23/12/2021

Publicações em Dezembro 23

 


A hipocrisia é um defeito terrível que Jesus Cristo veementemente condena como com frequência os Evangelhos referem.

Pretender que nos tomem por alguém que não somos, aparentar virtudes que não possuímos, dizer que não sabemos o que realmente conhecemos enfim, deturpar, enganar, fingir são próprios de alguém detestável em quem não se pode confiar o que for.

Amiúde somos levados a julgar, ou pelo menos, avaliar, as atitudes e comportamentos dos outros.

Seria muito útil para nós pensar que esses outros terão a mesma atitude connosco e tal deveria levar-nos a uma conduta irrepreensível.

O são critério deve estar sempre presente quando se trata de falar de Deus aos outros.

É contraproducente falar de Deus e de coisas santas - «as vossas pérolas» - a pessoas que ou não sabem ou não têm qualquer interesse em saber e, nalguns casos – bastantes infelizmente – as perguntas que possam fazer têm como intenção encontrar argumentos de discussão e desafio.

Porque que, se de facto quer ouvir para entender e saber deve estar disposto desde logo a assumir as dificuldades, obstáculos e eventuais renúncias que o seguimento de Cristo implica.

Transportar a cruz de cada dia será sempre difícil pela «porta estreita» por isso mesmo muitos preferem usar o caminho largo e fácil onde não são necessários nem esforços ou sacrifícios.

A prudência é uma virtude que devemos pedir com insistência sobretudo quando se trata de responder a questões que, de algum modo, tenham a ver com a nossa Santa Religião Cristã.

Já referimos algumas vezes que nem todas as perguntas merecem resposta porque feitas com espírito malévolo e intencionalmente crítico.

Ser prudentes no que dizemos e também no que escrevemos e, em caso de dúvida, pedir conselho.

Sim, algumas vezes o que escrevemos pode ou não ser adequado ou pela forma poderá ser deficientemente interpretado.

Nós, cristãos, não somos mestres em coisa nenhuma, «um só é o Nosso Mestre» (cfr. Mt 2 3-8) como muito bem frisou Jesus Cristo.

Faz parte da condição humana o exercer quase que de forma automática pensamentos, obras e opiniões sobre os outros que se cruzam na nossa vida.

Nem sempre, evidentemente, sob o aspecto da crítica e reprovação, também o fazemos para louvar e de alguma forma sublinhar algo que achamos bem e até invejamos.

Pois seja qual for a intenção devemos abster-nos porque em caso algum fomos constituídos juízes..

A hipocrisia merece de Jesus Cristo veemente repúdio e, os Evangelhos, relatam várias ocasiões em que esse repúdio constitui uma acusação claríssima.

De facto, o hipócrita age como um actor, fingindo o que não é, oferecendo o que não tem, aconselhando o que não pratica.

A hipocrisia pode espalhar-se como uma praga sobretudo quando se quer alguma coisa ou atingir um fim seja de que maneira for.

Ninguém pode dar o que não tem ou aconselhar o que não sabe.

Ser verdadeiro e honesto quer no procedimento quer nas intenções é o que deve caracterizar o cristão. Este, além de merecer crédito no que diz, tem de convencer pelo exemplo do que faz.

 

Solidez da Fé

 

Temos de encarar - seriamente - a solidez da nossa fé.

Acreditamos porque é nossa convicção, séria, intelectualmente honesta, ou "porque sim", é tradição de família, algo que consideramos desde crianças?

Não há alternativa: ou se verifica a primeira ou, então, a fé que julgamos ter não resistirá aos embates e vicissitudes que a vida nos trará.

Pedir, pedir... parece ser esta a atitude da criatura em relação ao seu Criador. E não é nem demais nem ousadia porque foi O próprio Jesus Cristo Quem nos instruiu para que o fizéssemos e, mais, pedíssemos perseverantemente, sem descanso.

De que precisamos? De tudo, absolutamente porque por nós mesmos não podemos nada.

Não tenhamos medo de pedir ou receio de pedirmos demais.

O Senhor sabe muito bem o que realmente nos faz falta e, na Sua Infinita Sabedoria nos dará o que entender que realmente precisamos.

Por vezes na nossa vida surgem momentos em que estas palavras de Jesus Cristo nos levantam algumas dúvidas.

Com efeito aquilo que vimos pedindo há tanto tempo parece não ser atendido como se o Senhor estivesse desinteressado.

Pensemos bem: será que na verdade não nos concede o que pedimos?

Talvez o faça de outra forma e não exactamente como pedimos como, por exemplo, a cura de uma doença persistente que nos aflige.

Podemos, é verdade, continuar na mesma situação e essa cura não surgir, mas, consideremos, se não recebemos graça para suportar a doença, se os méritos que possamos obter com o nosso sofrimento não serão “aplicados” onde ou em quem esteja mais necessitado, se, no fim e ao cabo, a nossa doença não é caminho da nossa salvação?

 

Construir, construir…

 

É a tarefa de todos os homens que foi dada pelo Criador.

O quê e como?

Pois, com critério e empenho para que a construção seja não só estável como duradoura.

E verdade, estamos de passagem, mas as nossas obras ficarão como testemunho dessa passagem.

O Senhor contemplará o que construirmos e, se achar digno, habitará na nossa morada.

Guardar a fé como um Tesouro, Pérolas Preciosas, é um dever de qualquer cristão, como guardião fiel e Depósito Seguro das verdades reveladas por Cristo Nosso Senhor.

A nossa Santa religião tem de ser preservada dos que a combatem usando por vezes as próprias fraquezas dos que deviam protegê-la e actuando, por isso mesmo, com eficácia.

Tenhamos a coragem e desassombro necessários para mantermos com firmeza as nossas convicções alicerçadas nas verdades da nossa Santa Fé.

O poder da Fé converte quem a possui em alguém indestrutível, como que imune às vicissitudes e perigos que podem deparar-se nesta vida.

Com a confiança em Deus que a Fé consolida, o homem nunca será vencido no seu caminhar para Deus.

Passamos pela vida curta ou longa em permanente actividade de construtores.

Fazemos pontes entre uns e outros tentando unir o que por qualquer motivo se separou, pomos de pé leis e regras para reger a sociedade; fazemos o que muitos recusam por apatia vergonha ou outro motivo qualquer e sobretudo construímos passo a passo uma vida que desejamos exemplar não nos poupando a esforços ou por vezes sacrifícios.

Bom... tudo  isto é, deve ser o ideal da vida de um cristão.

Mas se não nos apoiarmos na oração constante e perseverante tudo isso carecerá da solidez indispensável para resistir aos vendavais e tormentas que constantemente o demónio levanta contra nós.

O poder da Fé converte quem a possui em alguém indestrutível, como que imune às vicissitudes e perigos que podem deparar-se nesta vida.

Com a confiança em Deus que a Fé consolida, o homem nunca será vencido no seu caminhar para Deus.

Com a sua vida bem assente nas bases da verdadeira fé, pode estar seguro que cumpre o necessário para alcançar a vida eterna, ou seja, como o Senhor afirma: «entrará no Reino do Céu, (…) aquele que faz a vontade de meu Pai que está no Céu».

 

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22/12/2021

Publicações em Dezembro 22

 


Vale a pena reler,não importa se pela milionésima vez, quanto São Lucas escreve sobre o Nascimento de Jesus.

Na verdade, penso que estou a ler uma descrição directa feita pela Santíssima Virgem porque só Ela, que «guardava no seu Coração todas as coisas» poderia descrever com tal fidelidade e abundância de detalhes quanto aconteceu.

São Lucas surge assim como que um repórter cuidadoso e fiel ao que ouve de uma fonte absolutamente fidedigna.

Imagino a sua atenção total ao que lhe era revelado.

De facto, estes trechos de São Lucas são escritos pela Santíssima Virgem e, nessa convicção, atrevo-me a considerá-los como o Evangelho de Nossa Senhora.

Na verdade, nos quatro Evangelhos que nos chegaram, a Santíssima Virgem está sempre presente não num "segundo plano" mas como uma referência constante.

São Lucas teve a oportunidade, a Graça de "entrevistar" a Mãe do Salvador e desempenhou essa missão exemplarmente, não acrescentando nada da "sua lavra", interpretando ou perdendo-se em considerações pessoais, dando-me assim exemplo de como tenho de "apreciar" o Evangelho em que me detenho: o que consta é quanto me deve bastar, não há nem "entrelinhas" nem lugar a ilacções especulativas, é o que é e ponto...

Curioso, debruço-me sobre o seu ombro tentando ler o que vai escrevendo mas, quase sempre, tenho de voltar atrás porque me "perdi" abismado com a SIMPLICIDADE da Magnitude de Deus.

Sendo Deus a MAGNITUDE na sua expressão absoluta, concluo que esta MAGNITUDE tem uma base: a SIMPLICIDADE!

Chegado a esta conclusão considero como absolutamente conveniente e necessário pedir: 'Senhor... ajuda-me a ser simples!

 

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21/12/2021

Publicações em Dezembro 21

 


O Senhor usa a imagem do sal como um exemplo gráfico da valia, importância e indispensabilidade do papel dos cristãos na vida da sociedade.

O sal, como sabemos, é – foi sempre – um elemento essencial à vida humana de tal forma que chegou a constituir autêntica moeda de troca de grande valor e as populações percorriam enormes distâncias para conseguir tão precioso bem.

Assim os cristãos são, de facto, indispensáveis na sociedade não só porque levam com eles o “tempero” das atitudes e acções, mas, sobretudo porque condimentam com o seu exemplo de vida o desregramento e abulia de muitos.

A missão dos cristãos é, principalmente, dar exemplo. Que os outros, todos, sejam quem forem, ao dar-se conta de como vivemos e como somos alegres e felizes, mesmo em situações difíceis, desejem imitar-nos.

De pouco valerão as palavras e discursos por belas ou bem estruturados que possam ser, se os nossos actos não corresponderem.

É tão difícil amar os que não nos amam ou que até nos são indiferentes!

Esta é uma afirmação que faço sem receio de desmentido porque, infelizmente, corresponde cada vez mais a um sentimento generalizado de inveja, mal querer e, até mesmo desejar o mal.

Grande parte do "amor" aos outros é hoje dia movido pelo interesse e, portanto, será tudo menos amor. 

Ali, no cimo Gólgota, quando Jesus Cristo abriu os braços na Cruz foi a todos os homens sem qualquer distinção. Não desejo eu fazer o mesmo?

Uma das características principais de uma família é, deve ser, o amor que une todos os seus membros, sobretudo os mais próximos: os irmãos.

Na família de Deus a que pertencemos, este amor deve ser mais evidente, concreto, real. Por todas as razões, mas principalmente porque se trata de uma autêntica família cujo Pai é, Ele próprio, o Amor. Depois, porque devemos ter presente que só o amor une, perdoa, pacífica, constrói.

A perfeição está, pois, no amor de Deus.

Como Deus ama todos os homens - absolutamente todos – não distinguindo entre bons e maus, amigos ou inimigos, se fizermos como Ele estamos de facto a imitá-lo. E, evidentemente, deduz-se das palavras de Cristo que imitar Deus é o caminho para a perfeição.

Os caminhos de Deus não são fáceis? Como responder?

Parece óbvio que não são e, no entanto, foi os que Jesus Cristo indicou. Sendo assim podem não ser fáceis, mas, decerto não serão impossíveis porque Ele jamais nos pediria algo que não estivesse ao nosso alcance obter: «sede perfeitos como é perfeito o vosso Pai celeste.»

O "segredo" está ajuda da Graça de Deus, na assistência do Espírito Santo que, se solicitarmos com Fé e Confiança nos conduzirão por onde sozinhos e por nós próprios, só com as nossas forças e capacidades, não conseguiremos.

O AMOR só pode falar de amor.

Sabemos, temos a certeza que Deus é Amor!

Criou-nos por Amor; Mantém-nos vivos por Amor; Fez-se homem por Amor; Deu a Sua Vida por Amor; Somos Seus filhos – autênticos – por Amor!

Por isso mesmo só podemos tentar retribuir este Amor, Santo, Divino, Imenso, com o nosso amor completo, sem hiatos nem condições.

Ficaremos sempre muito aquém, mas, mesmo assim, o Senhor quer esse amor que temos para Lhe dar e – como Jesus disse – a forma mais concreta de O amar é amar os outros – todos os outros – homens nossos irmãos em Cristo.

Um filho não deve retribuir o amor que seu Pai lhe tem? Não é natural que assim seja?

Então Jesus Cristo não nos pede nada contra a lógica do amor, porque, como já temos dito, o amor só se completa com reciprocidade plena.

Ficaremos aquém? Já o sabemos mas isso em lugar de levar-nos a desistir deve “acicatar-nos” para que nos esforcemos cada vez mais.

“Faz o bem sem olhares a quem”, é um dito popular que bem pode ter a sua origem nestes ensinamentos de Cristo.

Podemos acrescentar, as palavras de São Josemaria Escrivá: afogar o mal em abundância de bem.

Será difícil por vezes não responder no mesmo tom, não devolver o insulto, conservar a calma e tranquilidade deixando o outro desarmado e sem razão.

Talvez pensemos que não merecemos a forma como nos trata, mas depressa se desvanecerá esse sentimento se pensarmos: 'se realmente me conhecesse bem, tratar-me-ia muito pior’.

Na base do edifício social está a família cujo alicerce é o matrimónio e, na base deste, deve estar o amor. Por isso se pode simplificar dizendo que o sucesso ou insucesso de uma sociedade depende da qualidade e natureza do amor.

O amor não é interesseiro, não cede nem a desejos nem a luxúria. Sendo profundo e concreto não é volúvel e não se deixa arrastar por entusiasmos mais ou menos passageiros.

Sim, pode dizer-se que na base das relações humanas tem de estar presente o amor.

Não um amor qualquer, como, por exemplo, gosto muito de... mas um amor total, profundo, de dar sem medida, sem o intuito de receber. Se este amor não existir tudo falha e mais tarde ou mais cedo a relação corrompe-se e acaba.

A “força” das palavras de Jesus justifica-se pela Sua preocupação de que os homens percebam o valor, a importância e dignidade de que se reveste o amor conjugal.

Evidentemente que não nos quer mutilados no corpo, em primeiro lugar porque não são os membros que têm culpa dos nossos erros e pecados e porque a mutilação da nossa alma pelo pecado – essa sim – precisa de reparação e vigilância.

Eu penso que grande parte dos erros cometidos nos matrimónios se devem à falta de respeito de um pelo outro ou, até, de respeito por si mesmo.

Não nos enganemos: não é possível o amor subsistir se não houver respeito dentro do casal.

 

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