14/05/2019

Leitura espiritual


São Josemaria Escrivá

Amigos de Deus

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O caminho do cristão

Que transparente se torna o ensinamento de Cristo!
Como de costume, abramos o Novo testamento, desta vez no capítulo XI de S. Mateus: Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração.
Vês?
Temos que aprender d'Ele, de Jesus, nosso único modelo.
Se queres progredir, evitando tropeços e extravios, só tens que andar pelo caminho que Ele percorreu, pôr os teus pés nos sinais das suas pegadas, penetrar no seu Coração humilde e paciente, beber do manancial dos seus mandatos e afectos; numa palavra, tens de identificar-te com Jesus Cristo, tens de procurar converter-te verdadeiramente noutro Cristo entre os teus irmãos, os homens.

Para que ninguém se engane, vamos ler outra passagem de S. Mateus.
No capítulo XVI, o Senhor é ainda mais preciso na sua doutrina: Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me.
O caminho de Deus é de renúncia, de mortificação, de entrega, mas não de tristeza ou de apoucamento.

Revê o exemplo de Cristo, do presépio de Belém até ao trono do Calvário.
Considera a sua abnegação, as suas privações: fome, sede, fadiga, calor, sono, maus tratos, incompreensões, lágrimas...; e a sua alegria por salvar a humanidade inteira.
Gostaria que gravasses, agora, profundamente, na tua cabeça e no teu coração - para o meditares muitas vezes e o traduzires em consequências práticas - aquele resumo de S. Paulo, quando convidava os Efésios a seguir, sem vacilações, os passos do Senhor: Sede imitadores de Deus, visto que sois seus filhos muito queridos, e procedei com amor, tal como Cristo nos amou e se ofereceu a si mesmo a Deus, como oferenda e hóstia de odor suavíssimos.

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Jesus entregou-se a si mesmo, feito holocausto por amor.
E tu, discípulo de Cristo; tu, filho predilecto de Deus; tu, que foste comprado a preço de Cruz; tu também deves estar disposto a negar-te a ti mesmo.
Portanto, sejam quais forem as circunstâncias concretas que atravessemos, nem tu nem eu podemos levar uma conduta egoísta, aburguesada, cómoda, dissipada..., - perdoa a minha sinceridade - néscia! Se ambicionas a estima dos homens e anseias ser considerado ou apreciado e se não procuras senão uma vida de prazer, desviaste-te do caminho...
Na cidade dos santos, só aos que passam pelo caminho áspero, apertado e estreito das tribulações se permite entrar, descansar e reinar com o Rei pelos séculos sem fim.

É necessário que te decidas a carregar com a cruz voluntariamente.
Senão, dirás com a língua que imitas Cristo, mas os teus actos desmenti-lo-ão; assim não conseguirás tratar com intimidade o Mestre nem o amarás verdadeiramente.
É urgente que nós, os cristãos, nos convençamos bem desta realidade: não andamos perto do Senhor, quando não sabemos privar-nos espontaneamente de tantas coisas que o capricho, a vaidade, o prazer, o interesse... reclamam.
Não deve passar um dia sem que o tenhas condimentado com a graça e o sal da mortificação.
E afasta a ideia de que estás, então, reduzido a ser um desgraçado. Pobre felicidade será a tua, se não aprendes a vencer-te a ti próprio, se te deixas esmagar e dominar pelas tuas paixões e veleidades, em vez de tomares a tua cruz com galhardia.

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Recordo agora - certamente algum de vós me terá ouvido já este mesmo comentário noutras meditações - aquele sonho de um escritor do século de ouro castelhano.
Diante dele abrem-se dois caminhos. Um apresenta-se amplo e fácil de percorrer, pródigo em estalagens e tabernas e outros lugares amenos e agradáveis.
Por ali avançam as pessoas a cavalo ou em carroças, entre música e risos - gargalhadas loucas-; contempla-se uma multidão embriagada num deleite aparente, efémero, porque esse caminho acaba num precipício sem fundo.
É o caminho dos mundanos, dos eternos aburguesados: ostentam uma alegria que, na realidade, não têm; procuram insaciavelmente toda a espécie de comodidades e prazeres...; horroriza-os a dor, a renúncia, o sacrifício.
Não querem saber nada da Cruz de Cristo, pensam que é coisa de loucos.
Mas são eles os dementes: escravos da inveja, da gula, da sensualidade, acabam por passar pior e apercebem-se tarde de que desperdiçaram, por uma bagatela insípida, a sua felicidade terrena e eterna. É o Senhor a advertir-nos:
Quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; mas quem perder a sua vida por amor de mim encontrá-la-á. Porque, de que serve ao homem ganhar todo o mundo, se perde a sua alma?

Em direcção diferente segue, nesse sonho, outro caminho: tão estreito e íngreme, que não é possível percorrê-lo a cavalo.
Todos os que seguem por ele, andam pelo seu próprio pé, talvez em ziguezague, com rosto sereno, pisando abrolhos e saltando pedregulhos.
Em determinados pontos do caminho deixam farrapos dos seus vestidos e mesmo da sua carne.
Mas no fim espera-os um jardim, a felicidade para sempre, o Céu.
É o caminho das almas santas que se humilham, que por amor a Jesus Cristo se sacrificam com gosto pelos outros; o caminho dos que não temem subir carregando amorosamente com a sua cruz, por muito que pese, porque sabem que, se o peso os fizer cair, poderão levantar--se e continuar a subida: Cristo é a força destes caminhantes.

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Que importa tropeçar, se na dor da queda encontramos a energia que nos levanta de novo e nos impulsiona a prosseguir com renovado alento?
Não esqueçais que santo não é o que não cai, mas o que se levanta sempre, com humildade e com santa persistência.
Se no livro dos Provérbios se comenta que o justo cai sete vezes ao dia, tu e eu - pobres criaturas - não nos devemos estranhar nem desalentar perante as misérias pessoais, perante os nossos tropeços, porque continuaremos em frente, se procurarmos a fortaleza n'Aquele que nos prometeu: Vinde a mim todos os que andais cansados e oprimidos, que eu vos aliviarei.
Obrigado, Senhor, quia tu es, Deus, fortitudo mea, porque foste sempre Tu, e só Tu, meu Deus, a minha fortaleza, o meu refúgio, o meu apoio.

Se verdadeiramente desejas progredir na vida interior, sê humilde. Recorre constantemente, confiadamente, à ajuda do Senhor e de sua Mãe bendita, que é também a tua Mãe.
Com serenidade, tranquilo, por muito que te doa a ferida ainda não sarada da tua última queda, abraça de novo a cruz e diz: Senhor, com o teu auxílio lutarei para não parar, responderei fielmente aos teus convites, sem temer as encostas íngremes, nem a aparente monotonia do trabalho habitual, nem os cardos e pedras do caminho. Sei que a tua misericórdia me assiste e que, no fim, acharei a felicidade eterna, a alegria e o amor pelos séculos em fim.

Depois, durante o mesmo sonho, aquele escritor descobria um terceiro itinerário: estreito, também semeado de asperezas e encostas duras como o segundo.
Por ali avançavam alguns no meio de mil dificuldades com gesto solene e majestoso.
Contudo, acabavam no mesmo precipício horrível a que levava o primeiro caminho.
É o caminho que percorrem os hipócritas, os que não têm rectidão de intenção, os que se movem por um falso zelo, os que pervertem as obras divinas ao misturá-las com egoísmos temporais.
É uma loucura lançar-se num empreendimento custoso com o fim de ser admirado; guardar os Mandamentos de Deus à custa de um árduo esforço, mas aspirar a uma recompensa terrena.
Aquele que com o exercício das virtudes pretende benefícios humanos é como o que faz um mau negócio, vendendo um objecto precioso por poucas moedas: podia conquistar o Céu e, em contrapartida, contenta-se com um louvor efémero...
Por isso se diz que as esperanças dos hipócritas são como a teia de aranha: tanto esforço para tecê-la e, no fim, o vento da morte leva-a com um sopro.

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Com os olhos postos na meta

Se vos recordo estas verdades fortes, é para vos convidar a examinar atentamente os motivos que impulsionam a vossa conduta, com o fim de rectificardes o que necessite de rectificação, dirigindo tudo ao serviço de Deus e dos vossos irmãos, os homens.
Reparai que o Senhor passou ao nosso lado, olhou-nos com carinho e chamou--nos com a sua vocação santa, não pelas nossas obras mas pelo seu beneplácito e com a graça que nos foi dada em Jesus Cristo antes de todos os séculos.

Purificai a intenção, ocupai-vos de todas as coisas por amor a Deus, abraçando com alegria a cruz de cada dia.
Porque penso que estas ideias devem estar esculpidas no coração dos cristãos, tenho repetido milhares de vezes o seguinte: quando não nos limitamos a tolerar e, pelo contrário, amamos a contradição, a dor física ou moral e a oferecemos a Deus em desagravo dos nossos pecados pessoais e dos pecados de todos os homens, asseguro-vos que, então, essa pena não esmaga.

Já não se leva uma cruz qualquer, descobre-se a Cruz de Cristo, com o consolo de que o Redentor se encarrega de suportar o peso.
Nós colaboramos como Simão de Cirene que, quando regressava do trabalho na sua granja, pensando num repouso merecido, se viu forçado a tomar a cruz sobre os seus ombros para ajudar Jesus.
Ser voluntariamente Cireneu de Cristo, acompanhar tão de perto a sua Humanidade sofredora, reduzida a um farrapo, para uma alma enamorada não significa infelicidade, antes traz a certeza da proximidade de Deus, que nos abençoa com essa escolha.

Com muita frequência, não poucas pessoas me comentavam com assombro a alegria que, graças a Deus, têm e contagiam os meus filhos no Opus Dei.
Perante a evidência desta realidade, respondo sempre com a mesma explicação, porque não conheço outra: o fundamento da sua felicidade consiste em não terem medo nem da vida nem da morte, em não se assustarem perante a tribulação, no esforço diário por viverem com espírito de sacrifício, constantemente dispostos - apesar das misérias e debilidades pessoais - a negarem-se a si mesmos, para tornarem o caminho cristão mais fácil e agradável aos outros.

(cont)


El Reto del Amor






por El Reto del amor

Temas para reflectir e meditar

MORTE


A consciência da morte apenas nos deve levar a vivermos segundo nos diz a Lumen Gentium (48) «vigiemos continuamente, a fim de que no termo da nossa vida sobre a terra, que é só uma (cfr. Hebr. 9,27), mereçamos entrar com Ele para o banquete de núpcias e ser contados entre os eleitos»


(jma, comentários sobre os Novíssimos - Morte, 2010.10.26) 

Leitura espiritual


OS SACRAMENTOS

A.          QUAIS SÃO OS SACRAMENTOS?

1.           Que sinais restam da passagem de Cristo na terra?

Graças a ele agora temos óptimos produtos, que podemos encomendar em três tipos:

Bens espirituais:

Como a redenção, a graça santificante e a protecção materna de Maria, um verdadeiro tesouro a ser contado.

Presentes visíveis:

Como o papa, o sucessor de Pedro e garantia de segurança no caminho.

Dons parcialmente visíveis, em parte espirituais, como os sacramentos que conferem bens ou graças espirituais através de sinais visíveis.

2.           O que é graça?

Em geral, qualquer presente é a graça de Deus, no entanto, geralmente é assim chamada graça santificante, dom sobrenatural que diviniza o homem, transformando-o de um pecador em um filho de Deus.

3.           Há muita diferença entre estar em graça ou não?

A diferença é enorme.
De um lado, separação de Deus e jornada para o inferno.
Por outro lado, amizade e filiação divina, divinização e abertura do paraíso.

4.           Quais são os principais meios para adquirir graças?

As principais fontes são a oração e os sacramentos.
Alguns sacramentos dão graça santificante.
A maioria dos sacramentos aumenta essa graça e confere outra ajuda divina.

5.           Quais são os sacramentos?

Os sacramentos são sinais visíveis instituídos por Cristo para nos dar graça.
São sete e produzem bens espirituais comparáveis ​​à vida natural da maneira que veremos agora.

B. QUAIS SÃO OS SACRAMENTOS?

6. Quais são os dois primeiros sacramentos?

O primeiro dos sacramentos é o Baptismo, que cancela o pecado original dando graça santificante pela primeira vez.
É o nascimento da vida espiritual.
O segundo é a Confirmação, que aumenta os dons do Espírito Santo, fortalece-nos similarmente ao crescimento humano.

6.           Como conseguir que Deus perdoe os nossos pecados?

Para perdoar os pecados, Deus instituiu o sacramento da Confissão.
Para receber este sacramento, são necessárias duas condições:
Estar arrependido dos pecados, com a intenção ou intenção de não voltar a cometê-los.
Não há necessidade de adivinhar o futuro, mas de decidir firmemente não pecar mais.
É necessário dizer a um sacerdote os pecados, porque ele os perdoa em nome de Deus, é necessário dizer todos os pecados graves e o número aproximado de vezes que eles se cometeram.

7.           Que efeitos produz o sacramento da confissão?

Em certo sentido, eles parecem-se com medicamentos, que geralmente têm duas funções: curar e proteger.
A Confissão atinge estes efeitos: perdoa-nos os nossos pecados e dar graça para superar mais facilmente tentações futuras.

8.           Que aspectos o sacramento da Eucaristia abrange?

Este sacramento inclui três grandes aspectos:

Jesus Cristo está realmente na Eucaristia, com todas as consequências da adoração, respeito, o desejo de mantê-los em companhia nos Tabernáculos, cuidados materiais, etc.

Na missa o sacrifício da cruz é repetido, e é a maior coisa que os homens podem oferecer a Deus.

Na comunhão recebe-se o mesmo Jesus Cristo, e assim torna-se o alimento que restaura e repara as forças da alma, uma vez que nos une e nos transforma em Cristo.
Na refeição terrena, a comida é transformada em um corpo humano, mas aqui é o homem que se torna deificado.

9.           O que é necessário para receber a Comunhão?

Para receber a Comunhão, são necessárias três condições:
A fé:

Ser baptizado e saber que O recebe sob a aparência de pão.
Estar na graça de Deus, isto é, ter confessado todos os pecados graves que foram cometidos.
Isso é muito importante porque não se deve receber a Deus mal disposto.
Deve ter havido uma hora sem comida.

10.       Qual é a unção dos enfermos?

O sacramento da unção dos enfermos ajuda aqueles que estão em perigo de morte por doença ou velhice.
Torna-nos fortes para enfrentar os momentos em que a vida eterna é decidida.
É um sacramento importante e deve ser administrado sem esperar pelo último minuto.

11.       Quem são os sacerdotes?

São cristãos que receberam de um bispo o sacramento da ordenação sacerdotal e, portanto, podem celebrar a missa, administrar os outros sacramentos e pregar o evangelho com autoridade.

12.       O casamento é um sacramento?

É chamado casamento a união estável entre um homem e uma mulher que formam uma família.
O casal (engajamento) ao casar compromete-se a amarem-se um ao outro para sempre e para receber e educar as crianças que Deus lhes enviar.
O Senhor queria dar um agradecimento especial aqueles que se casam porque cumprem bem esta missão, e instituiu o sacramento do Matrimónio.


ID, revisão versão portuguesa por AMA


Maria está ao pé de ti


Não estás só. – Aceita com alegria a tribulação. – É verdade, pobre menino, que não sentes na tua mão a mão de tua Mãe. – Mas... não tens visto as mães da terra, de braços estendidos, seguir os seus pequenos quando se aventuram, receosos, a dar os primeiros passos sem a ajuda de ninguém? – Não estás só; Maria está ao pé de ti. (Caminho, 900)

Dá alegria verificar que a devoção à Virgem está sempre viva, despertando nas almas cristãs um impulso sobrenatural para se comportarem como domestici Dei, como membros da família de Deus.

Nestes dias, vendo como tantos cristãos exprimem dos mais diversos modos o seu carinho à Virgem Santa Maria, também vós certamente vos sentis mais dentro da Igreja, mais irmãos de todos esses vossos irmãos.

É uma espécie de reunião de família, como quando os irmãos que a vida separou voltam a encontrar-se junto da Mãe, por ocasião de alguma festa. Ainda que alguma vez tenham discutido uns com os outros e se tenham tratado mal, naquele dia não; naquele dia sentem-se unidos, reencontram-se unidos, reencontram-se todos no afecto comum.

Maria, na verdade, edifica continuamente a Igreja, reúne-a, mantém-na coesa. É difícil ter autêntica devoção à Virgem sem nos sentirmos mais vinculados aos outros membros do Corpo Místico e também mais unidos à sua cabeça visível, o Papa. Por isso me agrada repetir: Omnes cum Petro ad Iesum per Mariam! – todos, com Pedro, a Jesus, por Maria! (Cristo que passa, 139)