Padroeiros do blog: SÃO PAULO; SÃO TOMÁS DE AQUINO; SÃO FILIPE DE NÉRI; SÃO JOSEMARIA ESCRIVÁ
03/09/2018
Pequena agenda do cristão
(Coisas muito simples, curtas, objectivas)
Propósito:
Sorrir; ser amável; prestar serviço.
Senhor que eu faça "boa cara" que seja alegre e transmita aos outros, principalmente em minha casa, boa disposição.
Senhor que eu sirva sem reserva de intenção de ser recompensado; servir com naturalidade; prestar pequenos ou grandes serviços a todos mesmo àqueles que nada me são. Servir fazendo o que devo sem olhar à minha pretensa “dignidade” ou “importância” “feridas” em serviço discreto ou desprovido de relevo, dando graças pela oportunidade de ser útil.
Lembrar-me:
Papa, Bispos, Sacerdotes.
Que o Senhor assista e vivifique o Papa, santificando-o na terra e não consinta que seja vencido pelos seus inimigos.
Que os Bispos se mantenham firmes na Fé, apascentando a Igreja na fortaleza do Senhor.
Que os Sacerdotes sejam fiéis à sua vocação e guias seguros do Povo de Deus.
Pequeno exame:
Cumpri o propósito que me propus ontem?
Temas para reflectir e meditar
Ocorreu-me
agora [1] que
algumas vezes peço uma opinião.
Opinião
ou conselho?
Bom…
a minha maneira de ser, o meu “estatuto”, não se “compadece” com conselhos,
portanto, pedir uma opinião será como que uma cobarde forma de disfarçar uma
necessidade de conselho.
E
porquê este falso problema?
Pedir
uma opinião é considerar outro como capaz de nos revelar algo que não o estamos
a ver no imediato?
E
pedir um conselho equivale e dizer quem necessitamos de orientação?
Julgo
que se trata, fundamentalmente e uma questão directamente ligada à humildade
pessoal.
Somos
o que somos, sabemos o que julgamos saber, porque não aferir com outro de
confiança e critério reconhecidos aquilo sobre o que se verifica a dúvida ou
inquirição?
Só
não fazemos por dois motivos e referências principais:
Orgulho
pessoal;
Auto
convencimento.
Qualquer
das duas são péssimas razões.
AMA,
reflexões, 15.06.2018
Evangelho e comentário
São Gregório Magno –
Doutor da Igreja
Evangelho: Lc 4, 16-30
16
Veio a Nazaré, onde tinha sido criado. Segundo o seu costume, entrou em dia de
sábado na sinagoga e levantou-se para ler. 17 Entregaram-lhe o livro do profeta
Isaías e, desenrolando-o, deparou com a passagem em que está escrito: 18 «O
Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu para anunciar a Boa-Nova aos
pobres; enviou-me a proclamar a libertação aos cativos e, aos cegos, a recuperação
da vista; a mandar em liberdade os oprimidos, 19 a proclamar um ano favorável
da parte do Senhor.» 20 Depois, enrolou o livro, entregou-o ao responsável e
sentou-se. Todos os que estavam na sinagoga tinham os olhos fixos nele. 21 Começou,
então, a dizer-lhes: «Cumpriu-se hoje esta passagem da Escritura, que acabais
de ouvir.» 22 Todos davam testemunho em seu favor e se admiravam com as
palavras repletas de graça que saíam da sua boca. Diziam: «Não é este o filho de
José?» 23 Disse-lhes, então: «Certamente, ides citar-me o provérbio: ‘Médico,
cura-te a ti mesmo.’ Tudo o que ouvimos dizer que fizeste em Cafarnaúm, fá-lo
também aqui na tua terra.» 24 Acrescentou, depois: «Em verdade vos digo: Nenhum
profeta é bem recebido na sua pátria. 25 Posso assegurar-vos, também, que havia
muitas viúvas em Israel no tempo de Elias, quando o céu se fechou durante três
anos e seis meses e houve uma grande fome em toda a terra; 26 contudo, Elias
não foi enviado a nenhuma delas, mas sim a uma viúva que vivia em Sarepta de
Sídon. 27 Havia muitos leprosos em Israel, no tempo do profeta Eliseu, mas
nenhum deles foi purificado senão o sírio Naaman.» 28 Ao ouvirem estas palavras,
todos, na sinagoga, se encheram de furor. 29 E, erguendo-se, lançaram-no fora
da cidade e levaram-no ao cimo do monte sobre o qual a cidade estava edificada,
a fim de o precipitarem dali abaixo. 30 Mas, passando pelo meio deles, Jesus
seguiu o seu caminho.
Comentário:
Este episódio narrado por S. Lucas termina de modo algo insólito ou,
talvez, misterioso: «passando no meio deles, retirou-Se».
Tudo se passa de forma tão natural sem qualquer violência que ficamos
perplexos.
Como é possível?
Terá Jesus ficado, de repente, invisível como que num acto de magia?
Cristo não é um mago mas, é verdade, tem um poder divino que ultrapassa
em tudo a compreensão humana.
Não tinha chegado o momento de Se deixar prender ou “executar” pelos
Seus inimigos e, quando tal chegar é Ele que quer, e unicamente pela Sua
vontade soberana O deterão e levarão ao Calvário.
Talvez que, se os seus olhos não estivessem tão cerrados à verdade, os
seus conterrâneos tivessem compreendido, então, que quanto lhes dissera
momentos antes na Sinagoga, era verdade.
Mas, a verdade só é entendida com os olhos da alma e não com os
humanos e, quando o coração não está limpo de preconceitos e juízos de valor,
nem uns nem outros conseguem vê-la.
(ama,
comentário sobre Lc 4, 24-30,
2013.02.03)
O trabalho é uma bênção de Deus
O
trabalho é a vocação original do homem; é uma bênção de Deus; e enganam-se
lamentavelmente aqueles que o consideram um castigo. O Senhor, o melhor dos
pais, colocou o primeiro homem no Paraíso – "ut operaretur", para trabalhar. (Sulco, 482)
O
trabalho acompanha necessariamente a vida do homem sobre a terra. Com ele
nascem o esforço, a fadiga, o cansaço, as manifestações de dor e de luta que
fazem parte da nossa existência humana actual e que são sinais da realidade do
pecado e da necessidade da redenção. Mas o trabalho, em si mesmo, não é uma
pena nem uma maldição ou castigo: os que assim falam não leram bem a Sagrada
Escritura.
É
a hora de nós, os cristãos, dizermos bem alto que o trabalho é um dom de Deus e
que não tem nenhum sentido dividir os homens em diversas categorias segundo os
tipos de trabalho, considerando umas tarefas mais nobres do que outras. O
trabalho, todo o trabalho, é testemunho da dignidade do homem, do seu domínio
sobre a criação. É um meio de desenvolvimento da personalidade. É um vínculo de
união com os outros seres; fonte de recursos para sustentar a família; meio de
contribuir para o melhoramento da sociedade em que se vive e para o progresso
de toda a Humanidade.
Para
um cristão, essas perspectivas alargam-se e ampliam-se, porque o trabalho
aparece como participação na obra criadora de Deus que, ao criar o homem, o
abençoou dizendo-lhe: Procriai e multiplicai-vos e enchei a terra e subjugai-a,
e dominai sobre todo o animal que se mova à superfície da terra. (Cristo
que passa, 47)
Leitura espiritual
São Josemaria Escrivá
CRISTO QUE PASSA
29
Escutai os vossos filhos,
dedicai-lhes também o vosso tempo, mostrai que tendes confiança neles;
acreditai em tudo o que vos disserem, mesmo que alguma vez vos enganem; não vos
assusteis com as suas rebeldias, pois também vós, na idade deles, fostes mais
ou menos rebeldes; ide ao seu encontro, até meio do caminho, e rezai por eles.
E vereis que recorrerão aos seus pais com simplicidade - podeis ter a certeza
disso, se actuais cristãmente - em vez de irem ter, para satisfazer as suas
legítimas curiosidades, com um amigalhote desavergonhado ou brutal.
A vossa confiança, a vossa relação
amigável com os filhos, receberá como resposta a sinceridade deles para
convosco; e isto, mesmo que não faltem disputas e incompreensões de pouca
monta, é a paz familiar, a vida cristã.
Como descreverei - como um escritor
dos primeiros séculos - a felicidade desse matrimónio que a Igreja une, que a
entrega confirma, que a bênção sela, que os Anjos proclamam e que Deus Pai tem
por celebrado?...
Ambos os esposos são como irmãos,
servos um do outro, sem que entre eles se dê a separação alguma, nem na carne
nem no espírito. Porque verdadeiramente são dois numa só carne e onde há uma só
carne deve haver um só espírito...
Ao contemplar esses lares, Cristo
alegra-Se e envia-lhes a Sua paz; onde estão dois, aí está também Ele, e onde
está Ele não pode haver nada de mau.
30
Procurámos resumir e comentar alguns
dos traços desses lares em que se reflecte a luz de Cristo e que são, por isso,
luminosos e alegres, repito; nos quais a harmonia que reina entre os pais se
transmite aos filhos, à família inteira e a todos os ambientes que a envolvem.
Assim, em cada família
autenticamente cristã reproduz-se de algum modo o mistério da Igreja, escolhida
por Deus e enviada como guia do mundo.
A todos os cristãos, qualquer que
seja a sua condição - sacerdotes ou leigos, casados ou solteiros - se aplicam
plenamente as palavras do Apóstolo que se lêem precisamente na epístola da festa
da Sagrada Família: escolhidos de Deus, santos e amados.
É isso mesmo o que somos todos, cada
um no seu lugar e na sua tarefa no mundo: homens e mulheres escolhidos por Deus
para dar testemunho de Cristo e levar aos que nos rodeiam a alegria de se saberem
filhos de Deus, apesar dos nossos erros e procurando lutar contra eles.
É muito importante que o sentido
vocacional do matrimónio nunca falte, tanto na catequese e na pregação como na
consciência daqueles a quem Deus quer levar por esse caminho, porque estão real
e verdadeiramente chamados a integrar-se nos desígnios divinos da salvação de
todos os homens.
Por isso, talvez não possa
apresentar-se aos esposos cristãos melhor modelo que o das famílias dos tempos
apostólicos: o centurião Cornélio, que foi dócil à vontade de Deus e em cuja
casa se consumou a abertura da Igreja aos gentios; Áquila e Priscila, que
difundiram o cristianismo em Corinto e em Éfeso, e que colaboraram no
apostolado de S. Paulo; Tabita, que com a sua caridade assistiu aos necessitados
de Jope...
E tantos outros lares de judeus e de
gentios, de gregos e de romanos, nos quais lançou raízes a pregação dos
primeiros discípulos do Senhor.
Famílias que viveram de Cristo e que
deram a conhecer Cristo. Pequenas comunidades cristãs que foram centros de
irradiação da mensagem evangélica.
Lares iguais aos outros lares
daqueles tempos, mas animados de um espírito novo que contagiava aqueles que os
conheciam e com eles conviviam.
Assim foram os primeiros cristãos e
assim havemos de ser os cristãos de hoje: semeadores de paz e de alegria, da
paz e da alegria que Cristo nos trouxe.
31
Ainda não há muito tempo, tive
oportunidade de admirar um baixo-relevo em mármore, que representa a cena da
adoração de Deus Menino pelos Reis Magos.
Emoldurando esse baixo-relevo, havia
outros: quatro anjos, cada um com seu símbolo - um diadema, o mundo coroado
pela cruz, uma espada e um ceptro.
Deste modo, utilizando símbolos bem
conhecidos, ilustrava-se plasticamente o acontecimento que hoje comemoramos:
uns homens sábios - reis, segundo a tradição - prostram-se diante do Menino,
depois de perguntar em Jerusalém: Onde
está o rei dos judeus que acaba de nascer?
Também eu, instado por esta
pergunta, contemplo agora Jesus, deitado numa manjedoura, num lugar que só é
próprio para os animais.
Onde está, Senhor, a tua realeza: o
diadema, a espada, o ceptro? Pertencem-lhe e não os quer; reina envolto em
panos.
É um rei inerme, que se nos
apresenta indefeso; é uma criança. Como não havemos de recordar aquelas
palavras do Apóstolo: aniquilou-se a si
mesmo, tomando a forma de servo.
Nosso Senhor encarnou para nos
manifestar a vontade do Pai.
E começa a instruir-nos estando
ainda no berço. Jesus Cristo procura-nos - com uma vocação, que é vocação para
a santidade -, a fim de consumarmos com Ele a Redenção.
Considerai o seu primeiro
ensinamento: temos de co-redimir à custa de triunfar, não sobre o próximo, mas
sobre nós mesmos.
Tal como Cristo, precisamos de nos
aniquilar, de sentir-nos servidores dos outros para os conduzir a Deus.
Onde está o nosso Rei?
Não será que Jesus quer reinar,
antes de mais, no coração, no teu coração?
Por isso se fez menino: quem é capaz
de ter o coração fechado para uma criança?
Onde está o nosso Rei?
Onde está o Cristo que o Espírito
Santo procura formar na nossa alma?
Cristo não pode estar na soberba,
que nos separa de Deus, nem na falta de caridade, que nos isola dos homens.
Aí não podemos encontrar Cristo, mas
apenas a solidão.
No dia da Epifania, prostrados aos
pés de Jesus Menino, diante de um Rei que não ostenta sinais externos de
realeza, podeis dizer-lhe: Senhor, expulsa a soberba da minha vida, subjuga o
meu amor-próprio, esta minha vontade de afirmação pessoal e de imposição da
minha vontade aos outros.
Faz com que o fundamento da minha
personalidade seja a identificação contigo.
32
O caminho da fé
Não é fácil esta meta da
identificação com Cristo.
Mas também não é difícil, se vivemos
de acordo com os ensinamentos do Senhor, isto é, se recorrermos diariamente à
sua Palavra, se impregnarmos a nossa vida da realidade sacramental - a
Eucaristia - que Ele nos deixou como alimento, porque o caminho do cristão é
andadeiro, como diz uma antiga canção da minha terra.
Tal como os Reis Magos, descobrimos
uma estrela que é luz, rumo certo no céu da nossa alma.
Vimos a sua estrela no Oriente e
viemos adorá-lo.
Também nós vivemos esta experiência.
Também nós sentimos que, pouco a
pouco, se acendia na nossa alma uma luz nova: o desejo de ser cristãos em
plenitude, o desejo, por assim dizer, de tomar Deus a sério.
Se cada um de nós começasse agora a
contar em voz alta o processo interior da sua vocação sobrenatural, não
poderíamos deixar de pensar que tudo isso foi divino.
Agradeçamos, pois, a Deus Pai, a
Deus Filho, a Deus Espírito Santo e a Santa Maria - por cuja intercessão chegam
até nós todas as bênçãos do Céu - este dom, que, a par da fé, é o maior que o
Senhor pode conceder a uma criatura: a firme determinação de alcançar a
plenitude da caridade, com a convicção de que também é necessária, e não apenas
possível, a santidade no meio dos afazeres profissionais, sociais...
Considerai a delicadeza com que o
Senhor nos dirige este convite. Exprime-se com palavras humanas, como um
apaixonado: Eu chamei-te pelo teu nome... tu és meu.
Deus - que é a Beleza, a Sabedoria,
a Grandeza - anuncia-nos que somos seus, que fomos escolhidos como objecto do
seu amor infinito. É precisa uma vida forte de fé para não desvirtuar esta
maravilha que a Providência depõe nas nossas mãos, uma fé como a dos Reis
Magos, que nos leva a ter a certeza de que nem o deserto, nem a tormenta, nem a
tranquilidade do oásis nos impedirão de chegar à meta do presépio eterno: a
vida definitiva com Deus.
(cont)
02/09/2018
Pequena agenda do cristão
(Coisas muito simples, curtas, objectivas)
Propósito:
Viver a família.
Senhor, que a minha família seja um espelho da Tua Família em Nazareth, que cada um, absolutamente, contribua para a união de todos pondo de lado diferenças, azedumes, queixas que afastam e escurecem o ambiente. Que os lares de cada um sejam luminosos e alegres.
Lembrar-me:
Cultivar a Fé
São Tomé, prostrado a Teus pés, disse-te: Meu Senhor e meu Deus!
Não tenho pena nem inveja de não ter estado presente. Tu mesmo disseste: Bem-aventurados os que crêem sem terem visto.
E eu creio, Senhor.
Creio firmemente que Tu és o Cristo Redentor que me salvou para a vida eterna, o meu Deus e Senhor a quem quero amar com todas as minhas forças e, a quem ofereço a minha vida. Sou bem pouca coisa, não sei sequer para que me queres mas, se me crias-te é porque tens planos para mim. Quero cumpri-los com todo o meu coração.
Pequeno exame:
Cumpri o propósito que me propus ontem?
Temas para reflectir e meditar
Quando
Ele disse o que pedirdes em Meu Nome Eu vo-lo concederei, Jesus Cristo fez mais
que uma promessa, deu uma garantia pessoal absolutamente clara e iniludível.
Isto,
posto assim sem mais é de uma importância tão relevante que esmaga.
Parece
que todos os problemas têm solução, qualquer necessidade poderá ser satisfeita,
um desejo concretizado.
Cuidado
porém, poderá surgir a tentação de se sentir capaz de tudo, mesmo o mais
extraordinário.
O
que em si não apresenta mal nenhum pode Levar ao convencimento que o Senhor
está disposto a servir-se de nós como instrumento privilegiado para fazer algo
grande.
As
escolhas que o Senhor faz não dependem da nossa disponibilidade como se nos
colocássemos em bicos dos pés chamando a Sua atenção para nós.
Ora
a primeiríssima qualidade do instrumento é a humildade.
Penso
que está tudo dito a respeito.
(AMA, reflexões,
30.04.2018 12,00)
Evangelho e comentário
Evangelho: Mc 7, 1-8. 14-15. 21-23
1 Naquele tempo, reuniu-se à volta de
Jesus um grupo de fariseus e alguns escribas que tinham vindo de Jerusalém. 2
Viram que alguns dos discípulos de Jesus comiam com as mãos impuras, isto é,
sem as lavar. – 3 Na verdade, os fariseus e os judeus em geral não comem sem
ter lavado cuidadosamente as mãos, conforme a tradição dos antigos. 4 Ao
voltarem da praça pública, não comem sem antes se terem lavado. E seguem muitos
outros costumes a que se prenderam por tradição, como lavar os copos, os jarros
e as vasilhas de cobre –. 5 Os fariseus e os escribas perguntaram a Jesus:
«Porque não seguem os teus discípulos a tradição dos antigos, e comem sem lavar
as mãos?». 6 Jesus respondeu-lhes: «Bem profetizou Isaías a respeito de vós,
hipócritas, como está escrito: ‘Este povo honra-Me com os lábios, mas o seu
coração está longe de Mim. 7 É vão o culto que Me prestam, e as doutrinas que
ensinam não passam de preceitos humanos’. 8 Vós deixais de lado o mandamento de
Deus, para vos prenderdes à tradição dos homens». 14 Depois, Jesus chamou de novo
a Si a multidão e começou a dizer-lhe: «Escutai-Me e procurai compreender. 15
Não há nada fora do homem que ao entrar nele o possa tornar impuro. O que sai
do homem é que o torna impuro; 21 porque do interior do homem é que saem as más
intenções: imoralidades, roubos, assassínios, adultérios, cobiças, injustiças,
fraudes, devassidão, inveja, difamação, orgulho, insensatez. 23 Todos estes
vícios saem do interior do homem e são eles que o tornam impuro».
Comentário:
A impureza é uma “carga”
terrível da qual muitos infelizmente não conseguem libertar-se.
Talvez seja um dos estados
de vida que cria mais hábito e, até, rotina.
O que se pratica, diz ou
vive vai perdendo a sua verdadeira importância e valor e não tarda a cair-se
num “deixar andar” em que de certa maneira tudo é permitido, nada faz mal.
O Senhor foi muito claro:
«Bem-aventurados os puros de coração
porque verão a Deus».
(ama, comentário sobre Mc 7, 1-8. 14-15. 21-23, 2015.08.30)
O amor casto entre um homem e uma mulher
Admira
a bondade do nosso Pai Deus: não te enche de alegria a certeza de que o teu
lar, a tua família, o teu país, que amas com loucura, são matéria de santidade?
(Forja,
689)
E
agora, meus filhos e minhas filhas, permiti que me detenha noutro aspecto –
particularmente querido – da vida comum. Refiro-me ao amor humano, ao amor
casto entre um homem e uma mulher, ao noivado, ao matrimónio. Devo dizer uma
vez mais que esse amor humano santo não é algo de permitido, de tolerado, à
margem das verdadeiras actividades do espírito, como poderiam insinuar os
falsos espiritualismos a que antes aludia. Há quarenta anos que venho pregando
exactamente o contrário, através da palavra e da escrita, e os que não
compreendiam já o vão entendendo.
O
amor que conduz ao matrimónio e à família pode ser também um caminho divino,
vocacional, maravilhoso, meio para uma completa dedicação ao nosso Deus.
Realizai as coisas com perfeição, tenho-vos recordado, ponde amor nas pequenas
actividades da jornada, descobri – insisto – esse quê divino que se oculta nos
pormenores: toda esta doutrina encontra um lugar especial no espaço vital em
que o amor humano se enquadra. (Temas Actuais do Cristianismo, 121)
Leitura espiritual
São Josemaria Escrivá
CRISTO QUE PASSA
25
Essa autenticidade do amor requer
fidelidade e rectidão em todas as relações matrimoniais. Deus, comenta S. Tomás
de Aquino, uniu às diversas funções da vida humana um prazer, uma satisfação;
esse prazer e essa satisfação são, por conseguinte, bons.
Mas se o homem, invertendo a ordem
das coisas, busca essa emoção como valor último, desprezando o bem e o fim a
que deve estar ligada e ordenada, perverte-a e desnaturaliza-a, convertendo-a
em pecado ou em ocasião de pecado.
A castidade - não a simples
continência, mas a afirmação decidida de uma vontade enamorada - é uma virtude
que mantém a juventude do amor em qualquer estádio da vida.
Existe uma castidade dos que sentem
despertar neles o desenvolvimento da puberdade, uma castidade dos que se
preparam para se casarem, uma castidade dos que Deus chama ao celibato, uma
castidade dos que foram escolhidos por Deus para viverem no matrimónio.
Como não recordar aqui as palavras
fortes e claras que a Vulgata conserva, da recomendação que o Arcanjo Rafael
fez a Tobias antes de desposar Sara?
O Anjo admoestou-o deste modo: Escuta-me e mostrar-te-ei quem são aqueles
contra quem o Demónio pode prevalecer. São os que abraçam o matrimónio de tal
modo que excluem Deus de si e da sua mente e se deixam arrastar pela paixão
como o cavalo e o mulo que carecem de entendimento. Sobre esses, o Diabo tem
poder.
Não há amor claro, franco e alegre
no matrimónio, se não se vive essa virtude da castidade, que respeita o
mistério da sexualidade e o ordena à fecundidade à entrega.
Nunca falei de impureza e evitei
sempre descer a casuísticas mórbidas e sem sentido; mas de castidade e de
pureza, da afirmação jubilosa do amor, falei muitíssimas vezes e devo continuar
a falar.
Pelo que respeita à castidade
conjugal, asseguro aos esposos que não devem ter medo de manifestar o seu
carinho; pelo contrário, essa inclinação é a base da sua vida familiar.
O que o Senhor lhes pede é que se
respeitem mutuamente e que sejam mutuamente leais, que actuem com delicadeza,
com naturalidade, com modéstia.
Dir-lhes-ei também que as relações
conjugais são dignas quando são prova de verdadeiro amor e, portanto, estão
abertas à fecundidade, aos filhos.
Secar as fontes da vida é um crime
contra os dons que Deus concedeu à humanidade e uma manifestação de que é o
egoísmo e não o amor, o que inspira a conduta.
Então tudo se turva, porque os
cônjuges acabam por se olharem como cúmplices; e produzem-se entre eles
dissensões que, continuando nessa linha, são quase sempre insanáveis.
Quando a castidade conjugal está
presente no amor, a vida matrimonial é expressão de uma conduta autêntica,
marido e mulher compreendem-se e sentem-se unidos; quando o bem divino da
sexualidade se perverte, destrói-se a intimidade e marido e mulher já não podem
olhar-se nobremente, cara a cara.
Os esposos devem edificar a sua
convivência sobre um carinho sincero e puro, e sobre a alegria de ter trazido ao
mundo os filhos que Deus lhes tenha dado a possibilidade de ter, sabendo, se
for necessário, renunciar a comodidades pessoais e tendo fé na Providência
divina. Formar uma família numerosa, se tal for a vontade de Deus, é uma
garantia de felicidade e de eficácia, embora afirmem outra coisa os defensores
de um triste hedonismo.
26
Não vos esqueçais de que, em certas
ocasiões, não é possível evitar as zangas entre os esposos.
Nunca discutais diante dos vossos
filhos; fá-los-eis sofrer e eles tomarão o partido de uma das partes,
contribuindo talvez para aumentar inconscientemente a vossa desunião.
Todavia, discutir, desde que não
seja muito frequentemente, é também uma manifestação de amor, quase uma
necessidade.
A ocasião, não o motivo, costuma ser
o cansaço do marido, esgotado pelo seu trabalho profissional; a fadiga - oxalá
não seja o aborrecimento - da mulher que teve de aturar os filhos e o serviço
ou lutar com o seu próprio carácter, às vezes pouco firme; embora vós, as
mulheres, sejais mais firmes que os homens se vos decidis a isso.
Evitai a soberba, que é o maior
inimigo da vossa vida conjugal: nas vossas pequenas zangas, nenhum dos dois tem
razão.
O que estiver mais sereno deve dizer
uma palavra que guarde o mau humor até mais tarde. E mais tarde - a sós -
discuti, que depois fareis as pazes.
Vós, mulheres, pensai que talvez vos
descuideis um pouco no arranjo pessoal; recordai o provérbio que a mulher
composta tira o homem de outra porta: é sempre actual o dever de aparecerdes
amáveis como quando éreis noivas, dever de justiça porque pertenceis ao vosso
marido; e ele também não se deve esquecer de que é vosso e de que tem a
obrigação de ser, durante toda a vida, afectuoso como um noivo.
Mau sinal, se sorrirdes com ironia
ao lerdes este parágrafo; seria uma demonstração evidente de que o afecto
familiar se tinha convertido em gélida indiferença.
27
Lares luminosos e alegres
Não se pode falar do matrimónio sem
pensar ao mesmo tempo na família, que é o fruto e a continuação daquilo que se
inicia com o matrimónio.
Uma família compõe-se, não apenas do
marido e da mulher, mas também dos filhos e, num grau maior ou menor, dos avós,
dos outros parentes, das empregadas domésticas.
A todos eles há-de chegar o calor
íntimo, do qual depende o ambiente familiar.
É certo que há casais a quem o
Senhor não concede filhos; é sinal de que, nesse caso lhes pede que continuem a
amar-se com igual amor e que dediquem as suas energias - se puderem - a
serviços e tarefas em benefício de outras almas.
O normal, porém, é que um casal
tenha descendência.
Para estes esposos, a primeira
preocupação têm de ser os seus filhos. A paternidade e a maternidade não
terminam com o nascimento; essa participação no poder de Deus, que é a
faculdade de gerar, há-de prolongar-se na cooperação com o Espírito Santo, para
que culmine com a formação de autênticos homens cristãos e autênticas mulheres
cristãs.
Os pais são os principais educadores
dos seus filhos, tanto no aspecto humano como no sobrenatural, e hão-de sentir
a responsabilidade dessa missão, que exige deles compreensão, prudência, saber
ensinar e, sobretudo, saber amar; e devem preocupar-se por dar bom exemplo.
A imposição autoritária e violenta
não é caminho acertado para a educação.
O ideal para os pais é chegarem a
ser amigos dos filhos; amigos a quem se confiam as inquietações, a quem se
consulta sobre os problemas, de quem se espera uma ajuda eficaz e amável.
É necessário que os pais arranjem
tempo para estar com os filhos e falar com eles.
Os filhos são o que há de mais
importante; mais importante do que os negócios, do que o trabalho, do que o
descanso.
Nessas conversas, convém escutá-los
com atenção, esforçar-se por compreendê-los, saber reconhecer a parte de
verdade - ou a verdade inteira - que possa haver em algumas das suas rebeldias.
E, ao mesmo tempo, apoiar as suas
aspirações, ensiná-los a ponderar as coisas e a raciocinar; não lhes impor uma
conduta, mas mostrar-lhes os motivos, sobrenaturais e humanos, que a
aconselham.
Numa palavra, respeitar a sua
liberdade, já que não há verdadeira educação sem responsabilidade pessoal, nem
responsabilidade sem liberdade.
28
Os pais educam fundamentalmente com
a conduta.
O que os filhos e as filhas procuram
no seu pai ou na sua mãe, não são apenas conhecimentos mais amplos do que os
seus ou conselhos mais ou menos acertados, mas algo de maior importância: um
testemunho do valor e do sentido da vida, encarnados numa existência concreta e
confirmados nas diversas circunstâncias e situações que se sucedem ao longo dos
anos.
Se eu tivesse de dar um conselho aos
pais, dar-lhes-ia sobretudo este: que os vossos filhos vejam (não tenhais
ilusões: desde crianças, vêem tudo e julgam-no) que procurais viver de acordo
com a vossa fé, que Deus não está só nos vossos lábios, que está nas vossas
obras; que vos esforçais por serdes sinceros e leias, que vos amais e os amais
a eles realmente.
Assim é que contribuireis melhor
para fazer deles homens e mulheres íntegros, capazes de enfrentar com espírito
aberto as situações que a vida lhes depare, de servir os seus concidadãos e de
contribuir para a solução dos grandes problemas da humanidade, levando o
testemunho de Cristo aonde mais tarde venham a encontrar-se na sociedade.
(cont)
01/09/2018
Pequena agenda do cristão
(Coisas muito simples, curtas, objectivas)
Propósito:
Honrar a Santíssima Virgem.
A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador, porque pôs os olhos na humildade da Sua serva, de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas, santo é o Seu nome. O Seu Amor se estende de geração em geração sobre os que O temem. Manifestou o poder do Seu braço, derrubou os poderosos do seu trono e exaltou os humildes, aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. Acolheu a Israel Seu servo, lembrado da Sua misericórdia, como tinha prometido a Abraão e à sua descendência para sempre.
Lembrar-me:
Santíssima Virgem Mãe de Deus e minha Mãe.
Minha querida Mãe: Hoje queria oferecer-te um presente que te fosse agradável e que, de algum modo, significasse o amor e o carinho que sinto pela tua excelsa pessoa.
Não encontro, pobre de mim, nada mais que isto: O desejo profundo e sincero de me entregar nas tuas mãos de Mãe para que me leves a Teu Divino Filho Jesus. Sim, protegido pelo teu manto protector, guiado pela tua mão providencial, não me desviarei no caminho da salvação.
Pequeno exame:
Cumpri o propósito que me propus ontem?
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