11/12/2021

Publicações em Dezembro 11

 


Apercebi-me que Jesus ia iniciar um dos Seus discursos porque fez um sinal com as mãos como que a mandar que se suspendessem as perguntas dos inúmeros circunstantes que se atabalhoavam na sua ânsia de obter respostas aos seus problemas. Começou por dizer: «Quem quiser ganhar a vida tem de perdê-la...».

Todos, incluindo-me a mim, ficam perplexos. Que quer isto dizer!?!

Claro que a "explicação" veio logo a seguir. Nessa explicação Jesus deixou bem claro que a vida a que Se referia era a Vida Eterna. Prosseguindo no Seu discurso muitos, eu, compreendemos que a vida terrena não passa de como que uma passagem, longa ou não, para a verdadeira Vida, a Eterna, mas, mais que uma passagem é, deve ser, uma preparação necessária e absolutamente essencial para essa Vida.

Ao imprimir em nós, seres humanos, a Sua Imagem e Semelhança, logo quando da nossa concepção no seio materno, recebemos essa herança: Criados para a Eternidade.

Tenho frequentes debates interiores sobre a Eternidade. Compreendo que sendo algo tão extraordinário e de alguma forma misterioso me será muito difícil assimilar mas,  sendo como é uma realidade, sinto que devo esforçar-me o quanto for possível para me aproximar dessa compreensão. Jesus Cristo revelou muitas coisas sobre a Vida Eterna, escusando-Se falar sobre outras que iriam além do que eu poderia entender. Ao falar da Eternidade, a Vida Eterna, tenho sempre subjacente que falo do Reino do Céu. Creio, sinceramente, que Esta é, como dizer, a mais,  vivida, já que os outros que vivem essa Vida no castigo eterno serão apenas os que conscientemente escolheram essa opção. Esta afirmação que faço baseia-se nas próprias palavras de Jesus Cristo que disse «todas as ofensas serão perdoadas excepto as feitas ao Espírito Santo», o que quer dizer, tal como entendo, que é o homem quem se condena a si mesmo; nem é admissível outra ilacção porque Deus não condena o homem, condena o pecado. Então, poder-se-á dizer que os "habitantes" do Reino do Céu são em  número muito maior, inexcedívelmente maior que os que "habitam" o  inferno? Não temo afirmar que estou absolutamente convicto que sim! Ninguém, em seu juízo lúcido e coerente, pode desejar para si próprio algo mau.

A este propósito refiro o que se passou - é histórico e está documentado - com um dos mais brilhantes pensadores dos nossos tempos: Voltaire. (Afirmar tal não significa estar de acordo com as ideias que expressou, mas tão só reconhecer a sua poderosa inteligência).

Nas vascas da agonia, Voltaire pediu a Condorcet, seu fiel amigo e amirador, que chamasse um Sacerdote para lhe administrar a Extrema Unção (o que agora chamamos Unção dos Doentes). Condorcet ficou espantado: 'Tu pedes-me uma coisa dessas depois de toda a tua vida teres negado haver o que fosse para além da morte?!?’ Voltaire respondeu: 'É verdade, toda a minha vida neguei haver o que fosse depois da morte, mas... e se HÁ!? Condorcet "rendeu-se" a este último argumento do seu amigo e foi buscar o Padre Lubac que administrou a Voltaire o Sacramento que desejava. Concluo que Voltaire agiu como deve fazer qualquer pessoa... na dúvida, optar pelo que íntimamente parece ser o mais certo e seguro. Portanto, julgo que posso afirmar que Voltaire está gozando o Reino de Deus.

Aflige-me pensar em tantos que se julgam possuidores da verdade absoluta que assenta apenas no que podem constatar, ver ou sentir e põem de lado, liminarmente qualquer preocupação que vá além disso. No fim e ao cabo são pessoas cujo único interesse é o EU, o centro e o universo, o resto que me rodeia, só me interessa na medida em que me for conveniente e útil. Bom... nestes casos, o EU acaba, extingue-se definitivamente com a morte e... não resta nada, não fica nada... e, questiono-me... o que será desses?

Naturalmente a minha humanidade leva-me a imaginar a Vida Eterna como um lugar, um local onde estão quantos a morte levou. Mas... não deve ser exactamente assim porque o que morre é o corpo, a alma vive para sempre, assim sendo, considerando que a alma é espírito, não ocupa nem lugar nem espaço a conclusão a que chego é que a Vida Eterna não é um espaço nem um local mas um "estado". Sendo assim, e não tendo como ultrapassar a minha compreensão humana, sou conduzido a pensar que a Vida Eterna pode muito bem ser a que já vivo... olho para o Céu, claro, porque o Céu é a expressão humana de elevação suprema, mas, uma vez mais o Céu pode muito bem estar aqui, onde vivo e não noutro lugar etéreo qualquer. O Céu, o Reino dos Céus, está no «meio de vós» foi Cristo Quem o afirmou e, portanto, parece-me que a minha ilacção está correcta. É claro que esta "conclusão" me leva a pensar que tenho de viver a minha vida como que de facto estivesse no Céu, o que quer dizer, já que no Céu só habitam santos, que tenho, custe o que custar, ser Santo. Confesso que numa primeira reacção me assusta esta conclusão: ser Santo!

Medito e considero o que conheço da vida de muitos Santos. A maior parte foram pessoas simples com defeitos e debilidades, orgulho pessoal, intransigente apreciação dos outros, quedas frequentes. A santidade atingiram-na porque venceram essas debilidades e limitações com o esforço contínuo, a oração permanente. Ler as histórias dos Santos é muito útil para qualquer cristão porque lhe dará uma certeza... qualquer um, eu, posso ser Santo.

Eu leio inúmeras vezes e, até vejo documentários, filmes sobre São Filipe de Néri. Digo sem rebuço que me apaixona este homem cuja simplicidade de comportamento raia, por vezes, a patetice. Sim… São Filipe de Néri preferia ser tido como tonto e irrealista do que alguém pudesse pensar que era portador de graças ou virtudes especiais. Na agitação tremenda que a Igreja vivia naquele tempo o Santo de Néri encarava as ordens ou instruções dos que as podiam dar, com seriedade e humildade mas nunca deixava de levantar os olhos ao Céu pedindo luz e sabedoria para fazer a Vontade de Deus.

A verdadeira humildade não estará tanto em aceitar, sem mais, o que nos exige quem o pode exigir, mas em realmente fazer o que se deve fazer. Não se trata de questionar ou pôr em causa mas de aferir se está de acordo com a Amabilissima e Justíssima Vontade de Deus.

A santidade pessoal é algo que devo procurar atingir enquanto tenho tempo, ou seja enquanto vivo, depois já não será possível. A questão resume-se, tenho a certeza, em tentar fazer, cumprir em tudo a Vontade de Deus. Este É, conforme Jesus deu claramente a entender o único caminho, a verdadeira solução. Se Deus meu Senhor e Criador me fez pessoa foi para que fosse Santo, à Sua Imagem e Semelhança, e, portanto, tenho a certeza absoluta que me dará os meios para o conseguir.Senhor... faz-me santo nem que seja à força... repito constantemente confiante esta exclamação de Santa Teresa de Ávila. Ela tinha uma intimidade com Cristo que ultrapassa quanto posso imaginar. Uma vez, numa viagem a caminho de uma localidade onde iria fundar um Convento - mais um dos muitos que fundou - a carruagem onde seguia ficou imobilizada no meio de um curso de água... nem para trás nem para diante. Naquela aflição, com água pelos joelhos, a Santa terá exclamado: 'Senhor... que mal Te fiz?', e, Jesus respondeu: 'Teresa... assim trato os meus amigos'; Teresa não "se ficou": 'Ah! Senhor... por isso tens tão poucos'!

Este diálogo que revela uma intimidade singular, leva-me a concluir que, sem pôr em causa a Vontade de Deus, Lhe devo perguntar o porquê do que Ele consente que me aconteça e que eu julgue que, talvez, seja como que estranho, inapropriado. Se, como sinceramente creio, obtiver uma resposta, desejo do fundo da minha alma que seja a mesma que Ele deu a Teresa: 'Assim trato os Meus amigos'. Ser amigo de Jesus! Que coisa! Que maravilha! Um Amigo que deu a vida por mim!!! Quando me detenho a pensar nisto sou levado a dizer: Jesus é meu Amigo!Sendo eu o que sou...

A amizade é um tema muito versado, desde sempre, nos escritos de autores cristãos (que são os que me interessa considerar) que refere muitas vezes que ficaram devedores a amigos por terem encontrado o caminho que os levou à vida verdadeira e  no final, ao seu encontro com Deus. Nenhum se refere a si próprio como santo mas atribui a outro(s) o ter encontrado o caminho que na verdade procurava. A amizade,  verdadeira, autêntica vai muito além do fazer o bem que possa fazer ao meu amigo, significa que tenho de estar presente SEMPRE tanto na alegria como nos momentos menos agradáveis, só assim serei um verdadeiro amigo. Estar sempre disponível e atento aos sinais que me possam levar a entender que, ele, precisa de mim mas talvez não queira "abrir-se", incomodar-me.

Muitas pessoas carregam fardos insuportáveis porque ou têm pudor, vergonha de os partilhar com os amigos. Com prudência e respeito pela sua intimidade devo ir ter com ele e levá-lo a compreender que estou à sua disposição para o que for. Ah! Que satisfação tão grande quando vemos o sorriso o ar de alívio quando depois de ter "despejado" o que o consumia, o nosso amigo nos diz: Obrigado!

Pessoalmente tenho por norma rezar todos os dias pelos meus amigos; acho que faço bem porque penso que os meus amigos me "pagam na mesma moeda". Com esta conclusão fica-me uma certeza: quantos mais amigos tiver mais rezarão por mim. Por uma especial graça, que não mereço, tenho muitos amigos "destes" que me falam "só para saber como estás... precisas de alguma coisa...'. Eu, como tenho muito que fazer, frequentemente esqueço essa demonstração de amizade. Reconheço a "estupidez" da minha conduta. E se, um dia, um ou vários, decidir: 'Não falo mais a este fulano... nem me atende o telefone...'o que será de mim sem esses telefonemas que expressam uma amizade? Ficarei para aqui imóvel na minha "importância" sem nada nem ninguém!

 

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10/12/2021

Publicações em Dezembro 10

 


Confissão frequente

Porque as circunstâncias, o ambiente, o estado de ânimo... não! Nada disso tem a ver com o pecado ou pode constituir desculpa; por isso mesmo é importante a Confissão frequente porque além de receber orientações preciosas sobre o meu comportamento colho força e ânimo para melhor resistir às tentações.

Volto a insistir: o matrimónio não é possível subsistir sem respeito.

Respeito por si mesmo como pessoa, como cristão e respeito pelo outro também como pessoa e como filho de Deus.

Quem não se respeita a si próprio na sua dignidade humana dificilmente respeitará o outro e, com tal é impossível subsistir o amor cuja base assenta na confiança absoluta que deve existir entre os cônjuges.

Cristo afirma, uma vez mais, que a Missão que O trouxe ao mundo encarnando no seio puríssimo da Santíssima Virgem, não foi para instituir uma Nova Lei mas sim para aperfeiçoar e tornar sólida e decisiva a Lei dada por Moisés no monte Sinai.

Toda a Sua pregação confirma este propósito: o Reino de Deus está no meio dos homens – todos os homens – sem distinção nem condições.

Dependerá do homem aceitá-lo e cumprir a Lei e, só assim terá garantida a salvação eterna.

Deus, contudo, é Absolutamente Justo e, por isso mesmo, não impõe mas convida.

Jesus Cristo é muito claro: «Não jureis de maneira nenhuma»; Mas, vai mais longe: «Seja este o vosso modo de falar: Sim, sim; não, não. Tudo o que for além disto procede do espírito do mal.»

Parece lógico porque, se considero que o Demónio é o pai da mentira, confirmar com juramento seja o que for equivale a mentir.

Quem acreditará em alguém que, para convencer outro a propósito do que for, sente a necessidade de jurar?

Há, evidentemente, juramentos, que fazem parte de rituais solenes mas, fora estes, jurar seja pelo que for ou a propósito do que seja, não só não faz sentido como deve ser evitado a todo o custo.

Não fará sentido, sobretudo, porque o cristão é homem de palavra, faz o que diz e diz o que faz e, os outros, acreditam nele porque vêem o exemplo que dá: pessoa em quem se acredita e confia.

Assim, à primeira vista, parece que o Senhor aconselha a passividade.

De facto, há muita gente – muito mais que o que possamos imaginar – que a primeira palavra que lhes sai da boca ante qualquer solicitação ou pedido é: NÃO!

Nem sequer pensam que quem pede o fará porque tem uma necessidade concreta, real, premente e que, poderá muito bem estar na sua mão resolver – ou ajudar a solucionar – o assunto. E não se trata de ceder – sem mais – ao que nos é pedido sob, digamos, exigência – dar o manto, a capa, andar duas milhas – mas com sensatez e simplicidade convencer pela bondade, pela caridade, tirando importância às coisas que não a têm. Por outras palavras: “desarmar” o importuno.

Compreendo perfeitamente que este discurso de Jesus deve ter causado um impacto enorme nos que os escutaram. Naquele tempo era inconcebível não devolver – olho por olho e dente por dente – o mal que alguns infligiam a outros.

Começa – ou melhor, continua – a Lei do Amor que é a que Jesus Cristo veio pregar e ensinar aos homens como a única que pode trazer a paz às sociedades e a tranquilidade aos corações.

Não se trata de passividade, mas de contenção e, sobretudo, perdão porque, se pensarmos bem, talvez alguma vez mereçamos que nos tratem menos bem. Pensemos antes: se fulano diz isto de mim é porque não me conhece tão bem quanto julga, senão… diria muito pior. E… se não for verdadeiro ou justo? Somos, nós discípulos, mais que o Mestre? Pensemos no que disseram dele e o que Lhe fizeram?

A chamada Lei de Talião que imperava naqueles tempos bárbaros era o oposto da nova ordem que Jesus Cristo vinha instalar: A ordem do amor que, depois há-de instituir como o mandato novo para todos os homens.

Não é fácil pagar o mal com o bem, mas na sua busca incessante pela paz a humanidade não terá outro caminho.

Como cumprir tal mandato? Não será, Senhor, que mandas algo impossível?

Tu, que sabes tudo, conheces as minhas fraquezas e limitações, como nos mandas tal coisa tão grande! Sim, Tu, sabes tudo e, por isso sabes que Te amo e que, nesse amor, ponho toda a minha esperança e confiança em Ti.

Esperança que me ajudarás com o que me falta; confiança em que, sabendo o que preciso, providenciarás o necessário para poder cumprir o que mandas. Da quod iube et iube quod vis! Manda o que quiseres e dá-me o que queres.

Jesus Cristo enuncia um ideal de conduta humana.

Como todos os ideais, também este é difícil de atingir. Mas não impossível, porque o Senhor nunca pede impossíveis aos Seus filhos.

Com interpretar, então, o que diz?

Faltará, talvez, acrescentar: Este é - deve ser - o vosso ideal; esforçai-vos por consegui-lo.

A mim, pobre homem, que de ideais percebo muito pouco, não me resta fazer senão o que Jesus me sugere: Fazei o possível! E, com a segurança do Seu auxílio e apoio, sei muito bem que para Ele, nada é impossível. 

Não houve no seu tempo luz que mais brilhasse que a que o Santo Abtónio espalhava à sua volta sobretudo através da palavra fluida, portentosa, atraente.

Luz que brilha ainda hoje com um fulgor sempre novo porque as suas palavras emanavam directamente do Evangelho, da Palavra de Deus.

O fogo interior que o consumia na ansiosa busca de almas para Cristo levava-o a um incessante peregrinar para levar esse sal e essa luz onde fosse preciso.

Jesus Cristo confirma, uma vez mais, que não veio trazer uma Lei nova, bem pelo contrário, confirma a Lei e os Profetas e o que pretende é «levá-los à perfeição».

Esta perfeição não é outra coisa que os atributos e encargos específicos dos Seus seguidores: os cristãos. Serem sal da terra e luz do mundo eis os atributos e encargos que deseja e quer para todos – sem nenhuma excepção – os baptizados.

Não é pouca coisa, longe disso, é uma missão de altíssimo valor e importância e, mais, considerando que o Senhor nos quer como Seus “embaixadores” junto dos homens, de enorme responsabilidade e honra.

Ele nunca me faltará com a Sua Graça para suprir o que me possa faltar para a levar a cabo.

 

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09/12/2021

Publicações em Dezembro 9

 


Jesus Cristo garante-nos que «grande será a recompensa nos Céus dos que sofrerem por causa do Seu Nome

Sofrer por Cristo, pelo Seu Santíssimo Nome, a Sua Igreja, é um facto recorrente de todos os tempos.

Não é necessário lembrar os espectáculos no Circo de Roma porque, hoje em dia, este mesmo dia, milhares de cristãos são atacados, feridos de morte, sujeitos às maiores violências pelas feras que odeiam O Senhor nosso Deus. No terceiro milénio depois da Ressurreição de Cristo, neste mesmo mundo dominado pela tecnologia e pela cultura, prossegue essa perseguição que o próprio Senhor anunciou.

Nós, cristãos que vivemos numa sociedade supostamente civilizada, recebemos a força da nossa Fé directamente desse sangue que milhares de inocentes derramam pela mesma Fé.

Consola-nos saber que: Grande será a sua recompensa nos Céus!

Jesus Cristo proclama o Sermão da Montanha que será, ao longo dos tempos, como que uma “Magna Carta” sobre a felicidade.

Os pobres em espírito; Os que choram; Os mansos; Os que têm fome e sede de justiça; Os misericordiosos, Os puros de coração; Os pacificadores; Os que sofrem perseguição por amor da justiça; Os perseguidos, que sofrem insultos e calúnias.

Em nome de Cristo, por amor a Deus, todos estes receberão a ventura eterna, portanto, alcançarão a felicidade maior a que se pode aspirar.

Para os que ouviam Jesus, estas Suas palavras devem ter sido consoladoras e tranquilizado muitos. "Ovelhas sem pastor", como Jesus lhes chamava, encontravam um discurso positivo e concreto, quando o que recebiam dos chefes do povo era apenas um conjunto informe de regras restritivas algumas absolutamente absurdas.  Para os responsáveis, Deus estava tão sumamente distante que era inacessível e não havia sequer o direito de pronunciar o Seu nome.

Jesus Cristo aparece no meio do povo, um homem simples e amistoso que fala de Si próprio e da Lei Deus com uma autoridade singela e indiscutível.

Muitos se aperceberão que é o próprio Deus Quem lhes falta e ensina.

Este discurso de Jesus ficará para sempre como um legado extraordinário da misericórdia divina.

Qualquer ser humano pode encontrar a alegria, a paz e a consolação de saber que as suas acções e comportamento terão um prémio, encontrarão eco no Coração Amantíssimo de Deus, eco esse que terá um efeito de grande, enorme importância para a vida de todos os dias, individual e colectiva.

Parece algo estranho – ou controverso – que Jesus diga expressamente: «Se alguém violar um destes preceitos mais pequenos, e ensinar assim aos homens, será o menor no Reino do Céu»

Porque pode parecer-nos que quem pratica estas faltas não será digno do Reino dos Céus. Mas temos de considerar que o Senhor não condena ninguém pelas faltas que comete – pequenas ou grandes – porque deixa sempre “a porta aberta” ao arrependimento, sendo que – e aqui Jesus foi muito claro – a falta deste (os pecados contra o Espírito Santo) condenam irreversivelmente o homem. Ou seja, mais uma vez se refere que Deus Nosso Senhor detesta o pecado e não o homem, este é que é responsável pela sua própria condenação.

Pelas palavras de Jesus podemos concluir que, na Vida Eterna, não haverá como que uma “nivelação” de todos. Haverá “grandes” e “pequenos”, o Senhor afirma-o. Isto tem importância? Penso que sim, embora considere que, na Vida Eterna, o Supremo Bem é a visão beatífica da Face de Deus. Tem a ver, sim, com a obrigação de fazermos o melhor que pudermos e não nos contentarmos com os “mínimos”, como que “ir andando”, não fazendo muitos disparates, não pecando com gravidade e… pronto! Quem assim procede corre um perigo enorme, porque quanto mais baixo se voa maior é a possibilidade de chocar com um obstáculo que trave o “voo” e, a queda, pode ser grave.

Deve ser terrível a responsabilidade de alguém que propositadamente ensina, propaga o erro, a falsa doutrina

Quanto mais grave, quanto maior a inocência e fragilidade de quem é objecto de tal procedimento mais “apertadas” serão as contas que terá de prestar.

Poderá alguém ter dúvidas sobre como alcançar a Vida Eterna?

Pelas palavras de Jesus podemos ver claramente o caminho e a obrigação. Cumprir a Lei não basta é necessário levar outros a fazer o mesmo.

Um autêntico e definitivo aviso de Jesus Cristo sobre o comportamento de qualquer ser humano. Não há meias palavras nem tergiversações, mas tão só afirmações muito concretas e reais sobre o procedimento a ter como norma de vida. Pagar o que se deve, ter atenção ao próximo e ás suas necessidades, viver, em suma, com inteireza e verdade nos actos como nas acções concretas. Estas é que têm valor, não as intenções nem os desejos. Como posso estar "bem" com Deus quando estou "mal" com o meu próximo? Acaso o Senhor poderia aceitar tal coisa?

Infelizmente há alguns cristãos que vão pela vida fora como actores. Sim… não exagero! Frequentam com assiduidade a Igreja e os Sacramentos, usam grandiloquência sobre assuntos da religião, mas, privadamente, mantêm uma lista de agravos e reivindicações que aguardam ocasião para cobrar e fazer.

Ofensas antigas, más interpretações, juízos precipitados e malévolos e coisas do mesmo género de que se sentem credores quando, na maior parte das vezes, são eles mesmos os devedores. Há que pôr as coisas em ordem e agir com critério em toda e qualquer circunstância que o cristão é-o sempre e não apenas quando é conveniente.

Jesus Cristo vem como que "preparar o terreno" para o que será o Mandamento Novo.

O amor ao próximo é inseparável do amor a Deus ou, por outras palavras, não é possível amar a Deus sem amar o próximo. Este mandamento é - se se me permite a expressão - absolutamente lógico porque sendo os homens TODOS filhos de Deus, pertencendo à Família Divina, não se concebe que não se amem entre si.

Do amor nasce a união e o Senhor quer que sejamos «Um como Ele e o Pai são UM!»

O Senhor deixa bem claro que os dois primeiros mandamentos - amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos - são inseparáveis e não pode conceber-se um sem o outro. O Senhor tem a prioridade mas esta não existirá sem a segunda.

Talvez que nunca nos demos conta que amar o próximo pode tornar-se muito mais difícil que amar a Deus. Não nos atrevemos a "julgar" Deus ou pôr em causa se O devemos amar ou não. Já quanto ao próximo muitas vezes guardamos ressentimentos, avaliamos a sua conduta, fazemos o papel de juízes e críticos. E, tal excede em muito o que não podemos nem devemos fazer.

Há uma “declaração” de Jesus que, forçosamente, nos fará pensar detidamente: «todo aquele que olhar para uma mulher, cobiçando-a, já cometeu adultério com ela no seu coração». Aqui se vê a importância da “guarda da vista” porque ver é algo muito diferente de reparar. Quantos pecados – por vezes bem sórdidos – têm a sua origem na vista?

Aliás, todo o pecado, por assim dizer, é sórdido, mau, aberrante, mas, e no caso vertente, ninguém ignora que o nosso pensamento e imaginação nos levam por vezes por caminhos de incrível perversidade. Basta um segundo, um fugaz pensamento, um desejo mal expresso e, todavia, deixámo-nos corromper.

Tenhamos bem presente o seguinte: Ao demónio não lhe interessa nada que nos concentremos na oração, que, inclusive, nos preparemos com todo o amor e compunção para receber a Comunhão Eucarística e, assim, não raramente nos assedia com pensamentos ou desejos torpes precisamente nesses momentos. Eu diria que “a força da tentação” estará em relação directa com a intensidade da nossa união com Deus.

Está claríssimo: para haver pecado é preciso intenção e, mais, mesmo se não se pecar em acto, se houver intenção peca-se em pensamento.

É evidente que o pecado é um acto livre da vontade expressa e - nunca - algo fortuito e inocente.

É fundamental ter uma consciência bem formada e as ideias bem claras: é impossível pecar sem querer!

 

 

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