04/12/2017

Pequena agenda do cristão

SeGUNDa-Feira



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Sorrir; ser amável; prestar serviço.

Senhor que eu faça ‘boa cara’, que seja alegre e transmita aos outros, principalmente em minha casa, boa disposição.

Senhor que eu sirva sem reserva de intenção de ser recompensado; servir com naturalidade; prestar pequenos ou grandes serviços a todos mesmo àqueles que nada me são. Servir fazendo o que devo sem olhar à minha pretensa “dignidade” ou “importância” “feridas” em serviço discreto ou desprovido de relevo, dando graças pela oportunidade de ser útil.

Lembrar-me:
Papa, Bispos, Sacerdotes.

Que o Senhor assista e vivifique o Papa, santificando-o na terra e não consinta que seja vencido pelos seus inimigos.

Que os Bispos se mantenham firmes na Fé, apascentando a Igreja na fortaleza do Senhor.

Que os Sacerdotes sejam fiéis à sua vocação e guias seguros do Povo de Deus.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?




03/12/2017

Queremos ver com olhos limpos

Que formosa é a santa pureza! Mas não é santa, nem agradável a Deus, se a separarmos da caridade. A caridade é a semente que crescerá e dará frutos saborosíssimos com a rega que é a pureza. Sem caridade, a pureza é infecunda, e as suas águas estéreis convertem as almas num lodaçal, num charco imundo, donde saem baforadas de soberba. (Caminho, 119)


É verdade que a caridade teologal é a virtude mais alta, mas a castidade é a exigência sine qua non, condição imprescindível para chegar ao diálogo íntimo com Deus. Quem não a guarda, se não luta, acaba por ficar cego. Não vê nada, porque o homem animal não pode perceber as coisas que são do Espírito de Deus.

Animados pela pregação do Mestre, nós queremos ver com olhos limpos: bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus.


A Igreja sempre apresentou estas palavras como um convite à castidade. Guardam um coração sadio, escreve S. João Crisóstomo, os que possuem uma consciência completamente limpa ou os que amam a castidade. Nenhuma virtude é tão necessária como esta para ver a Deus. (Amigos de Deus, 175)

Evangelho e comentário

Tempo do Advento


Evangelho: Mc 13, 33-37

33 «Tomai cuidado, vigiai, pois não sabeis quando chegará esse momento. 34 É como um homem que partiu de viagem: ao deixar a sua casa, delegou a autoridade nos seus servos, atribuiu a cada um a sua tarefa e ordenou ao porteiro que vigiasse. 35 Vigiai, pois, porque não sabeis quando virá o dono da casa: se à tarde, se à meia-noite, se ao cantar o galo, se de manhãzinha; 36 não seja que, vindo inesperadamente, vos encontre a dormir. 37 O que vos digo a vós, digo a todos: vigiai!»

Comentário:


O Tempo do Advento é um tempo de preparação para O que há-de vir: o nosso Salvador!

Tempo que nos é dado para reflectir e examinar a nossa vida e, sem dúvida, corrigir e emendar o que não estará de acordo com a nossa vida Cristã e não é próprio para quem se prepara para receber tão Ilustre Personagem.

Tal como nos devemos preparar para O receber no nosso coração purificado e na nossa alma em graça assim nos devemos preparar para esse momento derradeiro em que teremos de nos apresentar perante o Senhor da vida e da morte, aptos para receber o prémio da salvação eterna a que aspiramos.

(AMA, comentário sobre Mc 13, 33-37, 07.09.2017)








Leitura espiritual

São Josemaria Escrivá

CRISTO QUE PASSA

142
          
Intimidade com Maria

De uma maneira espontânea, natural, surge em nós o desejo de conviver com a Mãe de Deus, que é também nossa mãe; de conviver com Ela como se convive com uma pessoa viva, porque sobre Ela não triunfou a morte; está em corpo e alma junto a Deus Pai, junto a seu Filho, junto ao Espírito Santo.

Para compreendermos o papel que Maria desempenha na vida cristã, para nos sentirmos atraídos por Ela, para desejar a sua amável companhia com filial afecto, não são precisas grandes especulações, embora o mistério da Maternidade divina tenha uma riqueza de conteúdo sobre a qual nunca reflectiremos bastante.

A fé católica soube reconhecer em Maria um sinal privilegiado do amor de Deus.
Deus chama-nos, já agora, seus amigos; a sua graça actua em nós, regenera-nos do pecado, dá-nos forças para que, entre as fraquezas próprias de quem é pó e miséria, possamos reflectir de algum modo o rosto de Cristo.
Não somos apenas náufragos que Deus prometeu salvar; essa salvação já actua em nós.
A nossa relação com Deus não é a de um cego que anseia pela luz mas que geme entre as angústias da obscuridade; é a de um filho que se sabe amado por seu Pai.

Dessa cordialidade, dessa confiança, dessa segurança, nos fala Maria. Por isso o seu nome vai tão direito aos nossos corações.
A relação de cada um de nós com a nossa própria mãe pode servir-nos de modelo e de pauta para a nossa intimidade com a Senhora do Doce Nome, Maria. Temos de amar a Deus com o mesmo coração com que amamos os nossos pais, os nossos irmãos, os outros membros da nossa família, os nossos amigos ou amigas.
Não temos outro coração.
E com esse mesmo coração havemos de querer a Maria.

Como se comporta um filho ou uma filha normal com a sua Mãe?
De mil maneiras, mas sempre com carinho e confiança.
Com um carinho que se manifestará em cada caso de determinadas formas, nascidas da própria vida, e que nunca são algo de frio, mas costumes muito íntimos de família, pequenos pormenores diários que o filho precisa de ter com a sua mãe e de que a mãe sente falta, se o filho alguma vez os esquece: um beijo ou uma carícia ao sair ou ao voltar a casa, uma pequena delicadeza, umas palavras expressivas...

Nas nossas relações com a nossa Mãe do Céu, existem também essas normas de piedade filial, que são modelo do nosso comportamento habitual com Ela.
Muitos cristãos tornam seu o antigo costume do escapulário; ou adquirem o hábito de saudar (não são precisas palavras; o pensamento basta) as imagens de Maria que há em qualquer lar cristão ou que adornam as ruas de tantas cidades; ou dão vida a essa oração maravilhosa que é o Terço, em que a alma não se cansa de dizer sempre as mesmas coisas, como não se cansam os enamorados, e em que se aprende a reviver os momentos centrais da vida do Senhor; ou então habituam-se a dedicar à Senhora um dia da semana - precisamente este em que estamos reunidos: o sábado - oferecendo-lhe alguma pequena delicadeza e meditando mais especialmente na sua maternidade...

Há muitas outras devoções marianas que não é necessário recordar aqui neste momento.
Nem todas têm de fazer parte da vida de cada cristão - crescer em vida sobrenatural é algo de muito diferente de ir amontoando devoções - mas devo afirmar ao mesmo tempo que não possui a plenitude da fé cristã quem não vive alguma delas, quem não manifesta de algum modo o seu amor a Maria.

Os que consideram ultrapassadas as devoções à Virgem Santíssima dão sinais de terem perdido o profundo sentido cristão que elas encerram e esquecido a fonte donde nascem: a fé na vontade salvífica de Deus Pai; o amor a Deus Filho, que Se fez Homem realmente e nasceu de uma mulher; a confiança em Deus Espírito Santo, que nos santifica com a sua graça.
Foi Deus quem nos deu Maria e não temos o direito de rejeitá-la, mas devemos recorrer a Ela com amor e com alegria de filhos.

143
          
Tornarmo-nos crianças no amor de Deus

Consideremos atentamente este ponto, porque nos pode ajudar a compreender coisas muito importantes.
O mistério de Maria faz-nos ver que, para nos aproximarmos de Deus, é preciso tornarmo-nos pequenos.
Em verdade vos digo, - exclamou o Senhor dirigindo-Se aos seus discípulos - se não voltardes a ser como meninos, não podereis entrar no reino dos Céus.

Tornarmo-nos meninos...
Renunciar à soberba, à auto-suficiência; reconhecer que, sozinhos, nada podemos, porque necessitamos da graça, do poder do nosso Pai, Deus, para aprender a caminhar e para perseverar no caminho. Ser pequeno exige abandonar-se como se abandonam as crianças, crer como crêem as crianças, pedir como pedem as crianças.

Tudo isto aprendemos na intimidade com Maria.
A devoção à Virgem não é moleza; é consolo e júbilo que enche a alma precisamente porque exige o exercício profundo e íntegro da Fé, que nos faz sair de nós mesmos e colocar a nossa esperança no Senhor.
Iavé é o meu pastor - canta um dos salmos - e nada me faltará.
Em verdes prados me faz repousar, conduz-me junto das águas saborosas, reconforta a minha alma e guia-me por caminhos rectos, em virtude do seu nome. Ainda que eu vá por um vale tenebroso, nenhum mal temerei, porque Tu estás comigo.

Porque Maria é Mãe, a sua devoção ensina-nos a ser filhos - a amar deveras, sem medida; a ser simples, sem as complicações que nascem do egoísmo de pensar só em nós; a estar alegres, sabendo que nada pode destruir a nossa esperança.
O princípio do caminho que leva à loucura do amor de Deus é um confiado amor a Maria Santíssima.
Assim o escrevi já há muitos anos, no prólogo a uns comentários ao Santo Rosário, e desde então muitas vezes voltei a comprovar a verdade destas palavras.
Não vou fazer aqui muitas considerações para glosar esta ideia; convido-vos, sim, a fazerdes vós a experiência, a descobrirdes isso por vós mesmos, conversando amorosamente com Maria, abrindo-lhe o vosso coração, confiando-lhe as vossas alegrias e as vossas penas, pedindo-lhe que vos ajude a conhecer e a seguir Jesus.

144
          
Se procurais Maria, encontrareis Jesus.
E aprendereis a entender um pouco o que há nesse coração divino, que se aniquila, que renuncia a manifestar o seu poder e a sua majestade, para se apresentar sob a forma de escravo.
Falando humanamente, poderíamos dizer que Deus Se excede, pois não se limita ao que seria essencial e imprescindível para salvar-nos, mas vai mais além.
A única norma ou medida que nos permite compreender de algum modo essa maneira de actuar de Deus é reparar que não tem medida, ver que nasce de uma loucura de amor, que O leva a tomar a nossa carne e a carregar com o peso dos nossos pecados.

Como é possível dar-nos conta disto, advertirmos que Deus nos ama e não ficarmos também nós loucos de amor?
É necessário deixar que estas verdades da nossa fé nos vão penetrando na alma, até transformarem toda a nossa vida.
Deus ama-nos! O Omnipotente, o que fez os Céus e a Terra!

Deus interessa-Se pelas mais pequenas coisas das suas criaturas - pelas vossas e pelas minhas - e chama-nos, um a um, pelo nosso próprio nome.
Esta certeza que a Fé nos dá faz-nos olhar o que nos cerca a uma luz nova e, permanecendo tudo igual, leva-nos a ver que tudo é diferente, porque tudo é expressão do amor de Deus.

A nossa vida converte-se, desse modo, numa continua oração, num bom humor e numa paz que nunca se acabam, num acto de acção de graças desfiado ao longo das horas.
A minha alma glorifica a Senhor - cantou a Virgem Maria - e o meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador, porque olhou para a humilde condição da sua Serva. Por isso, desde agora todas as gerações me hão-de chamar bem-aventurada, porque fez em mim grandes coisas o Omnipotente, cujo nome é Santo.

A nossa oração pode acompanhar e imitar essa oração de Maria.
Tal como Ela, sentiremos desejo de cantar, de proclamar as maravilhas de Deus, para que a Humanidade inteira e todos os seres participem da nossa felicidade.

145 
         
Maria faz-nos sentir irmãos

Não podemos conviver filialmente com Maria e pensar apenas em nós mesmos, nos nossos problemas.
Não se pode tratar com a Virgem e ter, egoisticamente, problemas pessoais.
Maria leva a Jesus e Jesus é primogenitus in multis fratribus, primogénito entre muitos irmãos.
Conhecer Jesus, portanto, é compreendermos que a nossa vida não pode ter outro sentido senão o de entregar-nos ao serviço dos outros. Um cristão não pode reduzir-se aos seus problemas pessoais, pois tem de viver face à Igreja universal, pensando na salvação de todas as almas.

Deste modo, até aquelas facetas que poderiam considerar-se mais íntimas e privadas - a preocupação pelo progresso interior - não são, na realidade, individuais, visto que a santificação forma uma só coisa com o apostolado.
Havemos de esforçar-nos, na nossa vida interior e no desenvolvimento das virtudes cristãs, pensando no bem de toda a Igreja, dado que não poderíamos fazer o bem e dar a conhecer Cristo, se na nossa vida não se desse um esforço sincero por realizar os ensinamentos do Evangelho.

Impregnadas deste espírito, as nossas orações, ainda que comecem por temas e propósitos aparentemente pessoais, acabam sempre por ir ter ao serviço dos outros.
E, se caminharmos pela mão da Virgem Santíssima, Ela fará com que nos sintamos irmãos de todos os homens, porque todos somos Filhos desse Deus de que Ela é filha, esposa e mãe.

Os problemas dos outros devem ser os nossos problemas.
A fraternidade cristã deve estar bem no fundo da nossa alma, de tal modo que nenhuma pessoa nos seja indiferente.
Maria, Mãe de Jesus, que O criou, O educou e O acompanhou durante a sua vida terrena e agora está junto d'Ele nos Céus, ajudar-nos-á a reconhecer Jesus em quem passa ao nosso lado, tornado presente para nós nas necessidades dos nossos irmãos, os homens.

146
          
Naquela "romaria" de que vos falava ao princípio, enquanto caminhávamos até à ermida de Sonsoles, passámos junto a uns campos de trigo.
A messe brilhava ao sol, ondulada pelo vento. Veio-me então à memória um texto do Evangelho, umas palavras que o Senhor dirigiu ao grupo dos seus discípulos: Não dizeis vós que dentro de quatro meses chegará o tempo da ceifa? Pois Eu vos digo: erguei os olhos e vede; os campos estão brancos para a ceifa.
Lembrei-me uma vez mais de que o Senhor queria meter em nossos corações o mesmo empenho, o mesmo fogo que dominava o Seu.
E, de boa vontade, afastando-me um pouco do caminho, teria apanhado umas espigas que me serviriam para recordá-lo.

É preciso abrir os olhos, é preciso saber olhar ao nosso redor e perceber os chamamentos que Deus nos faz através daqueles que nos rodeiam.
Não podemos viver de costas para a multidão, encerrados no nosso pequeno mundo.
Não foi assim que Jesus viveu.
Os Evangelhos falam-nos muitas vezes da sua misericórdia, da sua capacidade de participar na dor e nas necessidades dos outros: compadece-Se da viúva de Naim, chora pela morte de Lázaro, preocupa-se com as multidões que O seguem e não têm que comer; compadece-Se sobretudo dos pecadores, dos que caminham pelo mundo sem conhecerem a luz nem a verdade.
Ao desembarcar, viu Jesus uma grande multidão e compadeceu-Se deles porque eram como ovelhas sem pastor. E começou então a ensiná-los demoradamente.

Quando somos verdadeiramente filhos de Maria, compreendemos essa atitude do Senhor, torna-se grande o nosso coração e ficamos penetrados de misericórdia.
Doem-nos então os sofrimentos, as misérias, os erros, a solidão, a angústia, a dor dos outros homens, nossos irmãos.
E sentimos a urgência de ajudá-los nas suas necessidades e de lhes falar de Deus para que saibam tratá-Lo como filhos e possam conhecer as delicadezas maternais de Maria.

(cont)


Temas para meditar

A força do Silêncio, 70


O silêncio de Deus é uma queimadura escarlate para o homem que dele se aproxima.
Por meio desse silêncio divino, o homem torna-se algo estranho a este mundo.
Afasta-se da terra e de si mesmo.
O silêncio empurra-nos para uma terra desconhecida que é Deus.
E essa terra torna-se a nossa verdadeira pátria.
Pelo silêncio, voltamos à nossa origem celeste, onde não há senão calma, paz, repouso, contemplação e adoração silenciosos do rosto radioso de Deus



CARDEAL ROBERT SARAH

Pequena agenda do cristão

DOMINGO



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Viver a família.

Senhor, que a minha família seja um espelho da Tua Família em Nazareth, que cada um, absolutamente, contribua para a união de todos pondo de lado diferenças, azedumes, queixas que afastam e escurecem o ambiente. Que os lares de cada um sejam luminosos e alegres.

Lembrar-me:
Cultivar a Fé

São Tomé, prostrado a Teus pés, disse-te: Meu Senhor e meu Deus!
Não tenho pena nem inveja de não ter estado presente. Tu mesmo disseste: Bem-aventurados os que crêem sem terem visto.
E eu creio, Senhor.
Creio firmemente que Tu és o Cristo Redentor que me salvou para a vida eterna, o meu Deus e Senhor a quem quero amar com todas as minhas forças e, a quem ofereço a minha vida. Sou bem pouca coisa, não sei sequer para que me queres mas, se me crias-te é porque tens planos para mim. Quero cumpri-los com todo o meu coração.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?

02/12/2017

Um só coração e uma só alma

Hás-de ser, como filho de Deus e com a sua graça, varão ou mulher forte, de desejos e de realidades. Não somos plantas de estufa. Vivemos no meio do mundo e temos de estar a todos os ventos, ao calor e ao frio, à chuva e aos ciclones..., mas fiéis a Deus e à sua Igreja. (Forja, 792)

O trabalho da Igreja, cada dia, é como um grande tecido que oferecemos a Nosso Senhor, porque todos os baptizados somos Igreja.

Se cumprirmos – fiéis e entregues –, este grande tecido será formoso e sem defeito. Mas, se se solta um fio aqui, outro ali e outro pelo outro lado..., em vez de um bonito tecido, teremos um farrapo feito em tiras. (Forja, 640)

Pede a Deus que na Santa Igreja, nossa Mãe, os corações de todos, como na primitiva cristandade, sejam um só coração, para que até ao fim dos séculos se cumpram de verdade as palavras da Escritura: "multitudinis autem credentium erat cor unum et anima una", a multidão dos fiéis tinha um só coração e uma só alma.

– Falo-te muito seriamente: que por tua causa não se lese esta unidade santa. Leva isto à tua oração! (Forja, 632)


Oferece a oração, a expiação e a acção por esta finalidade: "ut sint unum!", para que todos os cristãos tenham uma mesma vontade, um mesmo coração, um mesmo espírito: para que "omnes cum Petro ad Iesum per Mariam!", todos, bem unidos ao Papa, vamos a Jesus, por Maria. (Forja, 647)

Evangelho e comentário

Tempo Comum


Evangelho: Lc 21, 34-36

34 «Tende cuidado convosco: que os vossos corações não se tornem pesados com a devassidão, a embriaguez e as preocupações da vida, e que esse dia não caia sobre vós subitamente, 35 como um laço; pois atingirá todos os que habitam a terra inteira. 36 Velai, pois, orando continuamente, a fim de terdes força para escapar a tudo o que vai acontecer e aparecerdes firmes diante do Filho do Homem.»

Comentário:

Na continuação dos versículos anteriores, o Evangelista insiste nas recomendações do Senhor.

De facto, Ele quer que todos se salvem, pois para isso, veio ao mundo e morreu na Cruz.

É o sempre repetido tema da vigilância, do estar atento, do viver a nossa vida como cristãos autênticos que procuram, em tudo, fazer a Vontade de Deus.

E, Jesus, dá a “receita”: Orar continuamente, sem desfalecimento, com fé e esperança que Ele não nos deixará entregues a nós mesmos sem nos prestar a Sua assistência.



(AMA, comentário sobe 21,34-36, 07.09.2017)

Leitura espiritual

São Josemaria Escrivá

CRISTO QUE PASSA


138
          
No meio das limitações inseparáveis da nossa situação presente, porque o pecado ainda habita em nós de algum modo, o cristão vê com nova clareza toda a riqueza da sua filiação divina, quando se reconhece plenamente livre porque trabalha nas coisas do seu Pai, quando a sua alegria se torna constante por nada ser capaz de lhe destruir a esperança.

Pois é também nesse momento que é capaz de admirar todas as belezas e maravilhas da Terra, de apreciar toda a riqueza e toda a bondade, de amar com a inteireza e a pureza para que foi criado o coração humano.

Também é nessa altura que a dor perante o pecado não degenera num gesto amargo, desesperado ou altivo porque a compunção e o conhecimento da fraqueza humana conduzem-no a identificar-se outra vez com as ânsias redentoras de Cristo e a sentir mais profundamente a solidariedade com todos os homens.
É então, finalmente, que o cristão experimenta em si com segurança a força do Espírito Santo, de tal maneira que as suas quedas pessoais não o abatem; são um convite a recomeçar e a continuar a ser testemunha fiel de Cristo em todas as encruzilhadas da Terra, apesar das misérias pessoais, que nestes casos costumam ser faltas leves, que apenas turvam a alma; e, ainda que fossem graves, acudindo ao Sacramento da Penitência com compunção, volta-se à paz de Deus e a ser de novo uma boa testemunha das suas misericórdias.

Tal é, em breve resumo que mal consegue traduzir em pobres palavras humanas a riqueza da fé, a vida do cristão, quando se deixa guiar pelo Espírito Santo.
Não posso, portanto, terminar melhor do que fazendo minha a súplica que se contém num dos hinos litúrgicos da festa de Pentecostes, que é como um eco da oração incessante da Igreja inteira: Vem, Espírito Criador, visita as inteligências dos teus, enche de graça celeste os corações que criaste. Na tua escola, faz-nos conhecer o Pai e também o Filho; faz, enfim, com que acreditemos eternamente em Ti, Espírito que procedes de Um e do Outro.

139  
        
Um olhar pelo mundo, um olhar sobre o Povo de Deus neste mês de Maio que começa, faz-nos contemplar o espectáculo da devoção mariana manifestada em tantos costumes, antigos ou novos, mas sempre vividos com um mesmo espírito de amor.
Dá alegria verificar que a devoção à Virgem está sempre viva, despertando nas almas cristãs um impulso sobrenatural para se comportarem como domestici Dei, como membros da família de Deus.

Nestes dias, vendo como tantos cristãos exprimem dos mais diversos modos o seu carinho à Virgem Santa Maria, também vós certamente vos sentis mais dentro da Igreja, mais irmãos de todos esses vossos irmãos.

É uma espécie de reunião de família, como quando os irmãos que a vida separou voltam a encontrar-se junto da Mãe, por ocasião de alguma festa.
Ainda que alguma vez tenham discutido uns com os outros e se tenham tratado mal, naquele dia não; naquele dia sentem-se unidos, reencontram-se unidos, reencontram-se todos no afecto comum.

Maria, na verdade, edifica continuamente a Igreja, reúne-a, mantém-na coesa.
É difícil ter autêntica devoção à Virgem sem nos sentirmos mais vinculados aos outros membros do Corpo Místico e também mais unidos à sua cabeça visível, o Papa.
Por isso me agrada repetir: Omnes cum Petro ad Iesum per Mariam! - todos, com Pedro, a Jesus, por Maria!
E assim, ao reconhecer-nos como parte da Igreja e convidados a sentir-nos irmãos na Fé, descobrimos mais profundamente a fraternidade que nos une à Humanidade inteira, porque a Igreja foi enviada por Cristo a todos os homens e a todos os povos.

O que acabo de dizer, todos nós o experimentamos, pois não nos têm faltado ocasiões de comprovar os efeitos sobrenaturais de uma sincera devoção à Virgem.
Cada um de vós podia contar muitas coisas a esse propósito.
E eu também. Vem-me agora à memória uma romaria que fiz em 1935 a uma ermida da Virgem em terra castelhana - a Sonsoles.

Não era uma romaria no sentido habitual.
Não era ruidosa nem multitudinária. Íamos apenas três.
Respeito e estimo essas outras manifestações públicas de piedade, mas, pessoalmente, prefiro tentar oferecer a Maria o mesmo carinho e o mesmo entusiasmo por meio de visitas pessoais, ou em pequenos grupos, com intimidade.

Naquela romaria a Sonsoles, conheci a origem desta invocação da Virgem - pormenor sem grande importância, mas que é uma manifestação filial da gente daquela terra.
A imagem de Nossa Senhora que se venera naquele lugar esteve escondida durante algum tempo, na época das lutas entre cristãos e muçulmanos em Espanha.
Ao cabo de alguns anos, a imagem foi encontrada por uns pastores, que, segundo conta a tradição, exclamaram, ao vê-la: Que lindos olhos! São sóis! *

* (N. do T.) Em castelhano, "son soles"

140 
         
Mãe de Cristo, Mãe dos Cristãos

Desde esse ano de 1935, em numerosas e habituais visitas a santuários de Nossa Senhora, tenho tido ocasiões de reflectir e de meditar sobre esta realidade - a do carinho de tantos cristãos pela Mãe de Jesus.
E sempre pensei que esse carinho é uma correspondência de amor, uma prova de gratidão filial. Porque Maria está bem unida à maior manifestação de amor de Deus, a Encarnação do Verbo, que se fez homem como nós e carregou com as nossas misérias e pecados. Maria, fiel à missão divina para que foi criada entregou-se e entrega-se continuamente em serviço dos homens, chamados todos eles a serem irmãos do seu Filho Jesus.
E assim a Mãe de Deus é realmente agora a Mãe dos homens também,

Assim é, porque assim o quis o Senhor. E o Espírito Santo dispôs que ficasse escrito, para ser manifesto a todas as gerações: Estavam, junto à Cruz de Jesus, sua Mãe, e a irmã de sua Mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria de Magdala.
Ao ver sua Mãe e, junto dela, o discípulo que Ele amava, Jesus disse a sua Mãe: Mulher, eis aí o teu filho. Depois. disse ao discípulo: Eis aí a tua Mãe. E, desde aquela hora, o discípulo recebeu-a em sua casa.

João, o discípulo amado de Jesus, recebe Maria e introdu-la em sua casa, na sua vida.
Os autores espirituais viram nestas palavras do Santo Evangelho um convite dirigido a todos os cristãos para que Maria entre também nas suas vidas.
Em certo sentido, é quase supérfluo este esclarecimento. Maria quer, certamente, que a invoquemos, que nos aproximemos d'Ela com confiança, que apelemos para a sua maternidade, pedindo-lhe que se manifeste como nossa Mãe.

Mas é uma Mãe que não se faz rogar, que se adianta, inclusivamente, às nossas súplicas, pois conhece as necessidades e vem prontamente em nossa ajuda, demonstrando com obras que se lembra constantemente dois seus filhos.
Cada um de nós, evocando a sua própria vida e vendo como nela se manifesta a misericórdia de Deus, pode descobrir mil motivos para se sentir, de modo especial, filho de Maria.

141 
         
Os textos da Sagrada Escritura que nos falam de Nossa Senhora fazem-nos ver precisamente como a Mãe de Jesus acompanha o seu Filho passo a passo, associando-se à sua missão redentora, alegrando-se e sofrendo com Ele, amando aqueles que Jesus ama, ocupando-se com maternal solicitude de todos os que estão a seu lado.

Pensemos, por exemplo, no relato das bodas de Caná.
Entre tantos convidados de uma ruidosa boda rural, a que vêm pessoas de muitos lugares, Maria dá pela falta de vinho.
Repara nisso imediatamente - e só Ela.
Que familiares se nos apresentam as cenas da vida de Cristo!
Porque a grandeza de Deus convive com o humano - com o normal e corrente.
Realmente, é próprio de uma mulher, de uma atenta dona de casa, reparar num descuido, estar presente nesses pequenos pormenores que tomam agradável a existência humana; e assim aconteceu com Maria.

Reparai também que é João quem narra o episódio de Caná.
É ele o único evangelista que recolhe este gesto de solicitude maternal.
S. João quer lembrar-vos que Maria esteve presente no começo da vida pública do Senhor.
Isto demonstra que soube aprofundar a importância dessa presença de Nossa Senhora. Jesus sabia a quem confiava a sua Mãe: a um discípulo que a tinha amado, que tinha aprendido a querer-lhe como à sua própria mãe e que era capaz de entendê-la.

Pensemos agora nos dias que se seguiram à Ascensão, à espera do Pentecostes.
Os discípulos cheios de fé pelo triunfo de Cristo ressuscitado (e ansiosos pelo Espírito Santo prometido), querem sentir-se unidos, e encontramo-los cum Maria Matre Iesu, com Maria, Mãe de Jesus.
A oração dos discípulos acompanha a oração de Maria: era a oração de uma família unida.

Desta vez é S. Lucas, - o evangelista que narrou com mais extensão a infância de Jesus, quem nos transmite este novo dado.
Como se desejasse dar-nos a entender que, assim como Maria teve um papel de primeira importância na Encarnação do Verbo, de modo análogo também esteve presente nas origens da Igreja, que é o Corpo de Cristo.

Desde o primeiro momento da vida da Igreja, todos os cristãos que procuraram o amor de Deus - esse amor que se nos revela e se faz carne em Jesus Cristo - se encontraram com a Virgem e experimentaram de muito diversas maneiras o seu desvelo maternal.
A Virgem Santíssima pode chamar-se com verdade Mãe de todos os cristãos.
Santo Agostinho dizia-o com palavras claras: Cooperou com a sua caridade para que nascessem na Igreja os fiéis, membros daquela cabeça, de que é efectivamente Mãe segundo o corpo.

Não é, pois, estranho que um dos testemunhos mais antigos da devoção a Maria seja precisamente uma oração cheia de confiança. Refiro-me àquela antífona, composta há séculos, que continuamos a repetir hoje em dia:
À vossa protecção nos acolhemos, Santa Mãe de Deus. Não desprezeis as súplicas que em nossas necessidades vos dirigimos, mas livrai-nos sempre de todos os perigos, ó Virgem gloriosa e bendita.

(cont)


Temas para meditar

A força do Silêncio, 68


O silêncio é difícil, mas torna o homem capaz de se deixar conduzir por Deus.
Do silêncio nasce o silêncio.
Por Deus, o silencioso, podemos aceder ao silêncio.
Eo homem é então incessantemente surpreendido pela luz que então resplandece.
O silêncio é mais importante que qualquer outra obra humana, porque exprime Deus.
A verdadeira revolução vem do silêncio; conduz-nos para Deus e para os outros para nos colocar humilde e generosamente ao seu serviço.



CARDEAL ROBERT SARAH

Hoy el reto del amor es disfrutar el regalo que te hace el Señor de un nuevo día.

DILEMA EN EL CAJÓN

El año pasado nos regalaron cuatro pares de medias de entretiempo. Son absolutamente fenomenales: no hacen bolitas, no son ni muy gordas ni muy finas... y, sobre todo, no se caen. Parece una tontería, pero es desesperante estar continuamente a colocarse las medias... ¡o acabar con "complejo de pastorcita del belén", con las medias por los tobillos!

Tanto me gustaron, que sólo estrené dos pares. Uno lo uso, el otro lo lavo, y vuelta a empezar. ¿Y los otros dos? Los guardé, "por si acaso".

Sin embargo, el otro día me fallaron los cálculos. Tenía las medias sucias, y las que había lavado aún estaban mojadas.

"¡Ay, no! Prefiero usar medias de invierno que estrenar ésas tan buenas"

"¿Y por qué?", sentí que me preguntaba el Señor.

"Bueno, así tendré medias nuevas cuando las necesite".

Nada más formular esta respuesta, caí en la cuenta: ¡era una falta de confianza en el Señor!

Qué distinto se ve el día si vives pensando que todo depende de ti, de tu organización y planificación... que si lo vives sabiendo que hay Alguien que cuida de ti.

Si vives pensando que tú eres el dueño de tu día, vivirás midiendo y calculando, como yo con mis medias, y no es difícil sentir que se te amontona el trabajo, o que te tienes que pasar el día "lavando medias"...

En cambio, si te levantas por la mañana dando la mano a Cristo, todo el día cambia de color: ahora cada instante es un regalo. Y, ¿qué hacen los niños cuando reciben un regalo? ¡Disfrutarlo al máximo! Ellos no calculan si lo necesitarán mañana, ¡simplemente viven a tope el presente!

Hoy el reto del amor es disfrutar el regalo que te hace el Señor de un nuevo día. Te invito a que le pidas a Cristo unos ojos limpios con los que ver los mil detalles de amor que te ha preparado. Y, cuando descubras uno... ¡dale las gracias y disfrútalo al máximo! ¡Feliz día!

VIVE DE CRISTO


Pequena agenda do cristão

SÁBADO



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Honrar a Santíssima Virgem.

A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador, porque pôs os olhos na humildade da Sua serva, de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas, santo é o Seu nome. O Seu Amor se estende de geração em geração sobre os que O temem. Manifestou o poder do Seu braço, derrubou os poderosos do seu trono e exaltou os humildes, aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. Acolheu a Israel Seu servo, lembrado da Sua misericórdia, como tinha prometido a Abraão e à sua descendência para sempre.

Lembrar-me:

Santíssima Virgem Mãe de Deus e minha Mãe.

Minha querida Mãe: Hoje queria oferecer-te um presente que te fosse agradável e que, de algum modo, significasse o amor e o carinho que sinto pela tua excelsa pessoa.
Não encontro, pobre de mim, nada mais que isto: O desejo profundo e sincero de me entregar nas tuas mãos de Mãe para que me leves a Teu Divino Filho Jesus. Sim, protegido pelo teu manto protector, guiado pela tua mão providencial, não me desviarei no caminho da salvação.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?