18/11/2020

Virtudes

 


Caridade 1

Crer no amor de Deus

Temos fé por dom de Deus e por ela sabemos que Deus é amor e que esse amor se manifestou ao máximo no amor de Jesus, que morreu por cada um de nós, entrega-Se-nos na Eucaristia e acompanha-nos, em todo momento, como amigo e irmão. Por isso, verdadeiramente, podemos dizer com São Josemaria essas três palavras que condensam um pensamento de São Paulo: omnia in bonum! (cf. Rm 8,28), pois queremos amar a Deus e para os que O amam todas as coisas cooperam de algum modo para o bem, ainda que nem sempre o entendamos. Crer no amor de Deus é tão fundamental que São João resume assim a experiência dos Apóstolos no trato com Jesus Cristo: «nós conhecemos e acreditamos no amor que Deus nos tem» (1 Jo 4, 16). A fé cristã é, portanto, fé no Amor pleno, no seu poder eficaz, na sua capacidade de transformar o mundo e iluminar o tempo(Francisco, Lumen Fidei, 15). O rosto desse Amor manifesta-se-nos em Jesus Cristo, na Sua entrega por nós, para a nossa salvação. O Papa Francisco, falando de São Pedro, comenta que, talvez, a maior tentação do demónio era insinuar nele a ideia de não se considerar digno de ser amigo de Jesus Cristo, porque o tinha traído. Mas o Senhor é fiel. A amizade possui essa graça: um amigo que é mais fiel pode, com a sua fidelidade, fazer fiel o outro, que talvez não o seja tanto. E se se trata de Jesus, Ele tem, mais do que ninguém, o poder de fazer fiéis os seus amigos(Francisco, Discurso, 2-III-2017).

Nada move tanto a amar como o saber-se amado por esse Deus que nos quer fazer entrar na corrente trinitária do seu Amor.

São Josemaria unia essa segurança do amor divino com o profundo sentido da filiação divina: que confiança, que descanso e que otimismo vos dará, no meio das dificuldades, sentir-vos filhos de um Pai, que tudo sabe e que tudo pode (São Josemaria, Carta 9-I-1959, 60). No entanto, acreditando nisto, tantas vezes ficamos nervosos, inquietamo-nos diante das dificuldades, diante das nossas falhas e limitações, diante das contrariedades, diante das incompreensões. Isto é humanamente lógico, mas é sinal de que ainda não acreditamos plenamente que, em todo momento, Deus nos acompanha com um amor infinito, que sabe tudo e que tudo pode: Ele é interior intimo meo (Santo Agostinho, Confissões, III, 6), mais íntimo a mim do que eu próprio. Viver da fé: essas palavras que foram depois tantas vezes tema de meditação para o apóstolo Paulo, vêm-se realizadas amplamente em São José. O seu cumprimento da vontade de Deus não é rotineiro nem formalista, mas espontâneo e profundo. A lei que todo o judeu praticante vivia não foi para ele um simples código nem uma recompilação fria de preceitos, mas expressão da vontade de Deus vivo. Por isso soube reconhecer a voz do Senhor quando se lhe manifestou inesperada, surpreendente (Cristo que passa, 41). Se nos inquietamos demasiado, significa que, no fundo, a segurança e a paz – que todos naturalmente desejamos – a pomos de facto, em certa medida, ainda em nós próprios: em que as coisas nos corram bem, em que a saúde seja boa, no trabalho que nos convém, no apreço dos outros... mesmo no apostolado. E Jesus Cristo? Ainda temos esse pecado de que só o Espírito Santo nos pode, primeiro, ‘convencer’ (arguir), e depois curar mediante a perfeição da caridade: assim acreditaremos plenamente no amor do Senhor.

Santo Agostinho comenta as palavras do Senhor no evangelho de São João afirmando que Deus porá em nós o amor de que necessitamos: [Jesus] disse: Ele [o Espírito Santo] arguirá o mundo”, como se dissesse: Ele derramará a caridade em vossos corações (Santo Agostínho, In Ioannis Evangelium tractatus, 95, 1). A plenitude da caridade é a santidade, a que apenas chegaremos no Céu. Com a graça do Espírito Santo e a nossa generosa correspondência, já nesta vida podemos crescer cada vez mais na fé que age mediante a caridade. Para este crescimento, é preciso ancorar toda a nossa segurança no amor de Deus.

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