Mostrar mensagens com a etiqueta AMA - Comentários ao Evangelho Lc 5 1-11. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta AMA - Comentários ao Evangelho Lc 5 1-11. Mostrar todas as mensagens

10/02/2019

Evangelho e comentário


TEMPO COMUM




Evangelho: Lc 5, 1-11

1 Encontrando-se junto do lago de Genesaré, e comprimindo-se à volta dele a multidão para escutar a palavra de Deus, 2 Jesus viu dois barcos que se encontravam junto do lago. Os pescadores tinham descido deles e lavavam as redes. 3 Entrou num dos barcos, que era de Simão, pediu-lhe que se afastasse um pouco da terra e, sentando-se, dali se pôs a ensinar a multidão. 4 Quando acabou de falar, disse a Simão: «Faz-te ao largo; e vós, lançai as redes para a pesca.» 5 Simão respondeu: «Mestre, trabalhámos durante toda a noite e nada apanhámos; mas, porque Tu o dizes, lançarei as redes.» 6 Assim fizeram e apanharam uma grande quantidade de peixe. As redes estavam a romper-se, 7 e eles fizeram sinal aos companheiros que estavam no outro barco, para que os viessem ajudar. Vieram e encheram os dois barcos, a ponto de se irem afundando. 8 Ao ver isto, Simão caiu aos pés de Jesus, dizendo: «Afasta-te de mim, Senhor, porque sou um homem pecador.» 9 Ele e todos os que com ele estavam encheram-se de espanto por causa da pesca que tinham feito; o mesmo acontecera 10 a Tiago e a João, filhos de Zebedeu e companheiros de Simão. Jesus disse a Simão: «Não tenhas receio; de futuro, serás pescador de homens.» 11 E, depois de terem reconduzido os barcos para terra, deixaram tudo e seguiram Jesus.

Comentário:

Como é que aqueles homens, simples pescadores da Galileia, deixam tudo para trás e seguem Jesus?

Nem fazem qualquer pergunta porque, aliás, o Senhor já tinha esclarecido o “programa” que preparara para eles nas palavras dirigidas a Pedro: «Não tenhas receio; de futuro, serás pescador de homens.»

Receio? Não! Não podem sentir qualquer receio mesmo que não se dêem conta da dimensão e grandeza da missão que os espera porque têm uma garantia: aquele Senhor que os chamava estaria com eles.

Evidentemente que, como Pedro, todos deveriam sentir-se indignos de Jesus, consideravam-se fracos e pecadores mas, nem por isso, sentiam medo.

Jesus tinha conquistado a sua inteira confiança e, se Ele os chamava que mais poderiam fazer a não ser segui-Lo?

(AMA, comentário sobre Lc 5, 1-11, 23.11.2018)


01/09/2016

Evangelho e comentário


Tempo Comum

Evangelho: Lc 5, 1-11

1 Um dia, comprimindo-se as multidões em volta d'Ele para ouvir a palavra de Deus, Jesus estava junto do lago de Genesaré. 2 Viu duas barcas acostadas à margem do lago; os pescadores tinham saído e lavavam as redes. 3 Entrando numa destas barcas, que era a de Simão, pediu-lhe que se afastasse um pouco da terra. Depois, estando sentado, ensinava o povo desde a barca. 4 Quando acabou de falar, disse a Simão: «Faz-te ao largo, e lançai as redes para pescar». 5 Respondeu-Lhe Simão: «Mestre, tendo trabalhado toda a noite, não apanhámos nada; porém, sobre a Tua palavra, lançarei as redes». 6 Tendo feito isto, apanharam tão grande quantidade de peixes, que as redes se rompiam. 7 Então fizeram sinal aos companheiros, que estavam na outra barca, para que os viessem ajudar. Vieram e encheram tanto ambas as barcas, que quase se afundavam. 8 Simão Pedro, vendo isto, lançou-se aos pés de Jesus, dizendo: «Afasta-Te de mim, Senhor, pois eu sou um homem pecador». 9 Porque, tanto ele como todos os que se encontravam com ele, ficaram possuídos de espanto, por causa da pesca que tinham feito. 10 O mesmo tinha acontecido a Tiago e a João, filhos de Zebedeu, que eram companheiros de Simão. Jesus disse a Simão: «Não tenhas medo; desta hora em diante serás pescador de homens». 11 Trazidas as barcas para terra, deixando tudo, seguiram-n'O.

Comentário:

Não necessito de nenhuma pesca milagrosa para saber muito bem Quem é o seu verdadeiro autor.

Mas, ao contrário de Pedro, não pedirei ao Senhor que se afaste de mim porque sou um pecador.
Não!
Antes Lhe suplico que fique comigo, me incentive e ensine a pescar, que me diga como, onde e de que modo quer que cumpra as Suas instruções.

Sim, porque eu… quero – verdadeiramente quero – seguir o Senhor!

(ama, comentário sobre Lc 5, 1-11, 2016.02.07)








07/02/2016

Evangelho, comentário, L. espiritual


Tempo Comum
Semana V

Cinco Chagas  do Senhor

Evangelho: Lc 5, 1-11

1 Um dia, comprimindo-se as multidões em volta d'Ele para ouvir a palavra de Deus, Jesus estava junto do lago de Genesaré. 2 Viu duas barcas acostadas à margem do lago; os pescadores tinham saído e lavavam as redes. 3 Entrando numa destas barcas, que era a de Simão, pediu-lhe que se afastasse um pouco da terra. Depois, estando sentado, ensinava o povo desde a barca. 4 Quando acabou de falar, disse a Simão: «Faz-te ao largo, e lançai as redes para pescar». 5 Respondeu-Lhe Simão: «Mestre, tendo trabalhado toda a noite, não apanhámos nada; porém, sobre a Tua palavra, lançarei as redes». 6 Tendo feito isto, apanharam tão grande quantidade de peixes, que as redes se rompiam. 7 Então fizeram sinal aos companheiros, que estavam na outra barca, para que os viessem ajudar. Vieram e encheram tanto ambas as barcas, que quase se afundavam. 8 Simão Pedro, vendo isto, lançou-se aos pés de Jesus, dizendo: «Afasta-Te de mim, Senhor, pois eu sou um homem pecador». 9 Porque, tanto ele como todos os que se encontravam com ele, ficaram possuídos de espanto, por causa da pesca que tinham feito. 10 O mesmo tinha acontecido a Tiago e a João, filhos de Zebedeu, que eram companheiros de Simão. Jesus disse a Simão: «Não tenhas medo; desta hora em diante serás pescador de homens». 11 Trazidas as barcas para terra, deixando tudo, seguiram-n'O.

Comentário:

Muitas vezes estamos parados à espera que Deus nos dê um sinal claro do que fazer.

Mas, estarmos parados à espera, não significa que estejamos atentos ou, até, que esse “sinal” seja evidente.

O Senhor não Se manifesta dessa forma mas sim quando estamos activos com o desejo expresso de estar fazendo a Sua Vontade.

Se o nosso desejo for, de facto sincero, Ele não deixará de nos indicar o melhor caminho, o meio mais adequado.

(ama, comentário sobre Lc 5, 1-11, 20153.09.03)


Leitura espiritual



Para a liberdade


"Paradoxalmente, a liberdade atinge a sua plenitude quando escolhe servir", diz-se neste artigo sobre a liberdade na vida do cristão, uma liberdade que amadurece no amor a Deus.

Não há nada melhor do que saber que somos, por Amor, escravos de Deus.
Porque nesse momento perdemos a situação de escravos para nos tornarmos, amigos, filhos. E aqui surge a diferença: enfrentamos as ocupações honestas do mundo com a mesma paixão, com o mesmo empenho que os outros, mas com paz no íntimo da alma; com alegria e serenidade, mesmo nas contradições: pois não depositamos a nossa confiança naquilo que é passageiro, mas no que permanece para sempre, não somos filhos da escrava, mas da mulher livre [i], [ii].

Paradoxalmente, a liberdade atinge a sua plenitude quando escolhe servir.
Pelo contrário, a pretensão de uma liberdade absoluta, independente de Deus e dos outros, sem nada que a limite, desemboca num eu prostrado diante do dinheiro, do poder, do êxito ou de outros ídolos, mais ou menos brilhantes, mas caducos e sem valor.

«A liberdade de um ser humano é a liberdade de um ser limitado e, portanto, ela própria é limitada.
Só a podemos possuir como liberdade partilhada, na comunhão das liberdades: a liberdade só pode desenvolver-se se vivemos, como devemos, uns com os outros e uns para os outros» [iii].

Necessitamos dos outros, não só pelo que deles recebemos, mas também porque estamos feitos para dar.
Não há crescimento pessoal independente das necessidades daqueles que nos rodeiam;
O marido realiza-se servindo a sua mulher e os seus filhos, e o mesmo ocorre com a esposa;
O advogado exerce a sua profissão para servir o cliente e o bem comum dos cidadãos;
O doente põe-se nas mãos do médico e este tem que se acomodar ao doente...;
Qual é o maior, o que está à mesa, ou o que serve?
Não é o que está sentado à mesa?
Pois Eu estou no meio de vós como um que serve [iv].

O serviço que Cristo pede aos seus discípulos não consiste só em dar algo, mas em dar-se a si próprio, em pôr a liberdade radicalmente em jogo.
Como escreveu o Papa Bento XVI na sua primeira carta encíclica:

«A íntima participação pessoal nas necessidades e sofrimentos do outro converte-se, assim, num dar-me a mim mesmo; para que o dom não humilhe o outro, não somente devo dar-lhe algo meu, mas a mim mesmo; hei-de ser parte do dom como pessoa» [v].

Dar-me a mim mesmo por completo, entregar-me de todo, é simplesmente entregar a minha liberdade: entregá-la por amor.
Entregando a liberdade por amor tornamo-nos mais capazes de amar e de entrega e, portanto, mais livres; este é o jogo da doação pessoal: dar sem perder; mais ainda: ganhar dando. 

Quando a liberdade se deposita inteiramente em Deus, sem outras garantias que não seja procurar e fazer a Sua vontade, o ganho é a identificação com Cristo e a liberdade recupera-se a um nível mais profundo: como íntima liberdade filial que nenhuma circunstância nem nenhum poder podem submeter.
Por Ele renunciei a todas as coisas e as considero como esterco, para ganhar a Cristo e ser encontrado n’Ele [vi].

Procurar Cristo

«A cada homem é confiada a tarefa de ser artífice da sua própria vida». [vii]
Cada um pode fazer da sua vida uma obra-prima de amor; com acertos, erros, debilidades: não tem importância.
O importante é não perder de vista o farol, o sentido, Aquele em quem o coração se alegra [viii], o único que pode encher a capacidade de amar, para quem queremos orientar radicalmente a liberdade.

As escolhas particulares – empreender e desenvolver uma profissão, estabelecer um horário, adquirir qualquer compromisso, grande ou pequeno – apontam, em última análise, para um bem querido em si mesmo, não em função de outro.
Esse bem que amamos de maneira absoluta caracteriza-nos mais do que qualquer outra coisa. 

Este fim dá sentido último às pequenas ações de cada dia, guia o comportamento concreto, é o critério que indica, na dúvida, o que convém ou não convém fazer. 

Ou seja, como diz São Tomás comentando Santo Agostinho, só há dois bens que podem apresentar-se ao homem como absolutos e, portanto, guiar o resto das ações: a glória de Deus ou a própria estima.

«Como no amor a Deus, o próprio Deus é o fim último para onde se ordenam todas as coisas que se amam rectamente, assim no amor da própria excelência se encontra outro fim último para onde se ordenam também todas as coisas; pois o que procura abundar nas riquezas, na ciência, em honrarias, ou quaisquer outros bens, por tudo isso procura a sua própria excelência» [ix].

Só Deus pode dar autêntica unidade de sentido aos nossos desejos e afazeres:

«Fizestes-nos para Ti e o nosso coração está inquieto enquanto não descansar em Ti». [x]

Esta frase de Santo Agostinho mostra a origem e o fim da liberdade criada, que é ao mesmo tempo dom e tarefa.
Deus deu-nos a liberdade para atingir a plenitude; e a plenitude é o resultado de escolher o Amor de Deus, procurando a Sua vontade nas grandes decisões e nas pequenas coisas de cada dia. 

Um dos lugares onde o Evangelho mostra a orientação da existência como fruto das escolhas pessoais é no episódio do jovem rico.
A inquietação do coração desse homem impulsiona-o a procurar o caminho da autêntica felicidade. 

Não querendo conformar-se com menos, dirige-se a quem tem as respostas definitivas, a Jesus:

Bom Mestre, que devo fazer para obter a vida eterna? [xi]

A resposta do Senhor não é menos radical do que a pergunta.

Primeiro indica quais são os caminhos incompatíveis com o que procura: não cometerás adultério, não roubarás, não dirás falso testemunho... [xii]

Depois indica-lhe a direcção que leva à paz e à alegria verdadeiras:

Se queres ser perfeito, vende tudo quanto tens, dá-o aos pobres e terás um tesouro no céu; depois vem e segue-Me [xiii]

Essas palavras relativizam a importância de tudo o que até então centrava o interesse do jovem.
A sua liberdade tropeça com uma alternativa não prevista, uma chamada a alargar o horizonte da sua vida. 

Não é que vivesse mal; pelo contrário, tinha um prestígio social e moral que seguramente proporcionava satisfação aos seus pais e educadores.
Mas isso parecia-lhe insuficiente, aspirava a mais..., e, por isso, se dirigiu ao Mestre.
No entanto, perante o novo panorama que Jesus lhe abre, cala-se; sabe que o Bom Mestre tem razão, mais ainda depois de escutar as misteriosas palavras que revelam de algum modo a Sua divindade:

Por que me chamas bom? Ninguém é bom senão só Deus.

Apesar de tudo, não é suficientemente livre para se pôr à disposição do Senhor.
A prudência humana, o temor a perder algo valioso e, talvez, o desejo de segurança, levam-no a conformar-se com o que já tem, com a vã esperança de que, sem aspirar a tanto como o que Jesus lhe propõe, sem arriscar a sua posição, a sua fama, o seu dinheiro e, finalmente, o seu próprio eu, talvez possa estar bem.

Quando se procura fazer o bem com pouco amor, dificilmente se encontra o caminho.

Com palavras de São João da Cruz, «quem a Deus procura querendo continuar com os seus gostos, procura-O de noite e, de noite, não o encontrará» [xiv]; então a razão complica-se em razões sem razão [xv] e o bem deixa de se fazer ou atrasa-se. 

Se o amor é muito débil, a luta torna-se torpe, enredada pelo emaranhado de muitas pequenas ataduras, indecisa; quando as razões de amor não são suficientes para fazer o que Deus quer, procuram-se outras falsas razões para não o fazer. 

O coração do jovem não ficou satisfeito:
Uma resposta a meias não satisfaz ninguém, nenhum coração humano se conforma com medianias; por isso retirou-se triste. [xvi]

Voltar para Cristo

Perseverar no amor não consiste numa luta tensa por não falhar nunca.
Habitualmente nenhum veleiro chega ao porto de destino em linha recta, mas procura aproveitar os ventos que encontra e corrige constantemente os desvios que os instrumentos de navegação detetam.

O importante é saber onde se quer chegar e permanecer vigilantes.
É necessário voltar a entregar a liberdade muitas vezes, sobretudo se verificamos que começámos a servir outros senhores [xvii].

Para não nos perdermos, devemos examinar a actuação concreta à luz da vocação; esta é como o farol divino que orienta a liberdade.
É indispensável, por isso, estar dispostos a recomeçar, a reencontrar – nas novas situações da nossa vida – a luz, o impulso da primeira conversão.
E esta é a razão pela qual nos temos que preparar com um exame profundo, pedindo ajuda ao Senhor, para que possamos conhecê-l’O melhor e nos conheçamos melhor a nós próprios.

Não há outro caminho, se temos de nos converter de novo [xviii].

(cont)

c. ruiz

(Revisão da versão portuguesa por ama)




[i] Gal 4, 31
[ii] Amigos de Deus, n. 35.
[iii] Bento XVI, Homilia, 8-XII-2005.
[iv] Lc 22, 27.
[v] Bento XVI, Litt. enc. Deus caritas est, n. 34.
[vi] Fil 3, 8.
[vii] João Paulo II, Carta aos artistas, 4-IV-1999, n. 2.
[viii] Cfr. Sal 3332, 21.
[ix] São Tomás de Aquino, De Malo, q. 8, a. 2, c.
[x] Santo Agostinho, Confissões 1, 1, 1.
[xi] Lc 18, 18.
[xii] Lc 18, 20.
[xiii] Mt 19, 21.
[xiv] São João da Cruz, Cântico espiritual, 3, 3.
[xv] Amigos de Deus, n. 37.
[xvi] Mt 19, 22.
[xvii] Cfr. Lc 16, 13.
[xviii] Cristo que passa, n. 58.

03/09/2015

Evangelho, comentário, L. Espiritual


Tempo comum XXII Semana

São Gregório Magno – Doutor da Igreja

Evangelho: Lc 5, 1-11

1 Um dia, comprimindo-se as multidões em volta d'Ele para ouvir a palavra de Deus, Jesus estava junto do lago de Genesaré. 2 Viu duas barcas acostadas à margem do lago; os pescadores tinham saído e lavavam as redes. 3 Entrando numa destas barcas, que era a de Simão, pediu-lhe que se afastasse um pouco da terra. Depois, estando sentado, ensinava o povo desde a barca. 4 Quando acabou de falar, disse a Simão: «Faz-te ao largo, e lançai as redes para pescar». 5 Respondeu-Lhe Simão: «Mestre, tendo trabalhado toda a noite, não apanhámos nada; porém, sobre a Tua palavra, lançarei as redes». 6 Tendo feito isto, apanharam tão grande quantidade de peixes, que as redes se rompiam. 7 Então fizeram sinal aos companheiros, que estavam na outra barca, para que os viessem ajudar. Vieram e encheram tanto ambas as barcas, que quase se afundavam. 8 Simão Pedro, vendo isto, lançou-se aos pés de Jesus, dizendo: «Afasta-Te de mim, Senhor, pois eu sou um homem pecador». 9 Porque, tanto ele como todos os que se encontravam com ele, ficaram possuidos de espanto, por causa da pesca que tinham feito. 10 O mesmo tinha acontecido a Tiago e a João, filhos de Zebedeu, que eram companheiros de Simão. Jesus disse a Simão: «Não tenhas medo; desta hora em diante serás pescador de homens». 11 Trazidas as barcas para terra, deixando tudo, seguiram-n'O.

Comentário:

Em Teu nome lançarei a rede, Senhor, em Teu nome, porque, por mim, que faço eu na minha pescaria?
Nada, absolutamente, finjo que pesco, impaciento-me com a espera, desisto tão facilmente, desanimo quando vejo – tão frequentemente – que a minha rede está vazia.

A minha pescaria…

Aqui está o meu erro, a minha falta!

Não é a minha “pescaria”, mas a Tua, Senhor: In nomine Tuo!
Tu é que és o Senhor, o “arrais” deste barco em que navego, Tu é que sabes o rumo, a hora, o local, desta pesca que queres que faça não obstante a minha inépcia e falta de vontade.

Aqui me tens, Senhor, contigo vou mar adentro até onde Tu quiseres. 

(ama, Meditação, Lc 5, 1-11, Setembro 2008)


Leitura espiritual




CRISTO QUE PASSA


80
           
Mas continuemos a contemplar a maravilha dos Sacramentos.
Na Unção dos Enfermos, como agora chamam à Extrema Unção, assistimos a uma amorosa preparação da viagem, que terminará na casa do Pai.
E com a Sagrada Eucaristia, sacramento - se assim nos podemos exprimir - da loucura do amor divino, concede-nos a sua graça, e entrega-se-nos o próprio Deus, Jesus Cristo, que está realmente sempre presente nas espécies consagradas - e não apenas durante a Santa Missa - com o seu Corpo, com a sua Alma, com o seu Sangue e com a sua Divindade.

Penso repetidas vezes na responsabilidade que incumbe aos sacerdotes, de assegurar a todos os cristãos esse caminho divino dos Sacramentos.
A graça de Deus vem em socorro de cada alma; cada criatura requer uma assistência concreta, pessoal.
As almas não se podem tratar massivamente!
Não é lícito defender a dignidade humana e a dignidade de filho de Deus, não atendendo a cada um pessoalmente com a humildade de quem se sabe instrumento para ser veículo do amor de Cristo; porque cada alma é um tesouro maravilhoso; cada homem é único, insubstituível. Cada um vale todo o sangue de Cristo.

Falávamos antes de luta.
Mas a luta exige treino, uma alimentação adequada, uma terapêutica urgente em caso de doença, de contusões, de feridas.
Os Sacramentos, medicina principal da Igreja, não são supérfluos: quando se abandonam voluntariamente, não é possível dar um passo no caminho por onde se segue Cristo.
Necessitamos deles como da respiração, como da circulação do sangue, como da luz, para poder apreciar em qualquer instante o que o Senhor quer de nós.

A ascética do cristão exige fortaleza; e essa fortaleza encontra-a no Criador.
Nós somos a obscuridade e Ele é resplendor claríssimo; somos a doença e Ele a saudável robustez; somos a escassez e Ele a infinita riqueza; somos a debilidade e Ele sustenta-nos, quia tu es, Deus, fortitudo mea, porque és sempre, ó meu Deus, a nossa fortaleza.
Nada há nesta terra capaz de se opor ao brotar impaciente do Sangue redentor de Cristo.
Mas a pequenez humana pode velar os olhos de modo a que não descortinem a grandeza divina.
Daí a responsabilidade de todos os fiéis e especialmente dos que têm o ofício de dirigir - de servir - espiritualmente o Povo de Deus, de não fecharem as fontes da graça, de não se envergonharem da Cruz de Cristo.

81
           
Responsabilidade dos pastores

Na Igreja de Deus, o empenho constante por sermos cada vez mais leais à doutrina de Cristo é obrigação de todos.
Ninguém está isento. Se os pastores não lutassem pessoalmente por adquirir finura de consciência, respeito fiel ao dogma e à moral - que constituem o depósito da fé e o património comum -, voltariam a ser reais as proféticas palavras de Ezequiel: Filho do homem profetiza acerca dos pastores de Israel; profetiza e diz aos pastores: - Isto diz o Senhor Deus: Ai dos pastores de Israel que se apascentam a si próprios! Porventura não são os rebanhos os que devem ser apascentados pelos pastores? Vós lhes tomais o leite e vos vestis com as suas lãs e matais as reses mais gordas, mas não apascentais o meu rebanho. Não fortalecestes as ovelhas débeis, não curastes as doentes, não pusestes ligaduras às que tinham algum membro quebrado, não fizestes voltar as desgarradas, nem buscastes as que se tinham perdido; mas dominastes sobre elas com aspereza e com prepotência.

São repreensões fortes, mas mais grave é a ofensa que se faz a Deus quando, tendo recebido o cargo de velar pelo bem espiritual de todos, se maltratam as almas, privando-as da água limpa do Baptismo que regenera a alma, do óleo balsâmico da Confirmação, que a fortalece, do tribunal que perdoa, do alimento que dá a vida eterna.

Quando é que isto pode acontecer?
Quando se abandona esta guerra de paz. Quem não luta, expõe-se a qualquer daquelas escravidões, que têm o efeito de aferrolhar os corações de carne: a escravidão duma visão exclusivamente humana, a escravidão do desejo afanoso de poder e de prestígio temporal, a escravidão da vaidade, a escravidão do dinheiro, a escravidão da sensualidade...

Se alguma vez - porque Deus pode permitir essa prova - tropeçais com pastores indignos deste nome, não vos escandalizeis. Cristo prometeu assistência infalível e indefectível à sua Igreja, mas não garantiu a fidelidade dos homens que a compõem.
A estes não lhes faltará a graça abundante, generosa - se puserem da sua parte o pouco que Deus pede: vigiar atentamente, empenhando-se em remover, com a graça de Deus, os obstáculos para conseguir a santidade.
Se não há luta, quem parece estar nos píncaros pode estar muito baixo aos olhos de Deus.
Conheço as tuas obras, a tua conduta, sei que tens fama de que vives e estás morto.
Sê vigilante e consolida os restos do teu rebanho, que está para morrer, porque não acho as tuas obras perfeitas diante do meu Deus. Lembra-te, pois, do que recebeste e ouviste, e observa-o, e faz penitência.

São exortações do apóstolo S. João, no século primeiro, dirigidos a quem tinha a responsabilidade da Igreja na cidade de Sardes.
Porque a possível decadência do sentido da responsabilidade em alguns pastores não é um fenómeno moderno; surge já no tempo dos Apóstolos, no próprio século em que Nosso Senhor Jesus Cristo tinha vivido na terra.
E ninguém está seguro, se deixa de lutar consigo mesmo.
Ninguém pode salvar-se isoladamente.
Todos na Igreja precisamos desses meios concretos que nos fortalecem: da humildade, que nos dispõe a aceitar a ajuda e o conselho; das mortificações, que nos removem o coração, para que nele reine Cristo; do estudo da Doutrina segura de sempre, que nos leva a conservar em nós a fé e a propagá-la.

82 
          
Hoje e ontem

A liturgia do Domingo de Ramos põe na boca dos cristãos este cântico: levantai, portas, os vossos dintéis; levantai-vos, portas antigas, para que entre o Rei da glória.
Quem fica recluso na cidadela do seu egoísmo não descerá ao campo de batalha.
Contudo, se levantar as portas da fortaleza e permitir que entre o Rei da Paz, sairá com ele a combater contra toda essa miséria que embacia os olhos e insensibiliza a consciência.

Levantai as portas antigas.
Esta exigência de combate não é nova no Cristianismo.
É a verdade perene.
Sem luta, não se consegue a vitória; sem vitória não se alcança a paz.
Sem paz, a alegria humana será só uma alegria aparente, falsa, estéril, que não se traduz na ajuda aos homens, nem em obras de caridade e de justiça, de perdão e de misericórdia, nem em serviço de Deus.

Agora, dentro e fora da Igreja, em cima e em baixo, dá a impressão de que muitos renunciaram à luta - à guerra pessoal contra as suas próprias claudicações -, para se entregarem com armas e bagagens às servidões que envelhecem a alma.
Esse perigo rondará sempre em tomo de todos os cristãos.

Por isso, é preciso pedir incessantemente à Santíssima Trindade que tenha compaixão de todos.
Ao falar destas coisas fico perturbado se recorro à justiça de Deus. Apelo para a sua misericórdia, para a sua compaixão, a fim de que não olhe para os nossos pecados, mas para os méritos de Cristo e de sua Santa Mãe, e que é também nossa Mãe, para os do Patriarca S. José, que Lhe serviu de Pai, para os dos Santos.

O cristão pode viver com a segurança de que, se quiser lutar, Deus o acolherá na sua mão direita, como se lê na Missa desta festa.
Jesus, que entra em Jerusalém montado num pobre burrico, Rei da paz, é quem diz: o, reino dos céus alcança-se com violência, e os violentos arrebatam-no.
Essa força não se manifesta na violência contra os outros; é fortaleza para combater as próprias debilidades e misérias, valentia para não mascarar as nossas infidelidades, audácia para confessar a fé, mesmo quando o ambiente é contrário.

Hoje, como ontem, espera-se heroísmo do cristão. Heroísmo em grandes contendas, se é preciso.
Heroísmo - e será o normal - nas pequenas escaramuças de cada dia. Quando se luta continuamente, com Amor e deste modo que parece insignificante, o Senhor está sempre ao lado dos seus filhos, como pastor amoroso:
Eu mesmo apascentarei as minhas ovelhas e as farei repousar, diz o Senhor Deus.
Irei procurar as que se tinham perdido, farei voltar as que andavam desgarradas, porei ligaduras às que tinham algum membro quebrado e fortalecerei as que estavam fracas...
E as minhas ovelhas habitarão no seu país sem temor; e elas saberão que eu sou o Senhor, quando eu tiver quebrado as cadeias do seu jugo, e as tiver arrancado das mãos daqueles que as dominavam.

(cont)