25/11/2016

Fazer da tua vida diária um testemunho de Fé

Muitas realidades materiais, técnicas, económicas, sociais, políticas, culturais..., abandonadas a si mesmas, ou nas mãos de quem carece da luz da nossa fé, convertem-se em obstáculos formidáveis à vida sobrenatural: formam como que um couto cerrado e hostil à Igreja. Tu, por seres cristão – investigador, literato, cientista, político, trabalhador... –, tens o dever de santificar essas realidades. Lembra-te de que o universo inteiro – escreve o Apóstolo – está a gemer como que em dores de parto... esperando a libertação dos filhos de Deus. (Sulco, 311)


Já falámos muito deste tema noutras ocasiões, mas permiti-me insistir de novo na naturalidade e na simplicidade da vida de S. José, que não se distinguia da dos seus vizinhos nem levantava barreiras desnecessárias.

Por isso, ainda que possa ser conveniente nalguns momentos ou em algumas situações, habitualmente não gosto de falar de operários católicos, de engenheiros católicos, de médicos católicos, etc., como se se tratasse de uma espécie dentro dum género, como se os católicos formassem um grupinho separado dos outros, dando assim a sensação de que existe um fosso entre os cristãos e o resto da humanidade. Respeito a opinião oposta, mas penso que é muito mais correcto falar de operários que são católicos, ou de católicos que são operários; de engenheiros que são católicos ou de católicos que são engenheiros. Porque o homem que tem fé e exerce uma profissão intelectual, técnica ou manual, está e sente-se unido aos outros, igual aos outros, com os mesmos direitos e obrigações, com o mesmo desejo de melhorar, com o mesmo empenho de se enfrentar com os problemas comuns e de lhes encontrar a solução.

O católico, assumindo tudo isto, saberá fazer da sua vida diária um testemunho de Fé, de Esperança e de Caridade; testemunho simples, normal, sem necessidade de manifestações aparatosas, pondo de manifesto – com a coerência da sua vida – a presença constante da Igreja no mundo, visto que todos os católicos são, eles mesmos, Igreja, pois são membros, com pleno direito, do único Povo de Deus. (Cristo que passa, 53)


Reflectindo - 212

Juízo Particular

Estar preparado para Juízo Particular que ocorre logo a pós a nossa morte é uma atitude várias vezes recomendada por Jesus Cristo na Sua pregação:

«Vigiai e orai; estai preparados porque não sabeis o dia nem a hora...» querendo com isto dizer-nos que é agora, hoje, e não depois, amanhã ou noutro tempo qualquer que temos de nos preparar.

Sem temor, sem medo, receio ou inquietação, mas com verdadeiro espírito previdente e avisado.

(AMA, Reflexões sobre os Novíssimos - Juízo, 2010.10.24)


Evangelho e comentário

Tempo Comum

Evangelho: Lc 21, 29-33

29 Acrescentou esta comparação: «Vede a figueira e todas as árvores. 30 Quando come.çam a desabrochar, conheceis que está perto o Verão. 31 Assim, também, quando virdes que acontecem estas coisas, sabei que está próximo o reino de Deus. 32 Em verdade vos digo que não passará esta geração sem que todas estas coisas se cumpram. 33 Passará o céu e a terra, mas as Minhas palavras não hão-de passar.

Comentário:

Os comentários pouco podem variar porque a Doutrina, o Evangelho, também não mudam.

Talvez seja preferível que em lugar de elucubrações mais ou menos profundas nos disponhamos antes a ler uma e outra vez estes trechos.

Seguramente, descobriremos novos "ângulos" de meditação que nos levem à correção de vida que sempre necessitamos fazer.

(ama, comentário sobre Lc 21, 29-33, 27.11.2015)





Leitura espiritual


DE MAGISTRO

(DO MESTRE)

CAPÍTULO VII

RESUMO DOS CAPÍTULOS ANTERIORES

000/2

– Com isso ficou estabelecido que: ou se mostram sinais com sinais ou, com sinais, indicam-se coisas que o não são; ou então, sem sinais podemos mostrar as coisas que podemos fazer depois de interrogados. Desses três casos, consideramos e discutimos com mais detalhes o primeiro. Por esta discussão, ficou esclarecido que existem sinais que não podem, por seu turno, receber significado pelos sinais que eles significam, como ocorre no caso do quadrissílabo “coniunctio” (conjunção); ao passo que existem outros que o podem, como no caso de “sinal”, e entendemos que significa também “palavra”, pois sinal e palavra são dois sinais e duas palavras (sinal-palavra, palavra-sinal). Neste caso em que os sinais têm significado mútuo, demonstramos também que uns não têm o mesmo valor, outros o têm igual, e outros finalmente são idênticos.

Assim, quando pronunciamos o dissílabo “sinal”, certamente nos referimos a todos os sinais que podem indicar ou significar uma coisa; mas, se dizemos “palavra”, esta não se refere a todos os sinais, mas apenas aos que se pronunciam articulando a voz. Donde ficou claro que embora “palavra” seja indicada com um sinal, e “sinal” (signun) com “palavra” (verbum); isto é; estas duas sílabas por aquelas e aquelas por estas – todavia, “sinal” vale mais que “palavra”, porque aquelas duas sílabas (sinal) têm sentido mais amplo que estas (palavras). Porém “palavra” em geral e “nome” em geral, têm o mesmo valor. Pelo raciocínio, vimos que todas as partes da oração também são nomes, sendo que a todas podemos substituir pelo pronome e de todas podemos dizer que “nomeiam” algo, e todas elas formam, se lhe acrescentarmos o verbo, uma proposição ou um enunciado completo. Mas, apesar de “nome” e “palavra” terem o mesmo valor, pois tudo o que é “palavra” é “nome”, entretanto não são idênticos.
Observamos, na nossa discussão, com muita probabilidade, que a razão por que se diz “verba” (palavras) difere da outra por que se diz “nomina” (nomes). “Verba” diz respeito à percussão (verberatio) do ouvido, e “nomina” ao conhecimento (commemoratio: notio, noscere) do espírito; por isso, é correcto dizer qual é o “nome” desta coisa desejando gravá-la na memória, e não usamos, ao contrário, “palavra”.
Entre os sinais que não têm o mesmo valor, mas são completamente idênticos, diferenciando-se só pelo som das letras, encontramos “nomen” (nome) e ónoma (nome).

Quanto a esse género de sinais com significado recíproco, entendi que não encontramos nenhum sinal que, além de significar os outros, não significasse também a si mesmo.

Eis tudo o que pude recordar. Tu, que, nesta discussão, apenas falaste sabendo e tendo a certeza, poderás avaliar se meu resumo está correcto e ordenado.

CAPÍTULO VIII

NÃO SE DISCUTEM INUTILMENTE ESTAS QUESTÕES.
ASSIM, PARA RESPONDER ÀQUELE QUE INTERROGA,
DEVEMOS DIRIGIR A MENTE,
DEPOIS DE PERCEBER OS SINAIS,
ÀS COISAS QUE ESTES SIGNIFICAM

AGOSTINHO

– Certamente resumiste com acerto tudo o que eu queria, e devo admitir que estas argumentações me parecem mais claras agora do que quando, disputando nas nossas indagações, as tirávamos de não sei que esconderijos. Contudo, aonde quero levar-te por meio de tantas voltas e rodeios é difícil dizer neste momento. Talvez julgues que foi mero divertimento, ou que nos afastamos das coisas sérias com questões menores, buscando nisso, quando muito, uma utilidade por pequena e medíocre que seja; ora, se estas discussões tivessem que gerar algo de grande ou importante, seria bom que o soubesses agora, ou, ao menos, ter disto um vislumbre.
Todavia, eu gostaria que, antes de mais nada, não julgasses eu ter feito contigo uma brincadeira inoportuna; embora às vezes usando de tom jocoso, a minha brincadeira jamais deverá ser tida como infantil, pois eu nunca visei bens pequenos ou medíocres. No entanto, se te dissesse que era precisamente a eterna bem-aventurança para onde, com a ajuda de Deus, isto é, da própria verdade, pretendia conduzir-te com passos pequenos, ajustados ao nosso pé vacilante, recearia parecer ridículo por ter começado com um caminho tão longo, não em consideração às próprias coisas que são significativas, mas aos sinais. Espero que me perdoes, portanto, se quis fazer contigo uma espécie de prelúdio, não para brincar, e sim para treinar a agilidade e a agudeza da mente, que nos facultarão mais tarde não só suportar, mas também amar a luz e o calor daquela região da vida bem-aventurada.

ADEODATO

– Continua por esta senda, pois eu não julgaria desprezível ou de pouco valor qualquer coisa que digas ou faças.

AGOSTINHO

– Então, continuemos!
Retomemos aquela parte da nossa discussão sobre os sinais que não significam outros sinais, aquelas coisas que chamamos “significáveis”.
 Em primeiro lugar, diz-me se “homem é homem”.

ADEODATO

– Agora, na verdade, não sei se estás brincando.

AGOSTINHO

– Porquê?

ADEODATO

– Porque me estás perguntando se o “homem” é diferente de “homem”.

AGOSTINHO

– E julgarias também que estou a zombar de ti se te perguntasse se a primeira sílaba deste nome é mesmo “ho” e a segunda “mem”?

ADEODATO

– Certamente.

AGOSTINHO

– Mas negarás que estas duas sílabas dêem “homem”?

ADEODATO

– E como negar?

AGOSTINHO

– Pergunto, pois, se és o mesmo que estas duas sílabas unidas.

ADEODATO

– De maneira alguma. Porém percebo agora onde queres chegar.

AGOSTINHO

– Fala, então, uma vez que não crês tratar-se de zombaria.

ADEODATO

– Julgas, talvez, que se possa concluir que não sou “homem”?

AGOSTINHO

– Mas diz-me, não pensas o mesmo, já que concordaste ser verdade tudo o que foi dito e de onde se tira essa conclusão?

ADEODATO

– Não vou manifestar o meu pensamento antes de ouvir de ti qual a intenção da pergunta “se é homem é homem”; te referias às duas sílabas ou ao seu significado?

AGOSTINHO

– Antes, responde-me qual o sentido em que tomaste a minha pergunta: pois, se é ambígua, devias precaver-te e não responder antes de ter certeza quanto ao sentido da minha pergunta.

ADEODATO

– E porque me seria obstáculo esta ambiguidade, uma vez que respondi num sentindo e no outro? Naturalmente que homem é homem, e estas duas sílabas nada mais são do que duas sílabas, e o que elas significam nada mais é do que é (homem).

AGOSTINHO

– Brilhante a tua resposta: mas por que tomaste nos dois sentidos apenas (o que se diz) “homem” e não as demais coisas de que falamos?

ADEODATO

– E de que modo poderia me persuadir de que não tomei assim das outras?

AGOSTINHO

– Se tivesses tomado apenas a minha primeira pergunta só no aspecto do som das sílabas, não me terias respondido nada, pois até poderia parecer-te que nada houvesse indagado; mas, como fiz repercutir no teu ouvido três palavras, uma das quais repeti no meio, dizendo:
utrum homo homo sit” (se homem é homem), tu tomaste a primeira e a segunda palavra não conforme os mesmos sinais, mas pelo que elas significam, coisa evidenciada pelo simples facto de que te ocorreu de imediato dever responder à minha pergunta com rapidez e desembaraço.

ADEODATO

– Dizes a verdade.


(Revisão de versão portuguesa por ama

Lições de São João Paulo II - 1

Lições de São João Paulo II

1 – A verdade é que estamos perante uma objectiva “conjura contra a vida” que vê também implicadas Instituições Internacionais, empenhadas a encorajar e programar verdadeiras e próprias campanhas para difundir a contracepção, a esterilização e o aborto.


(12 Lições de são joão paulo II)


(revisão da versão portuguesa por ama)

Pequena agenda do cristão


Sexta-Feira


(Coisas muito simples, curtas, objectivas)


Propósito:

Contenção; alguma privação; ser humilde.


Senhor: Ajuda-me a ser contido, a privar-me de algo por pouco que seja, a ser humilde. Sou formado por este barro duro e seco que é o meu carácter, mas não Te importes, Senhor, não Te importes com este barro que não vale nada. Parte-o, esfrangalha-o nas Tuas mãos amorosas e, estou certo, daí sairá algo que se possa - que Tu possas - aproveitar. Não dês importância à minha prosápia, à minha vaidade, ao meu desejo incontido de protagonismo e evidência. Não sei nada, não posso nada, não tenho nada, não valho nada, não sou absolutamente nada.

Lembrar-me:
Filiação divina.

Ser Teu filho Senhor! De tal modo desejo que esta realidade tome posse de mim, que me entrego totalmente nas Tuas mãos amorosas de Pai misericordioso, e embora não saiba bem para que me queres, para que queres como filho a alguém como eu, entrego-me confiante que me conheces profundamente, com todos os meus defeitos e pequenas virtudes e é assim, e não de outro modo, que me queres ao pé de Ti. Não me afastes, Senhor. Eu sei que Tu não me afastarás nunca. Peço-Te que não permitas que alguma vez, nem por breves instantes, seja eu a afastar-me de Ti.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?





24/11/2016

Não há razão para que a Igreja e o Estado choquem

Não é verdade que haja oposição entre ser bom católico e servir fielmente a sociedade civil. Como não há razão para que a Igreja e o Estado choquem no exercício legítimo das respectivas autoridades, em cumprimento da missão que Deus lhes confiou. Mentem (isso mesmo: mentem!) os que afirmam o contrário. São os mesmos que, em aras de uma falsa liberdade, quereriam "amavelmente" que os católicos voltassem às catacumbas. (Sulco, 301)

Tendes de difundir por toda a parte uma verdadeira mentalidade laical, que há-de levar os cristãos a três consequências:

– a serem suficientemente honrados para arcarem com a sua responsabilidade pessoal;

– a serem suficientemente cristãos para respeitarem os seus irmãos na fé que proponham – em matérias discutíveis – soluções diversas das suas

– e a serem suficientemente católicos para não se servirem da Igreja, nossa Mãe, misturando-a com partidarismos humanos.

Vê-se claramente que, neste terreno como em todos, não poderíeis realizar o programa de viver santamente a vida diária se não gozásseis de toda a liberdade que vos é reconhecida – simultaneamente – pela Igreja e pela vossa dignidade de homens e de mulheres criados à imagem de Deus. A liberdade pessoal é essencial para a vida cristã. Mas não vos esqueçais, meus filhos, de que falo sempre de uma liberdade responsável.


Interpretai, portanto, as minhas palavras como o que são: um chamamento a exercerdes – diariamente!, não apenas em situações de emergência – os vossos direitos; e a cumprirdes nobremente as vossas obrigações como cidadãos – na vida política, na vida económica, na vida universitária, na vida profissional –, assumindo com coragem todas as consequências das vossas decisões, arcando com a independência pessoal que vos corresponde. E essa mentalidade laical cristã permitir-vos-á fugir de toda a intolerância, de todo o fanatismo. Di-lo-ei de um modo positivo: far-vos-á conviver em paz com todos os vossos concidadãos e fomentar também a convivência nos diversos sectores da vida social. (Temas Actuais do Cristianismo, n. 117)

Temas para meditar - 670

União


A união provocada pelo amor sobrenatural é mais firme e intensa (embora careça de uma fisionomia sensível) que todas as relações humanas. 

Por isso, no fim de contas, estão mais unidos e próximos dois cristãos que vivem em graça e jamais se viram, do que pai e filho, se um deles se encontra em pecado; e a união será tanto maior quanto maior for a intensidade do amor de Deus que possuam as suas almas.

federico suarez A Virgem Nossa Senhora Éfeso 4ª Ed. nr. 150

Evangelho e comentário

Tempo Comum

Evangelho: Lc 21, 20-28

21 Os que então estiverem na Judeia, fujam para os montes; os que estiverem no meio da cidade, retirem-se; os que estiverem nos campos, não entrem nela; 22 porque estes são dias de vingança, para que se cumpram todas as coisas que estão escritas. 23 Ai das mulheres grávidas, e das que amamentarem naqueles dias!, porque haverá grande angústia sobre a terra e ira contra este povo. 24 Cairão ao fio da espada, serão levados cativos a todas as nações e Jerusalém será calcada pelos gentios, até se completarem os tempos dos gentios. 25 «Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas. Na terra haverá consternação dos povos pela confusão do bramido do mar e das ondas, 26 morrendo os homens de susto, na expectativa do que virá sobre toda a terra, porque as próprias forças celestes serão abaladas. 27 Então verão o Filho do Homem vir sobre uma nuvem com grande poder e majestade. 28 Quando começarem, pois, a suceder estas coisas, erguei-vos e levantai as vossas cabeças, porque está próxima a vossa libertação»

Comentário:

Quase às portas do Advento, a Liturgia, desta vez pela pena de São Lucas, repete uma vez mais insistindo nos temas da Escatologia, verdades da nossa fé cristã, como aviso nunca por demais repetido da urgente necessidade de revisão de vida, vigilância perseverante, preparação para o que sabemos há-de vir.

Nunca nos poderemos queixar ter sido abandonados e sem guia, bem ao contrário.


(ama, comentário sobre Lc 21, 20-28, 26.11.2015)

Leitura espiritual


DE MAGISTRO

(DO MESTRE)

CAPÍTULO VI

SINAIS QUE SE SIGNIFICAM A SI MESMOS

AGOSTINHO

– Vamos em frente, e diz-me se te parece que, assim como concordamos que todas as palavras são nomes, e todos os nomes, palavras, também te parece que todos os nomes são vocábulos e todos os vocábulos nomes.

ADEODATO

– Não encontro entre eles outra diferença senão a do som das sílabas.

AGOSTINHO

– Por enquanto, aceito, embora não faltem os que vêm entre eles diferença de significado, o que não vem ao caso discutirmos agora. Porém, com certeza compreendes que chegamos àqueles sinais que tem significado recíproco, noutra diferença que a do som, e àqueles que se significam a si mesmos junto com as demais partes da oração.

ADEODATO

– Por ora não entendo.

AGOSTINHO

– Não compreendes então que “nome” significa “vocábulo” e “vocábulo” “nome”, e que assim – além do seu som – não há outra diferença entre eles quanto ao nome em geral; mas que, quanto a ser nome em particular, trata-se de uma das oitos partes da oração, sem que naturalmente inclua as outras sete.

ADEODATO

– Compreendo.

AGOSTINHO

– Contudo, era isso mesmo que estava dizendo quando afirmava que vocábulo e nome significam-se reciprocamente.

ADEODATO

– Entendo, mas o que querias dizer com as palavras “significam a si mesmos junto com as demais partes da oração”?

AGOSTINHO

– Acaso a discussão anterior não nos provou que todas as partes da oração podem chamar-se tanto nomes como vocábulos, isto é, podem ser significadas pelos termos de “nome” e de “vocábulo”?

ADEODATO

– Certamente.

AGOSTINHO

– Se te indagasse como chamas o nome em si mesmo, isto é, o som expresso por estas duas sílabas, seria correto me responder “nome”?

ADEODATO

– Seria correcto.

AGOSTINHO

– E significará a si mesmo, talvez, o sinal com quatro sílabas, quando proferimos “coniunctio” (conjunção)? Não; porque este termo não pode ser incluído entre as coisas que significa.

ADEODATO

– Compreendo perfeitamente.

AGOSTINHO

– E foi isso que antes afirmamos: que o nome se significa a si mesmo tanto quanto os outros nomes que significa; o que podes chamar também do “vocábulo”.

ADEODATO

– Sim, está fácil; agora porém ocorre-me que o termo “nome” pode ser tomado em sentido geral ou particular, enquanto “vocábulo”, ao contrário, não é uma das oito partes da oração; parece-me, pois, que os dois termos são diferentes não só pelo som, mas também por isso.

AGOSTINHO

– Acreditas que “nomem” (nome) e “ónoma” (nome) tenham algo mais diferente que o som, que também distingue a língua grega da latina?

ADEODATO

– Neste caso, sinceramente, nada mais encontro.

AGOSTINHO

– Chegamos, então, àqueles sinais que, além de significantes a si mesmos, com inteira reciprocidade um significa o outro, ou seja, os seus significados mutuamente se significam. Assim, o que este significa também aquele significa e vice-versa, tendo por diferença entre si apenas o som; este quarto caso, nós o encontramos agora: os três anteriores referem-se a “nome” e “palavra”.

ADEODATO

– Chegamos.

CAPÍTULO VII

RESUMO DOS CAPÍTULOS ANTERIORES

AGOSTINHO

– Desejaria que fizesses um resumo do que apuramos em nossa discussão.

ADEODATO

– Farei o que puder. Antes de mais nada, lembro que por certo tempo indagamos da razão por que se fala, e achamos que se fala para ensinar ou para recordar. Pois, mesmo quando interrogamos, nada mais pretendemos do que fazer saber ao interlocutor o que dele queremos ouvir. Depois vimos que, ao cantar, o som que emitimos apenas por prazer não pertence propriamente à locução; e quando na oração nos dirigimos a Deus, a quem não se pode ensinar ou recordar algo, o valor das palavras está em admoestar a nós mesmos ou, mediante nós, admoestar e instruir aos outros. A seguir, após teres demonstrado o bastante que as palavras nada mais são do que sinais e que não pode existir sinal que não tenha significado, propuseste-me um verso, de cujas palavras busquei explicar o significado, uma por uma, o verso era: “Si nihil ex tanta superis placet urbe relinqui”. Sua segunda palavra (nihil), apesar de familiar a todos, não conseguimos, todavia, encontrar o que significava, pois parecia a mim que nós não a empregamos inutilmente durante a fala, mas para transmitir algo a nosso ouvinte; isto é, parecia-me que esta palavra indicasse, talvez, o estado da mente quando acha que não existe a coisa que procura ou que julga tê-la achado; e tu evitaste com uma brincadeira aprofundar não sei como a questão, adiando para outra ocasião o esclarecimento. Não julgues, porém, que eu esqueça dessa tua dívida comigo. Depois, quando eu buscava explicar a terceira palavra do verso, me convidaste a indicar não outra palavra equivalente, mas, pelo contrário, a mostrar a própria coisa que a palavra significa. Respondi, em nossa conversação, que isto não seria possível, e consideramos aquelas coisas que podem ser apontadas aos nossos interlocutores. Pensava eu que isso fosse possível com todas as coisas corpóreas, mas depois achamos que o seria apenas com as visíveis. Daí passamos, não lembro como, aos surdos e aos histriões, observando que exprimem pelo gesto sem voz, não só as coisas visíveis, mas muitas outras e quase todas as que expressamos com palavras, e conviemos que os gestos também são sinais. Voltamos, pois, a indagar se seria possível indicar, sem empregar sinal algum, as mesmas coisas que indicamos por sinais, sendo aquela parede, aquela cor e tudo o que é visível e que é indicado pelo gesto, devemos convir que é sempre indicado por certo sinal. Nisso eu me enganei e respondi que não poderíamos achar nada disso, e, todavia, ficou assente entre nós que seria possível mostrar, sem sinais, aquilo que nós não fazemos no momento da pergunta, mas que podemos fazer depois de interrogados; a locução, porém, não se enquadra nisto, pois quando falamos, se alguém nos perguntar o que é falar, demonstra-se facilmente por si mesmo: falando.


(Revisão de versão portuguesa por ama

El satanismo aumenta 6

Satanismo

Muy insistente con los riesgos del yoga

El padre Gary Thomas está muy concienciado sobre las posibilidades que abren la puerta al demonio y que en muchas ocasiones se presentan de manera inocente. De ahí que ya en varias ocasiones haya alertado de los riesgos del yoga, muy extendido en todo Occidente, incluso entre los católicos.

Del mismo modo, ha advertido también en distintas ocasiones de otros males que esclavizan al hombre y que permiten la entrada de Satanás: “el incremento del consumo de drogas y la adicción a la pornografía son facilitadores y signos de la acción del demonio”.

El padre gary thomas es exorcista de la Diócesis de San José (EEUU)

j. lozano / ReL25 octubre 2016

Pequena agenda do cristão

Quinta-Feira



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)




Propósito:
Participar na Santa Missa.


Senhor, vendo-me tal como sou, nada, absolutamente, tenho esta percepção da grandeza que me está reservada dentro de momentos: Receber o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade do Rei e Senhor do Universo.
O meu coração palpita de alegria, confiança e amor. Alegria por ser convidado, confiança em que saberei esforçar-me por merecer o convite e amor sem limites pela caridade que me fazes. Aqui me tens, tal como sou e não como gostaria e deveria ser.
Não sou digno, não sou digno, não sou digno! Sei porém, que a uma palavra Tua a minha dignidade de filho e irmão me dará o direito a receber-te tal como Tu mesmo quiseste que fosse. Aqui me tens, Senhor. Convidaste-me e eu vim.


Lembrar-me:
Comunhões espirituais.


Senhor, eu quisera receber-vos com aquela pureza, humildade e devoção com que Vos recebeu Vossa Santíssima Mãe, com o espírito e fervor dos Santos.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?






23/11/2016

Estou com Ele no tempo da adversidade

Ainda que tudo se vá abaixo e se acabe; ainda que os acontecimentos se sucedam ao contrário do previsto, com tremenda adversidade; nada se ganha perturbando-se. Além disso, recorda a oração confiante do profeta: "O Senhor é o nosso Juiz; o Senhor é o nosso Legislador; o Senhor é o nosso Rei; Ele é quem nos há-de salvar". Reza-a devotamente, todos os dias, para acomodar a tua conduta aos desígnios da Providência, que nos governa para nosso bem. (Forja, 855)

E quando a tentação do desânimo, dos contrastes, da luta, da tribulação, de uma nova noite da alma nos ataca – violenta –, o salmista põe-nos nos lábios e na inteligência aquelas palavras: estou com Ele no tempo da adversidade. Jesus, perante a Tua Cruz, que vale a minha; perante as Tuas feridas, os meus arranhões? Perante o Teu Amor imenso, puro e infinito, que vale o minúsculo fardo que Tu colocaste sobre os meus ombros? E os vossos corações e o meu enchem-se de uma santa avidez, confessando-Lhe – com obras – que morremos de Amor.

Nasce uma sede de Deus, uma ânsia de compreender as Suas lágrimas; de ver o Seu sorriso, o Seu rosto... Julgo que o melhor modo de o exprimir é voltar a repetir, com a Escritura: como o veado deseja a fonte das águas, assim a minha alma te anela, ó meu Deus! E a alma avança, metida em Deus, endeusada: o cristão tornou-se um viajante sedento, que abre a boca às águas da fonte.

Com esta entrega, o zelo apostólico ateia-se, aumenta dia-a-dia – pegando esta ânsia aos outros – porque o bem é difusivo. Não é possível que a nossa pobre natureza, tão perto de Deus, não arda em desejos de semear no mundo inteiro a alegria e a paz, de regar tudo com as águas reden­toras que brotam do lado aberto de Cristo, de começar e acabar todas as tarefas por Amor.

Falava antes de dores, de sofrimentos, de lágrimas. E não me contradigo se afirmo que, para um discípulo que procura amorosamente o Mestre, é muito diferente o sabor das tristezas, das penas, das aflições: desaparecem imediatamente, quando aceitamos deveras a Vontade de Deus, quando cumprimos com gosto os Seus desígnios, como filhos fiéis, ainda que os nervos pareçam rebentar e o suplício pareça insuportável. (Amigos de Deus, nn. 310–311)


Evangelho e comentário

Tempo Comum

Evangelho: Lc 21, 12-19

12 Mas antes de tudo isto, lançar-vos-ão as mãos e vos perseguirão, entregando-vos às sinagogas e às prisões e vos levarão à presença dos reis e dos governadores por causa do Meu nome. 13 Isto vos será ocasião de dardes testemunho. 14 Gravai, pois, nos vossos corações o não premeditar como vos haveis de defender, 15 porque Eu vos darei uma linguagem e uma sabedoria à qual não poderão resistir, nem contradizer, todos os vossos inimigos. 16 Sereis entregues por vossos pais, irmãos, parentes e amigos, e farão morrer muitos de vós; 17 e sereis odiados de todos por causa do Meu nome; 18 mas não se perderá um só cabelo da vossa cabeça. 19 Pela vossa perseverança salvareis as vossas almas.

Comentário:

Jesus Cristo que é a VERDADE não Se engana nem pode enganar.
Por isso revela aos Seus seguidores o que podem esperar no e do mundo.

Que não é fácil ser cristão autêntico?

Poi não! Mas ou se é autêntico, leal, perseverante ou não se é de todo.

O que nos entusiasma a sê-lo é sabermos que o Senhor nunca nos faltará com a Sua Graça para ajudar-nos.

(ama, comentário sobre Lc 21, 12-19, 25.11.2015)





Leitura espiritual


DE MAGISTRO

(DO MESTRE)

CAPÍTULO V

SINAIS RECÍPROCOS

…/2

AGOSTINHO

– E já vislumbraste aonde quero chegar?

ADEODATO

– Ainda não.

AGOSTINHO

– Não percebes que nome é aquilo com que se nomeia uma coisa?

ADEODATO

– Não há para mim coisa mais clara.

AGOSTINHO

– Então notas que “est” (é – sim) é nome, se o que havia em Cristo se chama “est” (é – sim).

ADEODATO

– Não há como negá-lo.
AGOSTINHO

– Mas se indagasse a que parte do discurso pertence “est” (é – sim), creio que não responderias “nome”, mas “verbo”, embora o raciocínio tenha demonstrado que é também nome.

ADEODATO

– É exatamente como dizes.

AGOSTINHO

– Poderás ainda duvidar que também as outras partes da oração sejam nomes, como demonstraremos no caso do verbo “est”?

ADEODATO

– Não duvido, pois percebo que significam algo; mas se me perguntares a respeito das próprias coisas que elas significam, isto é, como cada uma, individualmente, se chame ou nomeie, só poderei responder com aquelas partes da oração que não chamamos de nomes, mas que, ao que parece, deveríamos chamar palavras?

AGOSTINHO

– Nem te preocupa que o nosso arrazoado possa ser abalado pela afirmação que se deve atribuir ao Apóstolo autoridade de doutrina, mas não de palavras, e que, portanto, as bases da nossa persuasão não são tão firmes como parecia? E pode ser que Paulo, embora tenha vivido e ensinado rectissimamente, não tenha falado com igual exactidão quando disse: “o sim era nele” (em Cristo); tanto mais que ele mesmo se confessa inepto na arte de falar? Como julgas que se possa refutar tal objecção?

ADEODATO

– Não saberia o que responder, e rogo-te que procures um dos que são tidos como autoridades máximas na arte da palavra, para esclarecer o que desejas.

AGOSTINHO

– Parece-te, pois, que a razão por si só, sem o aval da autoridade, não bastaria para demonstrar que todas as partes da oração têm um significado e que, por isso, cabe-lhes uma denominação; ora, se se chamam, também se nomeiam, e, se se nomeiam, terão de nomear-se com um nome; o que se vê facilmente comparando diversas línguas. Pois é evidente que se perguntarmos como os gregos nomeiam o que nós nomeamos “quis” (quem), nos responderiam tis; como nomeiam o que nós nomeamos “bene” (bem), eles kalõs; o que nós nomeamos “scriptum” (escrito), eles to gegrammenon; o que nós “et” (e), eles kaí; o que nós “ab” (por, de), eles, ápò o que nós “heu” (ai), eles oi; e quanto a todas estas partes da oração que enumerei, estaria certo quem fizesse a pergunta: seria possível isto se não fossem nomes? Podemos demonstrar, mediante este processo, que o apóstolo Paulo falou correctamente, sem apelar para a autoridade de outros oradores: que necessidade há, pois, de procurarmos em outros o apoio para a nossa opinião?
– Mas se houver alguém tão tardo ou tão teimoso que não ceda e teime não ceder sem a autoridade daqueles autores, aos quais o consenso geral atribui as regras da arte de falar, quem se poderia encontrar na língua latina mais exímio do que Cícero? Ora, nas suas nobilíssimas orações, apelidadas “verrinas”, ele chama “nome” ao termo “coram” (diante de), embora naquela passagem possa ser tomado como preposição ou como advérbio. Mas, como poderia ocorrer que eu não esteja compreendendo bem aquela passagem, que poderia ser interpretada diversamente por outrem, vou citar um caso a que não creio se possa fazer objecção alguma. Os mais renomados mestre de dialética afirmam que uma frase completa é formada pelo nome e pelo verbo, quer seja afirmativa ou negativa; o que Túlio (Cícero), em certa passagem, denomina enunciado ou proposição. Quando o verbo está na terceira pessoa, dizem que o caso do nome deve ser o nominativo, e está certo; e se, quando dizemos: “O homem senta, o cavalo corre”, examinares o que ficou dito, reconhecerás, segundo julgo, que ocorrem aí duas proposições.

ADEODATO

– Reconheço-o.

AGOSTINHO

– Observas que em cada proposição há um nome – na primeira, “homem”, e na segunda, “cavalo” – e que está associado a um verbo, “senta” e “corre” respectivamente?

ADEODATO

– Percebi.

AGOSTINHO

– Ora, se eu dissesse apenas “senta” ou “corre”, com toda a razão me perguntarias quem ou o que eu responderia “homem”, ou “cavalo”, ou “animal”, ou qualquer outra coisa que ligasse o nome referido ao verbo para completar o enunciado, isto é, a proposição, que poderia ser afirmativa ou negativa.

ADEODATO

– Compreendo.

AGOSTINHO

– Suponhamos agora que estamos vendo algo bem distante e não distinguimos se se trata de um animal, de uma pedra ou de outra coisa, e que eu afirmasse: “porque um homem, é (também) animal”, não faria eu uma afirmação temerária?

ADEODATO

– Muito temerária, mas não o seria se dissesses: “Se é um homem, é um animal”.

AGOSTINHO

– Dizes o certo. Portanto, na tua frase o “se” satisfaz a mim e a ti; e, ao contrário, aos dois desagrada o “porque” da minha.

ADEODATO

– Concordo.

AGOSTINHO

– Observa agora se estas duas proposições, “se satisfaz”, e “porque desagrada”, estão completas.

ADEODATO

– Completas, certamente.

AGOSTINHO

– Vamos, diga-me então quais são os verbos e quais os nomes.

ADEODATO

– Vejo que os verbos são “satisfaz” e “desagrada”, e os nomes, quais outros haveriam de ser senão “se” e porque”?

AGOSTINHO

– Logo, está suficientemente demonstrado que estas duas conjunções também são nomes.

ADEODATO

– Sim, suficientemente.

AGOSTINHO

– E poderias por ti mesmo, seguindo esta regra, demonstrar a mesma coisa nos confrontos das demais partes da oração?

ADEODATO

– Poderia.

(Revisão de versão portuguesa por ama