21/12/2021

Publicações em Dezembro 21

 


O Senhor usa a imagem do sal como um exemplo gráfico da valia, importância e indispensabilidade do papel dos cristãos na vida da sociedade.

O sal, como sabemos, é – foi sempre – um elemento essencial à vida humana de tal forma que chegou a constituir autêntica moeda de troca de grande valor e as populações percorriam enormes distâncias para conseguir tão precioso bem.

Assim os cristãos são, de facto, indispensáveis na sociedade não só porque levam com eles o “tempero” das atitudes e acções, mas, sobretudo porque condimentam com o seu exemplo de vida o desregramento e abulia de muitos.

A missão dos cristãos é, principalmente, dar exemplo. Que os outros, todos, sejam quem forem, ao dar-se conta de como vivemos e como somos alegres e felizes, mesmo em situações difíceis, desejem imitar-nos.

De pouco valerão as palavras e discursos por belas ou bem estruturados que possam ser, se os nossos actos não corresponderem.

É tão difícil amar os que não nos amam ou que até nos são indiferentes!

Esta é uma afirmação que faço sem receio de desmentido porque, infelizmente, corresponde cada vez mais a um sentimento generalizado de inveja, mal querer e, até mesmo desejar o mal.

Grande parte do "amor" aos outros é hoje dia movido pelo interesse e, portanto, será tudo menos amor. 

Ali, no cimo Gólgota, quando Jesus Cristo abriu os braços na Cruz foi a todos os homens sem qualquer distinção. Não desejo eu fazer o mesmo?

Uma das características principais de uma família é, deve ser, o amor que une todos os seus membros, sobretudo os mais próximos: os irmãos.

Na família de Deus a que pertencemos, este amor deve ser mais evidente, concreto, real. Por todas as razões, mas principalmente porque se trata de uma autêntica família cujo Pai é, Ele próprio, o Amor. Depois, porque devemos ter presente que só o amor une, perdoa, pacífica, constrói.

A perfeição está, pois, no amor de Deus.

Como Deus ama todos os homens - absolutamente todos – não distinguindo entre bons e maus, amigos ou inimigos, se fizermos como Ele estamos de facto a imitá-lo. E, evidentemente, deduz-se das palavras de Cristo que imitar Deus é o caminho para a perfeição.

Os caminhos de Deus não são fáceis? Como responder?

Parece óbvio que não são e, no entanto, foi os que Jesus Cristo indicou. Sendo assim podem não ser fáceis, mas, decerto não serão impossíveis porque Ele jamais nos pediria algo que não estivesse ao nosso alcance obter: «sede perfeitos como é perfeito o vosso Pai celeste.»

O "segredo" está ajuda da Graça de Deus, na assistência do Espírito Santo que, se solicitarmos com Fé e Confiança nos conduzirão por onde sozinhos e por nós próprios, só com as nossas forças e capacidades, não conseguiremos.

O AMOR só pode falar de amor.

Sabemos, temos a certeza que Deus é Amor!

Criou-nos por Amor; Mantém-nos vivos por Amor; Fez-se homem por Amor; Deu a Sua Vida por Amor; Somos Seus filhos – autênticos – por Amor!

Por isso mesmo só podemos tentar retribuir este Amor, Santo, Divino, Imenso, com o nosso amor completo, sem hiatos nem condições.

Ficaremos sempre muito aquém, mas, mesmo assim, o Senhor quer esse amor que temos para Lhe dar e – como Jesus disse – a forma mais concreta de O amar é amar os outros – todos os outros – homens nossos irmãos em Cristo.

Um filho não deve retribuir o amor que seu Pai lhe tem? Não é natural que assim seja?

Então Jesus Cristo não nos pede nada contra a lógica do amor, porque, como já temos dito, o amor só se completa com reciprocidade plena.

Ficaremos aquém? Já o sabemos mas isso em lugar de levar-nos a desistir deve “acicatar-nos” para que nos esforcemos cada vez mais.

“Faz o bem sem olhares a quem”, é um dito popular que bem pode ter a sua origem nestes ensinamentos de Cristo.

Podemos acrescentar, as palavras de São Josemaria Escrivá: afogar o mal em abundância de bem.

Será difícil por vezes não responder no mesmo tom, não devolver o insulto, conservar a calma e tranquilidade deixando o outro desarmado e sem razão.

Talvez pensemos que não merecemos a forma como nos trata, mas depressa se desvanecerá esse sentimento se pensarmos: 'se realmente me conhecesse bem, tratar-me-ia muito pior’.

Na base do edifício social está a família cujo alicerce é o matrimónio e, na base deste, deve estar o amor. Por isso se pode simplificar dizendo que o sucesso ou insucesso de uma sociedade depende da qualidade e natureza do amor.

O amor não é interesseiro, não cede nem a desejos nem a luxúria. Sendo profundo e concreto não é volúvel e não se deixa arrastar por entusiasmos mais ou menos passageiros.

Sim, pode dizer-se que na base das relações humanas tem de estar presente o amor.

Não um amor qualquer, como, por exemplo, gosto muito de... mas um amor total, profundo, de dar sem medida, sem o intuito de receber. Se este amor não existir tudo falha e mais tarde ou mais cedo a relação corrompe-se e acaba.

A “força” das palavras de Jesus justifica-se pela Sua preocupação de que os homens percebam o valor, a importância e dignidade de que se reveste o amor conjugal.

Evidentemente que não nos quer mutilados no corpo, em primeiro lugar porque não são os membros que têm culpa dos nossos erros e pecados e porque a mutilação da nossa alma pelo pecado – essa sim – precisa de reparação e vigilância.

Eu penso que grande parte dos erros cometidos nos matrimónios se devem à falta de respeito de um pelo outro ou, até, de respeito por si mesmo.

Não nos enganemos: não é possível o amor subsistir se não houver respeito dentro do casal.

 

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20/12/2021

Publicações em Dezembro 20

 


Ao reler o final do Versículo 52 do Capítulo VI do Evangelho escrito por São Lucas fico abismado... os Doze não tinham entendido o milagre portentoso operado por Jesus... a multiplicação dos pães e peixes!?!

Penso melhor e tenho de concluir que exactamente por o milagre ser portentoso não o compreenderam.

Os seus espíritos simples não estavam aptos a entender na sua globalidade coisas portentosas.

Mas o que, como sempre me galvaniza é a sua humildade pessoal e colectiva que quer que estas debilidades constem nos Evangelhos para que fique claríssimo que para compreender é fundamental conhecer e, para conhecer é imprescindível ver e avaliar com olhos puros e despidos de preconceitos ou pré-avaliações.

E... eu... compreendo este milagre da multiplicação de pães e peixes?

Claro que se tenho absoluta certeza que Jesus Cristo é Deus sei que pode absolutamente tudo... com cinco pães e dois peixes alimentar uma multidão ou com o Seu Corpo e Sangue, ou alimentar para todo o sempre milhões e milhões dos Seus filhos.

Só tenho que estar grato ao Evangelista por me ter deixado esta revelação: qualquer milagre operado por Cristo encerra uma verdade absoluta... Ele pode tudo!

Logo após alguns fariseus pediram a Jesus que operasse um prodígio para que pudessem acreditar nEle.

Fica bem expressa a sua cegueira e hipocrisia; então o que acabavam de assistir não tinha sido um prodígio?

Fica patente que fizesse Jesus Cristo que fizesse nada os levaria por outro caminho, e isso mesmo fica demonstrado na resposta que deram a Jesus.

Quando não se quer ver não se vê e, portanto, mesmo que só se acredite no que se pode ver nunca se acreditará.

 

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19/12/2021

Publicações em Dezembro 19

 


Como, num Sábado de Dezembro, exactamente uma Semana antes do dia de Natal, fazer um exame pessoal sobre como foi o meu comportamento durante este ano e extrapolar o que deve ser esta semana que aí vem?

O ano que passou mantive a consciência bem ciente que O meu Salvador nasceu, uma vez mais, dentro de mim?

E foi como que crescendo, tomando vulto todos os dias, momentos, de forma real, substantiva?

Foi, de facto, mais que uma memória mas uma presença viva, actuante?

Tenho de reconhecer que não.

Houve dias, muitos dias, que nem sequer me lembrei do Nascimento de Jesus.

Ocupado com tantas coisas e preocupações fui pondo de lado esse extraordinário acontecimento: há um ano Jesus Cristo nasceu para mim, dentro de mim e, agora, vai nascer outra vez.

O que desejo e quero é viver tão intensamente o próximo dia 25 de Dezembro que fique como um marco inolvidavelmente presente durante o resto dos dias que me forem concedidos viver.

Quero que cada dia seja dia de Natal, que o meu coração seja um Presépio vivo onde Jesus nasça, guardá-Lo, acarinhá-Lo, embalar nos meus braços Esse Menino inerme, Inocente que Se me entrega com total confiança.

"Natal é quando um homem quiser", diz o povo, e, eu quero que todos os dias sejam dias de Natal no meu coração.

Se assim for, como espero e confio, de hoje a um ano, se Ele quiser, poderei concluir: 'Fiz o que devia ter feito; obrigado Menino Jesus,!

 

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18/12/2021

Publicações em Dezembro 18

 


E Dezembro vai "andando" numa sequência de dias sempre diferentes, coisas novas, como fosse a primeira vez que as visse e eu tentando acompanhar o ritmo.

A minha atávica tendência é deixar-me ficar confortavelmente instalado na bruma dos dias que vão passando.

Fazer um esforço por evoluir parece-me estulticía... estou tão bem assim...

A realidade é, porém, outra muito diferente, não estou nada bem!

Se não evolu-o não vivo e, portanto estou morto.

"Técnicamente" estou vivo porque respiro e o coração vai cumprindo o seu trabalho mas... vivo a dormir mesmo estando acordado.

O não participar, como me for real e honestamente possível na vida diária, equivale a abdicar da minha obrigação mais vinculativa que é viver cada momento que me seja concedido viver como se fosse o último, aplicando todas as minhas capacidades nessa tarefa.

O meu Criador espera que eu viva em plenitude e não que me "arraste" pelos dias que vou vivendo como que suportando um peso esmagador.

Tenho muito em conta pensar-me como alguém que se preocupa com os outros, os mais próximos e os que não o são, ora... para estar em sintonia com este desejo tenho, efectivamente que viver já que, morto, não lhes serei de qualquer préstimo.

Mas... este discorrer leva-me a considerar que serei alguém especial?

Sim... leva... e afirmo desde já que está certo: sou alguém especial!

Sou um ser humano criado por Deus à Sua Imagem e Semelhança e é exactamente isso que me torna "especial", porque único e irrepetível.

Deus Criador não tem como que um armazém de modelos de seres humanos no qual vai escolhendo mais ou menos adrede o que Lhe apetece usar.

Não!

Deus cria continuamente e, se criar significa fazer algo a partir do nada, é exactamente isso que faz.

De facto, criar, verdadeiramente... criar, só é possível a Deus, mesmo nós humanos dotados de inteligências ou dons extraordinários não somos capazes de criar coisa nenhuma, utilizaremos sempre uns meios, sejam quais forem, para corporizar uma ideia.

Um pintor utiliza tintas, telas, pincéis... tudo coisas que já existem portanto, segundo o conceito acima expresso,  não cria nada.

Deus Criador não "usa" de nada existente, faz tudo, absolutamente novo!

Quando releio e medito o que escrevi fico siderado com a enormidade da constatação: Do nada absoluto o Criador fez este homem que sou!

Que coisa espantosa... para empregar palavras humanas que são as minhas.

Leio no Antigo Testamento que Deus «olhou para o tinha feito e achou tudo muito bom», e posso, portanto, extrapolar que, eu, "sou muito bom".

Esta conclusão leva-me inevitavelmente a considerar que todos os dias, momentos, têm de ser vividos de acordo com esse "estatuto" e não como outra coisa qualquer, abúlico, desinteressado, acomodado.

Tenho de corresponder e viver de acordo se não... que poderei esperar... talvez... "afasta-te de Mim, não te conheço"...

Deus me livre!!!

 

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