22/11/2016

Recorramos ao bom pastor

Tu, pensas, tens muita personalidade: os teus estudos (os teus trabalhos de investigação, as tuas publicações), a tua posição social (os teus apelidos), as tuas actividades políticas (os cargos que ocupas), o teu património..., a tua idade – já não és nenhuma criança!... Precisamente por tudo isso, necessitas, mais do que outros, de um Director para a tua alma. (Caminho, 63)

A santidade da esposa de Cristo sempre se provou – e continua a provar-se actualmente – pela abundância de bons pastores. Mas a fé cristã, que nos ensina a ser simples, não nos leva a ser ingénuos. Há mercenários que se calam e há mercenários que pregam uma doutrina que não é de Cristo. Por isso, se porventura o Senhor permite que fiquemos às escuras, inclusivamente em coisas de pormenor, se sentimos falta de firmeza na fé, recorramos ao bom pastor, àquele que – dando a vida pelos outros – quer ser, na palavra e na conduta, uma alma movida pelo amor – àquele que talvez seja também um pecador, mas que confia sempre no perdão e na misericórdia de Cristo.

Se a vossa consciência vos reprova por alguma falta – embora não vos pareça uma falta grave – se tendes uma dúvida a esse respeito, recorrei ao sacramento da Penitência. Ide ao sacerdote que vos atende, ao que sabe exigir de vós firmeza na fé, delicadeza de alma, verdadeira fortaleza cristã. Na Igreja existe a mais completa liberdade para nos confessarmos com qualquer sacerdote que possua as necessárias licenças eclesiásticas; mas um cristão de vida limpa recorrerá – com liberdade! – àquele que reconhece como bom pastor, que o pode ajudar a erguer a vista para voltar a ver no céu a estrela do Senhor. (Cristo que passa, 34)


Temas para meditar - 676

Pecado


(Quem ofende o Senhor) não se detém num pecado, mas, pelo contrário, é levado a consentir noutros: quem comete pecado é escravo do pecado (Jo 8, 34). ”O pecado que não se extirpa pela penitência, pelo seu próprio peso arrasta a outros pecados”.

(S. tomás de aquino, Sobre o duplo preceito da caridade 1)

Evangelho e comentário

Tempo Comum

Evangelho: Lc 21, 5-11

5 Dizendo alguns, a respeito do templo, que estava ornado de belas pedras e de ricas ofertas, Jesus disse: 6 «De tudo isto que vedes, virão dias em que não ficará pedra sobre pedra que não seja derrubada». 7 Então interrogaram-n'O: «Mestre, quando acontecerão estas coisas, e que sinal haverá de que estão para acontecer?». 8 Ele respondeu: «Vede, não vos deixeis enganar; porque muitos virão em Meu nome, dizendo: Sou eu, está próximo o tempo. Não os sigais. 9 Quando ouvirdes falar de guerras e de tumultos, não vos assusteis; estas coisas devem suceder primeiro, mas não será logo o fim». 10 Depois disse-lhes: «Levantar-se-á nação contra nação e reino contra reino. 11 Haverá grandes terramotos por várias partes, pestes e fomes; aparecerão coisas espantosas e extraordinários sinais no céu.

Comentário:

Podemos ser levados a perguntar: o que falta ainda para que se manifeste o fim dos tempos?
Quantas perseguições impiedosas, autênticos ‘rios de sangue’ inocente derramado por causa da Palavra e, ainda guerras, cataclismos, tsunamis, terramotos catástrofes vitimando milhares de milhares!
Sim que falta ainda?
Podemos, de facto, fazer estas perguntas mas a interrogação capital, aquela que verdadeiramente importa fazer é: “estou preparado?”
(ama, comentário sobre Lc 21, 5-11, 17.11.2013)






Leitura espiritual


DE MAGISTRO

(DO MESTRE)

CAPÍTULO IV

SE OS SINAIS SE MOSTRAM COM SINAIS

…/2

AGOSTINHO

– E não é assim também para “nome”? Este, pois, significa os nomes de todos os géneros, e “nome” mesmo é de género neutro. Ou, se te perguntasse que parte da oração é nome, não poderias responder-me acertadamente dizendo “nome”?

ADEODATO

– Poderia.

AGOSTINHO

– Portanto, há sinais que, entre as outras coisas que significam, significam também a si mesmos.

ADEODATO

– Há.

AGOSTINHO

– Quando dizemos “coniunctio” (conjunção), julgas que este sinal quadrissílabo possa ser um daqueles?

ADEODATO

– Certamente que não; porque as coisas que significa não são nomes, enquanto ele é um nome.

CAPÍTULO V

SINAIS RECÍPROCOS

AGOSTINHO

– Raciocínio correcto; vejamos agora se é possível encontrar sinais que se signifiquem reciprocamente, tais que, assim como este significa aquele, também aquele signifique este; e não me parece ser o caso entre aquele quadrissílabo “conjunctio” e as coisas que este significa, tais como: “si” (se), “vel” (ou), “nam” (pois), “namque” (e pois), “nisi” (se não), “ergo” (logo), “quoniam” (porque) e outras semelhantes, porque aquela palavra sozinha significa todas estas, mas não há nenhuma entre estas que signifique aquele quadrissílabo.

ADEODATO

– Compreendo, e gostaria de saber quais os sinais que se significam reciprocamente.

AGOSTINHO

– Sabes, então, que, quando dizemos “nome” e “palavra”, dizemos duas palavras?

ADEODATO
– Sei, sim.
AGOSTINHO
– E não sabes que, quando dizemos “nome” e “palavra”, dizemos dois nomes?

ADEODATO

– Também sei.

AGOSTINHO

– Portanto, sabes que tanto o nome pode ser significado com a palavra, quanto a palavra com o nome.

ADEODATO

– Concordo.

AGOSTINHO

– E podes dizer-me, salvo a diversidade de escrita e de pronúncia, em que diferem entre si?

ADEODATO

– Talvez possa, pois parece-me tratar-se do mesmo caso de que falei há pouco. De facto, quando dizemos “palavra”, entendemos tudo o que proferimos com algum significado; assim, todo nome, e ainda o próprio termo “nome”, é uma palavra, mas nem toda palavra é nome, embora
quando dizemos “palavra” entendemos “nome”.

AGOSTINHO

– E se alguém afirmasse e demonstrasse que, assim como cada nome é palavra, também cada palavra é nome, poderias ainda determinar sua diferença, afora o diverso som da sua pronúncia?

ADEODATO

– Creio que não poderia, e julgaria não haver diferença alguma.

AGOSTINHO

– Como? Se tudo o que proferimos, com algum significado, tanto são palavras como nomes e, contudo, por certas razoes, são palavras e, por outras razões são nomes, não haverá entre nome e palavra distinção alguma?

ADEODATO

– Não compreendo como isto se possa dar.

AGOSTINHO – Isto certamente entendes: tudo o que é “colorido” é visível e tudo o que é visível é “colorido”, apesar de estas duas palavras significarem coisas distintas e separadas.

ADEODATO

– Entendo.

AGOSTINHO

– E porventura será difícil admitir que do mesmo modo toda palavra é nome e todo nome é palavra, embora estes dois termos “nome” e “palavra” tenham significado diferente?

ADEODATO

– Percebo que isto pode acontecer, mas espero que me mostres como isto acontece.

AGOSTINHO

– Creio que reparaste que tudo o que nossa voz profere com algum significado fere o ouvido onde é percebido, e daí é enviado à memória para ficar conhecido.

ADEODATO

– Sim, reparo.

AGOSTINHO

– Acontecem, portanto, duas coisas quando falamos algo.

ADEODATO

– Assim é.

AGOSTINHO

– Aceitarias que por uma destas qualidades fosse chamadas palavras (“verba”) de “verberare”: percutir, bater) e pela outra nomes (“nomina”, de “nosco”: conhecer)? E o primeiro termo assim se chamasse por causa do ouvido, e o segundo, por causa do espírito?

ADEODATO

– Concordarei assim que me tiveres demonstrado que podemos, com acerto, chamar nomes a todas as palavras.

AGOSTINHO

– Será fácil, pois creio que aprendeste e recordas que se chama “pronome” aquilo que está em lugar do nome, ainda que denote a coisa com menor intensidade que o nome. parece-me que foi assim que o definiu o gramático que mencionaste: “Pronome é uma parte da oração que, usada no lugar do nome, significa a mesma coisa que este, porém menos plenamente”.

ADEODATO

– Lembro-me e concordo.

AGOSTINHO

– Vemos, portanto, que, de acordo com esta definição, os pronomes se referem só aos nomes, e só podem ser empregues no lugar destes, como quando se diz: este homem, o mesmo rei, a mesma mulher, esse ouro, aquela prata; os termos “este”, “mesmo”, “mesma”, “esse”, “aquela” são pronomes, “homem”, “rei”, “mulher”, “ouro”, “prata” são nomes que, mais plenamente que os mesmos pronomes, significam as coisas.

ADEODATO

– Percebo e estou de acordo.

AGOSTINHO

– Enuncia-me agora algumas conjunções, as que quiseres.

ADEODATO

– “E” (et), “também” (que), “mas” (at), “senão” (atque).

AGOSTINHO

– Tudo o que disseste parece ser nome?

ADEODATO

– De maneira alguma.

AGOSTINHO

– Mas ao menos julgaste que eu falei bem dizendo: “tudo isso”, “tudo o que” disseste?

ADEODATO

– Completamente correcto; e compreendo, quão admiravelmente me demonstraste que enunciei nomes, pois se assim não fosse não se poderia dizer: “tudo isto” (haec omnia), como se poderia dizer com acerto “todas estas palavras” (haec omnia verba). Todavia, se me perguntares a que parte da oração pertence “palavra”, responderei que é um nome. Eis a razão de, a este nome, acrescentares o pronome, para que a tua frase estivesse correcta.

AGOSTINHO

– Sem dúvida estás enganado, embora demonstres certa agudeza. Para desfazer o engano, presta mais atenção ao que vou dizer, posto que eu consiga dizê-lo como quero, pois falar sobre palavras com palavras é tão complicado como entrelaçar os dedos e assim tentar coçá-los, quando apenas quem os mexe pode distinguir os dedos que têm comichão dos que ajudariam a acalmar-lhe o prurido.

ADEODATO

– Eis-me aqui todo ouvidos e atenção, pois a comparação despertou-me profundo interesse.

AGOSTINHO

– As palavras resultam certamente de som e de letras.

ADEODATO

– Assim é, de facto.

AGOSTINHO

– Ora, lançando mão de uma autoridade que nos é caríssima, quando o Apóstolo Paulo diz: “Não havia em Cristo o sim e o não, mas somente havia nele o sim”, não creio que seja o caso de pensar que as três letras que pronunciamos dizendo “sim” (est) existissem em Cristo mas, antes, o que estas três letras significam.

ADEODATO

– Entendo e acompanho-te.

AGOSTINHO

– E compreendes com certeza que não há diferença entre dizer: “se chama virtude” ou “senomeia virtude”.

ADEODATO

– É claro.

AGOSTINHO

– Assim é, pois, igualmente claro não haver diferença se alguém disser: “o que havia nele (em Cristo) se chama “sim” ou se nomeia “sim”.

ADEODATO

– Percebo que aqui também não há diferença.


(Revisão de versão portuguesa por ama) 

El satanismo aumenta 4

Satanismo

El riesgo de la ouija y el Reiki

Preguntado en Cosmopolitan qué actividades pueden ser peligrosas, el padre Thomas hizo una lista que habrá sorprendido a más de una lectora de dicha revista. Y enumera: “Las personas que usan tablas de la ouija (que es un instrumento de magia, no un juguete), las cartas del tarot, las lecturas de la palma de la mano, meditaciones como el Reiki, el uso del yoga como una forma de poder mediante el cual se evoca a falsas dioses”.

En su opinión, “no es ningún secreto que nuestra sociedad tiene hambre de espiritualidad. El problema es que las personas están buscando en los lugares equivocados”. Otro de los problemas que destacó fue que una parte importante de la sociedad “el cristianismo ya no es relevante por lo que construyen su propia moralidad, su propia manera de vivir”.

(cont)

El padre gary thomas es exorcista de la Diócesis de San José (EEUU)

j. lozano / ReL25 octubre 2016

Jesus Cristo e a Igreja – 134

Celibato eclesiástico: História e fundamentos teológicos

IV. O CELIBATO NA DISCIPLINA DAS IGREJAS ORIENTAIS

A fragmentação do sistema disciplinar no Oriente

…/13

A Legislação do II Concílio Trullano.

…/7

Cân. 26: Decreta que um sacerdote que por ignorância houvesse contraído casamento ilícito tem de se conformar com a sua situação anterior, mas abstendo-se de todo ministério sacerdotal. Esse matrimónio deve ser dissolvido e toda a comunhão com a esposa está proibida.


(Revisão da versão portuguesa por ama)

Pequena agenda do cristão

TeRÇa-Feira


(Coisas muito simples, curtas, objectivas)





Propósito:
Aplicação no trabalho.

Senhor, ajuda-me a fazer o que devo, quando devo, empenhando-me em fazê-lo bem feito para to poder oferecer.

Lembrar-me:
Os que estão sem trabalho.

Senhor, lembra-te de tantos e tantas que procuram trabalho e não o encontram, provê às suas necessidades, dá-lhes esperança e confiança.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?





21/11/2016

Mãe de Deus e nossa Mãe

Que humildade, a de minha Mãe Santa Maria! – Não a vereis entre as palmas de Jerusalém, nem – afora as primícias de Caná – na altura dos grandes milagres. – Mas não foge do desprezo do Gólgota; lá está, "iuxta crucem Iesu" – junto da cruz de Jesus, sua Mãe. (Caminho, 507)

Sempre foi esta a doutrina certa da fé. Contra os que a negaram, o Concílio de Éfeso proclamou que se alguém não confessa que o Emanuel é verdadeiramente Deus e que, por isso, a Santíssima Virgem é Mãe de Deus, visto que gerou segundo a carne o Verbo de Deus encarnado, seja anátema. (...).

A Trindade Santíssima, ao escolher Maria para Mãe de Cristo, homem como nós, pôs cada um de nós sob o seu manto maternal. É Mãe de Deus e nossa Mãe.

A Maternidade divina de Maria é a raiz de todas as perfeições e privilégios que a adornam. Por esse título, foi concebida imaculada e está cheia de graça, é sempre virgem, subiu ao céu em corpo e alma, foi coroada Rainha de toda a criação, acima dos anjos e dos santos. Mais que Ela, só Deus. A Santíssima Virgem, por ser Mãe de Deus, possui uma dignidade, de certo modo infinita, do bem infinito que é Deus. Não há perigo de exageros. Nunca aprofundaremos bastante este mistério inefável; nunca poderemos agradecer suficientemente à Nossa Mãe a Familiaridade que nos deu com a Santíssima Trindade.

Éramos pecadores e inimigos de Deus. A Redenção não só nos livra do pecado e reconcilia com o Senhor; mas converte-nos em filhos, entrega-nos uma Mãe, a mesma que gerou o verbo, segundo a Humanidade. Pode haver maior prodigalidade, maior excesso de amor? (Amigos de Deus, nn. 275–276)


Evangelho e comentário

Tempo Comum

Apresentação de Nossa Senhora

Evangelho: Lc 21, 1-4

1 Levantando Jesus os olhos, viu vários ricos que lançavam as suas oferendas na caixa das esmolas. 2 Viu também uma viúva pobrezinha, que lançava duas pequenas moedas, 3 e disse: «Na verdade vos digo que esta pobre viúva lançou mais que todos os outros. 4 Porque todos esses fizeram a Deus oferta do que lhes sobrava; ela, porém, deu da sua própria indigência tudo o que tinha para viver».

Comentário:

Para Deus nada do que oferecemos é desprezível ou fica sem retribuição.

A generosidade desprendida é das virtudes mais gratas ao Senhor e, até, aos próprios homens, porque revela uma nobreza de carácter e sentido de partilha exemplares.

Nunca deixemos de dar por ser pouco desde que seja com desprendimento.

(ama, comentário sobre Lc 21, 1-4, 23.11.2015)






Leitura espiritual


DE MAGISTRO

(DO MESTRE)

CAPÍTULO IV

SE OS SINAIS SE MOSTRAM COM SINAIS

AGOSTINHO

– Argumentas com agudeza, e por isso considera a possibilidade de convir entre nós que se possam mostrar sem sinais as acções que não estão em curso quando da pergunta, mas que podemos fazer logo em seguida; ou as que fazemos desde que as acções nada mais sejam do que os próprios sinais. Pois, quando falamos, emitimos sinais, donde se gera a palavra “significar” (fazer sinais – signa facere).

ADEODATO

– É possível convir.

AGOSTINHO

– Portanto, ao discutirmos sobre os sinais, podem mostrar-se uns sinais por meio de outros; mas quando falamos das coisas em si, que não são sinais, não se podem mostrar senão fazendo-o logo após a pergunta – se for possível – ou dando algum sinal pelo qual possam ser compreendidas.

ADEODATO – Exactamente.

AGOSTINHO

– Nessa tríplice possibilidade, vamos primeiro considerar, se quiseres, o caso em que se mostram sinais com sinais; diz-me, as palavras sozinhas são sinais?

ADEODATO

– Não.

AGOSTINHO

– Parece-me, portanto que, ao falarmos, usamos as palavras para significar ou as palavras em si, ou bem outros sinais, como seria o gesto associado à fala, ou as letras que usamos na escrita; porque o que indicamos com estes dois vocábulos (gesto e letra) ou são sinais em si mesmos (o próprio gesto e as próprias letras), ou algo que não é sinal, como quando dizemos “pedra”. Esta palavra, pois, é um sinal enquanto representa algo, mas a coisa indicada não é um sinal. Este género de palavras que representam coisas que não são sinais, não pertence, porém, à parte que nos propomos discutir. De facto, nós propomo-nos considerar o caso dos sinais que são expressos por sinais, e no caso distinguimos dois aspectos: ou se ensinam e recordam os mesmos sinais, ou outros sinais diferentes. Não te parece?

ADEODATO

– Está claro.

AGOSTINHO

– Diz-me, então: os sinais que são palavras sob qual sentido recaem?

ADEODATO

– O ouvido.

AGOSTINHO

– E o gesto?

ADEODATO

– A vista.

AGOSTINHO

– Como? Por acaso, as palavras escritas, não serão também palavras? Ou, para ser exacto, não serão entendidas como sinais de palavras, sendo a palavra o que se profere, com certo significado, articulando a voz? Mas a voz só pode ser percebida pelo sentido do ouvido; disso resulta que, quando se escreve uma palavra, se apresenta um sinal aos olhos, que suscita na mente o que será percebido com o ouvido.

ADEODATO

– Concordo plenamente.

AGOSTINHO

– Creio que também concordarás em reconhecer que quando dizemos “nome” queremos significar algo.

ADEODATO

– É verdade.

AGOSTINHO

– Mas o quê, afinal?

ADEODATO

– Naturalmente aquilo cujo nome se profere, como Rómulo, Roma, virtude, rio e incontáveis coisas.

AGOSTINHO

– Estes quatro nomes significam alguma coisa?

ADEODATO

– Sim, algumas coisas.

AGOSTINHO

– Achas que há diferença entre estes nomes e as coisas que eles significam?

ADEODATO

– Muitíssima.

AGOSTINHO

– Gostaria de ouvir de ti qual é esta diferença.

ADEODATO

– Em primeiro lugar, estes são sinais e aquelas não o são.

AGOSTINHO

– Concordas em que chamemos de “significáveis” as coisas que podem ser expressas pelos sinais, e não são sinais em si mesmas, assim como chamamos de “visíveis” as que podem ser vistas, para depois discutirmos sobre elas mais comodamente?

ADEODATO

– Concordo.

AGOSTINHO

– E os quatro sinais que antes proferiste podem ser significados por qualquer outro sinal?

ADEODATO

– Admira-me que penses eu ter esquecido aquilo que ficou assente, isto é: que as letras escritas são sinais de sinais, ou seja, sinais dos sons que a voz articula.

AGOSTINHO

– Que diferença há entre eles?

ADEODATO

– Aquelas (as letras escritas) são visíveis, e estes (os sons articulados pela voz), audíveis.
Terás alguma dificuldade em aceitar este adjectivo, “audíveis”, uma vez que admitimos “significáveis”?

AGOSTINHO

– Certamente que o aceito, e com agrado. Contudo, ainda pergunto se esses quatro sinais podem ser expressos por algum outro sinal audível, como lembraste acontecer com os visíveis.

ADEODATO

– Sim, isto também foi mencionado há pouco. Por isso respondi que o nome significa algo, e ao significado associei esses quatro nomes; e aqueles e estes, posto que se proferem com a voz, reconheço serem audíveis.

AGOSTINHO

– Qual é, pois, a diferença, entre o sinal audível e as coisas audíveis que significa que, por sua vez, também são sinais?

ADEODATO

– Entre o nome e estas quatro coisas que associamos ao seu significado, parece-me haver esta diferença: o nome é sinal audível dos sinais audíveis, enquanto as coisas audíveis são também sinais audíveis, mas não de sinais audíveis, e sim de coisas em parte também visíveis, como Rómulo, Roma, rio e em parte inteligíveis, como virtude.

AGOSTINHO

– Aceito e concordo; mas sabes que é a palavra tudo aquilo que é proferido com a voz e que traz em si algum significado?

ADEODATO

– Sei.

AGOSTINHO

– Logo, o nome também é palavra, pois é proferido articulando a voz e tem um significado; e se afirmamos que um homem eloquente utiliza palavras apropriadas, sem dúvida queremos dizer que usa nomes. Portanto, quando, em Terêncio, o escravo fala ao velho patrão: “Rogo que digas boas palavras”, entende “nomes”.

ADEODATO

– Concordo.

AGOSTINHO

– Gostaria que me respondesses também a isto: vimos ser a palavra sinal do nome e o nome sinal do rio e o rio sinal de uma coisa visível, e como reconheceste a diferença entre esta coisa e o rio, isto é, o seu sinal, e entre este sinal e o nome que é sinal deste sinal, qual julgas que seja a diferença entre o sinal do nome que dissemos ser a palavra e o mesmo nome de que ela é sinal?

ADEODATO

– Julgo que a diferença seja a seguinte: o que é significado com o nome é significado também com a palavra; como, pois, nome é palavra, assim também rio é palavra; mas nem tudo o que é significado com a palavra o é pelo nome. também aquele “si” (se) que principia o verso que propuseste, e aquele “ex” (de) do qual tratamos tão longamente, arrazoando até chegarmos à presente questão, são palavras, mas não nomes, e podemos encontrar inúmeros exemplos como estes. Pois, como todos os nomes são palavras, mas nem todas as palavras são nomes, julgo estar clara a diferença entre a palavra e nome, isto é, entre o sinal daquele sinal que não significa nenhum outro sinal e o sinal daquele sinal que pode significar outros.

AGOSTINHO

– Concedes que todo cavalo é animal, mas nem todo o animal é cavalo?

ADEODATO

– Haverá como duvidar?

AGOSTINHO

– Pois bem, entre nome e palavra existe a mesma relação que há entre cavalo e animal. A menos que discordes pelo facto de que por “verbum”, além de “palavra”, pode entender-se “verbo”, isto é, aquela parte do discurso que descreve acção e se declina, como “escrevo”, “escrevi”, “leio”, “li”, o que obviamente não são nomes.

ADEODATO

– Acabas de esclarecer o que me suscitava dúvidas.

AGOSTINHO

– Isto não deve preocupar-te. Na verdade, em geral, chamamos sinais a tudo o que contém um significado, dentre os quais encontramos também as palavras. Ainda chamamos sinais (insígnias) às bandeiras militares, que são sinais propriamente ditos, o que não se poderia afirmar das palavras. Todavia, se te dissesse que todo cavalo é animal, mas nem todo o animal é cavalo, assim como toda palavra é sinal, mas nem todo sinal é palavra, creio que não restaria dúvida alguma.

ADEODATO

– Entendo sim, e concordo plenamente, que entre “palavra” tomada em sentido geral de “nome” existe a mesma diferença que há entre animal e cavalo.

AGOSTINHO

– Sabes também que, quando dizemos animal, este nome trissílabo, que a voz profere, não é a mesma coisa que com ele se significa?

ADEODATO

– Já concordamos sobre isto há pouco, a respeito de todos os sinais e de todos os significáveis.

AGOSTINHO

– Não te parece que todos os sinais significam uma coisa distinta deles próprios, pois ao pronunciarmos este trissílabo – animal – de modo algum significaremos aquilo que ele mesmo é?

ADEODATO

– Não, certamente; pois quando dizemos sinal, este significa todos os outros sinais, quaisquer que sejam, incluindo a si mesmo também, pois é uma palavra, e, como vimos, todas as palavras são sinais.

AGOSTINHO

– E quando proferimos o dissílabo “verbum” (palavra), não acontece algo semelhante?
Pois, se tudo o que proferimos com algum significado é também significado por este dissílabo, ele também está incluído no género dos sinais.

ADEODATO

– Assim é.

(cont)


(Revisão de versão portuguesa por ama)