06/04/2020

PANDEMIA – A SOLUÇÃO



Jesus Cristo interroga-nos permanentemente: «Que queres que te faça?» (Mc 10, 51).

Bartimeu - com inteira franqueza e fé absoluta respondeu: «Mestre, quero ver!»

Nós podemos responder: - Senhor livra-nos da Pandemia!

Se o fizermos – todos – o clamor do nosso pedido não será ignorado porque foi Ele Quem nos perguntou: «Que queres que te faça?»

(AMA, reflexões, 2020)

Temas para reflectir e meditar


Mortificação


As mortificações exteriores são uma grande ajuda na conquista da mortificação interior e outras virtudes.






(São Filipe de Néri - Máximas, F.W.Faber, Cromwell Press SN12 8PH, nr. 24 – 39, trad AMA)




LEITURA ESPIRITUAL

COMENTANDO OS EVANGELHOS

São Mateus
Cap VI
1 «Guardai-vos de fazer as vossas boas obras diante dos homens, para vos tornardes notados por eles; de outro modo, não tereis nenhuma recompensa do vosso Pai que está no Céu. 2 Quando, pois, deres esmola, não permitas que toquem trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas, nas sinagogas e nas ruas, a fim de serem louvados pelos homens. Em verdade vos digo: Já receberam a sua recompensa. 3  Quando deres esmola, que a tua mão esquerda não saiba o que faz a tua direita, 4 a fim de que a tua esmola permaneça em segredo; e teu Pai, que vê o oculto, há-de premiar-te.» 5 «Quando orardes, não sejais como os hipócritas, que gostam de rezar de pé nas sinagogas e nos cantos das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo: já receberam a sua recompensa. 6 Tu, porém, quando orares, entra no quarto mais secreto e, fechada a porta, reza em segredo a teu Pai, pois Ele, que vê o oculto, há-de recompensar-te. 7 Nas vossas orações, não sejais como os gentios, que usam de vãs repetições, porque pensam que, por muito falarem, serão atendidos. 8 Não façais como eles, porque o vosso Pai celeste sabe do que necessitais antes de vós lho pedirdes.» 9 «Rezai, pois, assim: ‘Pai nosso, que estás no Céu, santificado seja o teu nome, 10 venha o teu Reino; faça-se a tua vontade, como no Céu, assim também na terra. 11 Dá-nos hoje o nosso pão de cada dia; 12 perdoa as nossas ofensas, como nós perdoámos a quem nos tem ofendido; 13 e não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do Mal.’ 14 Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também o vosso Pai celeste vos perdoará a vós. 15 Se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, também o vosso Pai vos não perdoará as vossas.» 16 «E, quando jejuardes, não mostreis um ar sombrio, como os hipócritas, que desfiguram o rosto para que os outros vejam que eles jejuam. Em verdade vos digo: já receberam a sua recompensa. 17 Tu, porém, quando jejuares, perfuma a cabeça e lava o rosto, 18 para que o teu jejum não seja conhecido dos homens, mas apenas do teu Pai que está presente no oculto; e o teu Pai, que vê no oculto, há-de recompensar-te.» 1 9«Não acumuleis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem os corroem e os ladrões arrombam os muros, a fim de os roubar. 20 Acumulai tesouros no Céu, onde a traça e a ferrugem não corroem e onde os ladrões não arrombam nem furtam. 21 Pois, onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração. 22 A lâmpada do corpo são os olhos; se os teus olhos estiverem sãos, todo o teu corpo andará iluminado. 23 Se, porém, os teus olhos estiverem doentes, todo o teu corpo andará em trevas. Portanto, se a luz que há em ti são trevas, quão grandes serão essas trevas! 24 Ninguém pode servir a dois senhores: ou não gostará de um deles e estimará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro.» 25 «Por isso vos digo: Não vos inquieteis quanto à vossa vida, com o que haveis de comer ou beber, nem quanto ao vosso corpo, com o que haveis de vestir. Porventura não é a vida mais do que o alimento, e o corpo mais do que o vestido? 26 Olhai as aves do céu: não semeiam nem ceifam nem recolhem em celeiros; e o vosso Pai celeste alimenta-as. Não valeis vós mais do que elas? 27 Qual de vós, por mais que se preocupe, pode acrescentar um só côvado à duração de sua vida? 28 Porque vos preocupais com o vestuário? Olhai como crescem os lírios do campo: não trabalham nem fiam! 29 Pois Eu vos digo: Nem Salomão, em toda a sua magnificência, se vestiu como qualquer deles. 30 Ora, se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã será lançada ao fogo, como não fará muito mais por vós, homens de pouca fé? 31 Não vos preocupeis, dizendo: ‘Que comeremos, que beberemos, ou que vestiremos?’ 32 Os pagãos, esses sim, afadigam-se com tais coisas; porém, o vosso Pai celeste bem sabe que tendes necessidade de tudo isso. 33 Procurai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça, e tudo o mais se vos dará por acréscimo. 34 Não vos preocupeis, portanto, com o dia de amanhã, pois o dia de amanhã já terá as suas preocupações. Basta a cada dia o seu problema.»

Comentário:

1-6. 6,18 –

     Na sequência do discurso anterior - ser sal da terra e luz do mundo - Jesus vem, de certo modo completar o que disse.

Não há, nem podia haver, nenhuma contradição, tão só uma vigorosa chamada de atenção para o são critério e rectidão de intenção dos nossos actos.

Ser visto pelos outros como exemplo a seguir é muito diferente que desejar ser visto pelos outros para ser admirado e louvado.
  
     Nunca será demais lembramos que e o que fazemos tem como que dois “espectadores.
Os homens: nossos iguais, e Deus Nosso Senhor e Criador.

Sendo assim, a aquém pretendemos agradar com os nossos actos?
Quem procuramos que nos aceite o que fazemos como algo válido e com recta intenção?

Parece que a resposta é simples: o “expectador que nos interessa é Deus Nosso Senhor porque só dele virá o prémio que pode servir para a nossa salvação.

Dos homens, pode mos, talvez, esperar admiração, mas isso… de que nos servirá?

      A recta intenção.
A quem podem interessar as boas obras que fazemos?
Em primeiro lugar, a Deus Nosso Senhor que, de facto, não espera outra coisa de nós para nos dar o justo prémio.
E, depois, aos outros para que lhes sirvam de exemplo.

Qual será a nossa escolha?

Na verdade, devemos escolher as duas porque se precisamos de agradar a Deus também é nosso dever dar bom exemplo.

O que interessa é a intenção: obter um prémio divino ou uma consolação terrena?

     Pensemos bem e com honestidade e talvez concluamos que muitas coisas que temos e outras que gostaríamos de ter são absolutamente dispensáveis.

Todo este trecho do Evangelho tem   no seu começo a verdadeira lição que o Senhor pretendia dar aos seus discípulos a todos nós: 
     Este tema abordado por Jesus Cristo é de enorme importância como regra de conduta para todos os cristãos.
As nossas boas obras devem ter como primeiro objectivo agradar a Deus, mas, têm de ser exemplo para os outros.

A naturalidade e contenção com que as praticamos deverão, por isso mesmo, estar em evidência de tal forma que outros sejam levados a imitar-nos.


7-15 –
     Humanamente não é possível comentar este trecho do Evangelho porque é uma oração divina!

Analisada em detalhe durante séculos por gentes de todas as idades e graus de cultura todos chegam à mesma conclusão:

O Pai-Nosso é uma oração completa e total.

Contém tudo, absolutamente, o que precisamos dizer ao nosso Pai do Céu.

Descreve tudo, absolutamente, o que Ele deseja que façamos.
  
     Todas as orações  que possamos fazer, por mais belas, cheias de significado ou piedosas, ficarão aquém do Pai-Nosso ensinado directamente por Jesus Cristo.


Contém tudo quanto devemos dizer quando nos dirigimos a Deus.



Louvor, petição, promessa, compromisso.



Sendo Universal, é eminentemente pessoal porque se trata da conversa de um filho com o seu Pai.


     Milhões de páginas escritas por eminentes pensadores, glosas e comentários sobre o “Pai Nosso” têm sido objecto da nossa admiração ao longo dos tempos.

Não admira, trata-se de uma oração divina ensinada pelo próprio Jesus Cristo e a única coisa que temos de fazer é ter bem presente que foi Ele mesmo que nos disse: «Rezai, pois, assim».

Todas as orações por belas e maravilhosas que possam ser não têm uma pálida semelhança com o “Pai Nosso”.

As nossas orações, fruto da nossa Fé e da nossa Piedade, são humanas e, sem dúvida, agradáveis a Deus.

O “Pai Nosso” é, - digamos -  como que o “remate” final que consubstancia em si mesmo quanto precisamos pedir, invocar, dizer.

Seja esta oração divina a oração cristã por excelência e estaremos, seguramente, no caminho certo para chegar ao íntimo de Deus Nosso Senhor.

      Perdão e Amor, Amar e Perdoar!

O Senhor insiste repetidamente nestes dois "suportes" da vida do cristão.

E, de facto, o Perdão e o Amor andam a par.

Cristo nosso Irmão e Exemplo não fez outra coisa neste mundo: amou a todos a todos perdoou.

     Não se pode rezar esta oração – o Pai-Nosso - sem ter bem consciência de que são palavras divinas as que pronunciamos.

Por isso mesmo todo o respeito e atenção devem estar presentes sem o que não será nem autêntica nem eficaz, mas mero papaguear que o Senhor não terá em conta.

     Por vezes não alcançamos que nós, os cristãos, dispomos de uma oração ensinada pelo próprio Jesus Cristo.
Se nos detivéssemos - por breves momentos que fosse - a pensar nisto, com que intensidade rezaríamos!

Uma oração que o próprio Deus e Senhor ensinou deve ser, com toda a certeza, aquela que Lhe é mais agradável e irá mais "directamente" ao Seu Coração de Pai Amantíssimo.

Pensemos, sobretudo, que Ele nos ensinou a dizer «PAI NOSSO» e não «meu Pai», o que, quer dizer que sempre que o rezamos estamos unidos a todos os homens Seus filhos.

19-23 –
     O que é meu!

Constantemente nos ocorre esta consideração e não só quanto aos bens que possuímos, os que gostaríamos de ter, mas a conta em que nos temos, os nossos predicados, inteligência, cultura, sabedoria.

Temos muitas coisas ou, melhor, julgamos ter e ambicionando sempre por mais.

Ter não significa possuir - no verdadeiro detido do termo - mas tão só que nos foi dada a possibilidade de usufruir de algo durante algum tempo que será, no máximo, o que durar a nossa vida terrena.

Depois nada teremos porque não precisaremos absolutamente de nada.

     Quantos pecados têm a sua “origem” no olhar.

Lembremos um dos mais conhecidos de todos os tempos, o pecado de David.


As consequências de ter detido o seu olhar numa cena íntima e reservada foram terríveis, desde o assassínio congeminado de Urias, até a própria morte do seu filho e herdeiro.


Olhar, ver, são bem diferentes de mirar.


Aqueles podem ser naturais e como que automáticos, este, é sempre um acto declarado, voluntário e, por isso, mesmo, responsável.

      No cofre do nosso coração guardamos o nosso maior Tesouro:

A nossa Fé!

Guardemo-la com avareza autêntica, mais, esforcemo-nos por aumentá-lo até não caber mais e termos reservas suficientes para toda a nossa vida.

     Ter, ter, ter!
A vida de muitos - inclusive cristãos - parece resumir-a esse objectivo.
Somos capazes de enormes esforços e até sacrifícios para o conseguir.

Lembro-me da homilia que um sacerdote inglês pronunciou numa Missa de Domingo em Malta em 2016.
O título era: o que eu quero e o que eu preciso.
Foi uma homilia notável porque despertou questões que raramente nos ocorrem que poderiam resumir-se assim:

‘Preciso realmente disto que quero ou é apenas um capricho?’

     O que o Senhor pretende com este discurso é fundamentalmente transmitir-nos dois princípios basilares de toda Vida  Cristã:


Primeiro ter ordenadas as prioridades, saber se o que queremos é de facto o que necessitamos, depois ter confiança ilimitada na providência divina.


Uma vez postos os meios que dispomos, confiar que o Senhor providenciará o que faltar.

24-34 -
     O Senhor continua a insistir no desprendimento pessoal e na confiança na providência divina.

O pão nosso de cada dia não é o que pedimos na oração por excelência?

Mas vai mais longe garantindo que o nosso Pai celeste sabe muito bem o que necessitamos e não deixará de providenciar.

A cada dia a sua preocupação, não vivamos obcecados pelo futuro que não sabemos se haverá, façamos antes o que devemos fazer e quando devemos.


53-56
     Não é a primeira vez que um Evangelista refere cenas como esta. Deveria ser algo impressionante naqueles tempos tão recuados em que as doenças e defeitos físicos alastravam por toda a parte, ver como as pessoas acorriam cheias de esperança e confiança ao encontro de Jesus.

Alguns até referem que bastava a Sua sombra para ficarem curados.

E, hoje em dia? Não assistimos a essas multidões que acorrem em busca de cura - para os males físicos e espirituais - a tantos lugares em que, por uma graça especial de Deus elas ocorrem com tanta frequência como por exemplo: Fátima ou Lourdes?

Porque, de facto, o médico divino nunca deixa de atender quem O procura.


Tu és sal, alma de apóstolo


Tu és sal, alma de apóstolo. – "Bonum est sal" – o sal é bom, lê-se no Santo Evangelho; "si autem sal evanuerit" – mas se o sal se desvirtua... de nada serve, nem para a terra, nem para o esterco; deita-se fora como inútil. Tu és sal, alma de apóstolo. – Mas se te desvirtuas... (Caminho, 921)

Os católicos têm de andar pela vida como apóstolos: com luz de Deus, com sal de Deus. Sem medo, com naturalidade, mas com tal vida interior, com tal união com Nosso Senhor, que iluminem, que evitem a corrupção e as sombras, que repartam o fruto da serenidade e a eficácia da doutrina cristã. (Forja, 969)

Em momentos de desorientação geral, quando clamas ao Senhor pelas suas almas!, parece que não te ouve, que está surdo aos teus apelos. Inclusivamente chegas a pensar que o teu trabalho apostólico é vão.
– Não te preocupes! Continua a trabalhar com a mesma alegria, com a mesma vibração, com o mesmo afinco. Permite-me que insista: quando se trabalha por Deus, nada é infecundo! (Forja, 978)

– Filho: todos os mares deste mundo são nossos, e lá onde a pesca é mais difícil é também mais necessária. (Forja, 979)

Com a tua doutrina de cristão, com a tua vida íntegra e com o teu trabalho bem feito, tens que dar bom exemplo, no exercício da tua profissão e no cumprimento dos deveres do teu cargo, aos que te rodeiam: os teus parentes, os teus amigos, os teus companheiros, os teus vizinhos, os teus alunos... – Não podes ser um embusteiro (Forja, 980).

Pequena agenda do cristão

SeGUNDa-Feira

PEQUENA AGENDA DO CRISTÃO

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Sorrir; ser amável; prestar serviço.

Senhor que eu faça "boa cara" que seja alegre e transmita aos outros, principalmente em minha casa, boa disposição.

Senhor que eu sirva sem reserva de intenção de ser recompensado; servir com naturalidade; prestar pequenos ou grandes serviços a todos mesmo àqueles que nada me são. Servir fazendo o que devo sem olhar à minha pretensa “dignidade” ou “importância” “feridas” em serviço discreto ou desprovido de relevo, dando graças pela oportunidade de ser útil.

Lembrar-me:
Papa, Bispos, Sacerdotes.

Que o Senhor assista e vivifique o Papa, santificando-o na terra e não consinta que seja vencido pelos seus inimigos.

Que os Bispos se mantenham firmes na Fé, apascentando a Igreja na fortaleza do Senhor.

Que os Sacerdotes sejam fiéis à sua vocação e guias seguros do Povo de Deus.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?







05/04/2020

Temas para meditar e reflectir

As coisas de sempre

O que são “as coisas de sempre”?

Não parece haver grandes dúvidas: é tudo aquilo que acontece na nossa vida – que nos acontece – e que somos levados a julgar, por vezes como novidade, um facto novo que tem de ser encarado numa perspectiva única, mas que, realmente, depois de nos determos um pouco, verificamos que é como que uma repetição de algo que já aconteceu, com que nos deparámos.


Porque, na nossa vida, as “coisas de sempre” repetem-se com um ritmo às vezes assustador, porque pensamos que “tal fase já passou” e nos surpreendemos quando volta a acontecer exactamente o mesmo passado – às vezes – bastante tempo.


Porquê?

Pela maravilha que é a nossa mente, imaginação, memória, recordações…


E, o interessante e benéfico, é tentar lembrar com, na altura, lidámos com essa situação, se a resolvemos ou, cobardemente, às vezes, resolvemos ignorá-la e deixar para mais tarde a solução.


Devemos encarar esta realidade como uma nova oportunidade de rever algo que considerávamos, talvez, esquecido ou solucionado.


Deus dá sempre novas oportunidades ao homem para que solucione as questões por resolver.


A Magnanimidade divina vai ao ponto de “esperar” sem “pressas” que tal aconteça.


Há que estar atento e não desperdiçar essa extraordinária benesse.

AMA, reflexões, 20.07.2018


LEITURA ESPIRITUAL

COMENTANDO OS EVANGELHOS

SÃO MATEUS

Cap V


1 Ao ver a multidão, Jesus subiu a um monte. Depois de se ter sentado, os discípulos aproximaram-se dele. 2 Então tomou a palavra e começou a ensiná-los, dizendo: 3 «Felizes os pobres em espírito, porque deles é o Reino do Céu. 4 Felizes os que choram, porque serão consolados. 5 Felizes os mansos, porque possuirão a terra. 6 Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. 7 Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. 8 Felizes os puros de coração, porque verão a Deus. 9 Felizes os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus. 10 Felizes os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o Reino do Céu. 11 Felizes sereis, quando vos insultarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o género de calúnias contra vós, por minha causa.12 Exultai e alegrai-vos, porque grande será a vossa recompensa no Céu; pois também assim perseguiram os profetas que vos precederam.» 13«Vós sois o sal da terra. Ora, se o sal se corromper, com que se há-de salgar? Não serve para mais nada, senão para ser lançado fora e ser pisado pelos homens. 14 Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre um monte; 15 nem se acende a candeia para a colocar debaixo do alqueire, mas sim em cima do candelabro, e assim alumia a todos os que estão em casa. 16 Assim brilhe a vossa luz diante dos homens, de modo que, vendo as vossas boas obras, glorifiquem o vosso Pai, que está no Céu.» 17 «Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas. Não vim revogá-los, mas levá-los à perfeição. 18 Porque em verdade vos digo: Até que passem o céu e a terra, não passará um só jota ou um só ápice da Lei, sem que tudo se cumpra. 19 Portanto, se alguém violar um destes preceitos mais pequenos, e ensinar assim aos homens, será o menor no Reino do Céu. Mas aquele que os praticar e ensinar, esse será grande no Reino do Céu. 20 Porque Eu vos digo: Se a vossa justiça não superar a dos doutores da Lei e dos fariseus, não entrareis no Reino do Céu.» 21 «Ouvistes o que foi dito aos antigos: Não matarás. Aquele que matar terá de responder em juízo. 22 Eu, porém, digo-vos: Quem se irritar contra o seu irmão será réu perante o tribunal; quem lhe chamar ‘imbecil’ será réu diante do Conselho; e quem lhe chamar ‘louco’ será réu da Geena do fogo. 23 Se fores, portanto, apresentar uma oferta sobre o altar e ali te recordares de que o teu irmão tem alguma coisa contra ti, 24 deixa lá a tua oferta diante do altar, e vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão; depois, volta para apresentar a tua oferta. 25 Com o teu adversário mostra-te conciliador, enquanto caminhardes juntos, para não acontecer que ele te entregue ao juiz e este à guarda e te mandem para a prisão. 26 Em verdade te digo: Não sairás de lá até que pagues o último centavo.» 27«Ouvistes o que foi dito: Não cometerás adultério. 28 Eu, porém, digo-vos que todo aquele que olhar para uma mulher, desejando-a, já cometeu adultério com ela no seu coração. 29 Portanto, se a tua vista direita for para ti origem de pecado, arranca-a e lança-a fora, pois é melhor perder-se um dos teus órgãos do que todo o teu corpo ser lançado à Geena. 30 E se a tua mão direita for para ti origem de pecado, corta-a e lança-a fora, porque é melhor perder-se um só dos teus membros do que todo o teu corpo ser lançado à Geena.» 31«Também foi dito: Aquele que se divorciar da sua mulher, dê-lhe documento de divórcio. 32 Eu, porém, digo-vos: Aquele que se divorciar da sua mulher - excepto em caso de união ilegal - expõe-na a adultério, e quem casar com a divorciada comete adultério.» 33 «Do mesmo modo, ouvistes o que foi dito aos antigos: Não perjurarás, mas cumprirás diante do Senhor os teus juramentos. 34 Eu, porém, digo-vos: Não jureis de maneira nenhuma: nem pelo Céu, que é o trono de Deus, 35 nem pela Terra, que é o estrado dos seus pés, nem por Jerusalém, que é a cidade do grande Rei. 36 Não jures pela tua cabeça, porque não tens poder de tornar um só dos teus cabelos branco ou preto. 37 Seja este o vosso modo de falar: Sim, sim; não, não. Tudo o que for além disto procede do espírito do mal.» 38 «Ouvistes o que foi dito: Olho por olho e dente por dente. 39 Eu, porém, digo-vos: Não oponhais resistência ao mau. Mas, se alguém te bater na face direita, oferece-lhe também a outra. 40 Se alguém quiser litigar contigo para te tirar a túnica, dá-lhe também a capa. 41 E se alguém te obrigar a acompanhá-lo durante uma milha, caminha com ele duas. 42 Dá a quem te pede e não voltes as costas a quem te pedir emprestado.» 43 «Ouvistes o que foi dito: Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo. 44 Eu, porém, digo-vos: Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem. 45 Fazendo assim, tornar-vos-eis filhos do vosso Pai que está no Céu, pois Ele faz com que o Sol se levante sobre os bons e os maus e faz cair a chuva sobre os justos e os pecadores. 46 Porque, se amais os que vos amam, que recompensa haveis de ter? Não fazem já isso os cobradores de impostos? 47 E, se saudais somente os vossos irmãos, que fazeis de extraordinário? Não o fazem também os pagãos? 48 Portanto, sede perfeitos como é perfeito o vosso Pai celeste.»

Comentários:
1-11
Este trecho do Evangelho que São Mateus escreveu encerra a descrição de algo que, poderíamos pensar, um pouco insólito. Porquê Jesus Cristo Se sujeitou a tal? «O Espírito conduziu-O ao deserto, a fim de ser tentado pelo Diabo.» A resposta está em que a Pessoa humana do Salvador não quer eximir-Se a nada a que os Seus irmãos – os homens – estão sujeitos e, isto, principalmente, para dar exemplo. Parece evidente que este episódio foi revelado aos Apóstolos pelo próprio Mestre, pois não haveria outra forma de dele tomarem conhecimento. Como poderia o demónio tentar o Senhor que não tinha nem defeito nem pecado algum? Só o pode fazer porque o próprio Jesus - propositadamente - lhe deu o ensejo para tal: «Jejuou quarenta dias e quarenta noites e, por fim, teve fome.» Fica, pois, claro que a tentação aparece pelos sinais que damos de fraqueza ou desejo. Atenção, pois!
É interessante verificar que os primeiros discípulos – mais tarde Apóstolo – que Jesus escolhe sejam quatro irmãos – Pedro e André, Tiago e João e além disso com a mesma profissão: pescadores.

12-17 -

Com a prisão do Baptista termina a sua missão de percursor e Jesus Cristo, dá início à missão que O trouxe à terra. Esta missão sublime – a instauração do Reino de Deus – constituirá todo um trabalho exaustivo, sem qualquer descanso ou repouso. Reunirá à Sua volta multidões vindas de todos os lados atraídas pela fama dos seus milagres, da Sua pregação simples e verdadeira dirigida a todos os homens, a Sua figura de homem comum com uma sabedoria e predicados que nunca tinham visto arrastam e convencem. De tal forma Sua pregação e doutrina arrastam e convencem que gerará um conflito quase permanente com os chefes do povo e, de um modo particular, a classe dos fariseus.
Avulta neste trecho do Evangelhos escrito por São Mateus uma muito singular atitude de Jesus que será para todos os cristãos - particularmente - uma norma de conduta a seguir: A Prudência! Não ser prudente e ponderado nas acções e atitudes pode constituir como que um desafio - quase sempre desnecessário - ou, também, o que é pior, orgulho sem sentido. Ser prudente não se opõe á coragem nem á determinação de fazer o que é correcto e necessário, antes, ser ponderado nas decisões e actos.

12-23 -
Os quatro têm a mesma reacção ao convite de Jesus: deixam tudo e seguem-N’o. Esta prontidão na resposta ao convite-desafio do Senhor dá-nos que pensar a nós tão renitentes - por vezes – em seguir os convites que, ao longo da vida, o Senhor nos vai fazendo. Temos muitas coisas, afazeres, obrigações… há que pensar, que avaliar, fazer o que se costuma dizer: “deitar contas à vida”. A demora na resposta pode comprometer definitivamente toda a nossa vida porque, quando o Senhor chama, é sempre urgente, imperioso, responder.  A simples promessa «Eu vos farei pescadores de homens» parece um atractivo talvez vago ou pouco assertivo, mas é, com certeza, um desafio extraordinário que os quatro não hesitaram em aceitar.
Com a morte de João Baptista acaba o tempo da preparação, dos profetas, e começa o tempo da redenção anunciada ao longo dos séculos. O "anunciado", o Salvador, já está presente no mundo, disposto a iniciar a Sua tarefa redentora: a instauração do Reino de Deus entre os homens. Sem alaridos nem manifestações espectaculares começa por escolher os que O irão acompanhar nessa "aventura" de amor e que serão os futuros alicerces da sua igreja. Agora como então, Jesus continua a convidar, a sugerir, a mostrar o caminho para a vida - que é Ele próprio -, diz-nos claramente que Ele é esse caminho e que seguir após Ele é a segurança que necessitamos.

18-22 -
A Santa Igreja celebra hoje a memória do Apóstolo Santo André e apresenta-nos este trecho do Evangelho escrito por São Mateus que descreve com enorme simplicidade o chamamento feito por Cristo. O que Jesus propôs aqueles simples pescadores, não foi mudarem de profissão – por assim dizer – continuariam a ser pescadores só que, o “peixe”, seriam homens. Deixariam de procurar alimento no mar, servindo-se de redes e barcos, para passarem a dar alimento, eles próprios, a todos os homens servindo-se da palavra, do exemplo, do apostolado. A palavra apostolado que deriva exactamente de apóstolo, significa por isso trabalho de apóstolo e, a este trabalho, também o Senhor nos convoca – a todos os cristãos – num mandato simples e claro que não oferece nem dúvidas ou reticências.
Impressiona a simplicidade de algo tão transcendente com é o chamamento dos quatro primeiros Apóstolos. Não há um discurso, uma explicação o traçar de um plano de acção. O Senhor, que sabe tudo, sabia que a resposta seria pronta, imediata, completa total. Há com certeza algum conhecimento prévio da pessoa de Jesus, os quatro irmãos deveriam ter falado disso com detalhe, mas, não obstante, estariam longe de supor que este convite inopinado lhes seria feito. As pessoas simples, de espírito aberto e coração puro, abraçam sem titubear os convites que reconhecem instantaneamente como sendo algo radical que mudará as suas vidas para sempre porque, também de imediato, reconhecem em Quem os convida, uma autoridade e grandeza a que não podem resistir. Não “jogam, portanto, no escuro”, mas com a certeza e confiança que estão fazendo o que de facto lhes convém.
     Os Evangelhos dizem pouco sobre o Apóstolo Santo André cuja festa celebramos hoje. Um Apóstolo sem relevo? De modo nenhum! Cada um dos Doze está sentado a julgar uma das doze tribos de Israel. Foi o Senhor Quem o afirmou. A fidelidade e obediência a Jesus são das principais características destes homens simples mas que mereceram o chamamento pessoal do próprio Salvador. Faz alguma impressão estas escolhas de Jesus: homens modestos, com pouca cultura, sem qualquer relevo na sociedade de então. Mas, como André, quase todos deram a vida pelo Mestre propagando o Reino de Deus tal como era o mandato de Cristo.

(AMA, 2018)

PANDEMIA - 11

GENUÍNO

O Amor deve brotar do fundo do coração, do mais íntimo do nosso ser.

Assim, não pode estranhar-se que manifeste com visibilidade exterior o que o move.

«Ao vê-la a chorar e os judeus que a acompanhavam a chorar também, Jesus suspirou profundamente e comoveu-se.» (Jo 11, 43)

Levado pelo ambiente, ou pelas circunstâncias, o Amor reage quase automáticamente ao estímulo dessas emoções mostrando como é profundamente HUMANO.

O AMOR É:
ENTREGA – DOAÇÃO – RESPEITO – PRUDÊNCIA – UNIVERSAL -TOTAL – SACRIFÍCIO – REFLEXO -  OBEDIÊNCIA – CONFIANÇA – PACIENTE – GENUÍNO - HUMANO

Com estes predicados o AMOR não será a solução?

(AMA, 2020)

Pequena agenda do cristão

DOMINGO

PEQUENA AGENDA DO CRISTÃO

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Viver a família.

Senhor, que a minha família seja um espelho da Tua Família em Nazareth, que cada um, absolutamente, contribua para a união de todos pondo de lado diferenças, azedumes, queixas que afastam e escurecem o ambiente. Que os lares de cada um sejam luminosos e alegres.

Lembrar-me:
Cultivar a Fé

São Tomé, prostrado a Teus pés, disse-te: Meu Senhor e meu Deus!
Não tenho pena nem inveja de não ter estado presente. Tu mesmo disseste: Bem-aventurados os que crêem sem terem visto.
E eu creio, Senhor.
Creio firmemente que Tu és o Cristo Redentor que me salvou para a vida eterna, o meu Deus e Senhor a quem quero amar com todas as minhas forças e, a quem ofereço a minha vida. Sou bem pouca coisa, não sei sequer para que me queres mas, se me crias-te é porque tens planos para mim. Quero cumpri-los com todo o meu coração.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?

A conversão dos filhos de Deus


Que estranha capacidade tem o homem de esquecer as coisas mais maravilhosas e de se acostumar ao mistério! Reparemos de novo, nesta Quaresma, que o cristão não pode ser superficial. Estando plenamente metido no seu trabalho habitual, entre os demais homens, seus iguais, atarefado, ocupado, em tensão, o cristão tem de estar, ao mesmo tempo, imerso totalmente em Deus, porque é filho de Deus.

A filiação divina é uma feliz verdade, um mistério consolador. A filiação divina enche a nossa vida espiritual, porque nos ensina a conviver intimamente com o nosso Pai do Céu, a conhecê-Lo, a amá-Lo, e assim enche de esperança a nossa luta interior e dá-nos a simplicidade confiante dos filhos pequenos. Mais ainda: precisamente por sermos filhos de Deus, essa realidade leva-nos também a contemplar com amor e com admiração todas as coisas que saíram das mãos de Deus Pai, Criador. E deste modo somos contemplativos no meio o mundo, amando o mundo.

Na Quaresma, a Liturgia considera as consequências do pecado de Adão na vida do homem. Adão não quis ser um bom filho de Deus e revoltou-se. Mas também se faz ouvir continuamente o eco dessa felix culpa - culpa feliz, ditosa - que a Igreja inteira cantará, cheia de alegria, na vigília do Domingo de Ressurreição.

Deus Pai, chegada a plenitude dos tempos, enviou ao mundo o seu Filho unigénito para que restabelecesse a paz; para que, redimindo o homem do pecado, adoptionem filiorum reciperemus, fôssemos constituídos filhos de Deus, libertos do jugo do pecado, capazes de participar na intimidade divina da Trindade. E assim se tomou possível a este homem novo, a esta nova enxertia dos filhos de Deus libertar a Criação inteira da desordem, restaurando todas as coisas em Cristo, que nos reconciliou com Deus.

É tempo de penitência, pois. Mas, como vimos, não se trata de uma tarefa negativa. A Quaresma deve ser vivida com o espírito de filiação que Cristo nos comunicou e que vive na nossa alma. O Senhor chama-nos para que nos acerquemos d'Ele, desejando ser como Ele: Sede imitadores de Deus, como filhos muito amados, colaborando humildemente, mas fervorosamente, no divino propósito de unir o que está quebrado, de salvar o que está perdido, de ordenar o que o homem pecador desordenou, de conduzir ao seu fim o que está desencaminhado, de restabelecer a divina concórdia de todas as criaturas. (Cristo que passa 65)