04/08/2021

PUBLICAÇÕES NUNC COEPI – Em Agosto 4



PEQUENA AGENDA DO CRISTÃO

Quarta-Feira 

 

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)

 

Propósito: Simplicidade e modéstia.

Senhor, ajuda-me a ser simples, a despir-me da minha “importância”, a ser contido no meu comportamento e nos meus desejos, deixando-me de quimeras e sonhos de grandeza e proeminência.

Lembrar-me: Do meu Anjo da Guarda.

Senhor, ajuda-me a lembrar-me do meu Anjo da Guarda, que eu não despreze companhia tão excelente. Ele está sempre a meu lado, vela por mim, alegra-se com as minhas alegrias e entristece-se com as minhas faltas.

Anjo da minha Guarda, perdoa-me a falta de corres-pondência ao teu interesse e protecção, a tua disponibilidade permanente. Perdoa-me ser tão mesquinho na retribuição de tantos favores recebidos. 

Pequeno exame: Cumpri o propósito que me propus ontem?

 


LEITURA ESPIRITUAL

 

Evangelho

Lc III, 1-22

 

Pregação de João Baptista

1 No décimo quinto ano do reinado do imperador Tibério, quando Pôncio Pilatos era governador da Judeia, Herodes, tetrarca da Galileia, seu irmão Filipe, tetrarca da Itureia e da Traconítide, e Lisânias, tetrarca de Abilena, 2 sob o pontificado de Anás e Caifás, a palavra de Deus foi dirigida a João, filho de Zacarias, no deserto. 3 Começou a percorrer toda a região do Jordão, pregando um baptismo de penitência para remissão dos pecados, 4 como está escrito no livro dos oráculos do profeta Isaías: «Uma voz clama no deserto: ‘Preparai o caminho do Senhor e endireitai as suas veredas. 5 Toda a ravina será preenchida, todo o monte e colina serão abatidos; os caminhos tortuosos ficarão direitos e os escabrosos tornar-se-ão planos. 6 E toda a criatura verá a salvação de Deus.’» 7 João dizia, então, às multidões que acorriam para serem baptizadas por ele: «Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da cólera que está para chegar? 8 Produzi frutos de sincero arrependimento e não comeceis a dizer para convosco: ‘Nós temos Abraão como pai’; pois eu vos digo que Deus pode, destas pedras, suscitar filhos a Abraão. 9 O machado já se encontra à raiz das árvores; por isso, toda a árvore que não der bom fruto será cortada e lançada ao fogo.» 10 E as multidões perguntavam-lhe: «Que devemos, então, fazer?» 11 Respondia-lhes: «Quem tem duas túnicas reparta com quem não tem nenhuma, e quem tem mantimentos faça o mesmo.» 12 Vieram também alguns cobradores de impostos, para serem baptizados e disseram-lhe: «Mestre, que havemos de fazer?» 13 Respondeu-lhes: «Nada exijais além do que vos foi estabelecido.» 14 Por sua vez, os soldados perguntavam-lhe: «E nós, que devemos fazer?» Respondeu-lhes: «Não exerçais violência sobre ninguém, não denuncieis injustamente e contentai-vos com o vosso soldo.»

 

Testemunho de João Baptista

15 Estando o povo na expectativa e pensando intimamente se ele não seria o Messias, 16 João disse a todos: «Eu baptizo-vos em água, mas vai chegar alguém mais forte do que eu, a quem não sou digno de desatar a correia das sandálias. Ele há-de baptizar-vos no Espírito Santo e no fogo. 17 Tem na mão a pá de joeirar, para limpar a sua eira e recolher o trigo no seu celeiro; mas queimará a palha num fogo inextinguível.» 18 E, com estas e muitas outras exortações, anunciava a Boa-Nova ao povo.

 

João é encarcerado

19 Mas Herodes, o tetrarca, a quem João censurava por causa de Herodíade, mulher de seu irmão, e por todas as más acções que tinha praticado, 20 acrescentou a todas as más acções, mais esta: encerrou João na prisão.

 

Baptismo de Jesus

21 Todo o povo tinha sido baptizado; tendo Jesus sido baptizado também, e estando em oração, o Céu rasgou-se 22 e o Espírito Santo desceu sobre Ele em forma corpórea, como uma pomba. E do Céu veio uma voz: «Tu és o meu Filho muito amado; em ti pus todo o meu agrado.»

 

Comentário

 

A profecia de Isaías é bem clara: «todo o homem verá a salvação de Deus». [1]

O Reino de Deus está destinado a todos os homens como não podia deixar de ser; criados à imagem e semelhança de Deus que outro destino poderíamos ter? E, a redenção que João nos anuncia está a chegar com o Nascimento do Salvador. Ele vem para nos confirmar na Fé e dar-nos os meios de atingirmos o nosso fim.

São Lucas escreve uma página do Evangelho a falar de João Baptista? Não deveria cingir-se a Jesus Cristo e à Sua vida entre nós.

De facto não se pode dissociar a figura do Percursor da Pessoa do Salvador. Estão intimamente ligadas de tal forma que João é a principal e mais importante testemunha de Jesus Cristo, da Sua missão, realeza, divindade.

João existe por Jesus, a sua vida é toda dedicada a preparar a Sua vinda, o seu papel é, antes de mais, levar os homens ao encontro do Messias.

O que significam as palavras do Evangelista: «rasgou-se o céu»? [2]

Não é única esta referência. Também o próprio Jesus Cristo afirmou: «Vereis o céu aberto» [3]

Penso que se trata de algo que terá que ver com a capacidade de ver os sinais de Deus.

Por vezes, para confirmar os Seus filhos na Fé, o Senhor tem como que estes “gestos” de carinho.

Estarão na mesma linha as aparições visíveis de Anjos, Santos, da Santíssima Virgem, do próprio Jesus Cristo.

O Baptismo é o Sacramento da iniciação cristã. Abre a porta para o Reino de Deus e transforma-nos de simples criaturas em Filhos de Deus. Torna-se assim clara a obrigação grave dos responsáveis pela criança de a baptizar o mais cedo possível para não correr o risco de perder tão grande bem.

Nada do que Jesus Cristo faz é ocasional ou sem um sentido próprio. De facto, ao querer ser baptizado, com o Baptismo da água, o Mestre quis, em primeiro lugar, instituir este acto como o Sacramento indispensável para a introdução, por assim dizer, dos homens na Sua Igreja.

Mais tarde confirmá-lo-à esclarecendo as palavras rituais: «Ide, pois, ensinai todas as gentes, baptizando-as em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo» [4]

As pessoas fazem perguntas concretas sobre temas concretos. É a única forma de se ser elucidado.

Ter a humildade de perguntar quando se não sabe a alguém que nos possa responder com são critério e segurança doutrinal. Por isso a direcção espiritual é tão importante na vida do cristão que deseja – como deve ser – fazer em tudo a Vontade de Deus.

Por aqui se pode ver que João é considerado como alguém a quem recorrer pelas pessoas desejosas de levar uma vida correcta, fazer o que está certo e, com isso, alcançarem as graças de Deus. [5]

Pessoas de todas as condições sociais e com os mais variados misteres que, mais tarde, Jesus há-de considerar como «ovelhas perdidas e sem pastor», encontram em João as respostas às suas dúvidas e incertezas.

A Lei de Deus tal como era conduzida e imposta pelos chefes do povo, os Príncipes dos Sacerdotes e os anciãos que se consideravam a eles próprios como os legítimos detentores da verdade de Lei, tinha chegado a um ponto tal de exageros e prescrições que se tornara uma «carga insuportável» para os judeus de boa cepa.

E, o Baptista, não deixa a ninguém sem resposta, uma orientação, um conselho e, também, um aviso a levar muito a sério: preparar o caminho, as almas, os corações para a vinda eminente do Salvador arrependendo-se e mudando de vida.

João não é “apenas” o Percussor, ou, por o ser, dá as mesmas respostas de Jesus a perguntas semelhantes. Nem seria possível ser de outra forma já que o caminho de salvação anunciado pelo Baptista é o caminho que Jesus virá a confirmar como o adequado à salvação eterna.

O Baptista não tem outro objectivo que não seja a salvação dos homens e, sabe, que essa salvação só pode vir do próprio Jesus Cristo. A sua postura solidamente humilde – se assim se pode dizer – manifesta-se continuamente dizendo que não é ele, João, mas sim Jesus Cristo quem devem ouvir e seguir. Sabe muito bem, e repete-o constantemente, que o seu papel é anunciar e preparar a vinda do Salvador, que a sua pessoa pouca relevância tem mas que a sua missão é de capital importância – mesmo determinante – para o Reino de Deus entre os homens. A partir dele, ninguém mais poderá dizer que não foi avisado e urgido a preparar-se.

Diz São Lucas que «o Senhor falou a João, filho de Zacarias, no deserto». Daqui se conclui que, João sabia intimamente que tinha uma missão a cumprir, algo grande e muitíssimo importante, por isso mesmo, se retira para o deserto esperando a revelação do que o Senhor queria que fizesse. [6]

Não foi, portanto, uma decisão sua como se “algo lhe tivesse passado pela cabeça” sem mais.

As coisas grandes são assim mesmo: Grandes! Por isso além de a necessária preparação pessoal deve esperar-se – e pedir – que o Senhor indique o que quer que façamos.

São Josemaria passou por algo semelhante porque, desde muito novo, sabendo que o Senhor desejava alguma coisa muito especial da sua pessoa, resolveu entrar no Seminário e ordenar-se Sacerdote, repetindo continuamente os seus pedidos de luz concreta e iniludível sobre o que devia fazer. Só depois, quando a obtém essa certeza, lança ombros ao que Deus lhe pede: o OPUS DEI!

Nós, pessoas comuns, não temos porque ter especiais revelações de Deus porque, também, o que se nos pede pode não ser assim tão excepcional, mas, como sabemos, é-nos reservada uma missão apostólica bem definida no mandato de Cristo. Por isso, pondo-nos nas mãos de Deus, pedindo ao Espírito Santo que nos ilumine, recorramos à Direcção Espiritual para obter a ajuda necessária para fazermos o que temos de fazer.

Com a “precisão” que lhe é característica, São Lucas identifica e situa perfeitamente os a acontecimentos que narra.

O Evangelho é, de facto, uma história, a HISTÓRIA DA SALVAÇÃO, que Jesus Cristo trouxe ao mundo e, como tal não poderia ser proposta às gentes que não de uma forma absolutamente credível e “verificável”.

São acontecimentos relevantes que nos vão levando, passo a passo, a acompanhar a vida de Jesus entre nós, as circunstâncias em que disse e fez as Suas obras, os milagres, os conselhos, advertências, avisos.

Devemos lê-los e, com certeza o faremos diariamente, uma e outra vez, fugindo à tentação de pensar: ‘isto já conheço!’.

A experiência de muitas vidas longas e cheias diz-nos que sempre se descobre algo novo num trecho do Evangelho que lemos pela enésima vez. Talvez uma palavra, uma expressão ou gesto que ressalta como autêntica novidade.

Seria uma pena se desperdiçássemos tamanha ventura!

 

SÂO JOÃO MARIA VIANNEY


 

FAMÍLIA

 

O quarto mandamento do Decálogo: honrar pai e mãe

 

2. Significado e extensão do quarto mandamento

 

a) A família. O quarto mandamento refere-se em primeiro lugar às relações entre pais e filhos no seio da família. «Ao criar o homem e a mulher, Deus instituiu a família humana e dotou-a da sua constituição fundamental» (Catecismo , 2203). «Um homem e uma mulher, unidos em matrimónio, formam com os seus filhos uma família» (Catecismo, 2202). «A família cristã é uma comunhão de pessoas, vestígio e imagem da comunhão do Pai e do Filho, no Espírito Santo» ( Catecismo, 2205).

 

REFLEXÃO


 

É obrigação dos católicos presentes nas instituições politicas exercer uma acção crítica dentro das suas próprias instituições para que os seus programas e actuações respondam cada vez melhor ás aspirações e critérios da moral cristã. Em alguns casos pode resultar inclusive obrigatória a objecção de consciência face a actuações ou decisões que sejam directamente contraditórias com algum preceito da moral cristã.

 

(Conferência Episcopal Espanhola, Testigos de Dios vivo, 26.06.1985, nr. 64, e.)

 

 


SÃO JOSEMARIA – textos

 

Se os cristãos soubessem servir!

Quando te falo do "bom exemplo", quero indicar-te também que hás-de compreender e desculpar, que hás-de encher o mundo de paz e de amor. (Forja, 560)

Se os cristãos soubessem servir! Vamos confiar ao Senhor a nossa decisão de aprender a realizar esta tarefa de serviço, porque só servindo é que poderemos conhecer e amar Cristo e dá-Lo a conhecer e conseguir que os outros O amem mais. Como o mostraremos às almas? Com o exemplo: que sejamos testemunho seu, com a nossa voluntária servidão a Jesus Cristo em todas as nossas actividades, porque é o Senhor de todas as realidades da nossa vida, porque é a única e a última razão da nossa existência. Depois, quando já tivermos prestado esse testemunho do exemplo, seremos capazes de instruir com a palavra, com a doutrina. Assim procedeu Cristo: coepit facere et docere, primeiro ensinou com obras, e só depois com a sua pregação divina. Servir os outros, por Cristo, exige que sejamos muito humanos. Se a nossa vida é desumana, Deus nada edificará nela, porque habitualmente não constrói sobre a desordem, sobre o egoísmo, sobre a prepotência. Precisamos de compreender todas as pessoas, temos de conviver com todos, temos de desculpar todos, temos de perdoar a todos. Não diremos que o injusto é o justo, que a ofensa a Deus não é ofensa a Deus, que o mau é bom. Todavia, perante o mal, não responderemos com outro mal, mas com a doutrina clara e com a boa acção; afogando o mal em abundância de bem. (Cristo que passa, 182).

 

 



[1] Cfr. 1-6,

[2] Cfr. Lc 3, 22

[3] Cfr. Jo 1, 51

[4] Cfr. Mt 28, 19

[5] Cfr. 10-18

[6] Cfr. 1-6

03/08/2021

NUNC COEPI: Publicações em Agosto 3

 




PEQUENA AGENDA DO CRISTÃO

Terça-Feira 

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)

 

Propósito: Aplicação no trabalho.

Senhor, ajuda-me a fazer o que devo, quando devo, empenhando-me em fazê-lo bem feito para to poder oferecer.

Lembrar-me: Os que estão sem trabalho.

Senhor, lembra-te de tantos e tantas que procuram trabalho e não o encontram, provê às suas necessidades, dá-lhes esperança e confiança.

Pequeno exame: Cumpri o propósito que me propus ontem?




LEITURA ESPIRITUAL

 

Evangelho

 

Lc II, 41-52

 

Jesus entre os doutores

41 Os pais de Jesus iam todos os anos a Jerusalém, pela festa da Páscoa. 42 Quando Ele chegou aos doze anos, subiram até lá, segundo o costume da festa. 43 Terminados esses dias, regressaram a casa e o menino ficou em Jerusalém, sem que os pais o soubessem. 44 Pensando que Ele se encontrava na caravana, fizeram um dia de viagem e começaram a procurá-lo entre os parentes e conhecidos. 45 Não o tendo encontrado, voltaram a Jerusalém, à sua procura. 46 Três dias depois, encontraram-no no templo, sentado entre os doutores, a ouvi-los e a fazer-lhes perguntas. 47 Todos quantos o ouviam, estavam estupefactos com a sua inteligência e as suas respostas. 48 Ao vê-lo, ficaram assombrados e sua mãe disse-lhe: «Filho, porque nos fizeste isto? Olha que teu pai e eu andávamos aflitos à tua procura!» 49 Ele respondeu-lhes: «Porque me procuráveis? Não sabíeis que devia estar em casa de meu Pai?» 50 Mas eles não compreenderam as palavras que lhes disse. 51 Depois desceu com eles, voltou para Nazaré e era-lhes submisso. Sua mãe guardava todas estas coisas no seu coração. 52 E Jesus crescia em sabedoria, em estatura e em graça, diante de Deus e dos homens.

 

Comentário

 

Este texto de São Lucas contém um pormenor de elevadíssima importância.

Revela a delicadeza de coração da Santa Mãe de Deus quando nomeia em primeiro lugar o Pai Adoptivo do Senhor:

«Filho, porque nos fizeste isto? Olha que teu pai e eu andávamos aflitos à tua procura!». E, ao mesmo tempo, faz ressaltar a humildade de São José que acompanhando sempre a sua Família – Nossa Senhora e o Menino Jesus – não pronuncia uma palavra, não impõe uma presença.

Ao elegê-lo como Patrono, a Santa Igreja, não podia ter escolhido melhor, alguém obediente nos ínfimos detalhes, capaz de grandes decisões – como a fuga para o Egipto -, guarda e protector fiel e atento.

Não nos esqueçamos que – embora não haja relatos sobre o caso – São José morreu entre os braços amorosos da Santíssima Virgem e de Jesus Cristo.

Segundo a Santa de Ávila não há ninguém melhor colocado para interceder por nós junto do Senhor.

 

(AMA, 1998)

 



 

SÃO JOSÉ

 

A figura de São José no Evangelho

 

Em Nazaré José era um dos poucos artesãos da terra, se não era o único. Possivelmente, carpinteiro. E, como é costume nas pequenas povoações, também era capaz de fazer outras coisas: pôr a funcionar um moinho que não funcionava ou arranjar, antes do inverno, as fendas de um teto. José tirava muita gente de apuros, certamente com um trabalho bem acabado. O seu trabalho profissional era uma ocupação orientada para o serviço, para tornar agradável a vida das outras famílias da aldeia, acompanhada de um sorriso, de uma palavra amável, de um comentário feito como que de passagem, mas que devolve a fé e a alegria a quem está a ponto de perdê-las.

(São Josemaria, Cristo que passa, 51)


 

REFLEXÃO

 

Imaginação

Quando não se tem um trabalho habitualmente intenso, as dificuldades nascem por si, por entre as névoas de uma imaginação desocupada.

 

(Javier Abad Gómez, Fidelidade, Quadrante 1989, pg. 114)

 


 

 

SÃO JOSEMARIA textos

 

Levai a carga uns dos outros

Diz o Senhor: "Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros. Nisto se conhecerá que sois meus discípulos". – E São Paulo: "Levai a carga uns dos outros, e assim cumprireis a lei de Cristo". – Eu não te digo nada. (Caminho, 385)

Olhando à nossa volta, talvez descobríssemos razões para pensar que a caridade é realmente uma virtude ilusória. Mas considerando as coisas com sentido sobrenatural, descobrirás também a raiz dessa esterilidade, que se cifra numa ausência de convívio intenso e contínuo, de tu a tu, com Nosso Senhor Jesus Cristo, e no desconhecimento da acção do Espírito Santo na alma, cujo primeiro fruto é precisamente a caridade. Recolhendo um conselho do Apóstolo – levai uns as cargas dos outros e assim cumprireis a lei de Cristo – acrescenta um Padre da Igreja: amando a Cristo, suportaremos facilmente a fraqueza dos outros, mesmo a daquele a quem ainda não amamos, porque não tem boas obras. Por aí se eleva o caminho que nos faz crescer na caridade. Enganar-nos-íamos se imaginássemos que primeiro temos de nos exercitar em actividades humanitárias, em trabalhos de assistência, excluindo o amor do Senhor. Não descuidemos Cristo por causa do próximo que está enfermo, uma vez que devemos amar o enfermo por causa de Cristo. Olhai constantemente para Jesus, que, sem deixar de ser Deus, se humilhou tomando a forma de servo para nos poder servir, porque só nessa mesma direcção se abrem os afãs por que vale a pena lutar. O amor procura a união, a identificação com a pessoa amada; e, ao unirmo-nos com Cristo, atrair-nos-á a ânsia de secundar a sua vida de entrega, de amor sem medida, de sacrifício até à morte. Cristo coloca-nos perante o dilema definitivo: ou consumirmos a existência de uma forma egoísta e solitária ou dedicarmo-nos com todas as forças a uma tarefa de serviço. (Amigos de Deus, 236)

 

 

 

 

02/08/2021

NUNC COEPI: Publicações em Agosto 2

 


PEQUENA AGENDA DO CRISTÃO

Segunda-Feira

 

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)

Propósito: Sorrir; ser amável; prestar serviço.

Senhor que eu faça "boa cara" que seja alegre e transmita aos outros, principalmente em minha casa, boa disposição.

Senhor que eu sirva sem reserva de intenção de ser recompensado; servir com naturalidade; prestar pequenos ou grandes serviços a todos mesmo àqueles que nada me são. Servir fazendo o que devo sem olhar à minha pretensa “dignidade” ou “importância” “feridas” em serviço discreto ou desprovido de relevo, dando graças pela oportunidade de ser útil.

Lembrar-me: 

Sorrir, ser amável.

 


LEITURA ESPIRITUAL

 

Evangelho

 

 

Lc II, 1-40

 

Nascimento de Jesus

1 Por aqueles dias, saiu um édito da parte de César Augusto para ser recenseada toda a terra. 2 Este recenseamento foi o primeiro que se fez, sendo Quirino governador da Síria. 3 Todos iam recensear-se, cada qual à sua própria cidade. 4 Também José, deixando a cidade de Nazaré, na Galileia, subiu até à Judeia, à cidade de David, chamada Belém, por ser da casa e linhagem de David, 5 a fim de se recensear com Maria, sua esposa, que se encontrava grávida. 6 E, quando eles ali se encontravam, completaram-se os dias de ela dar à luz 7 e teve o seu filho primogénito, que envolveu em panos e recostou numa manjedoura, por não haver lugar para eles na hospedaria.

 

Os pastores e o presépio

8 Na mesma região encontravam-se uns pastores que pernoitavam nos campos, guardando os seus rebanhos durante a noite. 9 Um anjo do Senhor apareceu-lhes, e a glória do Senhor refulgiu em volta deles; e tiveram muito medo. 10 O anjo disse-lhes: «Não temais, pois anuncio-vos uma grande alegria, que o será para todo o povo: 11 Hoje, na cidade de David, nasceu-vos um Salvador, que é o Messias Senhor. 12 Isto vos servirá de sinal: encontrareis um menino envolto em panos e deitado numa manjedoura.» 13 De repente, juntou-se ao anjo uma multidão do exército celeste, louvando a Deus e dizendo: 14 «Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens do seu agrado.» 15 Quando os anjos se afastaram deles em direcção ao Céu, os pastores disseram uns aos outros: «Vamos a Belém ver o que aconteceu e que o Senhor nos deu a conhecer.» 16 Foram apressadamente e encontraram Maria, José e o menino deitado na manjedoura. 17 Depois de terem visto, começaram a divulgar o que lhes tinham dito a respeito daquele menino. 18 Todos os que ouviram se admiravam do que lhes diziam os pastores. 19 Quanto a Maria, conservava todas estas coisas, ponderando-as no seu coração. 20 E os pastores voltaram, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham visto e ouvido, conforme lhes fora anunciado.

 

Circuncisão e apresentação no templo

21 Quando se completaram os oito dias, para a circuncisão do menino, deram-lhe o nome de Jesus indicado pelo anjo antes de ter sido concebido no seio materno.     33 Seu pai e sua mãe estavam admirados com o que se dizia dele. 34 Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua mãe: «Este menino está aqui para queda e ressurgimento de muitos em Israel e para ser sinal de contradição; 35 uma espada trespassará a tua alma. Assim hão-de revelar-se os pensamentos de muitos corações.» 36 Havia também uma profetisa, Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser, a qual era de idade muito avançada. Depois de ter vivido casada sete anos, após o seu tempo de donzela, 37 ficou viúva até aos oitenta e quatro anos. Não se afastava do templo, participando no culto noite e dia, com jejuns e orações. 38 Aparecendo nessa mesma ocasião, pôs-se a louvar a Deus e a falar do menino a todos os que esperavam a redenção de Jerusalém.

 

Jesus em Nazaré

39 Depois de terem cumprido tudo o que a Lei do Senhor determinava, regressaram à Galileia, à sua cidade de Nazaré. 40 Entretanto, o menino crescia e robustecia-se, enchendo-se de sabedoria, e a graça de Deus estava com Ele.

 

Comentário

 

Lição de humildade, exemplo de cumprimento da Lei que é a Vontade de Deus, eis o que a Santíssima Virgem nos quer dizer neste trecho do Evangelho de São Lucas.

Se Maria se tivesse eximido a tal disposição legal, o que com inteira propriedade poderia ter feito porque era Imaculada, teria suscitado en­tre as pessoas de seu conhecimento, vizinhos, parentes, etc., estra­nheza e admiração, talvez, críticas, seguramente perguntas a que não tinha porque responder.

Tal como seu Filho, uma criança em tudo igual às outras crianças da sua aldeia, também Maria, não quer sobressair quando o próprio Filho pretende que a Sua Divindade passe, por enquanto, incógnita.

São Lucas detém-se com alguma demora, nestes episódios da vida de Jesus, que, só Maria Santíssima lhe poderia ter transmitido com tanta abundância de pormenores.

São relato de acontecimentos normais e correntes naqueles tem­pos e, ao participar neles a Sagrada Família age com toda a sim­plicidade das restantes famílias da sua terra, em nada sobressai, nada se evidencia de peculiar.

Exemplo de humildade e discrição que podemos - e devemos - imitar.

Não tinhas porque ir ao templo.  Estavas - eras - Imaculada.

Mas quiseste dar-nos o exemplo: Cumprir as leis humanas justas e, com maior obrigação, as Leis do Magistério. Que eu saiba encontrar neste teu exemplo a direcção da minha con­duta.

Bem-aventurado Simeão que soubeste reconhecer Quem ali era apre­sentado!

Foram os olhos da alma, da esperança, da fé e da confiança que tal te permitiram.

Não eras nenhum imperador ou rei, sábio ou letrado mas tão só um homem com uma confiança total no Senhor.

Ajuda-nos a todos a ter essa confiança que dá a luz necessária aos nossos olhos para ver, sempre, em qualquer circunstância, o nosso Senhor.

É apresentado no Templo o Senhor do Templo!

Outra magnifica manifestação de humildade da Família Sagrada! Cum­pre as prescrições da Lei em tudo agindo com tanta naturalidade e discrição que ninguém se dá conta excepto os que, iluminados pelo Espírito Santo reconhecem naquele Menino o Filho de Deus incarnado.

Que lição para nós que tanto gostamos de ser vistos e as nossas ac­ções reconhecidas! Aprendamos, pois, do Rei dos Reis a submeter-nos às nossas obriga­ções com diligência e simplicidade.

Também nós, cristãos, fomos apresentados a Deus no Templo. Ao colo dos nossos pais, com o testemunho dos nossos padrinhos e outras pes­soas, familiares e amigos, fomos entregues ao Criador, foi-nos dado um nome e assinalados com o sinal da Cruz convertemo-nos em fami­liares de Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo. A nossa alma purificada, alvíssima, pela acção da água baptismal, pas­sou a brilhar cintilante junto dos santos de Deus.

É tão grande, tão extraordinária a acção deste Sacramento que só se recebe uma vez na vida e o carácter que imprime perdura para sempre.

Quando levamos uma criança ao Templo para ser baptizada estamos a cumprir um sagrado dever e uma obrigação.

Esperamos que Deus a receba no seu seio, a integre na Sua Família a aceite como membro de pleno direito da comunidade cristã. A partir de então, a pequena criatura não é só uma maravilha fruto da colaboração humana com o próprio Criador de todas as coisas, é um templo, ela própria, do próprio Deus que passa a habitar a sua alma pura e santa, incólume de toda a mancha de pecado, num es­tado de pureza de tal forma brilhante e em tão sumo grau que con­templa directamente a Face de Deus.

Há uma evidente preocupação no Evangelista de registar com porme­nor os acontecimentos sucedidos nos primeiros dias de vida do Senhor. Para que não restem dúvidas referem-se os nomes e juntam-se ele­mentos identificativos dos personagens envolvidos nes­ses  acontecimentos.
Jesus existiu de facto não é uma invenção nem um mito mas alguém real e concreto.

 

«Depois que cumpriram tudo, segundo o que mandava a Lei do Se­nhor». Esta a "chave" da vida do cristão: cumprir, em primeiro lugar, o que o Senhor quer que façamos. Depois, só depois, haveremos de fazer as outras coisas que, por im­portantes que possam ser, vêm sempre em segundo lugar.

 

(AMA, 1999)

 


 

FILOSOFIA E RELIGIÃO, VIDA HUMANA

 

Chestertoninas: Como discutir com um oponente

 

“Aqui, neste momento, encontra-se talvez o seu [de São Tomás de Aquino] único momento de paixão pessoal, com excepção daquela efusão solitária durante as dificuldades da sua juventude. E mais uma vez ele está lutando contra os seus inimigos com uma tocha ardente. No entanto, mesmo neste isolado apocalipse de fúria, há uma frase que poderia ser recomendada às pessoas de todos os tempos que às vezes ficam irritadas por muito menos. Se há uma frase que poderia ser esculpida em mármore para representar a racionalidade mais calma e resistente, é a frase que surgiu juntamente com todo o resto desta lava derretida. Se há uma frase que passou para a história como típica de Tomás de Aquino, é a frase sobre o seu próprio argumento: “Não se baseia em documentos da fé, mas nas razões e nas afirmações dos próprios filósofos”. Que bom teria sido se todos os doutores ortodoxos da Igreja, quando enraivecidos, tivessem sido tão razoáveis quanto Aquino! Que bom seria se todos os apologistas cristãos se lembrassem daquela máxima e a escrevessem em letras grandes na parede antes de pregar ali as suas teses. No auge da sua fúria Tomás de Aquino entende o que muitos defensores da ortodoxia não conseguem entender. É inútil dizer a um ateu que é ateu; ou atirar contra um negador da imortalidade a infâmia da sua negação; ou imaginar que alguém pode forçar um adversário a admitir que está equivocado demonstrando que está equivocado segundo os princípios de outra pessoa e não de acordo com seus próprios princípios. Após o grande exemplo de São Tomás, foi estabelecido o princípio — ou deveria ter sido estabelecido para sempre — de que, ou não devemos discutir com uma pessoa de forma alguma, ou devemos fazê-lo em seu próprio terreno e não no nosso. Podemos fazer outras coisas em vez de discutir, de acordo com nossa concepção de acções moralmente admissíveis; mas, se nós discutimos, devemos fazê-lo “com as razões e as afirmações dos próprios filósofos”. Este é o senso comum contido em uma frase atribuída a um amigo de Tomás, o grande São Luis, rei de França, que as pessoas superficiais citam como exemplo de fanatismo e cujo significado é: ou te dedicas a discutir com um infiel como somente um verdadeiro filósofo pode discutir, ou então “crava-lhe uma espada no corpo o mais profundamente possível”. Um verdadeiro filósofo (mesmo um da escola contrária) seria o primeiro a concordar que São Luis foi inteiramente filosófico neste assunto.”

 

(G. K. Chesterton, São Tomás de Aquino)

 


REFLEXÃO

Ignorância

Se bem que seja evidente que um homem ignorante possa ser virtuoso, é igualmente verdade que a ignorância não é uma virtude. Houve mártires que não teriam sido capazes de enunciar correctamente a doutrina da Igreja, sendo o martírio a prova máxima do amor. Todavia, se tivessem conhecido mais a Deus, o seu amor teria sido maior.

 

(F. L. Sheed, Teologia para todos, Palabra, Madrid, 1977, nr. 15-16)

 


 

SÃO JOSEMARIA - textos

 

A única medida é amar sem medida

Cumpres um plano de vida exigente: madrugas, fazes oração, frequentas os Sacramentos, trabalhas ou estudas muito, és sóbrio, mortificas-te..., mas notas que te falta alguma coisa! Leva ao teu diálogo com Deus esta consideração: como a santidade (a luta por atingi-la) é a plenitude da caridade, tens de rever o teu amor a Deus e, por Ele, aos outros. Talvez descubras então, escondidos na tua alma, grandes defeitos contra os quais nem sequer lutavas: não és bom filho, bom irmão, bom companheiro, bom amigo, bom colega; e, como amas desordenadamente "a tua santidade", és invejoso. "Sacrificas-te" em muitos pormenores "pessoais"; e por isso estás apegado ao teu eu, à tua pessoa e, no fundo, não vives para Deus nem para os outros; só para ti. (Sulco, 739)

A todos os que estamos dispostos a abrir-lhe os ouvidos da alma, Jesus Cristo ensina no Sermão da Montanha o mandato divino da caridade. E, ao terminar, como resumo, explica: amai os vossos inimigos, fazei bem e emprestai sem esperardes nada em troca, e será grande a vossa recompensa e sereis filhos do Altíssimo, porque Ele é bom, mesmo com os ingratos e os maus. Sede, pois, misericordiosos como também o vosso Pai é misericordioso. A misericórdia não se limita a uma simples atitude de compaixão; a misericórdia identifica-se com a superabundância da caridade que, ao mesmo tempo, traz consigo a superabundância da justiça. Misericórdia significa manter o coração em carne viva, humana e divinamente repassado por um amor rijo, sacrificado e generoso. Assim glosa S. Paulo a caridade no seu canto a esta virtude: A caridade é paciente, é benéfica; a caridade não é invejosa, não actua precipitadamente; não se ensoberbece, não é ambiciosa, não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não pensa mal dos outros, não folga com a injustiça, mas compraz-se na verdade; tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo sofre. (Amigos de Deus, 232)