21/04/2020

LEITURA ESPIRITUAL

COMENTANDO OS EVANGELHOS

São Mateus

Cap. XXI


1 Quando já se aproximavam de Jerusalém, chegaram a Betfagé, junto ao monte das Oliveiras. Jesus enviou dois discípulos, 2 dizendo-lhes: «Ide à aldeia que está em frente de vós e logo encontrareis uma jumenta presa e com ela um jumentinho. Soltai-os e trazei-mos. 3 E, se alguém vos disser alguma coisa, respondereis: ‘O Senhor precisa deles, mas logo os devolverá.’» 4 Isto sucedeu para se cumprir o que fora anunciado pelo profeta: 5 Dizei à filha de Sião: Aí vem o teu Rei, ao teu encontro, manso e montado num jumentinho, filho de uma jumenta. 6 Os discípulos foram e fizeram como Jesus lhes ordenara. 7 Trouxeram a jumenta e o jumentinho, puseram as suas capas sobre eles e Jesus sentou-se em cima. 8 Uma grande multidão estendia as suas capas no caminho; outros cortavam ramos das árvores e espalhavam-nos pelo chão. 9 E todos, quer os que iam à sua frente, quer aqueles que o seguiam, diziam em altos brados: Hossana ao Filho de David! Bendito seja aquele que vem em nome do Senhor! Hossana nas alturas! 10 Quando Jesus entrou em Jerusalém, toda a cidade ficou em alvoroço. «Quem é este?» - perguntavam. 11 E a multidão respondia: «É Jesus, o profeta de Nazaré, da Galileia.» 12 Jesus entrou no templo e expulsou dali todos os que nele vendiam e compravam. Derrubou as mesas dos cambistas e as bancas dos vendedores de pombas, dizendo-lhes: 13 «Está escrito: A minha casa há-de chamar-se casa de oração, mas vós fazeis dela um covil de ladrões.» 14 Aproximaram-se dele, no templo, cegos e coxos, e Ele curou-os. 15 Perante os prodígios que realizava e as crianças que gritavam no templo: «Hossana ao Filho de David», os sumos sacerdotes e os doutores da Lei ficaram indignados 16 e disseram-lhe: «Ouves o que eles dizem?» Respondeu Jesus: «Sim. Nunca lestes: Da boca dos pequeninos e das crianças de peito fizeste sair o louvor perfeito?» 17 Depois afastou-se deles, saiu da cidade e foi para Betânia, onde pernoitou. 18 Logo de manhã cedo, ao voltar para a cidade, teve fome. 19 Vendo uma figueira à beira do caminho, aproximou-se dela, mas não encontrou senão folhas. Disse então: «Nunca mais nascerá fruto de ti!» E, naquele mesmo instante, a figueira secou. 20 Vendo isto, os discípulos disseram admirados: «Como é que a figueira secou subitamente?» 21 Jesus respondeu: «Em verdade vos digo: Se tiverdes fé e não duvidardes, não só fareis o que Eu fiz a esta figueira, mas, se disserdes a este monte: ‘Tira-te daí e lança-te ao mar’, assim acontecerá. 22 Tudo quanto pedirdes com fé, na oração, haveis de recebê-lo.» 23 Em seguida, entrou no templo. Quando estava a ensinar, foram ter com Ele os sumos sacerdotes e os anciãos do povo e disseram-lhe: «Com que autoridade fazes isto? E quem te deu tal poder?» 24 Jesus respondeu-lhes: «Também Eu vou fazer-vos uma pergunta. Se me responderdes, digo-vos com que autoridade faço isto. 25 De onde provinha o baptismo de João: do Céu ou dos homens?» Mas eles começaram a pensar entre si: «Se respondermos: ‘Do Céu’, vai dizer-nos: ‘Porque não lhe destes crédito?’ 26 E, se respondermos: ‘Dos homens’, ficamos com receio da multidão, pois todos têm João por um profeta.» 27 E responderam a Jesus: «Não sabemos.» Disse-lhes Ele, por seu turno: «Também Eu vos não digo com que autoridade faço isto.» 28 «Que vos parece? Um homem tinha dois filhos. Dirigindo-se ao primeiro, disse-lhe: ‘Filho, vai hoje trabalhar na vinha.’ 29 Mas ele respondeu: ‘Não quero.’ Mais tarde, porém, arrependeu-se e foi. 30 Dirigindo-se ao segundo, falou-lhe do mesmo modo e ele respondeu: ‘Vou sim, senhor.’ Mas não foi. 31 Qual dos dois fez a vontade ao pai?» Responderam eles: «O primeiro.» Jesus disse-lhes: «Em verdade vos digo: Os cobradores de impostos e as meretrizes vão preceder-vos no Reino de Deus. 32 João veio até vós, ensinando-vos o caminho da justiça, e não acreditastes nele; mas os cobradores de impostos e as meretrizes acreditaram nele. E vós, nem depois de verdes isto, vos arrependestes para acreditar nele.» 33 «Escutai outra parábola: Um chefe de família plantou uma vinha, cercou-a com uma sebe, cavou nela um lagar, construiu uma torre, arrendou-a a uns vinhateiros e ausentou-se para longe. 34 Quando chegou a época das vindimas, enviou os seus servos aos vinhateiros, para receberem os frutos que lhe pertenciam. 35 Os vinhateiros, porém, apoderaram-se dos servos, bateram num, mataram outro e apedrejaram o terceiro. 36 Tornou a mandar outros servos, mais numerosos do que os primeiros, e trataram-nos da mesma forma. 37 Finalmente, enviou-lhes o seu próprio filho, dizendo: ‘Hão-de respeitar o meu filho.’ 38 Mas os vinhateiros, vendo o filho, disseram entre si: ‘Este é o herdeiro. Matemo-lo e ficaremos com a sua herança.’ 39 E, agarrando-o, lançaram-no fora da vinha e mataram-no. 40 Ora bem, quando vier o dono da vinha, que fará àqueles vinhateiros?» 41 Eles responderam-lhe: «Dará morte afrontosa aos malvados e arrendará a vinha a outros vinhateiros que lhe entregarão os frutos na altura devida.» 42 Jesus disse-lhes: «Nunca lestes nas Escrituras: A pedra que os construtores rejeitaram transformou-se em pedra angular? Isto é obra do Senhor e é admirável aos nossos olhos? 43 Por isso vos digo: O Reino de Deus ser-vos-á tirado e será confiado a um povo que produzirá os seus frutos. 44 Quem cair sobre esta pedra, ficará despedaçado; aquele sobre quem ela cair, ficará esmagado.» 45 Os sumos sacerdotes e os fariseus, ao ouvirem as suas parábolas, compreenderam que eram eles os visados. 46 Embora procurassem meio de o prender, temeram o povo, que o considerava profeta.

Comentários:

23-27 -
Não obstante a pergunta não ter razão de ser, Jesus não se escusa à resposta, mas, põe uma condição: quer que, publicamente, que se manifestem sobre o Baptista. Fica, pois, a descoberto a duplicidade e falta de critério dos chefes do povo. Perguntar, pôr em causa, sugerir abuso, malfeitoria, profanação da Lei… isto está ao seu alcance e usam-no com uma frequência só justificada pela inveja e mau carácter, mas… dar respostas que possam comprometer - nem que “fiquem mal” perante o povo – isso de maneira nenhuma!
Não, não é honesto quem faz uma pergunta não com o intuito de ser esclarecido mas, apenas, para provocar quem interroga. Sendo assim, é absolutamente justificável que não se responda mas, se denuncie o capciosismo da questão.

24-27 -
      Tentar enganar Deus é exactamente o que neste trecho se trata. A falsa piedade, as orações sem nexo ou sem sentido profundo, enfim, o que não nasce do coração, do âmago da alma não tem qualquer valor e, bem ao contrário, é “fazer pouco” do Senhor. Mas… isto existe? Sim, infelizmente e é mais comum e frequente que o que possamos julgar. Não falta quem se atreva a invocar o nome de Deus – jurar até – a propósito seja do que for, quem se intitule mestre de algo que não conhece, se dedique a espelhar conceitos e opiniões próprias como se fossem doutrina credível e correcta. Porquê? Não esqueçamos que o demónio é o pai da mentira e usa todos os argumentos para se insinuar no espírito dos homens, sobretudo dos mais débeis, levando-os a acreditar em falsas verdades, em obras humanas como se fossem de Deus.

As consequências da falta de honestidade no nosso proceder para com Deus, são, diz o Senhor, gravíssimas e, até, catastróficas. Pretender amar a Deus sem fazer a Sua Vontade – em tudo – é ser desonesto, pouco sério e mentiroso. Como é possível amar – seja quem for – sem estar permanentemente ao seu lado? Pois, com Deus Nosso Senhor, o mesmo. Não fazendo a Sua Vontade, faremos a nossa, que é fraca, volúvel, sem consistência. Daí que, com a tempestade das tentações, acabe por soçobrar a nossa Fé e, muito provavelmente, haverá uma derrocada total.
      
28-32-
Não há, não pode haver, duas interpretações acerca das palavras de Jesus. A resposta ao convite, ou à ordem, tem de ser pronta, sem dúvida, mas tem de ser também pensada e ser concreta, real, fruto da vontade própria e não do mero desejo de agradar. Talvez que, às vezes, nós próprios digamos que sim, que faremos o que nos pedem ou sugerem só para resolver o assunto e não nos “maçarem” mais. Na verdade, parece ser muito mais difícil dizer que não do que dizer que sim. Examinemo-nos a nós próprios e veremos se é ou não assim.
Temos – os cristãos – de ser homens de palavra, decididos e coerentes, todos têm de ter a certeza que faremos o que dizemos que vamos fazer.
 “De boas intenções está o Inferno cheio”, diz a sabedoria popular. E é bem verdade que as intenções não têm qualquer mérito se não lhes corresponder a acção. Por outras palavras, o que conta – e do que temos de prestar contas – é do que fazemos e não as promessas, intenções ou desejos. Atentemos bem no que o Senhor declara sem qualquer rebuço: que as meretrizes e cobradores de impostos – considerados, naquele tempo, pecadores públicos – entrarão primeiro no Reino dos Céus que os que prometem e não cumprem, apregoam o que não praticam, aconselham o que não fazem.

33-43 -
Durante séculos o Senhor enviou ao povo de Israel inúmeros emissários - profetas e outros – que, cada um ao seu estilo, chamaram a atenção para o cumprimento da Sua Lei. Muitos foram mortos, a maior parte desprezados. Como “último recurso” envia o Seu próprio Filho e todos sabemos como foi recebido, contestado e privado da Sua Própria Vida. A Vontade de Deus cumpre-se sempre, independentemente de ser ou não aceite pelos homens e este “último recurso” tem as consequências que Deus efectivamente quer: Instalar o Seu Reino, converter os homens em Seus filhos, redimindo-os e abrindo-lhes as portas da Vida Eterna.
Quem aduz que, muitas vezes, as palavras de Cristo, os Seus discursos, são algo enigmáticos e pouco claros, tem aqui uma prova que não têm razão: «Os sumos-sacerdotes e os fariseus, ao ouvirem as suas parábolas, compreenderam que eram eles os visados.» Cristo fala para todos e os que não entendem, se na verdade o desejam, procuram uma explicação. E é assim que deve ser, ninguém pode acreditar naquilo que não entende e ninguém pode entender se não tem um bom espírito e um são critério que o leve a solicitar os esclarecimentos que necessita.
O Senhor prepara com desvelo quanto os Seus filhos possam necessitar para viver como Ele deseja: Felizes! Não Se limita a plantar a vinha, constrói o lagar, cerca-a com uma sebe, defende-a com uma torre. Ali poderão trabalhar, ganhar o sustento, sentir-se seguros e tranquilos. Nada falta! O que temos de fazer? Trabalhar a vinha com o melhor do nosso esforço e dedicação para que dê os frutos que o Senhor – legitimamente -, espera receber. Porque é o Seu direito, a vinha é d'Ele, nós somos apenas os usufrutuários. Não nos esqueçamos que o que que recebemos, absolutamente de graça, temos de restituir incólume e acrescentado com as nossas boas obras, o nosso esforço e dedicação.


43-53 -

Os cuidados que o Senhor tem com o Seu povo não tem limites.
Faz tudo, dispõe de tudo para que possam viver como Ele deseja: felizes! Que o homem seja feliz é o Seu desejo. E a felicidade humana consiste em amar a Deus e fazer a Sua Vontade que é, como bem sabemos, que tenhamos a vida eterna na Sua companhia, no gozo dos bens que nos tem reservados.





20/04/2020

Meu Pai do Céu, ajuda-me


A ti, que desmoralizas, repetir-te-ei uma coisa muito consoladora: a quem faz o que pode, Deus não lhe nega a Sua graça. Nosso Senhor é Pai, e se um filho lhe diz na quietude do seu coração: Meu Pai do Céu, aqui estou, ajuda-me... Se recorre à Mãe de Deus, que é Mãe nossa, vai para a frente. Mas Deus é exigente. Pede amor de verdade; não quer traidores. É preciso ser fiel a essa luta sobrenatural, que é ser feliz na terra à força de sacrifício. (Via Sacra, 10ª Estação, n. 3)

Recorrei semanalmente – e sempre que o necessiteis, sem dar lugar aos escrúpulos – ao santo Sacramento da Penitência, ao sacramento do perdão divino. Revestidos da graça, caminharemos por entre os montes e subiremos a encosta do cumprimento do dever cristão, sem nos determos. Utilizando estes recursos com boa vontade e rogando ao Senhor que nos conceda uma esperança cada dia maior, possuiremos a alegria contagiosa dos que se sabem filhos de Deus: Se Deus está connosco, quem nos poderá derrotar? Optimismo, portanto. Incitados pela força da esperança, lutaremos para apagar a mancha viscosa que espalham os semeadores do ódio e redescobriremos o mundo com uma perspectiva jubilosa, porque saiu formoso e limpo das mãos de Deus, e restituir-lho-emos assim belo, se aprendermos a arrepender-nos.
Cresçamos na esperança, que deste modo nos consolidaremos na fé, verdadeiro fundamento das coisas que se esperam e prova das que não se vêem. Cresçamos nesta virtude, que é suplicar ao Senhor que aumente a sua caridade em nós, porque só se confia verdadeiramente no que se ama com todas as forças. E vale a pena amar o Senhor. Vós haveis experimentado, como eu, que a pessoa enamorada se entrega confiante, com uma sintonia maravilhosa, em que os corações batem num mesmo querer. E que será o Amor de Deus? Não sabeis que Cristo morreu por cada um de nós? Sim, por este nosso coração pobre, pequeno, se consumou o sacrifício redentor de Jesus.
Frequentemente, o Senhor fala-nos do prémio que nos ganhou com a sua Morte e Ressurreição. Vou preparar um lugar para vós. Depois que eu tiver ido e vos tiver preparado o lugar, virei novamente e tomar-vos-ei comigo para que, onde eu estou, estejais Vós também. O Céu é a meta do nosso caminho terreno. Jesus Cristo precedeu-nos e ali, na companhia da Virgem e de S. José – a quem tanto venero – dos Anjos e dos Santos, aguarda a nossa chegada. (Amigos de Deus, 219–220)

Temas para reflectir e meditar

Confissão frequente


A Confissão frequente dos nossos pecados está muito relacionada com a santidade, com amor a Deus, pois, ali o Senhor afina-nos e ensina-nos a ser humildes. 

A tibieza pelo contrário, cresce onde aparecem o desleixo e o abandono, as negligências e os pecados veniais sem arrependimento sincero.

(São João Paulo IICarta aos Fiéis de Roma, 1979.11.28)

Humildade



PANDEMIA


PANDEMIA - 18

GLÓRIA

O amor não se vangloria. (1 Coríntios 13:4-7)

Glorificar- se por amar?

De modo nenhum, seria um absurdo!

Porque, o AMOR autêntico é totalmente despido de orgulho.

O AMOR É:
ENTREGA – DOAÇÃO – RESPEITO – PRUDÊNCIA – UNIVERSAL -TOTAL – SACRIFÍCIO – REFLEXO -  OBEDIÊNCIA – CONFIANÇA – PACIENTE – GENUÍNO – HUMANO – CONSAGRAÇÃO - ALEGRIA – PACIENTE – ESPERANÇA – BONDADE – NÃO INVEJA - GLÓRIA

Com estes predicados o AMOR não será a solução?

(AMA, 2020)

Meu Pai do Céu, ajuda-me


A ti, que desmoralizas, repetir-te-ei uma coisa muito consoladora: a quem faz o que pode, Deus não lhe nega a Sua graça. Nosso Senhor é Pai, e se um filho lhe diz na quietude do seu coração: Meu Pai do Céu, aqui estou, ajuda-me... Se recorre à Mãe de Deus, que é Mãe nossa, vai para a frente. Mas Deus é exigente. Pede amor de verdade; não quer traidores. É preciso ser fiel a essa luta sobrenatural, que é ser feliz na terra à força de sacrifício. (Via Sacra, 10ª Estação, n. 3)

Recorrei semanalmente – e sempre que o necessiteis, sem dar lugar aos escrúpulos – ao santo Sacramento da Penitência, ao sacramento do perdão divino. Revestidos da graça, caminharemos por entre os montes e subiremos a encosta do cumprimento do dever cristão, sem nos determos. Utilizando estes recursos com boa vontade e rogando ao Senhor que nos conceda uma esperança cada dia maior, possuiremos a alegria contagiosa dos que se sabem filhos de Deus: Se Deus está connosco, quem nos poderá derrotar? Optimismo, portanto. Incitados pela força da esperança, lutaremos para apagar a mancha viscosa que espalham os semeadores do ódio e redescobriremos o mundo com uma perspectiva jubilosa, porque saiu formoso e limpo das mãos de Deus, e restituir-lho-emos assim belo, se aprendermos a arrepender-nos.
Cresçamos na esperança, que deste modo nos consolidaremos na fé, verdadeiro fundamento das coisas que se esperam e prova das que não se vêem. Cresçamos nesta virtude, que é suplicar ao Senhor que aumente a sua caridade em nós, porque só se confia verdadeiramente no que se ama com todas as forças. E vale a pena amar o Senhor. Vós haveis experimentado, como eu, que a pessoa enamorada se entrega confiante, com uma sintonia maravilhosa, em que os corações batem num mesmo querer. E que será o Amor de Deus? Não sabeis que Cristo morreu por cada um de nós? Sim, por este nosso coração pobre, pequeno, se consumou o sacrifício redentor de Jesus.
Frequentemente, o Senhor fala-nos do prémio que nos ganhou com a sua Morte e Ressurreição. Vou preparar um lugar para vós. Depois que eu tiver ido e vos tiver preparado o lugar, virei novamente e tomar-vos-ei comigo para que, onde eu estou, estejais Vós também. O Céu é a meta do nosso caminho terreno. Jesus Cristo precedeu-nos e ali, na companhia da Virgem e de S. José – a quem tanto venero – dos Anjos e dos Santos, aguarda a nossa chegada. (Amigos de Deus, 219–220)

Pequena agenda do cristão

SeGUNDa-Feira

PEQUENA AGENDA DO CRISTÃO

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Sorrir; ser amável; prestar serviço.

Senhor que eu faça "boa cara" que seja alegre e transmita aos outros, principalmente em minha casa, boa disposição.

Senhor que eu sirva sem reserva de intenção de ser recompensado; servir com naturalidade; prestar pequenos ou grandes serviços a todos mesmo àqueles que nada me são. Servir fazendo o que devo sem olhar à minha pretensa “dignidade” ou “importância” “feridas” em serviço discreto ou desprovido de relevo, dando graças pela oportunidade de ser útil.

Lembrar-me:
Papa, Bispos, Sacerdotes.

Que o Senhor assista e vivifique o Papa, santificando-o na terra e não consinta que seja vencido pelos seus inimigos.

Que os Bispos se mantenham firmes na Fé, apascentando a Igreja na fortaleza do Senhor.

Que os Sacerdotes sejam fiéis à sua vocação e guias seguros do Povo de Deus.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?







LEITURA ESPIRITUAL

COMENTANDO OS EVANGELHOS

São Mateus

Cap. XX


1 «Com efeito, o Reino do Céu é semelhante a um proprietário que saiu ao romper da manhã, a fim de contratar trabalhadores para a sua vinha. 2 Ajustou com eles um denário por dia e enviou-os para a sua vinha. 3 Saiu depois pelas nove horas, viu outros na praça, que estavam sem trabalho, 4 e disse-lhes: ‘Ide também para a minha vinha e tereis o salário que for justo.’ 5 E eles foram. Saiu de novo por volta do meio-dia e das três da tarde, e fez o mesmo. 6 Saindo pelas cinco da tarde, encontrou ainda outros que ali estavam e disse-lhes: ‘Porque ficais aqui todo o dia sem trabalhar?’ 7 Responderam-lhe: ‘É que ninguém nos contratou.’ Ele disse-lhes: ‘Ide também para a minha vinha.’ 8 Ao entardecer, o dono da vinha disse ao capataz: ‘Chama os trabalhadores e paga-lhes o salário, começando pelos últimos até aos primeiros.’ 9 Vieram os das cinco da tarde e receberam um denário cada um. 10 Vieram, por seu turno, os primeiros e julgaram que iam receber mais, mas receberam, também eles, um denário cada um. 11 Depois de o terem recebido, começaram a murmurar contra o proprietário, dizendo: 12 ‘Estes últimos só trabalharam uma hora e deste-lhes a mesma paga que a nós, que suportámos o cansaço do dia e o seu calor.’ 13 O proprietário respondeu a um deles: ‘Em nada te prejudico, meu amigo. Não foi um denário que nós ajustámos? 14 Leva, então, o que te é devido e segue o teu caminho, pois eu quero dar a este último tanto como a ti. 15 Ou não me será permitido dispor dos meus bens como eu entender? Será que tens inveja por eu ser bom?’ 16 Assim, os últimos serão os primeiros e os primeiros serão os últimos. Porque muitos são os chamados, mas poucos os escolhidos.» 17 Ao subir a Jerusalém, pelo caminho, chamou à parte os Doze e disse-lhes: 18 «Vamos subir a Jerusalém e o Filho do Homem vai ser entregue aos sumos sacerdotes e aos doutores da Lei, que o vão condenar à morte. 19 Hão-de entregá-lo aos pagãos, que o vão escarnecer, açoitar e crucificar. Mas Ele ressuscitará ao terceiro dia.» 20  Aproximou-se então de Jesus a mãe dos filhos de Zebedeu, com os seus filhos, e prostrou-se diante dele para lhe fazer um pedido. 21 «Que queres?» - perguntou-lhe Ele. Ela respondeu: «Ordena que estes meus dois filhos se sentem um à tua direita e o outro à tua esquerda, no teu Reino.» 22 Jesus retorquiu: «Não sabeis o que pedis. Podeis beber o cálice que Eu estou para beber?» Eles responderam: «Podemos.» 23 Jesus replicou-lhes: «Na verdade, bebereis o meu cálice; mas, o sentar-se à minha direita ou à minha esquerda não me pertence a mim concedê-lo: é para quem meu Pai o tem reservado.» 24 Ouvindo isto, os outros dez ficaram indignados com os dois irmãos. 25 Jesus chamou-os e disse-lhes: «Sabeis que os chefes das nações as governam como seus senhores, e que os grandes exercem sobre elas o seu poder. 26 Não seja assim entre vós. Pelo contrário, quem entre vós quiser fazer-se grande, seja o vosso servo; e 27 quem no meio de vós quiser ser o primeiro, seja vosso servo. 28 Também o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida para resgatar a multidão.» 29 Quando iam a sair de Jericó, uma grande multidão seguiu Jesus. 30 Nisto, dois cegos que estavam sentados à beira da estrada, ao ouvirem dizer que Jesus ia a passar, começaram a gritar: «Senhor, Filho de David, tem misericórdia de nós!» 31 A multidão repreendia-os para os fazer calar, mas eles gritavam cada vez mais: «Senhor, Filho de David, tem misericórdia de nós!» 32 Jesus parou, chamou-os e perguntou-lhes: «Que quereis que vos faça?» 33 Responderam-lhe: «Senhor, que os nossos olhos se abram!» 34 Dominado pela compaixão, Jesus tocou-lhes nos olhos. Imediatamente recuperaram a vista e seguiram-no.

Comentários:

1-16 -
Na verdade, quando lemos este trecho da São Mateus, somos, talvez, invadidos por algum sentimento de injustiça. Quem trabalhou mais deveria receber mais! Mas não nos esqueçamos de algo muito importante: O Senhor paga aos primeiros contratados exactamente o que ajustou, o que prometeu pagar. Aos segundos não prometeu nada, mas, na Sua Sabedoria, entendeu dar-lhes uma paga igual. Actua com suprema justiça porque, de facto, aqueles segundos e terceiros contratados não tiveram oportunidade de trabalhar mais cedo porque «ninguém os contratou».
Parece-nos, talvez, que, perante situação semelhante, teríamos procedido de outra forma: pagaríamos o ajustado com os primeiros e, aos outros, daríamos um salário correspondente ás horas que efectivamente trabalharam. Teríamos sido justos? Não tenho dúvidas em afirmar que sim. Mas, de facto, a justiça divina é diferente da justiça dos homens e ainda bem. Já pensámos que se o Senhor procedesse assim, nós, de agora, que poderíamos esperar receber comparando com os milhões de milhões de homens que nos precederem?

17-28 -
'Posso beber o Teu cálice? Ah, Senhor, não sei se sou capaz! Pobre de mim que, repugnando-me tanto o meu, como vou beber o Teu? Queria tanto dizer-te, do fundo do meu coração: Posso! Só me atrevo a dizê-lo porque sei que me ajudarás e a Tua Graça não me há-de faltar'. (AMA, Reflexões)
As Mães não têm nem peso nem medida quando se trata de pedir para os seus filhos. A nossa Mãe do Céu é uma Mãe extremosa e complacente e não se cansa, nunca, de pedir por nós seus filhos, independentemente do nosso mérito que, é sempre pouco. Ela é a medianeira entre nós e o seu Filho Jesus e, como em Caná, não hesita em "forçar" a Sua Vontade para que atenda o que precisamos. Não temos vinho suficiente para os que nos procuram, não temos fé que baste para convencer os outros, não temos coragem para enfrentar as dificuldades, não temos ânimo para mudar e corrigir o que é preciso, não temos... tanta coisa que realmente precisamos para ser bons filhos, bons cristãos. Peçamos sem descanso, instemos o seu Coração Amantíssimo de Mãe para que interceda por nós. Gritemos com todas as forças do nosso ânimo: Monstra te esse matrem!

20-28 -
O que uma mãe não faz pelos seus filhos!Sem pejo de pedir o impossível, medo, até, do ridículo da petição, a mãe pede, solicita, implora o que pensa pode contribuir para o bem, a felicidade do filho. Imaginemos a nossa Mãe do Céu que, conhecendo as nossas fragilidades e carências, como não há-de interceder por nós junto do seu Filho. E, Ele, não pode resistir aos apelos da Sua  Mãe Santíssima e, não por nosso mérito, que não temos, mas pela sua intercessão, dar-nos-à o que possamos precisar.
Deste trecho de São Mateus podemos pelo menos extrair duas reflexões. A primeira é a confirmação da fé da mãe dos Apóstolos que não duvida que O Senhor pode fazer tudo quanto Se Lhe peça, mesmo que seja algo insólito que só o amor de mãe pode justificar. A segunda é a visão humana, de resto natural, que temos do Reino dos Céus. Consideramos um espaço onde os Santos estão ordenados por categorias que os aproximam, ou afastam, da Santíssima Trindade. Sabemos, porque foi Jesus Quem o disse, que os doze Apóstolos estarão em doze tronos e que, também, há muitas moradas. Mas também sabemos que não já espaço ocupado, por assim dizer, porque nem as almas nem os ressuscitados ocupam lugar porque são espírito ou gozam das propriedades de corpos gloriosos. Ou seja, a vida eterna consiste na visão beatífica da Trindade e, assim sendo, não haverá uns que "vêm menos e outros que verão mais" mas todos gozarão por igual.
Podemos ter absoluta certeza que a nossa Mãe do Céu nunca ouvirá do seu Filho uma resposta semelhante à que deu à mãe de João e Tiago. Em primeiro lugar, porque ela nunca pedirá nada que não seja absolutamente necessário para os seus filhos, os homens e, depois, mesmo que o fizesse, Cristo nunca recusaria o que fosse a Sua Santíssima Mãe. No momento decisivo, quando nos apresentarmos perante o Senhor, Ele ouvirá – seguramente – o que a Sua Mãe tiver dizer a nosso respeito, a nosso favor, evidentemente. Como, por exemplo: ‘Filho, este usou o Escapulário…’.
Não me repugna absolutamente nada o pedido feito pela Mãe dos Apóstolos! Então não devemos pedir quanto acharmos que é melhor para nós? Se, o melhor para nós, é alcançar a santidade de vida, não devemos pedir ao Senhor que nos faça santos? Não se trata de pedir de mais ou pedir de menos, trata-se de pedir com a certeza que, o Senhor ouve os nossos pedidos e endireitará o que estiver enviesado e – sempre – nos dará o que fizer falta. Mais! Dar-nos-à com a abundância e magnanimidade que o Seu Coração misericordioso sempre dá aos que O invocam com Fé e Confiança

32-34 –
«Que quereis que vos faça?» Fica-se como que “estarrecido” com esta pergunta do Senhor! Ele, que sabe tudo, conhece o que precisamos, o que pode faltar-nos, quer que Lhe digamos – claramente e sem rodeios – o que desejamos, com a certeza, que Ele, sabe muito melhor que nós o que nos convém. Quando pedirmos o que seja, pois, devemos acrescentar: ‘Se for da Tua Vontade, Senhor!’.
Não temos, os homens, outro remédio senão pedir já que, por nós mesmos não podemos nada, bem o sabemos e, cada um, tem as suas próprias experiências que o confirmam. O ”nosso poder” não tem expressão nem valor, mas, como diz São Paulo: “posso tudo em Cristo que me conforta”, ou, como São Josemaria: “É verdade: pelo teu prestígio económico és um zero..., pelo teu prestígio social, outro zero..., e outro pelas tuas virtudes, e outro pelo teu talento... Mas, à esquerda desses zeros, está Cristo... E que cifra incomensurável isso dá!(Caminho, 473). Com este “panorama”, esta evidência, a nossa petição torna-se confiada e cheia de esperança. Atentemos bem que é o Próprio Jesus Cristo Quem nos urge: «Pedi, e ser-vos-á dado; procurai, e encontrareis; batei, e hão-de abrir-vos. Pois, quem pede, recebe; e quem procura, encontra; e ao que bate, hão-de abrir.» (São Mateus, VII, 7-8). Ele que É o Caminho, a Verdade e a Vida, nunca nos negará o Seu auxílio e, se acaso, não nos dá o que pedimos, é porque na Sua Sabedoria e Justiça infinitas, sabe o que muito melhor nos convém em cada circunstância.




(AMA, 2018)

19/04/2020

Humildade





Não deixes de rezar, eu escuto-te


Os santos, anormais?... Chegou a hora de acabar com esse preconceito! Havemos de ensinar, com a naturalidade sobrenatural da ascética cristã, que nem sequer os fenómenos místicos são anormais; têm a naturalidade própria desses fenómenos, tal como outros processos psíquicos ou fisiológicos têm a sua. (Sulco, 559)

Eu falo da vida interior de cristãos normais e correntes, que habitualmente se encontram em plena rua, ao ar livre; e que na rua, no trabalho, na família e nos momentos de diversão estão unidos a Jesus todo o dia. E o que é isto senão vida de oração contínua? Não é verdade que compreendeste a necessidade de ser alma de oração, numa intimidade com Deus que te leva a endeusar-te? (...)
A princípio custará. É preciso esforçarmo-nos por nos dirigir ao Senhor, por lhe agradecermos a sua piedade paternal e concreta para connosco. A pouco e pouco o amor de Deus torna-se palpável - embora isto não seja coisa de sentimentos - como uma estocada na alma. É Cristo que nos persegue amorosamente: Eis que estou à porta e chamo. Como anda a tua vida de oração? Não sentes às vezes, durante o dia, desejos de falar mais devagar com Ele? Não Lhe dizes: logo vou contar-te isto e aquilo; logo vou conversar sobre isso contigo?
Nos momentos dedicados expressamente a esse colóquio com o Senhor o coração expande-se, a vontade fortalece-se, a inteligência - ajudada pela graça - enche a realidade humana com a realidade sobrenatural. E, como fruto, sairão sempre propósitos claros, práticos, de melhorares a tua conduta, de tratares delicadamente, com caridade, todos os homens, de te empenhares a fundo - com o empenho dos bons desportistas - nesta luta cristã de amor e de paz.
A oração torna-se contínua como o bater do coração, como as pulsações. Sem essa presença de Deus não há vida contemplativa. E sem vida contemplativa de pouco vale trabalhar por Cristo, porque em vão se esforçam os que constroem se Deus não sustenta a casa. (Cristo que passa, 8)

Temas para reflectir e meditar

IGREJA

Não há mais que uma Igreja de Jesus Cristo, a qual é como uma grande árvore na qual estamos enxertados. 
Trata-se de uma unidade profunda, vital, que é um dom de Deus. Não é somente nem sobretudo unidade exterior; é um mistério e um dom (...).
A unidade manifesta-se, pois, em torno daquele que, em cada diocese, foi constituído pastor, o Bispo. 
E no conjunto da Igreja manifesta-se em torno do Papa, sucessor de Pedro. 

(São João Paulo IIHomília na Paróquia de Orcasitas, Madrid, 1982.11.03, trad ama)

PANDEMIA l


PANDEMIA - 17

INVEJA

O amor não inveja.  (1 Coríntios 13:4-7)

Quem ama verdadeiramente não tem inveja do amado, antes se alegra profundamente com as virtudes e predicados que possa ter.

Assim, em vez de invejar – que é sempre condenável – admira e procura imitar o que ama, para ser igual – ou melhor – que o amado sem que isso constitua motivo de glorificação pessoal.

O AMOR É:
ENTREGA – DOAÇÃO – RESPEITO – PRUDÊNCIA – UNIVERSAL -TOTAL – SACRIFÍCIO – REFLEXO -  OBEDIÊNCIA – CONFIANÇA – PACIENTE – GENUÍNO – HUMANO – CONSAGRAÇÃO - ALEGRIA – PACIENTE – ESPERANÇA – BONDADE – NÃO INVEJA

Com estes predicados o AMOR não será a solução?

(AMA, 2020)

Não deixes de rezar, eu escuto-te


Os santos, anormais?... Chegou a hora de acabar com esse preconceito! Havemos de ensinar, com a naturalidade sobrenatural da ascética cristã, que nem sequer os fenómenos místicos são anormais; têm a naturalidade própria desses fenómenos, tal como outros processos psíquicos ou fisiológicos têm a sua. (Sulco, 559)

Eu falo da vida interior de cristãos normais e correntes, que habitualmente se encontram em plena rua, ao ar livre; e que na rua, no trabalho, na família e nos momentos de diversão estão unidos a Jesus todo o dia. E o que é isto senão vida de oração contínua? Não é verdade que compreendeste a necessidade de ser alma de oração, numa intimidade com Deus que te leva a endeusar-te? (...)
A princípio custará. É preciso esforçarmo-nos por nos dirigir ao Senhor, por lhe agradecermos a sua piedade paternal e concreta para connosco. A pouco e pouco o amor de Deus torna-se palpável - embora isto não seja coisa de sentimentos - como uma estocada na alma. É Cristo que nos persegue amorosamente: Eis que estou à porta e chamo. Como anda a tua vida de oração? Não sentes às vezes, durante o dia, desejos de falar mais devagar com Ele? Não Lhe dizes: logo vou contar-te isto e aquilo; logo vou conversar sobre isso contigo?
Nos momentos dedicados expressamente a esse colóquio com o Senhor o coração expande-se, a vontade fortalece-se, a inteligência - ajudada pela graça - enche a realidade humana com a realidade sobrenatural. E, como fruto, sairão sempre propósitos claros, práticos, de melhorares a tua conduta, de tratares delicadamente, com caridade, todos os homens, de te empenhares a fundo - com o empenho dos bons desportistas - nesta luta cristã de amor e de paz.
A oração torna-se contínua como o bater do coração, como as pulsações. Sem essa presença de Deus não há vida contemplativa. E sem vida contemplativa de pouco vale trabalhar por Cristo, porque em vão se esforçam os que constroem se Deus não sustenta a casa. (Cristo que passa, 8)

Pequena agenda do cristão

DOMINGO

PEQUENA AGENDA DO CRISTÃO

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Viver a família.

Senhor, que a minha família seja um espelho da Tua Família em Nazareth, que cada um, absolutamente, contribua para a união de todos pondo de lado diferenças, azedumes, queixas que afastam e escurecem o ambiente. Que os lares de cada um sejam luminosos e alegres.

Lembrar-me:
Cultivar a Fé

São Tomé, prostrado a Teus pés, disse-te: Meu Senhor e meu Deus!
Não tenho pena nem inveja de não ter estado presente. Tu mesmo disseste: Bem-aventurados os que crêem sem terem visto.
E eu creio, Senhor.
Creio firmemente que Tu és o Cristo Redentor que me salvou para a vida eterna, o meu Deus e Senhor a quem quero amar com todas as minhas forças e, a quem ofereço a minha vida. Sou bem pouca coisa, não sei sequer para que me queres mas, se me crias-te é porque tens planos para mim. Quero cumpri-los com todo o meu coração.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?

LEITURA ESPIRITUAL

COMENTANDO OS EVANGELHOS

São Mateus

Cap. XIX


1 Quando acabou de dizer estas palavras, Jesus partiu da Galileia e veio para a região da Judeia, na outra margem do Jordão. 2 Era seguido por grandes multidões e curou ali os seus doentes. 3 Alguns fariseus, para o experimentarem, aproximaram-se dele e disseram-lhe: «É permitido a um homem divorciar-se da sua mulher por qualquer motivo?» 4 Ele respondeu: «Não lestes que o Criador, desde o princípio, fê-los homem e mulher, 5 e disse: Por isso, o homem deixará o pai e a mãe e se unirá à sua mulher, e serão os dois um só? 6 Portanto, já não são dois, mas um só. Pois bem, o que Deus uniu não o separe o homem.» 7 Eles, porém, objectaram: «Então, porque é que Moisés preceituou dar-lhe carta de divórcio, ao repudiá-la?» 8 Respondeu Jesus: «Por causa da dureza do vosso coração, Moisés permitiu que repudiásseis as vossas mulheres; mas, ao princípio, não foi assim. 9 Ora Eu digo-vos: Se alguém se divorciar da sua mulher - excepto em caso de união ilegal - e casar com outra, comete adultério.» 10 Os discípulos disseram-lhe: «Se é essa a situação do homem perante a mulher, não é conveniente casar-se!» 11 Respondeu-lhes Jesus: «Nem todos compreendem esta linguagem, mas apenas aqueles a quem isso é dado. 12 Há eunucos que nasceram assim do seio materno, há os que se tornaram eunucos pela interferência dos homens e há aqueles que se fizeram eunucos a si mesmos, por amor do Reino do Céu. Quem puder compreender, compreenda.» 13 Apresentaram-lhe, então, umas crianças, para que lhes impusesse as mãos e orasse por elas, mas os discípulos repreenderam-nos. 14 Jesus disse-lhes: «Deixai as crianças e não as impeçais de vir ter comigo, pois delas é o Reino do Céu.» 15 E, depois de lhes ter imposto as mãos, prosseguiu o seu caminho. 16 Aproximou-se dele um jovem e disse-lhe: «Mestre, que hei-de fazer de bom, para alcançar a vida eterna?» 17 Jesus respondeu-lhe: «Porque me interrogas sobre o que é bom? Bom é um só. Mas, se queres entrar na vida eterna, cumpre os mandamentos.» 18 «Quais?» - perguntou ele. Retorquiu Jesus: Não matarás, não cometerás adultério, não roubarás, não levantarás falso testemunho, 19 honra teu pai e tua mãe; e ainda: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. 20 Disse-lhe o jovem: «Tenho cumprido tudo isto; que me falta ainda?» 21 Jesus respondeu: «Se queres ser perfeito, vai, vende o que tens, dá o dinheiro aos pobres e terás um tesouro no Céu; depois, vem e segue-me.» 22 Ao ouvir isto, o jovem retirou-se contristado, porque possuía muitos bens. 23 Jesus disse, então, aos discípulos: «Em verdade vos digo que dificilmente um rico entrará no Reino do Céu. 24 Repito-vos: É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha, do que um rico entrar no Reino do Céu.» 25 Ao ouvir isto, os discípulos ficaram estupefactos e disseram: «Então, quem pode salvar-se?» 26 Fixando neles o olhar, Jesus disse-lhes: «Aos homens é impossível, mas a Deus tudo é possível.» 27 Tomando a palavra, Pedro disse-lhe: «Nós deixámos tudo e seguimos-te. Qual será a nossa recompensa?» 28 Jesus respondeu-lhes: «Em verdade vos digo: No dia da regeneração de todas as coisas, quando o Filho do Homem se sentar no seu trono de glória, vós, que me seguistes, haveis de sentar-vos em doze tronos para julgar as doze tribos de Israel. 29 E todo aquele que tiver deixado casas, irmãos, irmãs, pai, mãe, filhos ou campos por causa do meu nome, receberá cem vezes mais e terá por herança a vida eterna. 30 Muitos dos primeiros serão os últimos, e muitos dos últimos serão os primeiros.»

Comentários:

3-12 -
É preciso ter bem presente que o matrimónio consiste fundamentalmente num compromisso - de amor e nunca de conveniência -livremente assumido por duas pessoas com capacidade de decisão, ou seja, inteiramente responsáveis pelos seus actos. Assim se compreende porque o matrimónio deve ser indissolúvel.
Como «o decurso do tempo que consome os corpos e ameaça azedar os caracteres, a monotonia dos dias, aparentemente sempre iguais» [i] são uma realidade tão difícil, por vezes, de enfrentar! E, no entanto, enquanto amamos o nosso marido, a nossa mulher com um amor inteiro, incondicional somos capazes dos maiores disparates, discussões estéreis, conflitos de escassa importância, amuos que nos doem e fazem mal. Depois vem o orgulho pessoal que nos insinua: não... desta vez não cedo... não sou eu quem tem de pedir desculpas! Não deixemos passar o tempo, um dia sequer, sem resolver a situação. Quanto mais tempo levar-mos até o fazermos mais nos custará.
Mais que uma declaração formal sobre a indissolubilidade do matrimónio Jesus dá uma lição cabal e iniludível. Casar-se ou não se casar é uma decisão que não pode ser tomada “de ânimo leve” mas que deve considerar as obrigações emergentes do acto, a principal das quais é, sem dúvida, a fidelidade. A fidelidade conjugal é obrigação mútua, do homem como da mulher, e não há casamento que subsista sem a sua observância. A fidelidade conjugal tem a ver em primeiro lugar com o respeito pelo outro e, evidentemente que o amor sem este respeito, profundo, total não vinga nem cresce, antes diminui e acaba por desaparecer. O cônjuge que falta ao respeito ao outro, falta simultaneamente ao respeito a si próprio e falta – gravissimamente – a Deus que abençoou o matrimónio.
Quase que apetece não ler mais estes trechos do Evangelho escrito por São Mateus, porque temos de fazer um esforço para vencer a repulsa que sentimos por esta gente maldosa, cheia de preconceitos, sempre procurando uma oportunidade ou ensejo para atacar e apoucar Jesus. Mas, depois, reparamos no exemplo que nos dá, de simplicidade humilde, respondendo, esclarecendo naturalmente em benefício de todos os outros que precisam de conhecer a verdade tal qual é.

6-26 -
Jesus Cristo deixa muito claro que a salvação eterna do homem depende única e exclusivamente de Deus que a deseja veementemente. Mas, Ele nunca irá contra a livre vontade do homem e, portanto, é forçoso que este deseje e queira realmente ser alvo. Só há um caminho a seguir: O que Jesus nos indicou e mereceu com a Sua Morte e Ressurreição: Fazer, em tudo, a Vontade de Deus que pode resumir-se numa palavra: AMOR a Deus e ao próximo. Sim, o AMOR salva!

13-15 –
Quem - alguma vez na vida - não desejou ser como criança? Alguma vez, é possível - para obviar a responsabilidade ou tomar decisões importantes, mas outras, que são as que interessam, para melhor seguir Cristo e fazer a Vontade de Deus. No fim e ao cabo, entregar-se com toda a confiança.
Como criança pequena acolho-me, refugio-me nos Teus braços fortes de Irmão mais velho. Tu indicar-me-ás o que fazer, em cada momento, levar-me-ás sempre contigo para onde fores, não deixarás que me perca ou detenha em coisas que não sejam essenciais. ConT’igo tenho a firme certeza que pisarei caminhos de salvação. Infelizmente rebelo-me muitas vezes contra Ti! Senhor, eu não sei o que faço, não me despeças da Tua companhia.
Jesus Cristo afirma que o Reino do Céu é das crianças. Então, para termos a certeza que participaremos desse Reino, não temos outro caminho que tentar ser como as crianças, na inocência, pureza de coração, sem vícios ou amarras a conceitos, dóceis e dúcteis a quem deseja ensinar-nos a verdade, sem ambições de ter ou possuir e, - sempre – com o coração disposto para amar a todos. E, atenção, ser como uma criança não é ser infantil, bem ao contrário, é confiar conscientemente, entregar-se sem reservas nem condições, ouvir quando nos chamam e procurar entender o que não compreendemos.

16-22 -
Jesus Cristo conhece perfeitamente todos os homens, o que são, o que fazem, os seus desejos mais íntimos, as fragilidades e defeitos. Assim, na resposta que dá ao jovem vai "direito" ao "nervo" da questão. De facto, poderia ter respondido simplesmente à pergunta 'o que me falta': 'Falta-te desrendimento’.  Ter muito ou ter pouco não interessa, o que vale é que isso não seja nem prisão nem condicionante da nossa vida, do nosso querer.
O desprendimento dos bens terrenos é, realmente, algo difícil de conseguir. Muito ou pouco, o que temos não pode passar de meios e não objectivos. Mas existe algum mal na riqueza pessoal? Não, evidentemente, o mal poderá estar no que fazemos com ela, tal como o bem que poderemos espalhar à nossa volta. Lembremo-nos do episódio da “Viúva Pobre” que deu quanto tinha - e era tão pouco - e como o Senhor louvou a atitude da mulher.Mas, nos dias de hoje em que parece haver uma agitação febril mais ou menos generalizada pela posse de bens – por vezes usando métodos profundamente errados ou, pelo menos, pouco sérios – existem muitas pessoas que, que vivem o desprendimento como uma “norma de conduta” pessoal. Estas pessoas – cada um de nós conhece alguém nestas circunstâncias – são extraordinariamente felizes e, na verdade, dizem sempre que “não lhes falta nada”. Não conseguiremos o desprendimento que devemos ambicionar sem imitarmos Cristo e, imitar Cristo, é – no fim e ao cabo – a desejo de qualquer cristão.

23-30-
Acreditar firmemente que a Deus nada é impossível deve dar-nos a segurança necessária para encarar os factos da vida com coragem e determinação. Nada é inevitável, coisa alguma é imprescindível. Tudo deve ser para bem. Com esta disposição a riqueza será um bem porque permitirá fazê-lo, tal como a escassez que nos levará oferecê-la. Nos dois casos, portanto, poderá haver mérito e é conveniente que o haja porque dele depende a nossa salvação.
O comentário dos discípulos infere uma verdade indiscutível: o homem, por natureza, procura os bens materiais. É absolutamente legítimo e deve ser assim mesmo para bem do próprio e dos outros com quem partilhar o que possui. Daqui que inferir que Jesus Cristo é contra a riqueza ou a posse de bens, é absolutamente errado. Uma coisa é querer, desejar e, até, tudo fazer para conseguir bens, outra é tornar esse desejo ou actuação no principal objectivo da vida como o mais importante e o que está em primeiro lugar.

27-29 -
Quem deixa tudo para seguir alguém sabe que o eventual sacrifício e obstáculos que se seguirão valem a pena. Fá-lo com os olhos e, principalmente, o coração posto num futuro radioso, num prémio extraordinário. Seguir Jesus é ter como certeza que o nosso futuro e prémio valem muito e excedem todas as expectativas.
Este trecho de São Mateus parece conter uma resposta de Jesus à Mãe de Tiago e João que lhe pedia um lugar "especial" para os seus filhos no Reino dos Céus. De facto, não apenas aqueles dois, mas todos os doze ocuparão esses tronos de glória e poder. A entrega a Deus, total e sem condições, terá um prémio cuja grandeza e excelência não conseguimos abarcar.
Jesus afirma a Pedro que «… receberá cem vezes mais»! O que quer dizer, nesta vida terrena, os que deixarem tudo para seguir Cristo, serão recompensados de forma magnânima. Assim é, de facto, pergunte-se a qualquer um – ou uma – o que lhes falta e obter-se-á, como resposta, que têm muito mais que o que precisam, que nada lhes falta. E, sobretudo, têm algo a que todo o ser humano aspira: são felizes!
A magnanimidade do Senhor fica aqui bem expressa: Nada menos que sentados em tronos revestidos da dignidade de juízes! Doze homens que revolucionaram o mundo pela sua fidelidade e amor a Jesus Cristo. Quanto lhes devemos!


(AMA, 2018)






[i] (São Josemaria, Cristo que Passa, 24)