03/11/2019

Não queiramos esquivar-nos à sua Vontade


Esta é a chave para abrir a porta e entrar no Reino dos Céus: "qui facit voluntatem Patris mei qui in coelis est, ipse intrabit in regnum coelorum" – quem faz a vontade de meu Pai..., esse entrará! (Caminho, 754)

Não te esqueças: muitas coisas grandes dependem de que tu e eu vivamos como Deus quer. (Caminho, 755)

Nós somos pedras, silhares, que se movem, que sentem, que têm uma libérrima vontade. O próprio Deus é o estatuário que nos tira as esquinas, desbastando-nos, modificando-nos, conforme deseja, a golpes de martelo e de cinzel.

Não queiramos afastar-nos, não queiramos esquivar-nos à sua Vontade, porque, de qualquer modo, não poderemos evitar os golpes. – Sofreremos mais e inutilmente, e, em lugar de pedra polida e apta para edificar, seremos um montão informe de cascalho que os homens pisarão com desprezo. (Caminho, 756)

A aceitação rendida da Vontade de Deus traz necessariamente a alegria e a paz; a felicidade na Cruz. – Então se vê que o jugo de Cristo é suave e que o seu peso é leve. (Caminho, 758)
Um raciocínio que conduz à paz e que o Espírito Santo oferece aos que querem a Vontade de Deus: "Dominus regit me, et nihil mihi deerit" – o Senhor é quem me governa; nada me faltará.
Que é que pode inquietar uma alma que repita sinceramente estas palavras? (Caminho, 760)

Temas para reflectir e meditar

Leis

É obrigação dos católicos presentes nas instituições políticas, exercerem uma acção crítica dentro das suas próprias instituições para que os seus programas e actuações respondam cada vez melhor às aspirações e critérios da moral cristã. 

Em alguns casos pode resultar inclusive obrigatória a objecção de consciência face a actuações ou decisões que sejam directamente contraditórias com algum preceito da moral cristã.

(Conf. Episc. EspanholaTestigos de Dios vivo, 1985.06.26, nr. 64, e. trad ama)

Jesus Cristo tinha um Anjo da Guarda? 2


Jesus teria necessidade?

Acontece que Nosso Senhor, mesmo em Sua ciência humana, não tinha como ser iluminado pelos anjos, que, portanto, nada tinham para Lhe ensinar. De acordo com os teólogos, a santa alma de Jesus Cristo tinha em Sua vida mortal três espécies de ciência: a ciência da visão beatífica, a ciência infusa e a ciência adquirida. Pelas duas primeiras, Ele ultrapassava em profundidade e extensão de saber qualquer criatura, sem excepção: “Deus fez seu Cristo tanto mais superior aos anjos(Hb 1, 4). Quanto à ciência adquirida ou experimental, que progrediu em Nosso Senhor com a idade, Cristo não tinha necessidade do socorro dos anjos.

Quanto à assistência dos anjos, Nosso Senhor também não precisava dela: Ele tinha pleno poder sobre as criaturas e poderia obter tudo o que fosse necessário à Sua vida corporal. No entanto, seria conveniente que, antes mesmo que Jesus entrasse na glória, os anjos já Lhe testemunhassem que O reconheciam como seu Mestre e seu Rei.


Evangelho e comentário


TEMPO COMUM



Evangelho: Lc 19, 1-10

Naquele tempo, Jesus entrou em Jericó e começou a atravessar a cidade. Vivia ali um homem rico chamado Zaqueu, que era chefe de publicanos. Procurava ver quem era Jesus, mas, devido à multidão, não podia vê-l’O, porque era de pequena estatura. Então correu mais à frente e subiu a um sicómoro, para ver Jesus, que havia de passar por ali. Quando Jesus chegou ao local, olhou para cima e disse-lhe: «Zaqueu, desce depressa, que Eu hoje devo ficar em tua casa». Ele desceu rapidamente e recebeu Jesus com alegria. Ao verem isto, todos murmuravam, dizendo: «Foi hospedar-Se em casa dum pecador». Entretanto, Zaqueu apresentou-se ao Senhor, dizendo: «Senhor, vou dar aos pobres metade dos meus bens e, se causei qualquer prejuízo a alguém, restituirei quatro vezes mais». Disse-lhe Jesus: «Hoje entrou a salvação nesta casa, porque Zaqueu também é filho de Abraão. Com efeito, o Filho do homem veio procurar e salvar o que estava perdido».

Comentário:

Como sempre são Lucas descreve como só ele sabe este momento entranhável.

De facto, Zaqueu procura ver Jesus e vai ao Seu encontro não obstante as dificuldades.

Mas, Jesus vai ao encontro de Zaqueu como que por acaso - embora saibamos muito bem que o Senhor não faz nada por acaso - e, assim, o Seu objectivo é premiar a perseverança de Zaqueu e de forma insuspeita: hospeda-se em sua casa numa demonstração de intimidade que tem como consequência o seguir Jesus como o Evangelista relata.

E, por tudo isto, Zaqueu alcança o que talvez não julgasse possível: a própria salvação.

(AMA, comentário sobre Lc 19, 1-10, 15.11.2016


Leitura espiritual




Cartas de São Paulo

CONCLUSÃO (15,14-16,27)

Objectivo da Carta

14 No que vos toca, meus irmãos, estou pessoalmente convencido de que vós próprios estais cheios de boa vontade, repletos de toda a espécie de conhecimento e com capacidade para vos aconselhardes uns aos outros. 15 Apesar disso, escrevi-vos, em parte, com um certo atrevimento, como alguém que vos reaviva a memória. Faço-o em virtude da graça que me foi dada: 16 ser para os gentios um ministro de Cristo Jesus, que administra o Evangelho de Deus como um sacerdote, a fim de que a oferenda dos gentios, santificada pelo Espírito Santo, lhe seja agradável. 17 É, pois, em Cristo Jesus que me posso gloriar de coisas que a Deus dizem respeito. 18 Eu não me atreveria a falar de coisas que Cristo não tivesse realizado por meu intermédio, em palavras e acções, a fim de levar os gentios à obediência, 19 pela força de sinais e prodígios, pela força do Espírito de Deus. Foi assim que, desde Jerusalém e, irradiando até à Ilíria, dei plenamente a conhecer o Evangelho de Cristo. 20 Mas, ao fazê-lo, tive a maior preocupação em não anunciar o Evangelho onde já era invocado o nome de Cristo, para não edificar sobre fundamento alheio. 21 Pelo contrário, fiz conforme está escrito: Aqueles a quem ele não fora anunciado é que hão-de ver e aqueles que dele não ouviram falar é que hão-de compreender.

Participação nos planos do Apóstolo -

22 Era exactamente isso que me impedia muitas vezes de ir ter convosco. 23 Mas agora, como não tenho mais nenhum campo de acção nestas regiões, e há muitos anos que ando com tão grande desejo de ir ter convosco, 24 quando for de viagem para a Espanha... Ao passar por aí, espero ver-vos e receber a vossa ajuda para ir até lá, depois de primeiro ter gozado, ainda que por um pouco, da vossa companhia. 25 Mas agora vou de viagem para Jerusalém, em serviço a favor dos santos. 26 É que a Macedónia e a Acaia decidiram realizar um gesto de comunhão para com os pobres que há entre os santos de Jerusalém. 27 Decidiram e bem; por isso eles lhes são devedores. Porque, se os gentios participaram dos seus bens espirituais, têm também obrigação de os servir com os seus bens materiais. 28 Portanto, quando este assunto estiver resolvido, e lhes tiver entregue o produto desta colecta devidamente selado, partirei para Espanha, passando por junto de vós. 29 E sei que, ao ir ter convosco, irei com a plena bênção de Cristo. 30 Exorto-vos, irmãos, por Nosso Senhor Jesus Cristo e pelo amor do Espírito, a que luteis comigo, pelas orações que fazeis a Deus por mim, 31 para que escape dos incrédulos da Judeia e para que este meu serviço a Jerusalém seja bem acolhido pelos santos. 32 E assim, será com alegria que, se Deus quiser, irei ter convosco e repousar na vossa companhia. 33 Que o Deus da paz esteja com todos vós! Ámen.



Pequena agenda do cristão

DOMINGO



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Viver a família.

Senhor, que a minha família seja um espelho da Tua Família em Nazareth, que cada um, absolutamente, contribua para a união de todos pondo de lado diferenças, azedumes, queixas que afastam e escurecem o ambiente. Que os lares de cada um sejam luminosos e alegres.

Lembrar-me:
Cultivar a Fé

São Tomé, prostrado a Teus pés, disse-te: Meu Senhor e meu Deus!
Não tenho pena nem inveja de não ter estado presente. Tu mesmo disseste: Bem-aventurados os que crêem sem terem visto.
E eu creio, Senhor.
Creio firmemente que Tu és o Cristo Redentor que me salvou para a vida eterna, o meu Deus e Senhor a quem quero amar com todas as minhas forças e, a quem ofereço a minha vida. Sou bem pouca coisa, não sei sequer para que me queres mas, se me crias-te é porque tens planos para mim. Quero cumpri-los com todo o meu coração.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?

02/11/2019

Queres deveras ser santo?


Queres deveras ser santo? – Cumpre o pequeno dever de cada momento faz o que deves e está no que fazes. (Caminho, 815)

Tens obrigação de te santificar. – Tu, também. – Quem pensa que é tarefa exclusiva de sacerdotes e religiosos? A todos, sem excepção, disse o Senhor: "Sede perfeitos, como meu Pai Celestial é perfeito".. (Caminho, 291)

Rectificar. – Todos os dias um pouco. – Eis o teu trabalho constante, se deveras queres tornar-te santo. (Caminho, 290)

Ser fiel a Deus exige luta. E luta corpo a corpo, homem a homem – homem velho e homem de Deus – palmo a palmo, sem claudicar. (Sulco, 126)

Hoje não bastam mulheres ou homens bons. Além disso, não é suficientemente bom quem se contenta em ser quase... bom; é preciso ser "revolucionário". Ante o hedonismo, ante a carga pagã e materialista que nos oferecem, Cristo quer inconformistas! Rebeldes de Amor! (Sulco, 128)

Se não for para construir uma obra muito grande, muito de Deus – a santidade –, não vale a pena entregar-se.
Por isso, a Igreja, ao canonizar os Santos, proclama a heroicidade da sua vida. (Sulco, 611)

Temas para meditar e reflectir

Porquê meditação

Porque hei-de meditar?

Simplesmente porque a alma mo pede e o coração mo solicita.

Parece lógico que estando aqui na presença do sacrário, todo o meu ser se dedique a essa tarefa que me é tão conveniente.

Meditar na Tua presença, Senhor, é realmente fazer oração, talvez mais profunda e consistente.

Não me deixo ficar aqui estático e abúlico sem que o meu coração e a minha alma entoem um silencioso hino de amor e acções de graças.

Sim, é verdade, tenho muito que pedir mas - sei-o - tenho muito mais que agradecer.

"É de bem-nascido ser agradecido” - e eu sou "muito bem-nascido" porque sou Teu filho!

AMA, reflexões, 09.09.2019

Novíssimos


Evangelho e comentário


TEMPO COMUM


Todos os fiéis defuntos

Evangelho: Mt 11, 25-30

Naquele tempo, Jesus exclamou: «Eu Te bendigo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas verdades aos sábios e inteligentes e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, Eu Te bendigo, porque assim foi do teu agrado. Tudo Me foi dado por meu Pai. Ninguém conhece o Filho senão o Pai e ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar. Vinde a Mim, todos os que andais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e a minha carga é leve».

Comentário:

Acaso já pensámos que de facto somos esses "pequeninos" que o Senhor refere no Evangelho aos quais revela e mostra as verdades da fé, dando a conhecer O Pai?

E, chegando a esta conclusão, não é natural e lógico que nos enchamos de alegria e demos frequentes graças por tão grandes benefícios?

Aliás, a nossa vida inteira deveria ser uma constante acção de graças porque tudo – absolutamente – quanto temos e recebemos nos vem das mãos de Deus.

(AMA, comentário sobre Mt 11, 25-30, Lisboa, 02.11.2015)


Leitura espiritual


Cartas de São Paulo

Rm 15

O exemplo de Cristo

1 Nós, os fortes, temos o dever de carregar com as fraquezas dos que são débeis e não procurar aquilo que nos agrada. 2 Procure cada um de nós agradar ao próximo no bem, em ordem à construção da comunidade. 3 Pois também Cristo não procurou o que lhe agradava; ao contrário, como está escrito, os insultos daqueles que te insultavam caíram sobre mim. 4 E a verdade é que tudo o que foi escrito no passado foi escrito para nossa instrução, a fim de que, pela paciência e pela consolação que nos dão as Escrituras, tenhamos esperança. 5 Que o Deus da paciência e da consolação vos conceda toda a união nos mesmos sentimentos, uns com os outros, segundo a vontade de Cristo Jesus, 6 para que, numa só voz, glorifiqueis a Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Unidos no mesmo louvor

7 Por conseguinte, acolhei-vos uns aos outros, na medida em que também Cristo vos acolheu, para glória de Deus. 8 Efectivamente, digo que foi por causa da fidelidade de Deus que Cristo se tornou servidor dos circuncisos, confirmando, assim, as promessas feitas aos patriarcas; 9 por sua vez, os gentios, dão glória a Deus por causa da sua misericórdia, conforme está escrito: Por isso te louvarei entre as nações e cantarei em honra do teu nome. 10 E diz-se ainda: Alegrai-vos, nações, juntamente com o seu povo. 11 E ainda: Nações, louvai todas o Senhor; que todos os povos o exaltem. 12 E Isaías diz também: Virá o rebento de Jessé, que se levantará para governar as nações: é nele que as nações hão-de pôr a sua esperança. 13 Que o Deus da esperança vos encha de toda a alegria e paz na fé, para que transbordeis de esperança, pela força do Espírito Santo.


Doutrina – 508


CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA
Compêndio



SEGUNDA SECÇÃO

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA


CAPÍTULO PRIMEIRO

OS SACRAMENTOS DA INICIAÇÃO CRISTÃ

O SACRAMENTO DA EUCARISTIA


291. Que se requer para receber a sagrada Comunhão?


Para receber a sagrada Comunhão é preciso estar plenamente incorporado à Igreja católica e em estado de graça, isto é, sem consciência de pecado mortal. 

Quem tem consciência de ter cometido pecado grave deve receber o sacramento da Reconciliação antes da Comunhão. 

São também importantes o espírito de recolhimento e de oração, a observância do jejum prescrito pela Igreja e ainda a atitude corporal (gestos, trajes), como sinal de respeito para com Cristo.

Pequena agenda do cristão

SÁBADO



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Honrar a Santíssima Virgem.

A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador, porque pôs os olhos na humildade da Sua serva, de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas, santo é o Seu nome. O Seu Amor se estende de geração em geração sobre os que O temem. Manifestou o poder do Seu braço, derrubou os poderosos do seu trono e exaltou os humildes, aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. Acolheu a Israel Seu servo, lembrado da Sua misericórdia, como tinha prometido a Abraão e à sua descendência para sempre.

Lembrar-me:

Santíssima Virgem Mãe de Deus e minha Mãe.

Minha querida Mãe: Hoje queria oferecer-te um presente que te fosse agradável e que, de algum modo, significasse o amor e o carinho que sinto pela tua excelsa pessoa.
Não encontro, pobre de mim, nada mais que isto: O desejo profundo e sincero de me entregar nas tuas mãos de Mãe para que me leves a Teu Divino Filho Jesus. Sim, protegido pelo teu manto protector, guiado pela tua mão providencial, não me desviarei no caminho da salvação.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?




01/11/2019

Deus não te arranca do teu ambiente


Deus não te arranca do teu ambiente, não te tira do mundo, nem do teu estado, nem das tuas ambições humanas nobres, nem do teu trabalho profissional... mas, aí, quer-te santo! (Forja, 362)

Convencei-vos de que a vocação profissional é parte essencial e inseparável da nossa condição de cristãos. O Senhor quer que sejais santos no lugar onde estais e no trabalho que haveis escolhido pelas razões que vos aprouveram: pela minha parte, todos me parecem bons e nobres – desde que não se oponham à lei divina – e capazes de ser elevados ao plano sobrenatural, isto é, enxertados nessa corrente de Amor que define a vida de um filho de Deus. (...).

Temos de evitar o erro de considerar que o apostolado se reduz ao testemunho de algumas práticas piedosas. Tu e eu somos cristãos, mas, ao mesmo tempo e sem solução de continuidade, cidadãos e trabalhadores, com obrigações bem nítidas que temos de cumprir exemplarmente, se deveras queremos santificar-nos. É Jesus Cristo que nos estimula: Vós sois a luz do mundo. (Amigos de Deus, 60–61)

Temas para meditar e reflectir

Uma recolecção no Opus Dei

Atrevo-me a escrever sobre este tema porque - me apetece, que é uma razão poderosa – mas, também, porque sendo uma “actividade”, ou melhor, um meio de formação espiritual muito característico da OBRA[i], merece mensalmente uma atenção especial e muito frequentada por os que, de alguma forma, pensam que têm algo a beneficiar com ela.

Beneficiar no aspecto de crescimento espiritual e de reflexão interior já que, os temas, normalmente, chamam a isso mesmo: reflectir sobre o comportamento pessoal – humano e religioso – de cada um.

Parece que estes meios de formação se dirigem especialmente aos membros da Obra, mas de facto, vemos muitos assistentes – regulares ou esporádicos – que não têm, por assim dizer, nenhum “elo de ligação específica” com ela.

As pessoas – homens e mulheres em ambientes diferentes - procuram uns momentos de reflexão interior – normalmente conduzidos por um Sacerdote da Obra – que vão ao encontro de alguma preocupação ou dúvida interior, ou apenas para “aferir” ou examinar a sua vida normal e corrente nos aspectos que a cada um dizem respeito.

Não se trata de uma “pregação” ou sequer o enunciado de um conjunto de regras ou comportamentos destinados a resolver problemas específicos mas, antes, o discorrer sensato e calmo, apoiado em experiências e conselhos dos mais variados autores espirituais além, - claro está – da própria experiência pessoal do “pregador”, sempre um experiente condutor de almas – que imprime o seu carisma pessoal no que diz e propõe.

As pessoas vão livremente participar não propriamente para cumprir ma regra ou observar uma “norma”, mas porque entendem que lhes faz bem, retiram ensinamentos preciosos, vêm com outros olhos as realidades da vida corrente, e, sobretudo, encontram algum caminho – talvez “escapatória” – para um problema que as preocupa no momento.

Uma recolecção é isso mesmo que a palavra significa: momento de recolhimento para melhor reflectir sobre os variadíssimos aspectos da vida corrente – e não só os espirituais – de cada um, já que, no bulício trepidante da vida normal de todos os dias, o recolhimento interior não é nem fácil nem, muitas vezes, possível.

Às vezes – muitas vezes – o sacerdote parece estar a falar para mim directamente de tal forma o que diz, o tema que aborda e explana, condiz com a minha situação pessoal. Tal tem-me acontecido inúmeras vezes e nunca deixa de me espantar.
Lembro-me do episódio do homem com uma mão atrofiada que estava no Templo e ouviu Jesus esta ordem imperiosa: «Tu, levanta-te e põe-te aí no meio»[ii] e penso no que seria se o Sacerdote, de repente, me dissesse; António: levanta-te e põe-te aí no meio.

Eu, como “exemplo em carne e osso” da falta de humildade, ânsia de protagonismo e notoriedade, cheio de empáfia e de sabedoria… punha-me de pé ou, antes, “enterrar-me-ia” na cadeira tentando “fazer de conta” que o assunto não era comigo?

Evidentemente que nunca ninguém me disse tal coisa ou fez semelhante ultimato mas, quantas vezes, meu Deus, quantas vezes não pensei comigo mesmo que bem merecia que o fizessem.

Caio em mim e peço perdão, revolvo-me por dentro e sinto-me envergonhado, sinto-me rasteiro, baixo, insignificante.

Fez-me muito bem ir à recolecção!

AMA, reflexão, 27.01.2019





[i] Passaremos a chamar OBRA ao OPUS DEI
[ii] Cfr.Mt 9, 13

Novíssimos




Evangelho e comentário


TEMPO COMUM


TODOS OS SANTOS

Evangelho: Mt 5, 1-12

Naquele tempo, ao ver as multidões, Jesus subiu ao monte e sentou-Se. Rodearam-n’O os discípulos e Ele começou a ensiná-los, dizendo: «Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos Céus. Bem-aventurados os humildes, porque possuirão a terra. Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus. Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus. Bem-aventurados os que sofrem perseguição por amor da justiça, porque deles é o reino dos Céus. Bem-aventurados sereis, quando, por minha causa, vos insultarem, vos perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós. Alegrai-vos e exultai, porque é grande nos Céus a vossa recompensa».

Comentário:

Jesus Cristo garante-nos que grande será a recompensa nos Céus dos que sofrerem por causa do Seu Nome.

Sofrer por Cristo, pelo Seu Santíssimo Nome, a Sua Igreja, é um facto recorrente de todos os tempos.

Não é necessário lembrar os espectáculos no Circo de Roma porque, hoje em dia, este mesmo dia, milhares de cristãos são atacados, feridos de morte, sujeitos às maiores violências pelas feras que odeiam O Senhor nosso Deus.

No terceiro milénio depois da Ressurreição de Cristo, neste mesmo mundo dominado pela tecnologia e pela cultura, prossegue essa perseguição que O próprio Senhor anunciou.

Nós, cristãos que vivemos numa sociedade supostamente civilizada, recebemos a força da nossa Fé directamente desse sangue que milhares de inocentes derramam pela mesma Fé.

Consola-nos saber que:

Grande será a sua recompensa nos Céus!


(AMA, comentário sobre Mt 5, 1-12, 29.01.2017)



Leitura espiritual

Cartas de São Paulo

Rm 14

Os «fortes» e os «fracos»

1 Àquele que é fraco na fé, acolhei-o, sem cair em discussões sobre as suas maneiras de pensar. 2 Enquanto a fé de um lhe permite comer de tudo, o que é fraco só come legumes. 3 Quem come não despreze aquele que não come; e quem não come não julgue aquele que come, porque Deus o acolheu. 4 Quem és tu para julgares o criado de um outro? Se está de pé ou se cai, isso é lá com o seu patrão. Há-de, aliás, ficar de pé, porque o Senhor tem poder para o segurar. 5 Além disso, enquanto um julga que há dias e dias, há quem julgue que os dias são todos iguais. Tenha um e outro plena convicção daquilo que pensa. 6 Quem guarda alguns dias, é em honra do Senhor que os guarda; quem come de tudo, é em honra do Senhor que come, pois dá graças a Deus; e quem não come, é em honra do Senhor que não come, e também ele dá graças a Deus. 7 De facto, nenhum de nós vive para si mesmo e nenhum morre para si mesmo. 8Se vivemos, é para o Senhor que vivemos; e se morremos, é para o Senhor que morremos. Ou seja, quer vivamos quer morramos, é ao Senhor que pertencemos. 9 Pois foi para isto que Cristo morreu e voltou à vida: para ser Senhor tanto dos mortos como dos vivos. 10 Mas tu, porque julgas o teu irmão? E tu, porque desprezas o teu irmão? De facto, todos havemos de comparecer diante do tribunal de Deus, 11 pois está escrito: Tão certo como Eu vivo, diz o Senhor, todo o joelho se dobrará diante de mim e toda a língua dará a Deus glória e louvor. 12 Portanto, cada um de nós terá de dar contas de si mesmo a Deus.


Unidos no amor

13 Deixemos, pois, de nos julgar uns aos outros. Tomai de preferência esta decisão: não ser para o irmão causa de tropeço ou de escândalo. 14 Sei e estou convencido, no Senhor Jesus, de que nada é impuro em si mesmo. Uma coisa é impura só para aquele que a considera como impura. 15 Se, por tomares um alimento, entristeces o teu irmão, então não estás a proceder de acordo com o amor. Não faças, com o teu alimento, com que se perca aquele por quem Cristo morreu. 16 Que não seja, pois, motivo de blasfémia o bem que há em vós. 17 É que o Reino de Deus não é uma questão de comer e beber, mas de justiça, paz e alegria no Espírito Santo. 18 E quem deste modo serve a Cristo é agradável a Deus e estimado pelos homens. 19 Procuremos, portanto, aquilo que leva à paz e à edificação mútua. 20 Não destruas a obra de Deus, por uma questão de alimento. Todas as coisas são puras, certamente, mas tornam-se más para aquele que, ao comê-las, encontra nisso causa de tropeço. 21 O que é bom é não comer carne nem beber vinho, nada em que o teu irmão possa tropeçar. 22 Guarda para ti, diante de Deus, a convicção de fé que tens. Feliz de quem não se condena a si mesmo, devido às decisões que toma. 23 Mas quem sente escrúpulos por aquilo que come fica culpado, por não agir de acordo com a sua convicção de fé. Tudo o que não é feito a partir da convicção de fé é pecado.

Pequena agenda do cristão

Sexta-Feira


(Coisas muito simples, curtas, objectivas)




Propósito:

Contenção; alguma privação; ser humilde.


Senhor: Ajuda-me a ser contido, a privar-me de algo por pouco que seja, a ser humilde. Sou formado por este barro duro e seco que é o meu carácter, mas não Te importes, Senhor, não Te importes com este barro que não vale nada. Parte-o, esfrangalha-o nas Tuas mãos amorosas e, estou certo, daí sairá algo que se possa - que Tu possas - aproveitar. Não dês importância à minha prosápia, à minha vaidade, ao meu desejo incontido de protagonismo e evidência. Não sei nada, não posso nada, não tenho nada, não valho nada, não sou absolutamente nada.

Lembrar-me:
Filiação divina.

Ser Teu filho Senhor! De tal modo desejo que esta realidade tome posse de mim, que me entrego totalmente nas Tuas mãos amorosas de Pai misericordioso, e embora não saiba bem para que me queres, para que queres como filho a alguém como eu, entrego-me confiante que me conheces profundamente, com todos os meus defeitos e pequenas virtudes e é assim, e não de outro modo, que me queres ao pé de Ti. Não me afastes, Senhor. Eu sei que Tu não me afastarás nunca. Peço-Te que não permitas que alguma vez, nem por breves instantes, seja eu a afastar-me de Ti.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?