02/01/2016

Evangelho, comentário, L. espiritual



Tempo de Natal

São Basílio Magno e São Gregório Nanzianzeno – Doutores da Igreja

Evangelho: Jo 1, 19-28

19 Eis o testemunho de João, quando os judeus lhe enviaram de Jerusalém sacerdotes e levitas a perguntar-lhe: «Quem és tu?». 20 Ele confessou a verdade, não a negou; e confessou: «Eu não sou o Cristo». 21 Eles perguntaram-lhe: «Quem és, pois? És tu Elias?». Ele respondeu: «Não sou». «És tu o profeta?». Respondeu: «Não». 22 Disseram-lhe então: «Quem és, pois, para que possamos dar resposta aos que nos enviaram? Que dizes de ti mesmo?». 23 Disse-lhes então: «”Eu sou a voz do que clama no deserto. Endireitai o caminho do Senhor”, como disse o profeta Isaías». 24 Ora os que tinham sido enviados eram fariseus. 25 Interrogaram-no, dizendo: «Como baptizas, pois, se não és o Cristo, nem Elias, nem o profeta?». 26 João respondeu-lhes: «Eu baptizo em água, mas no meio de vós está Quem vós não conheceis. 27 Esse é O que há-de vir depois de mim, e eu não sou digno de desatar-Lhe as correias das sandálias». 28 Estas coisas passaram-se em Betânia, além Jordão, onde João estava a baptizar.

Comentário:

A figura de São João avulta na história da salvação. É uma figura central de uma importância excepcional.

(Dele dirá Jesus Cristo: «Na verdade vos digo que entre os nascidos de mulher não veio ao mundo outro maior que João Baptista»)[i]

Ocupar o lugar de Jesus, mesmo que momentaneamente, nunca esteve nos seus planos nem consentiu que alguma vez o confundissem com aquele que vinha anunciar.

Sendo uma figura tão proeminente e extraordinária ainda mais avulta a sua modéstia e “apagamento”. Sendo quem era, não lhe terá sido fácil convencer os seus discípulos, primeiro, e os restantes depois, que era apenas um “enviado” com uma missão específica de anúncio da chegada eminente de algo incomparavelmente maior e mais importante.

É, talvez, o exemplo mais acabado de humildade e reconhecimento pessoal de, apenas, ser um instrumento nas mãos de Deus.

E, a verdade é que, por mais valioso ou importante que seja o instrumento, nunca passará disso mesmo: instrumento de cuja docilidade dependerá em grande parte o êxito da missão que lhe foi confiada.

(ama, comentário sobre Jo 1, 6-8, 19-28, 2011.11.16)


Leitura espiritual



CARTA ENCÍCLICA
LAUDATO SI’
DO SANTO PADRE
FRANCISCO
SOBRE O CUIDADO DA CASA COMUM



CAPÍTULO II

O EVANGELHO DA CRIAÇÃO

3. O mistério do universo

78. Ao mesmo tempo, o pensamento judaico-cristão desmitificou a natureza.
Sem deixar de a admirar pelo seu esplendor e imensidão, já não lhe atribui um carácter divino.
Deste modo, ressalta ainda mais o nosso compromisso para com ela. Um regresso à natureza não pode ser feito à custa da liberdade e da responsabilidade do ser humano, que é parte do mundo com o dever de cultivar as próprias capacidades para o proteger e desenvolver as suas potencialidades.
Se reconhecermos o valor e a fragilidade da natureza e, ao mesmo tempo, as capacidades que o Criador nos deu, isto permite-nos acabar hoje com o mito moderno do progresso material ilimitado.
Um mundo frágil, com um ser humano a quem Deus confia o cuidado do mesmo, interpela a nossa inteligência para reconhecer como deveremos orientar, cultivar e limitar o nosso poder.

79. Neste universo, composto por sistemas abertos que entram em comunicação uns com os outros, podemos descobrir inumeráveis formas de relação e participação.
Isto leva-nos também a pensar o todo como aberto à transcendência de Deus, dentro da qual se desenvolve.
A fé permite-nos interpretar o significado e a beleza misteriosa do que acontece.
A liberdade humana pode prestar a sua contribuição inteligente para uma evolução positiva, como pode também acrescentar novos males, novas causas de sofrimento e verdadeiros atrasos.
Isto dá lugar à apaixonante e dramática história humana, capaz de transformar-se num desabrochamento de libertação, engrandecimento, salvação e amor, ou, pelo contrário, num percurso de declínio e mútua destruição.
Por isso a Igreja, com a sua acção, procura não só lembrar o dever de cuidar da natureza, mas também e «sobretudo proteger o homem da destruição de si mesmo».[ii]

80. Apesar disso, Deus, que deseja actuar connosco e contar com a nossa cooperação, é capaz também de tirar algo de bom dos males que praticamos, porque «o Espírito Santo possui uma inventiva infinita, própria da mente divina, que sabe prover a desfazer os nós das vicissitudes humanas mais complexas e impenetráveis».[iii]
De certa maneira, quis limitar-Se a Si mesmo, criando um mundo necessitado de desenvolvimento, onde muitas coisas que consideramos males, perigos ou fontes de sofrimento, na realidade fazem parte das dores de parto que nos estimulam a colaborar com o Criador.[iv]
Ele está presente no mais íntimo de cada coisa sem condicionar a autonomia da sua criatura, e isto dá lugar também à legítima autonomia das realidades terrenas.[v]
Esta presença divina, que garante a permanência e o desenvolvimento de cada ser, «é a continuação da acção criadora».[vi]
O Espírito de Deus encheu o universo de potencialidades que permitem que, do próprio seio das coisas, possa brotar sempre algo de novo: «A natureza nada mais é do que a razão de certa arte – concretamente a arte divina – inscrita nas coisas, pela qual as próprias coisas se movem para um fim determinado.
Como se o mestre construtor de navios pudesse conceder à madeira a possibilidade de se mover a si mesma para tomar a forma da nave».[vii]

81. Embora suponha também processos evolutivos, o ser humano implica uma novidade que não se explica cabalmente pela evolução doutros sistemas abertos.
Cada um de nós tem em si uma identidade pessoal, capaz de entrar em diálogo com os outros e com o próprio Deus.
A capacidade de reflexão, o raciocínio, a criatividade, a interpretação, a elaboração artística e outras capacidades originais manifestam uma singularidade que transcende o âmbito físico e biológico.
A novidade qualitativa, implicada no aparecimento dum ser pessoal dentro do universo material, pressupõe uma acção directa de Deus, uma chamada peculiar à vida e à relação de um Tu com outro tu.
A partir dos textos bíblicos, consideramos o ser humano como sujeito, que nunca pode ser reduzido à categoria de objecto.

82. Mas seria errado também pensar que os outros seres vivos devam ser considerados como meros objectos submetidos ao domínio arbitrário do ser humano.
Quando se propõe uma visão da natureza unicamente como objecto de lucro e interesse, isso comporta graves consequências também para a sociedade.
A visão que consolida o arbítrio do mais forte favoreceu imensas desigualdades, injustiças e violências para a maior parte da humanidade, porque os recursos tornam-se propriedade do primeiro que chega ou de quem tem mais poder: o vencedor leva tudo.
O ideal de harmonia, justiça, fraternidade e paz que Jesus propõe situa-se nos antípodas de tal modelo, como Ele mesmo Se expressou ao compará-lo com os poderes do seu tempo:
«Sabeis que os chefes das nações as governam como seus senhores, e que os grandes exercem sobre elas o seu poder. Não seja assim entre vós. Pelo contrário, quem entre vós quiser fazer-se grande, seja o vosso servo» [viii].

83. A meta do caminho do universo situa-se na plenitude de Deus, que já foi alcançada por Cristo ressuscitado, fulcro da maturação universal.[ix]
E assim juntamos mais um argumento para rejeitar todo e qualquer domínio despótico e irresponsável do ser humano sobre as outras criaturas.
O fim último das restantes criaturas não somos nós.
Mas todas avançam, juntamente connosco e através de nós, para a meta comum, que é Deus, numa plenitude transcendente onde Cristo ressuscitado tudo abraça e ilumina.
Com efeito, o ser humano, dotado de inteligência e amor e atraído pela plenitude de Cristo, é chamado a reconduzir todas as criaturas ao seu Criador.

4. A mensagem de cada criatura na harmonia de toda a criação

84. O facto de insistir na afirmação de que o ser humano é imagem de Deus não deveria fazer-nos esquecer que cada criatura tem uma função e nenhuma é supérflua.
Todo o universo material é uma linguagem do amor de Deus, do seu carinho sem medida por nós. O solo, a água, as montanhas: tudo é carícia de Deus.
A história da própria amizade com Deus desenrola-se sempre num espaço geográfico que se torna um sinal muito pessoal, e cada um de nós guarda na memória lugares cuja lembrança nos faz muito bem. Quem cresceu no meio de montes, quem na infância se sentava junto do riacho a beber, ou quem jogava numa praça do seu bairro, quando volta a esses lugares sente-se chamado a recuperar a sua própria identidade.

85. Deus escreveu um livro estupendo, «cujas letras são representadas pela multidão de criaturas presentes no universo».[x]
E justamente afirmaram os bispos do Canadá que nenhuma criatura fica fora desta manifestação de Deus:
«Desde os panoramas mais amplos às formas de vida mais frágeis, a natureza é um manancial incessante de encanto e reverência. Trata-se duma contínua revelação do divino».[xi]
Os bispos do Japão, por sua vez, disseram algo muito sugestivo: «Sentir cada criatura que canta o hino da sua existência é viver jubilosamente no amor de Deus e na esperança».[xii]
Esta contemplação da criação permite-nos descobrir qualquer ensinamento que Deus nos quer transmitir através de cada coisa, porque, «para o crente, contemplar a criação significa também escutar uma mensagem, ouvir uma voz paradoxal e silenciosa».[xiii]
Podemos afirmar que, «ao lado da revelação propriamente dita, contida nas Sagradas Escrituras, há uma manifestação divina no despontar do sol e no cair da noite».[xiv]
Prestando atenção a esta manifestação, o ser humano aprende a reconhecer-se a si mesmo na relação com as outras criaturas:
«Eu expresso-me exprimindo o mundo; exploro a minha sacralidade decifrando a do mundo».[xv]

86. O conjunto do universo, com as suas múltiplas relações, mostra melhor a riqueza inesgotável de Deus.
São Tomás de Aquino sublinhava, sabiamente, que a multiplicidade e a variedade «provêm da intenção do primeiro agente», o Qual quis que «o que falta a cada coisa, para representar a bondade divina, seja suprido pelas outras»,[xvi] pois a sua bondade «não pode ser convenientemente representada por uma só criatura».[xvii]
Por isso, precisamos de individuar a variedade das coisas nas suas múltiplas relações.[xviii]
Assim, compreende-se melhor a importância e o significado de qualquer criatura, se a contemplarmos no conjunto do plano de Deus.
Tal é o ensinamento do Catecismo:
«A interdependência das criaturas é querida por Deus. O sol e a lua, o cedro e a florzinha, a águia e o pardal: o espectáculo das suas incontáveis diversidades e desigualdades significa que nenhuma criatura se basta a si mesma. Elas só existem na dependência umas das outras, para se completarem mutuamente no serviço umas das outras».[xix]

87. Quando nos damos conta do reflexo de Deus em tudo o que existe, o coração experimenta o desejo de adorar o Senhor por todas as suas criaturas e juntamente com elas, como se vê neste gracioso cântico de São Francisco de Assis:

«Louvado sejas, meu Senhor, com todas as tuas criaturas, especialmente o meu senhor irmão sol, o qual faz o dia e por ele nos alumia.
E ele é belo e radiante com grande esplendor: de Ti, Altíssimo, nos dá ele a imagem.
Louvado sejas, meu Senhor, pela irmã lua e pelas estrelas, que no céu formaste claras, preciosas e belas.
Louvado sejas, meu Senhor, pelo irmão vento pelo ar, pela nuvem, pelo sereno, e todo o tempo, com o qual, às tuas criaturas, dás o sustento.
Louvado sejas, meu Senhor, pela irmã água, que é tão útil e humilde, e preciosa e casta.
Louvado sejas, meu Senhor, pelo irmão fogo, pelo qual iluminas a noite: ele é belo e alegre, vigoroso e forte».[xx]

88. Os bispos do Brasil sublinharam que toda a natureza, além de manifestar Deus, é lugar da sua presença.
Em cada criatura, habita o seu Espírito vivificante, que nos chama a um relacionamento com Ele.[xxi]
A descoberta desta presença estimula em nós o desenvolvimento das «virtudes ecológicas».[xxii]
Mas, quando dizemos isto, não esqueçamos que há também uma distância infinita, pois as coisas deste mundo não possuem a plenitude de Deus.
Esquecê-lo, aliás, também não faria bem às criaturas, porque não reconheceríamos o seu lugar verdadeiro e próprio, acabando por lhes exigir indevidamente aquilo que, na sua pequenez, não nos podem dar.

(cont)





[i] Cf. Mt 11, 11
[ii] Bento XVI, Carta enc. Caritas in veritate (29 de Junho de 2009), 51:AAS101 (2009), 687.
[iii] João Paulo II, Catequese (24 de Abril de 1991), 6: Insegnamenti14/1 (1991), 856; L’Osservatore Romano (ed. portuguesa de 28/IV/1991), 12.
[iv] O Catecismo ensina que Deus quis criar um mundo em caminho para a perfeição última, o que implica a presença da imperfeição e do mal físico: ver Catecismo da Igreja Católica,310.
[v] Cf. Conc. Ecum. Vat. II, Const. past. sobre a Igreja no mundo contemporâneo Gaudium et spes, 36.
[vi] Tomás de Aquino, Summa theologiaeI, q. 104, art. 1, ad 4.
[vii] Tomás de Aquino, In octo libros Physicorum Aristotelis expositio, lib. II, lectio 14.
[viii] Mt 20, 25-26
[ix] Coloca-se, nesta perspectiva, a contribuição do P. Teilhard de Chardin; veja-se Paulo VI, Discurso numa fábrica químico-farmacêutico (24 de Fevereiro de 1966): Insegnamenti 4 (1966), 992-993; João Paulo II, Carta ao reverendo P. George V. Coyne (1 de Junho de 1988): Insegnamenti 11/2 (1988), 1715; Bento XVI, Homilia na Celebração das Vésperas, em Aosta (24 de Julho de 2009): Insegnamenti 5/2 (2009), 60.
[x] João Paulo II, Catequese (30 de Janeiro de 2002), 6: Insegnamenti 25/1 (2002), 140; L´Osservatore Romano (ed. portuguesa de 2/II/2002), 12.
[xi] Conferência Episcopal do Canadá - Comissão para a Pastoral Social, You love all that exists… All things are yours, God, Lover of Life (4 de Outubro de 2003), 1.
[xii] Conferência dos Bispos Católicos do Japão, Reverence for Life. A Message for the Twenty-First Century (1 de Janeiro de 2001), 89.
[xiii] João Paulo II, Catequese (26 de Janeiro de 2000), 5: Insegnamenti23/1 (2000), 123;L´Osservatore Romano (ed. portuguesa de 29/I/2000), 8.
[xiv] João Paulo II, Catequese (2 de Agosto de 2000), 3: Insegnamenti 23/2 (2000), 112; L´Osservatore Romano (ed. portuguesa de 5/VIII/2000), 8.
[xv] Paul Ricoeur, Philosophie de la volonté. 2ª parte:Finitude et culpabilité (Paris 2009), 216.
[xvi] Summa theologiae I, q. 47, art. 1.
[xvii] Summa theologiae I, q. 47, art. 1.
[xviii] Summa theologiae I, q. 47, art. 2, ad. 1; art. 3.
[xix] Catecismo da Igreja Católica, 340.
[xx] Cantico delle creature: Fonti Francescane, 263.
[xxi] Cf. Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, A Igreja e a questão ecológica (1992), 53-54.
[xxii] Cf. Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, A Igreja e a questão ecológica (1992), 61.

Doutrina - 43

Adorar a Cruz: Idolatria?

…/7

O católico sabe muito bem que a idolatria é um pecado grave, pois isso significa negar o carácter único de Deus, para atribuí-lo a pessoas ou coisas criadas.

Os católicos não fazem isso.

Na idolatria, a pessoa compara (dá o mesmo peso e importância) a criatura com seu Criador, e esta comparação, sob qualquer ponto de vista, é inaceitável.

e. henry vargas holguín 


(Revisão da versão portuguesa por ama)

Antigo testamento / Salmos

Salmo 61








1 Ouve o meu clamor, ó Deus; atenta na minha oração.

2 Desde os confins da terra eu clamo a ti com o coração abatido; põe-me a salvo na rocha mais alta do que eu.

3 Pois tu tens sido o meu refúgio, uma torre forte contra o inimigo.

4 Para sempre anseio habitar na tua tenda e refugiar-me no abrigo das tuas asas.

5 Pois ouviste os meus votos, ó Deus; deste-me a herança que concedes aos que temem o teu nome.

6 Prolonga os dias do rei, por muitas gerações os seus anos de vida.

7 Para sempre esteja ele em seu trono, diante de Deus; envia o teu amor e a tua fidelidade para protegê-lo.

8 Então sempre cantarei louvores ao teu nome, cumprindo os meus votos cada dia.





Pequena agenda do cristão


SÁBADO



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)


Propósito:
Honrar a Santíssima Virgem.

A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador, porque pôs os olhos na humildade da Sua serva, de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas, santo é o Seu nome. O Seu Amor se estende de geração em geração sobre os que O temem. Manifestou o poder do Seu braço, derrubou os poderosos do seu trono e exaltou os humildes, aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. Acolheu a Israel Seu servo, lembrado da Sua misericórdia, como tinha prometido a Abraão e à sua descendência para sempre.

Lembrar-me:

Santíssima Virgem Mãe de Deus e minha Mãe.

Minha querida Mãe: Hoje queria oferecer-te um presente que te fosse agradável e que, de algum modo, significasse o amor e o carinho que sinto pela tua excelsa pessoa.
Não encontro, pobre de mim, nada mais que isto: O desejo profundo e sincero de me entregar nas tuas mãos de Mãe para que me leves a Teu Divino Filho Jesus. Sim, protegido pelo teu manto protector, guiado pela tua mão providencial, não me desviarei no caminho da salvação.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?



Doutrina - 12

O que significa falar em línguas? 


…/12

Resumindo: as línguas são um dom mencionado na Bíblia, mas encontra-se pouco apoio bíblico para a assim chamada “oração pessoal em línguas” ou “oração extáctica”. Além disso, as maiorias dos carismáticos praticam a oração em línguas impropriamente, ao contrário das regras colocadas por S. Paulo.
Em terceiro lugar, a Renovação Carismática Católica tem certas influências pentecostais protestantes. Quarto, línguas, de acordo com S. Paulo, é o menor de todos os dons. Os carismáticos tendem a supervalorizar este dom, e frequentemente o chamam de um “portal para os outros dons”. 

Esta “teoria do portal” é totalmente antibíblica e é espiritualmente perigosa pois pode abrir a porta para o demoníaco.  

Há casos onde uma pessoa que pensa que ele estava louvando Deus em línguas estava de facto amaldiçoando a Deus em línguas.
Já disse em outro ensaio que o pentecostalismo protestante no Brasil é o que mais divide este segmento no País. Enquanto os protestantes tradicionais mantêm uma margem de fronteira assegurada não se vê isso no “Big-Bang” pentecostal, onde parece que nasce uma denominação desse tipo a toda hora. É uma pena, pois se banaliza um dom tão bonito e correto na Bíblia para um emocionalismo que dá vazão a vários tipos de desvios.

Assim, enquanto o entendimento bíblico correcto é delineado, e explicamos como é o correcto dom de línguas, lembramos que somente o Magistério da Igreja católica tem a palavra final neste contexto.

A Renovação Carismática pode ser um recurso para a Igreja contanto que eles fiquem perto da Igreja, sejam obedientes para a Igreja, tenham a perspectiva correta (especialmente em línguas), e evitem “pentecostalismos”.


(cont)

Depois da morte vos receberá o Amor

Agora compreendes quanto fizeste sofrer Jesus, e enches-te de dor: como lhe pedes perdão, deveras e choras pelas tuas traições passadas! Não te cabem no peito as ânsias de reparar! Bem. Mas não esqueças que o espírito de penitência está principalmente em cumprir, custe o que custar, o dever de cada instante. (Via Sacra, 9ª Estação, n. 5)


Como será maravilhoso quando o nosso Pai nos disser: servo bom e fiel, porque foste fiel nas coisas pequenas, eu te confiarei as grandes: entra no gozo do teu Senhor!. Esperançados! Esse é o prodígio da alma contemplativa. Vivemos de Fé, de Esperança e de Amor; e a Esperança torna-nos poderosos. Recordais-vos de S. João? Eu vos escrevo, jovens, porque sois valentes e a palavra de Deus permanece em vós e vencestes o maligno. Deus urge-nos, para a juventude eterna da Igreja e de toda a humanidade. Podeis transformar em divino todo o humano, como o rei Midas convertia em ouro tudo o que tocava!


Nunca esqueçais que depois da morte vos receberá o Amor. E no amor de Deus encontrareis, além do mais, todos os amores limpos que tenhais tido na terra. O Senhor dispôs que passemos esta breve jornada da nossa existência, trabalhando e, como o seu Unigénito, fazendo o bem. Entretanto, temos de estar alerta, à escuta daquelas chamadas que Santo Inácio de Antioquia notava na sua alma, ao aproximar-se a hora do martírio: vem para junto do Pai, vem para o teu Pai que te espera ansioso (Amigos de Deus, n. 221)

Uso das armas contra o Estado Islâmico 2

Resultado de imagem para luta armada 1. Que o dano infligido pelo agressor à nação ou à comunidade de nações seja durável, grave e certo.

Esta condição verifica-se.

O grupo jihadista tem-se expandido não apenas territorialmente, mas também de forma capilar por todos os continentes mediante estratégias de guerrilha ideológica, usando desde estruturas religiosas físicas até uma vasta gama de canais virtuais para recrutar militantes e organizar atentados.
Além disso, tem conseguido a adesão de outros grupos terroristas sanguinários, como o selvagem Boko Haram, da África Ocidental, atualmente mais mortífero que o próprio Estado Islâmico.

(cont)

Fonte: ALETEIA

       (Revisão da versão portuguesa por ama)

Tratado da vida de Cristo 64

Questão 39: Do baptizado de Cristo

Art. 2 — Se Cristo devia receber o baptismo de João.

 O segundo discute-se assim. — Parece que Cristo não devia receber o baptismo de João.


1. — Pois, o baptismo de João foi um baptismo de penitência. Ora, a penitência não convinha a Cristo, isento de todo pecado. Logo, parece que não devia receber o baptismo de João.

2. Demais. — O baptismo de João, como diz Crisóstomo, foi um meio-termo entre o baptismo dos Judeus e o de Cristo. Ora, o termo médio participa da natureza dos extremos, como diz Aristóteles. Ora, como Cristo não recebeu o baptismo da lei nem o seu próprio, parece que, pela mesma razão não devia receber o de João.

3. Demais. — Tudo o que é óptimo, na ordem humana deve ser atribuído a Cristo. Ora, o baptismo de João não é o supremo dos baptismos. Logo, Cristo não devia receber o baptismo de João.

Mas, em contrário, o Evangelho: Veio Jesus ao Jordão para ser baptizado por João.

Como diz Agostinho, o Senhor baptizava, depois de baptizado, mas não pelo baptismo com que o foi. Donde, como administrava um baptismo que lhe era próprio, não recebeu o seu próprio baptismo, mas o de João. E assim devia ser. - Primeiro, pela condição do baptismo de João, que não baptizava no Espírito, mas só em água. Ora, Cristo não precisava de nenhum baptismo espiritual, porque desde o princípio da sua concepção teve a plenitude da graça do Espírito Santo, como do sobredito resulta. E essa é a razão dada por Crisóstomo. Segundo, como diz Beda, recebeu o baptismo de João, para comprová-lo com o seu baptismo. – Terceiro, como diz Gregório Nazianzeno, Cristo recebeu o baptismo de João para santificar o baptismo.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJECÇÃO. — Como dissemos, Cristo quis ser baptizado a fim de, com o seu exemplo, nos induzir a receber o baptismo. E para ser mais eficaz a sua indução, quis receber um baptismo de que manifestamente não precisava, para que os homens recebam o de que precisam. Donde o dizer Ambrósio: Ninguém recuse o lavacro da graça, pois Cristo não recusou o lavacro da penitência.

RESPOSTA À SEGUNDA. — O baptismo dos judeus, preceituado pela lei, era somente figurado: ao passo que o de João de certo modo era oral, por induzir os homens a absterem-se do pecado: mas o baptismo de Cristo tinha a eficácia de purificar do pecado e conferir a graça. Quanto a Cristo, nem precisava de receber a remissão dos pecados, dos quais estava isento, nem de receber a graça, da qual tinha a plenitude. Semelhantemente, sendo ele a Verdade, não lhe podia convir o que se realizava só figuradamente. Por isso, mais conforme lhe era receber um baptismo médio, do que um dos extremos.

RESPOSTA À TERCEIRA. — O baptismo é um certo remédio espiritual. Ora, mais um ser é perfeito e menos necessidade tem de remédio. Donde, sendo Cristo perfeito por excelência, não devia receber o perfeitíssimo dos baptismos, assim como quem é são, não precisa da eficácia de nenhum remédio.

Nota: Revisão da versão portuguesa por ama.



Bento XVI – Pensamentos espirituais 85

Educação na fé (1)


Sabemos que, nesta matéria, não se trata apenas de didáctica, do aperfeiçoamento dos métodos de transmissão do saber, mas de uma educação baseada no encontro directo e pessoal com cada um, no testemunho - ou seja, na autêntica transmissão da fé, da esperança, da caridade e dos valores de que elas decorrem directamente - de pessoa a pessoa. 
Trata-se, portanto, de um verdadeiro encontro de uma pessoa com outra, em que esta última escuta e compreende a primeira.

Discurso aos bispos da Polónia em visita ad limina, (26.Nov.05)


 (in “Bento XVI, Pensamentos Espirituais”, Lucerna 2006)

Temas para meditar - 556


Fortaleza

A fortaleza nasce na cabeça e vive a partir de um centro medular de ideias e convicções inabaláveis, que criam poderosas motivações capazes de superar todos os obstáculos.


(rafael llano cifuentes, Fortaleza, Quadrante, S. Paulo, 1991, pg. 11

Nova Era “New Age” - 1

Resultado de imagem para new ageO que é, realmente, a Nova Era?

Você acredita na Verdade ou acha que pode criar suas próprias verdades?
Grande parte dos católicos já ouviu falar sobre a Nova Era.
Não se pode negar que ela provoca fascínio nas pessoas.
Muitos, no entanto, ainda se perguntam:

“Afinal, o que é, realmente, a Nova Era?”.

E a pergunta é pertinente, pois não há uma definição precisa.

A Nova Era, ou “New Age”, é uma mistura de doutrinas, crenças, esoterismo e misticismos diversos, que vem repercutindo no cenário político, moral e educacional e se difundindo vastamente em muitas esferas da nossa sociedade, propagada pelos meios de comunicação.


(cont)