19/06/2023

Publicações em Junho 19

 


Dentro do Evangelho –  (cfr: São Josemaria, Sulco 253)

 

(Re )

(Re Lc XVIII)

Personagem

A vítima dos ladrões

Sou um judeu natural de Jerusalém e no exercício da minha actividade desloco-me a várias povoações de Israel, nomeadamente Jericó.

O que faço? Bem… sou um cobrador de impostos, o que chamam depreciativamente: um Publicano.

Não tenho muitos amigos… na verdade… não tenho sequer alguém a quem possa chamar: AMIGO! A princípio incomodava-me muito a forma suspeitosa e, até, o desprezo com que me tratam e, tenho de reconhecer, que um cobrador de impostos – sobretudo quando os impostos são cobrados em nome do invasor da nossa Pátria – não pode esperar outra coisa dos seus conterrâneos. Mas… é a minha vida… que hei-de eu fazer!

Acordei hoje manhã, já um pouco tarde, numa estalagem. Levei algum tempo a lembrar-me de quanto acontecera na véspera.

Como que em cenas pouco nítidas vi-me no caminho de Jericó para Jerusalém com os alforges da minha montada, carregados com o produto da cobrança. Sou assaltado por uns meliantes – três, parece-me – e tentei defender-me como pude, só que eles não me deram tréguas e, talvez por se aperceberem quem eu era, atacaram-me com tal violência que fiquei prostrado no caminho.

Não sei quanto tempo ali fiquei inconsciente e cheio de dores dos golpes sofridos;  lembro-me vagamente de alguém que se aproximou de mim e me prestou assistência, tratou como pode as minhas numerosas feridas deitando-lhes azeite e vinho. 

Nisto, o estalajadeiro aparece no meu quarto e pergunta-me como me sinto, fico a olhar para ele. Como se percebesse da minha confusão conta-me o que aconteceu, como tinha chegado na noite anterior trazido por um Samaritano – o mesmo que me encontrara prostrado no caminho – que tratara de mim e me instalara na cama. Tinha partido há pouco mas dissera que voltaria passados dois dias.

Na minha surpresa, perguntei: ‘Mas tens a certeza que era um Samaritano?’ Compreendo a tua surpresa pois, na verdade, também eu fiquei atónito. Disse-lhe: ‘Eu sou um Publicano e fui roubado e espoliado de quanto trazia, não sei como vou pagar-te a minha estadia.’ Não te preocupes com isso – responde-me – o teu “salvador” deixou-me dinheiro para cuidar de ti e até me disse que se não fosse suficiente, no seu regresso me pagaria o que faltasse.’

Quando o estalajadeiro saiu do meu quarto não pude deixar de pensar no estranho e insólito e toda a situação. Como era possível? Um Samaritano e um Judeu, ainda por cima, Publicano?

Na minha vida tenho cometido alguns – talvez bastantes – erros. Sobretudo abusos nas cobranças aproveitando-me das circunstâncias para guardar para mim uma boa parte. Isto nunca me incomodou… afinal é o que fazem todos os Publicanos! Bem sei que há pouco tempo atrás, um colega, nos surpreendera a todos quando resolvera abandonar a profissão que exercia precisamente em Jericó e devolver aos lesados o quádruplo do que se apropriara e, como se não bastasse, oferecera aos pobres metade do que possuía. Aliás, circulava uma história sobre um encontro com um tal Jesus da Galileia a Quem oferecera um banquete depois do que passou a fazer parte do grupo dos que O seguiam por todo o lado. Mas, confesso, não dei muita importância ao assunto. Agora, porém, parece que um incómodo estranho está a revirar-me as entranhas e começo a pensar que logo que possível tenho de encontrar-me com Ele para que me conte quanto aconteceu. Conheço-o bem e, se ele, tomou tais decisões é porque algo muito especial aconteceu e, conhecendo-o como conheço, só posso concluir que terá escolhido uma vida muitíssimo melhor que a que tinha antes.

Estando assim decidido, parece que as dores no meu corpo abrandaram e voltei a adormecer.

 

 

FESTA

 

SÃO JOSÉ

 

São José, varão feliz, que tiveste a dita de ver e ouvir o próprio Deus,  a quem muitos reis quiseram ver e não viram, ouvir e não ouviram; e não só ver e ouvir mas ainda mais; trazê-Lo nos braços, beijá-Lo, vesti-Lo e guardá-Lo. Rogai por nós, bem-aventurado José, para que sejamos dignos das promessas de Cristo. Amén.

 

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18/06/2023

Publicações em Junho 18

  


Dentro do Evangelho –  (cfr: São Josemaria, Sulco 253)

 

(Re Mc III…)

 

Desta passagem do São Marcos retiro a fé e confiança em Jesus que este homem manifesta.

Sabe perfeitamente que a sua mão é atrofiada, doente, incapaz de um movimento e, no entanto, à ordem de Jesus estende-a prontamente. E, porque obedece com fé e confiança, Jesus realiza o milagre que ele, talvez, não se atrevia a pedir.

Jesus actua como e quando quer, a maior parte das vezes discretamente mas, sobretudo naquelas ocasiões em que o milagre convém que seja público para consolidação da Fé dos presentes, fá-lo ás claras.

Os milagres que Jesus opera constantemente em mim têm de ser, por mim, publicitados com o meu exemplo de vida cristã de comportamento correcto para que outros o sigam.

A minha Fé e Confiança em Jesus são constantemente postas à prova, sei que não posso, temo não ser capaz de “estender a mão” como Ele me ordena e fazer o que devo fazer em cada momento, só tenho que ter bem presente que, se Ele me manda fazer algo é porque sabe que eu o posso fazer, não por mim, com as minhas forças e capacidades mas, porque Ele manda com Suprema Justiça.

 

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17/06/2023

Publicações em Junho 17

  


Dentro do Evangelho –  (cfr: São Josemaria, Sulco 253)

 

(Re Mt V)

 

Sal da terra

A Santa Igreja recomenda com "expressão obrigatória" que os seus fiéis participem na Santa Missa pelo menos uma vez por semana, preferencialmente ao Domingo. Por circunstâncias várias pode não ser possível. As recentes restrições impostas por causa da epidemia COVID, levaram à suspensão da assistência presencial nas celebrações nas Igrejas, mas... de "um mal aparente" o Senhor tira sempre um bem, e os cristãos descobriram que poderiam participar na Santa Missa através da NET. Com efeito diariamente a NET transmite celebrações da Santa Missa a que qualquer um, à hora que mais lhe convier, pode aceder gratuitamente. No que me respeita é o que faço.

Participar na Santa Missa é viver cada momento da celebração com todo o respeito e sincero desejo. A única diferença entre a participação presencial numa Igreja ou na NET poderá estar, apenas, na recepção da Comunhão Eucarística. Pela NET, essa Comunhão é  íntima, consciente e muito concreta, na Comunhão em espécie pode não o ser tanto - quantas vezes comunguei como que mecanicamente, porque sim...

O que será importante... receber o Senhor na boca ou no Coração?

Graças a Deus algumas das tecnologias modernas abrem caminhos que os nossos antepassados não tiveram; lembro as consequências tremendas nos inícios do Século XX, para tantos, um pouco por todo o mundo, da terrível peste bubónica que reduziu a humanidade a quase um terço. O meu Querido Pai que a viveu - só num ano a epidemia ceifou a vida dos seus Pais e Três Irmãos - contava que quando a situação abrandou ir à Missa ao Domingo era como que uma festa, as pessoas vestiam os melhores trajes, "aperaltavam-se" e viviam aqueles momentos com uma alegria incontida. Nós, homens e mulheres de hoje, somos os herdeiros desses exemplos, como poderemos ignorá-los?!?

Jesus Cristo declara sem qualquer margem para dúvidas a importância do cristão na sociedade. Uma importância que lhe vem directamente da sua Categoria de Filho de Deus em Cristo.

Como do sal ou da luz muitos dependerão deLe como necessidade concreta para melhor "temperarem" as suas vidas e verem com nitidez o caminho a seguir. Luz e Sal é o que o Senhor diz que nós, os cristãos, somos. Dois elementos fundamentais e preciosos. Sem luz anda-se nas trevas, não se vê por onde se vai, não existe horizonte, não se descortina o céu, não se encontra o caminho. Sem sal todo o alimento é insípido, desagradável, não apetece.

Sejamos - todos os baptizados - luz que ilumine os outros e sal que tempere as suas vidas.

Os cristãos têm de ser diferentes dos outros homens e mulheres? Não, exactamente, têm que se comportar como quem sabe e acredita firmemente que é Filho de Deus. É só isto que Jesus recomenda: fazer a Vontade de Deus sempre e em qualquer circunstância.

Ser sal e luz não é mais que dar exemplo de coerência e unidade de vida. Não são as palavras que convencem ou “arrastam” a menos que, acompanhadas pela prática do que se diz. O exemplo para ser credível e válido tem de ser permanente e não com “intervalos”, como se pudéssemos como que suspender essa filiação divina que nos foi conferida no Baptismo.

Na sequência do discurso anterior - «ser sal da terra e luz do mundo» - Jesus vem, de certo modo, completar o que disse. Não há, nem podia haver, nenhuma contradição, tão só uma vigorosa chamada de atenção para o são critério e rectidão de intenção dos nossos actos. Ser visto pelos outros como exemplo a seguir é muito diferente que desejar ser visto pelos outros para ser admirado e louvado.

Nunca será demais lembrarmos que e o que fazemos tem como que dois “espectadores: Os homens: nossos iguais, e Deus Nosso Senhor e Criador. Sendo assim, a quem pretendemos agradar com os nossos actos? Quem procuramos que nos aceite o que fazemos como algo válido e com recta intenção?

Parece que a resposta é simples: o “espectador” que nos interessa é Deus Nosso Senhor porque só dEle virá o prémio que pode servir para a nossa salvação.

Dos homens, podemos, talvez, esperar admiração, mas isso… de que nos servirá?

 

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16/06/2023

Publicações em Junho 16

  


Dentro do Evangelho –  (cfr: São Josemaria, Sulco 253)

 

(Re Mt XVVIII)

 

Personagem

 

Desta vez vou “meter-me” neste trecho de São Mateus personificando a figura do Rei.

Tenho por hábito – assim me ensinou o Rei meu Pai – acudir às necessidades dos meus súbditos e, por vezes, vou algo mais além do que seria aconselhável ou, até, prudente. Aconteceu exactamente com um homem que, sei, possuía razoáveis meios de fortuna, mas que por motivos que não averiguei se viu numa situação muito delicada. Veio à minha presença várias vezes com pedidos de ajuda que nunca lhe neguei. Concedi-lhe sempre o que me pedia.  Acontece que ontem mesmo, o meu administrador veio ter comigo para me expor um problema que me deixou… atónito. Começou por dizer-me que o erário real estava francamente desfalcado e que os empréstimos que vinha fazendo não poderiam continuar no mesmo ritmo e, sobretudo, montantes, sob pena de correr risco de forte recessão. Concretamente referiu-me o tal servo de que falava cuja dívida atingia a enormidade de dez mil talentos!   Rapidamente fiz as ”contas”: Dez mil talentos, uns sessenta milhões de denários! Sendo um denário o salário diário de um trabalhador… Tive de reconhecer que me excedera e de algum modo não fora justo para com os outros meus súbditos entregando a um o que poderia ter repartido por muitos. Mandei chamar o homem e, sem mais, disse-lhe que era tempo de me devolver o que lhe emprestara. A reacção foi surpreendente: disse-me pura e simplesmente que não tinha como pagar-me. Perguntei-lhe o que fizera com tanto dinheiro que lhe emprestara para reconstruir a sua vida, mas… não me deu resposta.   Ao meu ouvido o administrador dizia-me que este súbdito não era muito boa pessoa, descurava os seus deveres até para com a família e, tudo isto porque tinha o terrível vício da avareza. No fim e ao cabo o dinheiro que eu lhe dava graciosamente servia para empresta-lo a outros cobrando juros elevadíssimos, praticando uma usura miserável com o que não era de facto seu. Fiquei naturalmente indignado e lavrei uma sentença que, em suma, decretava que se vendesse quanto tinha, se apreendessem todos os seus bens, se necessário vendessem a mulher e os filhos até reunir a quantia em dívida. Mas o desgraçado – não posso chamar-lhe outra coisa – lavado em lágrimas e gemendo pediu-me encarecidamente que lhe desse um pouco mais de tempo, que conseguiria resolver a sua vida e reunir o necessário para satisfazer a dívida. Tive pena do pobre homem, é verdade! Senti uma enorme pena de uma pessoa que, não obstante a sua má conduta, talvez merecesse que lhe concedesse o que me pedia. Mas eu tinha bem a noção da enormidade da dívida e que nunca lhe seria possível devolver-me o que lhe emprestara. Assim, para acabar com o assunto e na esperança que realmente se corrigisse, perdoei-lhe toda a dívida e mandei-o embora em paz. Confesso que fiquei muito contente com a minha decisão, afinal de que me serve ser Rei se não posso fazer o que quero com o que é meu?

 

 

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15/06/2023

Publicações em Junho 15

  


Dentro do Evangelho –  (cfr: São Josemaria, Sulco 253)

 

(Re Mt I… )

Viver a fé na vida normal de todos os dias.

Este é o grande desafio da minha vida de cristão; estar à espera de uma ocasião soberana em que a minha fé seja posta à prova é uma patetice, uma tentação; uma patetice porque nada me diz que tal venha a acontecer, uma tentação porque me desvia do imediato e concreto para considerar uma hipótese futura.

Viver a Fé não é outra coisa que cumprir um dever pessoalmente assumido, considerar que O Meu Deus e Criador, comenda a minha vida inteira, todos os dias, e espera de mim que eu faça quanto possa para O satisfazer.

Bem sei, posso pouco, muito  pouco mas, ao considerar que nunca estou só, que Ele me acompanha sempre, sinto-me confortado e àvontade.

A minha Mãe do Céu me guiará com mão terna e segura pelos caminhos que devo seguir.

Portanto, concluo, para ter Fé é necessário entregar-me decidida e inteiramente nas Mãos de Jesus e de Sua e minha Mãe, Maria Santíssima.

 

Reflexão

Querer e poder

 

Quero... então Posso…

Bartimeu respondeu à pergunta Jesus: «Se quiseres podes curar-me». É uma afirmação de completa e profunda Fé.

«Se posso? A quem acredita tudo é possível», respondeu Jesus.

Parece pois claríssimo: Se acredito... posso.

 

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