09/02/2020

THALITA KUM 96


THALITA KUM 96

(Cfr. Lc 8, 49-56)

  
Dentro de alguns dias começará a Quaresma, o período litúrgico de quarenta dias que leva os cristãos a prepararem-se para a festa maior da nossa fé:

O Domingo da Ressurreição.

É um tempo, especialmente dedicado pela Igreja, à exortação dos seus filhos ao arrependimento e penitência.

O arrependimento sincero, que só será possível com o exame sereno e constante, do nosso comportamento, ou seja, um entrar em nós mesmos com a valentia e a determinação de descobrir tudo quanto nos vai no mais íntimo do ser, de pôr a nu, sem falsos pretextos, a verdadeira raiz das nossas vidas.

Sem precipitações nem excessos de zelo, antes com serenidade e constância, iremos examinando em pormenor os nossos comportamentos como homens, como filhos, como pais, como trabalhadores, como membros da sociedade, nas nossas relações com os outros, no seio familiar ou no ambiente em que vivemos e trabalhamos.

Para que este exame seja profícuo é muito útil tomarmos algum propósito concreto de melhoria, um ponto de cada vez, e, desta forma, ao longo da Quaresma, iremos caminhando com segurança para o objectivo geral de melhoria de vida.
Nesta tarefa, o arrependimento irá surgindo inevitavelmente, preparando-nos para dar boa conta deste facto, na Confissão Sacramental com que coroaremos este tempo de reflexão.
Tal como a Igreja aconselha, é muito útil a penitência, sobretudo porque ela ajuda à concretização da vida interior.

Assim como nos dedicaremos ao exame que atrás falava, também diariamente nos deveríamos propor algum pequeno acto de mortificação, que não tem que ser nem violento nem espalhafatoso:

-        Qualquer pequena privação na comida ou na bebida;
-        O cigarro que se deixa de fumar ou que se fuma mais tarde e não logo que apetece;
-        Um esforço por sermos mais afáveis em casa;
-        Dedicarmos alguma atenção extra aos nossos filhos, à nossa mulher;
-        Não evitarmos aquele sujeito "maçador" que nos importuna;
-        Completarmos com perfeição o nosso trabalho de cada dia;
-        A arrumação daquela gaveta que há tanto tempo vimos adiando; enfim... pequenas coisas que, todos sabemos bem, que nos custam.

Desta sucessão de pequenos esforços, pequenos sacrifícios em suma, nascerá uma atitude mais consciente perante os outros e, sobretudo, perante nós próprios.
Ser-nos-á mais fácil, evidenciar as nossas fraquezas e deficiências.
Em concreto, será muito útil para o exame já referido.

Sempre que alguma tarefa mais importante ou definitiva se aproximava, Jesus retirava-se para orar.
Os Evangelistas relatam inúmeras vezes, este facto.

Esta atitude do Mestre é uma indicação clara da necessidade de recolhimento e tranquilidade para um melhor encontro com Deus.
Nesta Quaresma, faremos um esforço para nos aproximarmos mais amiúde do Senhor presente no Sacrário da nossa Igreja.
A alguma hora do dia, havemos de descobrir uns momentos para Lhe fazer uma visita, breve que seja, alguns minutos apenas, mas que serão muito provavelmente o suficiente para nos animar nos propósitos que temos intenção de concretizar nesta Quaresma.
Nestes quarenta dias temos também de encontrar algum tempo diário - 15 minutos, não mais - para lermos uma passagem do Evangelho e algum trecho de leitura espiritual.
Desta forma completaremos uma linha mestra de atitudes de reflexão e de verdadeira união com Deus.
Tudo isto se traduzirá, de forma muito concreta, na nossa atitude e não deixará de influenciar o ambiente em que nos movemos.
Em nossa casa, por exemplo, os nossos filhos mais pequenos, e mesmo os outros, dar-se-ão conta que vivemos um tempo "especial" em que se evidencia uma certa moderação nos costumes: na comida e na bebida, nos divertimentos, (na utilização excessiva da televisão, muito concretamente).

Significa, isto, que vamos viver "conventualmente"?

É evidente que não é disso que se trata.

Somos homens comuns e correntes e não monges ou religiosos de qualquer congregação.
Mas somos cristãos, fiéis da Igreja de Cristo Nosso Senhor e, por isso mesmo, parece justificável que nos comportemos como a Santa Igreja nos aconselha.

De resto, hoje em dia, as limitações, por assim dizer, que a Igreja nos recomenda expressamente para este tempo, resumem-se, diria, apenas ao jejum na Quarta Feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa, e a uma moderação nas refeições nas Sextas-feiras, tudo o resto, é apenas no plano interior, espiritual.
E, se acaso nos assaltarem respeitos humanos - que todos mais ou menos temos - lembremo-nos que somos livres de proceder como muito bem entendermos e que ninguém se pode escandalizar por querermos cumprir os preceitos que a Santa Igreja nos recomenda.

Os Muçulmanos têm aquele longo tempo do Ramadão que crentes e não crentes respeitam e compreendem.

Não parece, portanto, aceitável alguma crítica a um cristão que pretenda viver mais autenticamente o tempo de preparação da sua maior festa.

Somos o que somos... temos de viver de acordo».


(AMA, reflexões).

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