14/02/2018

Cinzas



In: O que é a verdade

Marinha Grande, 14 de Fevereiro de 2018
Joaquim Mexia Alves 

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Publicações em 14.02.2018


Os filhos de Deus têm de ser contemplativos

Nunca compartilharei a opinião – ainda que a respeite – dos que separam a oração da vida activa, como se fossem incompatíveis. Os filhos de Deus têm de ser contemplativos: pessoas que, no meio do fragor da multidão, sabem encontrar o silêncio da alma em colóquio permanente com Nosso Senhor: e olhá-lo como se olha um Pai, como se olha um Amigo, a quem se quer com loucura. (Forja, 738)

Não duvideis, meus filhos: qualquer forma de evasão das honestas realidades diárias é, para vós, homens e mulheres do mundo, coisa oposta à vontade de Deus.

Pelo contrário, deveis compreender agora – com uma nova clareza – que Deus vos chama a servi-Lo em e a partir das ocupações civis, materiais, seculares da vida humana: Deus espera-nos todos os dias no laboratório, no bloco operatório, no quartel, na cátedra universitária, na fábrica, na oficina, no campo, no lar e em todo o imenso panorama do trabalho. Ficai a saber: escondido nas situações mais comuns há um quê de santo, de divino, que toca a cada um de vós descobrir.

Eu costumava dizer àqueles universitários e àqueles operários que vinham ter comigo por volta de 1930 que tinham que saber materializar a vida espiritual. Queria afastá-los assim da tentação, tão frequente então como agora, de viver uma vida dupla: a vida interior, a vida de relação com Deus, por um lado; e por outro, diferente e separada, a vida familiar, profissional e social, cheia de pequenas realidades terrenas.

Não, meus filhos! Não pode haver uma vida dupla; se queremos ser cristãos, não podemos ser esquizofrénicos. Há uma única vida, feita de carne e espírito, e essa é que tem de ser – na alma e no corpo – santa e cheia de Deus, deste Deus invisível que encontramos nas coisas mais visíveis e materiais.


Não há outro caminho, meus filhos: ou sabemos encontrar Nosso Senhor na nossa vida corrente ou nunca O encontraremos Por isso posso dizer-vos que a nossa época precisa de restituir à matéria e às situações que parecem mais vulgares o seu sentido nobre e original, colocá-las ao serviço do Reino de Deus, espiritualizá-las, fazendo delas o meio e a ocasião do nosso encontro permanente com Jesus Cristo. (Temas Actuais do Cristianismo, n. 114)

Temas para meditar e reflectir

Quando se quer verdadeiramente


Querer algo verdadeiramente, é ir além do desejo.

Desejar é algo subjectivo e, ao contrário, querer é objectivo e concreto.

Quando se quer pode-se – costuma dizer-se – e faz-se o necessário para se conseguir o que se pretende.

Por isso – querer – é, tem de ser, algo reflectido, pesado e devidamente avaliado.

A principal questão a pôr previamente será:

O que quero está de acordo com o que Deus quer?

Se sim… então convém-me;

Se não… não interessa.



(ama, reflexões, 14.12.2016)

Evangelho e comentário

Tempo de Cinzas

Quarta Feira de Cinzas

Evangelho: Mt 6, 1-6. 16-18

1 «Guardai-vos de fazer as vossas boas obras diante dos homens, para vos tornardes notados por eles; de outro modo, não tereis nenhuma recompensa do vosso Pai que está no Céu. 2 Quando, pois, deres esmola, não permitas que toquem trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas, nas sinagogas e nas ruas, a fim de serem louvados pelos homens. Em verdade vos digo: Já receberam a sua recompensa. 3  Quando deres esmola, que a tua mão esquerda não saiba o que faz a tua direita, 4 a fim de que a tua esmola permaneça em segredo; e teu Pai, que vê o oculto, há-de premiar-te.» 5 «Quando orardes, não sejais como os hipócritas, que gostam de rezar de pé nas sinagogas e nos cantos das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo: já receberam a sua recompensa. 6 Tu, porém, quando orares, entra no quarto mais secreto e, fechada a porta, reza em segredo a teu Pai, pois Ele, que vê o oculto, há-de recompensar-te.
16 «E, quando jejuardes, não mostreis um ar sombrio, como os hipócritas, que desfiguram o rosto para que os outros vejam que eles jejuam. Em verdade vos digo: já receberam a sua recompensa. 17 Tu, porém, quando jejuares, perfuma a cabeça e lava o rosto, 18 para que o teu jejum não seja conhecido dos homens, mas apenas do teu Pai que está presente no oculto; e o teu Pai, que vê no oculto, há-de recompensar-te.»

Comentários:

Este tema abordado por Jesus Cristo é de enorme importância como regra de conduta para todos os cristãos.

As nossas boas obras devem ter como primeiro objectivo agradar a Deus, mas, têm de ser exemplo para os outros.

A naturalidade e contenção com que as praticamos deverão, por isso mesmo, estar em evidência de tal forma que outros sejam levados a imitar-nos.


(AMA, comentário sobre Mt 6, 1-6 16-18, 21.06.2017)

Leitura espiritual

RESUMOS DA FÉ CRISTÃ


TEMA 7 A elevação sobrenatural e o pecado original

Ao criar o homem, Deus constituiu-o num estado de santidade e de justiça; além disso, deu-lhe a possibilidade de participar na Sua vida divina, com o bom uso da sua liberdade.  

1. A elevação sobrenatural

Ao criar o homem, Deus constituiu-o num estado de santidade e de justiça, oferecendo-lhe a graça de uma autêntica participação na vida divina [i].
Assim interpretaram a Tradição e o Magistério ao longo dos séculos a descrição do Paraíso contida no Génesis.
Este estado denomina-se teologicamente elevação sobrenatural, pois indica um dom gratuito, inalcançável somente com as forças naturais, não exigido, embora congruente, com a criação do homem à imagem e semelhança de Deus.
Para a recta compreensão deste ponto há que ter em conta alguns aspectos:
a) Não convém separar a criação da elevação à ordem sobrenatural. A criação não é “neutra” a respeito da comunhão com Deus, mas está orientada para ela. A Igreja sempre ensinou que o fim do homem é sobrenatural [ii], pois fomos «eleitos em Cristo antes da criação do mundo para sermos santos» [iii].
Quer dizer, nunca existiu um estado de “natureza pura”, pois Deus desde o princípio oferece ao homem a Sua aliança de amor.

b) Embora o facto do fim do homem ser a amizade com Deus, a Revelação ensina-nos que, no princípio da história, o homem se rebelou e recusou a comunhão com o seu Criador: é o pecado original, também chamado queda, precisamente porque antes tinha sido elevado à proximidade divina.
Não obstante, ao perder a amizade com Deus, o homem não fica reduzido ao nada, mas continua a ser homem, criatura.

c) Isto ensina-nos que, embora não convenha conceber o desígnio divino em compartimentos estanques (como se Deus criasse primeiro um homem “completo” e depois “a seguir” o elevasse), hão-de distinguir-se, dentro do único projecto divino, diversas ordens [iv].

Baseada no facto de que o homem com o pecado perdeu alguns dons, mas conservou outros, a tradição cristã distinguiu a ordem sobrenatural (a chamada à amizade divina, cujos dons se perdem com o pecado) da ordem natural (o que Deus concedeu ao homem ao criá-lo e que permanece também, apesar do seu pecado).
Não são duas ordens justapostas ou independentes, pois de facto o natural está, desde o princípio, enxertado e orientado para o sobrenatural; e o sobrenatural aperfeiçoa o natural sem o anular.
Ao mesmo tempo distinguem-se, pois a história da salvação mostra que a gratuidade do dom divino da graça e da redenção é distinta da gratuidade do dom divino da criação, sendo aquela uma manifestação imensamente superior da misericórdia e do amor de Deus [v].

d) É difícil descrever o estado de inocência perdida de Adão e Eva [vi], sobre o qual há poucas afirmações no Génesis [vii].
Por isso, a tradição costuma caracterizar tal estado indirectamente, inferindo, a partir das consequências do pecado narrado em Gn 3, os dons de que gozavam os nossos primeiros pais, que deviam transmitir aos seus descendentes.
Assim, afirma-se que receberam os dons naturais, que correspondem à sua condição normal de criaturas e formam o seu ser criatural.
Receberam também os dons sobrenaturais, quer dizer, a graça santificante, a divinização que essa graça comporta e a chamada última à visão de Deus.
Com estes, a tradição cristã reconhece a existência no Paraíso dos “dons preternaturais”, ou seja, dons que não eram exigidos pela natureza humana, mas congruentes com ela, a aperfeiçoavam na linha natural, e constituíam, afinal, uma manifestação da graça.

Tais dons eram a imortalidade, a isenção de dor (impassibilidade) e o domínio da concupiscência (integridade) [viii], [ix].

2. O pecado original

Com o relato da transgressão humana do mandato divino de não comer do fruto da árvore proibida, por instigação da serpente [x], a Sagrada Escritura ensina que no início da história os nossos primeiros pais se rebelaram contra Deus desobedecendo-Lhe, sucumbindo à tentação de quererem ser como deuses.
Como consequência, receberam o castigo divino, perdendo grande parte dos dons que lhes tinham sido concedidos [xi] e foram expulsos do paraíso [xii].

Isto foi interpretado pela tradição cristã como a perda dos dons sobrenaturais e preternaturais, bem como um dano na própria natureza humana, se bem que não ficasse essencialmente corrompida.
Fruto da desobediência, de se preferirem antes si próprios em vez de Deus, o homem perde a graça [xiii] e também a harmonia com a criação e consigo mesmo: o sofrimento e a morte fazem a sua entrada na história [xiv].

O primeiro pecado teve o carácter de uma tentação aceite, pois por detrás da desobediência humana está a voz da serpente, que representa Satanás, o anjo caído.
A Revelação fala de um pecado anterior, seu e de outros anjos, os quais – tendo sido criados bons – recusaram irrevogavelmente Deus.
Após o pecado humano, a criação e a história ficam sob o influxo maléfico do «pai da mentira e homicida desde o princípio» [xv].
Embora o seu poder não seja infinito, mas muito inferior ao divino, causa realmente danos muito graves em cada pessoa e na sociedade, e o facto da permissão divina da actividade diabólica não deixa de constituir um mistério [xvi].
O relato contém também a promessa divina dum Redentor [xvii].
A Redenção ilumina assim o alcance e a gravidade da queda humana, mostrando a maravilha do amor de um Deus que não abandona a sua criatura, mas que vem ao seu encontro com a obra salvadora de Jesus.
«É preciso conhecer Cristo como fonte da graça para conhecer Adão como fonte do pecado» [xviii].
«”O mistério da iniquidade” [xix] só se esclarece à luz do “Mistério da piedade” [xx]» [xxi].

A Igreja entendeu sempre este episódio como um facto histórico – mesmo que nos tenha sido transmitido em linguagem certamente simbólica [xxii] –, que foi denominado tradicionalmente (a partir de Santo Agostinho) como “pecado original”, por ter ocorrido nas origens.

O pecado não é “originário” – mesmo que “originante” dos pecados pessoais realizados na história –, mas entrou no mundo como fruto do mau uso da liberdade exercida pelas criaturas (primeiro os anjos, depois o homem).

O mal moral não pertence, pois, à estrutura humana, não provém nem da natureza social do homem, nem da sua materialidade, nem, obviamente, sequer de Deus, ou de um destino inamovível.

O realismo cristão põe o homem diante da sua própria responsabilidade: pode fazer o mal como fruto da sua liberdade, e o responsável por isso não é outro, mas ele próprio [xxiii].
 Ao longo da história, a Igreja formulou o dogma do pecado original em contraste com o optimismo exagerado e o pessimismo existencial [xxiv].

Face a Pelágio, que afirmava que o homem pode realizar o bem usando apenas as suas forças naturais, e que a graça é uma mera ajuda externa, minimizando, assim, quer o alcance do pecado de Adão, quer a redenção de Cristo – reduzidos a um mero mau ou bom exemplo, respectivamente –, o Concilio de Cartago (418), seguindo Santo Agostinho, ensinou a prioridade absoluta da graça, pois o homem depois do pecado ficou debilitado [xxv].

Contra Lutero, que defendia que depois do pecado o homem está essencialmente corrompido na sua natureza, que a sua liberdade fica anulada e que em tudo o que faz há pecado, o Concílio de Trento (1546) afirmou a relevância ontológica do baptismo, que apaga o pecado original; embora permaneçam as suas sequelas – entre elas, a concupiscência, que não se há-de identificar, como fazia Lutero, com o próprio pecado – o homem é livre nos seus actos e pode merecer com obras boas, apoiadas pela graça [xxvi].

Santiago Sanz

Bibliografia básica:

Catecismo da Igreja Católica, 374-421. Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, 72-78. João Paulo II, Creo en Dios Padre. Catequesis sobre el Credo (I), Palabra, Madrid 1996, 219 seg. DS, n. 222-231; 370-395; 1510-1516; 4313. Leituras recomendadas João Paulo II, Memória e Identidad e, Bertrand Editora, Lisboa 2005. Bento XVI, Homilia, 8-XII-2005. Joseph Ratzinger, Creación y pecado, Eunsa, Pamplona 1992.

Notas:






[i] cf. Catecismo, 374, 375
[ii] cf. DS 3005
[iii] Ef 1,4).
[iv] O Concílio de Trento não diz que o homem foi criado na graça, mas constituído, precisamente para evitar a confusão de natureza e graça (cf. DS 1511).
[v] Precisamente por isto se aventou a hipótese teológica da “natureza pura”, para sublinhar a ulterior gratuidade do dom da graça a respeito da criação. Não porque tal estado se tenha verificado historicamente, mas porque em teoria podia ter-se dado, embora de facto assim não seja. Esta doutrina foi estabelecida contra Bayo, uma das suas teses condenadas dizia: «a integridade da primeira criação não foi exaltação indevida da natureza humana, mas a sua condição natural» (DS 1926).
[vi] Esta dificuldade aumenta actualmente devido à influência de uma visão de tipo evolucionista da totalidade do ser humano. Numa visão desse tipo, a realidade evolui sempre de menos para mais, enquanto que a Revelação nos ensina que houve no começo da história uma queda de um estado superior para outro inferior. Isto não quer dizer que não tenha existido um processo de “hominização”, que há que distinguir da “humanização”.
[vii] cf. Gn 1,26-31; 2,7-8.15-25
[viii] cf. Catecismo, 376
[ix] Sobre a imortalidade, que se há-de entender com Santo Agostinho como um não poder morrer (non posse mori), mas um poder não morrer (posse non mori ), é lícito interpretá-la como uma situação na qual o trânsito para um estado definitivo não fosse experimentado com o dramatismo próprio da morte que o homem padece depois do pecado. O sofrimento é sinal e antecipação da morte e por isso a imortalidade trazia com ela, de alguma maneira, a ausência de dor. Isto implicava, também, um estado de integridade no qual o homem dominava sem dificuldade as suas paixões. Tradicionalmente, costuma acrescentar-se um quarto dom, o da ciência, proporcionada ao estado em que se encontravam.
[x] Gn 3,1-13
[xi] vv. 16-19
[xii] v. 23
[xiii] cf. Catecismo, 398399
[xiv] cf. Catecismo, 399-400
[xv] Jo 8,44
[xvi] cf. Catecismo, 391-395
[xvii] Gn 3,15
[xviii] Catecismo, 388
[xix] 2 Ts 2,7
[xx] 1 Tm 3,16
[xxi] Catecismo, 385
[xxii] cf. Catecismo, 390
[xxiii] cf. Catecismo, 387
[xxiv] cf. Catecismo, 406
[xxv] cf. DS 223.227; cf. também o Concilio II de Orange, no ano 529: DS 371-372
[xxvi] cf. DS 1511-1515

Devoción a la Virgen


Una Virgen sonriente se formó en el cristal sin explicación: la Señora de Absam

Pequena agenda do cristão

Quarta-Feira



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)






Propósito:

Simplicidade e modéstia.


Senhor, ajuda-me a ser simples, a despir-me da minha “importância”, a ser contido no meu comportamento e nos meus desejos, deixando-me de quimeras e sonhos de grandeza e proeminência.


Lembrar-me:
Do meu Anjo da Guarda.


Senhor, ajuda-me a lembrar-me do meu Anjo da Guarda, que eu não despreze companhia tão excelente. Ele está sempre a meu lado, vela por mim, alegra-se com as minhas alegrias e entristece-se com as minhas faltas.

Anjo da minha Guarda, perdoa-me a falta de correspondência ao teu interesse e protecção, a tua disponibilidade permanente. Perdoa-me ser tão mesquinho na retribuição de tantos favores recebidos.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?







13/02/2018

Maria, Rainha da Paz

Maria, Regina pacis, Rainha da Paz, porque tiveste fé e acreditaste que se cumpriria o anúncio do Anjo, ajuda-nos a aumentar a Fé, a sermos firmes na Esperança, a aprofundar o Amor. Porque é isso que quer hoje de nós o teu Filho, ao mostrar-nos o seu Sacratíssimo Coração. (Cristo que passa, 170).

Característica evidente de um homem de Deus, de uma mulher de Deus, é a paz na alma: tem "a paz" e dá "a paz" às pessoas com quem convive. (Forja, 649).


Não é lícito escudar-se em razões aparentemente piedosas para espoliar os outros do que lhes pertence: Se alguém diz: "Eu amo a Deus" mas odeia o seu irmão, é mentiroso. Mas também se engana a si mesmo quem regateia ao Senhor o amor e a reverência – a adoração – que lhe são devidos como Criador e nosso Pai; a quem se nega a obedecer aos seus mandamentos com a falsa desculpa de que algum deles é incompatível com o serviço dos homens claramente adverte S. João que nisto conhecemos que amamos os filhos de Deus: Se amamos a Deus e guardamos os seus mandamentos. Porque o amor de Deus consiste em guardar os seus mandamentos; e os seus mandamentos não são pesados. (Amigos de Deus, n. 166)

Temas para meditar e reflectir

Inquietação


Deixar que a inquietação - seja porque motivo for nos domine o espírito ou até nos tire o sono, não é tão incomum como pode julgar-se.

É difícil combater este estado de espírito e embora todos os conselhos vão no sentido de procurar uma ocupação ou outros pensamentos, nem sempre resulta.

Há, no entanto, algo que resulta: Pedir auxílio ao Anjo da Guarda.

Sei-o, por experiência própria, que resulta!

A "capacidade" do nosso Anjo da Guarda agir para nos proteger de algo que não nos faz bem - nos faz sofrer - sobretudo quando tal se deve ao nosso espírito, está como que "alojado" no nosso coração, é extra­ordinária e muitíssimo rápida.

Há, porém, uma condição: Temos de lho pedir expressando exactamente o que queremos porque o Anjo não sabe, não pode saber, o que vai no nosso íntimo a menos que lho digamos ou façamos saber por sinais inequívocos.



(ama, reflexões, 2016.11.16)

Evangelho e comentário

Tempo Comum

Evangelho: Mc 8, 14-21

14 Os discípulos tinham-se esquecido de levar pães e só traziam um pão no barco. 15 Jesus começou a avisá-los, dizendo: «Olhai: tomai cuidado com o fermento dos fariseus e com o fermento de Herodes.» 16 E eles discorriam entre si: «Não temos pão.» 17 Mas Ele, percebendo-o, disse: «Porque estais a discorrer que não tendes pão? Ainda não entendestes nem compreendestes? Tendes o vosso coração endurecido? 18 Tendes olhos e não vedes, tendes ouvidos e não ouvis? E não vos lembrais 19 de quantos cestos cheios de pedaços recolhestes, quando parti os cinco pães para aqueles cinco mil?» Responderam: «Doze.» 20 «E quando parti os sete pães para os quatro mil, quantos cestos cheios de bocados recolhestes?» Responderam: «Sete.» 21 Disse-lhes então: «Ainda não compreendeis?»

Comentários:


Jesus confirma duas multiplicações de pães e de peixes.

Milagres extraordinários que deveriam ter deixado os discípulos “esmagados” com a prova do poder divino de Jesus.

E, no entanto, São Pedro terá insistido com São Marcos para que fizesse constar no Evangelho esta ocorrência que relata e põe a nu a fraqueza da fé dos Apóstolos, as suas dúvidas e insegurança.

Como devemos estar gratos ao Príncipe dos Apóstolos e ao Evangelista darem-nos este exemplo de humildade em que se revelam homens comuns – como nós – sem nenhuns predicados nem conhecimentos especiais.

(AMA, comentário sobre Mc 8, 14-21, 17.10.20179.


Leitura espiritual

RESUMOS DA FÉ CRISTÃ

TEMA 6 A Criação

2. A realidade criada

2.3. O homem

A pessoa humana goza de peculiar posição na obra criadora de Deus, ao participar, ao mesmo tempo, da realidade material e espiritual.
A Escritura só nos diz que Deus o criou «à Sua imagem e semelhança» [i].
Foi posto por Deus à cabeça da realidade visível e goza de uma dignidade especial, pois «de todas as criaturas visíveis, só o homem é capaz de conhecer e amar o seu Criador; é a única criatura sobre a terra que Deus quis por si mesma; só ele é chamado a partilhar, pelo conhecimento e pelo amor, a vida de Deus.
Com este fim foi criado e tal é a razão fundamental da sua dignidade» [ii].

Homem e mulher, na sua diversidade e complementaridade, queridas por Deus, gozam da mesma dignidade de pessoas [iii].
Em ambos, se dá a união substancial de corpo e alma, sendo esta a forma do corpo. Por ser espiritual, a alma humana é criada de modo imediato por Deus – e não “produzida” pelos pais, nem sequer é preexistente – e é imortal [iv].

Os dois pontos, espiritualidade e imortalidade, podem ser demonstrados filosoficamente.
Portanto, é um reducionismo afirmar que o homem procede exclusivamente da evolução biológica (evolucionismo absoluto).
Na realidade, há saltos ontológicos que não podem explicar-se apenas com a evolução.
A consciência moral e a liberdade do homem, por exemplo, manifestam a sua superioridade sobre o mundo material e são a amostra da sua especial dignidade.
A verdade da criação ajuda a superar quer a negação da liberdade – determinismo – quer o extremo contrário de uma exaltação indevida da mesma: a liberdade humana é criada, não absoluta e existe na mútua dependência com a verdade e o bem.

O sonho de uma liberdade como puro poder e arbitrariedade corresponde a uma imagem deformada, não só do homem, mas, também, de Deus.

Mediante a sua actividade e o seu trabalho, o homem participa do poder criador de Deus [v].

Além disso, a sua inteligência e vontade são uma participação, uma chispa, da sabedoria e amor divinos.
Enquanto o resto do mundo visível é um mero vestígio da Trindade, o ser humano constitui uma autêntica imagem, imago Trinitatis.

3. Algumas consequências práticas da verdade sobre a criação

A radicalidade da acção criadora e salvadora de Deus exige do homem uma resposta que tenha esse mesmo carácter de totalidade: “amarás o Senhor teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma, com todas as tuas forças” [vi].

É nesta correspondência que se encontra a verdadeira felicidade, o único que preenche plenamente a sua liberdade.
Ao mesmo tempo, a universalidade da acção divina tem um sentido intensivo e extensivo: Deus cria e salva todo o homem e todos os homens.

Corresponder à chamada de Deus, a amá-Lo com todo o nosso ser está intrinsecamente unido a levar o Seu amor a todo o mundo [vii].

O conhecimento e admiração do poder, sabedoria e amor divinos conduz o homem a uma atitude de reverência, adoração e humildade, a viver na presença de Deus sabendo-se filho seu.
Ao mesmo tempo, a fé na providência leva o cristão a uma atitude de confiança filial em Deus em todas as circunstâncias: com agradecimento diante dos bens recebidos e com simples abandono frente ao que possa parecer mau, pois Deus retira dos males bens maiores.

Consciente de que tudo foi criado para a glória de Deus, o cristão procura conduzir-se em todas as suas acções procurando o fim verdadeiro que enche a sua vida de felicidade: a glória de Deus, não a própria vanglória.

Esforça-se por rectificar a intenção nas suas acções, de modo que possa dizer-se que o único fim da sua vida é este:
Deo omnis gloria! [viii]

Deus quis pôr o homem à frente da Sua criação outorgando-lhe o domínio sobre o mundo, de maneira que a aperfeiçoe com o seu trabalho.
A actividade humana pode ser, portanto, considerada como uma participação na obra criadora divina.
A grandeza e beleza das criaturas suscita nas pessoas admiração e desperta nelas a questão sobre a origem e o destino do mundo e do homem, fazendo-se entrever a realidade do seu Criador.
O cristão, no seu diálogo com os não crentes, pode suscitar estas questões para que as inteligências e os corações se abram à luz do Criador.
Da mesma forma, no seu diálogo com os crentes das diversas religiões, o cristão encontra na verdade da criação um excelente ponto de partida, pois trata-se de uma verdade em parte partilhada e que constitui a base para a afirmação de alguns valores morais fundamentais da pessoa.

Santiago Sanz

Bibliografia básica:
Catecismo da Igreja Católica, 279-374. Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, 51-72. DS, n. 125, 150, 800, 806, 1333, 3000-3007, 3021-3026, 4319, 4336, 4341. Concílio Vaticano II, Gaudium et Spes, 10-18, 19-21, 36-39. João Paulo II, Creo en Dios Padre. Catequesis sobre el Credo (I), Palabra, Madrid 1996, 181-218. Leituras recomendadas Santo Agostinho, Confissões, livro XII. São Tomás de Aquino, Summa Theologiae, I, qq. 44-46. São Josemaria, Homilia «Amar o mundo apaixonadamente» em Temas Actuais do Cristianismo, 113-123. Joseph Ratzinger, Creación y pecado, Eunsa, Pamplona 1992. João Paulo II, Memória e Identidade, Bertrand Editora, Lisboa 2005.
Notas:




[i] Gn 1, 26
[ii] Catecismo, 356; cf. ibidem, 17011703
[iii] cf. Catecismo, 357, 369, 372
[iv] cf. Catecismo, 366
[v] cf. São Josemaria, Amigos de Deus, 57.
[vi] Dt 6, 5; cf. Mt 22, 37; Mc 12, 30; Lc 10, 27).
[vii] Que o apostolado é superabundância da vida interior (cf. São Josemaria, Caminho, 961), manifesta-se como a correlação da dinâmica ad intra – ad extra do actuar divino, quer dizer, da intensidade do ser, da sabedoria e do amor trinitário que transborda para as suas criaturas.
[viii] cf. São Josemaria, Caminho, 780; Sulco, 647; Forja, 611, 639, 1051