19/05/2020

Temas para reflectir e meditar


Ninguém pode servir dois Senhores 1

Penso que esta “máxima” se pode aplicar especificamente aos políticos nomeadamente os que desempenham cargos de governo ou elaboração de legislação.

Os “dois Senhores, são nestes casos, o bem comum e os interesses próprios.

Quem, por opção livremente assumida, desempenha estes ofícios, terá de observar estritamente este princípio e ter bem ordenada a escala de valores.

Raras vezes o interesse comum coincide com o próprio interesse e, portanto, este nunca deverá ser considerado.

AMA, reflexões, Carvide, 19.08.2019

FILOSOFIA E RELIGIÃO




MAÇONARIA

        A maçonaria, que é a encarnação satânica do ódio a Cristo, no mundo, tem ultimamente desenvolvido; nas suas lojas, uma actividade desesperada, em França (a sua grande vítima) e em todo o mundo.  Os processos são sempre os mesmos: caluniar a Igreja, laicizar o ensino, e expulsar as Congregações religiosas, para melhor expulsarem a Deus das consciências.  [1]

(A. Veloso, BROTÉRIA, Vol. LVI, Fasc. 4, 1953, pag. 278) 



[1] Vale a pena ler os documentos das  lojas, publicados em Documentation catholique, n2. 1124 (29 de Junho de 19.52) e nr. 149 (14 de Junho de I953)

Pequena agenda do cristão


TeRÇa-Feira

PEQUENA AGENDA DO CRISTÃO

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)




Propósito:

Aplicação no trabalho.

Senhor, ajuda-me a fazer o que devo, quando devo, empenhando-me em fazê-lo bem feito para to poder oferecer.

Lembrar-me:
Os que estão sem trabalho.

Senhor, lembra-te de tantos e tantas que procuram trabalho e não o encontram, provê às suas necessidades, dá-lhes esperança e confiança.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?


Orações sugeridas:

salmo ii

Regnum eius regnum sempiternum est et omnes reges servient et obedient. 
Quare fremerunt gentes et populi meditati sunt inania?
Astiterum reges terrae et principes convenerunt in unum adversus Dominum et adversus christum eius.
Dirumpamus vincula eorum et proiciamos a nobis iugum ipsorum.
Qui habitabit in caelis, irridebit eos, Dominus subsanabit eos.
Ego autem constitui regem meum super sion montem sanctum meum.
Praedicabo decretum eius Dominus dixit ad me: filius meus es tu; ego hodie genui te.
Postula a me, et dabo tibi gentes hereditatem tuam et possessionem tuam terminos terrae.
Reges eos in virga ferrea et tamquam vas figuli confringes eos.
Et nunc, reges, intelegite, erudimini, qui indicatis terram.
Servite Domino in timore et exultate ei cum tremore.
Apprehendite disciplinam ne quando irascatur et pereatis via, cum exarcerit in brevi ira eius.
Beati omnes qui confident in eo.
Gloria Patri...
Regnum eius regnum sempiternum est et omnes reges servient et obedient.
Oremus:
Omnipotens et sempiterne Deus qui in dilecto Filio Tuo universorum rege omnia instaurare voluisti concede propitius ut cunctae familiae gentium pecati vulnere disgregatae eius suavissimo subdantur imperio: Qui tecum vivit et regnat in unitate Spiritus Sancti Deus, per omnia saecula saeculorum.

Exame Pessoal

Sabes Senhor, qual é, talvez a minha maior fraqueza? É pensar em demasiado mim, nos meus problemas, nas minhas tristezas, naquilo que me acontece e no que gostaria me acontecesse. Nas voltas e reviravoltas que dou sobre mim mesmo, sobre a minha vida.
E os outros? Sim, os outros que rezam por mim, que se interessam por mim, que têm paciência para comigo, que me desculpam as minhas faltas e as minhas fraquezas, que estão sempre prontos a ouvir-me a atender-me, que não se importam de esperar que eu os compense pelo bem que me fazem, que não me pressionam para que pague o que me emprestam, que não me criticam nem julgam com a severidade que mereço.
Ajuda-me Senhor, a ser, pelo menos reconhecido e a devolver o bem que recebo e, além disso a não julgar, a não emitir opinião, critica ou conceito, vendo nos outros, a maior parte das vezes, os defeitos e fraquezas que eu próprio possuo.[i]

Senhor, ajuda-me a pensar nos outros em vez de estar aqui, mergulhado nos meus problemas, girando à volta de mim mesmo, concentrado apenas no que me diz respeito. Os outros! Todos os outros. Os que conheço, de quem sou amigo ou familiar e aqueles que me são desconhecidos. São Teus filhos como eu, logo, todos são meus irmãos. Se somos irmãos somos também herdeiros, convém, portanto que me preocupe com aqueles que vão partilhar a herança comigo.[ii]

Noverim me

Oh Deus que me conheces perfeitamente tal como sou, ajuda-me a conhecer-me a mim mesmo, para que possa combater com eficácia os enormes defeitos do meu carácter, em particular...
Chamaste-me, Senhor, pelo meu nome e eu aqui estou: com as minhas misérias, as minhas debilidades, com palavras maiores que os actos, intenções mais vastas que as obras e desejos que ultrapassam a vontade.
Porque não sou nada, não valho nada, não sei nada e não posso nada, entrego-me totalmente nas Tuas mãos para que, por intercessão de minha Mãe, Maria Santíssima, de São José, meu Pai e Senhor, do Anjo da Minha Guarda e de São Josemaria, possa adquirir um espírito de luta perseverante.[iii]
   
Meu Senhor e meu Deus, tira-me tudo o que me afaste de Ti.
Meu Senhor e meu Deus, dá-me tudo o que me aproxime de Ti
Meu Senhor e meu Deus, desapega-me de mim mesmo, para que eu me dê todo a ti.
Eu sei que podeis tudo e que, para Vós, nenhum projecto é impossível.[iv]

Faz-me santo, meu Deus, ainda que seja à força.[v]

Nada te perturbe / nada te atemorize Tudo passa / Deus não muda A paciência tudo alcança / Quem a Deus tem Nada falta / só Deus basta.[vi]



[i] AMA orações pessoais
[ii] AMA orações pessoais
[iii] AMA orações pessoais
[iv] AMA orações pessoais
[v] AMA orações pessoais
[vi] Santa Teresa de Jesus

LEITURA ESPIRITUAL

COMENTANDO OS EVANGELHOS

São João

Cap. X



1 «Em verdade, em verdade vos digo: quem não entra pela porta no redil das ovelhas, mas sobe por outro lado, é um ladrão e salteador. 2 Aquele que entra pela porta é o pastor das ovelhas. 3 A esse o porteiro abre-a e as ovelhas escutam a sua voz. E ele chama as suas ovelhas uma a uma pelos seus nomes e fá-las sair. 4 Depois de tirar todas as que são suas, vai à frente delas, e as ovelhas seguem-no, porque reconhecem a sua voz. 5 Mas, a um estranho, jamais o seguiriam; pelo contrário, fugiriam dele, porque não reconhecem a voz dos estranhos.» 6 Jesus propôs-lhes esta comparação, mas eles não compreenderam o que lhes dizia. 7 Então, Jesus retomou a palavra: «Em verdade, em verdade vos digo: Eu sou a porta das ovelhas. 8 Todos os que vieram antes de mim eram ladrões e salteadores, mas as ovelhas não lhes prestaram atenção. 9 Eu sou a porta. Se alguém entrar por mim estará salvo; há-de entrar e sair e achará pastagem. 10 O ladrão não vem senão para roubar, matar e destruir. Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância. 11 Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a sua vida pelas ovelhas. 12 O mercenário, e o que não é pastor, a quem não pertencem as ovelhas, vê vir o lobo e abandona as ovelhas e foge e o lobo arrebata-as e espanta-as, 13 porque é mercenário e não lhe importam as ovelhas. 14 Eu sou o bom pastor; conheço as minhas ovelhas e as minhas ovelhas conhecem-me, 15 assim como o Pai me conhece e Eu conheço o Pai; e ofereço a minha vida pelas ovelhas. 16 Tenho ainda outras ovelhas que não são deste redil. Também estas Eu preciso de as trazer e hão-de ouvir a minha voz; e haverá um só rebanho e um só pastor. 17 É por isto que meu Pai me tem amor: por Eu oferecer a minha vida, para a retomar depois. 18 Ninguém ma tira, mas sou Eu que a ofereço livremente. Tenho poder de a oferecer e poder de a retomar. Tal é o encargo que recebi de meu Pai.» 19 Estas palavras tornaram a provocar desentendimento entre os judeus. 20 Muitos deles comentavam: «Ele tem demónio e está louco. Porque lhe dais ouvidos?» 21 Outros diziam: «Estas palavras não são dum possesso. Como é que um demónio pode dar vista aos cegos?» 22 Em Jerusalém celebrava-se, então, a festa da Dedicação do templo. Era Inverno. 23 Jesus passeava pelo templo, debaixo do pórtico de Salomão. 24 Rodearam-no, então, os judeus e começaram a perguntar-lhe: «Até quando nos deixarás na incerteza? Se és o Messias, di-lo claramente.» 25 Jesus respondeu-lhes: «Já vo-lo disse, mas não credes. As obras que Eu faço em nome de meu Pai, essas dão testemunho a meu favor; 26 mas vós não credes, porque não sois das minhas ovelhas. 27 As minhas ovelhas escutam a minha voz: Eu conheço-as e elas seguem-me. 28 Dou-lhes a vida eterna, e nem elas hão-de perecer jamais, nem ninguém as arrancará da minha mão. 29 O que o meu Pai me deu vale mais que tudo e ninguém o pode arrancar da mão do Pai. 30 Eu e o Pai somos Um.» 31 Então, os judeus voltaram a pegar em pedras para o apedrejarem. 32 Jesus replicou-lhes: «Mostrei-vos muitas obras boas da parte do Pai; por qual dessas obras me quereis apedrejar?» 33 Responderam-lhe os judeus: «Não te queremos apedrejar por qualquer obra boa, mas por uma blasfémia: é que Tu, sendo um homem, a ti próprio te fazes Deus.» 34 Jesus respondeu-lhes: «Não está escrito na vossa Lei: ‘Eu disse: vós sois deuses’? 35 Se ela chamou deuses àqueles a quem se dirigiu a palavra de Deus - e a Escritura não se pode pôr em dúvida – 36 a mim, a quem o Pai consagrou e enviou ao mundo, como é que dizeis: ‘Tu blasfemas’, por Eu ter dito: ‘Sou Filho de Deus’? 37 Se não faço as obras do meu Pai, não acrediteis em mim; 38 mas se as faço, embora não queirais acreditar em mim, acreditai nas obras, e assim vireis a saber e ficareis a compreender que o Pai está em mim e Eu no Pai.» 39 Por isso procuravam de novo prendê-lo, mas Ele escapou-se-lhes das mãos. 40 Depois, Jesus voltou a retirar-se para a margem de além-Jordão, para o lugar onde ao princípio João tinha estado a baptizar, e ali se demorou. 41 Muitos vieram ter com Ele e comentavam: «Realmente João não realizou nenhum sinal milagroso, mas tudo quanto disse deste homem era verdade.» 42 E muitos ali creram nele.

Comentários:


         A porta serve fundamentalmente para franquear a passagem e, também, para ga­rantir que só entra ou sai quem a ela tem acesso.
Jesus Cristo dá de Si próprio esta imagem da porta que se abre a quem 0 seguir ou, melhor, a quem desejar percorrer o caminho da salvação que é Ele próprio. «Eu sou o caminho, e não há outro que conduza ao Pai.» Ele vai à nossa frente como guia e pastor e o Seu passo é igual ao nosso porque não tem pressa e, frequentemente, quando por qualquer motivo paramos, espera com infinita paciência que retomemos a marcha sem desfalecimentos
.
         As relações entre Deus e os homens podem resumir-se numa palavra: Amor! Para amar a Deus é preciso conhece-Lo e, conhecendo-O, não é possível não O amar. A medida do nosso amor a Deus depende de quanto O conhecemos. Deus, que nos conhece intimamente ama-nos sem limite, por isso mesmo temos de conhecer Deus pondo todas as nossas capacidades neste objectivo, assim, conhecendo-O mais poderemos ama-Lo melhor.
         Continua o discurso do Bom Pastor. Jesus quer que todos entendam bem o Seu papel, a Sua missão. Assumindo-Se claramente como guia e chefe dos homens também deixa claro que É O único em Quem se pode e deve confiar. O alerta repetido dos que ao longo dos tempos hão-de tentar assumir esse papel tem absoluta razão de ser porque sabemos e constatamos que assim tem acontecido e sempre acontecerá. A exploração dos crédulos e pouco instruídos, muitas vezes desesperados e sem rumo, é campo fértil para esses lobos vestidos de cordeiros.
         Este Pastor e este rebanho são, como dizer, ”feitos Um para o outro”. De facto, o rebanho foi criado e é pertença absoluta do Pastor e é Ele Quem conduz, comanda, governa, alimenta. Poderia ser um pastor qualquer – como há muitos, infelizmente – que se limitasse a gozar a sua posse, a usufruir dos frutos. Mas não! Este Pastor é mais servo que senhor porque, se necessário for – como foi – chega ao ponto de dar a própria vida por cada uma das Suas ovelhas.
         Fica bem claro, pelas palavras de Cristo, Quem verdadeiramente tem poder sobre a vida e sobre a morte. Convém, portanto, que Lhe agradeçamos o dom da vida e, ao vivê-la como Ele quer que vivamos, alcancemos dele a graça de uma boa morte.
         Este trecho do Evangelho vem lembrar-nos a necessidade de rezar por todos aqueles (e, infelizmente, são muitos) que na busca de consolo e solução para as suas aflições, seguem com ilusão falsos pastores que enganam e mistificam a Única Verdade, que és Tu, Senhor. Pobre gente, iludida e cega, onde acabará? Sabemos de Fonte Segura, que é o próprio Jesus Cristo, que haverá um «só rebanho e um só pastor», mas, entretanto…
         Cristo deu a Sua vida pela humanidade inteira, não por uns quantos escolhidos e privilegiados mas por todos os homens sem excepção. Por isso mesmo, quer que todos os homens se salvem e, a única forma de tal acon­tecer é segui-Lo no caminho que nos deixou: A Sua Santa Igreja de que é a Cabeça. O Seu Vigário, o Papa, tem esse encargo de conduzir – todos – pelo caminho que leva à verdadeira felicidade na Vida Eterna. Seguir o Papa é seguir Cristo, ouvir a sua voz é ouvir Cristo, obedecer-lhe é obedecer a Cristo, amá-lo é amar Cristo.
        O Evangelista São João - já o dissemos – tem como “lema” no Evangelho que escre­veu, salientar de forma clara e iniludível a figura salvífica de Jesus Cristo. Ele é O enviado pelo Pai para salvar a humanidade, o guia seguro para a conduzir pelos caminhos de salvação. A figura do Pastor que conduz diligentemente o seu rebanho não como uma “massa amorfa” mas como seres individuais que respeita e ama com um amor de tal dimen­são que é capaz – e fá-lo-á – de dar a vida por todos e cada um dos que Lhe confiou.

         A Igreja celebra o Domingo do Bom-Pastor. Em plena Páscoa quando os corações dos cristãos ainda exultam com a Ressurreição de Cristo fica bem lembrar esta figura tantas vezes utilizada por Jesus Cristo. O rebanho e o pastor, a vide e os sarmentos, são exemplo que O Senhor dá para vincar bem a necessidade, que todos os homens temos, de estarmos bem unidos a Ele. Sem esta união, será difícil viver uma vida cristã como deve de ser, não recebemos a seiva alimentadora da “vide” onde estamos enxertados nem teremos um guia seguro que nos conduza pelos caminhos da terra. Em suma, sem esta união bem estreita e constante, será muito difícil alcançar a Vida Eterna nosso principal objectivo.
         Proliferam por todo o lado rebanhos que seguem falsos pastores, alguns com uma autêntica devoção dedicada e disposta a tudo. Causa admiração constatar esta realidade. Vastíssimo campo de apostolado se estende à nossa frente! Peçamos ao nosso Pastor que nos guie e conduza de tal forma que o nosso comportamento seja exemplo e atraia.
         Com que alegria lemos estas palavras de Jesus Cristo: «Eu dou-lhes a vida eterna; elas jamais hão-de perecer, e ninguém as arrebatará da minha mão». Que ventura extraordinária pertencer ao rebanho do Salvador! Quem mais nos poderia garantir tal futuro? Evidentemente que depende de cada um fazer o que lhe compete e que, em suma, é seguir o Pastor Divino, escutar a Sua voz e fazer como Ele manda. Se houver sacrifício - e quase sempre há - renúncia e escolha, aí estará Ele para nos ajudar nessas dificuldades e - tenhamos sempre presente - o prémio que nos tem reservado merece bem todo o esforço, luta e empenho que pusermos da nossa parte.
         «Até quando nos deixarás na incerteza? Se és o Messias, di-lo claramente.» Temos alguma dificuldade em entender estes contemporâneos de Jesus e a sua insistência no mesmo tema e, ao mesmo tempo, admiramos a paciência do Senhor em responder sempre mesmo sabendo que a Sua resposta de pouco servirá pelo menos para alguns. Mas nem Se cansa nem deixa de responder – doutrinando – porque poderá haver alguém – talvez um só dos que perguntaram – compreenda e aceite e, se assim acontecer, cumpre-se o Mandato Divino que, em suma é: Querer que todos se salvem.
         A declaração de Jesus Cristo: «Eu e o Pai somos Um» é de tal forma clara e conclusiva não admite interpretações. Da mesma forma se dissesse: ‘Eu sou Deus!’. Porém, deixa essa “conclusão” aos que O escutam pois quer evitar susceptibilidades que bem sabemos tal afirmação levantaria. Fala das Suas ovelhas que Lhe pertencem porque são de Deus e têm a vida eterna assegurada exactamente por isso mesmo. O Seu desejo – tantas vezes expresso – é que haja um só rebanho e um só Pastor – Ele próprio – porque todos, absolutamente, fomos e somos criados à imagem e semelhança de Deus. Como nas famílias humanas também na Família Divina não pode haver dissensões porque, a existirem, nem umas nem Outra podem subsistir.
         Em boa verdade temos de reconhecer que as dúvidas – e até escândalo – dos judeus, tem alguma razão de ser. Até então, Deus era de tal forma distante e inatingível, que nem sequer o Seu nome se podia pronunciar. O que não percebem, ainda, é que Jesus Cristo vem exactamente para ensinar que Deus não é nem distante e, muito menos, inatingível; está com os homens, quer os homens perto de Si, deseja “conviver” com eles como um Pai convive com os seus filhos. Este ensinamento – anúncio – é de tal forma contraditório com séculos da história das relações de Israel com Deus, que nem lhes ocorre que, de facto, Deus sempre falou com os homens, os profetas – a começar por Abraão, nosso Pai na Fé – intervindo pessoalmente nas suas vidas como, por exemplo, guiando – por meio de uma nuvem - o povo durante a travessia do deserto a caminho da terra prometida. Os homens sim, foram gradualmente afastando-se da convivência divina assumindo eles próprios o “direito” de interpretar a Lei como de facto o faziam. Acontece que, uma Lei, não se interpreta a belprazer, ou se aceita e se cumpre ou, não a aceitando, não se tem o direito de falar em nome dela

         Temos sempre muita dificuldade em compreender - e portanto, aceitar - a posição dos chefes de Israel a respeito de Jesus. Mas não nos compete tal tarefa nem temos que assumir-nos como "juízes", basta seguir o exemplo do Próprio Senhor que, embora contestando e respondendo, aproveitou sempre o ensejo para doutrinar, ensinar, dizendo a verdade. Sigamos, nós os cristãos, o exemplo de Cristo e, em lugar de criticar, peçamos antes por todos aqueles que não sabem - ou não querem - ver onde reside a verdade, onde está o que vale a pena acreditar.
         Jesus Cristo responde usando os mesmos argumentos dos que O interpelam tentando fazer-lhes ver o anacronismo entre o que afirmam seguir o que dizem. «a Escritura não pode abolir-se», como Cristo confirma, mas não é, de modo nenhum, de interpretação livre conforme conveniências ou eventuais "pontos de vista". O que está escrito ou anunciado pelos profetas pode ser interpretado ao longo dos tempos, retirando o simbolismo, mas conservando o espírito que esteve na sua base. E, atenção, o que deveria ser válido nos tempos de Cristo na terra, continua - tal qual - a sê-lo nos dias de hoje. As homilias - sobretudo - destinam-se a conduzir os fiéis nos caminhos da Fé e não a provocar-lhes dúvidas nem interrogações. O púlpito de uma Igreja é de onde deve emanar a palavra de Deus e não um local para "aulas" de interpretação ou teorias teológicas.

18/05/2020

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LEITURA ESPIRITUAL

COMENTANDO OS EVANGELHOS

São Lucas

Cap. XVIII



1 Depois, disse-lhes uma parábola sobre a obrigação de orar sempre, sem desfalecer: 2 «Em certa cidade, havia um juiz que não temia a Deus nem respeitava os homens. 3 Naquela cidade vivia também uma viúva que ia ter com ele e lhe dizia: ‘Faz-me justiça contra o meu adversário.’ 4 Durante muito tempo, o juiz recusou-se a atendê-la; mas, um dia, disse consigo: ‘Embora eu não tema a Deus nem respeite os homens, 5 contudo, já que esta viúva me incomoda, vou fazer-lhe justiça, para que me deixe de vez e não volte a importunar-me.’» 6 E o Senhor continuou: «Reparai no que diz este juiz iníquo. 7 E Deus não fará justiça aos seus eleitos, que a Ele clamam dia e noite, e há-de fazê-los esperar? 8 Eu vos digo que lhes vai fazer justiça prontamente. Mas, quando o Filho do Homem voltar, encontrará a fé sobre a terra?» 9 Disse também a seguinte parábola, a respeito de alguns que confiavam muito em si mesmos, tendo-se por justos e desprezando os demais: 10 «Dois homens subiram ao templo para orar: um era fariseu e o outro, cobrador de impostos. 11 O fariseu, de pé, fazia interiormente esta oração: ‘Ó Deus, dou-te graças por não ser como o resto dos homens, que são ladrões, injustos, adúlteros; nem como este cobrador de impostos. 12 Jejuo duas vezes por semana e pago o dízimo de tudo quanto possuo.’ 13 O cobrador de impostos, mantendo-se à distância, nem sequer ousava levantar os olhos ao céu; mas batia no peito, dizendo: ‘Ó Deus, tem piedade de mim, que sou pecador.’ 14 Digo-vos: Este voltou justificado para sua casa, e o outro não. Porque todo aquele que se exalta será humilhado, e quem se humilha será exaltado.» 15 Apresentavam-lhe também as criancinhas, para que Ele lhes tocasse. Vendo isso, os discípulos repreenderam-nos. 16 Mas Jesus chamou-os a si, dizendo: «Deixai vir a mim os pequeninos; não os impeçais, pois deles é o Reino de Deus. 17 Em verdade vos digo: quem não receber o Reino de Deus como um pequenino, não entrará nele.» 18 Certo chefe perguntou-lhe, então: «Bom Mestre, que hei-de fazer para alcançar a vida eterna?» 19 Respondeu-lhe Jesus: «Porque me chamas bom? Ninguém é bom senão Deus. 20 Tu sabes os mandamentos: Não cometerás adultério, não matarás, não roubarás, não levantarás falso testemunho; honra teu pai e tua mãe.» 21 Ele retorquiu: «Tudo isso tenho cumprido desde a minha juventude.» 22 Ouvindo isto, Jesus disse-lhe: «Ainda te falta uma coisa: vende tudo o que tens, distribui o dinheiro pelos pobres e terás um tesouro no Céu. Depois, vem e segue-me.» 23 Quando isto ouviu, ele entristeceu-se, pois era muito rico. 24 Vendo-o assim, Jesus exclamou: «Como é difícil para os que têm riquezas entrar no Reino de Deus! 25 Sim, é mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus!» 26 Os que o ouviram disseram: «Então, quem pode salvar-se?» 27 Jesus respondeu: «O que é impossível aos homens é possível a Deus.» 28 Disse-lhe Pedro: «Nós deixámos os próprios bens e seguimos-te.» 29 Ele disse-lhes: «Em verdade vos digo: Não há ninguém que tenha deixado casa, mulher, irmãos, pais ou filhos, por causa do Reino de Deus, 30 que não receba muito mais no tempo presente e, no tempo que há-de vir, a vida eterna.» 31 Tomando os Doze consigo, Jesus disse-lhes: «Olhai, subimos agora a Jerusalém e vai cumprir-se tudo o que foi escrito pelos profetas acerca do Filho do Homem: 32 vai ser entregue aos gentios, vai ser escarnecido, maltratado e coberto de escarros; 33 e, depois de o açoitarem, vão dar-lhe a morte. Mas, ao terceiro dia, ressuscitará.» 34 Eles, porém, nada disto entenderam. Aquela linguagem era incompreensível para eles, e não entendiam o que lhes dizia. 35 Quando se aproximavam de Jericó, estava um cego sentado a pedir esmola à beira do caminho. 36 Ouvindo a multidão que passava, perguntou o que era aquilo. 37 Disseram-lhe que era Jesus de Nazaré que ia a passar. 38 Então, bradou: «Jesus, Filho de David, tem misericórdia de mim!» 39 Os que iam à frente repreendiam-no, para que se calasse. Mas ele gritava cada vez mais: «Filho de David, tem misericórdia de mim!» 40 Jesus parou e mandou que lho trouxessem. Quando o cego se aproximou, perguntou-lhe: 41 «Que queres que te faça?» Respondeu: «Senhor, que eu veja!» 42 Jesus disse-lhe: «Vê. A tua fé te salvou.» 43 Naquele mesmo instante, recobrou a vista e seguia-o, glorificando a Deus. E todo o povo, ao ver isto, deu louvores a Deus.

Comentários:

1-8 -
        Como diz o evangelista, a parábola destina-se a reforçar a obrigação de orar sempre, sem desfalecer. O exemplo que o Senhor dá nesta parábola não precisa de explicação, qualquer um sabe muito bem que a perseverança é a “chave” para se conseguir o que se pretende. O que pretendem, pois, os cristãos? Qual é a sua principal e primeira preocupação, o seu objectivo último? Evidentemente, a Salvação Eterna! Então…
        À perseverança podemos, sem medo, chamar teimosia? Penso que nada tem de pejorativo porque, na realidade, tanto se persevera praticando o mal como fazendo o bem. Os fins são, evidentemente diferentes e será sempre necessário teimar, insistir, voltar uma e outra vez até se conseguir o se deseja. O que pedimos ou o desejamos com todo o nosso coração e as nossas forças ou, então, deixará de haver motivo para “incomodar” o Senhor. Falando com palavras humanas, o coração de Deus move-se pelo amor e, este, quando expresso com firme veemência e persistência confiada, não pode senão bater com mais força à porta daquele Coração Amantíssimo.
        Jesus Cristo insiste na necessidade de perseverança na oração como condição fundamental para obter o que se pede. Deus Nosso Senhor gosta de ser instado, “pressionado” pela nossa oração porque, tal, significa confiança nEle e na Sua misericórdia quer é, também, condição indispensável para sermos atendidos. De facto, sem confiança - absoluta – não vale a pena rezar.

9-14 -
O respeito devido a Deus também se manifesta nas atitudes que tomamos. Já o dissemos várias vezes: ajoelhar-se em frente do Sacrário ou durante os principais momentos da Santa Missa, como por exemplo durante a Consagração, é a atitude correcta a observar, não só por o ser mas também pelo exemplo a que se dá aos outros. A Santa Missa não é nem um acto qualquer ou cerimónia nem mais uma "obrigação" que cumprimos, é o maior e mais completo acto de louvor e acção de graças que prestamos a Deus por isso todas as nossas atitudes têm de reflectir estes sentimentos.
Ter-se a si mesmo em boa conta ou, até, motivo de admiração dos outros, é uma vaidade pessoal que não tem nem fundamento nem possível aceitação seja por quem for. O vaidoso – auto-convencido – vai pela vida sozinho com a sua empáfia e nem repara nos outros que o rodeiam ou com quem se cruza nos caminhos da vida. Vive de si mesmo, do que julga saber e possuir, e isto é suficiente. É uma figura triste e digna de pena porque, afinal, não se dá conta que todos os homens temos uma mesma dignidade, que não obtemos nem conseguimos, mas que Deus nos deu a todos por igual: Sermos Seus Filhos!
A humildade pessoal é das virtudes talvez a mais difícil de alcançar. Parece que a tendência do homem é para se sublimar e julgar-se com benevolência, ou então para se considerar sem qualquer valor ou mérito pessoal, ambos sem grande preocupação por ser correcto e justo. Os dois personagens que, neste trecho São Lucas, Jesus Cristo coloca à nossa consideração parecem estar em posições diametralmente opostas mas, a verdade, é que me parece que têm, pelo menos, um ponto em comum: ambos não têm em conta a Quem se dirigem na sua oração. O Fariseu porque não realiza que Deus Nosso Senhor é Infinitamente Justo e que, portanto, não vale a pena referir as obras que pensa merecerem recompensa. O Publicano porque não percebe que o Senhor quer igualmente a todos os homens porque todos são Seus filhos. Claro que, no fim, as palavras de Jesus são o “corolário” justíssimo: «Todo aquele que se exalta será humilhado, e quem se humilha será exaltado

35-43 -
Termina o capítulo 18 do Evangelho escrito por São Lucas e, pode dizer-se que termina com “chave de ouro”. De facto, a cena relatada, é de excepcional importância para compreendermos bem quanto vale a insistência na oração, removendo obstáculos que possam surgir ou, até, impedimentos levantados por outros que acharão “excessivo” o empenho. O prémio é extraordinário e ultrapassa tudo quanto se pede. Este cego recupera a vista, o que pedia em altos brados, mas, sobretudo, por causa da sua insistência, consegue um bem muito maior: a Salvação!
Quando na verdade desejamos algo que não só nos faz falta mas pode mudar radicalmente a nossa vida, empenhamo-nos a sério, com persistência e sem receio de ser incómodo em conseguir o que aspiramos. É o que faz este cego que esta cena evangélica nos relata. A sua necessidade é tal que pede aos gritos, numa esperança incontida, que, Jesus que passa no caminho o oiça. O que pede? Misericórdia daquele Jesus que, ele sabe, opera milagres, e demonstra a cada passo uma misericórdia sem limites. E na resposta a Jesus que o interpela, não se perde em divagações ou louvaminhas destinadas a comover o Coração de Cristo. Simplesmente, com a maior franqueza e convicção diz o que quer: «Senhor, que eu veja!». É assim que deve ser a nossa petição: perseverante e simples. Perseverante para “convencer” o Senhor da nossa fé, simples, porque Ele sabe muito bem o que necessitamos.







SANTO ROSÁRIO rezar com São João Paulo II


Rezar com São João Paulo II: 

SANTO ROSÁRIO Ladainha de Nossa Senhora

PAPA SÃO JOÃO PAULO II



Notas: 
1 - Em Latim
2 - Publicação diária durante Maio

Memórias de Fátima


As minhas memórias de Fátima - 18

O que me liga a Fátima - r

Entretanto, eu tinha ido para Angola – em Dezembro de 1962 só regressando em 1965 - e, já só tenho memória do Reitor Dr. Luciano Guerra que exerceu o cargo de Reitor de 1973 a 2008, pessoa que muito estimo e que, sobretudo lembro, pelas “reflexões” que sempre fazia após a “Procissão das Velas” - nos dias 12 à noite - quando a imagem da Senhora regressava à Capelinha, num ambiente de silêncio impressionante em que a sua voz forte e compassada ia directa ao coração dos peregrinos.



A última vez que o vi foi no funeral da minha querida Mãe, em Monte Real, em 2006.



(AMA, Memórias de Fátima)

Pequena agenda do cristão

SeGUNDa-Feira

PEQUENA AGENDA DO CRISTÃO

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Sorrir; ser amável; prestar serviço.

Senhor que eu faça "boa cara" que seja alegre e transmita aos outros, principalmente em minha casa, boa disposição.

Senhor que eu sirva sem reserva de intenção de ser recompensado; servir com naturalidade; prestar pequenos ou grandes serviços a todos mesmo àqueles que nada me são. Servir fazendo o que devo sem olhar à minha pretensa “dignidade” ou “importância” “feridas” em serviço discreto ou desprovido de relevo, dando graças pela oportunidade de ser útil.

Lembrar-me:
Papa, Bispos, Sacerdotes.

Que o Senhor assista e vivifique o Papa, santificando-o na terra e não consinta que seja vencido pelos seus inimigos.

Que os Bispos se mantenham firmes na Fé, apascentando a Igreja na fortaleza do Senhor.

Que os Sacerdotes sejam fiéis à sua vocação e guias seguros do Povo de Deus.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?







Temas para reflectir e meditar

A alegria cristã

A alegria da existência e da vida; a alegria do amor honesto e santificado; a alegria tranquilizadora da natureza e do silêncio; a alegria por vezes austera do trabalho esmerado; a alegria e satisfação do dever cumprido; a alegria transparente da pureza, do serviço, do saber compartilhar; a alegria exigente do sacrifício. 
O cristão poderá purificá-las, completá-las, sublimá-las: não pode desprezá-las. 

A alegria cristã supõe um homem capaz de alegrias naturais.

(São Paulo VIExortação Apostólica Gaudete in Domino, Roma, 1975.05.09)  

Orações de Maio




À tua protecção nos acolhemos Santa Mãe de Deus, não desprezeis as nossas necessidades,mas protegei-nos de todos os perigos, ó Virgem Gloriosa e Bendita. Ámen


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À tua protecção nos acolhemos Santa Mãe de Deus

Temas para reflectir e meditar

ABANDONO


Um método excelente para aprender como rezar, é reconhecermo-nos a nós próprios como não merecedores de tal benefício, e pormo-nos inteiramente nas mãos do Senhor.



São Filipe de Neri, Máximas, F.W.Faber, Cromwell Press SN12 8PH, nr. 25-20