Padroeiros do blog: SÃO PAULO; SÃO TOMÁS DE AQUINO; SÃO FILIPE DE NÉRI; SÃO JOSEMARIA ESCRIVÁ
21/11/2020
Pequena agenda do cristão
Reflexão
Amor de Deus
No Seu grande amor pela humanidade,
Deus vai atrás do homem como a mãe voa sobre o passarito quando este cai do
ninho; e se a serpente o está devorando, esvoaça à sua volta gemendo pelos
seus pintos (cfr. Dt 32, 11).
Assim Deus procura paternalmente a
criatura, cura-a da sua queda, persegue a besta selvagem e recolhe o filho,
animando a voltar, a voar para o ninho.
(Clemente de Alexandria, Protréptico, 10)
20/11/2020
Novíssimos
JUÍZO FINAL
Contemplar o mistério
O mundo, o Demónio e a carne são uns aventureiros que,
aproveitando-se da fraqueza do selvagem que trazes dentro de ti, querem que, em
troca do fictício brilho dum prazer - que nada vale - Ihes entregues o ouro
fino e as pérolas e os brilhantes e os rubis embebidos no Sangue vivo e
redentor do teu Deus, que são o preço e o tesouro da tua eternidade.
Tempos diários de oração
Se desejas deveras ser alma penitente – penitente e alegre –, deves defender, acima de tudo, os teus tempos diários de oração, de oração íntima, generosa, prolongada, e hás-de procurar que esses tempos não sejam ao acaso, mas a hora fixa, sempre que te for possível. Sê escravo deste culto quotidiano a Deus, e garanto-te que te sentirás constantemente alegre. (Sulco, 994)
Como anda a tua vida de
oração? Não sentes às vezes, durante o dia, desejos de falar mais devagar com
Ele? Não Lhe dizes: logo vou contar-te isto e aquilo; logo vou conversar sobre
isso contigo?
Nos momentos dedicados
expressamente a esse colóquio com o Senhor o coração expande-se, a vontade
fortalece-se, a inteligência – ajudada pela graça – enche a realidade humana
com a realidade sobrenatural. E, como fruto, sairão sempre propósitos claros,
práticos, de melhorares a tua conduta, de tratares delicadamente, com caridade,
todos os homens, de te empenhares a fundo – com o empenho dos bons desportistas
– nesta luta cristã de amor e de paz.
A oração torna-se contínua
como o bater do coração, como as pulsações. Sem essa presença de Deus não há
vida contemplativa. E sem vida contemplativa de pouco vale trabalhar por
Cristo, porque em vão se esforçam os que constroem se Deus não sustenta a casa.
Para se santificar, o
cristão corrente – que não é um religioso e não se afasta do mundo, porque o
mundo é o lugar do seu encontro com Cristo – não precisa de hábito externo nem
sinais distintivos. Os seus sinais são internos: a constante presença de Deus e
o espírito de mortificação. Na realidade, são uma só coisa, porque a
mortificação é apenas a oração dos sentidos. (Cristo que passa,
8–9)
Leitura espiritual 20 Novembro
Jo XIV, 1-31
Palavras de conforto
1 Não se perturbe o vosso coração.
Credes em Deus; crede também em mim. 2 Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se
assim não fosse, como teria dito Eu que vos vou preparar um lugar? 3 E quando
Eu tiver ido e vos tiver preparado lugar, virei novamente e hei-de levar-vos
para junto de mim, a fim de que, onde Eu estou, vós estejais também. 4 E, para
onde Eu vou, vós sabeis o caminho.» 5 Disse-lhe Tomé: «Senhor, não sabemos para
onde vais, como podemos nós saber o caminho?» 6 Jesus respondeu-lhe: «Eu sou o
Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém pode ir até ao Pai senão por mim. 7 Se
ficastes a conhecer-me, conhecereis também o meu Pai. E já o conheceis, pois
estais a vê-lo.» 8 Disse-lhe Filipe: «Senhor, mostra-nos o Pai, e isso nos
basta!» 9 Jesus disse-lhe: «Há tanto tempo que estou convosco, e não me ficaste
a conhecer, Filipe? Quem me vê, vê o Pai. Como é que me dizes, então,
‘mostra-nos o Pai’? 10 Não crês que Eu estou no Pai e o Pai está em mim? As
coisas que Eu vos digo não as manifesto por mim mesmo: é o Pai, que, estando em
mim, realiza as suas obras. 11 Crede-me: Eu estou no Pai e o Pai está em mim;
crede, ao menos, por causa dessas mesmas obras. 12 Em verdade, em verdade vos
digo: quem crê em mim também fará as obras que Eu realizo; e fará obras maiores
do que estas, porque Eu vou para o Pai, 13 e o que pedirdes em meu nome Eu o
farei, de modo que, no Filho, se manifeste a glória do Pai. 14 Se me pedirdes
alguma coisa em meu nome, Eu o farei.»
Promessa do Espírito Santo
15 «Se me tendes amor, cumprireis os
meus mandamentos, 16 e Eu apelarei ao Pai e Ele vos dará outro Paráclito para
que esteja sempre convosco, 17 o Espírito da Verdade, que o mundo não pode
receber, porque não o vê nem o conhece; vós é que o conheceis, porque permanece
junto de vós, e está em vós.» 18 «Não vos deixarei órfãos; Eu voltarei a vós!
19 Ainda um pouco e o mundo já não me verá; vós é que me vereis, pois Eu vivo e
vós também haveis de viver. 20 Nesse dia, compreendereis que Eu estou no meu
Pai, e vós em mim, e Eu em vós. 21 Quem recebe os meus mandamentos e os observa
esse é que me tem amor; e quem me tiver amor será amado por meu Pai, e Eu o
amarei e hei-de manifestar-me a ele.» 22 Perguntou-lhe Judas, não o Iscariotes:
«Porque te hás-de manifestar a nós e não te manifestarás ao mundo?» 23 Respondeu-lhe
Jesus: «Se alguém me tem amor, há-de guardar a minha palavra; e o meu Pai o
amará, e Nós viremos a ele e nele faremos morada. 24 Quem não me tem amor não
guarda as minhas palavras; e a palavra que ouvis não é minha, mas é do Pai, que
me enviou.» 25 «Fui-vos revelando estas coisas enquanto tenho permanecido
convosco; 26 mas o Paráclito, o Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome,
esse é que vos ensinará tudo, e há-de recordar-vos tudo o que Eu vos disse.» 27
«Deixo-vos a paz; dou-vos a minha paz. Não é como a dá o mundo, que Eu vo-la
dou. Não se perturbe o vosso coração nem se acobarde. 28 Ouvistes o que Eu vos
disse: ‘Eu vou, mas voltarei a vós.’ Se me tivésseis amor, havíeis de
alegrar-vos por Eu ir para o Pai, pois o Pai é mais do que Eu. 29 Digo-vo-lo
agora, antes que aconteça, para crerdes quando isso acontecer. 30 Já não
falarei muito convosco, pois está a chegar o dominador deste mundo; ele nada
pode contra mim, 31 mas o mundo tem de saber que Eu amo o Pai e actuo como o
Pai me mandou. Levantai-vos, vamo-nos daqui!»
Amar a Igreja
29
Amor filial à Igreja
É
indispensável repetir hoje, em voz bem alta, aquelas palavras de São Pedro
perante as pessoas importantes de Jerusalém: “Este Jesus é aquela pedra que vós rejeitastes ao edificar e que veio
para ser a pedra principal do ângulo; fora d'Ele, não se pode procurar a
salvação em mais ninguém, porque não foi dado aos homens outro nome sob o céu,
pelo qual possamos salvar-nos.”
Assim
falava o primeiro Papa, a rocha sobre a qual Cristo edificou a Sua Igreja,
levado pela sua filial devoção a Nosso Senhor e pela sua solicitude para com o
pequeno rebanho que lhe tinha sido confiado. Com Pedro e com os outros
Apóstolos, os primeiros cristãos aprenderam a amar profundamente a Igreja.
Viram
já, em contrapartida, com que pouca piedade se fala agora, todos os dias, da
nossa Santa Madre Igreja?
Como
é consolador ler, nos Padres antigos, aqueles elogios abrasados de amor à
Igreja de Cristo!
Escreve
Santo Agostinho: “Amemos o Senhor, Nosso Deus; amemos a Sua
Igreja. A Ele como um pai; a Ela como
uma mãe. Que ninguém diga: "sim, ainda vou aos ídolos, consulto os possessos
e os bruxos, mas não deixo a Igreja de Deus, porque sou católico". Estais
unidos à Mãe, mas ofendeis o Pai. Outro diz, pouco mais ou menos assim:
"Deus não o permita; não consulto os bruxos, nem interrogo os possessos,
não pratico adivinhações sacrílegas, não vou adorar os demónios, não sirvo os
deuses de pedra, mas sou do partido de Donato. De que serve não ofender o Pai
se Ele vingará a Mãe a quem ofendeis?”
E São
Cipriano escrevia brevemente: “Não pode
ter Deus como Pai, quem não tiver a Igreja como Mãe”.
Nestes
momentos, muitos negam-se a ouvir a verdadeira doutrina sobre a Santa Madre
Igreja.
Alguns
desejam reinventar a instituição, com a ideia louca de implantar no Corpo
Místico de Cristo uma democracia ao estilo daquela que se concebe na sociedade
civil, ou melhor dito, ao estilo da que se pretende promover: todos iguais em
tudo.
E
não se convencem de que a Igreja está constituída, por instituição divina, pelo
Papa, com os bispos, os presbíteros, os diáconos e os leigos. Foi assim que Jesus
a quis.
30
A
Igreja é, por vontade divina, uma instituição hierárquica.
“Sociedade
hierarquicamente organizada”,
assim lhe chama o Concílio Vaticano II, na qual os ministros têm um poder
sagrado.
A
hierarquia não só é compatível com a liberdade, mas está também ao serviço da
liberdade dos filhos de Deus.
O
termo democracia não tem sentido na Igreja que - insisto - é hierárquica por
vontade divina.
No
entanto, hierarquia significa governo santo e ordem sagrada, e de modo algum,
arbitrariedade humana ou despotismo infra-humano. Nosso Senhor dispôs que
existisse na Igreja uma ordem hierárquica, que não há-de transformar-se em
tirania, porque a própria autoridade, bem como a obediência, é um serviço.
Na
Igreja há igualdade: uma vez baptizados, somos todos iguais, porque somos
filhos do mesmo Deus, Nosso Pai.
Como
cristãos, não há qualquer diferença entre o Papa e a última pessoa a
incorporar-se na Igreja.
Mas
esta igualdade radical não implica a possibilidade de mudar a constituição da
Igreja, naquilo que foi estabelecido por Cristo.
Por
expressa vontade divina temos uma diversidade de funções, que comporta também
uma capacidade diversa, um carácter indelével conferido pelo Sacramento da
Ordem para os ministros sagrados.
No
vértice dessa ordenação está o sucessor de Pedro e, com ele, e sob ele, todos
os bispos: com a sua tríplice missão de santificar, de governar e de ensinar.
31
Permitam-me
que insista repetidamente: as verdades de fé e de moral não se determinam por
maioria de votos, porque compõem o depósito - depositum fidei - entregue por Cristo a todos os fiéis e confiado,
na sua exposição e ensino autorizado, ao Magistério da Igreja.
Seria
um erro pensar que, pelo facto de os homens já terem talvez adquirido mais
consciência dos laços de solidariedade que mutuamente os unem, se deva
modificar a constituição da Igreja, para a pôr de acordo com os tempos.
Os
tempos não são dos homens, quer sejam ou não eclesiásticos; os tempos são de
Deus, que é o Senhor da história.
E a
Igreja só poderá proporcionar a salvação às almas, se permanecer fiel a Cristo
na sua constituição, nos seus dogmas, na sua moral.
Rejeitemos,
portanto, o pensamento de que a Igreja - esquecendo-se do sermão da montanha -
procura a felicidade humana na terra, pois sabemos que a sua única tarefa
consiste em levar as almas à glória eterna do paraíso; rejeitemos qualquer
solução naturalista, que não valorize o papel primordial da graça divina;
rejeitemos as opiniões materialistas, que procuram tirar importância aos
valores espirituais na vida do homem; rejeitemos de igual modo as teorias
secularizantes, que pretendem identificar os fins da Igreja de Deus com os dos
estados terrenos: confundindo a essência, as instituições, a actividade, com
características similares às da sociedade temporal.
32
O abismo da sabedoria de Deus
Recordem
as considerações de São Paulo que acabamos de ler na Epístola: “Ó profundidade das riquezas da sabedoria e
da ciência de Deus; quão incompreensíveis são os Seus juízos, e inesgotáveis os
Seus caminhos! Porque, quem conheceu o pensamento do Senhor?
Ou quem foi o Seu conselheiro? Ou quem
Lhe deu alguma coisa primeiro, para que tenha de receber em troca? Todas as
coisas são d'Ele e todas são por Ele, e todas existem n'Ele; a Ele seja dada
glória por todos os séculos dos séculos. Amen.”
À
luz da palavra de Deus, como se tornam tacanhos os desígnios humanos ao
procurarem alterar o que Nosso Senhor estabeleceu!
Não
devo, porém, ocultar-vos que agora se observa, por todo o lado, uma estranha
capacidade do homem: nada conseguindo contra Deus, enfurece-se contra os outros
sendo tremendo instrumento do mal, ocasião e indutor de pecado, semeador dum
tipo de confusão que conduz a que se cometam acções intrinsecamente más,
apresentando-as como boas.
Sempre
houve ignorância: mas, hoje em dia, a ignorância mais brutal em matérias de fé
e de moral disfarça-se, por vezes, com nomes pomposos aparentemente teológicos.
Por
isso, o mandato de Cristo aos Apóstolos - acabamos de ouvi-lo no Evangelho -
alcança uma premente actualidade: «ide, pois, ensinai todas as gentes».
Não
podemos desinteressar-nos, não podemos cruzar os braços, não podemos fechar-nos
sobre nós mesmos.
Acorramos
a travar, por Deus, uma grande batalha de paz, de serenidade, de doutrina.
Pequena agenda do cristão
Perguntas e respostas
HOMOSSEXUALIDADE
B. HOMOSEXUALIDADE E
ENFERMIDADE
1.
Pergunto
Uma doença é algo que denigra?
Respondo:
Não, não. Todos os homens
ficam doentes em algum momento da sua vida. A doença não é desejável, mas é
inseparável da condição humana. Um doente não é um ser indigno, mas sim um ser
humano ao qual se deve cuidar pois está numa situação delicada.
Reflexão
Humildade
A humildade é a primeira condição para
acreditar, para nos aproximarmos de Cristo.
Esta virtude é o caminho largo pelo
qual chega a fé e também o meio para a aumentar.
A humildade capacita-nos para nos
fazermos entender por Jesus.
(Francisco Fernández carvajal, Falar com Deus, Tempo comum, 24ª Sem. 2ª F.)
19/11/2020
Novíssimos
JUÍZO FINAL
Contemplar o mistério
O mundo, o Demónio e a carne são uns aventureiros que,
aproveitando-se da fraqueza do selvagem que trazes dentro de ti, querem que, em
troca do fictício brilho dum prazer - que nada vale - Ihes entregues o ouro
fino e as pérolas e os brilhantes e os rubis embebidos no Sangue vivo e
redentor do teu Deus, que são o preço e o tesouro da tua eternidade.
A vida matrimonial, um caminhar divino pela Terra
Vê quantos motivos para venerar São José e para aprender da sua vida: foi um varão forte na fé...; sustentou a sua família – Jesus e Maria – com o seu trabalho esforçado...; guardou a pureza da Virgem, que era sua Esposa...; e respeitou – amou! – a liberdade de Deus que fez a escolha, não só da Virgem como Mãe, mas também dele como Esposo de Santa Maria. (Forja, 552)
Ao pensar nos lares
cristãos, gosto de imaginá-los luminosos e alegres, como foi o da Sagrada Família.
A mensagem de Natal ressoa com toda a força: Glória a Deus no mais alto dos
Céus e paz na terra aos homens de boa vontade. Que a Paz de Cristo triunfe nos
vossos corações, escreve o Apóstolo. Paz por nos sabermos amados pelo nosso
Pai, Deus, incorporados em Cristo, protegidos pela Virgem Santa Maria,
amparados por São José. Esta é a grande luz que ilumina as nossas vidas e que,
perante as dificuldades e misérias pessoais, nos impele a seguir animosamente
para diante. Cada lar cristão deveria ser um remanso de serenidade, em que se
notassem, por cima das pequenas contrariedades diárias, um carinho e uma
tranquilidade, profundos e sinceros, fruto de uma fé real e vivida.
Para o cristão o matrimónio
não é uma simples instituição social e menos ainda um remédio para as fraquezas
humanas: é uma autêntica vocação sobrenatural. Sacramento grande em Cristo e na
Igreja, como diz S. Paulo, é, ao mesmo tempo e inseparavelmente, contrato que
um homem e uma mulher fazem para sempre, pois, quer queiramos quer não, o
matrimónio instituído por Jesus Cristo é indissolúvel, sinal sagrado que
santifica, acção de Jesus, que invade a alma dos que se casam e os convida a
segui-Lo, transformando toda a vida matrimonial num caminhar divino pela Terra.
(Cristo
que passa, 22–23)
Leitura espiritual 19 Novembro
Evangelho
Jo XIII, 18-38
Jesus anuncia a traição de
Judas
18 Não me refiro a todos vós. Eu bem sei
quem escolhi, e há-de cumprir-se a Escritura: Aquele que come do meu pão
levantou contra mim o calcanhar. 19 Desde já vo-lo digo, antes que isso
aconteça, para que, quando acontecer, acrediteis que Eu sou. 20 Em verdade, em
verdade vos digo: quem receber aquele que Eu enviar é a mim que recebe, e quem
me recebe a mim, recebe aquele que me enviou.» 21Tendo dito isto, Jesus
perturbou-se interiormente e declarou: «Em verdade, em verdade vos digo que um
de vós me há-de entregar!» 22 Os discípulos olhavam uns para os outros, sem
saberem a quem se referia. 23 Um dos discípulos, aquele que Jesus amava, estava
à mesa reclinado no seu peito. 24 Simão Pedro fez-lhe sinal para que lhe
perguntasse a quem se referia. 25 Então ele, apoiando-se naturalmente sobre o
peito de Jesus, perguntou: «Senhor, quem é?» 26 Jesus respondeu: «É aquele a
quem Eu der o bocado de pão ensopado.» E molhando o bocado de pão, deu-o a
Judas, filho de Simão Iscariotes. 27 E, logo após o bocado, entrou nele
Satanás. Jesus disse-lhe, então: «O que tens a fazer fá-lo depressa.» 28 Nenhum
dos que estavam com Ele à mesa entendeu, porém, com que fim lho dissera. 29 Alguns
pensavam que, como Judas tinha a bolsa, Jesus lhe tinha dito: ‘Compra o que
precisamos para a Festa’, ou que desse alguma coisa aos pobres. 30 Tendo tomado
o bocado de pão, saiu logo. Fazia-se noite. 31 Depois de Judas ter saído, Jesus
disse: «Agora é que se revela a glória do Filho do Homem e assim se revela nele
a glória de Deus. 32 E, se Deus revela nele a sua glória, também o próprio Deus
revelará a glória do Filho do Homem, e há-de revelá-la muito em breve.» 33 «Filhinhos,
já pouco tempo vou estar convosco. Haveis de me procurar, e, assim como Eu
disse aos judeus: ‘Para onde Eu for vós não podereis ir’, também agora o digo a
vós.
Mandamento Novo
Profecia da negação de Pedro
36 Disse-lhe Simão Pedro: «Senhor, para
onde vais?» Jesus respondeu-lhe: «Para onde Eu vou, tu não me podes seguir por
agora; hás-de seguir-me mais tarde.» 37 Disse-lhe Pedro: «Senhor, porque não
posso seguir-te agora? Eu daria a vida por ti!» 38 Replicou Jesus: «Darias a
vida por mim? Em verdade, em verdade te digo: não cantará o galo, antes de me
teres negado três vezes!»
Amar a Igreja
25
É
esta uma contínua exigência da Igreja que se - por um lado - introduz na nossa
alma o aguilhão do zelo apostólico, por outro, manifesta também claramente a
misericórdia infinita de Deus para com as criaturas.
São
Tomás explica assim: “O Sacramento do
baptismo pode faltar de dois modos. Em primeiro lugar, quando não se recebeu
nem de facto, nem de desejo. É o caso de quem não se baptizou nem quer
baptizar-se. Esta atitude, nos que têm uso da razão, implica desprezo pelo
Sacramento. E, em consequência, aqueles a quem falta desta forma o baptismo,
não podem entrar no reino dos céus: já que não se incorporam a Cristo nem
sacramentalmente nem espiritualmente e unicamente d'Ele é que procede a
salvação. Em segundo lugar, pode também faltar o Sacramento do baptismo a uma
pessoa, mas não o seu desejo, como no caso daquele que, embora se deseje
baptizar, é surpreendido pela morte antes de receber o Sacramento. A quem isto
suceder, pode salvar-se sem o baptismo actual e só com o desejo do Sacramento.
Este desejo procede da fé que age pela caridade, através da qual Deus, que não
ligou o seu poder aos Sacramentos visíveis, santifica interiormente o homem”.
Apesar
de ser completamente gratuita e de não se dever a ninguém por título algum - e
menos ainda depois do pecado-, Deus Nosso Senhor não recusa a ninguém a
felicidade eterna e sobrenatural: a Sua generosidade é infinita.
É
coisa notória que aqueles que sofrem de ignorância invencível acerca da nossa
santíssima religião, quando guardam cuidadosamente a lei natural e os seus
preceitos, esculpidos por Deus nos corações de todos, e estão dispostos a
obedecer a Deus e levam uma vida honesta e recta, podem alcançar a eterna, por
intermédio da acção operante da luz divina e da graça.
Só
Deus sabe o que se passa no coração de cada homem, e Ele não trata as almas em
massa, mas uma a uma.
Não
corresponde a ninguém nesta terra julgar sobre a salvação ou condenação eternas
num caso concreto.
26
Mas
não esqueçamos que a consciência pode deformar-se de modo culpável,
endurecer-se no pecado e resistir à acção salvadora de Deus.
Daí,
a necessidade de pregar a doutrina de Cristo, as verdades de fé e as normas
morais; e daí também a necessidade dos Sacramentos, todos instituídos por Jesus
Cristo como causas instrumentais da Sua graça e remédio para as misérias
consequentes ao nosso estado de natureza caída.
Daí
se deduz também que convém recorrer frequentemente à Penitência e à Comunhão
Eucarística.
Fica,
portanto, bem concretizada a tremenda responsabilidade de todos na Igreja e
especialmente dos pastores com estes conselhos de São Paulo: “Conjuro-te
diante de Deus e de Jesus Cristo que há-de julgar os vivos e os mortos, pela
Sua vinda e pelo Seu reino: prega a palavra de Deus, insiste a tempo e fora de
tempo, repreende, suplica, admoesta com toda a paciência e doutrina. Porque
virá tempo em que os homens não suportarão a sã doutrina, mas multiplicarão
para si mestres conforme os seus desejos, levados pelo prurido de ouvir
doutrinas acomodadas às suas paixões. E afastarão os ouvidos da verdade e os
aplicarão às fábulas”.
27
Tempo de provação
Eu
não saberia dizer quantas vezes se cumpriram estas palavras proféticas do
Apóstolo. Mas só um cego deixaria de ver como actualmente se estão a verificar
quase à letra.
Rejeita-se
a doutrina dos mandamentos da Lei de Deus e da Igreja, tergiversa-se sobre o
conteúdo das bem-aventuranças dando-lhe um significado político-social: e quem
se esforça por ser humilde, manso e limpo de coração, é tratado como um
ignorante ou um atávico defensor de coisas passadas.
Não
se suporta o jugo da castidade e inventam-se mil maneiras de ludibriar os
preceitos divinos de Cristo.
Há
um sintoma que os engloba todos: a tentativa de desviar os fins sobrenaturais
da Igreja.
Por
justiça, alguns já não entendem a vida de santidade, mas uma luta política
determinada, mais ou menos tingida de marxismo, que é inconciliável com a fé
cristã.
Por
libertação, não admitem a batalha pessoal para fugir do pecado, mas uma tarefa
humana, que pode ser nobre e justa em si mesma, mas que carece de sentido para
o cristão quando implica a desvirtuação da única coisa necessária, a salvação
eterna das almas, uma a uma.
28
Com
uma cegueira originada pelo afastamento de Deus - «este povo honra-Me com os
lábios, mas o seu coração está longe de Mim» -, fabrica-se uma imagem da
Igreja que não tem a menor relação com a que Cristo fundou.
Até
o Santo Sacramento do Altar - a renovação do Sacrifício do Calvário - é
profanado, ou reduzido a um mero símbolo daquilo a que chamam a comunhão dos
homens entre si.
Que
seria das almas, se Nosso Senhor não Se tivesse entregado por nós até à última
gota do Seu Precioso Sangue!
Como
é possível que se despreze esse milagre perpétuo da presença real de Cristo no
Sacrário?
Ficou
para que vivamos intimamente com Ele, para que O adoremos, para que nos
decidamos a seguir as Suas pegadas, como penhor da glória futura.
Estes
tempos são tempos de provação e temos de pedir a Nosso Senhor, com um clamor
que não cesse, que os abrevie, que olhe com misericórdia para a Sua Igreja e
conceda novamente luz sobrenatural às almas dos pastores e às de todos os
fiéis.
Não
há motivo algum que leve a Igreja a empenhar-se em agradar aos homens, porque
nunca os homens - nem sós, nem em comunidade - darão a salvação eterna: quem
salva é Deus.
Pequena agenda do cristão
Oração pelos sacerdotes














