10/07/2010

Textos de Reflexão para 10 de Julho

EvangelhoMt 10, 24-33

24 «Não é o discípulo mais que o mestre, nem o servo mais que o senhor. 25 Basta ao discípulo ser como o mestre e ao servo como o senhor. Se eles chamaram Belzebu ao pai de família, quanto mais aos seus familiares! 26 «Não os temais, pois, porque nada há encoberto que não se venha a descobrir, nem oculto que não venha a saber-se. 27 O que Eu vos digo às escuras, dizei-o às claras e o que é dito ao ouvido, pregai-o sobre os telhados. 28 «Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma. Temei antes aquele que pode lançar a alma e o corpo na Geena. 29 Porventura não se vendem dois passarinhos por uns tostões? E, todavia, nem um só deles cairá no chão sem a permissão de vosso Pai. 30 Até os próprios cabelos da vossa cabeça estão todos contados. 31 Não temais, pois: vós valeis mais que muitos passaritos. 32 «Todo aquele, portanto, que Me confessar diante dos homens, também Eu o confessarei diante do Meu Pai que está nos céus. 33 Porém, quem Me negar diante dos homens, também Eu o negarei diante do Meu Pai, que está nos céus.

Meditação:

Nas palavras de Jesus, que nos chegam através deste trecho do Evangelho de S. Mateus, transparece umas realidades que, apesar de evidente, muitas vezes esquecemos: o ‘pouca coisa’ que somos e a nossa impotência para resolvermos, sozinhos, os nossos grandes problemas, tais como a vida e a morte, os acontecimentos do dia de amanhã, etc.
Mas esta ‘pouca coisa’ tem, não obstante, um imenso valor aos olhos de Deus. Somos criaturas Suas, criadas por Ele à Sua imagem e semelhança e nada – absolutamente – do que nos acontece, sucede sem o Seu conhecimento.
Ele que governa e comanda todas as coisas, como não há-de ter em consideração essa ‘pouca coisa de que falo’ e dar-nos o que nos falta em cada momento.
Portanto, o grande tema desta breve meditação é: CONFIANÇA!
Confiança ilimitada na Providência Divina sabendo que, se pusermos o que nos diz respeito, - esforço, luta, empenho – Ela não deixará de completar e dar o que precisarmos

(ama, comentário sobre Mt 10, 24-33, CC no Porto, Junho 2008).

TemaCoragem

A virtude humana da fortaleza requer sempre alguma superação da fraqueza humana e sobretudo do medo. O homem, de facto, por natureza teme espontaneamente o perigo, os dissabores e os sofrimentos. (...) Então têm especial valor os homens que são capazes de transpor a chamada barreira do medo, com o fim de testemunhar a verdade e a justiça. (...) Para conseguir tal fortaleza, o homem precisa de ser sustentado por grande amor pela verdade e pelo bem, a que se dedica. (...) Quando ao homem faltam as forças para superar-se a si mesmo em vista a valores superiores - como a verdade, a justiça, a vocação e a fidelidade matrimonial - é necessário que este «dom do alto» faça de cada um de nós um homem forte e, no devido momento, nos diga «no íntimo»: coragem!

(joão Paulo IIAudiência, Roma, 1978.11.15) (citado por ama)

Anjos 4

O anjo particular de cada um, ainda dos mais insignificantes dentro da Igreja, por estar contemplando sempre o rosto de Deus que está nos Céus, vendo a divindade do nosso Criador, une a sua oração à nossa e colabora em tudo que lhe é possível em favor do que pedimos.

(Orígenes, Tratado sobre a oração, 10)

ANJOS 5

Os anjos não aparecem aos homens tal como são, mas manifestando-se nas formas que Deus dispõe para que possam ser vistos por aqueles a quem os envia.

(S. João Damasceno, De Fide Orthodoxa, 2, 3)

09/07/2010

SER FELIZ

Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,
mas não esqueço que a minha vida é a maior empresa do mundo.
E que posso evitar que ela vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver
apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e
tornar-se um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar
um oásis no recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus em cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um "não".
É ter segurança para receber uma crítica , mesmo que injusta.
 
Pedras no caminho ?
 
Guardo todas, um dia vou construir um castelo. . .        ( Fernando Pessoa )

Textos de Reflexão para 09 de Julho

Evangelho: Mt 10, 16-23

16 «Eis que Eu vos envio como ovelhas entre lobos. Sede, pois, prudentes como serpentes e simples como pombas. 17 Acautelai-vos dos homens, porque vos farão comparecer nos seus tribunais e vos açoitarão nas sinagogas. 18 Sereis levados por Minha causa à presença dos governadores e dos reis, para dar testemunho diante deles e diante dos gentios. 19 Quando vos entregarem, não cuideis como ou o que haveis de falar, porque naquela hora vos será inspirado o que haveis de dizer. 20 Porque não sereis vós que falais, mas o Espírito de vosso Pai é o que falará em vós. 21 O irmão entregará à morte o seu irmão e o pai o seu filho; os filhos se levantarão contra os pais e lhes darão a morte. 22 Vós, por causa do Meu nome, sereis odiados por todos; aquele, porém, que perseverar até ao fim será salvo. 23 Quando vos perseguirem numa cidade, fugi para outra. Em verdade vos digo que não acabareis de percorrer as cidades de Israel sem que venha o Filho do Homem.
Meditação:

Como é possível, Senhor, que com tais “promessas” Te tenham seguido? E, ao longo dos tempos, confirmados os Teus “avisos”, continues a ter homens e mulheres de todas as raças e situação social que querem seguir-te, entregando-se com a alma e o coração disponíveis para cumprir, em tudo, a Tua Vontade?
Porque, sei, o prémio que prometeste é tão elevado e extraordinário que induz a tudo fazer para o conquistar. Como eu também o desejo, Senhor!

(ama, meditação sobre Mt 10, 16-23, 2010.05.14)

Tema: Testemunhar a Fé

Hoje há centenas e centenas de milhares de testemunhos da fé muito frequentemente desconhecidos ou esquecidos pela opinião pública, cuja atenção está absorvida por outros factos; frequentemente só Deus os conhece. Eles suportam privações diárias, nas mais diversas regiões de cada um dos continentes.
Trata-se de crentes obrigados a reunir-se clandestinamente porque a sua comunidade religiosa não está autorizada. Trata-se de bispos, de sacerdotes. De religiosos a quem está proibido exercer o santo ministério nas suas igrejas ou nas suas reuniões públicas (...)
Trata-se de jovens generosos, a quem se impede de entrar num seminário ou num lugar de formação religiosa para ali realizar a sua vocação própria (...). Trata-se de pais a quem se nega a possibilidade de assegurar aos seus filhos uma educação inspirada na própria fé.
Trata-se de homens e mulheres, trabalhadores manuais, intelectuais e de todas as profissões, os quais, pelo simples facto de professar a sua fé, enfrentam o risco de ver-se privados de um futuro brilhante para as suas carreiras ou os seus estudos.

(joão Paulo II, Meditação - prece, Lourdes, 1983.08.14)

Anjos 3

Compreende-se como na consciência da Igreja se pode formar a persuasão sobre o ministério confiado aos anjos em favor dos homens. Por ele, a Igreja confessa a sua fé nos anjos da guarda, venerando-os na liturgia com uma festa especial, e recomendando o recurso à sua protecção com uma oração frequente, como a invocação do "Santo Anjo do Senhor". Esta oração parece entesourar as belas palavras de S. Basílio: "Todo o fiel tem junto de si um anjo como tutor e pastor, para levá-lo à vida".

(João Paulo II, Audiência Geral, 1986.03.06)

08/07/2010

ESPERANÇA E VIDA - TESTEMUNHO

Excepcional testemunho de amor e esperança e VIDA de uma Grande Mãe e Família – O Manuel tem 6 anos e já venceu dois cancros!

Textos de Reflexão para 08 de Julho

Evangelho: Mt 10, 7-15

7 Ide, e anunciai que está próximo o Reino dos Céus. 8 «Curai os enfermos, ressuscitai os mortos, limpai os leprosos, lançai fora os demónios. Dai de graça o que de graça recebestes. 9 Não leveis nos vossos cintos nem ouro, nem prata, nem dinheiro, 10 nem alforge para o caminho, nem duas túnicas, nem sandálias, nem bordão; porque o operário tem direito ao seu alimento. 11 «Em qualquer cidade ou aldeia em que entrardes, informai-vos de quem há nela digno de vos receber, e ficai aí até que vos retireis. 12 Ao entrardes na casa, saudai-a, dizendo: “A paz seja nesta casa”. 13 Se aquela casa for digna, descerá sobre ela a vossa paz; se não for digna, a vossa paz tornará para vós. 14 Se não vos receberem nem ouvirem as vossas palavras, ao sair para fora daquela casa ou cidade, sacudi o pó dos vossos pés. 15 Em verdade vos digo que será menos punida no dia do juízo a terra de Sodoma e de Gomorra do que aquela cidade.
Meditação:

Senhor, eu julgo precisar dessas coisas todas: o oiro, a prata, o vestido, o alforge o calçado… Agarrado a tudo isto e, a tudo o mais que a minha pobre humanidade me ata, mal me sobra ‘cabeça’ para me entregar ao que de mim esperas. E, porque esperas de mim tais coisas como se, eu, fosse alguém em que merecesse a pena confiar? Tu não me conheces, Senhor! Não sabes das minhas fraquezas, do pouco que sou!
Ah!... Mas, Tu, sabes mais, esta é a verdade, e se me escolhes é porque eu terei capacidade de para corresponder. Ajuda-me, Senhor, a não defraudar a Tua confiança em mim.
        Serviam!
        
          (ama, meditação sobre Mt 10, 7-15, 1999)

Tema: Rio de Paz

Todas as desordens que os homens são capazes de cometer contra Deus, contra os irmãos e contra eles próprios, provocando no mais íntimo das suas consciências um despedaçar, uma profunda amargura, uma falta de paz que necessariamente se reflecte na vida social. Mas é também do coração humano, da sua imensa capacidade de amar, da sua generosidade para o sacrifício, donde podem surgir – fecundados pela graça de Cristo – sentimentos de fraternidade e obras de serviço aos homens como um rio de paz (Is 66, 12) cooperem para a construção de um mundo mais justo, no qual a paz tenha carta de cidadania e impregne todas as estruturas da sociedade.

(Álvaro del Portillo, Homília a participantes no Ano Internacional da Juventude, 1985.03.30)

Anjos 2

As primeiras obras da criação divina que conhecemos são os Anjos. Um anjo é um espírito, quer dizer, um ser com inteligência e vontade, mas sem corpo, sem dependência alguma da matéria. (...) Um anjo sem corpo é uma criatura completa (...) um anjo é muito superior ao ser humano (...) a beleza deslumbrante, a inteligência poderosa e o formidável poder de um anjo. Se isto é assim na ordem inferior das hostes celestiais - na ordem dos propriamente chamados anjos -, que não dizer das ordens ascendentes de espíritos puros que se encontram acima dos anjos? (...) É muito possível, as virtudes, as dominações que um arcanjo esteja a tanta distância de um anjo, em perfeição, como este de um homem.

(Leo J. Trese, A Fé Explicada, Edições Quadrante, S. Paulo, 4ª Ed., nr. 31-38)

07/07/2010

Textos de Reflexão para 07 de Julho

Evangelho: Mt 10, 1-7

1 Tendo convocado os Seus doze discípulos, Jesus deu-lhes poder de expulsar os espíritos imundos e de curar toda a doença e toda a enfermidade. 2 Os nomes dos doze apóstolos são: O primeiro Simão, chamado Pedro, depois André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão; 3 Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o publicano; Tiago, filho de Alfeu e Tadeu; 4 Simão, o Cananeu, e Judas Iscariotes, que foi quem O entregou. 5 A estes doze enviou Jesus, depois de lhes ter dado as instruções seguintes: «Não vades à terra dos gentios, nem entreis nas cidades dos samaritanos: 6 ide antes às ovelhas perdidas da casa de Israel. 7 Ide, e anunciai que está próximo o Reino dos Céus. «Curai os enfermos, ressuscitai os mortos, limpai os leprosos, lançai fora os demónios. Dai de graça o que de graça recebestes.
Meditação:

As escolhas que o Senhor faz! Sim admiro-me. Não pelos homens que escolheu, porque eram pessoas simples, pouco ilustradas, talvez duros de entendimento, mas sim por que me escolheu a mim!
Não tenho nenhuma dúvida que Jesus sabe muito bem quem quer para fazer o que quer e por isso, espantando-me, só Lhe digo: Se me escolheste, sabendo como sou e o que sou, é porque tens planos para mim. Como sei que, por mim nada posso, peço à nossa Mãe que me leve por um caminho seguro e me assista a cumpri-los inteiramente.

(ama, meditação sobre Mt 10, 1-8, 2010.05.13)

Tema: Simplicidade Apostólica

Repara: os apóstolos, com todas as suas misérias patentes e inegáveis, eram sinceros, simples..., transparentes.
Tu também tens misérias patentes e inegáveis. - Oxalá não te falte simplicidade.

         (s. josemaria, Caminho, 932)

Anjos 1

Antes do nascimento do nosso Redentor, nós tínhamos perdido a amizade dos Anjos. O pecado original e os nossos pecados quotidianos tinham-nos afastado da sua luminosa pureza... Mas desde o momento em que nós reconhecemos o nosso Rei, os Anjos reconheceram-nos como concidadãos.
E como o rei dos Céus quis tomar a nossa carne terrena, os Anjos já não se afastam da nossa miséria. Não se atrevem a considerar inferior à sua esta natureza que adoram, vendo-a exaltada, acima deles, na pessoa do Rei do Céu; e não sentem já inconveniente em considerar o homem como companheiro.

(S. Gregório Magno, In Evangelia Homíliae, 8, 2 (PL 76, 1104))

06/07/2010

Textos de Reflexão para 06 de Julho



Evangelho: Mt 9, 32-38

32 Logo que estes se retiraram, apresentaram-Lhe um mudo possesso do demónio. 33 Expulso o demónio, falou o mudo, e admiraram-se as multidões, dizendo: «Nunca se viu coisa assim em Israel». 34 Os fariseus, porém, diziam: «É pelo príncipe dos demónios que Ele expulsa os demónios». 35 Jesus ia percorrendo todas as cidades e aldeias, ensinando nas sinagogas, pregando o Evangelho do reino, e curando toda a doença e toda a enfermidade. 36 Vendo aquelas multidões, compadeceu-Se delas, porque estavam fatigadas e abatidas, como ovelhas sem pastor. 37 Então disse a Seus discípulos: «A messe é verdadeiramente grande, mas os operários são poucos. 38 Rogai pois ao Senhor da messe, que mande operários para a Sua messe».
Comentário:

Quantas vezes me detenho a pensar nesta coisa extraordinária: O Senhor da messe tem de ser urgido a enviar trabalhadores para a Sua messe!
Deveria, o Senhor da messe, ter o maior cuidado com esta, provê-la de trabalhadores capazes e dedicados para levar a bom termo a sementeira, e, depois, a colheita. Deveria escolher os trabalhadores mais capazes, os mais esforçados os mais dedicados.
Mas, na verdade, não é assim? Não convoca Ele, a cada passo, ao longo dos caminhos da vida, esses trabalhadores que Ele deseja ardentemente que vão trabalhar na Sua messe?
Não nos convocou, a nós, todos os homens, urgindo-nos a um trabalho árduo, constante, dedicado, levando a Sua palavra aos quatro cantos da terra?
Sim, a nós, com os nossos defeitos e debilidades, com a nossa resistência e indiferença ao Seu chamamento, é verdade, mas, também, com as nossas virtudes que tentamos fazer crescer, com o nosso entusiasmo que alimentamos para que não esfrie, com a nossa dedicação que desejamos completa.
O Senhor da messe, quer-me a mim, na Sua messe e, eu, mais não tenho a fazer que dizer - SIM! – eu, vou, Senhor, porque, conhecendo-me como me conheces, se me chamas, é porque tens planos para mim e, nesses planos não faltará a Tua assistência, o Teu auxílio para que eu os leve a cabo, como esperas.
(AMA, meditação sobre Mt 9, 36- 10, 8, Junho 2008)

Tema: Semear com urgência

Também o agricultor, quando caminha sulcando o campo com o arado ou espalhando a semente, padece frio, suporta os incómodos da chuva, olha o céu e vê-o triste, e, todavia, continua semeando. O que teme é deter-se considerando as tristezas da vida presente e que depois passe o tempo e não encontre nada para ceifar. Não o deixeis para mais tarde. Semeai agora.

(S. Agostinho, Comentário Sobre o Salmo 125, 5, Pl. 36, 164)

Festa: Stª Maria Goretti  


 
Maria Goretti.jpg

MariaCoretti nasceu em Corinaldo, a16 de Outubro de 1890 e morreu em Nettuno a 6 de Julho de 1902.
 Em 1 de Outubro de 899 a sua família mudou-se para Nettuno, onde viviam no mesmo edifício com a família Serenelli.
No dia 5 de Julho de 1902, Alessandro Serenelli tentou violentar Maria, então com doze anos de idade, ameaçando-a com uma faca, mas a menina ajoelhou-se com medo de que Alessandro fosse para o inferno, e diante da sua resistência, Serenelli esfaqueou-a 14 vezes. Inspirada em suas mestras Santa Cecília e Santa Inês, aceitou o martírio piedosamente. No dia seguinte, depois de perdoar seu assassino, Maria Goretti faleceu.
Alessandro Serenelli foi condenado e passou 27 anos na prisão. Arrependido, tornou-se um membro da ordem Terceira dos Capuchinhos, que lhe deu abrigo.
Em 24 de Junho de 1950, o Papa Pio XII canonizou Maria Goretti, numa cerimónia em que estiveram presentes sua mãe, Assunta, e o seu assassino, Alessandro.

 (coligido por ama)

Santa Missa 6


A adoração e a acção de graças são efeitos infalíveis do sacrifício da Missa que respeitam ao próprio Deus.

(R. garrigou-lagrange, O Salvador, pg. 457)

05/07/2010

Textos de Reflexão para 05 de Julho


Evangelho: Mt 9, 18-26

18 Enquanto lhes dizia estas coisas, eis que um chefe da sinagoga se aproxima e se prostra diante d'Ele, dizendo: «Senhor, morreu agora minha filha; mas vem, põe a Tua mão sobre ela, e viverá».19 Jesus, levantando-Se, seguiu-o com os Seus discípulos. 20 E eis que uma mulher que padecia de um fluxo de sangue havia doze anos, se chegou por detrás d'Ele, e tocou na orla do Seu vestido. 21 Dizia para si mesma: «Ainda que eu toque somente o Seu vestido, serei  curada». 22 Voltando-Se Jesus e, olhando-a, disse: «Tem confiança, filha, a tua fé te salvou». E ficou sã a mulher desde aquele momento. 23 Tendo Jesus chegado a casa do chefe da sinagoga viu os tocadores de flauta e uma multidão de gente que fazia muito barulho.24 «Retirai-vos, disse, porque a menina não está morta, mas dorme». Mas riam-se d'Ele. 25 Tendo-se feito sair a gente, Ele entrou, tomou a menina pela mão, e ela se levantou. 26 E divulgou-se a fama deste milagre por toda aquela terra.

 Comentário:

A hemorroísa      

Aquela mulher acredita que Jesus a pode curar e tudo faz para o conseguir.
Está impedida de contactar, ou dirigir-se, directa e frontalmente a Jesus para solicitar a sua cura. Aquele tipo de doenças era rigorosamente descriminado na sociedade judaica. As pessoas naquelas condições eram consideradas impuras e todo o contacto com os outros era estritamente proibido. Assim como por exemplo, os portadores de lepra.
A deturpação e o exagero das leis judaicas considerava estas doenças como castigos de Deus e não hesitavam em considerar "pecadores" todos os que, aos seus olhos, eram impuros. (…)
A Fé da mulher é porém tão grande que a move a arrostar com todas as dificuldades, - a vergonha, o poder ser descoberta, etc. - e, aproveitando os apertos da multidão, dissimuladamente, mas com confiança, toca o manto de Jesus.  No seu coração, ela estava convencida que tanto bastaria para alcançar a graça que pretendia.
Sem dúvida que a sua Fé é grande, total, a isso fora levada por anos, - 12 anos - de procura incessante de cura para os seus males.
Temos sempre de pôr todos os meios na procura do que necessitamos. O Senhor não espera de nós nada que vá além das nossas forças e das nossas capacidades. Mas espera que as utilizemos, todas, com critério e sem desfalecimentos.
Jesus não é uma espécie de milagreiro a quem recorremos nas aflições, nas dificuldades, resolvendo as coisas, ou concedendo sem demora aquilo que pedimos.
É verdade que Deus é infinitamente bondoso, mas também é infinitamente justo. A Sua justiça pede portanto um empenhamento pessoal, dedicado e completo.
Atrever-me-ia a dizer que, muitas vezes, o Senhor concede a graça que pedimos, não pela graça em si, pelo bem em que ela consiste, mas movido pelo esforço, empenho e persistência que pusemos da nossa parte em conquistá-la.
O contrário será, talvez, uma espécie de tentação a Deus, apresentar-nos assim, miserandos, aflitos e até chorosos, ante o Senhor, pedindo-Lhe que nos conceda isto ou aquilo. Com Deus não se fazem chantagens ou exercem pressões, ou se fazem negócios do género: se me concederes isto eu, faço aquilo. (…)
E temos de admitir, reconhecer e estar preparados para que Deus não queira. Nos Seus desígnios, Ele sabe o que é melhor para nós. Se, por exemplo, uma doença grave, uma dificuldade aparentemente intransponível, não serão um meio para a nossa salvação ou, até, para a salvação de outros. (…)
A pobre mulher desenganada da medicina, repudiada pela sociedade, tratada como um pária, não se atreve a mais que tocar, simplesmente, nos vestidos do Senhor. (…)
A atitude da mulher é compensada imediatamente por Jesus. A fé, a confiança e a contrição moveram o Seu coração amantíssimo:
Filia, fides tua te salvam fecit, vade in pace et este sana a plaga tua - Filha, a tua fé te salvou. Vai em paz e fica curada do teu mal. (…)
Sim, contrição, porque a hemorroísa se lançou aos Seus  pés e  Lhe declarou toda a verdade. Assim nós devemos contar toda a verdade ao Senhor. Ao pedir-mos isto ou aquilo, o nosso coração deve abrir-se de par em par, não guardando nada, contando tudo quanto nos oprime, angustia ou envergonha. Pormo-nos assim, perante o Senhor, tal qual somos, com as nossas misérias, ambições, enfim, tudo aquilo que temos dentro de nós e que não conseguimos curar completamente, não obstante os esforços e empenho que tenhamos posto da nossa parte nesse intento. (…)
A mulher sente-se indigna de tocar Jesus, ou falar com Ele directamente, mas sabe, no seu coração, que também isso não é necessário e que bastará tocar no Seu manto.
Também nós somos indignos de tocar o Senhor, mas sabemos que bastará fazê-lo com o desejo do nosso coração. Naturalmente que não o quereremos fazer a meias, com reservas, assim como que só com meio coração...
Cristo não nos quer aos bocados, quer-nos inteiros, completos. Ele bem sabe os nossos defeitos e virtudes, conhece-nos intimamente, por isso mesmo não aceitará as nossas orações ou os nossos pedidos sob reserva. (…)
A tua fé te salvou, disse Jesus à hemorroísa.
Porque era uma fé total, completa, sem dúvidas ou desvios.
Peçamos muito ao Senhor que aumente a nossa fé, que a vivifique e fortaleça porque, fracos como somos, sem a Sua ajuda preciosa, pouca fé teremos.
A Nossa Mãe do Céu é a melhor medianeira para solicitarmos esta fé simples e confiante. Devemos pedir-Lhe que interceda por nós junto do Seu amabilíssimo Filho para que Ele nos torne homens de fé rija, forte, total. (…) 

(ama, Palestra na Meadela, Fevereiro de 1981)

Tema: Pôr os meios

O Senhor é compassivo e espera que da nossa parte, ponhamos todos os meios ao nosso alcance para sair dessa doença ou desse aperto; e nunca permitirá provas acima das nossas forças. A todo o momento dar-nos-á graças suficientes para que essas circunstâncias dolorosas não nos separem dele; pelo contrário, devem aproximar-nos mais e mais e ajudar-nos a levar outras pessoas a uma melhoria espiritual das suas vidas. Podemos pedir a cura ou que se resolvam os problemas que pesam sobre nós, mas, antes de mais, devemos pedir ser dóceis à graça para que nessas circunstâncias – nessas e não noutras – saibamos crescer na fé, na esperança e na caridade. (joão Paulo II, Audiência Geral, 1986.03.08) 


Santa Missa 5

O Santo Sacrifício compendia o que há-de ser a nossa conduta: adoração amorosa, acção de graças, expiação, petição. Quer dizer, dedicação a Deus e, por Ele, aos outros. Na Missa deve confluir quanto nos pese e nos oprima, quanto nos encha de alegria e ilusão, cada detalhe do afazer quotidiano; temos de ir com as nossas preocupações e as dos outros, as do mundo inteiro.

(D. javier echevarría, Carta  aos fiéis da Prelatura do Opus Dei, Ano da Eucaristia, Roma 06.10.2004)

04/07/2010

Textos de Reflexão para 04 de Julho

Evangelho: Lc 10, 1-12

1 Depois disto, o Senhor escolheu outros setenta e dois, e mandou-os dois a dois à Sua frente por todas as cidades e lugares onde havia de ir. 2 Disse-lhes: «Grande é na verdade a messe, mas os operários poucos. Rogai, pois, ao dono da messe que mande operários para a Sua messe. 3 Ide; eis que Eu vos envio como cordeiros entre lobos. 4 Não leveis bolsa, nem alforge, nem calçado, e não saudeis ninguém pelo caminho. 5 Na casa em que entrardes, dizei primeiro: A paz seja nesta casa. 6 Se ali houver algum filho da paz, repousará sobre ele a vossa paz; senão, tornará para vós. 7 Permanecei na mesma casa, comendo e bebendo do que tiverem, porque o operário é digno da sua recompensa. Não andeis de casa em casa. 8 Em qualquer cidade em que entrardes e vos receberem, comei o que vos puserem diante; 9 curai os enfermos que nela houver, e dizei-lhes: Está próximo de vós o reino de Deus. 10 Mas, em qualquer cidade em que entrardes e não vos receberem, saindo para as praças, dizei: 11 Até o pó da vossa cidade, que se nos pegou aos pés, sacudimos contra vós; não obstante isto, sabei que o reino de Deus está próximo. 12 Digo-vos que, naquele dia, haverá menos rigor para Sodoma que para essa cidade.
Meditação:

Dois a dois, como convém no apostolado que não pode ser uma obra isolada, fruto de uma decisão pessoal mas sim de um planeamento (mínimo) para que as coisas sejam feitas com ordem e método para conseguir eficácia. Dois ajudam-se um ao outro, sozinho não se tem a quem recorrer e, poderá cair-se na tentação de fazer as coisas “à sua maneira” como lho ditar a inspiração do momento.
Com instruções tão concretas do Senhor, não parece haver muito espaço para a iniciativa pessoal a não ser, quando o bom senso e o director o aconselhem ou sugiram uma adaptação que não é, nem pode ser, inovação.

(AMA, comentário sobre Lc 10, 1-12, 2009)

Tema: Evangelizar

A irradiação do Evangelho pode tornar-se extremamente capilar, chegando a tantos lugares e ambientes como são os ligados à vida quotidiana e concreta dos leigos. Trata-se, além disso, de uma irradiação constante, pois é inseparável da contínua coerência da vida pessoal com a fé; e também se configura como uma forma de apostolado particularmente incisiva, já que ao partilhar plenamente as condições de vida e de trabalhos, as dificuldades e esperanças dos seus irmãos, os fiéis leigos podem chegar ao coração dos seus vizinhos, amigos ou colegas, abrindo-o ao horizonte total, ao sentido pleno da existência humana: a comunhão com Deus e entre os homens.


(joão Paulo II, Exortação Apostólica Christifidelis laici, 30.12.1988, 8)


FestaRainha Santa Isabel  
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D.Dinis e D. Isabel




A lenda do milagre das rosas

A história mais popular da Rainha Santa Isabel é sem dúvida a do milagre das rosas. No entanto, este milagre foi originalmente atribuído à sua tia-avó Santa Isabel da Hungria. Provavelmente por corrupção da lenda original, e pelo facto de as duas rainhas possuírem o mesmo nome e fama de santas, a história passou também a ser atribuída a Isabel de Aragão. Segundo a lenda portuguesa, a rainha saiu do Castelo do Sabugal numa manhã de Inverno para distribuir pães aos mais desfavorecidos. Surpreendida pelo soberano, que lhe inquiriu onde ia e o que levava no regaço, a rainha teria exclamado: São rosas, Senhor! Desconfiado, D. Dinis inquirido: Rosas, no Inverno? D. Isabel expôs então o conteúdo do regaço do seu vestido e nele havia rosas, ao invés dos pães que ocultara.
A época exacta do aparecimento desta lenda na tradição portuguesa não está determinada. Não consta de uma biografia anónima sobre a rainha escrita no século XIV, mas circularia oralmente pelo país nas últimas décadas desse século.


Santa Missa 4

O que nós oferecemos nos nossos sacrifícios, é o próprio Cristo, pois nos nossos sacrifícios só têm valor na medida em que se unem aos d'Ele. E o sacrifício de Cristo é renovado todos os dias na Santa Missa. Por isso, o sacrifício reparador perfeito é o da Eucaristia.

(joão césar das neves, O Século de Fátima, Principia, 2ª Ed. Nr. 155)

03/07/2010

Textos de Reflexão para 03 de Julho

Evangelho: Jo 20, 24-29

24 Tomé, um dos doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus. 25 Os outros discípulos disseram-lhe: «Vimos o Senhor!». Mas ele respondeu-lhes: «Se não vir nas Suas mãos a abertura dos cravos, se não meter a minha mão no Seu lado, não acreditarei». 26 Oito dias depois, estavam os discípulos outra vez em casa e Tomé com eles. Veio Jesus, estando as portas fechadas, colocou-Se no meio deles e disse: «A paz esteja convosco». 27 Em seguida disse a Tomé: «Mete aqui o teu dedo e vê as Minhas mãos, aproxima também a tua mão e mete-a no Meu lado; e não sejas incrédulo, mas fiel!». 28 Respondeu-Lhe Tomé: «Meu Senhor e Meu Deus!». 29 Jesus disse-lhe: «Tu acreditaste, Tomé, porque Me viste; bem-aventurados os que acreditaram sem terem visto».

Meditação:

O que mais me impressiona em Tomé é a sua extraordinária simplicidade. Com efeito, não hesita em afirmar perante todos que não acredita que Jesus ressuscitou. Mais, confirma veementemente que quer uma prova substancial e inequívoca para então, sim, acreditar. São João, não nos refere, no seu Evangelho, qualquer comentário por parte dos seus companheiros, os outros discípulos que estavam naquele momento reunidos. Mas é fácil perceber que os terá havido. Talvez, até, alguns, se tivesse revisto nas palavras de Tomé e tivessem assentido, dentro si mesmos, a mesma posição.
O certo é que Jesus, não parece incomodado com as afirmações de Tomé, faz-lhe a vontade e mostra-lhe as mãos e o lado onde as chagas da crucifixão estão patentes.
Então, outra vez com a mais profunda simplicidade declara: «Meu Senhor e meu Deus» dando a toda a humanidade, o registo mais completo da Fé mais autêntica e esclarecida.
O Senhor não quer uma fé cega e sem fundamento, deseja, sim, que a fé se alicerce em convicção profunda e consistente. Por isso, me chama a mim, bem-aventurado, porque, para acreditar, não precisei ter visto as chagas do Senhor Ressuscitado mas apenas guardar no meu coração o que, desde criança ouvi dos lábios de minha Mãe e de meu Pai.
Esse foi o alicerce da minha convicção profunda, porque estes dois seres tão queridos não poderiam nunca enganar-me. O Senhor os tenha na Sua Glória. Ámen. 

(AMA, meditação sobre Jo 20, 28, 2009.04.19)

Tema: Fé, Dom de Deus

Deus oferece o dom da fé, a quem quiser recebê-lo, livremente, não o impõe. É tão generoso que, muitas vezes, não espera que tenhamos capacidade para reconhecer o valor dessa dádiva que nos faz, e no-la concede quando mal começamos a viver. 

(Javier Abad Goméz, Fidelidade, Quadrante, 1989, pg 60)

Santa Missa 3

Esta oblação (oferecer-se em sacrifício) realiza-se principalmente na Santa Missa, renovação incruenta do Sacrifício da Cruz, onde o cristão oferece as suas obras, as suas orações e iniciativas apostólicas, a vida familiar, o trabalho de cada jornada, o descanso, inclusive as próprias provas da vida, quem, se são levadas pacientemente, se convertem em meio de santificação.

(concílio vaticano II, Constituição Dogmática, Lumen Gentium, 34)