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03/03/2022

Publicações em Março 3

 

 


Dentro do Evangelho

 

(Re Mc I, 15)

Quaresma 


«Completou-se o tempo, arrependei-vos e acreditai no Evangelho».

Estas foram as primeiras palavras de Jesus em resposta ao anúncio da morte do Baptista.

O tempo de espera, de preparação para o tempo da missão pela qual veio ao mundo acabara, começava o "novo tempo" o definitivo, pelo qual Se encarnou no Seio Puríssimo da Santa Maria.

Também Ele Se preparou durante 40 dias no deserto, entregue a privações e, sobretudo à oração. Seguramente que o fez para nos dar exemplo de que nos devemos preparar para o acontecimento mais extraordinário das nossas vidas: a nossa salvação.

O nosso "deserto" será o despirmos as roupagens que fomos acumulando ao longo do ano, refreando os nossos desejos, contendo a imaginação de forma a estarmos mais disponíveis para o encontro com Deus Nosso Senhor.

As nossas privações devem ser adequadas ás nossas circunstâncias pessoais,  coisas que estejam ao nosso alcance e, sobretudo, discretas, sem dar nas  vistas nem incomodar os outros; como moderar o uso da televisão, o recorrer ao telemóvel por tudo e por nada; sem dúvida... sobriedade na comida e  na bebida.

A  nossa Quaresma será, assim, tranquila e profícua, levando-nos passo a passo, devidamente preparados para a Maior Semana: A Semana Santa.

Arrependimento e Fé!

Não teremos, graças a Deus, grandes faltas, pecados que mereçam consideração mas, como somos seres humanos, haverá sempre algo que teremos de corrigir, melhorar.

Para isso está este Tempo de Quaresma.

 

Reflectindo

 

Quando alguém nos diz: «Eu não acredito no que não vejo com os meus  olhos ou não posso tocar com as minhas mãos» não podemos esquecer a reacção  de Tomé quando lhe deram a notícia da Ressurreição de Jesus Cristo.

Quem lho dizia eram pessoas que ele bem conhecia, por quem tinha estima e sentia amizade, mas, no entanto, tal não o impediu de negar-se a acreditar e, por isso mesmo, porque era honesto e sincero não tem qualquer pejo em afirmar: «Se não O vir com os meus olhos, não tocar com as minhas mãos não acreditarei».

E, O Ressuscitado não o recrimina, só lhe diz que faça o que deseja, tocar as feridas, meter amão na chaga do Seu Peito, para que não seja «incrédulo mas crente".

E, vai mais longe quando afirma que serão «bem-aventurados os que acreditarem sem terem visto».

Da honesta resposta de Tomé, Jesus "tirou" uma lição preciosa para quantos ao longo dos tempos haveriam de acreditar nEle.

A humildade de Tomé fica bem patente pois não se exime por conveniência ou para "não ficar mal", a ser absolutamente veraz.

Disse, antes, que a humildade é uma virtude complexa e, talvez por isso mesmo, tão difícil de possuir. Muitos tentam e esforçam-se por adquiri-la mas, é preciso paciência e determinação perseverante sabendo desde logo que é tarefa que só termina com o último suspiro de vida.

Ao contrário do que, talvez, é frequente pensar-se o defeito que se opõe à humildade não é o orgulho mas, sim, a soberba.

Este terrível defeito impede ver com clareza e avaliar o próprio carácter.

A pessoa dominada pela soberba tem enorme dificuldade em fazer um exame pessoal - aliás nem lhe reconhece a necessidade - porque se tem numa "conta" sem mácula nem defeitos,  logo, não há nada a emendar ou corrigir.

Tende a considerar-se com um "estatuto" superior que lhe confere imunidade quase absoluta.

O soberbo evita fazer perguntas, como que, para negar que tem alguma dúvida ou necessita de ajuda no que for. Toma decisões sozinho sem pedir nem conselho nem orientação e, quando as consequências são más, pretende que foi mal interpretado.

Tem sempre uma desculpa pronta a usar quando, posto perante a evidência de algo menos bom ou correcto que disse ou fez e, mesmo que a desculpa seja frágil ou inconsequente, "agarra-se" a ela como um náufrago desesperado por salvação.

Julgo que o pior - se assim posso dizer - que acontece a um soberbo é uma  viral incapacidade para amar o outro e, sendo assim, tendo em conta que o amor verdadeiro é partilha e correspondência, também é muito difícil ser amado por alguém

É, efectivamente uma triste pessoa...

 

Links sugeridos:

 

Opus Dei

Evangelho/Biblia

Santa Sé

Religión en Libertad

 

12/03/2021

Reflectindo na Quaresma

 


O que posso fazer.

Por vezes debato-me com esta pergunta que me surge a propósito de algo que, à primeira vista, será algo estranho, insólito ou, pelo menos, fora do âmbito onde me movo.

Sim… o que posso fazer?

Que conhecimentos habilitações ou autoridade tenho, para me “meter num assunto” que parece não me dizer respeito directamente?

E porque sinto que tenho de fazer alguma coisa, intervir seja de que modo for, para sossegar o meu espírito e a minha vontade de ser útil, solidário, interessado?

Será que a minha missão neste mundo passa por aí, quer dizer, intervir sem mais, sem esperar convite ou desafio, mas apenas porque entendo que é minha obrigação fazê-lo?

Será que os outros, nomeadamente a quem o assunto diz respeito, esperam isso de mim?

Terão alguma expectativa sobre o que penso ou faço para resolver – ou pelo menos ajudar a resolver – essa questão?

Mereço essa confiança?

Existe da parte dos outros essa expectativa?

Na verdade penso que tenho de responder positivamente a todas essas questões mesmo sem me preocupar se tenho ou não aptidões para tal.

Talvez espere por um convite que poderá surgir de forma “muda”, sem formalidade nem uma solicitação expressa.

Mas, tal, não tem de acontecer dessa forma tão clara e evidente.

Se alguém me conta algo, um problema, me revela uma dificuldade, me expõe uma dúvida, seguramente que o faz não para me informar mas, para que eu possa dar o meu contributo – seja conselho ou opinião – sobre o que me revela.

Se não porque o faria?

Se alguém me diz simplesmente: ‘Estou triste’ sem acrescentar o que for, não esperará de mim uma pergunta simples: ‘Porquê?’

É evidente que sim, ninguém anuncia a outro um estado de alma sem ser para tentar obter uma resposta que revele interesse e, possivelmente, ajuda.

O que posso fazer?

Muito! Posso – e devo – fazer muito.

 

(AMA, reflexões, 2018)

11/03/2021

Reflectindo na Quaresma



Posso amar-Te mais

Na Tua presença no sacrário elevo o meu pensamento e formulo uma pergunta: Como posso amar-Te mais?

 

Bem sei a resposta: nas grandes coisas como nas de escasso valor.

Deixa essa miragem das grandes coisas, dos momentos marcantes, das ocasiões soberanas.  

Vive a vida simples de todos os dias, agradece e segue em frente para lá onde Ele te espera de braços abertos.

Reclina a cabeça no Seu peito e diz-Lhe simplesmente: Senhor ajuda-me a amar-Te mais.

 

(AMA, reflexões, 20.09.2019)

10/03/2021

Reflectindo na Quaresma

 


Porque vou à Igreja

Estou aqui na Tua presença tendo acabado de ler o trecho do Evangelho em que se descreve a Tua reacção perante os vendedores do Templo e pergunto-me a mim mesmo se eu próprio não me poderia incluir nestes, não porque venha à Igreja fazer comércio, mas porque talvez não venha com a pureza de alma e disposição do coração para fazer o que realmente deveria: Dar-Te graças e louvar-Te.

Tais, unicamente, deveriam ser os meus propósitos e não outros quaisquer.


(AMA, 2018)

09/03/2021

Reflectindo na Quaresma

 



Para que sirvo eu, Senhor?

 

Tantas vezes Te faço esta pergunta que me aperta o coração!

Para que Te sirvo eu?

Que préstimo tenho?

O que esperas de mim?

 

E, Tu, num silêncio ensurdecedor vais-me dizendo: VIVE!’

 

Como?, pergunto com a desfaçatez de quem não compreende  a resposta.

 

E respondes: ‘Como sabes e podes, vencendo-te cada segundo do teu dia-a-dia, entregando-te nas Minhas mãos que te amparam e guiam: E repetes: ´Vive!`

 

E, eu, pobre de mim, faço o possível por… viver como queres…

Mas… sem Ti… como poderei?

 

AMA, reflexão, 2019)