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02/11/2012

Em que devemos esperar?

                                                             
Textos de S. Josemaria Escrivá

 http://www.opusdei.pt/art.php?p=13979     © Gabinete de Inform. do Opus Dei na Internet

Ante um panorama de homens sem fé e sem esperança; ante cérebros que se agitam, à beira da angústia, buscando uma razão de ser para a vida, tu encontraste uma meta: Ele! E esta descoberta injectará permanentemente na tua existência uma alegria nova, transformar-te-á e apresentar-te-á uma imensidão diária de coisas formosas que te eram desconhecidas, e que mostram a jubilosa amplidão desse caminho amplo que te conduz a Deus. (Sulco, 83)
Dado que o mundo oferece muitos bens, apetecíveis para este nosso coração, que reclama felicidade e busca ansiosamente o amor, talvez alguns perguntem: nós, os cristãos, em que devemos esperar? Além disso, queremos semear a paz e a alegria às mãos cheias, não ficamos satisfeitos com a consecução da prosperidade pessoal e procuramos que estejam contentes todos os que nos rodeiam.

Por desgraça, alguns, com uma visão digna mas rasteira, com ideais exclusivamente caducos e fugazes, esquecem que os anelos do cristão se hão-de orientar para cumes mais elevados: infinitos. O que nos interessa é o próprio Amor de Deus, é gozá-lo plenamente, com um júbilo sem fim. Temos comprovado, de muitas maneiras, que as coisas da terra hão-de passar para todos, quando este mundo acabar; e já antes, para cada um, com a morte, porque nem as riquezas nem as honras acompanham ninguém ao sepulcro. Por isso, com as asas da esperança, que anima os nossos corações a levantarem-se para Deus, aprendemos a rezar: in te Domine speravi, non confundar in æternum, espero em Ti, Senhor, para que me dirijas com as tuas mãos agora e em todos os momentos pelos séculos dos séculos. (Amigos de Deus, 209)

01/11/2012

Os perfeitos só se encontram no Céu

                                                             
Textos de S. Josemaria Escrivá

 http://www.opusdei.pt/art.php?p=13979     © Gabinete de Inform. do Opus Dei na Internet

Que ele está cheio de defeitos!... Bom... Mas, além de que os perfeitos só se encontram no Céu, tu também tens os teus, e todavia suportam-te; e, mais ainda, estimam-te: porque te amam com o amor que Jesus Cristo tinha pelos seus, que bem carregados de misérias andavam! – Aprende! (Sulco, 758)
Queixas-te de que ele não é compreensivo... E eu tenho a certeza de que faz o possível por entender-te. Mas tu, quando te esforçarás um bocadinho por compreendê-lo a ele? (Sulco, 759)

De acordo; admito: essa pessoa portou-se mal; a sua conduta é censurável e indigna; não demonstra categoria nenhuma.

– "Merece humanamente todo o desprezo!", acrescentaste.

Insisto: compreendo-te, mas não compartilho a tua última afirmação. Essa vida mesquinha é sagrada; Cristo morreu para redimi-la! Se Ele não a desprezou, como podes tu atrever-te a desprezá-la? (Sulco, 760)

Realmente, a vida, já por si estreita e insegura, às vezes torna-se difícil... Mas isso contribuirá para te tornar mais sobrenatural, para que vejas em tudo a mão de Deus; e assim serás mais humano e compreensivo com os que te rodeiam. (Sulco, 762

19/11/2011

Visão cristã

Reflectindo

Mesmo o pecado mortal, que converte a alma num repugnante cadáver da Graça, é menos perigoso do que o desalento que acaba por minar a alegria do recomeçar constante nos nossos passos da vida interior. O pecado para os filhos de Deus, para as almas que habitualmente vivem em graça, é um passo em falso, uma queda que as faz levantar com presteza para continuar o caminho da santidade. Pelo contrário, o desalento é um inimigo formidável, que paralisa toda a vibração.
É característico dos espíritos velhos, desses homens «experientes», que em nada vêm o remédio, nem para a sua vida, nem para a do mundo. Temperamentos adocicados e brandos, que necessitam de uma mão férrea que os empurre na ascensão da vida.
Começaram-na porventura com brio; mas uma queda, e outra, e outra...apagaram a luz que os guiava. Na sua vida, só contam experiências negativas, impotência, esterilidade, pequenos fracassos, tentações, descorçoamento. Em tudo vêm impossíveis.
Falta-Lhes a visão cristã da vida: a fé e o sacrifício; e, por isso, todo o trabalho heróico se lhes torna impossível de realizar.
O desalento introduz-se na vida interior quando as almas, levadas ao começo pela consolação do sentimentalismo, sentem que se apaga a chama da devoção sensível sem falsas apreciações, erros funestos da inteligência o que impede progresso interior. A suavidade de que se cercava a presença de Deus nos começos - pequenos presentes que Deus faz a quem Lhe apraz e porque Lhe apraz, e que nada revelam acerca do progresso de uma alma - dever tornar-se uma «presença» de vontade, que pede esforços e estratagemas humanos para se ter Cristo diante dos olhos.
E não sabem fazer isso por erro de formação.
Abomina tu essas devoçõezinhas sentimentalóides, pela falsidade que encerram. Doutro modo, expões-te a avançar muito lentamente nessa vida cristã, viril, que deves percorrer a ritmo acelerado. Olha que na vida interior não é possível estagnar: ou se avança ou se retrocede. o Amor não admite equilíbrios.
Não podes cansar-te! O desalento da tua alma deve-se a que manténs na tua vida interior a mesma frivolidade que te consome nas obras humanas. Não andes só à superfície; penetra, aprofunda na tua alma com a oração e com o sacrifício, e esquece os sentimentalismos.
Toda a noite se tinham afadigado os companheiros de Pedro, tentando pescar nas águas de Genesaré, e nada tinham conseguido. Mas logo que chegam a terra, antes de serem vencidos pelo cansaço e pelo desânimo, começam a lavar e a remendar aquelas redes vazias, preparando a pesca da noite seguinte. Assim são os homens da Esperança.
Remam com esforço contra a corrente, bendizendo a Deus quando o Céu os favorece, e sem se desalentarem quando se encapelam as ondas do mar.
Que pena ver tantas almas generosas com sede e nostalgia das alturas, mas descorçoadas e abatidas pelo desalento!
Nessas inteligências falta um valor divino que nas coisas humanas é absolutamente necessário: a vida de fé, uma fé sacrificada.
Se falta a fé, em quem poderemos confiar?
Vive a virtude da firmeza, que é a seiva e a vitalidade de todos os teus actos, e curar-se-á a anemia do teu espírito.
Arranca da terra a tua alma - com confiança na bondade divina - esse espantalho, esse fantasma que te assusta e te detém, esse desalento pessimista que te faz levar uma vida de animal burguês.
Com insistência sussurra ele aos teus ouvidos: não vês que não podes? Que isso não é para ti? Não ouves falar de santidade e de heroísmo? De ambição e de guerras?
Sê viril na tua reacção. Olha para Cristo e escuta João e Tiago: «Possumus!» E pela primeira vez, sentirás que em ti reverdeje outra virtude luminosa: a juventude.

(jesus urteaga, O Valor Divino do Humano, Éfeso, 1ª ed., Lisboa 1988, nr. 126)