24/12/2019

THALITA KUM 49


THALITA KUM 49

(Cfr. Lc 8, 49-56)



Ne timeas!

Ouvi-te e... deixei-me “ir” murmurando como podia: 'Gratias tibi, Gratias tibi'.» [1]

O medo! O medo paralisa.

O medo revela, sempre, uma atitude de cobardia pessoal. Assumir as consequências das nossas atitudes, dos actos que praticamos é, muitas vezes difícil, nomeadamente quando, por um motivo ou outro, temos a percepção que merecemos crítica ou reparo. Faz parte da vida de todos os dias, a vida corrente de cada um, ter de assumir responsabilidades, grandes ou pequenas, dar respostas, tomar decisões. Fugir ou pretender ignorar, ou, muitas vezes, adiar para uma ocasião que consideremos mais oportuna ou favorável, não resolve nada, bem pelo contrário, talvez agrave e complique, desnecessariamente, a questão.

Quantas vezes nos sentimos ufanos de comentários favoráveis a nosso respeito e nos deixamos invadir por uma confortável sensação de bonomia quando, complacentemente, ouvimos um elogio?
Não pensamos que, o elogio que nos é feito vem de alguém que não nos conhece verdadeiramente, isto é, não imagina sequer os muitos defeitos do nosso carácter?

Então, surge o medo que se venha a saber, que de alguma forma descubram esses defeitos, essas deficiências que conhecemos bem.

Medo da vida… sim… medo da vida, do futuro, do dia de amanhã.

O dia de hoje, este dia concreto em que estamos, é que é importante e tem de ser vivido com plenitude, não descurando nenhuma oportunidade que se nos apresente de fazer algo bom, de emendar algo errado que fizemos ontem, de concretizar aquele plano que tínhamos guardado.
Hoje é o tempo oportuno, a ocasião favorável.
Medo do comprometimento em algo que exija de nós desprendimento, serviço, doação. Daquilo que pode alterar a tranquilidade do nosso viver, o ritmo a que estamos habituados do esquema de vida que fomos construindo ao longo dos anos e onde nos sentimos confortáveis.

Medo de corrigir o que está mal nos outros de, com caridade, mas com desassombro, apontar o erro, o engano.

Medo de “ficar mal” se nos mantivermos firmes nas nossas convicções bem informadas e não transigirmos com o erro – propositado ou fruto da ignorância – que outros divulgam à nossa volta.

Medo de procurar conselho, ajuda quando pensamos que esse conselho, essa ajuda, vem exigir de nós novas atitudes de correcção interior.

Medo, finalmente, de não sermos ouvidos nas nossas preces quando consideramos a nossa total falta de merecimento.

Não revelam, todos estes “medos” falta de coragem, ou seja, cobardia?

(AMA, reflexões sobre o Evangelho, 2006)



[1] AMA, memórias do Hospital, Synesthesia,

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