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06/10/2016

Evangelho e comentário


Tempo Comum

Evangelho: Lc 11, 5-13

5 Disse-lhes mais: «Se algum de vós tiver um amigo, e for ter com ele à meia-noite para lhe dizer: Amigo, empresta-me três pães, 6 porque um meu amigo acaba de chegar a minha casa de uma viagem e não tenho nada que lhe dar; 7 e ele, respondendo lá de dentro, disser: Não me incomodes, a porta está agora fechada, os meus filhos e eu estamos deitados; não me posso levantar para tos dar; 8 digo-vos que, ainda que ele não se levantasse a dar-lhos por ser seu amigo, certamente pela sua impertinência se levantará e lhe dará tudo aquilo de que precisar. 9 Eu digo-vos: Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e encontrareis; batei, e abrir-se-vos-á. 10 Porque todo aquele que pede, recebe; quem procura, encontra; e ao que bate, se lhe abrirá. 11 «Qual de entre vós é o pai que, se um filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou, se lhe pedir um peixe, em vez de peixe, lhe dará uma serpente? 12 Ou, se lhe pedir um ovo, porventura dar-lhe-á um escorpião? 13 Se pois vós, sendo maus, sabeis dar boas coisas aos vossos filhos, quanto mais o vosso Pai celestial dará o Espírito Santo aos que Lho pedirem».

Comentário:

Este trecho de São Lucas termina de uma forma que convém merecer a nossa atenção.

No versículos anteriores Jesus Cristo promete ouvir as súplicas, escutar os pedidos, abrir as portas e, se nos ficarmos por aqui corremos o risco de ficar como que defraudados nas nossas expectativas se o que solicitamos não nos for concedido.

Mas no versículo 13 está o “segredo” das promessas do Senhor. Antes de mais devemos pedir o Espírito Santo para que nos ilumine e ponha a claro as nossas reais necessidades e, também, que nos ajude a excluir tudo aquilo que por capricho ou desejo sem grande fundamento queremos que o Senhor nos conceda.

Isto é: que vejamos claro se o que desejamos é o que precisamos.

(ama, comentário sobre Lc 11 5-13, 08.10.2015)








08/10/2015

Evangelho, comentário, L. espiritual



Tempo comum XXVII Semana


Evangelho: Lc 11, 5-13

5 Disse-lhes mais: «Se algum de vós tiver um amigo, e for ter com ele à meia-noite para lhe dizer: Amigo, empresta-me três pães, 6 porque um meu amigo acaba de chegar a minha casa de uma viagem e não tenho nada que lhe dar; 7 e ele, respondendo lá de dentro, disser: Não me incomodes, a porta está agora fechada, os meus filhos e eu estamos deitados; não me posso levantar para tos dar; 8 digo-vos que, ainda que ele não se levantasse a dar-lhos por ser seu amigo, certamente pela sua impertinência se levantará e lhe dará tudo aquilo de que precisar. 9 Eu digo-vos: Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e encontrareis; batei, e abrir-se-vos-á. 10 Porque todo aquele que pede, recebe; quem procura, encontra; e ao que bate, se lhe abrirá.11 «Qual de entre vós é o pai que, se um filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou, se lhe pedir um peixe, em vez de peixe, lhe dará uma serpente? 12 Ou, se lhe pedir um ovo, porventura dar-lhe-á um escorpião? 13 Se pois vós, sendo maus, sabeis dar boas coisas aos vossos filhos, quanto mais o vosso Pai celestial dará o Espírito Santo aos que Lho pedirem».

Comentário:

Lamentamo-nos muitas vezes a respeito da falta de resposta do Senhor às nossas petições.
Como se Ele estivesse voluntariamente surdo ou distraído.
É muito importante que tenhamos claro que pedimos o que julgamos nos convém mesmo que na verdade assim não seja.
O Senhor conhece-nos intimamente e saberá sempre decidir com absoluta justiça o que irá ou não conceder.
Portanto, não desistamos nunca.

(ama, comentário sobre LC 11 5-13, 2014.10.09)


Leitura espiritual

São Josemaria Escrivá



Temas actuais do cristianismo

10
                  
pergunta:

Desde há muitos anos que tem vindo a dizer e a escrever que a vocação dos leigos consiste em três coisas: “santificar o trabalho, santificar-se no trabalho e santificar os outros com o trabalho”.
Poderia precisar-nos o que entende exactamente por santificar o trabalho?

resposta:

É difícil explicá-lo em poucas palavras, porque nessa expressão estão implicados conceitos fundamentais da própria teologia da Criação.
O que sempre ensinei - desde há quarenta anos - é que todo o trabalho humano honesto, tanto intelectual como manual, deve ser realizado pelo cristão com a maior perfeição possível: com perfeição humana (competência profissional) e com perfeição cristã (por amor à vontade de Deus e em serviço dos homens).
Porque, feito assim, esse trabalho humano, por humilde e insignificante que pareça, contribui para a ordenação cristã das realidades temporais - a manifestação da sua dimensão divina - e é assumido e integrado na obra prodigiosa da Criação e da Redenção do mundo: eleva-se assim o trabalho à ordem da graça, santifica-se, converte-se em obra de Deus, operatio Dei, opus Dei.

Ao recordar aos cristãos as palavras maravilhosas do Génesis - que Deus criou o homem para que trabalhasse -, fixámo-nos no exemplo de Cristo, que passou a quase totalidade da sua vida terrena trabalhando numa aldeia como artesão.
Amamos esse trabalho humano que Ele abraçou como condição de vida, e cultivou e santificou.
Vemos no trabalho - na nobre e criadora fadiga dos homens - não só um dos mais altos valores humanos, meio imprescindível para o progresso da sociedade e o ordenamento cada vez mais justo das relações entre os homens, mas também um sinal do amor de Deus para com as suas criaturas e do amor dos homens entre si e para com Deus: um meio de perfeição, um caminho de santificação.

Por isso, o único objectivo do Opus Dei sempre foi este: contribuir para que, no meio do mundo, das realidades e afãs seculares, homens e mulheres de todas as raças e de todas as condições sociais procurem amar e servir a Deus e a todos os outros, no seu trabalho ordinário e através dele.

11             

pergunta:

O n. 5 do Decreto Apostolicam actuositatem afirmou claramente que a animação cristã da ordem temporal é missão de toda a Igreja. Compete, pois, a todos: à Hierarquia, ao clero, aos religiosos e aos leigos.
Poderia dizer-nos como vê o papel e as características de cada um desses sectores eclesiais nessa missão única e comum?

resposta:

Na realidade, a resposta encontra-se nos próprios textos conciliares. À Hierarquia compete indicar - como parte do seu magistério - os princípios doutrinais que hão-de presidir e iluminar a realização dessa tarefa apostólica [i].

Aos leigos, que trabalham imersos em todas as circunstâncias e estruturas próprias da vida secular, corresponde de forma específica a tarefa, imediata e directa, de ordenar essas realidades temporais à luz dos princípios doutrinais enunciados pelo Magistério; mas actuando, ao mesmo tempo, com a necessária autonomia pessoal perante as decisões concretas que tenham de tomar na sua vida social, familiar, política, cultural, etc. [ii]

Quanto aos religiosos, que se apartam dessas realidades e actividades seculares abraçando um estado de vida peculiar, a sua missão é dar um testemunho escatológico público que ajude a recordar aos restantes fiéis do Povo de Deus que não têm nesta terra morada permanente [iii].
E não pode esquecer-se ainda que também servem a animação cristã da ordem temporal, as numerosas obras de beneficência, de caridade e assistência social que tantos religiosos e religiosas realizam com abnegado espírito de sacrifício.

12             

pergunta:

Uma característica de toda a vida cristã - seja qual for o caminho através do qual se realize - é a “dignidade e a liberdade dos filhos de Deus”.
A que se refere, pois, quando ao longo de todos os seus ensinamentos defende tão insistentemente a liberdade dos leigos?

resposta:

Refiro-me precisamente à liberdade pessoal que os leigos têm para tomar, à luz dos princípios enunciados pelo Magistério, todas as decisões concretas de ordem teórica ou prática - por exemplo, em relação às diversas opiniões filosóficas, económicas ou políticas, às correntes artísticas e culturais, aos problemas da sua vida profissional ou social, etc. - que cada um julgue em consciência mais convenientes e mais de acordo com as suas convicções pessoais e aptidões humanas.

Este necessário âmbito de autonomia que o leigo católico necessita para não ficar capitidiminuído perante os outros leigos, e para poder levar a cabo, com eficácia, a sua peculiar tarefa apostólica no meio das realidades temporais, deve ser sempre cuidadosamente respeitado por todos os que na Igreja exercemos o sacerdócio ministerial.
A não ser assim - se se pretendesse instrumentalizar o leigo para fins que ultrapassam os que são próprios do ministério hierárquico - incorrer-se-ia num anacrónico e lamentável clericalismo.
Limitar-se-iam enormemente as possibilidades apostólicas do laicado - condenando-o a perpétua imaturidade -, mas sobretudo pôr-se-iam em perigo - hoje, especialmente - os próprios conceitos de autoridade e de unidade na Igreja.
Não podemos esquecer que a existência, também entre os católicos, de um autêntico pluralismo de critério e de opinião, nas coisas que Deus deixou à livre discussão dos homens, não só se não opõe à ordenação hierárquica e à necessária unidade do Povo de Deus, mas ainda as robustece e as defende contra possíveis impurezas.

13             

pergunta:

Sendo tão diversas na sua realização prática a vocação do leigo e a do religioso - ainda que tenham de comum, evidentemente, a vocação cristã -, como é possível que os religiosos, nas suas actividades docentes, etc., possam formar os cristãos correntes num caminho verdadeiramente laical?

resposta:

Será possível na medida em que os religiosos - cuja benemérita actividade ao serviço da Igreja admiro sinceramente - se esforcem por compreender bem quais são as características e as exigências da vocação laical para a santidade e o apostolado no meio do mundo, e as queiram e saibam ensinar aos alunos.

14             

pergunta:

Com certa frequência ao falar do laicado, costuma-se esquecer a realidade da presença da mulher e com isto esfuma-se o seu papel na Igreja.
Igualmente, ao tratar-se da “promoção social da mulher”, é costume entendê-la simplesmente como presença da mulher na vida pública. Poderia dizer-nos como entende a missão da mulher na Igreja e no mundo?

resposta:

Não vejo nenhuma razão pela qual, ao falar do laicado, - da sua vida apostólica, de direitos e deveres, etc. - se deva fazer qualquer espécie de distinção ou discriminação em relação à mulher.
Todos os baptizados - homens e mulheres - participam igualmente da comum dignidade, liberdade e responsabilidade dos filhos de Deus. Na Igreja existe esta unidade radical e necessária que já São Paulo ensinava aos primeiros cristãos: Quicumque enim in Christo baptizati estis, Christum induistis. Non est Judaeus, neque Graecus: non est servus, neque liber. non est masculus, neque femina[iv]; não há judeu, nem grego; não há servo, nem livre, não há homem, nem mulher.

Exceptuando a capacidade jurídica de receber ordens sagradas - distinção que por muitas razões, também de direito divino positivo, considero que se deve reter -, penso que se devem reconhecer plenamente à mulher na Igreja - na sua legislação, na sua vida interna e na sua acção apostólica - os mesmos direitos e deveres que aos homens: direito ao apostolado, a fundar e a dirigir associações, a manifestar responsavelmente a sua opinião em tudo o que se refira ao bem comum da Igreja, etc.
Bem sei que tudo isto - que teoricamente não é difícil de admitir se se considerarem as claras razões teológicas que o apoiam - encontrará, de facto resistência por parte de algumas mentalidades.
Ainda recordo o assombro e até a crítica com que determinadas pessoas - que, agora, pelo contrário, tendem a imitar, nisto como em tantas outras coisas - comentaram o facto de o Opus Dei procurar que adquirissem graus académicos em ciências sagradas também as mulheres que pertencem à Secção feminina da nossa Associação.

Penso, no entanto, que estas resistências e reticências irão caindo a pouco e pouco.
No fundo é só um problema de compreensão eclesiológica: reparar que a Igreja não é formada só pelos clérigos e religiosos, mas que também os leigos - homens e mulheres - são Povo de Deus e têm, por direito divino, uma missão e responsabilidade próprias.

Mas desejaria acrescentar que, a meu ver, a igualdade essencial entre o homem e a mulher exige precisamente que se saibam captar ao mesmo tempo os papéis complementares de um e outro na edificação da Igreja e no progresso da sociedade civil: porque não foi em vão que os criou Deus homem e mulher.
Esta diversidade há-de compreender-se não num sentido patriarcal, mas em toda a profundidade que tem, tão rica de matizes e consequências, que liberta o homem da tentação de masculinizar a Igreja e a sociedade, e a mulher de entender a sua missão, no Povo de Deus e no mundo, como uma simples reivindicação de actividades até agora apenas realizadas pelo homem, mas que ela pode desempenhar igualmente bem.
Parece-me, pois, que tanto o homem como a mulher se hão-de sentir justamente protagonistas da história da salvação, mas um e outro de forma complementar.

Entrevista realizada por Pedro Rodríguez, publicada em Palabra (Madrid), Outubro de 1967

(cont)






[i] (cf. Const. Lumen gentíum, n.º 28; Const. Gaudium et spes, n.º 43; Decr. Apostolicam actuositatem, n.º 24).
[ii] (cfr. Const. Lumen gentium, n.º 31; Const. Gaudium et spes, n.º 43; Decr. Apostolicam actuositatem, n.º 7).
[iii] (cfr. Const. Lumen gentium, n.º 44; Decr. Perfectae caritatis, n.º 5)
[iv] (Gal. 3, 27-28)

09/10/2014

Evangelho diário e coment. Leit. Espiritual (Enc Principes pastorum (S. João XXIII)

Tempo comum XXII Semana

Evangelho: Lc 11, 5-13

5 Disse-lhes mais: «Se algum de vós tiver um amigo, e for ter com ele à meia-noite para lhe dizer: Amigo, empresta-me três pães, 6 porque um meu amigo acaba de chegar a minha casa de uma viagem e não tenho nada que lhe dar; 7 e ele, respondendo lá de dentro, disser: Não me incomodes, a porta está agora fechada, os meus filhos e eu estamos deitados; não me posso levantar para tos dar; 8 digo-vos que, ainda que ele não se levantasse a dar-lhos por ser seu amigo, certamente pela sua impertinência se levantará e lhe dará tudo aquilo de que precisar. 9 Eu digo-vos: Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e encontrareis; batei, e abrir-se-vos-á. 10 Porque todo aquele que pede, recebe; quem procura, encontra; e ao que bate, se lhe abrirá.11 «Qual de entre vós é o pai que, se um filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou, se lhe pedir um peixe, em vez de peixe, lhe dará uma serpente? 12 Ou, se lhe pedir um ovo, porventura dar-lhe-á um escorpião? 13 Se pois vós, sendo maus, sabeis dar boas coisas aos vossos filhos, quanto mais o vosso Pai celestial dará o Espírito Santo aos que Lho pedirem».

Comentário:

A perseverança na oração dá sempre frutos. Por vezes somos levados pelo desânimo porque parece que o Senhor não nos ouve nem Se interessa pelo que se passa connosco, as nossas necessidades, a urgência que sentimos em que se resolva uma situação que nos preocupa.
Não desistamos nem esmoreçamos na oração. Ele acabará por nos dar, talvez não o que pedimos mas, seguramente o que mais nos convenha.

(ama, comentário sobre Lc 11, 5-13 2013.10.10)


Leitura espiritual




Documentos do Magistério
CARTA ENCÍCLICA
PRINCEPS PASTORUM
DO SUMO PONTÍFICE PAPA JOÃO XXIII
AOS VENERÁVEIS IRMÃOS PATRIARCAS,
PRIMAZES, ARCEBISPOS, BISPOS
E AOS OUTROS ORDINÁRIOS DO LUGAR
EM PAZ E COMUNHÃO COM A SÉ APOSTÓLICA

SOBRE AS MISSÕES CATÓLICAS

Metas na formação do laicado em terra de missão

26. Nas novas cristandades, não se trata somente de proporcionar, com as conversões e os batismos, um grande número de cidadãos ao reino de Deus, mas também de os tornar aptos, por uma adequada educação e formação cristã, a assumirem, cada um segundo a sua condição e as suas possibilidades, as suas responsabilidades na vida e no futuro da Igreja.
O número dos cristãos pouco significaria se faltasse a qualidade, se faltasse a solidez dos próprios fiéis na profissão cristã, e se faltasse o aprofundamento da sua vida espiritual, e se, depois de haverem nascido para a fé e para a graça, eles não fossem ajudados a progredir na juventude e na madureza do espírito que dá impulso e prontidão para o bem. Com efeito, a profissão de fé cristã não pode ser reduzida a um dado anagráfico, mas deve investir e modificar o homem no profundo (cf. Ef 4, 24), dar significado e valor a todas as suas manifestações.

Particulares deveres do clero

27. Os leigos não poderão chegar a essa meta de maturidade se o clero, quer alienígena, quer nativo, não se propuser oportunamente o programa já sugerido, nas suas linhas essenciais, pelo primeiro Papa: "Sois uma raça eleita, um sacerdócio real, uma nação santa, o povo de sua particular propriedade, a fim de que proclameis as excelências daquele que vos chamou das trevas para a sua luz maravilhosa" (1 Pd 2,9).

28. Uma instrução e educação cristã que se considerasse satisfeita por haver ensinado e feito aprender as fórmulas do catecismo e os preceitos fundamentais da moral cristã com uma casuística sumária, sem envolver a conduta prática, expor-se-ia ao risco de proporcionar à Igreja de Deus um rebanho por assim dizer passivo. O rebanho de Cristo, ao invés, é formado de ovelhas que não só escutam o seu Pastor, mas têm a capacidade de reconhecê-lo e de lhe reconhecerem a voz (cf. Jo 10, 4, 14), de segui-lo fielmente, e com plena consciência, aos pastos da vida eterna (Jo 10, 9, 10), para poderem merecer um dia, do Príncipe dos Pastores, "a coroa imarcescível da glória" (1 Pd 5,4), ovelhas que, conhecendo e seguindo o Pastor que por elas deu a vida (cf. Jo 10, 11), estejam prontas a dedicar-lhe a sua vida e a cumprirem a sua vontade de levar a fazerem parte do único ovil as outras ovelhas que não o seguem, mas vagueiam longe dele, que é caminho, verdade e vida (Jo 14, 6).

29. O impulso apostólico pertence essencialmente à profissão de fé cristã: com efeito, "cada um é obrigado a difundir no meio dos outros a sua fé, seja para instruir ou confirmar os outros fiéis, seja ainda para repelir os ataques dos infiéis", [33] especialmente nos tempos, como os nossos, em que o apostolado é uma tarefa urgente para as difíceis circunstâncias em que se acham a humanidade e a Igreja.

30. A fim de que seja possível uma completa e intensa educação cristã, requer-se que os educadores sejam capazes de achar as vias e os meios mais aptos para penetrar nas várias psicologias, por onde facilitar ao máximo, nos novos cristãos, a assimilação profunda da verdade com todas as suas exigências. O nosso Salvador, com efeito, impôs a cada um de nós o cumprimento deste supremo mandamento: "Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma, com toda a tua mente" (Mt 22, 37).
Aos olhos dos fiéis deve bem depressa brilhar em todo o seu esplendor a sublimidade da vocação cristã, a fim de que eficazmente se lhes acenda no coração o desejo e o propósito de uma vida virtuosa e ativa, moldada na própria vida do Senhor Jesus, que, tendo assumido a natureza humana, nos mandou seguir os seus exemplos (cf.1 Pd 2, 21, Mt 11, 29, Jo 13, 15).

Deveres do leigo de testemunhar a verdade

31. Todo cristão deve estar convicto do seu fundamental e primordial dever de ser testemunha da verdade em que crê e da graça que o transformou. "Cristo – dizia um grande Padre da Igreja – deixou-nos na terra a fim de que nos tornássemos faróis que iluminam, doutores que ensinam, a fim de que cumpríssemos o nosso dever de fermento, a fim de que nos comportássemos como anjos, como anunciadores entre os homens, a fim de que fôssemos adultos entre os menores, homens espirituais entre os carnais a fim de os ganharmos, a fim de que fôssemos semente e déssemos frutos numerosos.
Nem sequer seria necessário expor a doutrina, se a nossa vida fosse irradiante a esse ponto, não seria necessário recorrer às palavras, se as nossas obras dessem um tal testemunho. Não haveria mais nenhum pagão, se nos comportássemos como verdadeiros cristãos". [34]

32. Como é fácil de compreender, este é o dever de todos os cristãos do mundo inteiro.
Mas é fácil compreender que, nos países de missão, ele poderia produzir frutos especiais e particularmente preciosos para os fins da dilatação do reino de Deus mesmo junto àqueles que não conhecem a beleza da nossa fé e o poder sobrenatural da graça, como já nos exortava Jesus: "Assim brilhe a vossa luz diante dos homens, a fim de que eles vejam as vossas boas obras e glorifiquem vosso Pai que está nos céus" (Mt 5,16), e S. Pedro advertia amorosamente os fiéis: "Exorto-vos, ó caros,... a que vos abstenhais dos desejos carnais, que promovem a guerra contra alma. Seja bom o vosso comportamento entre os gentios para que, mesmo que falem mal de vós, como se fôsseis malfeitores, vendo as vossas boas obras glorifiquem a Deus, no dia da Visitação" (1 Pd 2, 12).

Eficácia do testemunho da caridade

33. O testemunho dos indivíduos precisa ser confirmado e ampliado pelo da comunidade cristã inteira, à semelhança do que acontecia na estação primaveril da Igreja, quando a união compacta e perseverante de todos os fiéis "no ensino dos Apóstolos e na comum fração do pão e nas orações" (At 2, 42) e no exercício da mais generosa caridade, era motivo de satisfação profunda e de mútua edificação, com efeito, eles "louvavam a Deus e eram bem vistos por todo o povo. E o Senhor aumentava cada dia aqueles que vinham à salvação" (At 2, 47).

34. A união nas orações e na participação activa na celebração dos mistérios divinos na liturgia da Igreja contribui de maneira particularmente eficaz para a plenitude e riqueza da vida cristã dos indivíduos e da comunidade, e é um meio admirável para educar naquela caridade que é o sinal distintivo do cristão, uma caridade que foge de toda discriminação social linguística e racial, que estende os braços e o coração a todos, irmãos e inimigos.
Sobre este assunto apraz-nos fazer nossas as palavras do nosso predecessor S. Clemente Romano: "Quando (os gentios) ouvem de nós que Deus diz: Não há mérito para vós se amais aqueles que vos amam, mas há mérito se amais os inimigos e os que vos odeiam (cf. Lc 6, 32-35), ao ouvirem estas palavras eles admiram esse altíssimo grau de caridade. Mas, quando veem que nós não só não amamos os que nos odeiam, mas nem sequer amamos aqueles que nos amam, eles riem de nós, e o nome de Deus é blasfemado". [35]
O maior dos missionários, s. Paulo Apóstolo, escrevendo aos Romanos no momento em que se preparava para evangelizar o extremo Ocidente, exortava à "caridade sem fingimento" (Rm 12, 9ss), depois de haver elevado um hino sublime a esta virtude "sem a qual o cristão não é nada " (l Cor 13, 2).

Dever de contribuir para as necessidades materiais da comunidade

35. A caridade torna-se, outrossim, visível no socorro material, como afirmava o nosso imortal predecessor Pio XII: "O corpo exige também uma multidão de membros, unidos entre si para se prestarem mútuo auxílio.
Se no nosso organismo mortal, quando um membro sofre, todos os outros sofrem com ele, dando os membros sãos o próprio auxílio aos doentes, igualmente na Igreja todo membro não vive unicamente para si, mas ajuda também os outros para a sua mútua consolação, como também para um melhor desenvolvimento de todo o corpo místico". [36]

36. As necessidades materiais dos fiéis incluem também a do organismo eclesiástico, e, para isso, é bom que os fiéis nativos se habituem a sustentar espontaneamente, na medida das suas possibilidades, as suas Igrejas, as suas instituições e o clero que a eles se dedicou completamente.
Não importa se este contributo não pode ser notável, o importante é que seja testemunho sensível de uma viva consciência cristã.

IV. DIRETRIZES PARA O APOSTOLADO LEIGO NAS MISSÕES

Preparação para o apostolado

 37. Os fiéis cristãos, membros de um organismo vivo, não podem ficar encerrados em si mesmos e acreditar que basta ter pensado e providenciado sobre as próprias necessidades espirituais para ter cumprido todo o seu dever.
Em vez disso, cada um por sua própria parte deve contribuir para o incremento e para a difusão do reino de Deus na terra.
O nosso predecessor Pio XII lembrou a todos este dever universal: "A catolicidade é uma nota essencial da verdadeira Igreja: a tal ponto que um cristão não é verdadeiramente afeiçoado e devotado à Igreja se não é igualmente afeiçoado e devotado à universalidade dela, desejando que ela lance raízes e floresça em todos os lugares da terra". [37]

38. Todos devem entrar numa porfia de santa emulação e dar assíduos testemunhos de zelo para o bem espiritual do próximo, para a defesa da própria fé, para fazê-la conhecer a quem a ignora completamente ou a quem mal a conhece e por isto a julga mal.
Desde a infância e desde a adolescência, mesmo nas mais jovens comunidades cristãs é necessário que o clero, as famílias e as várias organizações locais de apostolado inculquem este santo dever. Depois, há algumas ocasiões particularmente felizes, em que tal educação no apostolado pode achar o lugar mais adequado e a expressão mais convincente.
Tal é, por exemplo, a preparação dos rapazes e dos neo-batizados para o sacramento da Confirmação, com o qual "é infundida nos crentes uma nova força para defenderem a santa mãe Igreja e a fé que dela receberam", [38] preparação esta sumamente oportuna, especialmente lá onde existem nos costumes locais cerimónias apropriadas de iniciação a fim de preparar os jovens para o ingresso oficial no seu grupo social.

Os catequistas

39. Aqui não podemos deixar de dar o justo relevo à obra dos catequistas, que na longa história das missões católicas se têm demonstrado de insubstituível auxílio.
Eles sempre foram o braço direito dos operários do Senhor, e lhes têm compartilhado e aliviado as fadigas a ponto de os nossos predecessores terem podido considerar seu recrutamento e sua formação cuidadosíssima entre os "pontos importantíssimos para a difusão do Evangelho", [39] e os terem definido como "o caso talvez mais clássico do apostolado leigo". [40]
A eles renovamos os mais amplos elogios, e exortamo-los a meditarem sempre mais na felicidade espiritual da sua condição e a nunca desistirem de todo esforço para enriquecerem e aprofundarem, sob a guia da hierarquia, a sua instrução e formação moral.
Os catecúmenos devem aprender deles não somente os rudimentos da fé, mas também a prática da virtude, o amor grande e sincero a Cristo e à sua Igreja.
Todo cuidado dedicado ao aumento do número destes eficacíssimos auxiliares da hierarquia e à sua adequada formação, e todo sacrifício dos catequistas para cumprirem de modo mais apto e perfeito a sua tarefa, será um contributo de imediata eficácia para a fundação e para o progresso das novas comunidades cristãs.

(cont)

(revisão da versão portuguesa por ama)

_________________________________________
Notas:
[33] S. Tomás. Summa Theol. II-II, q. 3, a. 2, ad 2.
[34] S. João Chris. Hom. X in ITm., Migne, PG LXII, 551.
[35] F.X. Funk, Patres Apostolici, vol. I, p. 201.
[36] Carta enc. Mystici Corporis: AAS 35(1943), p. 200.
[37] Carta enc. Fidei donum: AAS 49(1957), p. 237.
[38] Pio XII, Carta enc. Mystici Corporis: AAS 35(1943), p. 201.
[39] Cf. Pio XI, Carta enc. Rerum Ecclesiae: AAS 18(1926), p. 78.
[40] Cf. Pio XII, Sermão do ano 1957 àqueles que participaram no II Congresso para o apostolado dos leigos católicos de todo o mundo: AAS 49(1957), p. 937.