Salve Rainha, Mãe de misericórdia, Vida
e doçura, Esperança nossa
Em ti deposito toda a minha
esperança e anseios de santidade.
Não me deixes!
Padroeiros do blog: SÃO PAULO; SÃO TOMÁS DE AQUINO; SÃO FILIPE DE NÉRI; SÃO JOSEMARIA ESCRIVÁ
Salve Rainha, Mãe de misericórdia, Vida
e doçura, Esperança nossa
Em ti deposito toda a minha
esperança e anseios de santidade.
Não me deixes!
Salve
Rainha, Mãe de misericórdia, Vida e doçura
Senhora da minha vida,
doçura mais terna.
Ajuda-me a ser dócil e
dúctil à Vontade do Teu Filho Jesus.
Salve
Rainha, Mãe de misericórdia
Interpela o teu Divino Filho
para que use a Sua Misericórdia infinita para com este filho teu.
Salve Rainha
Eu te saúdo Rainha da minha
vida!
Coroada por Deus como Rainha
dos Céus e da terra!
Como Rainha que de facto és
eu te peço que exerças a tua realeza e me governes com mão carinhosa mas firme!
Dentro do Evangelho
Mt XVIII
Tema 2
Mt XVIII, 21-35
21 Então, aproximando-se d'Ele Pedro, disse:
«Senhor, até quantas vezes poderá pecar meu irmão contra mim, que eu lhe
perdoe? Até sete vezes?». 22 Jesus respondeu-lhe: «Não te digo que
até sete vezes, mas até setenta vezes sete. 23 «Por isso, o Reino
dos Céus é comparável a um rei que quis fazer as contas com os seus servos. 24
Tendo começado a fazer as contas, foi-lhe apresentado um que lhe devia dez mil
talentos. 25 Como não tivesse com que pagar, o seu senhor mandou que
fosse vendido ele, a mulher, os filhos e tudo o que tinha, e se saldasse a
dívida. 26 Porém, o servo, lançando-se-lhe aos pés, suplicou-lhe:
“Tem paciência comigo, eu te pagarei tudo”. 27 E o senhor,
compadecido daquele servo, deixou-o ir livre e perdoou-lhe a dívida. 28
«Mas este servo, tendo saído, encontrou um dos seus companheiros que lhe devia
cem denários e, lançando-lhe a mão, sufocava-o dizendo: “Paga o que me deves”. 29
O companheiro, lançando-se-lhe aos pés, suplicou-lhe: “Tem paciência comigo, eu
te pagarei”. 30 Porém ele recusou e foi mandá-lo meter na prisão,
até pagar a dívida. 31 «Os outros servos seus companheiros, vendo
isto, ficaram muito contristados e foram referir ao seu senhor tudo o que tinha
acontecido. 32 Então o senhor chamou-o e disse-lhe: “Servo mau, eu
perdoei-te a dívida toda, porque me suplicaste. 33 Não devias tu também
compadecer-te do teu companheiro, como eu me compadeci de ti?”. 34 E
o seu senhor, irado, entregou-o aos guardas, até que pagasse toda a dívida. 35
«Assim também vos fará Meu Pai celestial, se cada um não perdoar do íntimo do
seu coração ao seu irmão»
Personagem 2.1
Desta vez vou
“meter-me” neste trecho de São Mateus personificando a figura do Rei. Tenho por
hábito – assim me ensinou o Rei meu Pai – acudir às necessidades dos meus
súbditos e, por vezes, vou algo mais além do que seria aconselhável ou, até,
prudente. Aconteceu exactamente com um homem que, sei, possuía razoáveis meios
de fortuna, mas que por motivos que não averiguei se viu numa situação muito
delicada. Veio à minha presença várias vezes com pedidos de ajuda que nunca lhe
neguei. Concedi-lhe sempre o que me pedia.
Acontece que ontem mesmo, o meu administrador veio ter comigo para me
expor um problema que me deixou… atónito. Começou por dizer-me que o erário
real estava francamente desfalcado e que os empréstimos que vinha fazendo não
poderiam continuar no mesmo ritmo e, sobretudo, montantes, sob pena de correr
risco de forte recessão. Concretamente referiu-me o tal servo de que falava
cuja dívida atingia a enormidade de dez mil talentos! Rapidamente fiz as ”contas”: Dez mil
talentos, uns sessenta milhões de denários! Sendo um denário o salário diário
de um trabalhador… Tive de reconhecer que me excedera e de algum modo não fora
justo para com os outros meus súbditos entregando a um o que poderia ter
repartido por muitos. Mandei chamar o homem e, sem mais, disse-lhe que era
tempo de me devolver o que lhe emprestara. A reacção foi surpreendente:
disse-me pura e simplesmente que não tinha como pagar-me. Perguntei-lhe o que
fizera com tanto dinheiro que lhe emprestara para reconstruir a sua vida, mas…
não me deu resposta. Ao meu ouvido o
administrador dizia-me que este súbdito não era muito boa pessoa, descurava os
seus deveres até para com a família e, tudo isto porque tinha o terrível vício
da avareza. No fim e ao cabo o dinheiro que eu lhe dava graciosamente servia
para empresta-lo a outros cobrando juros elevadíssimos, praticando uma usura
miserável com o que não era de facto seu. Fiquei naturalmente indignado e
lavrei uma sentença que, em suma, decretava que se vendesse quanto tinha, se
apreendessem todos os seus bens, se necessário vendessem a mulher e os filhos
até reunir a quantia em dívida. Mas o desgraçado – não posso chamar-lhe outra
coisa – lavado em lágrimas e gemendo pediu-me encarecidamente que lhe desse um
pouco mais de tempo, que conseguiria resolver a sua vida e reunir o necessário
para satisfazer a dívida. Tive pena do pobre homem, é verdade! Senti uma enorme
pena de uma pessoa que, não obstante a sua má conduta, talvez merecesse que lhe
concedesse o que me pedia. Mas eu tinha bem a noção da enormidade da dívida e
que nunca lhe seria possível devolver-me o que lhe emprestara. Assim, para
acabar com o assunto e na esperança que realmente se corrigisse, perdoei-lhe
toda a dívida e mandei-o embora em paz. Confesso que fiquei muito contente com
a minha decisão, afinal de que me serve ser Rei se não posso fazer o que quero
com o que é meu?
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sugeridos:
Evangelho/Biblia
Santa Sé
Dentro
do Evangelho
Lc X, 25-37
O bom samaritano
25 Levantou-se,
então, um doutor da Lei e perguntou-lhe, para o experimentar: «Mestre, que
hei-de fazer para possuir a vida eterna?» 26 Disse-lhe Jesus: «Que está escrito
na Lei? Como lês?» 27 O outro respondeu: «Amarás ao Senhor, teu Deus, com todo
o teu coração, com toda a tua alma, com todas as tuas forças e com todo o teu
entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo.» 28 Disse-lhe Jesus:
«Respondeste bem; faz isso e viverás.» 29 Mas ele, querendo justificar a
pergunta feita, disse a Jesus: «E quem é o meu próximo?» 30 Tomando a palavra,
Jesus respondeu: «Certo homem descia de Jerusalém para Jericó e caiu nas mãos
dos salteadores que, depois de o despojarem e encherem de pancadas, o
abandonaram, deixando-o meio morto. 31 Por coincidência, descia por aquele
caminho um sacerdote que, ao vê-lo, passou ao largo. 32 Do mesmo modo, também
um levita passou por aquele lugar e, ao vê-lo, passou adiante. 33 Mas um
samaritano, que ia de viagem, chegou ao pé dele e, vendo-o, encheu-se de
compaixão. 34 Aproximou-se, ligou-lhe as feridas, deitando nelas azeite e
vinho, colocou-o sobre a sua própria montada, levou-o para uma estalagem e
cuidou dele. 35 No dia seguinte, tirando dois denários, deu-os ao
estalajadeiro, dizendo: ‘Trata bem dele e, o que gastares a mais, pagar-to-ei
quando voltar.’ 36 Qual destes três te parece ter sido o próximo daquele homem
que caiu nas mãos dos salteadores?» 37 Respondeu: «O que usou de misericórdia
para com ele.» Jesus retorquiu: «Vai e faz tu também o mesmo.»
A vítima dos ladrões
Sou um judeu natural
de Jerusalém, mas, no exercício da minha actividade desloco-me a várias
povoações de Israel, nomeadamente Jericó. O que faço? Bem… sou um cobrador de
impostos, o que chamam depreciativamente: um Publicano. Não tenho muitos amigos…
na verdade… não tenho sequer alguém a quem possa chamar: AMIGO! A princípio
incomodava-me muito a forma suspeitosa e, até, o desprezo com que me tratam e,
tenho de reconhecer, que um cobrador de impostos – sobretudo quando os impostos
são cobrados em nome do invasor da nossa Pátria – não pode esperar outra coisa
dos seus conterrâneos. Mas… é a minha vida… que hei-de eu fazer! Acordei hoje
manhã, já um pouco tarde, numa estalagem. Levei algum tempo a lembrar-me de
quanto acontecera na véspera. Como que em cenas pouco nítidas vi-me no caminho
de Jericó para Jerusalém com os alforges da minha montada, carregados com o
produto da cobrança. Sou assaltado por uns meliantes – três, parece-me – e
tentai defender-me como pude, só que eles não me deram tréguas e, talvez por se
aperceberem quem eu era, atacaram-me com tal violência que fiquei prostrado no
caminho. Não sei quanto tempo ali fiquei inconsciente e cheio de dores dos
golpes sofridos. Lembro-me vagamente de alguém que se aproximou de mim e me
prestou assistência, tratou como pode as minhas numerosas feridas deitando-lhes
azeite e vinho. Nisto, o estalajadeiro
aparece no meu quarto e pergunta-me como me sinto. Fico a olhar para ele. Como
se percebesse da minha confusão conta-me o que aconteceu, como tinha chegado na
noite anterior trazido por um Samaritano – o mesmo que me encontrara prostrado
no caminho – que tratara de mim e me instalara na cama. Tinha partido há pouco
mas dissera que voltaria passados dois dias. Na minha surpresa, perguntei: ‘Mas
tens a certeza que era um Samaritano?’ Compreendo a tua surpresa pois, na
verdade, também eu fiquei atónito. Disse-lhe: ‘Eu sou um Publicano e fui
roubado e espoliado de quanto trazia, não sei como vou pagar-te a minha
estadia.’ Não te preocupes com isso – responde-me – o teu “salvador” deixou-me
dinheiro para cuidar de ti e até me disse que se o que me deixou não fosse
suficiente no seu regresso me pagaria o que faltasse.’ Quando o estalajadeiro
saiu do meu quarto não pude deixar de pensar no estranho e insólito e toda a
situação. Como era possível? Um Samaritano e um Judeu, ainda por cima,
Publicano? Na minha vida tenho cometido alguns – talvez bastantes – erros.
Sobretudo abusos nas cobranças aproveitando-me das circunstâncias para guardar
para mim uma boa parte. Isto nunca me incomodou… afinal é o que fazem todos os
Publicanos! Bem sei que há pouco tempo atrás, um colega, nos surpreendera a
todos quando resolvera abandonar a profissão que exercia precisamente em Jericó
e devolver aos lesados o quádruplo do que se apropriara e, como se não
bastasse, oferecera aos pobres metade do que possuía. Aliás circulava uma
história sobre um encontro com um tal Jesus da Galileia a quem oferecera um
banquete depois do que passou a fazer parte do grupo dos que o seguiam por todo
o lado. Mas, confesso, não dei muita importância ao assunto. Agora, porém,
parece que um incómodo estranho está a revirar-me as entranhas e começo a
pensar que logo que possível tenho de encontrar-me com ele para que me conte
quanto aconteceu. Conheço-o bem e, se ele, tomou tais decisões é porque algo
muito especial aconteceu e, conhecendo-o como conheço, só posso concluir que
terá escolhido uma vida muitíssimo melhor que a que tinha antes. Estando assim
decidido, parece que as dores no meu corpo abrandaram e voltei a adormecer.
Dentro
do Evangelho
Lc X, 25-37
O bom samaritano
25 Levantou-se,
então, um doutor da Lei e perguntou-lhe, para o experimentar: «Mestre, que
hei-de fazer para possuir a vida eterna?» 26 Disse-lhe Jesus: «Que está escrito
na Lei? Como lês?» 27 O outro respondeu: «Amarás ao Senhor, teu Deus, com todo
o teu coração, com toda a tua alma, com todas as tuas forças e com todo o teu
entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo.» 28 Disse-lhe Jesus:
«Respondeste bem; faz isso e viverás.» 29 Mas ele, querendo justificar a
pergunta feita, disse a Jesus: «E quem é o meu próximo?» 30 Tomando a palavra,
Jesus respondeu: «Certo homem descia de Jerusalém para Jericó e caiu nas mãos
dos salteadores que, depois de o despojarem e encherem de pancadas, o
abandonaram, deixando-o meio morto. 31 Por coincidência, descia por aquele
caminho um sacerdote que, ao vê-lo, passou ao largo. 32 Do mesmo modo, também
um levita passou por aquele lugar e, ao vê-lo, passou adiante. 33 Mas um
samaritano, que ia de viagem, chegou ao pé dele e, vendo-o, encheu-se de
compaixão. 34 Aproximou-se, ligou-lhe as feridas, deitando nelas azeite e
vinho, colocou-o sobre a sua própria montada, levou-o para uma estalagem e
cuidou dele. 35 No dia seguinte, tirando dois denários, deu-os ao
estalajadeiro, dizendo: ‘Trata bem dele e, o que gastares a mais, pagar-to-ei
quando voltar.’ 36 Qual destes três te parece ter sido o próximo daquele homem
que caiu nas mãos dos salteadores?» 37 Respondeu: «O que usou de misericórdia
para com ele.» Jesus retorquiu: «Vai e faz tu também o mesmo.»
A vítima dos ladrões
Sou um judeu natural
de Jerusalém, mas, no exercício da minha actividade desloco-me a várias
povoações de Israel, nomeadamente Jericó. O que faço? Bem… sou um cobrador de
impostos, o que chamam depreciativamente: um Publicano. Não tenho muitos amigos…
na verdade… não tenho sequer alguém a quem possa chamar: AMIGO! A princípio
incomodava-me muito a forma suspeitosa e, até, o desprezo com que me tratam e,
tenho de reconhecer, que um cobrador de impostos – sobretudo quando os impostos
são cobrados em nome do invasor da nossa Pátria – não pode esperar outra coisa
dos seus conterrâneos. Mas… é a minha vida… que hei-de eu fazer! Acordei hoje
manhã, já um pouco tarde, numa estalagem. Levei algum tempo a lembrar-me de
quanto acontecera na véspera. Como que em cenas pouco nítidas vi-me no caminho
de Jericó para Jerusalém com os alforges da minha montada, carregados com o
produto da cobrança. Sou assaltado por uns meliantes – três, parece-me – e
tentai defender-me como pude, só que eles não me deram tréguas e, talvez por se
aperceberem quem eu era, atacaram-me com tal violência que fiquei prostrado no
caminho. Não sei quanto tempo ali fiquei inconsciente e cheio de dores dos
golpes sofridos. Lembro-me vagamente de alguém que se aproximou de mim e me
prestou assistência, tratou como pode as minhas numerosas feridas deitando-lhes
azeite e vinho. Nisto, o estalajadeiro
aparece no meu quarto e pergunta-me como me sinto. Fico a olhar para ele. Como
se percebesse da minha confusão conta-me o que aconteceu, como tinha chegado na
noite anterior trazido por um Samaritano – o mesmo que me encontrara prostrado
no caminho – que tratara de mim e me instalara na cama. Tinha partido há pouco
mas dissera que voltaria passados dois dias. Na minha surpresa, perguntei: ‘Mas
tens a certeza que era um Samaritano?’ Compreendo a tua surpresa pois, na
verdade, também eu fiquei atónito. Disse-lhe: ‘Eu sou um Publicano e fui
roubado e espoliado de quanto trazia, não sei como vou pagar-te a minha
estadia.’ Não te preocupes com isso – responde-me – o teu “salvador” deixou-me
dinheiro para cuidar de ti e até me disse que se o que me deixou não fosse
suficiente no seu regresso me pagaria o que faltasse.’ Quando o estalajadeiro
saiu do meu quarto não pude deixar de pensar no estranho e insólito e toda a
situação. Como era possível? Um Samaritano e um Judeu, ainda por cima,
Publicano? Na minha vida tenho cometido alguns – talvez bastantes – erros.
Sobretudo abusos nas cobranças aproveitando-me das circunstâncias para guardar
para mim uma boa parte. Isto nunca me incomodou… afinal é o que fazem todos os
Publicanos! Bem sei que há pouco tempo atrás, um colega, nos surpreendera a
todos quando resolvera abandonar a profissão que exercia precisamente em Jericó
e devolver aos lesados o quádruplo do que se apropriara e, como se não
bastasse, oferecera aos pobres metade do que possuía. Aliás circulava uma
história sobre um encontro com um tal Jesus da Galileia a quem oferecera um
banquete depois do que passou a fazer parte do grupo dos que o seguiam por todo
o lado. Mas, confesso, não dei muita importância ao assunto. Agora, porém,
parece que um incómodo estranho está a revirar-me as entranhas e começo a
pensar que logo que possível tenho de encontrar-me com ele para que me conte
quanto aconteceu. Conheço-o bem e, se ele, tomou tais decisões é porque algo
muito especial aconteceu e, conhecendo-o como conheço, só posso concluir que
terá escolhido uma vida muitíssimo melhor que a que tinha antes. Estando assim
decidido, parece que as dores no meu corpo abrandaram e voltei a adormecer.
Dentro
do Evangelho
O bom
samaritano
25 Levantou-se, então, um doutor da Lei e perguntou-lhe,
para o experimentar: «Mestre, que hei-de fazer para possuir a vida eterna?» 26
Disse-lhe Jesus: «Que está escrito na Lei? Como lês?» 27 O outro respondeu:
«Amarás ao Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma, com
todas as tuas forças e com todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti
mesmo.» 28 Disse-lhe Jesus: «Respondeste bem; faz isso e viverás.» 29 Mas ele,
querendo justificar a pergunta feita, disse a Jesus: «E quem é o meu próximo?»
30 Tomando a palavra, Jesus respondeu: «Certo homem descia de Jerusalém para
Jericó e caiu nas mãos dos salteadores que, depois de o despojarem e encherem
de pancadas, o abandonaram, deixando-o meio morto. 31 Por coincidência, descia
por aquele caminho um sacerdote que, ao vê-lo, passou ao largo. 32 Do mesmo
modo, também um levita passou por aquele lugar e, ao vê-lo, passou adiante. 33
Mas um samaritano, que ia de viagem, chegou ao pé dele e, vendo-o, encheu-se de
compaixão. 34 Aproximou-se, ligou-lhe as feridas, deitando nelas azeite e
vinho, colocou-o sobre a sua própria montada, levou-o para uma estalagem e
cuidou dele. 35 No dia seguinte, tirando dois denários, deu-os ao
estalajadeiro, dizendo: ‘Trata bem dele e, o que gastares a mais, pagar-to-ei
quando voltar.’ 36 Qual destes três te parece ter sido o próximo daquele homem
que caiu nas mãos dos salteadores?» 37 Respondeu: «O que usou de misericórdia
para com ele.» Jesus retorquiu: «Vai e faz tu também o mesmo.»
Personagem 1.3
O Chefe dos
assaltantes.
Toda a minha vida tem sido a de um autêntico marginal,
dedicando-me a roubar quanto me aparece a jeito. A princípio, teria talvez
escassos dezoito anos, juntava-me a outros rapazes da minha idade, marginais
como eu, e assim levava-mos uma vida de sobressaltos sempre em fuga das
autoridades e, muitas vezes, alguns dos que assaltávamos reagiam e as coisas
corriam mal, para o nosso lado, já se vê.
Um dia as coisas mudaram bastante porque veio ter
connosco um sujeito bastante mais velho que nós e que – para encurtar – nos
reuniu num bando passando a agir sob as suas ordens e instruções. O homem era
de facto um autêntico facínora que não hesitava em empregar violência para
atingir os seus fins. Chamava-se Barrabás! Dizia ele que, como Zelote que era,
o seu principal alvo era provocar o invasor romano de modo a mantê-lo ocupado
em acções de polícia, desviando-o de outras acções mais aparatosas com que
tentavam manter a férrea disciplina que impunham ao povo. Dividiu-nos em grupos
de três e quatro e, a cada grupo, dava instruções sobre o que fazer e onde. O
meu grupo – eu e mais três – tinha sido “destacado” para a via que descia de
Jericó para Jerusalém que, segundo ele, tinha numerosos viandantes a maioria
dos quais eram gente que comerciava, logo, trazendo consigo ou bens ou o
dinheiro produto da sua venda. E, realmente, a nossa actividade produzia bons
resultados e Barrabás estava muito satisfeito connosco pois arrecadava a maior
parte dos “proventos” da nossa actividade.
Hoje, porém, as coisas não correram muito bem, ou antes,
correram muito mal. Do nosso esconderijo avistámos um homem sozinho que que
conduzia um jumento ajoujado de mercadoria. Todo o seu aspecto e a forma como
trajava indicavam que seria um homem de posses. Não se avistando mais ninguém
por perto, resolvemos assaltá-lo e, foi aqui, que tudo se complicou. O homem
era bastante robusto e ofereceu uma resistência feroz e determinada a não se
deixar roubar. Um dos meus companheiros recebeu vários golpes que o deixaram
práticamente inanimado e outro recebeu um profundo corte provocado pela adaga
que o homem esgrimia com destreza. Não estive com contemplações e com um bastão
de ferro agredi o sujeito prostrando-o no chão poeirento. Depois… movido pela
raiva dei-lhe pontapés, murros, eu sei lá… arranquei-lhe os vestidos deixando-o
em farrapos e pondo o meu companheiro em cima do jumento fugimos para o nosso
esconderijo para tentar recuperar dos ferimentos recebidos e deitar contas ao
espólio arrecadado. Os outros dois, amparando-se mutuamente, puseram-se a
caminho de Jerusalém para procurar tratamento para as suas feridas, eu, fiquei
ali escondido remoendo a minha raiva pelo que acontecera. Deixara-me dominar pela
ira ao atacar de forma tão desumana o desgraçado que nos caíra nas mãos. Ora um
chefe, um verdadeiro chefe, não pode deixar que os seus sentimentos extravasem
colocando-se fora de controlo, É fundamental manter a calma em qualquer
situação para se impor aos que têm de ver nele capacidade e aptidão para
chefiar e comandar.Ouvi um ruido de cavalgadura e avistei um homem que se
aproximava. Já era o terceiro desde que decorrera o assalto. Antes tinham
aparecido um sacerdote e um levita que mal olharam para o desgraçado que jazia
na vera do caminho, antes estugaram o passo seguindo viajem. Porém, este, deteve-se e debruçou-se sobre a
vítima, voltando-o de costas, retirou o manto e pôs-lho debaixo da cabeça.
Depois dirigiu-se à sua montada e dos alforges retirou um pequeno odre com
vinho e uma garrafa com azeite. Com grande cuidado e destreza foi destapando as
numerosas feridas e contusões deitando-lhes azeite e vinho e cobrindo-as com
pequenos pedaços de pano que rasgava de um lençol. O pobre ferido começou a
falar e embora eu não pudesse ouvir o que diziam percebi que mostrava gratidão
e reconhecimento. Depois e a muito custo conseguiu colocá-lo sobre a sua
cavalgadura e afastaram-se por outro caminho.
Dentro
do Evangelho
(Re
O bom samaritano
25 Levantou-se, então, um doutor da Lei e perguntou-lhe,
para o experimentar: «Mestre, que hei-de fazer para possuir a vida eterna?» 26
Disse-lhe Jesus: «Que está escrito na Lei? Como lês?» 27 O outro respondeu:
«Amarás ao Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma, com
todas as tuas forças e com todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti
mesmo.» 28 Disse-lhe Jesus: «Respondeste bem; faz isso e viverás.» 29 Mas ele,
querendo justificar a pergunta feita, disse a Jesus: «E quem é o meu próximo?»
30 Tomando a palavra, Jesus respondeu: «Certo homem descia de Jerusalém para
Jericó e caiu nas mãos dos salteadores que, depois de o despojarem e encherem
de pancadas, o abandonaram, deixando-o meio morto. 31 Por coincidência, descia
por aquele caminho um sacerdote que, ao vê-lo, passou ao largo. 32 Do mesmo
modo, também um levita passou por aquele lugar e, ao vê-lo, passou adiante. 33
Mas um samaritano, que ia de viagem, chegou ao pé dele e, vendo-o, encheu-se de
compaixão. 34 Aproximou-se, ligou-lhe as feridas, deitando nelas azeite e
vinho, colocou-o sobre a sua própria montada, levou-o para uma estalagem e
cuidou dele. 35 No dia seguinte, tirando dois denários, deu-os ao
estalajadeiro, dizendo: ‘Trata bem dele e, o que gastares a mais, pagar-to-ei
quando voltar.’ 36 Qual destes três te parece ter sido o próximo daquele homem
que caiu nas mãos dos salteadores?» 37 Respondeu: «O que usou de misericórdia
para com ele.» Jesus retorquiu: «Vai e faz tu também o mesmo.»
Personagem 1.2
O Samaritano
Sou um samaritano e o que hoje aconteceu comigo, tem a
sua raiz há tempos atrás.
Vivia com a minha família em Sicar.
A minha vida corria bem, os negócios prosperavam, embora
tivesse que deslocar-me com frequência a Jericó o que era assaz perigoso dada a
frequência dos assaltos e atropelos praticados pelos mal feitores que
infestavam o caminho.
Um dia, sem aviso, comecei a notar sinais alarmantes no
meu corpo e, depois de observado pelo médico as suspeitas confirmaram-se:
estava a ser “atacado” pelo terrível flagelo da lepra. Como se calcula, toda a
minha vida se transformou, não ousava sair de casa e evitava qualquer contacto
com outras pessoas sempre à espera que a minha doença fosse conhecida pelas
autoridades que me obrigariam a um exílio e imporiam uma segregação social
extrema.
Um dia, porém, não pude deixar de assomar a uma janela de
minha casa para verificar a que se devia o burburinho e agitação que percorria
toda a aldeia. Uma mulher, no meio do povo que a rodeava cada vez em maior
número contava entre lágrimas e risos, numa excitação quase frenética, algo
espantoso. Dizia ela que tendo ido buscar água ao poço de Jacob encontrara um
judeu sentado na borda do poço que, sem mais, lhe pediu de beber. Na sua
surpresa argumentara: «Como, sendo Tu
judeu, me pedes de beber a mim, que sou samaritana?» Mas, continuava, a
resposta foi ainda mais surpreendente de tal forma que regressara a correr à
aldeia a dar conta do sucedido e acrescentava: «Vinde ver um homem que me disse tudo o que eu fiz; será este,
porventura, o Cristo?». Muitos ficaram excitados e correram atrás da mulher
em direcção ao poço, outros continuaram discutindo entre si tão insólita
novidade. Eu recolhi-me de novo dentro de casa sem saber o que pensar mas,
dentro de mim algo me dizia que este assunto não acabaria ali.
A doença avançava com rapidez e, tal como temia, as
autoridades vieram, forçaram-me a sair de casa e ir para uma furna onde mal
viviam outros dez homens com o mesmo mal. Desesperava… as condições de vida
eram insuportáveis, ninguém ousava aproximar-se de nós e os escassos alimentos
eram atirados do alto da ravina como se fossemos animais perigosos. Um dia,
passado algum tempo, ouviam-se gritos e agitação no caminho que passava perto
do local onde nos encontrávamos e, um de nós, arriscou-se a subir ao parapeito
a dar-se conta do que acontecia. Regressou e, ofegante, disse-nos que o tal
homem de que a mulher falara vinha pelo caminho seguido por uma multidão de
gente que o apertava e assediava com perguntas. Tomámos uma decisão e, os dez,
subimos ao caminho e gritámos de longe: «Jesus,
Mestre, tem compaixão de nós!» Ele viu-nos e disse-nos: «Ide, mostrai-vos aos sacerdotes» Não pensámos mais e pusemo-nos
imediatamente a caminho. Dei-me conta então que o meu corpo coberto de chagas
estava limpo, a pele sã e – espantoso! – não havia qualquer sinal de lepra!
Parei de repente e, enquanto os outros continuavam a caminhar, voltei para trás
quase gritando incontrolavelmente graças ao Senhor Deus Todo Poderoso que
operara em mim tal maravilha. Rompendo pelo meio dos que o rodeavam e
prostrei-me a seus pés continuando a dar graças. E foi então que a minha vida
se modificou radicalmente porque, o Mestre, disse-me simplesmente: «Levanta-te, vai; a tua fé te salvou». Sempre que tinha uma
oportunidade ocorria ao local onde me diziam que Ele estava a pregar, a
ensinar, a anunciar que o Reino de Deus estava próximo e que todos –
absolutamente todos – os homens devemos amar-nos uns aos outros. A normalidade
tinha regressado à minha vida e retomando os meus negócios recomecei as minhas
viagens a Jericó. E, hoje, o que
aconteceu – o que me aconteceu – ao ver um pobre desgraçado estendido no chão,
maltratado e ferido por salteadores foi aproximar-me dele e prestar-lhe o
auxílio que estava nas minhas mãos prestar-lhe. Agora, descansa na estalagem
para onde o levei e, eu, já deitado, sinto-me tão bem comigo próprio, tão –
porque não admiti-lo - orgulhoso com o meu comportamento que não posso deixar
de pensar no Nazareno que me deu tão preciosa lição de vida que resumirei
assim: “Faz aos outros o que desejas que te façam a ti”.
Dentro
do Evangelho
(Re Lc X, 25 – 37)
O bom
samaritano
25 Levantou-se,
então, um doutor da Lei e perguntou-lhe, para o experimentar: «Mestre, que
hei-de fazer para possuir a vida eterna?» 26 Disse-lhe Jesus: «Que está escrito
na Lei? Como lês?» 27 O outro respondeu: «Amarás ao Senhor, teu Deus, com todo
o teu coração, com toda a tua alma, com todas as tuas forças e com todo o teu
entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo.» 28 Disse-lhe Jesus:
«Respondeste bem; faz isso e viverás.» 29 Mas ele, querendo justificar a
pergunta feita, disse a Jesus: «E quem é o meu próximo?» 30 Tomando a palavra,
Jesus respondeu: «Certo homem descia de Jerusalém para Jericó e caiu nas mãos
dos salteadores que, depois de o despojarem e encherem de pancadas, o
abandonaram, deixando-o meio morto. 31 Por coincidência, descia por aquele
caminho um sacerdote que, ao vê-lo, passou ao largo. 32 Do mesmo modo, também
um levita passou por aquele lugar e, ao vê-lo, passou adiante. 33 Mas um
samaritano, que ia de viagem, chegou ao pé dele e, vendo-o, encheu-se de
compaixão. 34 Aproximou-se, ligou-lhe as feridas, deitando nelas azeite e
vinho, colocou-o sobre a sua própria montada, levou-o para uma estalagem e
cuidou dele. 35 No dia seguinte, tirando dois denários, deu-os ao
estalajadeiro, dizendo: ‘Trata bem dele e, o que gastares a mais, pagar-to-ei
quando voltar.’ 36 Qual destes três te parece ter sido o próximo daquele homem
que caiu nas mãos dos salteadores?» 37 Respondeu: «O que
usou de misericórdia para com ele.» Jesus retorquiu: «Vai e faz tu também o
mesmo.»
O Estalajadeiro.
Talvez possa parecer estranho ter escolhido este “papel”
que, obviamente, parece não ser “central” na parábola. Mas, eu, que nada sei
nem de parábolas nem de personagens, muito menos me sinto capaz de lhes
atribuir mérito ou demérito, ou grau de importância que possam ter, apaixono-me
por este.
Imagino-me à porta do meu estabelecimento onde recebo
hóspedes, normalmente viajantes que percorrem os caminhos poeirentos e agrestes
da Palestina e que procuram um lugar onde tomar uma refeição, descansar um
pouco ou passar a noite com um mínimo de conforto. Estando ali, no meu posto de
trabalho, deparo-me com uma cena estranha: Um homem que se aproxima a pé,
conduzindo a sua cavalgadura pela arreata e mal se mantendo direito em cima
desta, um outro homem com os vestidos em farrapos, cheio de feridas vendadas
com panos embebidos em azeite e vinho num estado lastimoso. Apresso-me a ir ao
seu encontro e tenho logo uma primeira reacção de enorme dúvida: quem conduz o
ferido é um Samaritano!
O que faz um Samaritano dirigir-se ao meu
estabelecimento? Sim, eu, que sou judeu, não “morro de amores” pelos
samaritanos que, aliás, me pagam na mesma moeda. Um antagonismo ancestral – que
ninguém sabe exactamente quando começou e porquê – divide os filhos de Israel:
Samaritanos e Judeus. Mas, surpreendentemente, o Samaritano aproxima-se de mim
e diz-me: ‘Encontrei este teu irmão estendido na vera do caminho porque «caiu nas mãos dos ladrões, que o
despojaram, o espancaram e retiraram-se, deixando-o meio morto» (Cfr.
Lc 10, 30).
Tentei prestar-lhe o auxílio possível ligando-lhe «as feridas, deitando nelas azeite e vinho», mas não podia deixá-lo ali naquele estado por isso pu-lo
sobre o meu jumento e trouxe-o até esta estalagem para melhor cuidar dele. (Cfr. Lc 10, 34) Ajuda-me a levá-lo
para dentro e encontra uma acomodação confortável onde o possamos fazer’.
Fiquei atónito, sem palavras e levei algum tempo a reagir. Como que por encanto
desvaneceram-se as minhas dúvidas e pruridos e ajudei a transportar o ferido para
a melhor habitação de que dispunha. Deitámos o homem numa cama, despimos-lhe os
farrapos, arranjei uma túnica lavada que lhe vestimos e, enquanto o Samaritano
observava de novo as feridas renovando as ligaduras e unguentos fui à cozinha
buscar um caldo de sopa que a custo conseguiu engolir. Tendo caído num sono
profundo, deixámo-lo a descansar e retiramo-nos; o samaritano para uma
acomodação na parte superior da casa, eu para o meu posto à entrada da
estalagem. A noite ia adiantada e como não era de prever aparecessem novos
hóspedes, também fui deitar-me. Mas não conseguia conciliar o sono pensando em
tudo quanto acontecera e algo apreensivo quanto ao dia seguinte.
Logo pela manhã o samaritano preparou-se para seguir
viagem mas, antes que eu pudesse perguntar o que fosse, abriu a sua bolsa, «tirou dois denários, e deu-mos dizendo:
Cuida dele; quanto gastares a mais, eu to pagarei quando voltar.» (Lc
X, 35) Ainda hoje, passado tanto tempo, me admiro com a minha atitude!
Nem por um momento me ocorreu que o Samaritano não faria exactamente como me
disse e que não ficaria por receber o que viesse a gastar com o pobre coitado
agora a meu cargo. Sim, eu que sou judeu e tenho um negócio, não posso dar-me
ao luxo de receber hóspedes sem ter a certeza que serei ressarcido das despesas
de estadia tanto mais que estas seriam bastante fora do “normal”: os
tratamentos, ligaduras, unguentos e outros cuidados que seriam necessários.
Volto a repetir: Ainda hoje, passado tanto tempo, me admiro com a minha
atitude!
Pela noitinha o doente estava visivelmente melhor e
começou por perguntar-me como tinha ido ali parar, o que acontecera… Contei-lhe
tudo, claro, e o seu espanto foi tão grande como tinha sido o meu no dia
anterior quando o estranho “cortejo” aparecera à minha porta. Não se lembrava
de nada, tão súbita e violenta tinha sido a acção dos salteadores, nem sequer
quanto tempo estivera prostrado por terra. Mas achava estranho que ninguém o
tivesse visto naquela situação, já que o caminho onde tudo acontecera era muito
concorrido.
Eu também – pensando melhor – achei estranho, mas como
estou habituado à indiferença das pessoas perante as necessidades dos outros
não me custava acreditar que alguns o terão visto e ao dar-se conta da situação
tivessem optado por seguir adiante livrando-se de “trabalhos” e incómodos. De
facto há tanta gente que vai pelos caminhos da vida tão cheios de si próprios,
absorvidos com os seus assuntos que olhando não vêm e, se acaso vêm, ficam
indiferentes ao que, pensam, não lhes diz respeito.
Tomei uma decisão: A partir de agora a porta da minha
estalagem estará sempre aberta a quem tiver necessidade de entrar, não a
fecharei a ninguém por motivos de raça, cor da pele ou religião e
independentemente de possuírem meios ou recursos para cobrir as despesas que
porventura façam. Esta decisão
consola-me muito porque penso que, um dia, pode acontecer-me o mesmo que ao
pobre homem assaltado e espancado pelos salteadores e, então precisarei de
alguém – um Samaritano… talvez… – que se condoa de mim e me preste assistência.
Dentro
do Evangelho
(Re Mc XV, 20)
15 E disse-lhes: «Ide por todo o mundo, e pregai o Evangelho a toda a
criatura. 16 Quem crer e for baptizado, será salvo; mas quem não
crer, será condenado. 17 Eis os milagres que acompanharão os que
crerem: Expulsarão os demónios em Meu nome, falarão novas línguas, 18
pegarão em serpentes e, se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará mal;
imporão as mãos sobre os doentes, e serão curados». 19 O Senhor,
depois de assim lhes ter falado, elevou-Se ao céu e foi sentar-Se à direita do
Pai. 20 Eles, tendo partido, pregaram por toda a parte, cooperando
com eles o Senhor e confirmando a palavra com os milagres que a acompanhavam.
Comentários:
O evangelista é parco nas
palavras. Realmente, São Marcos - que escreve o que ouviu da boca de Pedro
- não foi testemunha directa dos
acontecimentos após a Ressurreição do Senhor e, portanto, toda a emoção e
choque de sentimentos que outros deixam entrever não está presente no que escreve. Mas,
o deveras importante é reter as instruções e mandatos do Mestre, o que deseja
que façam e como. É isso que deve interessar aos Seus seguidores que somos
todos nós os baptizados.
Acreditar
em Jesus Cristo tem sempre um prémio e quem for baptizado terá um prémio ainda
maior. Ao contrário de nós, humanos, que tentamos muitas vezes Deus com as
chamadas “promessas” - se me fizeres isto eu faço aquilo – Jesus é muito claro
e objectivo: Os simples factos de acreditar e ser baptizado trazem consigo
benefícios incalculáveis e para sempre. Sobretudo, naqueles primeiros tempos,
os privilégios prometidos seriam de extraordinário valor para a missão que esperava
os convertidos ao Reino de Deus.
Não é possível acreditar na
Ressurreição de Cristo sem a luz da Fé. Quanto mais intensa for essa luz melhor
interiorizarmos esse acontecimento que constitui a base o fundamento da nossa
santa religião. Peçamos ao Espírito Santo, Senhor que dá a Luz, que a derrame
sobre nós.
São Marcos
São Marcos foste discípulo de .Jesus. Eras muito jovem por isso ficou bem gravada em ti a figura inconfundível do Mestre. Nunca terás esquecido a cena de Getzemani onde deixaste nas mãos dos captores o lençol que te cobria e fugiste nu. Que eu retenha esta lição que para fugir do inimigo, da tentação, não convém muita roupagem mas, sim, o desprendimento total dos bens, das coisas, tudo por onde possa ser "agarrado".
«Ide e ensinai o Evangelho a todas as gentes». Senhor, que eu tenha presente este mandato que estabeleces-Te como "obrigação" e dever de todos os baptizados no Teu Nome. Que eu saiba sempre, com ânimo, dedicação e entrega, fazer o que me compete, obedecendo às instruções que me são dadas, sempre consciente que é em Teu Nome e não por mim, que o devo fazer.
De facto o Evangelho que São Marcos escreveu poderia chamar-se o Evangelho de São Pedro.
Sim... foi ele quem ditou ao Evangelista o que deveria escrever porque é absolutamente claro que há detalhes, descrições, actos e palavras de Jesus que só ele poderia conhecer. Tem um especia empenho em que o escritor mencione sem disfarces as suas misérias pessoais, as suas negações de Cristo, como ficou aquém do que Ele tinha todo o direito de esperar que fizesse.
Sim... o Evangelho de São Pedro porque nele se revela a verdadeira grandeza do PRÍNCIPE dos Apóstolos, a sua profunda humildade levou-o a guiar a Santa Igreja com mão segura e fé inabalável em que Jesus Cristo, seu Mestre e Senhor, se o queria como instrumento lhe daria o que pudesse faltar-lhe para levar a cabo a Missão que lhe dera; «Apascenta o meu rebanho».