para to poder oferecer.

Lembrar-me:
Os que estão sem trabalho.

Senhor, lembra-te de tantos e tantas que procuram trabalho e não o encontram, provê às suas necessidades, dá-lhes esperança e confiança.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?





Evangelho e comentário


TEMPO COMUM

Evangelho 

Evangelho: Mt 8, 23-27

23 Naquele tempo, Jesus subiu para o barco e os discípulos acompanharam-n’O. 24 Entretanto, levantou-se no mar tão grande tormenta que as ondas cobriam o barco. Jesus dormia. 25 Aproximaram-se os discípulos e acordaram-n’O, dizendo: «Salva-nos, Senhor, que estamos perdidos». 26 Disse-lhes Jesus: «Porque temeis, homens de pouca fé?». Então levantou-Se, falou imperiosamente ao vento e ao mar e fez-se grande bonança. 27 Os homens ficaram admirados e disseram: «Quem é este homem, que até o vento e o mar Lhe obedecem?».

Comentário:

Perante situações extremas - guerras, cataclismos da natureza, perseguições e violências de toda a ordem, somos, por vezes, levados a exclamar:
Senhor, onde estás? Dormes? Não Te importas?

Este “grito” explica-se, é natural. Somos humanos e reconhecemos a nossa impotência.

Mas, Ele, não, pode tudo, é o Senhor de tudo.

Não Se enfadará com o nosso “grito”, bem ao contrário, actuará com a urgência que julgar conveniente.


(AMA, comentário sobre Mt 8, 23-27, 04.07.2017)