24/08/2010

Textos de Reflexão para 24 de Agosto

Evangelho: Jo 1, 45-51

45 Filipe encontrou Natanael e disse-lhe: «Encontrámos Aquele de Quem escreveu Moisés na Lei, e os profetas: Jesus de Nazaré, filho de José». 46 Natanael disse-lhe: «De Nazaré pode porventura sair coisa que seja boa?». Filipe disse-lhe: «Vem ver». 47 Jesus viu Natanael, que vinha ter com Ele, e disse dele: «Eis um verdadeiro israelita em quem não há fingimento». 48 Natanael disse-lhe: «Donde me conheces?». Jesus respondeu-lhe: «Antes que Filipe te chamasse, Eu te vi, quando estavas debaixo da figueira». 49 Natanael respondeu: «Mestre, Tu és o Filho de Deus, Tu és o Rei de Israel». 50 Jesus respondeu-lhe: «Porque te disse que te vi debaixo da figueira, acreditas?; verás coisas maiores que esta». 51 E acrescentou: «Em verdade, em verdade vos digo, vereis o céu aberto e os anjos de Deus subir e descer sobre o Filho do Homem».
Meditação:

Nunca o Evangelho, refere o que Jesus viu debaixo da figueira onde estivera Natanael. Nem teria porque o fazer, trata-se, obviamente, de algo íntimo entre o Mestre e o futuro Apóstolo. Jesus respeita sempre, a intimidade das pessoas, quando não, teria dito: “Quando estavas debaixo da figueira vi-te fazer isto”…
Que podemos nós pensar senão que, Natanael deveria estar mergulhado em meditação, numa intimidade recatada, como deve ser, sempre, a meditação.
Porque se pode concluir tal coisa? Porque a declaração de Natanael à revelação de Jesus parece ser a resposta a essas mesmas perguntas que, no seu íntimo, se proporia.
As questões que nos pomos no nosso íntimo, desde que feitas com verdadeiro desejo de conhecer a verdade, encontram, sempre, resposta por parte de Cristo, que nunca nos deixa na ignorância ou na dúvida. (ama, comentário sobre Jo 1, 45-51, 2009.04.29)

Tema: Sintomas da Tibieza

Um sintoma de tibieza é não dar importância aos pecados veniais. O pecado venial é sempre uma ofensa a Deus. É afastar-se do Criador para se voltar para as criaturas. A primeira criatura para quem nos voltamos somos nós mesmos: a nossa soberba, a nossa sensualidade, a nossa comodidade. Por isto vos peço - peço-vos por amor de Deus - que estejais sempre vigilantes; e atentos em concreto à sobriedade na comida e na bebida. (Álvaro del Portillo, Tertúlia, 1984.11.25, trad do castelhano ama)

Doutrina: CCIC – 379: Quais são as virtudes humanas principais?
                   CIC – 1805;1834

São as virtudes, chamadas cardeais, que reagrupam todas as outras e que constituem a charneira da vida virtuosa. São elas: prudência, justiça, fortaleza e temperança.

Festa: São Bartolomeu, Apóstolo

Fátima 3



“Consagrar o mundo ao Imaculado Coração de Maria” significa aproximar-nos, por intercessão da Mãe, da mesma fonte de Vida que brotou no Gólgota. Este manancial corre ininterruptamente, brotando dele a Redenção e a Graça. Nela se realiza continuamente a reparação pelos pecados do mundo. Este manancial é fonte incessante de vida nova e de santidade.

(joão Paulo II, Homília em Fátima, 1982.05.13)

23/08/2010

Em Espanha como em Portugal



Amigos e inimigos


Se observarmos o nosso país, a chave do momento presente encontra-se em que o partido no Governo e o principal partido da oposição se vêem mutuamente como inimigos públicos mortais. Essa inimizade radical torna impossível qualquer colaboração efectiva, que seria o mais razoável e o que a maior parte dos cidadãos provavelmente desejamos. A causa da hostilidade cerrada entre ambos os partidos encontra-se - no meu entender - na carência de convicções básicas das duas formações políticas que disputam o poder. Os que não têm convicções não são capazes de expor as suas ideias em confronto democrático com as dos outros e auto-definem-se simplesmente pela oposição mecânica aos seus rivais. Não têm ideias e, se as expressam em alguma ocasião, não têm o menor pejo em sustentar a ideia exactamente oposta passados poucos dias sem sequer advertir que se estão contradizendo. Temos um gravíssimo problema de formação intelectual e de liderança efectiva dos nossos políticos que por isso não inspiram nenhuma confiança aos seus eleitores. Não nos fiamos deles, porque quase sempre desconhecemos quais são as suas convicções e qual vai ser a sua efectiva actuação.

(jaime nubiola, Convite para pensar, in Fluvium, 2010.08.21, trad. ama)

Cristo desvela o mistério da vocação do homem

 Como acertar com a minha vida



        É Cristo quem desvela o mistério da vocação do homem, por dois motivos fundamentais: Em primeiro lugar, porque a meta de toda vocação é a comunhão com Deus que Se nos dá a conhecer em Cristo Jesus; e em segundo lugar, porque em Cristo dá-se o acolhimento do chamamento divino na sua máxima fidelidade: Cristo faz-se uma mesma coisa com o querer do Pai.
        Todo o discípulo tem que responder à vocação com uma entrega que tem como seu modelo a entrega de Jesus. A plena união com o Pai dá-se sempre em Jesus, ainda que se expresse de forma diferente na Sua humanidade no tempo. Em troca, em nós, desvela-se-nos pouco a pouco o que Deus nos pede; vamo-nos tornando filhos e inteiramo-nos o que significa ser filhos de Deus ao longo da vida. O ideal de vida do Evangelho reclama conversão e penitência: uma mudança radical do coração que abarca toda a vida da pessoa.
        Jesus quer vincular os discípulos à missão que o seu Padre Lhe dá. A chamada para o seguir não é só imitação, mas introdução às condições da vida de Jesus. Assim, na origem de toda a vocação há, juntamente com uma eleição pessoal por parte de Deus, uma vontade divina para realizar. São Paulo diz-nos: "Chamou-nos com vocação santa, não em virtude das nossas obras, mas em virtude do seu desígnio" (2 Tm 1, 9).
        Poder-se-iam distinguir vários tipos ou diferentes grupos de chamadas que Jesus faz: a vocação dos quatro primeiros; a vocação de São Mateus; todas as chamadas que não tiveram êxito ou o tiveram mas mais tarde e se afastaram dele. Em quase todas deu-se um seguimento imediato e uma entrega radical e total (Mt 4, 18-22; Mc 1, 16-25; Lc 5, 1-11; Jn 1, 35-51). No Evangelho fica claro que o seguimento de Jesus leva consigo dar a vida (Mc 8, 34-38) e que Jesus não pretende, em nenhum momento, movimento de massas. Os discípulos de Jesus, os que O seguem, jogam a vida por inteiro.
        Em todas essas chamadas há alguns traços comuns:
        A iniciativa vem sempre de Jesus.
        A autoridade absoluta com que Jesus chama (não deixa margem para responder com condições ou limitações).
        É um chamamento que pressupõe a liberdade no seguimento: Jesus arrasta, atrai, não obriga.
        Implica uma missão: é um chamamento a estar com Ele - antes a ser como Ele: partilhar a sua vida, participar do seu destino, tomar a cruz - e a anunciar o Evangelho. 
(Juan Manuel Roca, in fluvium, 2010.08.21, trad ama)


Textos de Reflexão para 23 de Agosto

Evangelho: Mt 23, 13-22

13 «Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas, que fechais aos homens o Reino dos Céus, pois nem vós entrais, nem deixais que entrem os que quereriam entrar. 14 Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas, que devorais as casas das viúvas a pretexto de longas orações! Por isto sereis julgados mais severamente. 15 Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas, que correis o mar e a terra para fazerdes um prosélito e, depois de o terdes feito, o tornais filho do inferno duas vezes pior do que vós. 16 «Ai de vós, guias cegos, que dizeis: “Se alguém jurar pelo templo, isso não é nada, mas o que jurar pelo ouro do templo, fica obrigado!”. 17 Insensatos e cegos! Pois que é mais, o ouro ou o templo, que santifica o ouro? 18 E dizeis também: “Se alguém jurar pelo altar, isso não é nada, mas quem jurar pela oferenda que está sobre ele, fica obrigado”. 19 Cegos! Qual é mais: a oferta ou o altar que santifica a oferta? 20 Aquele, pois, que jura pelo altar, jura por ele e por tudo o que está sobre ele, 21 e quem jura pelo templo, jura por ele e por Aquele que habita nele, 22 e quem jura pelo céu, jura pelo trono de Deus e por Aquele que está sentado sobre ele.
Meditação:

Ter unidade de vida, da nossa vida.
Fazer o que dizemos e dizer o que fazemos.
Que o que fazemos e o que dizemos seja, sempre, o que Tu queres que façamos e digamos.
Só assim seremos credíveis; só assim seremos honestos para connosco mesmos, para com os outros e, muito mais importante, honestos para contigo, Senhor, nosso Mestre e Guia. (AMA, Meditação, Mt 23, 13-22, Agosto 2008)

Tema: Pecado habitual

Uma casa não se derruba por um impulso momentâneo. A maior parte das vezes é por causa de um velho defeito de construção. Por vezes, é o prolongado desleixo dos seus moradores que motiva a penetração da água. A principio infiltra-se gota a gota e vai insensivelmente carcomendo o madeiramento e apodrecendo a armação. Com o tempo o pequeno orifício vai tomando maiores proporções, originando-se gretas e desmoronamentos consideráveis. No final, a chuva penetra em torrente. (Casiano, Collaciones, 6, trad do castelhano ama)

Doutrina: CCIC – 378: O que são as virtudes humanas?
                   CIC 1804; 1810-1811; 1834, 1839

As virtudes humanas são perfeições habituais e estáveis da inteligência e da vontade, que regulam os nossos actos, ordenam as nossas paixões e guiam a nossa conduta segundo a razão e a fé. Adquiridas e reforçadas por actos moralmente bons e repetidos, são purificadas e elevadas pela graça divina.

Fátima 2


A mensagem de Fátima é, no seu núcleo fundamental, uma chamada à conversão e à penitência, como no Evangelho (...). A Senhora da mensagem parecia ler com uma perspicácia especial os sinais dos tempos, os sinais do nosso tempo.
A chamada à penitência é uma chamada maternal; e, ao mesmo tempo, é enérgica e feita com decisão.

(joão Paulo II, Homília em Fátima, 1982.05.13)

22/08/2010

Textos de Reflexão para 22 de Agosto

Evangelho: Lc 13, 22-30

22 Ia pelas cidades e aldeias ensinando, e caminhando para Jerusalém. 23 Alguém Lhe perguntou: «Senhor, são poucos os que se salvam?». Ele respondeu-lhes: 24 «Esforçai-vos por entrar pela porta estreita, porque vos digo que muitos procurarão entrar e não conseguirão. 25 Quando o pai de família tiver entrado e fechado a porta, vós, estando fora, começareis a bater à porta, dizendo: Senhor, abre-nos. Ele vos responderá: Não sei donde sois. 26 Então começareis a dizer: Comemos e bebemos em tua presença, tu ensinaste nas nossas praças. 27 Ele vos dirá: Não sei donde sois; “afastai-vos de mim vós todos os que praticais a iniquidade”. 28 Ali haverá choro e ranger de dentes, quando virdes Abraão, Isaac, Jacob, e todos os profetas no reino de Deus, e vós serdes expulsos para fora. 29 Virão muitos do Oriente e do Ocidente, do Norte e do Sul, e se sentarão à mesa do reino de Deus. 30 Então haverá últimos que serão os primeiros, e primeiros que serão os últimos».
Comentário:

Jesus Cristo é a Verdade e, como tal, só pode dizer a Verdade. Tal fica bem patente neste trecho do Evangelho: Claramente, diz que o Reino dos Céus é difícil de conquistar.
Não pinta um quadro aprazível e fácil; tão pouco o carrega com cores escuras e soturnas.
Revela exactamente o necessário. Não responde directamente à pergunta: «Senhor, são poucos os que se salvam?», mas deixa claro que todos, absolutamente, são chamados dos vários pontos da terra a sentar-se à mesa do reino de Deus. E revela quem já lá estará: «Abraão, Isaac, Jacob, e todos os profetas», embora não lhes atribuindo nenhum “lugar” na mesa do banquete, acrescentando algo a ter muito em conta: que o mérito para alcançar o Reino não será medido por uma espécie de “antiguidade” na prática da Fé mas, sim por critérios justíssimos de Deus que avaliará o justo desde o seu nascimento e o convertido na hora da morte. (ama, comentário sobre Lc 13, 23-30, 2010.07.15)

Tema: Frutos da Confissão

Uma aproximação à santidade de Deus, um novo encontro na própria verdade interior, perturbada e transformada pelo pecado, uma libertação no mais profundo de si mesmo, e, com isto, uma recuperação da alegria perdida, a alegria de ser salvos, que a maioria dos homens do nosso tempo deixou de provar. (joão Paulo II, Exortação Apostólica Reconciliatio et Paenitentia, 31, 3)

Doutrina: CCIC – 377: O que é a virtude?
                           CIC: 1803, 1833

A virtude é uma disposição habitual e firme para fazer o bem. «O fim de uma vida virtuosa é tornar-se semelhante a Deus» (S. Gregório de Nissa). Há virtudes humanas e virtudes teologais.

Festa: Nossa Senhora Rainha

Santa Missa 6

A Missa torna presente o sacrifício da Cruz, não o acrescenta e não o multiplica. O que se repete é a sua celebração memorial, a “manifestação memorial” (memorillis demonstratio), pela qual o único e definitivo sacrifício redentor de Cristo se actualiza no tempo. A natureza sacrificial do Mistério eucarístico não pode ser entendida, por tanto, como à parte, independente da Cruz ou como uma referência somente indirecta ao sacrifício do Calvário. 


(joão Paulo II, Encíclica Ecclesia de Eucharistia, 17.04.2003, nr. 12)

20/08/2010

Julgar os outros



Procurai viver as virtudes que, segundo julgais, faltam aos vossos irmãos e já não vereis os seus defeitos, porque não os tereis vós.

(St. Agostinho, Enarrationes in Psalmos, 30, 2, 7, trad castelhano por ama)

Textos de Reflexão para 20 de Agosto

Evangelho: Mt 22, 34-40

34 Os fariseus, tendo sabido que Jesus reduzira ao silêncio os saduceus, reuniram-se.35 E um deles, doutor da Lei, querendo pô-l'O à prova, perguntou-Lhe:36 «Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?».37 Jesus disse-lhe: «”Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma, com todo o teu entendimento”.38 Este é o maior e o primeiro mandamento.39 O segundo é semelhante a este: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”.40 Destes dois mandamentos depende toda a Lei e os Profetas».
Meditação:

Partilhaste comigo a tua oração:

“Peço-te, Senhor, que recebas o meu amor como se fosse o único amor que tens na terra. Assim não notarás como é pequeno, miserável...
Serei feliz porque mesmo sabendo o pouco que é, como to dou todo...fico disponível para me 'encher' do Teu...”

Digo: Não tenho nada a acrescentar. (AMA, meditação sobre Mt 22, 34-40, Agosto 2007)      

Tema: Espírito Santo: Sua Acção na alma 2

A actuação do Espírito Santo na alma é suave aprazível, a Sua experiência é agradável e prazenteira. A Sua vinda traz consigo a bondade genuína do protector, pois vem salvar, curar ensinar, aconselhar, fortalecer e consolar. (S. Cirilo de Jerusalém, Catequese 16, sobre o Espírito Santo, 1, trad do castelhano por ama)
Doutrina: CCIC – 375: Quais as normas que a consciência deve sempre seguir?
                   CIC – 1789
Há três mais gerais: 1) nunca é permitido fazer o mal porque daí derive um bem; 2) a chamada regra de ouro: «tudo quanto quiserdes que os homens vos façam, fazei-lho vós também» (Mt 7, 12); 3) a caridade passa sempre pelo respeito do próximo e da sua consciência, embora isto não signifique aceitar como um bem aquilo que é objectivamente um mal.

Festa: São Bernardo, Doutor da Igreja

Liberdade e Riquezas



O carecer de propriedades, fazendo somente uso das coisas, torna-nos verdadeiramente livres da busca desenfreada das riquezas materiais que muitas vezes ferem a quem não tem nem sequer o necessário para viver dignamente.

 (cardeal claudio cummes, Prefeito da Congregação para o Clero, homilia na Santa Missa na Igreja de Santa Clara, Assis, 2010.08.11)  

19/08/2010

E em Portugal?

Brasil: Igreja promove debate com candidatos presidenciais

Questão de princípios


Textos de Reflexão para 19 de Agosto

Evangelho: Mt 22, 1-14

1 Jesus, tomando a palavra, voltou a falar-lhes em parábolas,2 dizendo: «O Reino dos Céus é semelhante a um rei, que preparou o banquete de bodas para seu filho.3 Mandou os seus servos chamar os convidados para as bodas, mas eles não quiseram ir.4 Enviou de novo outros servos, dizendo: “Dizei aos convidados: Eis que preparei o meu banquete, os meus touros e animais cevados já estão mortos, e tudo está pronto; vinde às núpcias”.5 Mas eles desprezaram o convite e foram-se, um para a sua casa de campo e outro para o seu negócio.6 Outros lançaram mão dos servos que ele enviara, ultrajaram-nos e mataram-nos.7 «O rei, tendo ouvido isto, irou-se e, enviando os seus exércitos, exterminou aqueles homicidas, e incendiou-lhes a cidade.8 Então disse aos servos: “As bodas, com efeito, estão preparadas, mas os convidados não eram dignos.9 Ide, pois, às encruzilhadas dos caminhos e a quantos encontrardes convidai-os para as núpcias”.10 Tendo saído os seus servos pelos caminhos, reuniram todos os que encontraram, maus e bons; e a sala das bodas ficou cheia de convidados.11 «Entrando depois o rei para ver os que estavam à mesa, viu lá um homem que não estava vestido com o traje nupcial.12 E disse-lhe: “Amigo, como entraste aqui, não tendo o traje nupcial?”. Ele, porém, emudeceu.13 Então o rei disse aos seus servos: “Atai-o de pés e mãos e lançai-o nas trevas lá de fora, aí haverá choro e ranger de dentes.14 Porque são muitos os chamados mas poucos os escolhidos”».

Meditação:

Não permitas, Senhor, que, tendo correspondido com prontidão ao Teu convite, me apresente sem o traje da dignidade que Te é devida. “lava-me, Senhor da minha iniquidade e purifica-me do meu pecado” (Ordinário da Missa).
Chamado na encruzilhada dos caminhos da minha vida, não permitas que, com a pressa e urgência em comparecer, me esqueça de que não sou digno de tal convite.
Que me prepare com o traje que pões à minha disposição para que compareça como devo.
Então, revestido da Tua Graça, poderei participar com a alegria e gozo extraordinários que concedes aos convivas do Teu banquete divino. 
~
(AMA, Meditação, Mt 22, 1-14, Agosto 2008)

Tema: Espírito Santo: Sua Acção na alma 1

A alma recebe um aumento de força, que a torna apta para obedecer com maior facilidade e prontidão à chamada e aos impulsos do Espírito Santo. É tanta a eficácia destes dons, que conduzem o homem aos mais altos cumes da santidade; e tanta a sua excelência, que perseveram intactos, ainda que mais perfeitos, no reino celestial. Graças a eles, o Espírito Santo move-nos a desejar e leva-nos a conseguir as bem-aventuranças evangélicas, que são como flores abertas na primavera, como indício e presságio da bem-aventurança eterna. (Leão XIII, Encíclica Divinum illud munus, 1897.05.09, 12, trad. do castelhano por ama)
Doutrina: CCIC – 374: Como formar a recta e verdadeira consciência moral?
                   CIC - 1783-1788; 1799-1800
A consciência moral recta e verdadeira forma-se com a educação e com a assimilação da Palavra de Deus e do ensino da Igreja. É amparada com os dons do Espírito Santo e ajudada com os conselhos de pessoas sábias. Além disso, ajudam muito na formação moral a oração e o exame de consciência.

Preocupação com o próximo



Procuremos aquelas virtudes que, juntamente com a nossa salvação, aproveitam principalmente ao próximo... No mundo terreno, ninguém vive para si mesmo; o artesão, o soldado, o lavrador, o comerciante, todos sem excepção contribuem para o bem comum e proveito do próximo. Com maior razão no mundo espiritual, porque este é o viver verdadeiro. O que vive só para si e despreza os outros é um ser inútil, não é homem, não pertence à nossa linhagem.

(S. João Crisóstomo, Homílias sobre S. Mateus, 77, 6, trad castelhano por ama)

18/08/2010

Textos de Reflexão para 18 de Agosto

Evangelho: Mt 20, 1-16

1 «O Reino dos Céus é semelhante a um pai de família que, ao romper da manhã, saiu a contratar operários para a sua vinha.2 Tendo ajustado com os operários um denário por dia, mandou-os para a sua vinha.3 Tendo saído cerca da terceira hora, viu outros, que estavam na praça ociosos,4 e disse-lhes: “Ide vós também para a minha vinha, e dar-vos-ei o que for justo”.5 Eles foram. Saiu outra vez cerca da hora sexta e da nona, e fez o mesmo.6 Cerca da undécima, saiu, e encontrou outros que estavam sem fazer nada, e disse-lhes: “Porque estais aqui todo o dia sem trabalhar?”.7 Eles responderam: “Porque ninguém nos contratou”. Ele disse-lhes: “Ide vós também para a minha vinha”.8 «No fim da tarde, o senhor da vinha disse ao seu feitor: “Chama os operários e paga-lhes o salário, começando pelos últimos até aos primeiros”.9 Tendo chegado os que tinham ido à hora undécima, recebeu cada qual um denário.10 Chegando também os primeiros, julgaram que haviam de receber mais; porém, tam eles receberam um denário cada um.11 Mas, ao receberem, murmuravam contra o pai de família,12 dizendo: “Estes últimos trabalharam somente uma hora, e os igualaste connosco, que suportamos o peso do dia e o calor”.13 Porém, ele, respondendo a um deles, disse: “Amigo, eu não te faço injustiça. Não ajustaste comigo um denário?14 Toma o que é teu, e vai-te. Eu quero dar também a este último tanto como a ti.15 Ou não me é lícito fazer dos meus bens o que quero? Porventura o teu olho é mau porque eu sou bom?”.16 Assim os últimos serão os primeiros, e os primeiros serão os últimos».
Meditação:

Fui um dos “primeiros” a ser chamado para a Tua vinha. E, nesta felicidade que é o ser chamado, encontrei-me muitas vezes “acomodado”, como se, tivesse tido o “direito” de o ter sido, em vez de, como é verdade, considerar que o fui unicamente pela Tua Bondade e Misericórdia.
Umas vezes foi o calor da tarde – as comodidades, as prisões - que me impediu de trabalhar com afinco, outras foi o preconceito de ver outros a serem chamados depois de mim e serem tratados por igual.
Olho, Senhor, para esse Denário que entregas aos que vão acabando o seu dia e não posso deixar de sentir a minha indignidade para o receber: tenho trabalhado tão mal, com má vontade, contrafeito, com falta de empenho…
Nas horas que me restarem como trabalhador na Tua vinha, vou empenhar-me a fundo no meu trabalho.
Certamente que não o farei como devo mas, de certeza, vou fazê-lo como posso: com todo o amor e dedicação. (AMA, meditação, sobre Mt 20, 1-16 Agosto 2008)

Tema: A Santíssima Virgem e o Reino de Deus

Ao longo da pregação de Jesus, Maria recolheu as palavras com que seu Filho, situando o Reino para além das considerações da carne e do sangue, proclamou bem-aventurados os que escutavam e guardavam a Palavra de Deus, como ela própria o fazia com fidelidade (cfr. Lc 2, 19; 51). (Concílio Vaticano II, Constituição Dogmática, Lumen gentium, 58)

Doutrina: CCIC – 373: Que implica a dignidade da pessoa perante a consciência moral?
                   CIC – 1780 – 1782; 1798

A dignidade da pessoa humana implica rectidão da consciência moral (ou seja, estar de acordo com o que é justo e bom, segundo a razão e a Lei divina). Por causa da sua dignidade pessoal, o homem não deve ser obrigado a agir contra a consciência e, dentro dos limites do bem comum, nem sequer deve ser impedido de agir em conformidade com ela, sobretudo em matéria religiosa.   

Fidelidade e gratidão



O que se mostra fiel no pouco, com justo direito será constituído sobre o muito, assim como, pelo contrário, torna-se indigno de novos favores quem é ingrato aos que antes recebeu.

(S. Bernardo, Comentário ao Salmo 97, 1-4, trad do castelhano por ama)

17/08/2010

Amigos 6


É próprio do amigo fazer bem aos amigos, especialmente àqueles que se encontrem mais necessitados. [i]


[i] S. Tomás de aquino, Ética e Nicómaco, 9, 13

Textos de Reflexão para 17 de Agosto

Evangelho: Mt 19, 23-30

23 Jesus disse a Seus discípulos: «Em verdade vos digo que um rico dificilmente entrará no Reino dos Céus.24 Digo-vos mais: É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha, que entrar um rico no Reino dos Céus».25 Os discípulos, ouvidas estas palavras, ficaram muito admirados, dizendo: «Quem poderá, então, salvar-se?».         26 Porém, Jesus, olhando para eles, disse-lhes: «Aos homens isto é impossível, mas a Deus tudo é possível». 27 Então Pedro, tomando a palavra, disse-Lhe: «Eis que abandonámos tudo e Te seguimos; qual será a nossa recompensa?».28 Jesus disse-lhes: «Em verdade vos digo que, no dia da regeneração, quando o Filho do Homem estiver sentado no trono da Sua glória, vós, que Me seguistes, também estareis sentados sobre doze tronos, e julgareis as doze tribos de Israel.29 E todo aquele que deixar a casa, ou os irmãos ou irmãs, ou o pai ou a mãe, ou os filhos, ou os campos, por causa do Meu nome, receberá cem vezes mais e possuirá a vida eterna.30 Muitos dos primeiros serão os últimos, e muitos dos últimos serão os primeiros.
Meditação:

Estou aqui, Senhor, como um desses “últimos” de que falas. De facto, desde pequenino que Te conheço e, não obstante, tantas vezes pretendo ignorar-te. Sou, então, dos “primeiros”, desses afortunados que ouviram dos lábios da sua Mãe, as primeiras orações, quando, debruçada sobre o meu berço me encomendava a Ti, à Tua Mãe Santíssima. Desses felizes que receberam do seu Pai o exemplo de homem sério e bom, temente e amante das Tuas coisas, dedicando um amor entranhado à Tua Mãe, que sabia também sua, observante rigoroso das leis da Tua Igreja.
E, no entanto, estou aqui, um dos últimos, um dos que se demoram mais em seguir-te, em deixar as quimeras desta vida pelas realidades que prometes e garantes.
Vou-me ficando para trás, sempre à espera de “melhores dias”, ocasião mais propícia, enredado nas minhas coisas, na minha vida, nos meus problemas.
Não me conformo, Senhor, com este último lugar. Quero passar para a frente, mais junto de Ti, porque, só aí, estarei bem. Nada posso, por mim, bem o disseste mas, Tu, sim, podes tudo.
Chama-me mais “para cima” na mesa do Teu banquete, não por meu mérito ou valor mas para que, pela Tua Infinita Misericórdia, possa contemplar o Teu Rosto mais de perto. (AMA, Meditação, Mt 19, 23-30, Agosto 2008)

Tema: Fim último do homem

Como fim último, o homem ou procura Deus ou procura-se a si próprio. Não existe meio-termo, porque só se pode propor como fim último algo absoluto. (Card. Cardona, Metafísica de la opción intelectual, 2ª ed. Rialp, Madrid, 1973, nr. 103, trad ama)

Doutrina: CCIC – 372: O que é a consciência moral?
                   CIC – 1776–1780; 1795–1797
A consciência moral, presente no íntimo da pessoa, é um juízo da razão, que, no momento oportuno, ordena ao homem que pratique o bem e evite o mal. Graças a ela, a pessoa humana percebe a qualidade moral dum acto a realizar ou já realizado,  permitindo-lhe assumir a responsabilidade. Quando escuta consciência moral, o homem prudente pode ouvir a voz de Deus que lhe fala.

Direcção espiritual



Qualquer um compreende sem dificuldade que para realizar a ascensão de uma montanha é necessário um guia; o mesmo sucede quando se trata da ascensão espiritual...; e tanto mais, quanto que neste caso há que evitar os laços que nos estende alguém (o demónio) muito interessado em impedir que subamos.

(J. Garrigou Lagrange, Las Tres Edades de la Vida Interior, nr. 297, trad ama)