04/10/2021

Publicações em Outubro 4

 



 

Oração

Minha Senhora e minha Mãe, olha por mim, não me deixes entregue a mim mesmo porque me perco.

Protege-me impedindo-me de fazer só o que quero, perseguir unicamente no que desejo.

À tua protecção me acolho Santa Mãe de Deus e minha Mãe.

 

CONSIDERAÇÕES

As reflexões são sempre - ou quase sempre - o efeito das memórias de algo que aconteceu.

Penso que é positivo porque nos dá uma oportunidade de exame... fiz isto... poderia ter feito melhor...

 

 

MEDITAÇÃO

 

Santíssima Virgem

Luz e Esplendor

 

O Baptismo de Jesus

 

 

O Baptismo é o sinal indelével que torna a pessoa humana em membro da Igreja de Cristo. É a única verdadeira porta de entrada pela qual nos convertemos em membros efectivos da Igreja Católica, como se fosse um bilhete de identidade vitalício, para empregar termos e palavras humanas que são as minhas. Mas... os “Mistérios Luminosos” que têm de facto a ver com o Santo Rosário que é uma oração eminentemente Mariana? Porque não se pode dissociar a Santíssima Virgem do seu Filho, Jesus Cristo e estes Mistérios que se referem de forma muito particular à vida pública de Cristo, à implementação do Reino de Deus e à instituição dos Sacramentos, são como que o "complemento" dos outros Mistérios. Exactamente neste primeiro Mistério começa essa  "tarefa" do Salva­dor. A água é o elemento natural mais precioso da humanidade. A sua falta em numerosos locais da terra provoca sofrimentos indizíveis e não pou­cas vezes lutas e guerras pela sua posse ou controlo. Ao servir-se da água como elemento fundamental do Baptismo e, tam­bém, ao aceder recebê-la como sinal visível Jesus avaliza a fórmula baptismal instituindo com a Sua acção o Sacramento, o primeiro dos sete que há-de instituir. Posso dizer que a Santíssima Trindade quis "reforçar" a dignidade e importância do Baptismo estando presente, Deus Espírito Santo que sob a forma de pomba desceu sobre o Baptizando, Deus Filho o Bapti­zando e Deus Pai que fez ouvir a Sua voz. Dos sete Sacramentos existem dois que imprimem carácter, ou seja, são irreversíveis porque transformam o homem em algo inteiramente diferente do que era antes de os receber. O Baptismo ao introduzir a pessoa no seio da Igreja instituída por Jesus Cristo, dá-lhe uma nobreza e uma dimensão inteiramente novas que jamais perderá mesmo que o deseje. A patética - para usar uma expressão "suave" - teoria de deixar ao livre arbítrio de cada um o desejo do Baptismo, não o baptizando en­quanto criança, configura um risco tremendo de responsabilidade pelo seu futuro eterno. Um cristão não pode correr esse risco. Negar ou deixar para um futuro qualquer, sejam quais forem as “razões” ou os motivos para o Baptismo de um recém nascido, vai contra todos os direitos da pessoa. Este dever é de todos, os Pais em primeiro lugar e depois todos os familiares e amigos mais próximos. Os próprios profissionais de saúde que assistem ao parto, em caso de perigo de vida do nascituro não podem eximir-se. Se vingar crescerá com a assistência constante e atenta do Anjo da sua Guarda. Se não vingar irá direitinho para o Céu com o brilho e brancura dos Inocentes. Seguramente que, na presença de Deus não deixará de interceder por quem lhe prestou tão extraordinário “serviço”. E tu, Mãe Santíssima acolhê-lo-ás com os braços abertos. Peço-te que instiles na minha alma o “apostolado do Baptismo” junto de todos os que se cruzam comigo nos caminhos da vida.

 

Bodas de Caná

 

A ti, Mãe, recorro nesta hora de preocupação. Como em Caná intervieste em favor dos noivos que, sem terem pedido, obtiveram por teu intermédio uma graça inesperada, diz-lhe também agora: Este meu filho não tem! E como é uma graça que por tua maternal intercessão, solicito, tenho a certeza que a obterei.    

Terão os discípulos percebido que fora por causa da a intervenção da Virgem que, Jesus decidira, definitivamente, a fazer o milagre? Talvez não. Podemos supor que sendo a primeira vez que o poder divino de Jesus se manifestava de forma tão evidente, eles não estivessem preparados para dar atenção aos pormenores. Mais tarde, sim. No fragor dos dias que se seguiram à Crucifixão e Morte do Senhor, hão-de procurar refúgio junto da Mãe e, será junto dela, no Cenáculo, que receberão o Espírito Santo que lhes abrirá definitivamente a compreensão de todas as coisas. Junto dela encontro, sempre, refúgio e protecção, a luz necessária para distinguir os caminhos que Jesus quer que percorra e, também, a compreensão das incidências e agruras que inevitavelmente surgem na minha vida. Pedro, que será a coluna sobre a qual assentará a Igreja de Cristo, duvidará, terá momentos de desânimo, sem compreender o que Jesus lhe diz acerca do sofrimento, da Cruz… Maria, ajudá-lo-á a compreender, a confiar e, sobretudo, a aceitar. Repetirá, vezes sem conta, o que dissera em Caná: Faz tudo o que Ele te disser

 

 

Anúncio do Reino de Deus

 

Jesus Cristo espera de mim uma “colaboração” activa na difusão do Reino de Deus. Essa “colaboração” não é outra coisa que apostolado e este, não é mais que a distribuição que faço aos outros dos frutos das minhas boas obras.

No entanto não poderei fazer essas boas obras se a minha Mãe do Céu não me assitir, mostrando-me claramente o que tenho de fazer em cada circusntância.

Não posso fazer nada disto sem conhecer intimamente o que é o Reino de Deus e, sei-o bem, a forma de o saber é inteirar-me pelo Evangelho quanto Jesus disse a propósito.

Sim… foi Ele quem o revevelou e quem confirmou que a Sua missão neste mundo era exactamente essa, instaurar o Reino de Deus entre os homens, todos sem excepção tornando-os súbditos desse Reino de Amor.

Sou súbdito mas também sou livre e portanto tenho de querer pertencer a esse Reino para poder fazer parte dele ou, também, me posso negar a fazê-lo.

Se o aceitar poderei alcançar a felicidade eterna, se não perder-me-ei para sempre.

Negar-se a pertencer ao Reino de Deus equivale a aceitar o reino do demónio e, sinceramente, não vejo quem, em seu perfeito juízo, possa fazer esta escolha tão dramática como absurda.

A Santíssima Virgem foi coroada Rainha do Universo e de quanto nele se contem, foi Deus Nosso Senhor Quem assim determinou logo, a minha Rainha do Céu não pderá deixar de me acompanhar e guiar pelos caminhos que me convém seguir.

Cumprir a Vontade de Deus, fazer o que Ele me disser que faça como e quando, não de “qualquer maneira” mas conscientemente e com empenho amoroso porque sei que será o melhor para mim.

Quero salvar-me, desejo ter uma Vida Eterna para a qual sei que fui criado para no gozo da contemplação da Santíssima Trindade seja eternamente feliz e, portante, acho perfeitamente natural que me empenhe com todas as minhas forças em consegui-lo.

Tenho uma confiança ilimitada no auxílio da Santíssima Virgem como tantas vezes lhe peço ao longo do dia: roga por mim pecador agora e na hora da minha morte.

Tenho também como certo o que Ela prometeu aos que, como eu, usam o seu Escapulário, a sua assistência Materna na hora da minha morte.

Com esta certeza e garantia que posso temer?

 

 

Transfiguração do Senhor

 

 

Contemplo um dos acontecimentos talvez mais enigmáticos da vida de Jesus na terra. Percebo que houve uma intenção clara de mostrar aos três Após­tolos uma como que antevisão da aparência de Cristo como Segunda Pessoa da Santíssima Trindade. Mas porquê? Jesus saberia, por certo, que eles não iriam entender ou sequer aperce­ber-se da realidade que lhes revelava. Mais ainda, quando sei que os proíbe de falar no assunto até de­pois da Sua Ascensão. O facto é que, não obstante, ficou gravado para sempre nas suas me­mórias e, por isso mesmo, consta do Evangelho. Seria a Transfiguração necessária para os confirmar na fé em Jesus Cristo como O Filho de Deus? Mas como… se adormecem? Aliás é sintomática esta reacção dos três discípulos perante o "peso" ou solenidade de situações que vivem com o Mestre. Na agonia em Getsémani perante o indizível sofri-mento do Senhor tam­bém são vencidos pelo sono. Como se a realidade fosse de tal forma "chocante ou extraordinária" que a sua amizade e carinho pelo Senhor se recusam a admitir o que constatam.O sono é muitas vezes desculpa para muitas faltas de coragem em que é necessário mostrar solidariedade, apoio, solicitude. Não poucas vezes somos vencidos pelo sono, o torpor que nos leva a não considerar as realidades que não compreendemos. É como que uma "defesa" do nosso espírito recusando-se a encarar algo difícil que se nos apresenta como que fora do comum e, a verdade, é que a nossa Fé cristã necessita debruçar-se continuamente sobre os seus fundamentos num constante exame e estudo para melhor com­preender. Temos de vencer uma atávica tendência para a rotina que, na prática da Fé, talvez seja o pior defeito que possamos ter. Que a Doutrina não muda sabemo-lo bem, o que deve ser mais uma razão para que não deixemos nunca de aprofundar, esmiuçar, detalhar para alcançar a segurança que é necessária para o seu fiel cumpri­mento. Não cedamos ao cansaço ou modorra; são tentações que pretendem levar-nos ao abandono do dever; não deixemos para “mais tarde” o que temos de fazer agora; NUNC COEPI – agora começo -  é, deve ser, a nossa disposição permanente. Optar por rezar o Terço no automóvel ou transporte público não é o mais aconselhável, porque será difícil evitar as distracções involuntárias. Deixar a recitação do  Santo Rosário para mais tarde, antes de dormir, tem, frequentemente, como consequência que, esse Terço, será recitado de forma atabalhoada, incoerente, sem cuidado. Para garantir razoávelmente a recitação diária do Rosário o melhor que pudemos fazer - e os directores espirituais aconselham – é incluir no nosso Plano de Vida Diário uma hora certa em que o poderemos fazer, com tranquilidade, recolhimento e atenção. Rosário significa a “Coroa de Rosas” com que desejamos coroar Nossa Senhora. Não havemos de querer com todas as veras da nossa alma que essa “Coroa” seja bela, perfeita?

 

 

Instituição da Eucaristia

 

Talvez o maior milagre de Amor que posso constatar e usufruir. Que outra coisa senão o Amor incomensurável de Cristo Nosso Senhor pelos Seus irmãos, os homens, poderia estar na origem da Santíssima Eucaristia? Ficar, verdadeiramente ficar, em Corpo, Sangue, Alma e Divindade para sempre… para sempre! Estamos em plena Ceia, a última que Jesus celebra com os Seus discí­pulos mais próximos. Uma sequência de gestos do Senhor plenos de significado e profunda­mente marcantes. Há no ambiente algo inusitado que todos adivinham sério, importante, grave. Começa por lavar os pés aos doze o primeiro ensinamento - como di­ríamos hoje - para "memória futura": Servir! Depois o episódio em que Judas é o protagonista: A traição! Jesus tem o coração cada vez mais "apertado" mas, mesmo assim, não revela a terrível verdade. Segue-se o longo discurso que é como que uma declaração testamen­tária: O AMOR! Finalmente esse mesmo AMOR como que "cede" ante a perplexidade triste dos onze e Jesus institui a Sagrada Eucaristia dando-lhes o poder de renovar - para sempre - esse extraordinário testemunho. E, nós, cristãos de hoje, passados mais de dois mil anos, Posso participar nessa Ceia, receber o Santíssimo Corpo Alma e Divindade do nosso Salvador. Passados a noite e o dia da Paixão, quando o corpo de Jesus repousa finalmente no sepulcro, o que terão contado a Nossa Senhora? Como ela terá compreendido a verdadeira "dimensão" da Eucaristia e, seguramente, como com doçura e paciência de Mãe, a terá explicado aos pobres e inconsoláveis discípulos! Ela é o refúgio seguro - o único que têm - e sabem que podem confiar absolutamente nos seus conselhos e orientações. A Mãe do Redentor, como que é o traço que une o Filho morto na Cruz aos homens Seus irmãos que, nos derradeiros momentos da Sua vida terrena, lhe entregou como filhos. Esse Corpo e esse Sangue que Ele nos deixou como alimento de vida eterna, foram “criados” e desen-volvidos no seu de Mãe. Numa união perfeita de Mãe e Filho, concluo que, assim é, também, o seu corpo e o seu sangue se nos dá na Comunhão Eucaristica. Este Santíssimo Sacramento da Eucaristia é o mais completo e sublime Sacramento instituído por Jesus Cristo.

03/10/2021

Publicações em Outubro 3

 


 

Oração

Ó Deus que concedes-te a São João Paulo II graças extraordinárias para levar a cabo a sua missão como Teu Vigário na terra, deixando em todo o mundo uma marca indelével, nomeadamente: Pelo seu zelo pelas almas, defesa da vida e dignidade humanas, clareza e rigor da Doutrina e exemplo de amor e cumprimento do dever mesmo à custa do sofrimento e da dor pessoais, concedei por seu intermédio a protecção das minhas três filhas e as suas famílias, para que sejam sempre mulheres e mães exemplares, educando, ensinando e dando exemplo de estabilidade, equilíbrio e sobretudo de Fé e da prática da Fé.

CONSIDERAÇÕES

Se não fizer exame sério e honesto corro o risco de não poder corrigir algo menos bom.

E, também, perder a oportunidade de ser verdadeiramente honesto.

 

 

MEDITAÇÃO

 

Santíssima Virgem

Glória e Graça

 

Ressurreição de Jesus

 

«A quem procurais? A Jesus, meu Senhor. Não vos assusteis. Procurais a Jesus Nazareno, O Crucificado. Ressuscitou, não está aqui. Vede o lugar onde O tinham posto. Agora ide, dizei aos Seus discípulos e a Pedro que Ele vai diante de vós para a Galileia. Lá O vereis, como vos disse. Mc 16, 1-7 Este diálogo tão curto entre o Teu Anjo e as mulheres que Te foram ver uma vez mais, no Teu sepulcro, revela toda uma espantosa realidade: A Tua Ressurreição. Não sei se todos se dão conta da fantástica prova da Tua divindade que quises-Te deixar-nos, Senhor: Por Teu poder, o Teu espirito reúne-se com o Teu corpo que vive novamente! FosTe descido da Cruz pelos Teus amigos mais íntimos. Há pressa. Aproxima-se a noite e têm de regressar a suas casas todos os participantes do drama do Gólgota. Celebra-se a festa da Páscoa e o cumprimento da Lei é escrupulosamente observado. O Teu corpo exangue é lavado apressadamente e os óleos dos defuntos são aspergidos. Uma toalha de linho cru e eis que És deposto naquele túmulo novo cuja pedra é rolada para tapar a entrada. Não creio que tenham pensado ser um funeral definitivo. Foi o possível, para o que houve tempo. Estás, apesar de tudo, limpo e perfumado, os cabelos arranjados, Tens um ar composto, digno.  Nem um só osso Te foi quebrado, só o sangue foi derramado. Até à última gota! Todo o Teu sangue, Senhor, ficou pelas pedras do caminho, no madeiro negro onde Te pregaram e, finalmente, naquele trapo imundo que mal tapava a Tua nudez aos olhos dos mirones. Repousa finalmente o Teu corpo martirizado ainda húmido das lágrimas dos Teus amigos que amarga e tristemente choravam o seu Senhor morto, agora apenas há as testemunhas convenientes: os soldados enviados pelos Príncipes dos Sacerdotes depois de Pilatos se ter recusado a fazê-lo. (Mt 27, 62-66) E Jesus ressuscita! O meu Senhor volta a assumir-Se plenamente como homem e como Deus. Perfeito homem, perfeito Deus. Não se notam os sinais das vergastadas, nem as feridas dos espinhos. Toda a pele visível tem uma palidez resplendorosa, como que irreal. E, no entanto, o Senhor fala, caminha, come com os discípulos. Oh meu Senhor, Tu ressuscitasTe só para que eu, finalmente, acreditasse em Ti? Não me bastou, Senhor, assistir a todo o horror da Tua Paixão, Ter visto os milagres, as multidões? Nada disto foi suficiente? Tive que, por uma última vez, pedir-Te um sinal? Pobre de mim, Senhor, que não mereço tal honra da Tua parte. Mas Tu, com uma compaixão infinita, voltas a esta terra, assumes o Teu corpo e, novamente, Te sujeitas à forma humana. RessuscitasTe, Senhor, e com a Tua Ressurreição, quebram-se finalmente os grilhetas da servidão. Não mais o pecado será mal sem remédio. O perdão, a misericórdia, a conversão estarão definitivamente ao alcance e dentro das possibilidades de qualquer um. Acabou definitivamente o poder descricionário do demónio sobre os homens. A partir de agora a cedência à tentação será inteiramente dependente da minha vontade. EnsinasTe-me no Pai-Nosso a pedir a Deus que não me deixe cair na tentação porque, bem sei, como a minha vontade é fraca e a minha resistência débil. Mas Tu, que podes tudo, não deixarás de ouvir e acolher com Coração de Pai Misericordioso as preces que Te dirijo. Então, seguro e confiante vencerei! Foi, de facto, esta “faculdade” que me deste: resistir à tentação. Morrendo na Cruz e, depois ressuscitando venceste a morte mais vil: a morte que o pecado provoca. Olhando para essa Cruz encontrarei quanto precisar: Decisão para resistir! Ânimo para continuar! Energia para me levantar! Fortaleza para vencer! Eu tenho a certeza porque é uma Verdade da Fé que hei-de ressuscitar no final dos tempos. Então, quando a minha alma voltar a unir-se ao meu corpo que espero, desejo ardentemente seja glorioso, contemplarei extasiado a magnitude do Céu. Tenho de conter-me neste desejo de que seja já, muito em breve porque sei muito bem que me falta muito, muitíssimo para merecer tal dita. Portanto, Senhor, aceito esta vida que me pesa tanto, as saudades que me apertam o coração, as vicissitudes que tenho de passar. Estou seguro que é o único caminho que tenho de andar. Mas Tu, minha Querida Mãe do Céu… vês como este caminho é difícil, agreste e como eu sou frágil? Então estende-me a tua mão carinhosa de Mãe, guia-me e conduz-me. A Tua Ressurreição é, Senhor, a dádiva mais sublime que poderias Ter feito por todos os Teus filhos, porque alem de lhes restituíres a dignidade e reabrir as portas do Céu, viesTe dar-lhes a certeza que sob o Teu corpo de homem, Tu Senhor, permanecerás até ao fim dos tempos, a nosso lado, à nossa espera. Possa eu, Senhor, não defraudar a Tua expectativa e chegar convenientemente preparado ao encontro que terás comigo no dia e hora que escolheres. Para o conseguir recorro à Nossa Santíssima Mãe que me leve pelo caminho mais seguro – iter para tuto - que Ela tão bem sabe. Chegarei, estou seguro, a um porto seguro e definitivo, onde ficarei contemplando o nosso Jesus Ressuscitado em todo o Seu Poder e Glória. Tu és a Stella Maris, a Estrela do Mar que me guia neste navegar por mares alterosos, enfrentando as tempestades, os ventos adversos, indicando-me o rumo certo a seguir.

 

Ascensão de Jesus ao Céu

Os onze mais íntimos do teu Filho apressaram-se em vir contar-te o que se passou: «Elevou-Se ao Céu, à vista de todos e desapareceu da sua presença». Volto a afirmar, sem receio algum de ser desmentido, que Ele te avisara previamente, talvez para confirmar  que chegara ao termo a Sua missão na terra. O teu Filho voltava “à Sua casa”, ao “lugar” que desde sempre fora o Seu. Seguramente que te dinu que “olhasses” pelos onze e os conduzisses com mão segura e terna nos primeiros tempos de desorientação e perplexidade. No teu coração amantíssimo aninha-se o desejo quase incontrolável de te juntares a Ele quanto antes mas, sabes bem que a tua missão na terra ainda não terminou. Há tanto para fazer! Tantos para guiar e conduzir com mão terna de Mãe! A cada instante a tua casa fica repleta com esses amigos ainda inconsoláveis e algo desnorteados. Há que sossegá-los, dar-lhes apoio, esperança e, sobretudo, confiança que tudo se cumprirá como o teu Jesus dissera. O teu Filho partiu para o Céu mas está sempre presente junto de ti numa união tão completa e cúmplice como sempre foi e, por isso mesmo, não estás triste, bem ao contrário, tens de mostrar-te alegre para que possas transmitir a todos a alegria dos Filhos de Deus. Não sabemos quanto tempo ainda estiveste presente físicamente junto deles mas, atrevo-me a considerar que aguardaste até ao momento em que, cumprindo o Mandato do teu Filho, partiram para os quatro cantos do mundo apregoando a Boa Nova do Reino de Deus. Sim… estiveste presente até ao último momento e, de facto, estás sempre presente em todos os momentos em que os teus filhos possam necessitar – e necessitam sempre – do teu axílio e protecção. Nos Séculos que se seguiram vieste algumas vezes à terra com mensagens de paz e recomendações urgentes. Como em Fátima num momento particularmente grave em que os teus filhos estavam envolvidos numa guerra terrível que ceifava milhões de vidas, provocando a fome mais terrível um pouco por todo o mundo. As recomendações urgentes para os teus filhos não deixarem de rezar pela paz no mundo. A oferta de sacrifícios grandes ou pequenos para obter do teu Filho quanto precisamos. O aviso importante sobre o comunismo que surgia no Leste da Europa e haveria de provocar terríveis violações da liberdade de muitos. As orações de todos pelos governantes das Nações, como em Fátima pelos Governantes de Portugal empenhados em perseguir a Igreja, os seus Bispos e Sacerdotes, proibindo a liberdade de culto, as manifestações religiosas numa sanha destruidora feroz e aberrante. Ali, em Fátima, pediste aos Santos Pastorinhos o que desejavas que recomendassem aos homens. Hoje, Fátima é o “Altar do Mundo” onde acorrem milhões de filhos teus, Papas, Cardeais, Bispos, Sacerdotes e, também, Governantes e muitos paízes. A tua “Imagem Peregrina” percorrerá todos os Continentes suscitando o fervor e a confiança de multidões de filhos teus. De todo o lado acorrem a Fátima os teus filhos para te louvarem e pedirem. Aos pés da tua Imagem na Capelinha deixam os seus corações cheios de amor e admiração pela Beleza de Uma Mãe que nos torna a todos Irmãos do teu Divino Filho. Pedem-te tudo, absolutamente, porqueconfiam que podes tudos. Coisas grande e importantes e outras de escasso valor ou relevo. Cada um pede o que julga precisar seguro e confiante que o que possa estar menos correcto no seu pedido tu o corrigirás antes de o levar a Jesus. Eu…

Contemplo a tua Imagem

E cubro-a de beijos

Tantos beijos te hei-de dar

Qua para o Céu me hás-de levar.

 

 

Vinda do Espírito Santo sobre Nossa Senhora e os Apóstolos

 

Desde a Ascensão eram habituais os teus encontros com os Onze. De que falariam? Seguramente terás contado detalhes da vida do teu Filho que só tu poderias conhecer. Muito particularmente a Lucas terás descrito com pormenores quanto sucedeu desde a Anunciação do Arcanjo Gabriel, os sonhos de José teu marido, a Visitação a tua prima Isabel, o Nascimento do teu Jesus, a Apresentação o Templo e as profecias de Simeão e Ana, a fuga para o Egipto, o desencontro e reencontro com Jesus na primeira viagem a Jerusalém… Mas nunca falaste das tuas dores, dos medos e ansiedades que deveriam “apertar-te” o coração.Na discrição mais absoluta só falas do teu Filho, é Ele que importa, Ele é o Salvador da humanidade. E, como boa Mãe em quem todos confiam, vais guiando, aconselhando, incutindo esperança, confiança e amor. Mostraste como é, como deve ser, o desempenho de uma Mãe que se preocupa com os seus filhos, sem fazer distinções entre eles, querendo a todos por igual, amando a todos com o mesmo Coração Amantíssimo, com o mesmo coração com que amaste – amas – o teu Jesus.

E chegou o dia em que, mais uma vez, se cumpre uma das promessas do teu Filho e o Espírito Santo – de Quem és Esposa – desce sobre todos os reunidos no Cenáculo. A partir de então tudo, absolutamente, fica claro como água cristalina, não há mais dúvidas a esclarecer nem temores que debelar e sentes que, finalmente, a tua missão chega ao seu termo e podes, finalmente, descansar. A Santíssima Virgem morreu de facto? Não é, quanto a mim, fundamental sabê-lo mas, embora revestida das mais excelentes qualidades e perfeições sobre as quais avulta a sua Imaculada Conceição, era uma criatura humana e não custa admitir que – sim – terá morrido.Muitos Padres da Igreja chamam a esse momento: “A Dormição de Nossa Senhora” o que, a meu ver, está absolutamente certo pois que é a morte senão um adormecer para esta vida terrena para logo acordar para a verdadeira Vida: a Vida Eterna? Mas, morte, não implica necessariamente corrupção do corpo e há muitos casos em que tal acontece. Mas, no que respeita à Nossa Mãe do Céu, foi ainda mais diferenciado do comum, como um relâmpago que cruza os céus e logo se desvanece.

 

 

Assunção de Nossa Senhora ao Céu

 

A Santíssima Virgem morreu de facto? Não é, quanto a mim, fundamental sabê-lo mas, embora revestida das mais excelentes qualidades e perfeições, sobre as quais avulta a sua Imaculada Conceição, era uma criatura humana e não custa admitir que – sim – terá morrido. Muitos Padres da Igreja chamam a esse momento: “A Dormição da Santíssima Virgem” o que, a meu ver, está absolutamente certo, pois que é a morte senão um adormecer para esta vida terrena para logo acordar para a verdadeira Vida: A Vida Eterna? Algumas vezes – por exemplo a filha de Jairo ou Lázaro – os Evangelhos relatam que Jesus Cristo, perante o choro e lamentações dos presentes, afirmou: «Não choreis! Não morreu mas dorme». Mas, morte, não implica necessariamente corrupção do corpo e há muitos casos em que tal acontece. as, no que respeita à Nossa Mãe do Céu, foi ainda mais diferenciado do comum, como um relâmpago que cruza os céus e logo se desvanece. A Assunção de Nossa Senhora ao Céu é um Dogma de Fé e, como tal, nós, cristãos, acreditamos e professamos como verdade absoluta que imediatamente a sua alma voltou a unir-se ao corpo e foi elevada ao Céu. Tal implica uma ressurreição? Que importa esse detalhe perante a definição dogmática? Parece-melógico,por assim dizer, que Jesus não poderia deixar na terra a Sua Santíssima Mãe e haveria de querer que estivesse no Céu com Ele, com o Pai e com o Espírito Santo, em corpo e alma. Afinal… a Santíssima Mãe de Deus não haveria de estar – sempre - junto do Seu Filho? O seu Filho não haveria de querer a Sua Santíssima Mãe junto de Si? Nas suas vindas ao mundo – como nas aparições de Fátima – a Senhora apresenta-se como quem é, quem está, quem vive no Céu. Não se apresenta como um espírito, uma visão surreal mas sim como uma criatura humana de “carne e osso”, real… viva! E para confirmar que a “Aparição” é absolutamente real, de uma pessoa em carne e osso, fala com os Videntes transmitindo mensagens de enormíssima importância. Estas mensagens têm sempre objectivos muito concretos: O primeiro: Consolidar a Fé no seu Divino Filho; Um segundo: Estabelecer a confiada certeza que ela é a portadora por excelência das mensagens que o seu Filho quer transmitir aos homens; Um terceiro: Confirmar o seu entranhado amor pelos seus filhos, os homens, não se “poupando” nessa tarefa. Ao contemplar as suas Imagens na Capelinha das Aparições em Fátima, ou na Gruta em Lourdes, multidões dos seus filhos como que se rendem reflectindo nas suas vidas, fazendo propósitos de melhoria. Outros “cumprem promessas” agradecendo graças alcançadas por intermédio da Mãe Comum. Este “cumprimento de promessas” com enorme impacto em quantos as constatam, não é senão uma como que manifestação exterior do que em tantos e tantos corações vibra e late. Lágrimas? Sim… muitas lágrimas porque a alegria de receber comove e não pode conter-se. E todos recebem algo, mesmo que não tenham pedido nada. Ela, a Mãe sabe o que cada um precisa e não, considerando o merecimento de cada um “dá”, não pode deixar de dar. Milhões de Imagens da Santíssima Virgem estão por todo o mundo nos lares dos seus filhos. Olham-nas, tocam-nas, beijam-nas. Como ela deve ficar contente! Eu, tenho em casa, várias Imagens da Minha Mãe do Céu. Na entrada da casa para logo que entro a venerar e agradecer a sua protecção do meu lar ou, quando saio para lhe pedir que me guarde e guie. Na “mesinha de cabeceira” outra Imagem que olho antes de adormecer e miro quando acordo. No sala onde onde trabalho uma que era da minha Querida Mãe – lembro-me dela numa pianha no quarto dos meus Queridos Pais – muito antiga portanto, em madeira policromada que representa a Imaculada Conceição. Esta, principalmente, é “alvo” da minha veneração constante. Digo-lhe: Tantos beijos te hei-de dar Que para o Céu me hás-de levar!

Talvez sejam coisas um pouco infantis mas, que sou eu, que quero ser senão um filho pequeno que precisa de protecção e amparo? Sim, a Santíssima Virgem, foi Assumpta ao Céu, em corpo e alma: Esta é uma Verdade da nossa Fé Cristã. Tu, minha Mãe estás no Céu em corpo e alma. Eu estou na terra, enquanto Deus quiser, à espera de me juntar a ti no Céu. Ajuda-me nesta minha “espera”, conduz a minha vida com a tua mão terna de Mãe Extremosa. Iter para tuto – guia-me por um caminho seguro – para que vá por onde tenho de ir para alcançar essa felicidade eterna que me está prometida.

 

Coroação de Nossa Senhora Rainha dos Anjos e dos Santos

 

Qualquer tentativa de descrever este momento ficará sempre muitíssimo aquém da realidade! Como seria o “ar de espanto” dos “habitantes” do Céu ao contemplar a magnificência da soleníssima festa celeste. A humilde mulher de Nazaré da Galileia, revestida da mais alta dignidade que se pode supor: Rainha dos Céus e da Terra, dos Anjos e Santos, na maior e mais elevada posição da hierarquia celeste, logo a seguir à Santíssima Trindade! E, no entanto, continua a apresentar-se aos homens como sempre foi: humilde e simples. Assim apareceu aos Pastorinhos em Fátima – “Uma Senhora vestida de branco  (Descrição de Lúcia) - ou em Lourdes como em muitos outros locais da terra e a diferentes pessoas. Nós também a coroamos Rainha de Portugal e muitos outros títulos semelhantes lhe têm sido atribuídos ao longo dos séculos. De facto, nós cristãos, temos uma linhagem de altíssimo calibre! Um dia, no Céu, poderemos extasiar-nos ante esse resplendor e pasmar com a beleza, a dignidade, a maravilha de tão extraordinária Senhora. Mas, eu, pobre de mim, não me considero príncipe – como é comum aos filhos de Reis – preferindo, antes, considerar-me filho. Quero, desejo do mais fundo da minha alma, que ela seja a Rainha do meu coração, mas quero e desejo ainda mais que seja a minha Queridíssima Mãe do Céu! Como Rainha, venero-a como o vassalo mais humilde e obediente. Como Mãe, amo-a de todo o meu coração. Sei, conheço  com “abundantes provas”, a sua protecção e ternura por mim. Desde muito pequeno senti o seu desvelo por mim quer na cura de doenças graves, a protecção em momentos difíceis como na guerra, quer no dia-a-dia da minha já longa vida. Não tenho qualquer pejo ou hesitação em pedir-lhe o que seja. Sei, tenho absoluta certeza, que ela me dará o que lhe peço, não pelos meus méritos - que não tenho – mas movida pela sua ternura e carinho de Mãe. E, sei, que se não me der o que lhe pedir é porque, na sua Sabedoria de Mãe extremosa, sabe que não me convém o que peço. Muitas vezes perco-me, bem sei, nos pedidos que faço semconsiderar se peço coisas importantes ou não, se realmente o que  peço me faz falta. Confio nela, ela é que sabe o que, como e quando me deve dar o que peço. Dar-me-á sempre algo, disso tenho absoluta certeza, e, esse algo, é sempre o melhor me convém. Não tenho qualquer receio de ser “maçador”   com os meus pedidos, sei que ela gosta de ser instada e como que “forçada” aouvir os seus filhos. Se eles lhe pedem algo é porque confiam nela e no seu carinho de Mãe. Não deixará nunca de transmitir esses pedidos ao seu Divino Filho e, Este, não deixará nunca de atender os pedidos da Sua Mãe. Quando crianças pequenas queremos alguma coisa vamos ter com a nossa Mãe ela, se for caso disso, encaminhará o pedido ao Chefe da Família. Pois… e que sou eu, que quero eu  ser senão uma criança pequena que confia na sua Mãe do Céu? Mesmo os pedidos, por assim dizer, mais ousados como o da Mãe dos “Filhos de Zebedeu” que os Evangelhos relatam, não lhe causam nem estranheza nem incómodo. Conta-se que alguém, em Fátima, pedia à Santíssima Virgem lhe concedesse ganhar a Lotaria e que terá ouvido em resposta: Pelo menos compra um Vigésimo! É uma história, claro, mas revela a necessidade de, ao pedir o que for, ter feito o possível para conseguir o que se pede. Temos, por assim dizer, que fazer o que nos cabe e depois, só depois, se não obtivermos o que procuramos ir pedir à Mãe que no lo conceda.

02/10/2021

Publicações em Outubro 2

 


 

Oração

Ano de acção de graças pela minha vocação. Trinta e seis anos de entrega! Muito ou pouco tempo? Depende da perspectiva: Muito tempo para corrigir e melhorar, pouco tempo porque me falta tanto para o conseguir.

 

CONSIDERAÇÕES

Dar largas à imaginação pode ser coisa boa. Mantém o espírito ocupado. Mas, atenção: o controlo da imaginação é fundamental; como dizia a Santa de Ávila "A imaginação é a  louca da casa", daí que é mister manter "as baias" estreitasbpara que não "voe" para onde não deve.

 

MEDITAÇÃO

 

Santíssima Virgem

Dores e angústias

 

 

Agonia de Jesus no horto

O meu Senhor retirou-se para rezar. Procurou a solidão no silêncio do fim do dia. A Sua Humanidade sofria intensamente com a visão dos tormentos que se aproximavam. Poderia Jesus ter suportado a flagelação, as vergastadas, os espinhos cravando-se na Sua cabeça, os pregos rasgando a carne, o horror do suplício da Cruz? Estou certo que sim. Jesus era um homem perfeito e o sofrimento, por excessivo que fosse não deveria atemorizá-Lo de forma tão absoluta. Outros sofreram também horrores, sacrifícios inauditos de incrível crueldade. Julgo que o atroz sofrimento de Jesus, no Horto das Oliveiras, nascia principalmente no Seu espírito, no Seu coração. Ele tinha dado tudo quanto tinha para dar, oferecido todos os meios, apontado todos os caminhos e, agora, iam fazer pouco, escarnecê-Lo, violentá-Lo na Sua inteireza de homem bom e recto, iam negá-Lo como Filho de Deus, Deus verdadeiro feito homem. Tudo isto, e muito mais, e não só nessa noite e no dia seguinte, mas depois, em todas as noites e todos os dias até ao final dos tempos. Milhões de homens e mulheres que O iriam negar, escarnecer, cuspir e crucificar outra vez. Que peso, Senhor, que peso incrível seria o conhecimento de tudo isto! Ah! Meu Jesus, se ainda se salvassem todos os homens! Se, apesar de tudo, essas almas conhecessem a Vida Eterna no seio de Deus Pai, como tinhas previsto e desejado desde o início dos tempos! Mas não, Jesus, o que mais Te dói agora, neste fim de dia no Horto das Oliveiras é que tantos milhões de homens e mulheres se percam eternamente. Dói-te tanto, Senhor, não pelo Teu sacrifício ter sido inútil para esses, mas porque o Teu coração bondoso, a Tua misericórdia infinita se entristecem mortalmente com esse fim trágico dos Teus filhos. Não foi isso que quisesTe. Nunca desejas-Te outra coisa senão a eterna felicidade de todos os homens, que todos, absolutamente todos, se salvassem e pudessem estar conTigo, com o Pai, com o Espírito Santo, com a Tua Santíssima Mãe, com a legião de Anjos e Santos, por toda a eternidade. Não tens, ali, a Tua Mãe extremosa, para Te amparar e dar consolo. Nesta hora tão triste, de certeza que o seu coração se contrai também na dor que não pode deixar de sentir em uníssono com o seu Filho. Talvez, na casa onde pernoita, vele angustiada, esperando o horror que adivinha. Decerto que Tu, Filho fiel, com todo o carinho e ternura lhe terás desvendado algo do que irá acontecer nas próximas horas. Soube, antes que lho contasses, da tristeza que já Te invadia o coração, bastava-lhe olhar o rosto adorado do seu Divino Filho para se aperceber do vendaval de emoções que n'Ele se chocavam. Também ela, a Tua Santíssima Mãe, reza com fervor repetindo o “Fiat” que pronunciara trinta e três anos antes. Punha nas mãos de Deus, Teu e seu Pai, toda a vida, toda a morte, todos os sofrimentos do seu Filho. Tem confiança, tem esperança mas, sobretudo, sabe, que há-de voltar a ver-Te ressuscitado e glorioso. Esta certeza, do sofrimento de Tua Mãe, junta-se às dores que Te partem o coração e tornam tão grande, tão incomensurável a Tua dor, tens tanta pena, que suas sangue e, numa fraqueza momentânea, pedes a Teu Pai que afaste esse cálice. Por momentos, Senhor, a Tua humanidade tornou-se mais evidente. Mas logo, a Tua perfeição absoluta, reduziu a nada esse desejo legítimo, a esse desabafo: «não se faça o que Eu quero, senão o que Tu queres!» Também eu digo, faça-se a Tua vontade, Deus e Senhor de tudo e de todas as coisas e não a minha vontade de homem! A Tua dor, Senhor, é uma dor de amor que só pode ser mitigada com amor. Posso eu, Senhor, ter sempre presente a Tua agonia enorme e inimaginável, ou estou sempre tão ocupado, tão absorvido, tão disperso que nem sequer sou capaz de estar conTigo uma simples hora do meu dia, inteiramente dedicada a Ti, fazendo-Te companhia, compartilhando a Tua dor, carregando um pouco do Teu sofrimento? Minha Mãe Santíssima, ajuda-me a ter uma dor de amor tão completa que me faça despertar deste sono que me carrega o espírito e permanecer ao lado do teu divino Filho, vigilante e decidido a não ceder nem à dor nem ao cansaço. Jesus, ajuda-me a acompanhar a Tua Santíssima Mãe e compartilhar com ela estes Mistérios Dolorosos, animando-a e confortando-a na sua dor e angústia.

 

 

Flagelação de Jesus

 

Amarrado a uma coluna, o meu Senhor está para ali, estremecendo a cada golpe dos algozes que se revezam. Cada vergastada é um suplício. Os pedaços de osso de carneiro que pendem das extremidades das finas tiras de couro enegrecidas de sangue antigo, causam dores indescritíveis, vergões e ferimentos profundos, arrancam a pele e pedaços de carne e rasgam os músculos. A experiência dos algozes atinge os locais mais sensíveis e, talvez mais acicatados pelo silêncio deste Homem a quem o suplício não arranca um queixume, redobram de energia e os golpes caiem, rápidos, fortíssimos, procurando com maquiavélica destreza provocar o maior sofrimento possível. Mas é em vão. Apenas um som abafado sai da garganta ressequida de Jesus. É um estertor involuntário que a violência do castigo provoca. Eu, escondido num vão, não intervenho. Estou atónito e assustado com o que vejo. É uma cena de uma brutal ferocidade inaudita. Não me julgo capaz de Te provocar tal suplício... quem? Eu? Oh Senhor!  Eu não..., eu amo-Te com todas as minhas forças, nunca seria capaz de tal coisa. E, no entanto, as minhas frequentes faltas e pecados o que são, senão chicotadas na Tua carne santa. Acabou o terrível suplício. Solto da coluna imunda à qual Te ataram cais por terra, desfalecido, meio morto. Eu, caio também de joelhos e peço-Te perdão. Perdão pela minha cobardia, pela minha pouca fé, a minha tibieza, pela minha falta de carácter. E tu, minha Mãe, que no exterior, com o coração angustiado, aguardas o fim do suplício que infligem ao teu Filho, tu, Senhora de Dores, acolhe-me junto de ti e sossega o meu espírito. Diz-me que jamais, jamais consentirás que eu me converta em carrasco, algoz, do teu Divino Filho. Afiança-me que a tua confiança de filha de Deus Pai, ajudará a minha pouca fé. Persuade-me que a tua certeza de Mãe de Deus Filho aumentará a minha esperança. Garante-me que o teu amor de Esposa do Espírito Santo, suprirá a minha falta de caridade. Incute no meu espírito o desejo de estar com Jesus, nesta hora solene, em que o Rei do Reis, o Senhor dos Senhores, está amarrado como um malfeitor, recebendo um castigo duríssimo que não mereceu. A interpor-me entre os carrascos e o teu Filho, aparando os golpes. A limpar os vergões e as feridas da Sua carne. Por um bálsamo, lavar o sangue, limpar as feridas. Permite-me querer ficar com Ele, ofegante de emoção, amarrado também a essa coluna, partilhando o possível da Sua Flagelação.

 

 

Coroação de espinhos

Todo eu me angustio, Senhor, com este quadro horrível. Não já tanto pelo sofrimento, mas ainda mais pela troça, pelo escárnio.

É para mim uma das mais pungentes cenas da Via Sacra porque revela um desprezo, uma troça, um aviltamento de tal forma soezes e  inqualificáveis que custa acreditar. Mas, na verdade aconteceu os evangelistas relatam-no com detalhe e eu não quase não consigo sufocar um grito de revolta e esconjurar os algozes. Mas tenho de o fazer porque tudo aconteceu para que se cumprissem as Escrituras e porque O Senhor assim o quis. Não SE poupou a nada nem ao sofrimento nem às troças, aos sarcasmos, ás violências. Por vezes parece-me que Ele “foi longe de mais”, para empregar palavras humanas que são as minhas, mas um Rei verdadeiro, autêntico nunca vai “longe de mais” porque faz o que é necessário fazer para bem dos Seus súbditos que nele confiam e dele esperam exemplo de fortaleza e bem proceder. Mal sabiam eles que de facto ajoelhavam em frente do Rei, não só dos Judeus, mas de todos os homens. Mal sabiam eles que Jesus sabia muito bem quem Lhe batia, não só naquele momento, mas durante mais dois mil anos, quantos Lhe bateram e Lhe enterraram a horrível Coroa na cabeça. E eu, onde estava, Senhor? Escondido atrás de alguma coluna, estarrecido com tal cena, ou era dos que Te atormentavam e troçavam de Ti? Quantos espinhos da Tua Coroa foram directamente cravados por mim na Tua fronte sublime? E quantas vezes o fiz? Ah, Senhor! Muitas decerto, infelizmente. E Tu perdoas-me ainda! Queixo-me eu por um pequeno incómodo, uma dorzita, um mal estar de nada, um desconforto, que está frio, que está calor… e Tu, senhor, ali, sentado num escabelo, naquela tristíssima e pungente figura de um justiçado silencioso, olhando para os Teus algozes, para mim, com os teus doces olhos serenos e cheios de mágoa. E o Teu pensamento, ao mesmo tempo: «Pai perdoa-lhes, eles não sabem o que fazem!» Mas eu sei, Senhor, ah!, eu sei o que faço. Sempre soube, só que fingia e finjo que não sei. Quero convencer-me que não sou um dos Teus martirizadores, que talvez não passe de um espectador passivo.A verdade é bem diferente e eu tenho que humildemente reconhecer que, também eu, por diversas vezes, Te cravei espinhos na cabeça, fiz pouco de Ti, e Te magoei profundamente. E agora desejo que com todo o cuidado retire a coroa da Tua cabeça, procure os espinhos um a um, lave as feridas com as minhas lágrimas, Te vista uma roupa decente e… finalmente, ocupe o Teu lugar no escabelo onde estás sentado. Sei bem que não tenho merecimento para tal, nem sou digno sequer de tal pedido, mas, Senhor, dar-me-ias Tu coragem para fazer isto? Consentirias Tu, Senhor, que um pecador como eu, ocupasse o Teu lugar neste momento? Sucumbiria eu ao sofrimento? Rebelar-me-ia eu contra os vexames? Responderia, com rancor, ao escárnio?Não, com a Tua ajuda, Senhor, porque Tu és a minha força e a minha razão. Tudo em mim me impele para junto de Ti. Deixa, Senhor, que me aproxime apesar de tudo quanto fiz e faço, das minhas misérias e fraquezas. Deixa-me, Senhor, olhar para Ti tão intensamente que jamais esqueça esta Tua imagem dolorosa e de tal forma ela fique gravada em mim que eu não seja mais capaz de Te ofender com os meus pecados. Permite, Senhor, que seja eu a receber a troça, os insultos, que seja eu a sofrer as dores dos espinhos e das bofetadas, para aliviar um pouco que seja a Tua imensa dor e para poder ser um pouco mais merecedor deste Teu enormíssimo sacrifício que levasTe a cabo por minha salvação.

 

Jesus toma a Cruz

 

Sobre os Teus ombros doridos, repousa agora a Cruz que, desde sempre, Te estava reservada. Enfraquecido como estás, o sofrimento atroz do Getsémani, as vergastadas, os encontrões, deixaram-Te quase sem forças, uma noite inteira sem dormir naquele simulacro de julgamento perante o Sinédrio que finalizou naquele espasmo tétrico e absurdo de seres acusado de blasfemoe declarado réu de morte. O Teu Espirito está como que aturdido pelos insultos, as palavras soezes, o ódio e a raiva que vês nos homens que Te rodeiam e que toda a noite Te atormentaram. Para alguns judeus, príncipes dos sacerdotes e os outros do Sinédrio, és um inimigo e há que exacerbar ao máximo a multidão dos simples, analfabetos, pouco mais que brutos, para que peçam mais e mais sofrimentos, mais e mais troça e escárnio. Só descansarão quando Te virem morto, pregado na Cruz. Há o secreto medo que os Teus discípulos que se contam por milhares, acorram em Teu auxílio, se sublevem e subvertam facilmente toda uma turba de pobres homens e mulheres ávidos de um chefe, de um líder contra os odiados opressores romanos. Para estes últimos, não passas de um divertimento. Algo que sai da rotina. Ainda por cima, não têm qualquer responsabilidade; não lavou as mãos do assunto, o seu chefe, Pôncio Pilatos? E onde estou eu, Senhor? No grupo turbulento, inconsciente e sem vontade própria os que gritam: «Crucifica-O!», daqueles que se aglomeram, ávidos de verem como é que vais aguentar o pesado madeiro? Ou estou no meio daqueles que se limitam a cumprir ordens, sem querer saber, como nem porquê, se são justas ou injustas, e assim Te flagelei e agora Te arrasto para receberes a Cruz? Acrescento, talvez, alguma coisa da minha lavra: uso o azorrague com mais força, fui eu quem se lembrou da coroa de espinhos, dei-Te algumas bofetadas por minha conta? Ou sou, ainda, dos que, de longe, disfarçadamente, olham tudo, apavorados que descubram qualquer ligação conTigo, olhando em volta, perscrutando se alguém se lembra de me Ter visto no meio dos quatro mil que alimentas-Te milagrosamente com uns pouco de peixes e pães? Esta angústia de não saber onde estou, faz-me encolher na minha própria insignificância cobarde e pusilânime. Quantas vezes me deixei ir com os outros, sem querer saber para onde ia, onde levava aquele caminho? Quantas vezes inventei eu próprio algumas modificações nesses caminhos ínvios tornando-os mais tortuosos? Quantas vezes não fugi e não me escondi, fiquei calado e atentei passar despercebido com medo de cair em “ridículo”, de “chocar” os outros, ou muito simplesmente de me afirmar como Teu filho e não consentir ofensa ao meu Pai na minha presença? Descansa agora a Cruz no Teu ombro dorido, Senhor que Tu és homem, embora perfeito, sentes em todo o Teu corpo esse peso enorme desse lenho duro que há-de receber o teu Corpo martirizado. E conheces, um a um, todos os pecados de todos os homens que constituem o peso dessa Cruz. Os meus também. E eu queixo-me da minha cruz. Que é pesada, que é incómoda, que, até por vezes, me tira o sono! Perdoa-me, Senhor, a minha insensibilidade perante a Tua Cruz. Não olhes para mim, Senhor, com o Teu olhar magoado e triste. Deixa-me respirar um pouco, tomar alento, ganhar coragem para então, postado a Teu lado, volveres para mim o Teu olhar misericordioso e, silenciosamente, dizeres-me: Estás perdoado; não tornes a pôr mais peso nesta tão pesada Cruz. E eu, senhor, com o coração cheio de alegria pela Tua bondade, prometo solenemente fazer tudo, com a Tua ajuda, para não tornar mais pesada a Tua Santa Cruz.

 

 

Jesus morre na Cruz

 

 

Chegou ao fim o Teu calvário. O sofrimento, os insultos, o vexame de seres despido em público, o opróbrio de seres contado entre os salteadores, tudo se consumou. Inclinas a cabeça gotejante, e expiras. E o mundo cobre-se de trevas. E muitos ressuscitaram. E eu? Coberto pelas trevas ou ressuscitado? Inclinado em prostração pelo sacrifício tremendo, coberto de crepes, as lágrimas correndo, o corpo alquebrado pela angústia do meu Senhor morto, ou, ao contrário, ressuscitado para a vida que acabas-Te de dar-me, para a luminosa realidade de Teu filho e irmão, para a felicidade de finalmente ter sido liberto da minha escravidão ao pecado? Como pude eu, Senhor, mergulhar nas trevas? Como posso eu, Senhor, passear-me indiferente ao Teu sacrifício? Como é possível que eu não me transfigure num homem novo, diferente? Porquê não começo a caminhar em frente, para Ti, em vez dos desvios que faço continuamente, das paragens para deter-me em coisas que não valem nada, nesta minha viagem para me juntar a Ti? Nessa Cruz onde expiras-Te, caberei eu também? Posso, Senhor, juntar-me a Ti de braços estendidos e participar conTigo? Porque não quisesTe Senhor, que eu fosse, ao menos, esse ladrão que levaste conTigo para o Paraíso? Mais fácil, muito mais fácil teria sido, sem dúvida. Tu queres de mim, Senhor, toda a minha entrega e, eu, não Te dou senão bocadinhos de mim, da minha vida e, mesmo esses, de má vontade e sem determinação. Posso eu merecer este Teu sacrifício? Decerto que sim, mas só com a Tua ajuda, Senhor. Só com a Tua ajuda constante. Bastará um momento, uma fracção de segundo, que me falte o Teu apoio e eu sou de novo aquele que Te flagela, que Te coloca a coroa de espinhos, que Te trespassa o peito com a lança, que Te vê morrer sem compreender nada, sem fazer nada. Não podes, Senhor, deixar-me. Tenho de ser digno da Tua morte, tenho de merecer o Teu calvário, a Tua Cruz. Protesto eu que a minha cruz é pesada, difícil e, no entanto, não morro nela. Pelo contrário, constantemente sinto a Tua mão a ajudar-me a carregá-la, o seu peso descansar também no Teu ombro dorido. Pois é, Senhor, mas eu não passo de um pobre pecador, desnorteado por vezes, cheio de ambições, de vaidade e fraquezas. Tenho á minha frente a Tua cruz, essa enorme cruz onde morresTe por mim. Inclino-me contristado e com o coração compungido pela dor de Te ver partir, de Te ver morrer. Sei porem que ressuscitarás e que estarás sempre comigo, até que resolvas chamar-me para o pé de Ti. Nada mais quero, nada mais desejo. O que for preciso, Senhor, o que for necessário fazer para merecer esta Tua morte, que eu o faça com a Tua ajuda, com o alento que sabes dar, com a Tua misericórdia e bondade infinitas. E então, quando prostrado Te adorar, quando estiver no Teu seio, dir-Te-ei: Obrigado Senhor, pela Tua morte, sem ela não estaria aqui gozando a Vida Eterna.