06/07/2023

Publicações em Julho 06

  


Dentro do Evangelho –  (cfr: São Josemaria, Sulco 253)

 

(Re Mt X…)

 

Há dias a Santa Igreja celebrou a festa do Apóstolo São Tomé.

Confesso... apaixona-me este homem, a sua inteireza de carácter, o dizer desassombradamente o que pensa sem olhar a "conveniências" nem falsos "pruridos" e, sobretudo,  reconhecer humildemente os seus enganos revelam bem que é uma pessoa exemplar.

«Se não vir as marcas dos cravos e meter nelas os meus dedos, se não mergulhar a minha mão na Chaga do Seu Peito... não acreditarei!»

Que honestidade, que desassombro!

Compreendo que Tomé, perante o que lhe diziam os Onze acerca da Ressurreição de Jesus, intuisse que tal coisa era por demais importante e "séria" para se confinar a palavras de outros, não que duvidasse deles, mas porque em assunto de tal importância era imprescindível ter uma certeza absoluta.

Jesus Cristo faz-lhe a vontade e mostra-lhe as Mãos e o Peito e convida-o a fazer o que acha necessário para acreditar.

Tomé dá a resposta mais humilde e definitiva:

«Meu Senhor e meu Deus!».

A vida deste Apóstolo é, ainda hoje, alvo de pesquizas, estudos, sabe-se que terá andado pelas Índias evangelizando os povos, dificilmente posso imaginar as dificuldades e obstáculos que terá enfrentado por parte de gentes com inúmeros "deuses" e crenças mas, Tomé vai em frente, não desiste e o facto é que, "deixou marca... rasto", a partir de então nesses territórios passou a haver mais um Deus: o Único Deus!

A FÉ, verdadeira, concreta, convence e arrasta.

Pergunto-me:

- Como é a minha Fé?

 

Reflexão

Quando se tem uma idade avançada, as memórias do passado surgem mais nítidas que as dos acontecimentos recentes.

Quando, como é o meu caso, se tem uma "memória fotográfica", tal constitui uma amálgama de sofrimento causado pelas saudades difícil de suportar.

Eu... penso que "descobri" um "remédio" eficaz: Recorro a São Filipe de Néri e, como que por encanto, a paz e tranquilidade voltam.

 

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05/07/2023

Publicações em Julho 05

  


Dentro do Evangelho –  (cfr: São Josemaria, Sulco 253)

 

(Re Jo XXI; Lc XXIV; Mc XV, Mt XVII)

Os Quatro Evangelistas terminam os "seus" Evangelhos de forma algo diferente; mesmo os "sinópticos".

Penso que em Jo XXI encontro uma explicação: «Não caberiam no mundo os livros que seria preciso escrever para contar quanto Jesus Cristo disse e fez!»

Quem, como João, desde o primeiro instante, esteve ao lado de Jesus, inclusive vivendo em Sua casa, com a Sua Santíssima Mãe que, depois, suspenso da Cruz, Cristo lhe daria como Mãe e, nele a todos nós homens que a consideramos como Tal, sabe bem do que fala.

Quero crer que este Apóstolo, íntimo do Senhor, como todos os Doze bem sabiam, mais que amigo... confidente como constatamos na Última Ceia, no momento quando Pedro, vendo-o no momento seriíssimo do anúncio da traição reclinado sobre o peito de Jesus, lhe diz: «Pergunta-Lhe a quem se refere».

João é um jovem que aprendeu a considerar os mais velhos e, portanto obedece a Pedro, tanto mais porque guarda as palavras que Jesus Cristo lhe dirigiu: «Apascenta as Minhas ovelhas... Tu és a pedra sobre a qual edificarei a Minha Igreja».

João sofreu perseguições e violências inauditas tendo, inclusive, sido mergulhado num caldeirão de azeite a ferver. Jesus salvou-o sempre dessas provações.

João, creio bem, escreveu o Evangelho porque o Divino Espírito Santo assim "obrigou", o seu desejo era viver o seu isolamento na Ilha de Pathmos, esperando na sua velhice o momento de se juntar definitivamente ao Amor da Sua Vida.

Ler e reler o Evangelho escrito por São João, é como consultar um "diário" sério, credível da vida de Jesus.

Mais tarde, escreve o Apocalipse que qualquer um por mais pragmático ou incrédulo que possa ser, reconhece a "mão" que segurou a pena e efectivamente escreveu... o Divino Espírito Santo.

Não posso, não devo, não quero ter um Evangelista "preferido" mas, São João faz-me mergulhar fundo para, logo a seguir me levantar a alturas insuspeitadas.

Reflexão

Para ter paz de espírito é fundamental controlar a memória, sobretudo, os que têm, como é o meu caso, uma idade avançada.

A minha memória é um arquivo de monumentais proporções e, se lhe acrescento o grafismo que a caracteriza, é como que folhear um album de recordações com imagens e detalhes que me arrastam para passados distantes.

O AMOR DA MINHA VIDA costumava dizer-me: 'António... desliga o computador que tens na cabeça'.

É o que amiúde lhe peço.

                               

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04/07/2023

Publicações em Julho 04

  


Dentro do Evangelho –  (cfr: São Josemaria, Sulco 253)

 

(Re Lc XXX…)            

 

Penso que se os Apóstolos que tinham acompanhado Jesus durante os quase três anos da Sua pregação por Israel, ouvido as Suas palavras, presenciado os Seus milagres, precisaram que Jesus lhes aparecesse como Ressuscitado para que acreditassem, definitivamente n’Ele, quanto mais eu, pobre homem, não precisarei!

De facto, pensando melhor, sou mais afortunado que os Apóstolos foram porque eles para acreditarem dependiam só de si próprios ao passo que eu tenho esses dois mil anos de testemunhos, muitos deles regados com o próprio sangue, que me consolidam a fé n’Ele. Sim, serei mais afortunado mas, sobretudo mais responsável por, aproveitando esses exemplos, pôr em prática uma vida coerente, séria, contida, sem excessos nem claudicações, ultrapassando os obstáculos que possam deparar-se-me, obstáculos muitas vezes levantados por mim próprio.

Eu sei que Cristo Ressuscitou e que com a Sua Ressurreição me ganhou definitivamente a Vida Eterna onde me aguarda para partilhar com Ele a ventura queme tem reservada.

 

Reflexão

Quando cumpro o meu plano de orações diárias esforço-me por seguir em frente.

Tenho a percepção que, isto, não agrada ao tentador porque está constantemente a sugerir-me coisas novas, outras opções... daí que acho que estou procedendo bem.

 

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01/07/2023

Publicações em Julho 01

  


Dentro do Evangelho –  (cfr: São Josemaria, Sulco 253)

 

(Re Jo XXI…)

 

Sentado com os outros "mais íntimos" ouvi Jesus perguntar por três vezes a Pedro:

«Simão, filho de João: Tu amas-Me?»

Sim, três vezes repetiu esta pergunta e o pobre Pedro acabrunhado pela insistência respondia que sim… que O amava com todas as forças do seu coração.

Só passado todo  o “drama” do Gólgota, compreendi a insistência de Jesus na pergunta, destinava-se a sublinhar indelevelmente a afirmação do Apóstolo de tal modo que, quando O negou três vezes percebeu a sua fraqueza, o pouco que era e, arrependendo-se chorou amargamente.

Na verdade, foi este arrependimento, este choro sentido no mais fundo do coração que salvou Pedro e o confirmou como o Príncipe dos Apóstolos, o primeiro Papa.

O facto de São Marcos descrever este episódio que o próprio Pedro lhe terá relatado, revela bem a humildade de Pedro.

Senti Jesus a tocar-me no ombro. Estremeci!

Disse-me: olha para Mim, olhos nos olhos.

Assim fiz.

- António, tu amas-Me?

Fiquei suspenso, olhei para Pedro que me acenou com a cabeça e respondi:

- Senhor, Tu sabes tudo, bem sabes que Te amo!

- Sei, sim sei que Me amas mas... amas-Me com todo o teu coração, a tua alma, todo o teu ser?

- Oh Senhor! Sim, sim, sim... mas bem sabes que sou um pobre homem com escassas forças e tenho receio que não seja capaz de Te amar como deveria!

- Ah! Então que queres que Eu faça?

- Senhor, meu Jesus... ajuda-me a amar-Te como devo, total e incondicionalmente, como coisa inteiramente Tua!

- Está bem, António, era isto mesmo que esperava ouvir de ti... e desTe-me um apertado abraço.

 

Reflexão

Ofensa e perdão

A ofensa tem o "valor" do ofendido e, consequentemente, a atinente gravidade. Daqui que o perdão da mesma tenha de estar de acordo. Concretizo; a ofensa feita a Deus só pode ser perdoada por Ele próprio, mas, impõe que o ofensor se arrependa e o manifeste específicamente usando,  para tal, da Confissão Sacramental, especificando, pedindo perdão, arrepender-se e tomar o propósito de não repetir.

"Acuso-me de ter feito isto, tenho consciência que não o deveria ter feito, aceito a minha culpa, peço perdão e faço o propósito de não reincidir".

Com a absolvição sacramental e o cumprimento da penitência imposta pelo Sacerdote, regressa a paz e reconquista-se o convívio com Deus.

Este é o perdão de Deus. O perdão dos homens é muito diferente sobretudo devido à dificuldade em esquecer.

Perdão sem esquecimento do que se perdoa... não é perdão!

 

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30/06/2023

Publicações em Junho 30

  


Dentro do Evangelho –  (cfr: São Josemaria, Sulco 253)

 

(Re Lc XV…)

 

Oiço as perguntas dos discípulos que querem saber o que se lhes afigura "complicado" para entenderem, insatisfeitos com as respostas dos Chefes do Povo que usavam sempre os mesmos "chavões" refugiando-se na Lei que eles próprios tinham ido adapatando ás suas conveniências resultando numa amálgama trapalhona sem nexo algum. Isto tinha uma intenção… mantendo o povo na ignorância era mais fácil manipulá-lo conforme lhes conviesse.

As respostas de Jesus são completamente diferentes, não só esclarecem liminarmente como, aproveitando o ensejo, discursa breve ou longamente explicando, dando exemplos de tal forma claros, transparentes que ficarão para sempre na memória. Está, neste caso, a Parábola do Filho Pródigo. 

Esta Parábola, que São Lucas relata tão admiravelmente, ficará para todo o sempre como a expressão mais extraordinária do Perdão.

Revejo os meus apontamentos sobre esta Parábola e, embora tenha receio de não ter "apontado" quanto devia, leio-os amiúde porque me consolam e esclarecem a alma.

Em primeiro lugar considero a injustiça do pedido do filho mais novo ao pedir ao Pai o que lhe caberia em herança. 

Uma herança, qual for, só tem justificação após a morte de quem se herda; na Parábola o Pai ainda está vivo, de modo que posso concluir que ao Filho lhe interessam mais os bens que a vida ou a morte do Pai. Depois... a atitude do Pai, numa decisão de amor pelo filho resolve dar-lhe o que este lhe pede.

Expresso a minha opinião para dizer que acho más as duas atitudes, a do filho porque revela uma insensibilidade rasteira, ignóbil, a do Pai porque se deixa vencer por uma visão errada do amor paternal. O amor por um filho não é sinónimo de lhe conceder quanto pede mas, dar o que é justo e razoável. Anuir aos pedidos de um filho implica uma responsabilidade paternal e não o desejo de que o filho o ame mais porque lhe concede o que lhe pede. Esta responsabilidade acresce quando se trata de um filho jovem cuja personalidade não está ainda totalmente desenvolvida.

Ou seja... ir dando na justa medida do possível e conveniente e não dar, de uma vez para "arrumar a questão". 

Concluo, portanto, que quem mais errou foi quem tinha maior responsabilidade: o Pai!

 

Reflexão

A Santa Missa

“Já foste à Missa hoje?”, houve-se perguntar, às vezes, aos Domingos.

Claro que, a intenção subjacente na pergunta é muito específica. Como quem dissesse ‘Já cumpriste a tua obrigação de Cristão?’

Cumprir uma obrigação? Está bem, pelo menos… isso!

Mas fazer o que seja por obrigação, porque “tem de ser” tem um mérito muito relativo.

O mérito reside no desejo de dar exemplo, de vencer a vontade de fazer outra coisa…

Mas…quem faz o que deve não terá mérito?

Claro que tem, mas, terá um mérito incomensuravelmente maior se ofizer por convicção e amor, sobretudo amor.

O amor tempera os actos e as intenções, qualifica as obras, o que se faz.

 

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