04/11/2010

OH POBRE CORAÇÃO


Oh pobre coração
o meu,
que se atém a tantas coisas,
e afinal só Uma interessa.
Oh pobre coração,
o meu, 
que sonha com tantas riquezas,
que afinal são só pobrezas.
Oh pobre coração,
o meu,
que se enche de orgulho e vaidade,
e afinal só se encontra, 
na humilde simplicidade.
Oh pobre coração,
o meu,
que dos outros faz julgamentos
quando deveria arrepender-se,
apenas dos seus lamentos.
Oh pobre coração,
o meu,
que se quer já tão adulto,
e deveria ser tão criança.
Oh pobre coração,
o meu, 
que se atormenta em desesperos,
quando deveria viver na fé,
confortar-se na esperança.
Oh pobre coração,
o meu,
tão cheio de mágoas e dores,
quando deveria viver no perdão,
e estar cheio de louvores.
Oh pobre coração,
o meu,
que fala sem nada dizer,
quando deveria prostrar-se
entregue em oração.
Oh pobre coração,
o meu,
que caminha cego o caminho,
quando deveria ver
que Ele nunca o deixa sozinho.
Oh pobre coração,
o meu,
encerrado na fatalidade,
quando deveria viver,
apenas e só na verdade.
Oh pobre coração,
o meu,
que bate neste meu peito,
que se pensa tão correcto,
e apenas é imperfeito.


Oh rico coração,
o meu,
que apesar do seu horror,
foi chamado a ser morada,
de Jesus Cristo,
o Senhor.



Monte Real, 3 de Novembro de 2010 

Publicado por JMA em http://queeaverdade.blogspot.com/2010/11/oh-pobre-coracao.html

Precisamos de Santos...

... sem véu ou batina, de Santos de calça jeans e tênis, de santos que vão ao cinema, ouvem música e passeiam com os amigos, de santos que coloquem Deus em primeiro lugar, mas que se "lascam" na faculdade, de santos que tenham tempo todo dia para rezar e saibam namorar na pureza e castidade, de santos modernos, Santos do século XXI com uma espiritualidade inserida em nosso
tempo. De santos comprometidos com os pobres e as necessárias mudanças sociais, de santos que se santifiquem no mundo, que não tenham medo de viver no mundo. Precisamos de Santos que bebam Coca-Cola e comam hot dog, que usem jeans, que sejam internautas. Precisamos de Santos que amem a Eucaristia e que tomem um refrigerante ou comam pizza no fim-de-semana com os amigos de santos que gostem de teatro, de música, de dança, de desporto. Precisamos de Santos sociáveis, abertos, normais, alegres, companheiros. Precisamos de Santos que estejam no mundo e saibam saborear as coisas puras e boas do mundo, mas que não sejam mundanos.
 
(João Paulo II)

Boa Dia! 36



Não se duvida que tal seja possível – no campo meramente teórico, entendamo-nos – ou seja, criar um homem ou uma mulher a partir de processos científicos, complexos mas cada vez mais comuns.


Mas, a pergunta permanece: são estas “criações” da ciência, seres humanos?

É evidente que não e, a razão está na base de toda a concepção da criação tal como querida por 
Deus.

Parece claro que a Vontade de Deus ao criar um homem e uma mulher, distintos 
e com características próprias tenha sido a “compulsão” de amor que ao constatar a obra da Sua Criação, verificando que tudo era bom ([i]), quis dar ao ser humano uma tarefa transcende 
que, em sumo grau, era de colaborar com Ele na reprodução da raça humana na proliferação de seres humanos que preenchessem o seu desejo de Amor.
Com o poder que detém, Deus, poderia ter criado imediatamente milhares de milhões de homens e mulheres atribuindo a cada um papel particular na sociedade humana.
Satisfaria, assim, o Seu Amor incomensurável de ter à Sua disposição seres inteligentes e livres que O amassem e adorassem pelo seu próprio arbítrio e escolha.
Optou por uma outra forma e que, em síntese, é a criação de um primeiro 
casal de seres humanos com características específicas e destinados a 
promover esse Seu desejo amoroso de uma série contínua de seres inteli-
gentes e dotados de vontade e querer próprios.

Quando o fez?

Não parecendo importante a discussão, de qualquer modo pode aceitar-se que a evolução das espécies foi uma realidade e que os “antepassados” do homem, tal como o conhecemos hoje, estejam integrados nessa 
evolução.
O que não duvidamos é que, em determinado momento, Deus “inseriu” nesse
ser uma alma passando, nesse preciso momento, a algo totalmente diferente:
um ser humano.
O Criador “resolveu” não interferir na escolha de cada ser humano deixando ao
seu livre arbítrio o aceitar a Sua Lei, o Seu Comando, a Sua Vontade e, até, o 
seu dever de sujeição como criatura ao Criador.

Porquê?

Por Amor, única e exclusivamente por amor!
Deus não pode nunca actuar de outra forma a não ser por Amor e movido pelo 
Amor já que, Ele próprio é O AMOR!

E aqui está a base e o principio de tudo o que se refere à Criação: O Amor!

36



[i] Gn 6, 5.

Tema para breve reflexão - 2010.11.04

Economia e Justiça

A economia tem as suas próprias leis e mecanismos, mas estas leis não são suficientes nem supremas, nem esses mecanismos são inamovíveis. A ordem económica não deve conceber-se como uma ordem independente e soberana, mas há-de estar submetida aos princípios superiores da justiça social, que corrijam os defeitos e deficiências da ordem económica e tenham em conta a dignidade da pessoa.

(Cf. Pio XI, Encíclica Quadragesimo anno, 15.06.1931, 37.)

Textos de Reflexão para 04 de Novembro

Quinta 04 Nov

Evangelho: Lc 15, 1-10

1 Aproximavam-se d'Ele os publicanos e os pecadores para O ouvir. 2 Os fariseus e os escribas murmuravam, dizendo: «Este recebe os pecadores e come com eles». 3 Então propôs-lhes esta parábola: 4 «Qual de vós, tendo cem ovelhas, se perde uma delas, não deixa as noventa e nove no deserto, para ir procurar a que se tinha perdido, até que a encontre? 5 E, tendo-a encontrado, a põe sobre os ombros todo contente6 e, indo para casa, chama os seus amigos e vizinhos, dizendo-lhes: Alegrai-vos comigo, porque encontrei a minha ovelha que se tinha perdido. 7 Digo-vos que, do mesmo modo, haverá maior alegria no céu por um pecador que fizer penitência que por noventa e nove justos que não têm necessidade de penitência». 8 «Ou qual é a mulher que, tendo dez dracmas, e perdendo uma, não acende a candeia, não varre a casa, e não procura diligentemente até que a encontre? 9 E que, depois de a achar, não convoca as amigas e vizinhas, dizendo: Alegrai-vos comigo, porque encontrei a dracma que tinha perdido. 10 Assim vos digo Eu que haverá alegria entre os anjos de Deus por um só pecador que faça penitência».

Comentário:

Sobre os ombros fortes deste Pastor Divino, ombros que suportaram o tremendo peso do madeiro da Cruz, sentimo-nos protegidos quando nos carrega e às nossas faltas e pecados, de volta à casa do Pai donde, tão amiúde, nos afastamos.
Esta certeza de que Ele nunca desiste de nos procurar até que nos encontre é para nós, homens fracos e pecadores, esperança confiante que o regresso é sempre possível e que nos bastará deixarmo-nos conduzir com docilidade para recuperarmos a alegria perdida. 

(ama, meditação sobre Lc 15, 1-10, Carvide, 2010.09.12)

Tema: Novíssimos - Inferno 1

O Inferno existe, é uma verdade de fé. Várias descrições têm sido feitas ao longo dos tempos – talvez a mais recente a da Beata Jacinta Marto – sobre visões do Inferno. A imaginação pode levar-nos onde quisermos mas, a verdade, é que o supremo castigo e maior suplício ou pena será a privação de ver a Deus face a face. 

(ama, sobre Inferno, 1, 2010.10.18)

Doutrina: CCIC – 449: O que é o perjúrio?
                   CIC – 2152-2155

É fazer, sob juramento, uma promessa com intenção de a não manter ou de violar a promessa feita sob juramento. É um pecado grave contra Deus, que é sempre fiel às suas promessas.

Festa: S. Carlos Borromeu

                                                                                                                                                            Nota Histórica 
Nasceu em Arona (Lombardia) no ano 1538; depois de ter conseguido o doutoramento In utroque iure, foi nomeado cardeal por Pio IV, seu tio, e eleito bispo de Milão. Foi um verdadeiro pastor da Igreja no exercício desta missão: visitou várias vezes toda a diocese, convocou sínodos e desenvolveu a mais intensa actividade, em todos os sectores, para a salvação das almas, promovendo por todos os meios a renovação da vida cristã. Morreu no dia 3 de Novembro de 1584.

03/11/2010

Dia de Finados ou Dia de Fiéis Defuntos

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Curiosamente ontem mesmo na Missa, durante a homilia, aprendi algo de que nunca me tinha apercebido e que é a enorme diferença entre dizermos Dia de Finados e Dia dos Fiéis Defuntos.

Procurando na net encontrei esta explicação que vem ao encontro daquilo que ouvi e aprendi.

«O Cristianismo celebra a lembrança dos fiéis defuntos e não o dia de finados. Podemos notar que há uma diferença relevante. A palavra finado significa, em sua origem, (do latim finis), aquele que se finou, ou seja, que teve seu fim, que se acabou, que foi extinto. A palavra defunto, no latim, é o particípio passado do verbo defungor, que significa satisfazer completamente, desempenhar a contento, cumprir inteiramente uma missão. Mais tarde, foi utilizada e difundida pelo Cristianismo, para dizer que uma pessoa morta era aquela que já havia cumprido toda a sua missão de viver.
O Dia dos Fiéis Defuntos, portanto, é o dia em que a Igreja celebra o cumprimento da missão das pessoas queridas que já faleceram, através da elevação de preces a Deus por seu descanso junto a Ele. É o Dia do Amor, porque amar é sentir que o outro não morrerá nunca, mesmo que esteja distante; amar é saber que o outro necessita de nossos cuidados e de nossas preces mesmo quando já não o podemos ver. Pois a vida cristã é viver em comunhão íntima com Deus e com os irmãos, agora e para sempre.»


Retirado de “Apologeta Mariano”.


(JMA, 2010.1103)
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Perseguições a cristãos



Para ler clicar:  

Iraque: Al-Qaeda considera cristãos como «alvos legítimos»

Bom Dia! 35




A imagem de Deus no homem é a sua alma porque é espírito criado directa-
mente por Deus na altura da concepção. 

Deus é Criador permanente, cria a alma logo que se dá a concepção do ser 
humano. Uma alma específica para cada ser que começa a sua existência. 
Não dispõe de uma espécie de armazém de almas que vai atribuindo 
adrede consoante se forma o ser humano.
E, essa alma, o espírito que é a vida, é a imagem do próprio Criador, de Deus,
porque a vida, a verdadeira vida só lhe pertence a Ele, só Ele a pode dar e dele
depende a sua duração.

Daí que cada ser humano seja uma entidade diferente e específica e não haja 
dois iguais o que não acontece quanto à forma meramente corporal em que,
de facto, pode haver pessoas idênticas em características e detalhes que, não
poucas vezes, confundem quem os vê e se cruza com eles.

Isto parece simples e compreensível para quem acredita num Deus 
Criador, soberanamente capaz e sapiente, já não será tão evidente para quem 
olha para a vida, o ser humano como um produto da união de gâmetas, de esper-
matozóides e óvulos, daí que, seja possível, para estas pessoas, admitir a manipu-
lação do processo original de criação do ser humano.

35

Tema para breve reflexão - 2010.11.03

Desejos

Toma-me como sou, com os meus defeitos, com as minhas debilidades; mas faz-me chegar a ser como Tu desejas.

(João Paulo I, Alocução 13.9.1978)

Textos de Reflexão para 03 de Novembro

 Quarta 03 Nov

Evangelho: Lc 14, 25-33

25 Ia com Ele grande multidão de povo. Jesus, voltando-Se, disse-lhes: 26 «Se alguém vem a Mim e não odeia seu pai, sua mãe, sua mulher, seus filhos, seus irmãos, suas irmãs, e até a sua vida, não pode ser Meu discípulo. 27 Quem não leva a sua cruz e não Me segue não pode ser Meu discípulo .28 Porque qual de vós, querendo edificar uma torre, não se assenta primeiro para calcular a despesa e ver se tem com que a acabar? 29 Para que, se depois de ter feito as fundações não a puder terminar, não comecem todos os que a virem a troçar dele, dizendo: 30 Este homem começou a edificar e não pôde terminar.31 Ou qual é o rei que, estando para entrar em guerra contra outro rei, não se assenta primeiro a considerar se com dez mil homens pode ir enfrentar-se com aquele que traz contra ele vinte mil? 32 Doutra maneira, quando o outro ainda está longe, enviando embaixadores, pede-lhe paz. 33 «Assim pois, qualquer de vós que não renuncia a tudo o que possui não pode ser Meu discípulo.
Comentário:

Seguir-te para onde quer que fores, deixando tudo o que nos impeça ou seja obstáculo a que o faça-mos. Abdicar daquilo que não interessa, coisas, afectos, desejos.
Livres, para seguir Jesus com entusiasmo com ''festinatione'' porque não se pode perder o tempo, sempre escasso, para alcançar as promessas de Cristo. 
(ama, comentário sobre Lc 14, 25-33, Esposende, 2010.09.06)
Tema: Novíssimos - Juízo 1

Segundo o Catecismo da Igreja Católica, §1022, Cada homem recebe em sua alma imortal a retribuição eterna a partir do momento da morte, num Juízo Particular que coloca sua vida em relação à vida de Cristo, seja por meio de uma purificação, seja para entrar de imediato na felicidade do céu, seja para condenar-se de imediato para sempre.
Logo após a morte, a alma apresenta-se perante Jesus Cristo que faz o juízo da mesma. O que é este “juízo”? Trata-se da “avaliação” por assim dizer, do comportamento da pessoa durante o tempo em que a alma imortal esteve unida ao corpo mortal.
Será como se Cristo abrisse um “livro da vida da pessoa” onde estivessem descritas as obras boas e más, os méritos e deméritos. 

(ama, sobre Juízo particular 1, 2010.10.18)

Doutrina: CCIC – 448: Porque se proíbe o juramento falso?
                   CIC – 2150-2151; 2163-2164

Porque, assim, se chama a Deus, que é a própria Verdade, como testemunha da mentira.

«Não jurar nem pelo Criador, nem pela criatura, senão com verdade, por necessidade e com reverência» (St. Inácio de Loyola).

02/11/2010

Bento XVI e a Universidade

Papa e a Universidade Livro Abril 2010 N.docPapa e a Universidade Livro Abril 2010 N.doc
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Fiéis defuntos

"Se conhecesses o mistério imenso
Do Céu onde agora vivo
Este horizonte sem fim,
Esta luz que tudo reveste e penetra,
Não chorarias se me amas!
Estou já absorvido no Encanto de Deus,
Na Sua Beleza sem fim...
Lembra-te dos bons momentos
Que vivemos juntos
E verás que a saudade também é presença.
Quando estiveres triste, infeliz, chama-me
E eu irei ajudar-te e consolar-te
E verás como é bom ter um amigo
do outro lado.
E quando chegar, também, a tua vez,
Não chorem os que ficam,
Porque não será um adeus,
Mas simplesmente um até à vista,
E eu estarei lá para te receber..."
Autor: Santo Agostinho

LITURGIA DAS HORAS

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INSTRUÇÃO GERAL SOBRE A LITURGIA DAS HORAS

II. ORAÇÃO DA IGREJA

Preceito da oração

5. Aquilo que Jesus fez, isso mesmo ordenou fizéssemos nós. «Orai» — diz repetidas vezes — «rogai», «pedi»,30 «em meu nome».31 E até nos deixou, na oração dominical, um modelo de oração.32 Inculca a necessidade da oração,33 oração humilde,34 vigilante,35 perseverante e cheia de confiança na bondade do Pai,36 feita com pureza de intenção,consentânea com a natureza de Deus.37
Os Apóstolos, por sua vez, apresentam-nos com frequência, em suas Epístolas, fórmulas de oração, mormentede louvor e acção de graças, e exortam-nos a orar no Espírito Santo,38 pela mediação de Cristo,39 ao Pai,40 com perseverança e assiduidade;41 sublinham a eficácia da oração para alcançar a santidade;42 exortam à oração de louvor,43 de acção de graças,44 de súplica,45 de intercessão por todos os homens.46

A Igreja continuadora da oração de Cristo

6. Vindo o homem inteiramente de Deus, é seu dever reconhecer e confessar a soberania do seu Criador. Assim o fizeram, através da oração, os homens piedosos de todos os tempos.
Mas a oração dirigida a Deus tem de estar ligada a Cristo, Senhor de todos os homens, único Mediador,47 o único por quem temos acesso a Deus.48 Ele une a Si toda a comunidade dos homens,49 e de tal forma que entre a oração de Cristo e a de toda a humanidade existe uma estreita relação. Em Cristo, e só n’Ele, é que a religião humana adquire valor salvífico e atinge o seu fim.

7. É totalmente peculiar e profunda a união que existe entre Cristo e aqueles que, pelo sacramento da regeneração, Ele assume como membros do seu Corpo que é a Igreja.
Deste modo, partindo da Cabeça, por todo o Corpo se difundem todas as riquezas pertencentes ao Filho: a comunicação do Espírito, a verdade, a vida, a participação na sua filiação divina, que se manifestava em toda a sua oração enquanto viveu no meio de nós.
O sacerdócio de Cristo é também participado por todo o Corpo da Igreja. Os baptizados, mediante a regeneração e a unção do Espírito Santo, são consagrados como casa espiritual e sacerdócio santo;50 e por esta forma, ficam habilitados a exercer o culto da Nova Aliança, culto este proveniente, não das nossas forças, mas dos méritos e dom de Cristo.
«Nenhum dom poderia Deus ter feito aos homens mais valioso do que este: ter-lhes dado por Cabeça o seu Verbo pelo qual criou todas as coisas, e tê-los unido a Ele como membros seus; ter feito com que Ele seja ao mesmo tempo Filho de Deus e Filho do homem, um só Deus com o Pai e um só homem com os homens. Deste modo, quando falamos a Deus na oração, não podemos separar d’Ele o Filho; e, quando ora o Corpo do Filho, não pode separar de Si mesmo a Cabeça. E assim, é Ele próprio, o Salvador único do seu Corpo, Nosso Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, quem ora por nós, ora em nós e a Ele nós adoramos. Ora por nós, como nosso Sacerdote; ora em nós, como nossa Cabeça; a Ele oramos, como nosso Deus. Reconheçamos, pois, n’Ele a nossa voz, e a voz d’Ele em nós».51
E é nisto que assenta a dignidade da oração cristã: em participar da piedade mesma do Filho Unigénito para com o Pai e daquela oração que Ele, durante a sua vida cá na terra expressou por palavras e continua agora, sem interrupção, em toda a Igreja e em cada um dos seus membros, em nome e para salvação de todo o género humano.

Acção do Espírito Santo

8. A unidade da Igreja orante é realizada pelo Espírito Santo, o mesmo que está em Cristo,52 em toda a Igreja e em cada um dos baptizados. «É o próprio Espírito que vem em auxílio da nossa fraqueza”; é Ele que «ora por nós com gemidos inefáveis» (Rom 8,26); é Ele mesmo, como Espírito do Filho, que infunde em nós «o espírito da adopção filial, no qual clamamos: Abba, Pai» (Rom 8,15; cf. Gal 4,6; 1 Cor 12,3; Ef 5,18; Jud 20). Nenhuma oração, portanto, se pode fazer sem a acção do Espírito Santo, o qual, realizando a unidade de toda a Igreja, conduz pelo Filho ao Pai.

Carácter comunitário da oração

9. O exemplo e o preceito do Senhor e dos Apóstolos, de orar incessantemente, hão-de considerar-se, não como regra puramente legal, mas como um elemento que faz parte da mais íntima essência da própria Igreja, enquanto esta é uma comunidade e deve expressar, inclusive pela oração, a sua natureza comunitária. Daí que, quando nos Actos dos Apóstolos se fala, pela primeira vez, da comunidade dos fiéis, esta nos aparece reunida precisamente em oração, «com as mulheres, com Maria, Mãe de Jesus, e seus irmãos” (Act 1,14). «A multidão dos crentes era um só coração e uma só
alma» (Act 4,31); e esta unanimidade assentava na palavra de Deus, na comunhão fraterna, na oração e na Eucaristia.53
É certo que a oração feita a sós no quarto, portas fechadas,54 é necessária e recomendável,55 e não deixa nunca de ser oração de um membro da Igreja, por Cristo, no Espírito Santo. Todavia, a oração comunitária possui uma dignidade especial, baseada nestas palavras de Cristo: «Onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, Eu estou no meio deles» (Mt 18,20).


30 Mt 5, 44; 7, 7; 26, 41; Mc 13, 33; 14, 38; Lc 6, 28; 10, 2; 11, 9; 22, 40. 46
31 Jo 14, 13 s.; 15, 16; 16, 23 s. 26.
32 Mt 6, 9-13; Lc 11, 2-4.
33 Lc 18, 1.
34 Lc 18, 9-14.
35 Lc 21, 36; Mc 13, 33.
36 Lc 11, 5-13; 18, 1-8; Jo 14, 13; 16, 23.
37 Mt 6, 5-8; 23, 14; Lc 20, 47; Jo 4, 23.
38 Rom 8, 15. 26; 1 Cor. 12, 3; Gal 4, 6; Jud 20.
39 2 Cor 1, 20; Col. 3, 17.
40 Hebr 13, 15.
41 Rom 12, 12; 1 Cor 7, 5; Ef 6, 18; Col 4, 2; 1 Tess 5, 17; 1 Tim 5, 5;
1 Pedro 4, 7.
42 1 Tim 4, 5; Tiago 5, 15 s.; 1 Jo 3, 22; 5, 14 s.
43 Ef 5, 19 s.; Hebr 13, 15; Ap 19, 5.
44 Col 3, 17; Fil 4, 6; 1 Tes 5, 17; Tim 2, 1.
45 Rom 8, 26; Fil 4, 6.
46 Rom 15, 30; 1 Tim 2, 1 s.; Ef 6, 18; 1 Tess 5, 25; Tiago 5, 14. 16.
47 1 Tim 2, 5; Hebr 8, 6; 9, 15; 12, 24.
48 Rom 5, 2; Ef 2, 18; 3, 12.
49 Cf. Conc. Vat. II, Const. Sacrosanctum Concilium, n.° 83.
50 Conc. Vat. II, Const. Lumen gentium, n.° 10.
51 S. Agostinho, Enarrat. in Psalm. 85, 1: CCL 39, 1176.
52 Cf. Lc 10, 21, quando Jesus «exultou no Espírito Santo e disse: Eu
te bendigo, ó Pai...».
53 Cf. Act 2, 42 gr.
54 Cf. Mt 6, 6.
55 Cf. Conc. Vat II, Const. Sacrosanctum Concilium, n.° 12.


Retirado do site do Secretariado Nacional de Liturgia
(continua)
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Bom Dia! Novembro 02, 2010


Talvez venha a propósito considerar que não se pode negar o que não existe, trata-se de um contra-senso, uma impossibilidade concreta. Confunde-se, quase sempre, a falta de Fé com a negação da existência de Deus o que revela uma ignorância crassa e grave. A Fé não é qualquer coisa que se adquira por vontade própria mas um dom dado directamente por Deus. 
Remetendo para escrito anteriormente [i] não se alongará mais este tema além da consideração formal de que o que está realmente certo é:

«A César o que é de César, a Deus o que é de Deus.»

E, para sustentar esta afirmação, vemos o que acontece quando se confundem as duas coisas que levam às chamadas “guerras da religião” que, no fim e ao cabo, pretendem que César e Deus são uma mesma coisa e não se admite e persegue-se, castiga-se, guerreia-se e atenta-se contra quem assim não procede. [ii]

Bom, e o que é que, de facto, temos de dar a Deus?
A resposta poder-se-ia resumir com uma célebre frase:
Tendes que dar forçosamente a César a moeda que tem impressa a sua imagem; mas vós entregai com gosto todo o vosso ser a Deus, porque está impressa em nós a Sua imagem e não a de César. ([iii])

Parece claro, ou não?

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[i] Citação de NUNC COEPI
[ii] Jihad, é um conceito essencial da religião islâmica. Pode ser entendida como uma luta, mediante vontade pessoal, de se buscar e conquistar a fé perfeita. Ao contrário do que muitos pensam,  Jihad não significa "Guerra Santa", nome dado pelos Europeus às lutas religiosas na Idade Média (por exemplo: Cruzadas).
A explicação quanto as duas formas de Jihad não está presente no Alcorão, mas sim nos ditos do Profeta Muhammad: Uma, a "Jihad Maior", é descrita como uma luta do indivíduo consigo mesmo, pelo domínio da alma; e a outra: a "Jihad Menor", é descrita como um esforço que os muçulmanos fazem para levar a mensagem do Islão aos que não têm ciência da mesma (ou seja, daqueles que não se submetem à divindade islâmica e ao seu conceito religioso de paz).
Há opiniões divergentes quanto às formas de acção que são consideradas Jihad. A Jihad só pode ser travada para defender o Islão. No entanto, alguns grupos acham que isto tem aplicação não apenas à defesa física dos muçulmanos, mas também à reclamação de terra que em tempos pertenceu a muçulmanos ou a protecção do Islão contra aquilo que eles vêem como influências que "corrompem" a vida muçulmana. A interpretação feita pelo Ocidente de que a Jihad é uma guerra violenta destinada a transformar pessoas em islâmicas à força é fundada nos diversos ataques terroristas e militares sofridos pelo Ocidente em nome da religião islâmica e de suas crenças; entretanto há quem afirme que os atentados de homens-bomba ou as ameaças a meios de comunicação ocidentais que ousem fazer qualquer crítica aos pilares da crença muçulmana não seja exactamente a definição de Jihad, mas resultado de uma percepção equivocada e oportunista de alguns islâmicos. Um dos defensores desta ideia é o sociólogo sírio-alemão especialista no Islão, ele próprio um muçulmano sunita,  Bassam Tibi. Para este, o fenómeno do fundamentalismo islâmico é uma forma de oportunismo político de alguns grupos, que se aproveitam da noção de Jihad, desvirtuando o Islão para torná-lo um factor de acção política em proveito próprio.
De acordo com as formas comuns do Islão, se uma pessoa morre em Jihad, ela é enviada directamente para o paraíso, sem quaisquer punições pelos seus pecados.
Porém, não se pode esquecer que "Jihad" foi o termo utilizado por Maomé  (profeta do Islamismo) que significava "guerra sagrada", simbolizando a luta pela conversão do maior número de pessoas para a religião.
[iii] S. Jerónimo, Commentarium in Evangelium secundum Marcum, ad. Loc.

Tema para breve reflexão - 2010.11.02

Cristologia

A cristologia é uma parte da teologia que trata sobre Cristo. Estuda Jesus Cristo em Si mesmo – o mistério da Sua pessoa, como Deus e homem verdadeiro que viveu numas determinadas condições históricas -, e Jesus na economia da salvação – como Messias, Redentor e nosso Salvador -, tal como nos propõe da fé da Igreja.

(Vicente Ferrer BARRIENDOS, Jesucristo nuestro salvador, cap. 1, 1. A, trad ama).