RESUMOS DA FÉ CRISTÃ
TEMA 3 A fé sobrenatural
A
virtude da fé é uma virtude sobrenatural que capacita o homem a assentir
firmemente a tudo o que Deus revelou.
1. Noção e objecto da fé
O
acto de fé é a resposta do homem a Deus que se revela [i].
«Pela
fé o homem submete completamente a Deus a inteligência e a vontade; com todo o
seu ser, o homem dá assentimento a Deus revelador» [ii].
A
Sagrada Escritura chama a este assentimento «obediência da fé» [iii].
A virtude da fé é uma virtude sobrenatural que
capacita o homem – ilustrando a sua inteligência e movendo a vontade – a
assentir firmemente em tudo o que Deus revelou, não pela sua evidência
intrínseca, mas pela autoridade de Deus que revela.
«Antes
de mais, a fé é uma adesão pessoal do homem a Deus. Ao mesmo tempo, e
inseparavelmente, é o assentimento livre a toda a verdade revelada por Deus» [iv].
2. Características da fé
-
«A fé um dom de Deus, una virtude sobrenatural infundida por Ele [v].
Para
prestar esta adesão da fé são necessários a prévia e concomitante ajuda da
graça divina e os interiores auxílios do Espírito Santo» [vi].
Não
basta a razão para abraçar a verdade revelada; é necessário o dom da fé.
-
A fé é um acto humano.
Embora
seja um acto que se realiza graças a um dom sobrenatural, «crer é um acto
autenticamente humano.
Não
é contrário nem à liberdade nem à inteligência do homem confiar em Deus e
aderir às verdades por Ele reveladas» [vii].
Na
fé, a inteligência e a vontade cooperam com a graça divina:
«Crer
é um acto do entendimento que assente à verdade divina por império da vontade
movida por Deus mediante a graça» [viii].
-
Fé e liberdade.
«A
resposta da fé dada pelo homem a Deus, deve ser voluntária.
Por
conseguinte, ninguém deve ser constrangido a abraçar a fé contra vontade.
Efectivamente,
o acto de fé é voluntário por sua própria natureza» [ix], [x].
«Cristo
convidou à fé e à conversão, mas de modo nenhum constrangeu alguém. Deu
testemunho da verdade, mas não a impôs pela força aos seus contraditores» [xi].
-
Fé e razão.
«Muito
embora a fé esteja acima da razão, nunca pode haver verdadeiro desacordo entre
ambas: o mesmo Deus, que revela os mistérios e comunica a fé, também acendeu no
espírito humano a luz da razão.
E Deus não pode negar-Se a Si próprio, nem a
verdade pode jamais contradizer a verdade» [xii].
«É
por isso que a busca metódica, em todos os domínios do saber, se for conduzida
de modo verdadeiramente científico e segundo as normas da moral, jamais estará
em oposição à fé: as realidades profanas e as da fé encontram a sua origem num
só e mesmo Deus» [xiii].
Carece
de sentido tentar demonstrar as verdades sobrenaturais da fé; pelo contrário,
pode-se provar sempre que é falso tudo o que pretende ser contrário a essas
verdades.
-
Eclesiologia da fé.
“Crer”
é um acto próprio do fiel enquanto fiel, ou seja, enquanto membro da Igreja.
O
que crê assente à verdade ensinada pela Igreja, que guarda o depósito da
Revelação.
«A
fé da Igreja precede, gera, suporta e nutre a nossa fé. A Igreja é a Mãe de
todos os crentes» [xiv].
«Ninguém
pode ter a Deus por Pai se não tiver a Igreja por Mãe» [xv].
-
A fé é necessária para a salvação [xvi].
«Sem
a fé é impossível agradar a Deus» [xvii].
«Aqueles
que, ignorando sem culpa o Evangelho de Cristo, e a Sua Igreja, procuram,
contudo, a Deus com coração sincero, e se esforçam, sob o influxo da graça, por
cumprir a Sua vontade, manifestada pelo ditame da consciência, também eles
podem alcançar a salvação eterna» [xviii].
3. Os motivos de credibilidade:
«O
motivo de crer não é o facto de as verdades reveladas aparecerem como
verdadeiras e inteligíveis à luz da nossa razão natural.
Nós
cremos “por causa da autoridade do próprio Deus que revela e que não pode
enganar-Se nem enganar-nos”» [xix].
No
entanto, para que o acto de fé fosse conforme à razão, Deus quis dar-nos
motivos de credibilidade que mostram que «o assentimento da fé não é “de modo
algum um movimento cego do espírito”» [xx].
Os
motivos de credibilidade são sinais certos de que a Revelação é palavra de
Deus.
Estes
motivos de credibilidade são, entre outros:
-
a gloriosa Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo, sinal definitivo da Sua
Divindade e prova certíssima da verdade das Suas palavras;
-
o cumprimento das profecias [xxiv], feitas sobre Cristo ou pelo próprio Cristo (por
exemplo, as profecias acerca da Paixão de Nosso Senhor; a profecia sobre a
destruição de Jerusalém, etc.).
Este
cumprimento é prova da veracidade da Sagrada Escritura;
-
a sublimidade da doutrina cristã é também prova da Sua origem divina. Quem
medita atentamente os ensinamentos de Cristo, pode descobrir na sua profunda
verdade, na sua beleza e na sua coerência;
- uma
sabedoria que excede a capacidade humana de compreender e de explicar o que é
Deus, o que é o mundo, o que é o homem, a sua história e o seu sentido
transcendente;
-
a propagação e a santidade da Igreja, a sua fecundidade e estabilidade «são
sinais certos da Revelação, adaptados à inteligência de todos» [xxv].
Os
motivos de credibilidade não só ajudam quem não tem fé para superar
preconceitos que dificultam a sua recepção, mas também quem tem fé,
confirmando-lhe que é razoável crer e afastando-o do fideísmo.
José Manuel Martín (Ed),
Gabinete de informação do Opus Dei, 2016
Notas
[iii]
Cf. Rm 1, 5; 16,
26
[viii]
São Tomás de
Aquino, Summa Theologiae, II-II, q. 2, a. 9
[x]
Cf.
Concílio Vaticano II, Declar. Dignitatis Humanae, 10; CIC, 748, §2.
[xii]
Concílio
Vaticano I: DS 3017.
[xv]
Concílio
Vaticano II, Const. Lumen Gentium, 16.
[xvi]
cf. Mc 16, 16;
Catecismo, 161
[xviii]
São Cipriano, De
Catholicae Unitate Ecclesiae: PL 4, 503
[xx]
Concílio
Vaticano I: DS 3008-3010; Catecismo, 156.
[xxi]
cf. Mc 16, 20;
Heb 2, 4
[xxiii]
O valor da
Sagrada Escritura, como fonte histórica totalmente fiável, pode estabelecer-se
com sólidas provas: por exemplo, as que se referem à sua antiguidade (vários
dos livros do Novo Testamento foram escritos poucos anos após a Morte de
Cristo, o que testemunha o seu valor), ou as que se referem à análise do
conteúdo (que mostra a veracidade dos testemunhos).