12/06/2020

O trabalho é caminho de santificação


A conversão é coisa de um instante. – A santificação é obra de toda a vida. (Caminho, 285)

O Opus Dei propõe-se promover, entre pessoas de todas as classes da sociedade, o desejo da plenitude de vida cristã no meio do mundo. Isto é, o Opus Dei pretende ajudar as pessoas que vivem no mundo – o homem vulgar, o homem da rua – a levar uma vida plenamente cristã, sem modificar o seu modo normal de vida, o seu trabalho habitual, nem os seus ideais e preocupações.

Por isto se pode dizer, como escrevi há muitos anos, que o Opus Dei é velho como o Evangelho e, como o Evangelho, novo. Trata-se de recordar aos cristãos as palavras maravilhosas que se lêem no Génesis: que Deus criou o homem para trabalhar. Pusemos os olhos no exemplo de Cristo, que passou quase toda a sua vida terrena trabalhando como artesão numa terra pequena. O trabalho não é apenas um dos mais altos valores humanos e um meio pelo qual os homens hão-de contribuir para o progresso da sociedade; é também um caminho de santificação. (...)

O Opus Dei é uma organização internacional de leigos, a que pertencem também sacerdotes diocesanos (minoria bem exígua em comparação com o total de membros). Os seus membros são pessoas que vivem no mundo e nele exercem uma profissão ou ofício. Não entram no Opus Dei para abandonar esse trabalho, mas, pelo contrário, para encontrar uma ajuda espiritual que os leve a santificar o seu trabalho quotidiano, convertendo-o também em meio de santificação, sua e dos outros. Não mudam de estado: continuam a ser solteiros, casados, viúvos, ou sacerdotes; procuram, sim, servir Deus e os outros homens, dentro do seu próprio estado. Ao Opus Dei, não interessam votos nem promessas; o que pede aos seus sócios é que, no meio das deficiências e erros, próprios de toda a vida humana, se esforcem por praticar as virtudes humanas e cristãs, sabendo-se filhos de Deus. (Temas Actuais do Cristianismo, 24)


Virtudes 8


Fortaleza 8

Magnus in prosperis, in adversis maior - Grande na prosperidade, maior na adversidade.
Estas palavras do epitáfio do rei inglês Jaime II, na igreja de Saint Germain em Laye, próximo de Paris, exprimem a harmonia entre os diferentes aspectos da virtude da fortaleza: por um lado, a paciência e a perseverança, que se relacionam com o acto de resistir no bem, e que já considerámos; do outro, a magnificência e a magnanimidade, que fazem referência directa ao acto de atacar, de se lançar a grandes empreendimentos, e também nos pequenos cometimentos da vida corrente. De facto, segundo a Teologia moral, “a fortaleza, como virtude do apetite irascível, não só domina os nossos medos (cohibitiva timorum), mas também modera as ações temerárias e audazes (moderativa audaciarum). Assim, a fortaleza ocupa-se do medo e da audácia, impedindo o primeiro e impondo um equilíbrio à segunda] (R. Cessario, As virtudes, Edicep, Valência 1988, p. 206. [38] Cf. Ángel Rodríguez Luño, Scelti in Cristo per essere santi. III. Morale speciale, EDUSC, Roma 2008, pp. 294 e 296. A magnanimidade ou longanimidade é propriamente considerada tradicionalmente como um dos frutos do Espírito Santo: cf. Catecismo da Igreja Católica, n. 1832).
A magnanimidade ou grandeza de ânimo é a prontidão para tomar decisões de empreender obras virtuosas, admiráveis e difíceis, dignas de grande honra. Por seu lado, a magnificência refere-se à realização efectiva de obras grandes, e em particular a procura e emprego dos recursos económicos e materiais adequados para levar a cabo obras grandes ao serviço de Deus e do bem comum [38].
São Josemaria descrevia a pessoa magnânima com estes termos: ânimo grande, alma dilatada, onde cabem muitos. É a força que nos move a sair de nós mesmos, a fim de nos prepararmos para empreender obras valiosas, em benefício de todos. No homem magnânimo, não se alberga a mesquinhez, não se interpõe a tacanhez, nem o cálculo egoísta, nem a embuste interesseiro. O magnânimo dedica sem reservas as suas forças ao que vale a pena. Por isso é capaz de se entregar a si mesmo. Não se conforma com dar: dá-se. E assim consegue entender qual é a maior prova de magnanimidade: dar-se a Deus ((São Josemaria, Amigos de Deus, n. 80. O Fundador do Opus Dei considerava como manifestação de magnanimidade o cuidado das coisas pequenas: “as almas grandes têm muito em conta as coisas pequenas” ((São Josemaria, Caminho, n. 818).
Requer-se magnanimidade para empreender, em cada dia, o trabalho da própria santificação e o apostolado no meio do mundo, das dificuldades que sempre haverá, com a convicção de que tudo é possível a quem crê (Cf. Mc 9, 23). Neste sentido, o cristão magnânimo não teme proclamar e defender com firmeza, nos ambientes em que se move, os ensinamentos da Igreja, também nos momentos em que isso possa supor um ir contra a corrente (Cf. (São Josemaria, Via Sacra, XIII estação, ponto 3), aspecto que tem uma profunda raiz evangélica. Assim, o cristão conduzir-se-á com compreensão perante as pessoas, por vezes, com uma santa intransigência na doutrina (Cf. (São Josemaria, Caminho, nn. 393-398), fiel ao lema paulino veritatem facientes in caritate, vivendo a verdade com caridade (Ef 4, 15), que implica defender a totalidade da fé sem violência. Isto implica também que a obediência e docilidade ao Magistério da Igreja não se contrapõe ao respeito da liberdade de opinião; pelo contrário, ajuda a distinguir bem a verdade da fé do que são simples opiniões humanas.
No começo fez-se referência à resistência paciente de Maria ao pé da Cruz. A fortaleza exemplar de Nossa Senhora inclui também a grandeza de alma que a levou a exclamar ante a sua prima Isabel: Magnificat anima mea Dominumquia fecit mihi magna qui potens est, a minha alma glorifica o Senhor… porque fez em mim grandes coisas (Lc 1, 46-49). A exultação de Maria encerra uma importante lição para nós, como recordava Bento XVI: “O homem só é grande, se Deus é grande. Com Maria devemos começar a compreender que é assim. Não devemos distanciar-nos de Deus, mas fazer que Deus esteja presente, fazer que Deus seja grande na nossa vida; assim também nós seremos divinos: teremos todo o esplendor da dignidade divina(Bento XVI, Homilia na Solenidade da Assunção, Castelgandolfo, 15 de Agosto de 2005).

S. Sanz Sánchez

Bibliografia básica:
Catecismo da Igreja Católica, nn. 736, 1299, 1303, 1586, 1805, 1808, 1811, 1831-1832, 2473; São João Paulo II, A virtude da fortaleza, Audiência geral, Roma, 15 de Novembro de 1978; Santo Agostinho, De patientia (PL 40); São Tomás de Aquino, Suma Teológica, II- II, qq. 123-140, (São Josemaria, Amigos de Deus, nn. 77-80.

Temas para reflectir e meditar


Posso amar-Te mais

Na Tua presença no sacrário elevo o meu pensamento e formulo uma pergunta:

Como posso amar-Te mais?

Bem sei a resposta: nas pequenas coisas como nas de escasso valor.

Deixa essa miragem das grandes coisas, dos momentos marcantes das ocasiões soberanas.

Vive a vida simples de todos os dias, agradece e segue em frente para lá onde Ele te espera de braços abertos.

Reclina a cabeça no Seu peito e diz-Lhe simplesmente:

Senhor ajuda-me a amar-Te mais.

(AMA, reflexões, 20.09.2019)

Pequena agenda do cristão

Sexta-Feira

PEQUENA AGENDA DO CRISTÃO

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)




Propósito:

Contenção; alguma privação; ser humilde.


Senhor: Ajuda-me a ser contido, a privar-me de algo por pouco que seja, a ser humilde. Sou formado por este barro duro e seco que é o meu carácter, mas não Te importes, Senhor, não Te importes com este barro que não vale nada. Parte-o, esfrangalha-o nas Tuas mãos amorosas e, estou certo, daí sairá algo que se possa - que Tu possas - aproveitar. Não dês importância à minha prosápia, à minha vaidade, ao meu desejo incontido de protagonismo e evidência. Não sei nada, não posso nada, não tenho nada, não valho nada, não sou absolutamente nada.

Lembrar-me:
Filiação divina.

Ser Teu filho Senhor! De tal modo desejo que esta realidade tome posse de mim, que me entrego totalmente nas Tuas mãos amorosas de Pai misericordioso, e embora não saiba bem para que me queres, para que queres como filho a alguém como eu, entrego-me confiante que me conheces profundamente, com todos os meus defeitos e pequenas virtudes e é assim, e não de outro modo, que me queres ao pé de Ti. Não me afastes, Senhor. Eu sei que Tu não me afastarás nunca. Peço-Te que não permitas que alguma vez, nem por breves instantes, seja eu a afastar-me de Ti.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?




11/06/2020

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LEITURA ESPIRITUAL


São João

Cap. XXI



1 Algum tempo depois, Jesus apareceu outra vez aos discípulos, junto ao lago de Tiberíades, e manifestou-se deste modo: 2 estavam juntos Simão Pedro, Tomé, a quem chamavam o Gémeo, Natanael, de Caná da Galileia, os filhos de Zebedeu e outros dois discípulos. 3 Disse-lhes Simão Pedro: «Vou pescar.» Eles responderam-lhe: «Nós também vamos contigo.» Saíram e subiram para o barco, mas naquela noite não apanharam nada. 4 Ao romper do dia, Jesus apresentou-se na margem, mas os discípulos não sabiam que era Ele. 5 Jesus disse-lhes, então: «Rapazes, tendes alguma coisa para comer?» Eles responderam-lhe: «Não.» 6 Disse-lhes Ele: «Lançai a rede para o lado direito do barco e haveis de encontrar.» Lançaram-na e, devido à grande quantidade de peixes, já não tinham forças para a arrastar. 7 Então, o discípulo que Jesus amava disse a Pedro: «É o Senhor!» Simão Pedro, ao ouvir que era o Senhor, apertou a capa, porque estava sem mais roupa, e lançou-se à água. 8 Os outros discípulos vieram no barco, puxando a rede com os peixes; com efeito, não estavam longe da terra, mas apenas a uns noventa metros. 9 Ao saltarem para terra, viram umas brasas preparadas com peixe em cima e pão. 10 Jesus disse-lhes: «Trazei dos peixes que apanhastes agora.» 11 Simão Pedro subiu à barca e puxou a rede para terra, cheia de peixes grandes: cento e cinquenta e três. E, apesar de serem tantos, a rede não se rompeu. 12 Disse-lhes Jesus: «Vinde almoçar.» E nenhum dos discípulos se atrevia a perguntar-lhe: «Quem és Tu?», porque bem sabiam que era o Senhor. 13 Jesus aproximou-se, tomou o pão e deu-lho, fazendo o mesmo com o peixe. 14 Esta já foi a terceira vez que Jesus apareceu aos seus discípulos, depois de ter ressuscitado dos mortos. 15 Depois de terem comido, Jesus perguntou a Simão Pedro: «Simão, filho de João, tu amas-me mais do que estes?» Pedro respondeu: «Sim, Senhor, Tu sabes que eu sou deveras teu amigo.» Jesus disse-lhe: «Apascenta os meus cordeiros.» 16 Voltou a perguntar-lhe uma segunda vez: «Simão, filho de João, tu amas-me?» Ele respondeu: «Sim, Senhor, Tu sabes que eu sou deveras teu amigo.» Jesus disse-lhe: «Apascenta as minhas ovelhas.» 17 E perguntou-lhe, pela terceira vez: «Simão, filho de João, tu és deveras meu amigo?» Pedro ficou triste por Jesus lhe ter perguntado, à terceira vez: ‘Tu és deveras meu amigo?’ Mas respondeu-lhe: «Senhor, Tu sabes tudo; Tu bem sabes que eu sou deveras teu amigo!» E Jesus disse-lhe: «Apascenta as minhas ovelhas. 18 Em verdade, em verdade te digo: quando eras mais novo, tu mesmo atavas o cinto e ias para onde querias; mas, quando fores velho, estenderás as mãos e outro te há-de atar o cinto e levar para onde não queres.» 19 E disse isto para indicar o género de morte com que ele havia de dar glória a Deus. Depois destas palavras, acrescentou: «Segue-me!» 20 Pedro voltou-se e viu que o seguia o discípulo que Jesus amava, o mesmo que na ceia se tinha apoiado sobre o seu peito e lhe tinha perguntado: ‘Senhor, quem é que te vai entregar?’ 21 Ao vê-lo, Pedro perguntou a Jesus: «Senhor, e que vai ser deste?» 22 Jesus respondeu-lhe: «E se Eu quiser que ele fique até Eu voltar, que tens tu com isso? Tu, segue-me!» 23 Foi assim que, entre os irmãos, correu este rumor de que aquele discípulo não morreria. Jesus, porém, não disse que ele não havia de morrer, mas sim: «Se Eu quiser que ele fique até Eu voltar, que tens tu com isso?» 24 Este é o discípulo que dá testemunho destas coisas e que as escreveu. E nós sabemos bem que o seu testemunho é verdadeiro. 25 Há ainda muitas outras coisas que Jesus fez. Se elas fossem escritas, uma por uma, penso que o mundo não teria espaço para os livros que se deveriam escrever.  

Comentários:

          Onde lançar a rede do nosso apostolado? Debatemo-nos muitas vezes com esta pergunta que tem toda a razão de ser. Vemos à nossa volta, tantos e tantas que necessitam ser “apanhados” pela rede divina porque andam pela vida como que perdidos ou desorientados. Não percamos muito tempo com “planos” e “estratégias”, vamos, antes, ao nosso director espiritual que nos dirá com segurança e são critério como, com quem e quando fazer. Só assim o apostolado deixa de ser “nosso” e será – como deve ser – o apostolado em nome e por Nosso Senhor Jesus Cristo. A rede nunca se rompe porque abarca toda a humanidade. O Reino de Deus é, efectivamente, essa rede que recolhe todos os que dela se aproximam. Muitos, talvez, por curiosidade, outros, a maior parte, porque alguém os levou. Nós cristãos – pescadores de homens – não temos senão de lançar a rede uma e outra vez, sem descanso, com a perseverança dos verdadeiros pescadores. Não tenhamos receio nem sintamos desânimo se, por vezes, não “pescamos” nada porque o “Patrão” da nossa barca – a nossa vida – sabe muito bem, porque nos conhece intimamente, que não desistimos, não queremos desistir esperando sempre as Suas instruções onde e como lançar a rede. No apostolado não há que temer a quantidade, o número de pessoas com quem desenvolvemos o nosso trabalho. Cento e cinquenta e três ou apenas um ou dois. Nem eles são “nossos” nem o que fazemos é por nós ou para nós. O apostolado, seja discreto ou espectacular, sem resultados ou cheio de êxitos, é sempre - deve ser - obra divina dirigida por e para Cristo. Desta vez o Evangelista relata com detalhe esta pesca milagrosa. Quer sublinhar que não obstante as aptidões que possamos ter para o trabalho de “pescadores de homens” pouco ou nada conseguimos se não confiarmos nas “instruções” do Verdadeiro Pescador que é Cristo: «Simão Pedro subiu à barca e puxou a rede para terra, cheia de peixes grandes: cento e cinquenta e três». O que bem demonstra que quando Ele dirige o nosso trabalho apostólico – que levamos a cabo em Seu Nome - os resultados são sempre espectaculares como neste caso. São João, no último capítulo do Evangelho que escreveu, detém-se em pormenores que o terão impressionado de tal forma os descreve de forma viva, quase gráfica.
Tudo se passa como que num crescendo de atitudes do Senhor Ressuscitado destinadas a confirmar na fé n’Ele os Apóstolos ainda vacilantes e como que “atordoados” com a magnitude dos acontecimentos a que assistem. O Senhor não Se faz rogado e aparece-lhes uma e outra vez nas situações e circunstâncias mais díspares, ora no recolhimento do Cenáculo, ora nas fainas e trabalhos do dia-a-dia, surge no meio deles quando reunidos com as portas e janelas fechadas, ou caminhando sobre as águas do mar profundo onde se entregam à faina da pesca, ou sentado na praia com brasas acesas prontas para uma refeição em comum. Parece que o que verdadeiramente o Senhor pretende é incutir-lhes a certeza e a confiança n’Ele, em que nunca os abandonará e estará sempre disposto e pronto a ajudá-los na tarefa de difundir o Reino de Deus por todas as partes e todas as gentes.
          Pobre Pedro, apetece-nos dizer, posto assim à prova pelo Senhor que tudo sabe. Por três vezes repete a pergunta e, também três vezes, Pedro, que agora afirma que O ama, há-de garantir – com juramento – que nem sequer O conhece! Seguramente, quando esse triste momento chegar, o Apóstolo haverá de lembrar-se deste episódio e mais se aprofundará o seu arrependimento. Mas, o Evangelista ao terminar o seu Evangelho fez questão que constasse exactamente para nos confirmar – a nós, tantas vezes convencidos da nossa força e fortaleza – que mesmo o Príncipe dos Apóstolos sendo um simples homem, com um enorme coração e uma enorme coragem, cai, vacila, nega, trai. É verdade, mas, o amor que sente pelo Mestre acabará por vencer, levará a sua tarefa por diante e terminará dando a vida por Ele. Sim… o amor tudo vence! Sem pretender comparar-me com Pedro, vejo-me retratado nesta cena que São João nos relata. O Senhor pergunta-me, também a mim, se O amo e, eu, respondo sempre com enorme veemência que sim, que O amo com todas as forças do meu ser. E, logo, esqueço-me do que afirmei tão convictamente e traio, finjo que não me lembro, e ofendo-O. Depois, aflito, atrevo-me a perguntar: Senhor, Tu, apesar de tudo… amas-me? E, a resposta, é sempre a mesma: ‘Eu… sou fiel! Amo-te sempre!’. Estes quatro versículos são tão importantes, ou melhor, decisivos que a Liturgia os repete várias vezes no ano. Revelam, pelo menos duas coisas: A primeira é a verdadeira e real importância que Jesus dá ao amor, como que querendo dizer que, sem amor, nada é possível nem sequer segui-Lo; A segunda é o exemplo da humildade do Apóstolo que se entristece porque julga que o Senhor não acredita no que afirma e, para que não restem dúvidas diz-lhe: «tu sabes tudo, sabes bem que Te amo». Mas é, também, como que uma queixa que vem do fundo da alma, como que dizendo que Jesus o estava a “massacrar” com a repetição de uma pergunta para a qual sabia a resposta. Sim, dizemos nós também: ‘Tu sabes tudo sabes que Te amo’, mas, deveríamos acrescentar: ‘Ajuda-me a amar-Te mais e melhor, porque sou uma pobre criatura com desejos maiores que a vontade, com reservas que condicionam a minha entrega’. Eu... atrevo-me a declarar que Te amo mais que qualquer um! Porque, de facto, amo-Te com todo o amor que tenho e, quem dá tudo... e, além do mais, mesmo se o meu amor é pequeno, ao darTe o meu coração TODO, haverá “espaço” para o encheres com o Teu.
         Nos últimos versículos do Evangelho que escreveu, São João identifica-se a si próprio como uma testemunha que viu e ouviu quanto escreveu. O que pessoalmente retenho deste Evangelista é o ênfase que a cada momento põe no amor. O amor de Jesus Cristo pelos homens que veio salvar e redimir e, não se atém com falsa modéstia, que ele próprio foi objecto de um amor muito especial do Senhor. Gosto de chamar a São João o Apóstolo do Amor, amor verdadeiro, sadio, sem condições. Ah! Amar assim, como João amou Jesus e Jesus o amou a ele é, seguramente, o maior bem a que se poderá aspirar. Termina o evangelho escrito por São João quando termina também o tempo pascal. A tradição diz que, nos últimos anos da sua longa vida, repetia sem cessar: “Filhinhos: Amai-vos uns aos outros, se vos amardes só isso basta”. Dá-nos que pensar se, de facto, amamos os outros como o Senhor – Deus – nos ama a nós e, embora pareça impossível, dada a infinita distância e “categoria” do Amor de Deus do amor humano, mas o Espírito Santo dar-nos-á o que faltar para o conseguirmos. E, o amor, que não pode ter medida, tudo vence, tudo conquista sobretudo a vida eterna a que aspiramos.

Que eu não volte a voar pegado à terra


– Meu Senhor Jesus: faz com que sinta, que secunde de tal modo a tua graça, que esvazie o meu coração..., para que o enchas Tu, meu Amigo, meu Irmão, meu Rei, meu Deus, meu Amor! (Forja, 913)


Vejo-me como um pobre passarinho que, acostumado a voar apenas de árvore em árvore ou, quando muito, até à varanda de um terceiro andar..., um dia, na sua vida, meteu-se em brios para chegar até ao telhado de certa casa modesta, que não era propriamente um arranha-céus...
Mas eis que o nosso pássaro é arrebatado por uma águia – que o julgou erradamente uma cria da sua raça – e, entre as suas garras poderosas, o passarinho sobe, sobe muito alto, por cima das montanhas da terra e dos cumes nevados, por cima das nuvens brancas e azuis e cor-de-rosa, mais acima ainda, até olhar o sol de frente... E então a águia, soltando o passarinho, diz-lhe: anda, voa!...
– Senhor, que eu não volte a voar pegado à terra, que esteja sempre iluminado pelos raios do divino Sol – Cristo – na Eucaristia, que o meu voo não se interrompa até encontrar o descanso do teu Coração! (Forja, 39)


El reto del amor

Temas para reflectir e meditar


Formação humana e cristã


Oração mental 4

Como exemplo de temas podemos optar, por exemplo, pelas Virtudes Teologais: Fé, Esperança e Caridade.

É sugerido que quinze minutos diários, são um tempo ajustado a este tipo de oração o que, evidentemente, não chega para a “dimensão” tema.

Não nos preocupemos. O Espírito Santo nos encaminhará tranquilamente por onde devemos ir.

(AMA, 16.10.2019)

Pequena agenda do cristão

Quinta-Feira

PEQUENA AGENDA DO CRISTÃO

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Participar na Santa Missa.


Senhor, vendo-me tal como sou, nada, absolutamente, tenho esta percepção da grandeza que me está reservada dentro de momentos: Receber o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade do Rei e Senhor do Universo.
O meu coração palpita de alegria, confiança e amor. Alegria por ser convidado, confiança em que saberei esforçar-me por merecer o convite e amor sem limites pela caridade que me fazes. Aqui me tens, tal como sou e não como gostaria e deveria ser.
Não sou digno, não sou digno, não sou digno! Sei porém, que a uma palavra Tua a minha dignidade de filho e irmão me dará o direito a receber-te tal como Tu mesmo quiseste que fosse. Aqui me tens, Senhor. Convidaste-me e eu vim.


Lembrar-me:
Comunhões espirituais.


Senhor, eu quisera receber-vos com aquela pureza, humildade e devoção com que Vos recebeu Vossa Santíssima Mãe, com o espírito e fervor dos Santos.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?





10/06/2020

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Perfeição 2


Ânsia de Perfeição 2

Novamente venho reflectir sobre a Perfeição.
O desejo de perfeição pode ser prejudicial?
Pode!
Evidentemente que se deve fazer o possível para que as tarefas que metemos ombros sejam bem acabadas e bem estruturadas, tal pode levar-nos a uma constante procura de êxito final adiando a finalização.
Talvez se insinue falta de humildade porque não levamos em conta as nossas limitações.
Talvez pondo o assunto nas mãos do Anjo da Guarda e, ao mesmo tempo pedir luz e  ciência, entendimento e sabedoria Dons indispensáveis para fazer o que deve e como deve ser feito.

(AMA, 2020)

LEITURA ESPIRITUAL


São João

Cap. XX



1 No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao túmulo logo de manhã, ainda escuro, e viu retirada a pedra que o tapava. 2 Correndo, foi ter com Simão Pedro e com o outro discípulo, o que Jesus amava, e disse-lhes: «O Senhor foi levado do túmulo e não sabemos onde o puseram.» 3 Pedro saiu com o outro discípulo e foram ao túmulo. 4 Corriam os dois juntos, mas o outro discípulo correu mais do que Pedro e chegou primeiro ao túmulo. 5 Inclinou-se para observar e reparou que os panos de linho estavam espalmados no chão, mas não entrou. 6 Entretanto, chegou também Simão Pedro, que o seguira. Entrou no túmulo e ficou admirado ao ver os panos de linho espalmados no chão, 7 ao passo que o lenço que tivera em volta da cabeça não estava espalmado no chão juntamente com os panos de linho, mas de outro modo, enrolado noutra posição. 8 Então, entrou também o outro discípulo, o que tinha chegado primeiro ao túmulo. Viu e começou a crer, 9 pois ainda não tinham entendido a Escritura, segundo a qual Jesus devia ressuscitar dos mortos. 10 A seguir, os discípulos regressaram a casa. 11 Maria estava junto ao túmulo, da parte de fora, a chorar. Sem parar de chorar, debruçou-se para dentro do túmulo, 12 e contemplou dois anjos vestidos de branco, sentados onde tinha estado o corpo de Jesus, um à cabeceira e o outro aos pés. 13 Perguntaram-lhe: «Mulher, porque choras?» E ela respondeu: «Porque levaram o meu Senhor e não sei onde o puseram.» 14 Dito isto, voltou-se para trás e viu Jesus, de pé, mas não se dava conta que era Ele. 15 E Jesus disse-lhe: «Mulher, porque choras? Quem procuras?» Ela, pensando que era o encarregado do horto, disse-lhe: «Senhor, se foste tu que o tiraste, diz-me onde o puseste, que eu vou buscá-lo.» 16 Disse-lhe Jesus: «Maria!» Ela, aproximando-se, exclamou em hebraico: «Rabbuni!» - que quer dizer: «Mestre!» 17 Jesus disse-lhe: «Não me detenhas, pois ainda não subi para o Pai; mas vai ter com os meus irmãos e diz-lhes: ‘Subo para o meu Pai, que é vosso Pai, para o meu Deus, que é vosso Deus.’» 18 Maria Madalena foi e anunciou aos discípulos: «Vi o Senhor!» E contou o que Ele lhe tinha dito. 19 Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, com medo das autoridades judaicas, veio Jesus, pôs-se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco!» 20 Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o peito. Os discípulos encheram-se de alegria por verem o Senhor. 21 E Ele voltou a dizer-lhes: «A paz seja convosco! Assim como o Pai me enviou, também Eu vos envio a vós.» 22 Em seguida, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo. 23 Àqueles a quem perdoardes os pecados, ficarão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ficarão retidos.» 24 Tomé, um dos Doze, a quem chamavam o Gémeo, não estava com eles quando Jesus veio. 25 Diziam-lhe os outros discípulos: «Vimos o Senhor!» Mas ele respondeu-lhes: «Se eu não vir o sinal dos pregos nas suas mãos e não meter o meu dedo nesse sinal dos pregos e a minha mão no seu peito, não acredito.» 26 Oito dias depois, estavam os discípulos outra vez dentro de casa e Tomé com eles. Estando as portas fechadas, Jesus veio, pôs-se no meio deles e disse: «A paz seja convosco!» 27 Depois, disse a Tomé: «Olha as minhas mãos: chega cá o teu dedo! Estende a tua mão e põe-na no meu peito. E não sejas incrédulo, mas fiel.» 28 Tomé respondeu-lhe: «Meu Senhor e meu Deus!» 29 Disse-lhe Jesus: «Porque me viste, acreditaste. Felizes os que crêem sem terem visto!» 30 Muitos outros sinais miraculosos realizou ainda Jesus, na presença dos seus discípulos, que não estão escritos neste livro. 31 Estes, porém, foram escritos para acreditardes que Jesus é o Messias, o Filho de Deus, e, acreditando, terdes a vida nele.

Comentários:

         São João relata como percebera perfeitamente a escolha feita por Jesus ao considerar Pedro como o chefe dos Apóstolos. De facto, como ele próprio descreve, tendo chegado primeiro ao túmulo, não entrou esperando que Pedro o fizesse em primeiro lugar. Trata-se de um pormenor? Não! Trata-se sim da primeira demonstração de que a Igreja de Jesus Cristo não é uma democracia mas sim uma hierarquia. Não se trata de subserviência, mas de obediência, respeito e deferência. A humilíssima figura de Pedro não se modifica nem se altera pela categoria ou “posto” em que está investido pelo próprio Jesus Cristo, antes se considera como um obediente servo do seu Mestre e Senhor, sem enjeitar as suas responsabilidades nem sob o pretexto de não ser digno, há-de conduzir aqueles Doze, e os que se seguirão, a cumprir o mandato recebido: Ensinar a todas as gentes; a instalar o Reino de Deus na terra.
         O Evangelista São João termina o “seu” Evangelho com a descrição de uma cena entranhável: a confissão do Apóstolo Tomé: «Meu Senhor e meu Deus!». Não é uma confissão “qualquer” mas um “grito” que vem do fundo da alma do Apóstolo incrédulo. Perante a evidência, o seu coração não pode mais que confessar a verdade que intimamente reconhece e podemos, sem esforço, adivinhar a reacção dos outros Apóstolos que estavam presentes: a necessidade íntima de repetirem cada um, a declaração de Tomé. A partir deste momento, cessam todas as dúvidas, ficam liminarmente transparentes todas as questões. Também nós, quando o Sacerdote eleva sobre o Altar a Hóstia Consagrada, repetimos com convicção e com toda a nossa alma:«Meu Senhor e meu Deus!». A João, bastou-lhe ver os panos que envolveram Jesus morto para acreditar; Tomé precisa de pôr o dedo nos buracos deixados pelos pregos que O prenderam na Cruz e meter a mão no Seu lado trespassado pela a lança; João vê e cala-se; Tomé, depois de confirmada a Ressurreição, pronuncia a mais ardente declaração de Fé: «Meu Senhor e meu Deus!»; A ambos move-os o amor. Quanto mais e puro é o amor menos provas necessita para acreditar no que ama. E, pela pena do próprio, relata como e porquê, acreditou em Jesus Cristo. A humildade de São João é comovente porque, no final do versículo 8, parece querer dizer-nos que então – e só então – começou verdadeiramente a crer. A intimidade que tinha pelo Mestre, que lhe retribuiria com especial carinho e confiança – entregou-lhe a Sua Mãe para que dela cuidasse – não o impedem, bem ao contrário, de se declarar um homem com dúvidas, hesitações, momentos de fraqueza. São João: o Apóstolo da humildade! O Apóstolo do amor!
         A sensibilidade feminina fica bem patente neste trecho do Evangelho de São João. Perante as situações mais difíceis e incompreensíveis a mulher reage com o coração. Maria sabe que o Senhor jaz no sepulcro, mas tem de certificar-se que tudo está em ordem, que não profanaram ou, de algum modo, o ódio demonstrado pelos seus inimigos durante a Paixão, não se voltara contra o Seu corpo morto. Mas os, soldados que guardam o sepulcro? E a pedra enorme que sela a entrada? Isso são pormenores que não a detêm porque, o seu amor pelo Mestre continua bem vivo. Tem de O ver nem que seja uma última vez! E, de facto, o Senhor recompensará essa demonstração de amor. Nós reconhecemos Jesus como? Esta pergunta vem na sequência do que aconteceu com a Madalena: reconheceu o Senhor pelo tom de voz! Mas, isso não se passa connosco porque não ouvimos o Senhor falar! Não é verdade! O Senhor não tem porque nos aparecer, assim como à Madalena, fisicamente e dizer o que for, porque nós – em primeiro lugar - não somos merecedores de tal honra e, - depois - porque a Sua Voz ecoa no nosso coração atento. Sim… os ouvidos não ouvem mas, o coração, todo o nosso ser espiritual, escuta bem claramente o que Ele insinua na nossa alma, no nosso pensamento. A oração – como todas as conversas - é um diálogo e não um monólogo, é falar e escutar e tudo se passa como uma realidade absoluta da qual não podemos duvidar. Quanto maior for a nossa intimidade com o Senhor mais fácil e frequente será esse escutar inconfundível da Sua Palavra que nos sossega, anima, tranquiliza. Se a nossa oração não for assim, então não valerá a pena porque não passará de um ruído de palavras e, o Senhor, só pode ouvir-se no silêncio recolhido de todo o nosso ser. Tal como o amor de uma Mãe, que não descansa enquanto não se certifica que os seus filhos estão bem, ou podem precisar da sua assistência em determinado momento. É natural que São João se detenha em pormenores sobre quanto aconteceu no próprio dia da Ressurreição de Jesus Cristo e nos dias que se seguiram. Compreendemos bem porquê. Deseja que a descrição do que aconteceu apareça despida da avalanche de emoções – algumas contraditórias: o entusiasmo, a alegria, a dúvida, a incredulidade – das reacções dos diversos Apóstolos e discípulos. Também porque, nada que acontece e que respeita a Nosso Senhor Jesus Cristo, acontece sem um motivo sério e propositado. Todos, mas todos os acontecimentos encerram uma lição, comportam um desígnio. Madalena tem como que o “primeiro lugar” nos que se encontram com o Ressuscitado. O seu enorme amor pelo Mestre, fica deste modo bem patente, tem um prémio ”especial”.
         São João escreve sobre o que testemunhou pessoalmente, por isso mesmo refere algo extraordinário: «estando fechadas as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, com medo das autoridades judaicas, veio Jesus, pôs-se no meio deles…». O Evangelista quer que se saiba que Cristo é, verdadeiramente, O Ressuscitado, com todos os dotes de um corpo glorioso. Mais confirma deforma iniludível que é Ele mesmo:  «mostrou-lhes as mãos e o peito». Confirmada a Sua Identidade, dá-lhes um mandato e um poder: «Assim como o Pai me enviou, também Eu vos envio a vós»; «Àqueles a quem perdoardes os pecados, ficarão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ficarão retidos.». Este testemunho do Evangelista é precioso porque pode considerar-se como que o Testamento do Salvador. Este trecho do evangelho escrito por São João é escolhido pela liturgia para o dia de Pentecostes e, naturalmente, muito a propósito. O próprio Jesus Cristo lhes transmite o “sopro” do Espírito Santo porque precisam urgentemente de obterem os Seus Dons para, naquelas horas difíceis depois da Morte na Cruz, conservarem a Fé, desenvolverem a Esperança e, sobretudo, confirmarem o Amor. Tomé não estava presente e terá de aguardar até que o próprio Espírito Santo desça sobre eles em forma de línguas de fogo. Podemos imaginar que os onze estariam como que aturdidos não só pelos acontecimentos recentes, mas, principalmente, por esta aparição extraordinária de Jesus Ressuscitado. Precisam de paz nos seus espíritos e certezas nas suas almas e é precisamente o que o Senhor lhes traz e concede. Este poder, que o Senhor dá aos Apóstolos, de perdoar em Seu nome e com a Sua autoridade, os pecados que os homens lhes confessarem, só poderá ser comparado ao poder que lhes conferiu da consagração do pão e do vinho no Seu Corpo e Sangue. De facto, este último teria forçosamente de ser acompanhado do primeiro porque não se pode receber a Comunhão Eucarística em estado de pecado grave. Estes dois Sacramentos – riqueza extraordinária da Igreja – atestam bem o Amor e cuidado com que o Senhor trata os homens Seus irmãos: Querendo que todos se salvem, a todos sem excepção oferece os meios para o conseguirem. Todo o Evangelho é a "fonte" mais importante onde beber as verdades da Fé. Em particular este trecho de São João contém algo da maior importância: a instituição do Sacramento da Reconciliação. O Senhor quis expressamente delegar o Seu poder exclusivo de perdoar os pecados. Poder exclusivo porque é lógico que, sendo o pecado uma ofensa a Deus, só a Ele competirá perdoar. De facto, este poder é exercido pelo confessor em Seu Nome, o que é justo. O registo do Evangelista menciona o "sopro" de Jesus Cristo sobre os Apóstolos, infundindo o Espírito Santo. Este "sopro" é como que a transmissão definitiva do Espírito de Deus, a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade. A partir desse momento começa - por assim dizer - o Terceiro Tempo se, considerarmos como: Primeiro Tempo: a Criação - por Deus Pai; Segundo Tempo: a Redenção - por Deus Filho; Terceiro Tempo: a Confirmação - por Deus Espírito Santo. Esta é uma explicação - humana... porque não tenho outra - do cumprimento das promessas de Deus a Adão, primeira criatura e Pai da humanidade. Este tempo do Espírito Santo - em que vivemos - é particularmente importante porque será o último para a humanidade, até ao final dos tempos. Tempo de confirmação na Fé, de reconvenção e total e completa oportunidade para merecer a vida eterna como a desejamos: A contemplação - para sempre - da Face de Deus Uno e Trino.
         A Igreja, quando celebra a festa do Apóstolo São Tomé, transmite este trecho de São. Fica bem patente a fortaleza de carácter deste homem, simples e algo rude, sem dúvida, mas sincero e pragmático. Não acredita no que não vê, mas, quando vê, não só acredita, como faz uma espontânea e profunda profissão de Fé: «Meu Senhor e meu Deus!» A nós, serve-nos de exemplo magnífico e, ao mesmo tempo, enche-nos de uma alegria profunda porque o Senhor nos considera felizes, porque, sem vermos, acreditamos. Ficamos a dever a São Tomé um extraordinário exemplo que devemos considerar: Em primeiro lugar a prudência, não acreditar em tudo quanto nos dizem - mesmo que quem o faz nos mereça confiança – sem nos assegurar-mos por nós próprios sobre a verdade. Pode acontecer que quem nos diz algo, não querendo enganar-nos, pode dar-nos uma informação errada convencido que está correcto o que diz; Em segundo lugar virá a entrega: Quando se confirma o que nos dizem deixa de haver lugar, ou justificação, para dúvidas e, honestamente, devemos reconhecer a verdade e agir de acordo sem mais delongas. Acreditar no que se não vê só será possível de duas formas: A primeira é a confiança de quem nos relata algo que existiu, ou existe e de foi testemunha; A segunda é a Fé. Nas coisas divinas a Fé constitui o único esteio forte e seguro para que acreditemos. Deus Nosso Senhor sabe isso muito bem e concede-nos – sem qualquer mérito da nossa parte – essa graça extraordinária. Por ser um dom de Deus, a Fé tem de ser por nós, juntamente com as acções de graças, objecto da nossa constante atenção e, a melhor forma de o fazer, é pedir com insistência perseverante que o Senhor não só no-la conserve, mas nos ajude a fortalece-la. O Credo que é o símbolo da nossa Fé tem de ser rezado amiúde, mas com verdadeiro sentido de oração, dando conta do que realmente significam as palavras que pronunciamos.


Que não me apegue a nada


Pede ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo, e à tua Mãe, que te façam conhecer-te e chorar por esse montão de coisas sujas que passaram por ti, deixando - aí - tanto depósito.
E ao mesmo tempo, sem quereres afastar-te dessa consideração, diz-lhe: Dá-me, Jesus, um Amor como fogueira de purificação, onde a minha pobre carne, o meu pobre coração, a minha pobre alma, o meu pobre corpo se consumam, limpando-se de todas as misérias terrenas... E, já vazio de todo o meu eu, enche-o de Ti: que não me apegue a nada daqui de baixo; que sempre me sustente o Amor. (Forja, 41)


O Senhor ouve-nos para intervir, para Se meter na nossa vida, para nos livrar do mal e encher-nos de bem: eripiam eum et glorificabo eum, Eu o livrarei e o glorificarei, diz do homem. Portanto: esperança do Céu. E aqui temos, como doutras vezes, o começo desse movimento interior que é a vida espiritual. A esperança da glorificação acentua a nossa fé e estimula a nossa caridade. E, deste modo, as três virtudes teologais - virtudes divinas que nos assemelham ao nosso Pai, Deus - põem-se em movimento. (...)

Não é possível deixar-se ficar imóvel. É necessário avançar para a meta que São Paulo apontava: não sou eu quem vive; é Cristo que vive em mim. A ambição é alta e nobilíssima: a identificação com Cristo, a santidade. Mas não há outro caminho, se se deseja ser coerente com a vida divina que, pelo Baptismo, Deus fez nascer nas nossas almas. O avanço é o progresso na santidade; o retrocesso é negar-se ao desenvolvimento normal da vida cristã. Porque o fogo do amor de Deus precisa de ser alimentado, de aumentar todos os dias arreigando-se na alma; e o fogo mantém-se vivo queimando novas coisas. Por isso, se não aumenta, está a caminho de se extinguir. (Cristo que passa, 57-58)


El reto del amor

Hoy el reto del amor es cuidar esa semilla , por El Reto Del Amor

Temas para reflectir e meditar

Formação humana e cristã

Oração mental 3

Mas como escolher o tema?

Pois pedindo também ao Espírito Santo que no-lo sugira, sempre com uma fórmula que pode ser nossa ou, por exemplo, esta de um Santo dos nossos dias:

Meu Senhor e meu Deus sei que estás aqui, que me vês e me ouves, adoro-Te com profunda reverência, peço o perdão dos meus pecados e graça para fazer este tempo de oração. São José, meu Pai e Senhor, Anjo da minha Guarda ajudai-me neste propósito.

(AMA, 16.10.2019)


Pequena agenda do cristão

Quarta-Feira

PEQUENA AGENDA DO CRISTÃO

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)






Propósito:

Simplicidade e modéstia.


Senhor, ajuda-me a ser simples, a despir-me da minha “importância”, a ser contido no meu comportamento e nos meus desejos, deixando-me de quimeras e sonhos de grandeza e proeminência.


Lembrar-me:
Do meu Anjo da Guarda.


Senhor, ajuda-me a lembrar-me do meu Anjo da Guarda, que eu não despreze companhia tão excelente. Ele está sempre a meu lado, vela por mim, alegra-se com as minhas alegrias e entristece-se com as minhas faltas.

Anjo da minha Guarda, perdoa-me a falta de correspondência ao teu interesse e protecção, a tua disponibilidade permanente. Perdoa-me ser tão mesquinho na retribuição de tantos favores recebidos.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?