23/07/2013

Tratado das paixões da alma 90




Questão 40: Da esperança e do desespero.

Art. 7 — Se a esperança é causa do amor.

(Supra, q. 17, a . 4, ad 3, infra, q. 62, a . 4, ad 3, IIª-IIªº, q. 17, a . 8, De Virtut., q. 4, a . 3).



O sétimo discute-se assim. — Parece que a esperança não é causa do amor. 
1. — Pois, segundo Agostinho, o amor é o primeiro dos afectos da alma 1. Ora, a esperança é um desses afectos. Logo, o amor a precede e, portanto, ela não o causa.

2. Demais — O desejo precede a esperança. Ora, ele é causado pelo amor, como já se disse 2. Logo, também a esperança o é e, portanto, não o precede.

3. Demais — A esperança causa o prazer, segundo já se disse 3. Mas, só pode haver prazer no bem-amado. Logo, o amor precede a esperança.

Mas, em contrário, sobre aquilo da Escritura (Mt 1, 2) — Abraão gerou a Isaac, e Isaac gerou a Jacob — diz a Glosa: Isto é, a fé gerou a esperança, a esperança, a caridade. Ora, caridade é amor. Logo, este é causado pela esperança.

A esperança implica relação. Assim, como objecto, respeita o bem esperado. Mas, como este é árduo e possível e, às vezes, não por nossa causa, mas pela de outros, é que alguma coisa se nos torna árdua e possível, a esperança também respeita aquilo que causa essa possibilidade.

Por onde, enquanto a esperança visa o bem esperado, é causada pelo amor, pois, ela não existe senão relativamente ao bem desejado e amado. Enquanto porém a esperança respeita o que nos torna alguma coisa possível, o amor é causado por ela e não inversamente. Pois é por esperarmos alcançar por meio de alguém, certos bens, que somos levados para ele como para o nosso bem, e assim começamos a amá-lo. Mas de quem amamos não esperamos nada senão por acidente, enquanto cremos recebermos também em paga o amor. Por onde, o sermos amados é causa de esperarmos em quem nos ama, mas esse amor é causado pela esperança que nessa pessoa depositamos.

Donde se deduzem claras AS RESPOSTAS ÀS OBJECÇÕES.

Nota: Revisão da tradução portuguesa por ama.
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Notas:
1. XIV De civ. Dei (cap. VII et IX).
2. Q. 24, a. 2.

3. Q. 32, a. 3.

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