26/08/2014

Temas para meditar 217


Luta

Homem moderno, adulto e, todavia, às vezes débil no pensamento e na vontade, ¡deixa-te levar pela mão pelo Menino de Belém, não temas, confia n’Ele!.
Lutemos – luta tu! – contra esse acostumar-se, contra esse ir andando monotonamente, contra esse conformismo que equivale à inacção. Olha Cristo na Cruz, olha Santa Maria junto da Cruz: ante o seu olhar abrem caminho, com segurança pasmosa, a traição, a troça, os insultos…; mas Cristo, e secundando essa acção redentora, Maria, continuam fortes, perseverantes, cheios de paz, com optimismo na dor, cumprindo a missão que a Trindade lhes confiou. É um abanão para cada um de nós, recordando-nos que na hora da dor, da fadiga e da contradição mais horrenda, Cristo – e tu e eu temos de ser outros Cristos – da cumprimento à Sua missão (…). Decido-me a aconselhar-te que voltes os teus olhos para A Virgem, e lhe peças, para ti e para todos: Mãe, que tenhamos confiança absoluta na acção redentora de Jesus e que – como tu, Mãe – queiramos ser corredentores.

(btº álvaro del portillo Carta pastoral 1970.05.31)

Bento VXI – Pensamentos espirituais 13

Eucaristia


O Senhor caminha constantemente ao encontro do mundo. Que os nossos caminhos sejam caminhos de Jesus! Que as nossas casas sejam para Ele e com Ele! Que a sua presença penetre na nossa vida de cada dia. Deste modo, colocamos sob os seus olhos os sofrimentos dos doentes, as solidões dos jovens e dos idosos, as tentações, os medos - toda a nossa vida.



(BENTO XVI, Homilia da Missa do Corpo de Deus, 2005.05.26)

Tratado da Graça 06

Art. 6 — Se o homem pode preparar-se a si mesmo para a graça, sem o auxílio externo da mesma.

(I, q. 62, a. 2, II Sent., dist. V, q. 2, a 1, dist. XXVIII, a. 4, IV, dist. XVII, q. 1, a. 2, qª 2, ad 2, III Cont., Gent. Cap. CXLIX, De Verit., q. 24, a. 15, Quodl. I q. 4, a. 2, In Ioan., cap. I, lect. VI, Ad Hebr., cap. XII, lect III).

O sexto discute-se assim. — Parece que o homem pode preparar-se a si mesmo para a graça, sem o auxílio da mesma.

1. — Pois, ao homem não foi imposto nada de impossível como já se disse (a. 4, ad 1). Ora, a Escritura diz (Zc 1, 3): Convertei-vos a mim e eu me converterei a vós. Ora, preparar-se para a graça não é senão converter-se para Deus. Logo, o homem pode por si mesmo, sem a graça, preparar-se para ela.

2. Demais. — O homem prepara-se para a graça fazendo o que está em si, pois, se o fizer, Deus não a negará, conforme diz a Escritura (Mt 7, 11): Deus dá espírito bom aos que lhe pedirem. Ora, dizemos que está em nós o que de nós depende. Logo, ao nosso poder foi dado prepararmo-nos para a graça.

3. Demais. — Se o homem precisa da graça a fim de preparar-se para ela, pela mesma razão precisará de outra para obter a primeira, e assim ao infinito, o que é inadmissível. Logo, devemos parar na primeira, de modo que o homem, sem a graça, pode preparar-se para a mesma.

4. Demais. — A Escritura diz (Pr 16, 1): Da parte do homem está o preparar a sua alma. Ora, pertence ao homem o que ele por si mesmo pode fazer. Logo, por si mesmo, pode preparar-se para a graça.

Mas, em contrário, diz a Escritura (Jo 6, 44): Ninguém pode vir a mim, se o Pai, que me enviou, o não trouxer. Se, pois, o homem pudesse preparar-se por si mesmo, não seria necessário ser levado por outrem. Logo, não pode preparar-se para a graça, sem o auxílio dela.

Há dupla preparação da vontade humana para o bem. — Uma, pela qual se ela prepara, a fim de obrar o bem e gozar de Deus. E essa preparação da vontade não pode ser sem o dom habitual da graça, como princípio da obra meritória, segundo já dissemos (a. 5). A outra visa conseguir o dom mesmo da graça habitual. Ora, para o homem se preparar, a fim de receber esse dom, não é necessário pressupor na alma nenhum outro dom habitual, porque assim iríamos ao infinito. Mas é preciso pressupor um auxílio gratuito de Deus, que mova a alma interiormente ou inspire o bem proposto. Assim, desses dois modos precisamos do auxílio divino, como já dissemos (a. 2, a. 3).

Ora, que precisamos do auxílio da moção divina a fim de nos prepararmos para a graça, é manifesto. Pois, todo agente, visando um fim, necessariamente toda causa dirigirá os seus efeitos para o seu fim. Ora, a ordem dos fins é relativa à ordem dos agentes ou dos motores. Donde, o homem há-de necessariamente converter-se para o fim último, movido pelo primeiro motor, ao fim próximo, porém, pela moção de algum motor inferior. Assim, o ânimo do soldado converte-se a buscar a vitória por moção do chefe do exército, mas por instigação do tribuno é que se converte a seguir a bandeira de um exército. Ora, sendo Deus o primeiro motor absoluto, é em virtude da sua moção que todas as coisas se convertem para ele, por força da tendência geral delas para o bem, pela qual cada uma busca, ao seu modo, assemelhar-se a Deus. Por isso Dionísio diz, que Deus converte todas as coisas para si mesmo. Os homens justos, porém, Ele os converte a si, como o fim especial a que tendem e ao qual desejam unir-se como ao bem próprio, conforme a Escritura (Sl 72, 28): Para mim me é bom unir-me a Deus. Portanto, o homem não pode converter-se para Deus, senão por Deus o levar a agir assim. Ora, preparar-se para a graça é como converter-se para Deus, assim como quem tem desviados os olhos da luz do sol prepara-se para receber essa luz, convertendo-os para ele. Donde é claro que o homem não pode preparar-se para receber o lume da graça, senão com o auxílio gratuito da moção interna de Deus.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJECÇÃO. — A conversão do homem para Deus faz-se pelo seu livre arbítrio, por isso foi-lhe dado o preceito de converter-se para Deus. Mas o livre arbítrio não pode converter-se para Deus, senão porque Ele o faz proceder desse modo, conforme a Escritura (Jr 31, 18): Converte-me e converter-me-ei, porque tu és o Senhor meu Deus, e ainda (Lm 5, 21): Converte-nos, Senhor, a ti e nós nos converteremos.

RESPOSTA À SEGUNDA. — O homem não pode fazer nada senão movido por Deus, conforme a Escritura (Jo 15, 5): Sem mim não podeis fazer nada. Portanto, quando se diz que faz o que está no seu poder, isso significa que pode assim agir, quando movido por Deus.

RESPOSTA À TERCEIRA. — A objecção colhe quanto à graça habitual, que exige uma preparação, porque toda forma exige uma disposição para recebê-la. Mas a moção que o homem recebe de Deus não pré-exige nenhuma outra, por ser Deus o primeiro motor. Donde, não há necessidade de se proceder ao infinito.

RESPOSTA À QUARTA. — É próprio do homem preparar a sua alma, por fazê-lo com livre arbítrio. Contudo, não o faz sem o auxílio de Deus, que o move e o atrai para si, como dissemos.

Nota: Revisão da versão portuguesa por ama.


Evang.; Coment.; Leit. Esp. (Culto das imagens)

Tempo comum XXI Semana

Evangelho: Mt 23, 23-26

23 «Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas, que pagais o dízimo da hortelã e do endro e do cominho, e descuidais as coisas mais importantes da Lei: a justiça, a misericórdia e a fidelidade! São estas coisas que era preciso praticar, sem omitir as outras. 24 Condutores cegos, que filtrais um mosquito e engolis um camelo! 25 «Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas, que limpais o que está por fora do copo e do prato, e por dentro estais cheios de rapina e de imundície! 26 Fariseu cego, purifica primeiro o que está dentro do copo e do prato, para que também o que está fora fique limpo.

Comentário:

É o Senhor Quem define as coisas mais importantes da Lei: JUSTIÇA, MISERICÓRDIA, FIDELIDADE.
Parece não ser possível existir uma sem as outras duas e, de facto, são como que um reflexo do próprio Deus Nosso Senhor que é sumamente Justo, cheio de Misericórdia e absolutamente Fiel.

(AMA, Comentário, Mt 23, 23-26, 2013.08.27)

Leitura espiritual



Temas

Culto das imagens: católicos e protestantes


Citações bíblicas manejadas pelos protestantes para nos assinalar como idolatras:

ÉXODO 20: 3-5; DEUTERONÓMIO 4: 15-21; DEUTERONÓMIO 7: 25-26; LEVÍTICO 20: 1

Citações bíblicas onde Deus manda elaborar imagens:

ÉXODO 25: 10-22; NÚMEROS 21: 8-9; 1 REIS 6: 23-26

O Catecismo de a Igreja Católica no seu número 2113 é bem explícito a este respeito quando diz que a idolatria não se refere só aos cultos falsos do paganismo, que é uma tentação constante da fé que consiste simplesmente em divinizar o que não é Deus. Há idolatria a partir do momento em que o homem honra e reverencia uma criatura em lugar de Deus, trate-se de outros deuses segundo crenças diferentes, trate-se de demónios segundo o satanismo e o ocultismo em geral, trate-se do poder, do prazer, da raça, dos antepassados ou do dinheiro entre outras tantas coisas que podem levar a considerar-se como deuses. Segundo o Evangelista Mateus não podemos servir ao mesmo tempo a Deus e o dinheiro com tudo o que isto implica, não podemos dizer-nos católicos e ao mesmo tempo praticar a imagiologia ou qualquer culto que tenha que ver com o ocultismo, não podemos dizer-nos católicos e acreditar nas disciplinas orientais onde encontramos o Feng Shui, a Meditação e os Chacras entre outros, não podemos dizer-nos católicos e ler literatura protestantoide, não podemos dizer-nos católicos e rejeitar a Igreja Católica e o que Cristo Jesus deixou nela para que fosse administrado pelos homens. O próprio Catecismo de a Igreja Católica no seu número 2112 recorda-nos que o primeiro mandamento da lei de Deus condena o politeísmo e exige ao homem não ter outros deuses além do Deus verdadeiro, por outro lado o numero 2114 do mesmo Catecismo, refere que a vida humana se unifica na adoração do Único Deus, esse mandamento de adorar a Único Senhor dá unidade ao homem e salva-o de uma dispersão definitiva, tal quer dizer por outras palavras, que a idolatria é portanto uma perversão do sentido religioso inato no homem. Em conclusão a idolatria consiste em pôr uma pessoa, coisa ou desejo acima de Deus, tirar a Deus o lugar que só a Ele corresponde, e quando digo Deus refiro-me simplesmente a Deus Trino, Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo.

Segundo a Enciclopédia Católica, etimologicamente a palavra idolatria denota adoração divina outorgada a uma imagem, mas o seu significado alargou-se a toda a adoração divina outorgada a qualquer pessoa ou coisa diferente do único e verdadeiro Deus. São Tomás de Aquino trata a idolatria como uma espécie do género da superstição o que é um vazio oposto à virtude da religião e consiste em dar honra divina a coisas que não são Deus ou ao próprio Deus mesmo de uma maneira equívoca. A nota específica da idolatria é a sua directa oposição ao objecto primário da adoração Divina, é quando se confere a uma criatura a reverência devida só a Deus. Existe uma diferencia essencial entre a idolatria e a veneração de imagens praticada na Igreja Católica, enquanto o idolatra atribui poderes divinos à imagem, o católico, por seu lado, reverencia-a, ou seja, nas imagens católicas não há divindade nem virtude devida pela qual devam ser adoradas, não se pode dirigir-lhes petições, não se deve depositar confiança nelas, a honra que a elas se atribui está referida somente a Cristo Jesus.
Todavia a culpa da idolatria, não deve ser avaliada somente pela sua natureza abstracta, a forma concreta que assume na consciência do pecador é o elemento realmente importante, nenhum pecado é mortal, se não foi cometido com claro conhecimento e livre determinação. É razoável, cristão e caritativo, supor que os falsos deuses dos pagãos e dos primeiros aborígenes eram nas suas consciências, o único Deus verdadeiro que conheciam, e que a sua adoração, a ser correcta na sua intenção, se elevava ao Único Deus verdadeiro, juntamente com a dos judeus e os cristãos aos quais se lhes tinha revelado.
A adoração de um só Deus é inculcada desde o livro do Génesis até ao livro do Apocalipse. O Monoteísmo parece ter sido o ponto de partida de todos os sistemas religiosos conhecidos através de documentos confiáveis. O Animismo, o Totemismo e o Fetichismo das classes mais baixas, a adoração da natureza, dos antepassados e dos heróis das nações civilizadas, são formas híbridas de religião desenvolvidas sobre as linhas psicológicas indicadas acima, todas são encarnações das mentes incultas ou cultas, e manifestações de uma noção fundamental, pelo seu nome, e muito acima do homem, projectando desta forma, um poder sobre este o qual depende para o bem e para o mal.
Pelo seu lado o Politeísmo nasce da confusão das segundas causas com a primeira causa, cresce na proporção inversa ao grau de facultades mentais, morre sob a clara luz da razão ou da revelação
Em alguns dicionários os verbos adorar e venerar costumam confundir-se, muitas vezes relacionam-se como sinónimos ainda que costumem ser completamente diferentes. A ignorância protestante não tem limites, se somamos a isto o desconhecimento por falta de preparação do povo católico encontramos então que uma grande maioria dos nossos fiéis, desconhece as verdades da nossa fé e não tem as ferramentas para a defender. É por isso que ante o avanço progressivo das seitas, dos grupos pseudo cristãos e das ideologias que se encontram dentro do paganismo, não somente é suficiente ter como livro de apoio as Sagradas Escrituras, necessitamos mais, necessitamos livros de Apologética, necessitamos livros de Moral, necessitamos bibliografia Cristológica, Mariológica, necessitamos do Concilio Vaticano II, necessitamos do Catecismo da Igreja Católica e entre outros do Código de Direito Canónico. Com ele começamos a ilustrar-nos, a preparar-nos e a aprofundar no que é nosso, e naquela da qual, pelo contrário, somos presa fácil daqueles que vêm pregar um evangelho que não é o verdadeiro evangelho de Jesus.
Ora bem, visto tudo o anteriormente exposto e supondo que foi fácil de compreender, para que com isso possamos reforçar as nossas verdades de fé, torna-se necessário definir alguns termos que nos enriquecerão no conhecimento que a nossa Igreja reparte.
Culto é a reverência que damos a Deus, à Santíssima Virgem Maria Mãe de Deus e aos Santos, na Igreja Católica existem três tipos de cultos, por razão da dignidade diferente daqueles para os quais vai a nossa reverência, estes cultos são:

Latria dirigida unicamente à Santa Trindade.
Dulia dirigida especificamente aos Santos, Anjos e Mártires.
Hiperdulia dirigida somente à Santíssima Virgem Maria.

Antes de começar a definir os tipos de cultos existentes na Igreja Católica e esclarecidos ante todo o exposto anteriormente torna-se necessário concretizar o seguinte: Os cristãos de todas as denominações adoram somente em Espírito e Verdade a Deus Todo-Poderoso, Ele é o verdadeiro Deus, Ele não aceita nenhum tipo de concorrência, já que Ele é único e muito ciumento, perante isto devemos ter claro para que não haja titubeios nem nenhum tipo de dúvidas. Ora bem, nós os católicos, somos uma denominação cristã e adoramos da mesma maneira O Único Deus verdadeiro, para nós é um Deus Trino, que é Deus Pai criador do Universo, Deus Filho Redentor e Salvador do mundo e Deus Espírito Santo que é o amor que brota do Pai e do Filho, porem outras palavras a Santa Trindade.

O CULTO DE ADORAÇÂO OU LATRIA

Está reservado única e exclusivamente a Deus Trino, quer dizer, a Deus Padre, a Deus Filho e a Deus Espírito Santo, três Pessoas e um só Deus, isto inclui a Hóstia Consagrada que é o próprio Cristo com todo seu Corpo, Sangre, Alma e Divindade, sob as espécies do pão e do vinho, mistério grande, que conhecemos também como o Dogma de a Transubstanciação.

Este Culto de Adoração o Latria inclui reconhecer a Deus como Único Deus, como Único Salvador, como Único Redentor na pessoa do seu Filho Cristo Jesus, como o Único que é Infinito, como o Único que é Perfeito, como o Único que é Caminho, Verdade e Vida, como o Único que é o Alfa e Omega , o seja, Principio e Fim de tudo, como o Único que é Omnisciente  como o más grande que ha sido, é e será, como o Único Omnipresente, como a Única fonte de amor, de paz e de bondade, como o Único a que lhe devemos amor por cima de tudo, como o Único que se entrego voluntariamente na Cruz por ti e por mim, como o Único que merece submissão absoluta e total de pensamento, palavra e obra, como o Único em o que tudo tem a sua origem e sem o qual não há nada, de onde vimos e a Quem regressaremos. Portanto todo aquele que renda Culto de Adoração a qualquer que não seja este Deus, está caindo na idolatria.
        
O CULTO DE VENERAÇAO OU DULÍA

Este Culto está dirigido aos Santos, aos Mártires em Cristo e aos Anjos, tem as sus raízes na Sagrada Escritura especificamente nos Actos dos Apóstolos e no Apocalipse.

Depois disto, olhei e vi uma grande multidão de todas as nações, raças, línguas e povos. Estavam em pé diante do trono e diante do Cordeiro, e eram tantos que ninguém podia conta-los. Iam vestidos de branco e levavam palmas das mãos. Todos gritavam com forte voz! A salvação deve-se ao nosso Deus que está sentado no trono do Cordeiro! e todos os anjos estavam em pé à volta do trono e dos anciãos e dos quatro seres viventes, e inclinaram-se diante do trono até tocar o solo com o rosto e adoraram a Deus. (Apocalipse 7: 9-11)

Este Culto de Veneração aos Santos é testemunhado com certeza desde a primeira metade do século II, portanto é antiquíssimo.
Uma compreensão adequada da doutrina de a Igreja sobre os Santos só é possível de entender dentro do âmbito de os artigos da fé relacionados com esta doutrina.

A Comunhão dos Santos, está conformada por a Igreja que está no Céu, a que se purifica no estado chamado Purgatório e a que peregrina em a terra, as três estão na comunhão constante na própria caridade de Deus e o próximo, de facto, todos os que somos de Cristo, a ter o Seu Espírito formamos uma só Igreja e estamos unidos nele.
A doutrina da única mediação de Cristo não exclui outras mediações subordinadas, as quais se realizam e exercem dentro da absoluta mediação de Cristo. (1 Timóteo 2: 1-7)

A doutrina da Igreja Católica propõe os Santos que contemplam já claramente a Deus Uno e Trino como testemunhas históricas da vocação universal à santidade, eles, fruto eminente da redenção de Cristo, são prova e testemunho de que Deus, em todos os tempos, em todos os povos, nas mais variadas condições sócio-culturais e nos diversos estados de vida, chama os seus filhos a alcançar a plenitude da maturidade em Cristo, todos estamos chamados à Santidade mas para tal temos que renunciar ao que este oferece mundo em prazeres efémeros, temos que ser fortes ante as tentações do demónio as quais são tão variadas e subliminares e da mesma forma lutar com inteireza ante a concupiscência da carne.

Nós anunciamos Cristo, aconselhando e ensinando todos em toda a sabedoria para nos apresenta-mos perfeitos a Cristo. Para isto trabalho e luto com toda a força e o poder que Cristo me dá. (Colossenses 1: 28-29)

Os Santos foram homens e mulheres que no seu tempo viveram a sua própria vida como qualquer de nós, com angústias, limitações, desencantos, frustrações, incompreensões e vexames, mas com a diferença de que souberam ser fieis ao Senhor ante toda a circunstancia, não lhe voltaram as costas, não o negaram e deixaram tudo por Ele, foram discípulos insignes do Senhor e portanto modelos de vida evangélica. Nos diferentes processos de canonização a Igreja reconhece a heroicidade das suas virtudes e portanto propõe-os como modelos a imitar.
Os Santos são cidadãos da Jerusalém do Céu que cantam sem cessar a glória e a misericórdia de Deus, cumpriu-se neles a passagem pascal deste mundo para o Pai.
Tudo isto a Igreja o confessa quando com agradecimento a Deus Pai proclama: Ofereces-nos o exemplo da sua vida, a ajuda da sua intercessão e a participação no seu destino.
Finalmente é preciso recordar que o objectivo primordial da Veneração aos Santos consiste em glorificar a Deus e a santificação do homem, mediante uma vida plenamente conforme a vontade divina e a imitação das virtudes de aqueles que foram discípulos eminentes do Senhor.
Em termos gerais o Culto de Veneração ou Dulia está reservado aos Anjos, aos Mártires em Cristo e aos Santos, no caso dos Anjos considerando as suas diferentes hierarquias, no caso dos Santos aos que foram canonizados pela Igreja.
A Igreja Católica nunca exigiu a Veneração aos Santos, sempre alertou sobre o que se deve fazer, tratando com tal orientar, a intercessão dos Santos é real e a que eles pelos seus próprios méritos logrados na terra vivem a glória de estar com Jesus no céu.
A Igreja Católica honra e venera os Santos, não os adoramos, como ocorre por exemplo com o Culto que realiza o culto das imagens onde se adoram as deidades africanas camufladas com o nome dos Santos católicos, tudo isto para confundir, enganar e conseguir adeptos, é por isso que o culto das imagens em África é uma religião, a religião dos Ioruba ou Locuris, e fora de África é um Sincretismo religioso, que mistura a religião Ioruba com a religião Católica,  um culto que aplica a ameaça aos seus adeptos para infundir temor, um Culto pertencente às artes obscuras proibido por Deus
Ter esculturas ou imagens em hora dos Santos não pode considerar-se uma idolatria é como ter fotografias de seres queridos. Para poder entender tudo isto, repito é necessário vê-lo, analisá-lo e estudá-lo sob a fé católica, de contrário, estaremos interpretando a Sagrada Escritura erroneamente como o fazem os irmãos separados e isso permitir-nos-á tirar conclusões que estão fora de ordem.

O CULTO DE VENERAÇÃO OU HIPERDULiA

 O Culto que nós os católicos rendemos a Maria a Mãe de Deus designa-se con o nome de Hiperdulia é um Culto de Veneração que está acima do Culto tributado aos Santos, os Mártires em Cristo e os Anjos, porque simplesmente Ela é a Mãe de Deus.

Quando os irmãos separados assinalam que nós os católicos adoramos a Virgem Maria temos que encher-nos de caridade primeiramente para saber responder-lhes e ver nisso a grande ignorância que têm para julgar as coisas de Deus, o desconhecimento completo sobre a Igreja Católica e o pouco escrúpulo em discernir sensatamente a Sagrada Escritura. Para estudar e posteriormente analisar a Palavra de Deus é necessário o discernimento do Espírito Santo, seguir normas ou instruções de pessoas preparadas como as que estão no nosso sagrado Magistério e por último desligar-se das paixões e ser objectivo na hora de dar opiniões, considerando antes de mais que a Sagrada Escritura é a Palavra de Deus e o Senhor que é um Deus muito severo e justo diz claramente: Não julgueis para que não sejais julgados.

A Veneração da Santíssima Virgem Maria Mãe de Deus não tem nada que ver com os cultos pagãos reflectidos no Antigo e Novo Testamento, mas antes com o facto de que Deus quis fazer-se homem, nascido de mulher, não foram os cristãos os que escolheram a Virgem Maria como a Mãe de Deus, foi o próprio Deus quem a escolheu para que fosse sua Mãe.

Maria não é só Mãe da natureza humana de Jesus, Jesus é uma pessoa divina que tem duas naturezas, natureza humana porque se encarna numa mulher e nasce dela e natureza divina porque é a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, é o verbo encarnado. Ao nascer Jesus, não nasce somente a natureza dele, nasce também ele como pessoa, toda a Mãe portanto é Mãe da pessoa a quem esta dando à luz, portanto a Virgem Maria é verdadeira Mãe de Deus de que o Verbo que é Jesus se fez carne.

Jesus é o único e verdadeiro Senhor, Rei e Mediador, Ele veio para que todos unidos a Ele como membros do seu Corpo Místico participemos do seu senhorio, do seu reinado e da sua mediação este é o privilégio que recebemos no Sacramento do Baptismo, ora bem, se isto é certo como efectivamente é, que todos somos membros de Cristo, quanto mais a sua Mãe a quem Ele associou de forma única à sua obra de redenção.

Não podemos rebaixar a Santíssima Virgem Maria da altura na qual Deus a colocou, ao fazê-la Mãe do seu Filho, pelo que merece ser venerada em atenção Àquele a quem levou no seu seio sagrado, experiencia irrepetível que faz dela uma pessoa diferente. De maneira que a veneração que ela merece é também diferente a que damos aos Santos, aos Mártires em Cristo e aos Anjos, é por isso que essa veneração dada à Virgem Maria a designamos como Hiperdulia que quer dizer por outras palavras que a veneramos como a maior, não a estamos adorando, seria uma grande torpeza igualá-la a Deus, isso sim poder-se-ia então definir como uma idolatria.
Se examinamos objectivamente e sem paixões a Sagrada Escritura encontramos em muitos versículos o lugar que Deus deu à Santíssima Virgem Maria, quem como Deus:

Maria é Cheia de Graça (Lucas 1: 28); Maria é Obediente (Lucas 1: 45); Maria é Humilde (Lucas 1: 38); Maria é cumpridora de a Palavra de Deus (Mateus 12: 46-50); Maria é Amiga de Deus (João 2: 1-12); Maria acompanhou a Deus até à Cruz (João 19: 25); Maria acompanhou a os Apóstolos (Actos 1: 12-14); Maria é a Mãe de Deus (Lucas 1: 43)

A doutrina protestante omitindo a Palavra de Deus e interpretando-a como melhor lhe parece, ignora todas as citações bíblicas anteriores para confundir os católicos, tentar provar que Maria não é Virgem, não é a Mãe de Deus e não tem qualquer grandeza, heis aqui três citações bíblicas aplicadas por eles na sua forma proselitista de pregar:
A grandeza de Maria não reside de facto na sua virgindade, mas na sua obediência à vontade de Deus. Mas é um facto que foi Virgem antes do parto, no parto e depois do parto, porque para Deus não há nada impossível, é só questão de ler com atenção a Sagrada Escritura e discerni-la à luz do Espírito Santo, rever os documentos marianos dos Santos Padres da Igreja e aprofundar no Documento Marialis Cultus.
Os três textos anteriormente citados não falam dos filhos de Maria falam de os irmãos de Jesus, o que não é o mesmo na linguajem bíblica. Vamos portanto analisar que tipo de irmãos de Jesus são Tiago, José, Simão e Judas.

Se Jesus deixa Maria nas mãos de João é porque ela não tem esposo, nem filhos que a pudessem acolher e, para os judeus, era sinal de maldição que uma mulher ficasse sozinha.
Ante a evidência destes textos e a explicação dos mesmos com o raciocínio lógico que temos, cabe a pregunta: Porquê os irmãos separados continuam lendo e interpretando mal a Sagrada Escritura? Tudo tem uma explicação e é que a doutrina protestante como a palavra o diz consiste em protestar todas as verdades da Igreja Católica, os irmãos separados recebem uma preparação que lhes muda a vida, assistem a estudos bíblicos onde se lhes exige aprender de memoria muitos textos bíblicos, se lhes ensina como combater a doutrina católica utilizando a Sagrada Escritura, têm uma disciplina e uma constância que nós não temos, e tudo vem da tese protestante que Martinho Lutero elaborou, considerado como um herege, e na qual nega as verdades católicas que são verdades de fé.

A Santíssima Virgem Maria está adornada com muitas virtudes e qualidades como por exemplo: Mãe dos homens, Mãe da Igreja, Avogada nossa, Corredentora, Medianeira de todas as graças e Rainha e Senhora de tudo o criado, além disso a Igreja Católica discerniu, estudou e definiu no seu Sagrado Magistério quatro dogmas que a acompanham, ou melhor dito, quatro verdades de fé: A Maternidade Divina, a Imaculada Conceição, a Virgindade Perpétua e a Assunção aos céus.



25/08/2014

Que bonito ser jogral de Deus!

Em certa altura, alguém me disse: – Padre, mas se eu me encontro cansado e frio; se, quando rezo ou cumpro outra norma de piedade, me parece que estou a fazer teatro... A esse amigo e a ti, se te encontrares na mesma situação, respondo: – Teatro? Grande coisa, meu filho! Faz teatro! O Senhor é o teu espectador!: o Pai, o Filho, o Espírito Santo; a Santíssima Trindade estará a contemplar-nos, naqueles momentos em que "fazemos teatro". Actuar assim diante de Deus, por amor, para lhe agradar, quando se vive a contragosto, que bonito! Ser jogral de Deus! Que maravilhoso é esse recital realizado por Amor, com sacrifício, sem nenhuma satisfação pessoal, para dar gosto a Nosso Senhor! Isso sim que é viver de Amor. (Forja, 485)

Lê-se na Escritura: Iudens in orbe terrarum, que Ele brinca em toda a superfície da terra. Mas Deus não nos abandona, porque imediatamente acrescenta: deliciæ meæ esse cum filiis hominum, a minha delícia é estar com os filhos dos homens. O Senhor brinca connosco. E quando nos parecer que estamos a representar uma comédia, por nos sentirmos gelados e apáticos, quando estivermos aborrecidos e sem vontade de fazer nada, quando nos custar cumprir o nosso dever e alcançar as metas espirituais que nos tínhamos proposto, é altura de pensar que Deus brinca connosco e espera então que saibamos representar a nossa comédia com galhardia.

Não me importo de vos contar que, em algumas ocasiões, o Senhor me concedeu muitas graças, mas que geralmente vou a contrapelo. Prossigo o meu plano de vida, não porque me agrade, mas porque devo fazê-lo por Amor. Mas, Padre, pode-se representar uma comédia diante de Deus? Não será uma hipocrisia? Não te inquietes, pois chegou para ti o momento de entrares numa comédia humana que tem um espectador divino. Persevera, pois o Pai, o Filho e o Espírito Santo assistem a essa tua comédia. Faz tudo por amor de Deus, para lhe agradar, mesmo que te custe.


Que bonito é ser jogral de Deus! Como é belo representar essa comédia por Amor, com sacrifício, sem nenhuma satisfação pessoal, para agradar ao nosso Pai Deus, que brinca connosco! Põe-te diante do Senhor e diz-lhe confiadamente: não me apetece nada fazer isto, mas oferecê-lo-ei por Ti. E ocupa-te a sério desse trabalho, ainda que penses que é uma comédia. Abençoada comédia! (Amigos de Deus, 152)

Temas para meditar 216


Humildade


Foi a humildade a porta por onde o Senhor entrou a tomar posse do que já possuía. 



(Stº agostinho Sermões 6)

Tratado da Graça 05

Art. 5 — Se o homem sem a graça pode merecer a vida eterna.

(Infra, q. 114, a. 2, II Sent., dust. XXVIII, a. 1, dist. XXIX, a. 1, III Cont. Gent., cap. CXLVII, De Verit., q. 24, a. 1, ad 2, a. 14, Quold. I, q. 4, a. 2).

O quinto discute-se assim. — Parece que sem a graça o homem pode merecer a vida eterna.

1. — Pois, diz o Senhor (Mt 19, 17): Se tu queres entrar na vida, guarda os mandamentos. Por onde se vê que depende da vontade humana entrar na vida eterna. Ora, o que depende da nossa vontade podemos faze-lo por nós mesmos. Logo, o homem pode, por si mesmo, merecer a vida eterna.

2. Demais. — A vida eterna é um galardão ou prémio, que Deus dá aos homens, conforme a Escritura (Mt 5, 12): o vosso galardão está nos céus. Ora, Deus dá o galardão ou o prémio ao homem, segundo as suas obras, no dizer da Escritura (Sl 61, 12): Tu retribuirás a cada um segundo as suas obras. Logo, sendo o homem senhor dos seus atos, foi deixado ao seu poder entrar na vida eterna.

3. Demais. — A vida eterna é o fim último da vida humana. Ora, todos os seres da natureza podem, pelas suas faculdades naturais, conseguir o seu fim. Logo, com maior razão, o homem, de natureza mais elevada, pode chegar à vida eterna pelas suas faculdades naturais, sem o auxílio da graça.

Mas, em contrário, diz o Apóstolo (Rm 6, 23): A graça de Deus é a vida eterna. O que foi dito, explica a Glosa nesse lugar, para entendermos, que Deus nos conduz, pela sua misericórdia, à vida eterna.

Os actos conducentes ao fim devem ser proporcionados a este. Ora, nenhum acto excede à proporção do princípio activo. Por isso, vemos que nenhum ser natural pode produzir, pela sua operação própria, um efeito que lhe exceda a virtude activa, senão só o que lhe for proporcionado à virtude. Ora, a vida eterna é um fim desproporcionado à natureza humana, como do sobredito resulta (q. 5, a. 5). Donde, o homem, pelas suas faculdades naturais, não pode praticar obras meritórias proporcionadas à vida eterna, para isso é necessária uma virtude mais alta, que é a virtude da graça. Portanto, sem esta, ele não pode alcançar a vida eterna. Pode, porém, praticar certas obras conducentes a determinados bens que lhe sejam conaturais, como, trabalhar no campo, beber, comer, ter amigos e outros semelhantes, como diz Agostinho.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJECÇÃO. — O homem, pela sua vontade, pode fazer obras meritórias para a vida eterna. Mas, como diz Agostinho, no mesmo livro, para isso é necessário que a vontade lhe seja preparada pela graça de Deus.

RESPOSTA À SEGUNDA. — Ao lugar do Apóstolo — a graça de Deus é a vida eterna — diz a Glosa: É certo que a vida eterna é dada em retribuição das boas obras, mas estas mesmas já procedem da graça de Deus. Pois, como também já dissemos (a. 4), para cumprir os mandamentos de Deus, como devemos e meritoriamente, é necessária a graça.

RESPOSTA À TERCEIRA. — A objecção colhe quanto ao fim conatural do homem. Pois, a natureza humana, por isso mesmo que é mais nobre, pode atingir um fim mais elevado, ao menos com o auxílio da graça, o qual de nenhum modo podem alcançar os seres de natureza inferior. Assim, tem melhor disposição para a saúde quem pode alcançá-la, com o auxílio de certos remédios, do que quem de nenhum modo o pode, como diz o Filósofo.

Nota: Revisão da versão portuguesa por ama.


Evang.; Coment.; Leit. Esp. (Cong para a Dout. da Fé - Leonardo Boff)

Tempo comum XXI Semana

Evangelho: Mt 23, 13-22

13 «Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas, que fechais aos homens o Reino dos Céus, pois nem vós entrais, nem deixais que entrem os que quereriam entrar. 14 Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas, que devorais as casas das viúvas a pretexto de longas orações! Por isto sereis julgados mais severamente. 15 Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas, que correis o mar e a terra para fazerdes um prosélito e, depois de o terdes feito, o tornais filho do inferno duas vezes pior do que vós. 16 «Ai de vós, guias cegos, que dizeis: “Se alguém jurar pelo templo, isso não é nada, mas o que jurar pelo ouro do templo, fica obrigado!”. 17 Insensatos e cegos! Pois que é mais, o ouro ou o templo, que santifica o ouro? 18 E dizeis também: “Se alguém jurar pelo altar, isso não é nada, mas quem jurar pela oferenda que está sobre ele, fica obrigado”. 19 Cegos! Qual é mais: a oferta ou o altar que santifica a oferta? 20 Aquele, pois, que jura pelo altar, jura por ele e por tudo o que está sobre ele, 21 e quem jura pelo templo, jura por ele e por Aquele que habita nele, 22 e quem jura pelo céu, jura pelo trono de Deus e por Aquele que está sentado sobre ele.

Comentário:

Para um cristão, jurar, não faz nenhum sentido já que deve ser conhecido por pessoa de palavra, em quem se pode acreditar sem reservas.
Por isso mesmo, deve estar preparado – sempre! – com conhecimento aprofundado da Doutrina para não ser nem apanhado em falso nem transmitir a outros algo que não seja correcto.
Estudar a Doutrina da Igreja é, pois, um dever, uma obrigação e uma grande necessidade.
Mais… deve ser constante!

(AMA, Comentário sobre Mt 23, 13-22, 2013.08.26)

Leitura espiritual



Magistério

CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ
NOTIFICAÇÃO SOBRE O LIVRO
«IGREJA: CARISMA E PODER.
ENSAIOS DE ECLESIOLOGIA MILITANTE»
DE FREI LEONARDO BOFF, O.F.M.

INTRODUÇÃO

No dia 12 de Fevereiro de 1982, Frei Leonardo Boff, OFM, tomou a iniciativa de enviar à Congregação para a Doutrina da Fé a resposta que deu à Comissão arquidiocesana para a Doutrina da Fé do Rio de Janeiro, que criticara o seu livro «Igreja: Carisma e Poder» (Editora Vozes - Petrópolis, RJ, Brasil, 1981). Declarava que aquela crítica continha graves erros de leitura e de interpretação.

A Congregação, após ter estudado o livro nos seus aspectos doutrinais e pastorais, expôs ao Autor, numa carta de 15 de Maio de 1984, algumas reservas, convidando-o a aceitá-las e oferecendo-lhe, ao mesmo tempo, a possibilidade de um diálogo de esclarecimento. Tendo porém em vista a repercussão que o livro estava tendo entre os fiéis, a Congregação informou L. Boff de que, em qualquer hipótese, a carta seria publicada, levando eventualmente em consideração a posição que ele viesse a tomar por ocasião do diálogo.

No dia 7 de Setembro de 1984, L. Boff foi recebido pelo Cardeal Prefeito da Congregação, acompanhado pelo Mons. Jorge Mejía, na qualidade de Secretário. Foram objecto do colóquio alguns problemas eclesiológicos surgidos da leitura do livro «Igreja: Carisma e Poder» e assinalados na carta de 15 de Maio de 1984. A conversa, que se desenvolveu num clima fraterno, proporcionou ao Autor ocasião de expor seus esclarecimentos pessoais, que ele quis também entregar por escrito. Tudo isto foi explicado num comunicado final publicado e redigido de comum acordo com L. Boff. Concluído o diálogo, foram recebidos pelo Cardeal Prefeito, em outra sala, os Eminentíssimos Cardeais Aloísio Lorscheider e Paulo Evaristo Arns, que se encontravam em Roma para esta oportunidade.

A Congregação examinou, seguindo a praxe que lhe é própria, os esclarecimentos orais e escritos fornecidos por L. Boff e, embora tomando nota das boas intenções e das repetidas declarações de fidelidade à Igreja e ao Magistério por ele expressas, sentiu-se contudo no dever de salientar que as reservas levantadas acerca do conteúdo do livro e assinaladas na carta, não poderiam, na sua substância, considerar-se superadas. Julga pois necessário, assim como estava previsto, agora publicar, nas suas partes essenciais, o conteúdo doutrinal da mencionada carta.

PREMISSA DOUTRINAL

A eclesiologia do livro «Igreja: Carisma e Poder» propõe-se ir ao encontro dos problemas da América Latina e, em particular do Brasil, com uma colectânea de estudos e perspectivas (cf. p. 13). Tal intenção exige, de um lado, uma atenção séria e aprofundada às situações concretas, às quais o livro se refere e, por outro lado, — para realmente corresponder ao seu objectivo — a preocupação de inserir-se na grande tarefa da Igreja universal, no sentido de interpretar, desenvolver e aplicar, sob a inspiração do Espírito Santo, a herança comum do único Evangelho, entregue, uma vez para sempre, pelo Senhor à nossa fidelidade. Deste modo a única fé do Evangelho cria e edifica, ao longo dos séculos, a Igreja católica, que permanece una na diversidade dos tempos e na diferença das situações próprias às múltiplas Igrejas particulares. A Igreja universal realiza-se e vive nas Igrejas particulares e estas são Igreja exactamente enquanto continuam a ser, num determinado tempo e lugar, expressão e atualização da Igreja universal. Deste modo, com o crescimento e o progresso das Igrejas particulares cresce e progride a Igreja universal; ao passo que, debilitando-se a unidade, diminuiria e decairia também a Igreja particular. Por isso o verdadeiro discurso teológico não pode jamais contentar-se em apenas interpretar e animar a realidade de uma Igreja particular, mas deve, ao contrário, procurar aprofundar os conteúdos do depósito sagrado da palavra de Deus, depósito confiado à Igreja e autenticamente interpretado pelo Magistério. A praxis e as experiências que sempre têm origem numa determinada e limitada situação histórica, ajudam o teólogo e o obrigam a tornar o Evangelho acessível ao seu tempo. A praxis, contudo, não substitui, nem produz a verdade, mas está a serviço da verdade, que nos foi entregue pelo Senhor. O teólogo é, pois, chamado a decifrar a linguagem das diversas situações — os sinais dos tempos — e a abrir esta linguagem à inteligência da fé (cf. Enc. Redemptor hominis, n. 19). Examinadas à luz dos critérios de um autêntico método teológico — aqui apenas brevemente assinalados — certas opções do livro de L. Boff manifestam-se insustentáveis. Sem pretender analisá-las todas, colocam-se em evidência apenas as opções eclesiológicas que parecem decisivas, ou seja: a estrutura da Igreja, a concepção do dogma, o exercício do poder sagrado e o profetismo.

A ESTRUTURA DA IGREJA

L. Boff coloca-se, segundo as suas próprias palavras, dentro de uma orientação, na qual se afirma «que a igreja como instituição não estava nas cogitações do Jesus histórico, mas que ela surgiu como evolução posterior à ressurreição, particularmente com o processo progressivo de desescatologização» (p. 123). Consequentemente, a hierarquia é para ele «um resultado» da «férrea necessidade de se institucionalizar», «uma mundanização», no «estilo romano e feudal» (p. 71). Daí deriva a necessidade de uma «mutação permanente da Igreja» (p. 109); hoje deve emergir uma «Igreja nova» (p. 107, passim), que será «uma nova encarnação das instituições eclesiais na sociedade, cujo poder será pura função de serviço» (p. 108).

Na lógica destas afirmações explica-se também a sua interpretação acerca das relações entre catolicismo e protestantismo: «Parece-nos que o cristianismo romano (catolicismo) se distingue por afirmar corajosamente a identidade sacramental e o cristianismo protestante por uma afirmação destemida da não-identidade» (p. 132; cf. pp, 126 ss., 140).

Dentro desta visão, ambas as confissões constituiriam mediações incompletas, pertencentes a um processo dialético de afirmação e de negação. Nesta dialéctica «se mostra o que seja o cristianismo. Que é o cristianismo? Não sabemos. Somente sabemos aquilo que se mostrar no processo histórico» (p. 131).

Para justificar esta concepção relativizante da Igreja — que se encontra na base das críticas radicais dirigidas contra a estrutura hierárquica da Igreja católica — L. Boff apela para a Constituição Lumen gentium (n. 8) do Concílio Vaticano II. Da famosa expressão do Concílio «Haec Ecclesia (se. única Christi Ecclesia)... subsistit in Ecclesia catholica», ele extrai uma tese exactamente contrária à significação autêntica do texto conciliar, quando afirma: de facto, «esta (isto é, a única Igreja de Cristo) pode subsistir também em outras Igrejas cristãs» (p. 125). O Concílio tinha, porém, escolhido a palavra «subsistit» exatamente para esclarecer que há uma única «subsistência» da verdadeira Igreja, enquanto fora de sua estrutura visível existem somente «elementa Ecclesiae», que — por serem elementos da mesma Igreja — tendem e conduzem em direção à Igreja católica (LG 8). O Decreto sobre o ecumenismo exprime a mesma doutrina (UR 3-4), que foi novamente reafirmada pela Declaração Mysterium Ecclesiae, n. 1 (AAS LXV [1973], pp. 396-398).

A subversão do significado do texto conciliar sobre a subsistência da Igreja está na base do relativismo eclesilógico de L. Boff, supra delineado, no qual se desenvolve e se explicita um profundo desentendimento daquilo que a fé católica professa a respeito da Igreja de Deus no mundo.

DOGMA E REVELAÇÃO

A mesma lógica relativizante encontra-se na concepção da doutrina e do dogma expressa por L. Boff. O Autor critica, de modo muito severo, «a compreensão doutrinária da revelação» (p. 73). É verdade que L. Boff distingue entre dogmatismo e dogma (cf. p. 139), admitindo o segundo e rejeitando o primeiro. Todavia, segundo ele, o dogma, na sua formulação, é válido somente «para um determinado tempo e circunstâncias» (pp. 127-128). «Num segundo momento do mesmo processo dialético o texto deve poder ser ultrapassado para dar lugar a outro texto do hoje da fé» (p. 128). O relativismo que resulta de semelhantes afirmações torna-se explícito quando L. Boff fala de posições doutrinárias contraditórias entre si, contidas no Novo Testamento (cf. p. 128). Consequentemente «a atitude verdadeiramente católica» seria de «estar fundamentalmente aberto a todas as direções» (p. 128). Na perspectiva de L. Boff a autêntica concepção católica do dogma cai sob o veredito do «dogmatismo»: «Enquanto perdurar este tipo de compreensão dogmática e doutrinária da revelação e da salvação de Jesus Cristo dever-se-á contar irretorquivelmente com a repressão da liberdade de pensamento divergente dentro da Igreja» (pp. 74-75).

A este propósito convém ressaltar que o contrário do relativismo não é o verbalismo ou o imobilismo. O conteúdo último da revelação é o próprio Deus, Pai, Filho e Espírito Santo, que nos convida à comunhão com Ele; todas as palavras referem-se à Palavra, ou — como diz São João da Cruz: «... a su Hijo ... todo nos habló junto y de una vez en esta sola Palabra y no tiene más que hablar» (Subida del Monte Carmelo, II, 22, 3). Mas nas palavras, sempre analógicas e limitadas, da Escritura e da fé autêntica da Igreja, baseada na Escritura, exprime-se, de modo digno de fé, a verdade acerca de Deus e acerca do homem. A constante necessidade de interpretar a linguagem do passado, longe de sacrificar esta verdade, torna-a, antes, acessível e desenvolve a riqueza dos textos autênticos. Avançando, guiada pelo Senhor, que é o caminho e a verdade (Jo 14, 16), a Igreja, que ensina e que crê, está convencida de que a verdade expressa pelas palavras de fé não só não oprime o homem, mas o liberta (Jo 8, 32) e é o único instrumento de verdadeira comunhão entre os homens de diversas classes e opiniões, enquanto uma concepção dialética e relativizante o expõe a um decisionismo arbitrário.

No passado, esta Congregação teve ocasião de mostrar que o sentido das fórmulas dogmáticas permanece sempre verdadeiro e coerente, determinado e irreformável, embora possa ser ulteriormente esclarecido e melhor compreendido (cf. Mysterium Ecclesiae, n. 5: AAS LXV [1973], pp. 403-404).

Para continuar na sua função de sal da terra, que nunca perde o seu sabor, o «depositum fedei » deve ser fielmente conservado na sua pureza, sem deslizar no sentido de um processo dialético da história e em direção ao primado da praxis.

O EXERCÍCIO DO PODER SAGRADO

Uma «grave patologia» de que, segundo L. Boff, a Igreja romana deveria livrar-se, é provocada pelo exercício hegemónico do poder sagrado que, além de torná-la uma sociedade assimétrica, teria também sido deformado em si mesmo.

Dando por certo que o eixo organizador de uma sociedade coincide com o modo específico de produção que lhe é próprio, e aplicando este princípio à Igreja, L. Boff afirma que houve um processo histórico de expropriação dos meios de produção religiosa por parte do clero em prejuízo do povo cristão que, em consequência, teria sido privado de sua capacidade de decidir, de ensinar etc. (cf. pp. 75, 215 ss., 238-239). Além disso, após ter sofrido esta expropriação, o poder sagrado teria também sido gravemente deformado, vindo a cair deste modo nos mesmos defeitos do poder profano em termos de dominação, centralização, triunfalismo (cf. pp. 98, 85, 91 ss.). Para remediar estes inconvenientes, propõe-se um novo modelo de Igreja, no qual o poder seria concebido sem privilégios teológicos, como puro serviço articulado de acordo com as necessidades da comunidade (cf. pp. 207, 108).

Não se pode empobrecer a realidade dos sacramentos e da palavra de Deus enquadrando-a no esquema da «produção e consumo», reduzindo deste modo a comunhão da fé a um mero fenómeno sociológico. Os sacramentos não são «material simbólico», a sua administração não é produção, a sua recepção não é consumo. Os sacramento são dom de Deus. Ninguém os «produz». Todos recebemos por eles a graça de Deus, os sinais do eterno amor. Tudo isto está além de toda produção, além de todo fazer e fabricar humano. A única medida que corresponde à grandeza do dom é a máxima fidelidade à vontade do Senhor, de acordo com a qual todos seremos julgados — sacerdotes e leigos — sendo todos «servos inúteis» (Lc 17, 10). Existe sempre, decerto, o perigo de abusos; põe-se sempre o problema de como garantir o acesso de todos os fiéis à plena participação na vida da Igreja e na sua fonte, isto é, na vida da Senhor. Mas interpretar a realidade dos sacramentos, da hierarquia, da palavra e de toda a vida da Igreja em termos de produção e de consumo, de monopólio, expropriação, conflito com o bloco hegemónico, ruptura e ocasião para um modo assimétrico de produção, equivale a subverter a realidade religiosa. Ao contrário de ajudar na solução dos verdadeiros problemas, este procedimento leva, antes, à destruição do sentido autêntico dos sacramentos e da palavra da fé.

O PROFETISMO NA IGREJA

O livro «Igreja: Carisma e Poder» denuncia a hierarquia e as instituições da Igreja (cf. pp. 65-66, 88, 239-240). Como explicação e justificação para semelhante atitude reivindica o papel dos carismas e, em particular, do profetismo (cf. pp. 237-240, 246, 247). A hierarquia teria a simples função de «coordenar», de «propiciar a unidade, a harmonia entre os vários serviços», de «manter a circularidade e impedir as divisões e sobreposições», descartando pois desta função « a subordinação imediata de todos aos hierarcas » (cf. p. 248).

Não há dúvida de que todo o povo de Deus participa do múnus profético de Cristo (cf. LG 12); Cristo cumpre o seu múnus profético não só por meio da hierarquia, mas também por meio dos leigos (cf. ib. 35). Mas é igualmente claro que a denúncia profética na Igreja, para ser legítima, deve permanecer sempre a serviço, para a edificação da própria Igreja. Esta não só deve aceitar a hierarquia e as instituições, mas deve também colaborar positivamente para a consolidação da sua comunhão interna; além disso, pertence à hierarquia o critério supremo para julgar não só o exercício bem orientado da denúncia profética, como também a sua autenticidade (cf. LG 12).

CONCLUSÃO

Ao tornar público o que acima ficou exposto, a Congregação sente-se na obrigação de declarar, outrossim, que as opções aqui analisadas de Frei Leonardo Boff são de tal natureza que põem em perigo a sã doutrina da fé, que esta mesma Congregação tem o dever de promover e tutelar.

O Sumo Pontífice João Paulo II, no decorrer de uma Audiência concedida ao Cardeal Prefeito que subscreve este documento, aprovou a presente Notificação, deliberada em reunião ordinária da Congregação para a Doutrina da Fé, e ordenou que a mesma fosse publicada.

Roma, Sede da Congregação para a Doutrina da Fé, 11 de Março de 1985.

Joseph Card. Ratzinger
Prefeito

+ Alberto Bovone
Arcebispo tit. de Cesarea de Numidia
Secretário