08/10/2018

O Deus da nossa fé não é um ser longínquo


Considera o que há de mais formoso e grande na terra..., o que apraz ao entendimento e às outras potências..., o que é recreio da carne e dos sentidos... E o mundo, e os outros mundos que brilham na noite; o Universo inteiro. – E isso, junto com todas as loucuras do coração satisfeitas..., nada vale, é nada e menos que nada, ao lado deste Deus meu! – teu! – tesouro infinito, pérola preciosíssima, humilhado, feito escravo, aniquilado sob a forma de servo no curral onde quis nascer, na oficina de...
...José, na Paixão e na morte ignominiosa e na loucura de Amor da Sagrada Eucaristia. (Caminho, 432)

É preciso adorar devotamente este Deus escondido. Ele é o mesmo Jesus Cristo que nasceu da Virgem Maria; o mesmo, que padeceu e foi imolado na Cruz; o mesmo, enfim, de cujo peito trespassado jorrou água e sangue.
Este é o sagrado banquete em que se recebe o próprio Cristo e se renova a memória da Paixão e, com Ele, a alma pode privar na intimidade com o seu Deus e possui um penhor da glória futura. Assim, a liturgia da Igreja resumiu, em breve estrofe, os capítulos culminantes da história da ardente caridade que o Senhor tem para connosco.
O Deus da nossa fé não é um ser longínquo, que contempla com indiferença a sorte dos homens, os seus afãs, as suas lutas, as suas angústias. É um pai que ama os seus filhos até ao ponto de enviar o Verbo, Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, a fim, com a sua encarnação, morrer por nós e nos redimir. É ele ainda o mesmo Pai amoroso que agora nos atrai suavemente para Si, mediante a acção do Espírito Santo que habita nos nossos corações. (Cristo que passa, 84)

Evangelho e comentário


Tempo comum


Evangelho: Lc 10, 25-37

25 Levantou-se, então, um doutor da Lei e perguntou-lhe, para o experimentar: «Mestre, que hei-de fazer para possuir a vida eterna?» 26 Disse-lhe Jesus: «Que está escrito na Lei? Como lês?» 27 O outro respondeu: «Amarás ao Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma, com todas as tuas forças e com todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo.» 28 Disse-lhe Jesus: «Respondeste bem; faz isso e viverás.» 29 Mas ele, querendo justificar a pergunta feita, disse a Jesus: «E quem é o meu próximo?» 30 Tomando a palavra, Jesus respondeu: «Certo homem descia de Jerusalém para Jericó e caiu nas mãos dos salteadores que, depois de o despojarem e encherem de pancadas, o abandonaram, deixando-o meio morto. 31 Por coincidência, descia por aquele caminho um sacerdote que, ao vê-lo, passou ao largo. 32 Do mesmo modo, também um levita passou por aquele lugar e, ao vê-lo, passou adiante. 33 Mas um samaritano, que ia de viagem, chegou ao pé dele e, vendo-o, encheu-se de compaixão. 34 Aproximou-se, ligou-lhe as feridas, deitando nelas azeite e vinho, colocou-o sobre a sua própria montada, levou-o para uma estalagem e cuidou dele. 35 No dia seguinte, tirando dois denários, deu-os ao estalajadeiro, dizendo: ‘Trata bem dele e, o que gastares a mais, pagar-to-ei quando voltar.’ 36 Qual destes três te parece ter sido o próximo daquele homem que caiu nas mãos dos salteadores?» 37 Respondeu: «O que usou de misericórdia para com ele.» Jesus retorquiu: «Vai e faz tu também o mesmo.»

Comentário:

A todos nós o Senhor nos convida a sermos “samaritanos”.
Independentemente do que somos quem, ou o que fazemos, temos de considerar que todo o homem, nosso semelhante e nosso irmão porque filho do mesmo Deus, tem o direito a esperar de nós a assistência que possa eventualmente precisar e, nós, temos o dever de lha prestar.

Graças a Deus, o mundo está cheio de “samaritanos”, jovens e não tão jovens, que procuram ajudar, assistir, colaborar para levar a todos o necessário quer na assistência pessoal e humana quer no simples e desprendido interesse pelas pessoas – sejam quem forem.

Esta “onda” de entusiasmo aquece a fria e angustiante indiferença com que muitos passam pelos caminhos da vida sem sequer olhar – ver – o que se passa à sua volta e, também, enche de “calor humano” a “assistência técnica e oficial” com que as instituições tratam estes assuntos.

(AMA, comentário sobre Lc 10, 25-37, 09.10.2017)



07/10/2018

Pequena agenda do cristão

DOMINGO



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Viver a família.

Senhor, que a minha família seja um espelho da Tua Família em Nazareth, que cada um, absolutamente, contribua para a união de todos pondo de lado diferenças, azedumes, queixas que afastam e escurecem o ambiente. Que os lares de cada um sejam luminosos e alegres.

Lembrar-me:
Cultivar a Fé

São Tomé, prostrado a Teus pés, disse-te: Meu Senhor e meu Deus!
Não tenho pena nem inveja de não ter estado presente. Tu mesmo disseste: Bem-aventurados os que crêem sem terem visto.
E eu creio, Senhor.
Creio firmemente que Tu és o Cristo Redentor que me salvou para a vida eterna, o meu Deus e Senhor a quem quero amar com todas as minhas forças e, a quem ofereço a minha vida. Sou bem pouca coisa, não sei sequer para que me queres mas, se me crias-te é porque tens planos para mim. Quero cumpri-los com todo o meu coração.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?

Leitura espiritual


São Josemaria Escrivá

Cristo que passa 163 a 165 

163
         
Conhecer o coração de Jesus

Não posso deixar de vos confiar algo que constitui para mim um motivo de pena e ao mesmo tempo um estímulo para a acção: pensar nos homens que ainda não conhecem Cristo, que não pressentem ainda a profundeza da felicidade que nos espera nos Céus e vagueiam pela Terra, como cegos, em perseguição de uma alegria cujo verdadeiro nome ignoram, ou se perdem por sendas que os afastam da felicidade autêntica.
Como se entende bem o que deve ter sentido o Apóstolo Paulo, naquela noite da cidade de Tróade, quando, entre sonhos, teve uma visão: um macedónio estava diante dele, pedindo-lhe: passa à Macedónia e ajuda-nos!
Mal acabou a visão, logo - Paulo e Timóteo - buscaram maneira de passar à Macedónia, certos de que Deus os chamava para pregarem o Evangelho àquelas gentes .

Não sentis vós também que Deus nos chama, que - através de tudo o que se passa à nossa volta - nos impele a proclamar a boa-nova da vinda de Jesus?
Mas, às vezes, nós, cristãos, amesquinhamos a nossa vocação, caímos na superficialidade, perdemos o tempo em disputas e querelas. Ou, o que é pior ainda, não falta quem se escandalize falsamente com o modo como os outros vivem certos aspectos da Fé ou determinadas devoções e, em vez de serem eles a abrir o caminho, esforçando-se por vivê-las da maneira que consideram recta, entretêm--se a destruir e a criticar.
É claro que podem surgir, e de facto surgem, deficiências na vida dos cristãos.
O que importa, porém, não somos nós e as nossas misérias; só Ele importa, só Jesus.
É de Cristo que devemos falar; não de nós mesmos.


As reflexões que acabo de fazer são provocadas por uma suposta crise na devoção ao Sagrado Coração de Jesus.
Tal crise não existe.
A verdadeira devoção foi e continua a ser uma atitude viva, cheia de sentido humano e de sentido sobrenatural.
Os seus frutos têm sido e continuam a ser frutos saborosos de conversão, de entrega, de cumprimento da vontade de Deus, de penetração amorosa nos mistérios da Redenção.

Bem diversas, pelo contrário, são as manifestações de um sentimentalismo ineficaz, vazio de doutrina, eivado de pietismo.
Também eu não gosto das imagens delambidas, dessas figurações do Sagrado Coração que não podem inspirar devoção nenhuma a pessoas com senso comum e com sentido sobrenatural próprio de cristãos.
Mas não é sinal de boa lógica converter certos abusos de ordem prática, que acabam por desaparecer, num problema doutrinário, de ordem teológica.

Se crise existe, é no coração dos homens, que - por miopia, por egoísmo, por estreiteza de vistas - não são capazes de vislumbrar o insondável amor de Cristo Senhor Nosso.
A liturgia da Santa Igreja, desde que se instituiu a festa de hoje, tem sabido oferecer o alimento da verdadeira piedade, recolhendo como leitura para a Missa um texto de S. Paulo em que nos é proposto todo um programa de vida contemplativa - conhecimento e amor, oração e vida - que começa por esta devoção ao Coração de Jesus.
O próprio Deus, pela boca do Apóstolo, nos convida a seguir esse caminho: que Cristo habite pela fé nos vossos corações, e que, arreigados e cimentados na caridade, possais compreender com todos os santos qual é a amplitude e a grandeza, a altura e a profundidade do mistério; e conhecer também aquele amor de Cristo que ultrapassa todo o conhecimento, para vos encherdes de toda a plenitude de Deus.

A plenitude de Deus revela-se-nos em Cristo e é em Cristo que nos é dada: no seu amor, no seu Coração.
Porque este é o Coração d'Aquele em quem habita corporalmente toda a plenitude da divindade.
Por isso, se se perde de vista este alto desígnio de Deus, - a corrente de amor instaurada no mundo pela Encarnação, pela Redenção e pelo Pentecostes - não se poderão compreender as delicadezas do Coração do Senhor.

164
        
A verdadeira devoção ao coração de Cristo

Consideremos toda a riqueza que se encerra nestas palavras: Sagrado Coração de Jesus.

Quando falamos de um coração humano, não nos referimos só aos sentimentos: aludimos à pessoa toda que quer, que ama, que convive com os outros.
Ora, na maneira de os homens se exprimirem, que a Sagrada Escritura utiliza para nos dar a entender as coisas divinas, o coração é tido por resumo e fonte, expressão e fundo íntimo dos pensamentos, das palavras, das acções.
Um homem vale o que vale o seu coração - diríamos com palavras bem humanas.

Ao coração pertence a alegria: alegre-se o meu coração com o teu auxílio!; o arrependimento: o meu coração é como cera que se derrete dentro do peito; o louvor a Deus: do meu coração brota um cântico belo; a decisão para ouvir o Senhor: está disposto o meu coração; a vigília amorosa: eu durmo, mas o meu coração vigia, ainda a dúvida e o temor: não se perturbe o vosso coração; crede em Mim.

O coração não sente apenas: também sabe e entende.
A lei de Deus é recebida no coração, e nele permanece escrita.
E a Escritura acrescenta: a boca fala da abundância do coração.
O Senhor lançou em rosto a uns escribas: porque pensais mal em vossos corações?
E, para resumir todos os pecados que um homem pode cometer, disse: é do coração que saem todos os maus pensamentos, os homicídios, os adultérios, as fornicações, os furtos, os falsos testemunhos, as blasfémias.

Quando, na Sagrada Escritura, se fala de coração, não se trata de um sentimento passageiro, que perturba ou faz nascer as lágrimas.
Fala-se do coração para indicar a pessoa, pois esta, como disse o próprio Jesus, orienta-se toda - alma e corpo - para o que considera o seu bem: porque onde está o teu tesouro, aí está também o teu coração.

É por isso que, quando falamos do coração de Jesus, manifestamos a certeza do amor de Deus e a verdade da sua entrega a nós mesmos. Recomendar a devoção a esse Sagrado Coração é o mesmo que dizer que nos devemos orientar integralmente, com tudo o que somos - a nossa alma, os nossos sentimentos, os nossos pensamentos, palavras e acções, os nossos trabalhos e as nossas alegrias - para Jesus todo.

Nisto se define a verdadeira devoção ao Coração de Jesus: em conhecer a Deus e conhecermo-nos a nós mesmos, e em olhar para Jesus e recorrer a Ele - que nos anima, nos ensina, nos guia.
A única superficialidade que pode haver nesta devoção é a do homem que não é integralmente humano e que, por isso, não consegue aperceber-se da realidade de Deus feito carne.

165
        
Cristo na Cruz, com o Coração trespassado de Amor pelos homens, é uma resposta eloquente - as palavras não são necessárias - à pergunta sobre o valor das coisas e das pessoas.
Pois valem tanto os homens, a sua vida, a sua felicidade, que o próprio Filho de Deus Se entrega para os remir, para os purificar, para os elevar! Quem não amará o seu coração tão ferido? - perguntava uma alma contemplativa.
E continuava a perguntar: Quem não dará amor por amor?
Quem não abraçará um Coração tão puro?
Nós, que somos de carne, pagaremos amor com amor, abraçaremos o Ferido que encontrámos, Aquele a quem os ímpios atravessaram as mãos e os pés, o lado e o Coração.
Peçamos-lhe que Se digne prender o nosso coração com o vínculo do seu amor, feri-lo com uma lança, pois é ainda duro e impenitente.

São pensamentos, afectos e palavras que as almas enamoradas desde sempre dedicaram a Jesus.
Mas, para entender essa linguagem, para saber na verdade o que é o coração humano e o Coração de Cristo e o amor de Deus, são precisas a Fé e a humildade.
Foi com Fé e humildade que Santo Agostinho escreveu para nós estas palavras universalmente famosas: criastes-nos, Senhor, para Vós, e o nosso coração está inquieto enquanto em Vós não repousa.

Quando não cultiva a humildade, o homem pretende apropriar-se de Deus, mas não dessa maneira divina que o próprio Cristo tomou possível ao dizer tomai e comei: isto é o meu Corpo; antes, tentando reduzir a grandeza divina aos limites humanos.
A razão - razão fria e cega, que não é a inteligência nascida da Fé, nem sequer a recta inteligência da criatura capaz de saborear e amar as coisas - converte-se na sem-razão de quem tudo submete à sua pobre experiência vulgar, que amesquinha a verdade humana e cobre o coração do homem com uma crosta insensível às inspirações do Espírito Santo.
A nossa pobre inteligência estaria perdida, se não fosse o poder misericordioso de Deus, que rasga as fronteiras da nossa miséria: hei-de dar-vos um coração novo e revestir-vos de um novo espírito; hei-de tirar-vos o vosso coração de pedra e dar-vos em seu lugar um coração de carne.
E a alma recuperará a luz e há-de encher-se de alegria, por força das promessas da Sagrada Escritura.

Eu tenho pensamentos de paz e não de aflição, declarou Deus pela boca do profeta Jeremias.
A Liturgia aplica estas palavras a Jesus, porque n'Ele se nos manifesta com toda a clareza que é assim que Deus nos ama.
Não vem condenar-nos; não vem para nos lançar em rosto a nossa indigência ou a nossa mesquinhez: vem salvar-nos, perdoar-nos, desculpar-nos, trazer-nos a paz e a alegria.
Se reconhecermos esta maravilhosa relação do Senhor com os seus filhos, os nossos corações mudarão com certeza e veremos abrir-se diante dos nossos olhos um horizonte absolutamente novo, cheio de relevo, de profundidade e de luz.

(cont)


Temas para reflectir e meditar


Formação humana e cristã - 73

Quero viver a minha vida como desejo e não como o meu Amigo quer, esta é a verdade!

Oiço a Sua voz inconfundível, sinto a Sua mão poisada no meu ombro e, mais uma vez, fico envergonhado e as lágrimas veem-me aos olhos.

Ele está aqui… sempre, sempre… ao pé de mim tenho a certeza absoluta.

Mais calmo, digo-lhe em voz alta: Senhor: eu amo-Te!

E desata-se o nó que me apertava a garganta porque Ele me diz claramente: Eu sei!

(AMA, reflexões)

Maria, Filha de Deus Pai


Quanta vilania na minha conduta e quanta infidelidade à graça! – Minha Mãe, Refúgio dos pecadores, roga por mim, que nunca mais entorpeça a obra de Deus na minha alma. (Forja, 178)

Mãe nossa, nossa Esperança!, como estamos seguros, pegadinhos a Ti, ainda que tudo cambaleie. (Forja, 474)

Como gostam os homens de que lhes recordem o seu parentesco com personagens da literatura, da política, do exército, da Igreja!... – Canta diante da Virgem Imaculada, recordando-Lhe:
Ave, Maria, Filha de Deus Pai; Ave, Maria, Mãe de Deus Filho; Ave, Maria, Esposa de Deus Espírito Santo... Mais do que tu, só Deus! (Caminho, 496)

Diz: Minha Mãe (tua, porque és seu por muitos títulos), que o teu amor me prenda à Cruz do teu Filho; que não me falte a Fé, nem a valentia, nem a audácia, para cumprir a vontade do nosso Jesus. (Caminho, 497)

Evangelho e comentário


Tempo comum


Evangelho: Mc 10, 2-12

2 Aproximaram-se uns fariseus e perguntaram-lhe, para o experimentar, se era lícito ao marido divorciar-se da mulher. 3 Ele respondeu-lhes: «Que vos ordenou Moisés?» 4 Disseram: «Moisés mandou escrever um documento de repúdio e divorciar-se dela.» 5 Jesus retorquiu: «Devido à dureza do vosso coração é que ele vos deixou esse preceito. 6 Mas, desde o princípio da criação, Deus fê-los homem e mulher. 7 Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe para se unir à sua mulher, 8 e serão os dois um só. Portanto, já não são dois, mas um só. 9 Pois bem, o que Deus uniu não o separe o homem.» 10 De regresso a casa, de novo os discípulos o interrogaram acerca disto. 11 Jesus disse: «Quem se divorciar da sua mulher e casar com outra, comete adultério contra a primeira. 12 E se a mulher se divorciar do seu marido e casar com outro, comete adultério.»

Comentário:

A Doutrina da Igreja é clara neste candente assunto.

O Papa, o Magistério, estão atentos e debruçam-se com empenho na procura de orientações simples mas seguras que permitam aos cristãos viver como Deus quer que vivam.

É estricta obrigação de todos rezar intensamente ao Espírito Santo para que ilumine e guie a Igreja.


(AMA, comentário sobre Mc 10, 2-12, 2015.10.04)


06/10/2018

Pequena agenda do cristão

SÁBADO



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Honrar a Santíssima Virgem.

A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador, porque pôs os olhos na humildade da Sua serva, de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas, santo é o Seu nome. O Seu Amor se estende de geração em geração sobre os que O temem. Manifestou o poder do Seu braço, derrubou os poderosos do seu trono e exaltou os humildes, aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. Acolheu a Israel Seu servo, lembrado da Sua misericórdia, como tinha prometido a Abraão e à sua descendência para sempre.

Lembrar-me:

Santíssima Virgem Mãe de Deus e minha Mãe.

Minha querida Mãe: Hoje queria oferecer-te um presente que te fosse agradável e que, de algum modo, significasse o amor e o carinho que sinto pela tua excelsa pessoa.
Não encontro, pobre de mim, nada mais que isto: O desejo profundo e sincero de me entregar nas tuas mãos de Mãe para que me leves a Teu Divino Filho Jesus. Sim, protegido pelo teu manto protector, guiado pela tua mão providencial, não me desviarei no caminho da salvação.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?





Leitura espiritual


São Josemaria Escrivá

Cristo que passa 159 a 162 

159
         
O optimismo cristão

Alguma vez poderá surgir a tentação de pensar que tudo isto é tão belo como um sonho irrealizável.
Falei-vos de renovar a fé e a esperança; permanecei firmes, com a certeza absoluta de que as nossas aspirações serão ultrapassadas pelas maravilhas de Deus.
Mas torna-se indispensável que nos apoiemos verdadeiramente na virtude cristã da esperança.

Não nos acostumemos aos milagres que se operam perante nós: ao admirável portento que é o Senhor descer todos os dias às mãos do sacerdote.
Jesus quer que estejamos despertos, para que nos convençamos da grandeza do seu poder, e para que ouçamos novamente a sua promessa: venite post me, et faciam vos fieri piscatores hominum, se Me seguirdes, far-vos-ei pescadores de homens; sereis eficazes e atraireis as almas a Deus.
Devemos, portanto, confiar nessas palavras do Senhor: meter-se na barca, pegar nos remos, içar as velas e lançar-nos a esse mar do mundo que Cristo nos deixa em herança.
Duc in altum et laxate rectia vestra in capturam!: fazei-vos ao largo e lançai as vossas redes para pescar.

Este zelo apostólico que Cristo infundiu no nosso coração não se deve esgotar - extinguir - por uma falsa humildade.
Se é verdade que arrastamos connosco as nossas misérias, também é verdade que o Senhor conta com os nossos erros.
Não escapa ao seu olhar misericordioso que nós, os homens, somos criaturas com limitações, com fraquezas, com imperfeições, inclinadas ao pecado.
Por isso, manda-nos lutar, reconhecer os nossos defeitos; não para nos acobardarmos, mas para nos arrependermos e fomentarmos o desejo de sermos melhores.

Aliás, temos de lembrar-nos sempre de que somos apenas instrumentos: Que é, pois, ApoIo? e que é Paulo? Ministros daquele em quem vás crestes, segundo o dom que o Senhor deu a cada um. Eu plantei, Apolo regou; mas Deus é que deu o crescimento.
A doutrina, a mensagem que temos de difundir, tem uma fecundidade própria e infinita, que não é nossa, mas de Cristo.
É o próprio Deus quem está empenhado em realizar a obra salvadora, em redimir o, mundo.

160
         
Tenhamos, pois, Fé, sem permitir que o desalento nos domine; sem nos determos em cálculos meramente humanos.
Para superar os obstáculos, há que começar a trabalhar, metendo-se em cheio nessa tarefa, de maneira que o nosso próprio esforço nos leve a abrir novos caminhos.
Perante qualquer dificuldade, o remédio é este: santidade pessoal, entrega ao Senhor.

Ser santos é viver tal como o nosso Pai do Céu dispôs que vivêssemos.
Dir-me-eis que é difícil.
Sim, o ideal é muito elevado.
Mas ao mesmo tempo é fácil: está ao alcance da mão.
Quando uma pessoa adoece, nem sempre se consegue encontrar o remédio adequado para a tratar.
Mas no plano sobrenatural não acontece assim.
O remédio está sempre perto de nós: é Jesus Cristo, presente na Sagrada Eucaristia, que também nos dá a sua graça nos outros Sacramentos que instituiu.

Repitamos com a palavra e com as obras: Senhor, confio em Ti, basta-me a tua providência ordinária, a tua ajuda de cada dia.
Não temos por que pedir a Deus grandes milagres.
Temos de lhe suplicar, pelo contrário, que aumente a nossa fé, que ilumine a nossa inteligência, que fortaleça a nossa vontade.
Jesus está sempre junto de nós e permanece fiel.

Desde o começo da minha pregação, preveni-vos contra um falso endeusamento.
Não te assustes ao veres-te tal como és: assim, feito de barro.
Não te preocupes.
Porque, tu e eu somos filhos de Deus, - este é o endeusamento bom - escolhidos desde a eternidade, com uma vocação divina: escolheu-nos o Pai, por Jesus Cristo, antes da criação do mando, para que sejamos santos diante dele.
Nós, que somos especialmente de Deus, seus instrumentos apesar da nossa pobre miséria pessoal, seremos eficazes se não perdermos o conhecimento da nossa fraqueza.
As tentações dão-nos a dimensão da nossa própria fraqueza.

Se sentimos desalento ao experimentar - talvez de um modo particularmente vivo - a nossa mesquinhez, é o momento de nos abandonarmos por completo, com docilidade, nas mãos de Deus.
Conta-se que, certo dia, um mendigo saiu ao encontro de Alexandre Magno, pedindo uma esmola.
Alexandre parou e ordenou que o fizessem senhor de cinco cidades.
O pobre, confundido e atordoado, exclamou: eu não pedia tanto!
E Alexandre respondeu: tu pediste como quem és; eu dou-te como quem sou.

Mesmo nos momentos em que percebemos mais profundamente a nossa limitação, podemos e devemos olhar para Deus Pai, Deus Filho, Deus Espírito Santo, sabendo-nos participantes da vida divina.
Nunca existe razão suficiente para voltarmos atrás: o Senhor está ao nosso lado.
Temos que ser fiéis, leais, encarar as nossas obrigações, encontrando em Jesus o amor e o estímulo para compreender os erros dos outros e superar os nossos próprios erros.
Assim, todos esses desalentos - os teus, os meus, os de todos os homens - servem também de suporte ao reino de Cristo.

Reconheçamos as nossas fraquezas, mas confessemos o poder de Deus.
O optimismo, a alegria, a convicção firme de que o Senhor quer servir-se de nós têm de informar a vida cristã.
Se nos sentirmos parte dessa Igreja Santa, se nos considerarmos sustentados pela rocha firme de Pedro e pela acção do Espírito Santo, decidir-nos-emos a cumprir o pequeno dever de cada instante: semear todos os dias um pouco.
E a colheita fará transbordar os celeiros.

161
         
Terminemos este tempo de oração.
Recordai - saboreando, na intimidade da alma, a infinita bondade divina - que, pelas palavras da Consagração, Cristo vai tornar-se realmente presente na Hóstia, com o seu Corpo, Sangue, Alma e Divindade.
Adorai-O com reverência e devoção; renovai na sua presença o oferecimento sincero do vosso amor; dizei-lhe sem medo que Lhe quereis; agradecei-lhe esta prova diária de misericórdia tão cheia de ternura, e fomentai o desejo de vos aproximardes da comunhão com confiança.
Eu surpreendo-me perante este mistério de Amor: o Senhor procura como trono o meu pobre coração, para não me abandonar, se eu não me afastar d'Ele.

Reconfortados pela presença de Cristo, alimentados pelo seu Corpo, seremos fiéis durante esta vida terrena, e mais tarde no Céu, junto de Jesus e de Sua Mãe, chamar-nos-emos vencedores.
Onde está, ó morte, a tua vitória?
Onde está, ó morte, o teu aguilhão?
Demos graças a Deus que nos trouxe a vitória, pela virtude de Nosso Senhor Jesus Cristo.

162
         
Deus Pai dignou-Se conceder-nos, no Coração do Filho, infinitos dilectionis thesauros, tesouros inesgotáveis de amor, de misericórdia, de ternura.
Se quisermos descobrir com evidência que Deus nos ama - que não só escuta as nossas orações, mas até Se nos antecipa - basta-nos seguir o mesmo raciocínio de S. Paulo: Aquele que nem ao seu próprio Filho perdoou, mas O entregou à morte por nós, corno não nos dará, com Ele, todas as coisas?

A graça renova o homem por dentro e converte-o, de pecador e rebelde, em servo bom e fiel.
E a fonte de todas as graças é o amor que Deus tem por nós e nos revelou - e não só com palavras, também com actos.
O amor divino faz com que a Segunda Pessoa da Trindade Santíssima, o Verbo, o Filho de Deus Pai, tome a nossa carne, isto é, a nossa condição humana, menos o pecado.
E o Verbo, a Palavra de Deus, é Verbum spirans amorem, a Palavra de que procede o Amor.

O Amor revela-se na Encarnação, nessa caminhada redentora de Jesus Cristo pela Terra, até ao sacrifício supremo da Cruz.
E na Cruz manifesta-se com um novo sinal: um dos soldados abriu o lado de Jesus com uma lança e no mesmo instante saiu sangue e água .
Água e sangue de Jesus que nos falam de uma entrega realizada até ao último extremo, até ao consummatum est , ao "tudo está consumado", por amor.

Na festa de hoje, ao considerarmos uma vez mais os mistérios centrais da nossa fé, maravilhamo-nos de que as realidades mais profundas - o amor de Deus Pai que entrega o seu Filho; o amor do Filho que O leva a caminhar sereno até ao Gólgota - se traduzam em gestos muito próximos dos homens.
Deus não Se nos dirige numa atitude de poder e de domínio; aproxima-Se de nós tomando a forma de servo, tornado semelhante aos homens.
Nunca Jesus Se mostra distante e altivo.
Por vezes, durante os anos de pregação, podemos vê-Lo desgostoso por lhe doer a maldade humana.
Mas, se repararmos melhor, logo perceberemos que o que Lhe provoca o desgosto ou a cólera é o amor, que o desgosto e a cólera são apenas um novo modo de nos arrancar à infidelidade e ao pecado. Porventura quero Eu a morte do ímpio - diz o Senhor Deus - e não que se converta do seu mau caminho e que viva?
Essas palavras explicam-nos toda a vida de Cristo e fazem-nos compreender por que Se apresentou perante nós com um coração de carne, com um coração como o nosso, prova irrefutável de amor e testemunho constante do mistério inenarrável da caridade divina.


(cont)


Temas para reflectir e meditar

Formação humana e cristã - 72

Sim… já sei que, por vezes, este meu Amigo parece voltar-me as costas ou fingir que não está interessado na “minha conversa”.

Fico, assim, parado e pergunto-me:

Mas que é isto? Que se passa?

E, por vezes, penso que Ele tem toda a razão! Talvez esteja um bocadinho “farto” das minhas conversas!

Será?

Não será, antes, que eu não estou a dialogar com Ele mas a ter um simples monólogo?

Vou pensando que não presto para nada, que não valho nada, que não sou nada e, portanto…
Caio em mim e vejo, com meridiana clareza que não tenho “autoridade” para pensar desta forma.

Estou a tentar ser juiz e árbitro em causa própria e encontrar uma razão para o que penso seja um súbito “desinteresse” do Senhor por mim.

E, chego, uma vez mais, à triste conclusão, que sou um ingrato.

Um teimoso incorrigível.

(AMA, reflexões)

A maior doação de Deus aos homens


Quando o receberes, diz-lhe: – Senhor, espero em Ti; adoro-te, amo-te, aumenta-me a fé. Sê o apoio da minha debilidade, Tu, que ficaste na Eucaristia, inerme, para remediar a fraqueza das criaturas. (Forja, 832)

Creio que não vou dizer nada de novo, se afirmar que alguns cristãos têm uma visão muito pobre da Santa Missa e que ela é para muitos um mero rito exterior, quando não um convencionalismo social. Isto acontece, porque os nossos corações, de si tão mesquinhos, são capazes de viver com rotina a maior doação de Deus aos homens. Na Santa Missa, nesta Missa que agora celebramos, intervém de um modo especial, repito, a Trindade Santíssima. Para corresponder a tanto amor, é preciso que haja da nossa parte uma entrega total do corpo e da alma, pois vamos ouvir Deus, falar com Ele, vê-Lo, saboreá-Lo. E se as palavras não forem suficientes, poderemos cantar, incitando a nossa língua – Pange, lingua! – a que proclame, na presença de toda a Humanidade, as grandezas do Senhor.

Viver a Santa Missa é manter-se em oração contínua, convencermo-nos de que, para cada um de nós, este é um encontro pessoal com Deus, em que O adoramos, O louvamos, Lhe pedimos, Lhe damos graças, reparamos os nossos pecados, nos purificamos e nos sentimos uma só coisa em Cristo com todos os cristãos. (Cristo que passa, nn. 87–88)

Evangelho e comentário


Tempo comum



Evangelho: Lc 10, 17-24

17 Os setenta e dois discípulos voltaram cheios de alegria, dizendo: «Senhor, até os demónios se sujeitaram a nós, em teu nome!» 18 Disse-lhes Ele: «Eu via Satanás cair do céu como um relâmpago. 19 Olhai que vos dou poder para pisar aos pés serpentes e escorpiões e domínio sobre todo o poderio do inimigo; nada vos poderá causar dano. 20 Contudo, não vos alegreis porque os espíritos vos obedecem; alegrai-vos, antes, por estarem os vossos nomes escritos no Céu.» 21 Nesse mesmo instante, Jesus estremeceu de alegria sob a acção do Espírito Santo e disse: «Bendigo-te, ó Pai, Senhor do Céu e da Terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e aos inteligentes e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado. 22 Tudo me foi entregue por meu Pai; e ninguém conhece quem é o Filho senão o Pai, nem quem é o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho houver por bem revelar-lho.» 23 Voltando-se, depois, para os discípulos, disse-lhes em particular: «Felizes os olhos que vêem o que estais a ver. 24 Porque - digo-vos - muitos profetas e reis quiseram ver o que vedes e não o viram, ouvir o que ouvis e não o ouviram!»

Comentário:

Jesus termina a conversa com os setenta e dois que tinha enviado em missão apostólica, a primeira de uma sucessão de muitos milhares ao longo dos tempos, exactamente com palavras que nos enchem de alegria.

Nós, cristãos, não vimos nem ouvimos o que os setenta e dois tiveram a graça de ver e ouvir, mas, a verdade, é que sabemos muito mais que eles, na altura sabiam, conhecemos Jesus Cristo tão intimamente que O recebemos na Comunhão Eucarística.

Mas a verdade é sem esses setenta e dois e os milhares que lhes sucederam, sem o seu testemunho, exemplo e perseverança, não teríamos tido essa oportunidade, recebido essa graça.

(AMA, comentário sobre Lc 10, 17-24,10.07.2018)