03/04/2023

Publicações Quaresma Semana Santa Segunda feira 3

 


 

Dentro do Evangelho

 

(Re Jo XIII …)

 

Hoje considero as palavras com que São João descreve a Última Ceia de Páscoa que Jesus comeu com os Seus mais próximos para me deter nas que descrevem Jesus a lavar dos pés dos discípulos.

Lavar os pés era uma tarefa destinada ao mais humilde dos servos e, Jesus, ao fazer tal humilha-se voluntáriamente aprestar esse serviço.

Pedro rebela-se contra esta atitude e rejeita-a mas, as palavras de Jesus faz com que reconsidere e Lhe peça que o faça.

Eu, que me considero uma pessoa importante, de relevo, sou capaz de prestar estes serviços a outros?

Considero que em lugar de “rebaixar-me” dou um exemplo de solidariedade, de humilde serviço?

Também como Pedro eu desejo que o Senhor me lave os pés, a cabeça, todo o meu corpo para que limpo possa tomar parte com Ele na Ventura Eterna.

Imagino-me sentado num lugar alto a observar tudo à minha volta. Principalmente a observar-me a mim.

Estou curioso e, ao mesmo tempo, expectante.

Será que olham para mim?

Reparam que eu estou ali?

Alguém está pendente do que eu possa dizer?

Convidaram-me porque gostam de mim?

E, envergonhado, avalio esta tremenda postura de orgulho que me irrita e faz mal.

Quero, desejo com todas as minhas forças ser simples, amável, simpático e agradecido.

Dizes-me: Meu filho, sê sério, porta-te bem, convence-te que as pessoas gostam de ti, que não querem que sejas outra coisa que aquilo que realmente és.

Vá! Desce do palanque e toma o teu lugar à mesa dos que querem a tua companhia.

Publicações Segunda Feira Santa

 




Quaresma Semana Santa Segunda feira 3

 

Dentro do Evangelho

 

(Re Jo XIII …)

 

Hoje considero as palavras com que São João descreve a Última Ceia de Páscoa que Jesus comeu com os Seus mais próximos para me deter nas que descrevem Jesus a lavar dos pés dos discípulos.

Lavar os pés era uma tarefa destinada ao mais humilde dos servos e, Jesus, ao fazer tal humilha-se voluntáriamente aprestar esse serviço.

Pedro rebela-se contra esta atitude e rejeita-a mas, as palavras de Jesus faz com que reconsidere e Lhe peça que o faça.

Eu, que me considero uma pessoa importante, de relevo, sou capaz de prestar estes serviços a outros?

Considero que em lugar de “rebaixar-me” dou um exemplo de solidariedade, de humilde serviço?

Também como Pedro eu desejo que o Senhor me lave os pés, a cabeça, todo o meu corpo para que limpo possa tomar parte com Ele na Ventura Eterna.

Imagino-me sentado num lugar alto a observar tudo à minha volta. Principalmente a observar-me a mim.

Estou curioso e, ao mesmo tempo, expectante.

Será que olham para mim?

Reparam que eu estou ali?

Alguém está pendente do que eu possa dizer?

Convidaram-me porque gostam de mim?

E, envergonhado, avalio esta tremenda postura de orgulho que me irrita e faz mal.

Quero, desejo com todas as minhas forças ser simples, amável, simpático e agradecido.

Dizes-me: Meu filho, sê sério, porta-te bem, convence-te que as pessoas gostam de ti, que não querem que sejas outra coisa que aquilo que realmente és.

Vá! Desce do palanque e toma o teu lugar à mesa dos que querem a tua companhia.

 

02/04/2023

Publicações em Abril 2

 


1 Naquele dia, Jesus saiu de casa e sentou-se à beira-mar. 2 Reuniu-se a Ele uma tão grande multidão, que teve de subir para um barco, onde se sentou, enquanto toda a multidão se conservava na praia. 3 Jesus falou-lhes de muitas coisas em parábolas: «O semeador saiu para semear.  4 Enquanto semeava, algumas sementes caíram à beira do caminho: e vieram as aves e comeram-nas. 5 Outras caíram em sítios pedregosos, onde não havia muita terra: e logo brotaram, porque a terra era pouco profunda; 6 mas, logo que o sol se ergueu, foram queimadas e, como não tinham raízes, secaram. 7 Outras caíram entre espinhos: e os espinhos cresceram e sufocaram-nas. 8 Outras caíram em terra boa e deram fruto: umas, cem; outras, sessenta; e outras, trinta. 9 Aquele que tiver ouvidos, oiça!» 10 Aproximando-se de Jesus, os discípulos disseram-lhe: «Porque lhes falas em parábolas?» 11 Respondendo, disse-lhes: «A vós é dado conhecer os mistérios do Reino do Céu, mas a eles não lhes é dado. 12 Pois, àquele que tem, ser-lhe-á dado e terá em abundância; mas àquele que não tem, mesmo o que tem lhe será tirado. 13 É por isso que lhes falo em parábolas: pois vêem, sem ver, e ouvem, sem ouvir nem compreender. 14 Cumpre-se neles a profecia de Isaías, que diz: Ouvindo, ouvireis, mas não compreendereis; e, vendo, vereis, mas não percebereis. 15 Porque o coração deste povo tornou-se duro, e duros também os seus ouvidos; fecharam os olhos, não fossem ver com os olhos, ouvir com os ouvidos, compreender com o coração, e converter-se, para Eu os curar. 16 Quanto a vós, ditosos os vossos olhos, porque vêem, e os vossos ouvidos, porque ouvem. 17 Em verdade vos digo: Muitos profetas e justos desejaram ver o que estais a ver, e não viram, e ouvir o que estais a ouvir, e não ouviram.» 18 «Escutai, pois, a parábola do semeador. 19 Quando um homem ouve a palavra do Reino e não compreende, chega o maligno e apodera-se do que foi semeado no seu coração. Este é o que recebeu a semente à beira do caminho. 20 Aquele que recebeu a semente em sítios pedregosos é o que ouve a palavra e a acolhe, de momento, com alegria; 21 mas não tem raiz em si mesmo, é inconstante: se vier a tribulação ou a perseguição, por causa da palavra, sucumbe logo. 22 Aquele que recebeu a semente entre espinhos é o que ouve a palavra, mas os cuidados deste mundo e a sedução da riqueza sufocam a palavra que, por isso, não produz fruto. 23 E aquele que recebeu a semente em boa terra é o que ouve a palavra e a compreende: esse dá fruto e produz ora cem, ora sessenta, ora trinta.» 24 Jesus propôs-lhes outra parábola: «O Reino do Céu é comparável a um homem que semeou boa semente no seu campo. 25 Ora, enquanto os seus homens dormiam, veio o inimigo, semeou joio no meio do trigo e afastou-se. 26 Quando a haste cresceu e deu fruto, apareceu também o joio. 27 Os servos do dono da casa foram ter com ele e disseram-lhe: ‘Senhor, não semeaste boa semente no teu campo? Donde vem, pois, o joio?’ 28 ‘Foi algum inimigo meu que fez isto’ - respondeu ele. Disseram-lhe os servos: ‘Queres que vamos arrancá-lo?’ 29 Ele respondeu: ‘Não, para que não suceda que, ao apanhardes o joio, arranqueis o trigo ao mesmo tempo. 30 Deixai um e outro crescer juntos, até à ceifa; e, na altura da ceifa, direi aos ceifeiros: Apanhai primeiro o joio e atai-o em feixes para ser queimado; e recolhei o trigo no meu celeiro.’» 31 Jesus propôs-lhes outra parábola: «O Reino do Céu é semelhante a um grão de mostarda que um homem tomou e semeou no seu campo. 32 É a mais pequena de todas as sementes; mas, depois de crescer, torna-se a maior planta do horto e transforma-se numa árvore, a ponto de virem as aves do céu abrigar-se nos seus ramos.» 33 Jesus disse-lhes outra parábola: «O Reino do Céu é semelhante ao fermento que uma mulher toma e mistura em três medidas de farinha, até que tudo fique fermentado.» 34 Tudo isto disse Jesus, em parábolas, à multidão, e nada lhes dizia sem ser em parábolas. 35 Deste modo cumpria-se o que fora anunciado pelo profeta: Abrirei a minha boca em parábolas e proclamarei coisas ocultas desde a criação do mundo. 36 Afastando-se, então, das multidões, Jesus foi para casa. E os seus discípulos, aproximando-se dele, disseram-lhe: «Explica-nos a parábola do joio no campo.» 37 Ele, respondendo, disse-lhes: «Aquele que semeia a boa semente é o Filho do Homem; 38 o campo é o mundo; a boa semente são os filhos do Reino; o joio são os filhos do maligno; 39 o inimigo que a semeou é o diabo; a ceifa é o fim do mundo e os ceifeiros são os anjos. 40 Assim, pois, como o joio é colhido e queimado no fogo, assim será no fim do mundo: 41 o Filho do Homem enviará os seus anjos, que hão-de tirar do seu Reino todos os escandalosos e todos quantos praticam a iniquidade, 42 e lançá-los na fornalha ardente; ali haverá choro e ranger de dentes. 43 Então os justos resplandecerão como o Sol, no Reino de seu Pai. Aquele que tem ouvidos, oiça!» 44 «O Reino do Céu é semelhante a um tesouro escondido num campo, que um homem encontra. Volta a escondê-lo e, cheio de alegria, vai, vende tudo o que possui e compra o campo. 45 O Reino do Céu é também semelhante a um negociante que busca boas pérolas. 46 Tendo encontrado uma pérola de grande valor, vende tudo quanto possui e compra a pérola.» 47 «O Reino do Céu é ainda semelhante a uma rede que, lançada ao mar, apanha toda a espécie de peixes. 48 Logo que ela se enche, os pescadores puxam-na para a praia, sentam-se e escolhem os bons para as canastras, e os ruins, deitam-nos fora. 49 Assim será no fim do mundo: sairão os anjos e separarão os maus do meio dos justos, 50 para os lançarem na fornalha ardente: ali haverá choro e ranger de dentes.» 51 «Compreendestes tudo isto?» «Sim» - responderam eles. 52 Jesus disse-lhes, então: «Por isso, todo o doutor da Lei instruído acerca do Reino do Céu é semelhante a um pai de família, que tira coisas novas e velhas do seu tesouro.» 53 Depois de terminar estas parábolas, Jesus partiu dali. 54 Tendo chegado à sua terra, ensinava os habitantes na sinagoga deles, de modo que todos se enchiam de assombro e diziam: «De onde lhe vem esta sabedoria e o poder de fazer milagres? 55 Não é Ele o filho do carpinteiro? Não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos Tiago, José, Simão e Judas? 56 Suas irmãs não estão todas entre nós? De onde lhe vem, pois, tudo isto?» 57 E estavam escandalizados por causa dele. Mas Jesus disse-lhes: «Um profeta só é desprezado na sua pátria e em sua casa.» 58 E não fez ali muitos milagres, por causa da falta de fé daquela gente.

 

Comentários:

 

O que Jesus nos quer dizer nesta parábola é que as oportunidades de salvação são iguais para todos, Deus não faz qualquer acepção de pessoas e em todos sem distinção semeia a Sua palavra. Dar fruto ou não depende exclusivamente daqueles que receberam a semente e do acolhimento que lhe dão. Protegida, cuidada, vingará e os frutos serão abundantes, desprezada ou deixada entregue a si mesma não haverá produção capaz. Queremos, de facto, ser bons agricultores que saibam cuidar com esmero e cuidado a semente que nos foi entregue? Então… peçamos ajuda ao Dono e Senhor de todas as coisas que nos converta em seara fértil abundante.

Este longo trecho do Evangelho escrito por São Mateus encerra ensinamentos que necessariamente temos de meditar com pausa e atenção. O que nos ocorre em primeiro lugar será que a prática da Fé ou é constante e, então, fortalecer-se-á, ou caso contrário irá perdendo “força” até desaparecer de todo. Em segundo temos de ser honestos intelectualmente porque não basta o conhecer a doutrina é fundamental praticá-la. E, depois, está muito claro o que o Senhor espera de nós: que demos fruto! Ou seja: ou temos uma fé passiva, como algo adquirido, ou queremos ter uma fé activa que se manifesta nas obras que praticamos. E, só esta interessa verdadeiramente!

Muitas vezes penso qual seria a minha atitude se tivesse vivido naquele tempo e escutado directamente o Senhor! Chego sempre à conclusão que sou, seguramente, muito mais afortunado, principalmente por duas razões: A primeira é que graças as Evangelistas posso conhecer com detalhe quanto Jesus Cristo disse e fez; A segunda, é que O posso receber em Corpo, Alma e Divindade na Sagrada Eucaristia.

Algo controverso – pode parecer – este discurso de Jesus, mas, atentando bem percebemos o que nos quer dizer. A conversão é algo pessoal e determinado pela vontade de aderir à Cristo. Não pode ser com o fito de obter um benefício qualquer – como uma cura, por exemplo – porque seria uma falsa conversão. É preciso ouvir e entender e, entendendo, decidir de acordo. É preciso ver e perceber o que se vê, e, então, converter-se à evidência. Só esta fé concreta, justa, simples, categórica tem valor aos olhos do Senhor e só esta Fé será aceite por Ele.

Hoje percebemos perfeitamente que Jesus Cristo se referia a nós. Lemos as Suas palavras, mas não as escutamos directamente vindas da Sua boca. Contudo, tal não nos impede de acreditar nele e, pelo menos, tentar pôr em prática os Seus ensinamentos. Arrisco afirmar que somos mais afortunados que aqueles a quem foram dirigidas, porque o exemplo de multidões de crentes que ao longo de dois mil anos nos foi deixado, constitui prova suficiente e bastante para acreditarmos. Que poderia interessar-nos ouvir se, mesmo ouvindo, não acreditássemos?

Ao longo dos séculos a Santa Igreja de que Jesus Cristo é a cabeça, foi-nos repetindo as Suas palavras, que, graças aos quatro Evangelistas, podemos consultar sempre que o desejarmos. E, pelas descrições – por vezes tão vivas e pormenorizadas – dos Seus actos mais simples e mais grandiosos, podemos ter um conhecimento bastante profundo das verdades da nossa Fé. O Evangelho é, portanto, a fonte onde devemos beber o que necessitarmos para manter viva e actuante essa mesma fé e, com a sua prática, dar glória a Deus e ir por um caminho seguro para a Vida Eterna.

Parece muito claro que a fé não se obtém só por a desejar porque pode ser conveniente. A fé, é dada por Deus Nosso Senhor aqueles que a desejam e lha pedem com o único objectivo de acreditar n’Ele. Ouvindo as Suas palavras, lendo os Evangelhos, desejando fazer – em tudo – a Sua Vontade. De facto, compreende-se que a Fé seja muito mais que “uma crença”, mas uma atitude de vida, de comportamento. Esta é a Fé que nos converte – definitivamente – em Filhos de Deus e candidatos à Vida Eterna.

Temos, os cristãos, esta felicidade de ser-mos a terra onde o Senhor semeia. Esforcemo-nos por ser uma boa terra, bem tratada e cuidada para que seja fértil e produza os frutos que Ele legitimamente espera vir a colher.

Esta parábola do semeador, na realidade não necessita de qualquer comentário pois o próprio Senhor SE encarrega de o fazer com a explicação que dá aos Seus discípulos. Assim, não nos fica qualquer dúvida nem se nos levanta qualquer questão, tão só concluímos que, de facto, o que Jesus quer é que demos fruto e fruto abundante.

A Liturgia repete no mesmo ano este trecho de São Mateus. Sem dúvida que tudo o contido nos Evangelhos é importante e deve ser como que a “cartilha” do cristão, onde vai beber e saciar a sua necessidade de conhecimento sobre a vida de Jesus ou, seja, sobre Aquele que quer seguir. Mas esta “parábola do semeador” talvez tenha um significado especial para todos os que pensam que há diferenças – ou melhor dizendo – acepção de pessoas no Reino de Deus. Uns são mais dotados que outros, os talentos não são igualmente distribuídos, as capacidades diferem. Isto é evidente e, é assim, porque os homens não somos produto de uma “fabricação em série”, mas a escolha pessoal e única feita pelo Criador que cria uma alma individual para cada novo ser humano. Mas – e que fique claro – a todos dá igualdade de oportunidades porque a semente que lança vai cair adrede, sobre “bons” e “maus”, “justos” e “injustos”, porque O Senhor não escolhe o campo onde semeia.

Ninguém pode queixar-se do Semeador que não Se deteve para lançar a semente. Este Semeador Divino vai constantemente pelos caminhos da vida lançando a semente às mãos cheias sem determinar onde a mesma vai cair. É tão pródigo que muita vai cair em locais estéreis que não têm um mínimo de condições para que cresça e se multiplique, mas, Ele, não se importa, pode acontecer que o vento ou uma ave a leve para outro local onde medrará. Penso, portanto, que o melhor local para aguardamos o Semeador seja exactamente esse caminho que Ele segue.

Acontece na vida espiritual o que sucede na vida corrente, o trigo e o joio, o bem e o mal, andam muitas vezes der tal forma juntos que quase não se distinguem. Isso tem a ver sobretudo com as disposições da alma e com a vida que se vive. No primeiro caso, quando se abranda a vigilância facilmente se cai na tibieza e o valor real das coisas transforma-se e acaba confundindo-se. No segundo, as companhias, o ambiente, arrastam para onde não queremos ir e acabamos misturados numa mesma massa cujos valores, preocupações e objectivos não nos convém. Trigo e, ao mesmo tempo joio! Cientes desta realidade, peçamos ao Senhor que nos envie ceifeiros competentes para que não aconteça ir-mos parar à fogueira do demónio em lugar de recolhidos no celeiro divino.

Jesus Cristo é sempre muito claro no que diz. Não pode haver duas interpretações nem, sequer, ceder à tentação de acrescentar alguma coisa que, podemos julgar, faz falta. (Nunca, em caso nenhum, podemos atrever-nos a tal!) Mas, para que fique ainda mais claro, explica com detalhe a parábola de modo que, ninguém possa dizer que não entendeu. Ele é o Semeador por excelência que lança a sua semente com abundância e a toda a volta. Não escolhe nem o local nem o terreno, mas, a todos dá por igual as mesmas oportunidades de receber a semente e de a fazer frutificar. Atentemos bem como nos preparamos para receber a sementeira, daí dependerá haver seara abundante – pela qual receberemos uma paga extraordinária – ou apenas ervas secas e sem qualquer préstimo que ninguém – nem mesmo o Senhor – quererá.

No ambiente ou meio mais insuspeito, o inimigo semeia o joio. Dentro da própria Igreja, por exemplo, coloca esse “joio” que em tudo semelhante ao verdadeiro trigo não passa de erva daninha destinada a corromper toda a seara. Os “falsos cristãos”, os “lobos disfarçados de ovelhas” que o Senhor tantas vezes refere são esse joio maléfico destinado a confundir, a inventar, a “desnortear” os mais débeis ou incautos. O verdadeiro cristão tem por dever de estar atento e precavido porque eles existem, de facto, e onde menos se pode esperar tentam enganar, dissuadir, espalhar a confusão ou a dúvida de tal forma que muitos caem nessas armadilhas e se deixam levar por onde não devem ir.

Se nos detivermos um pouco pensando como as nossas iniciativas apostólicas se propagam muitas vezes por lugares e pessoas que nem sequer conhecemos compreenderemos que O Senhor Se serve de nós como instrumentos de propagação do Reino de Deus. Daí que a docilidade e pronta resposta às inspirações que insinua na nossa alma sejam fundamentais para que aconteça como Ele espera.

Impressiona verificar que a magnitude do Reino de Deus é feito, construído, com pequenas coisas. Dia a dia sem descanso ou paragens milhões de cristãos dedicam o melhor do seu tempo e capacidades a esse serviço que é, podemos afirmar, serviço divino. Este só terminará no final dos tempos quando o Senhor vier "converter a Si todas as coisas e reinar sobre todos os homens"

Na continuação do Seu discurso sobre o Reino do Céu o Senhor como que completa a Sua doutrina dando a entender claramente que o Reino se estenderá a todos os lugares e a todos os homens. Na imensidão de Deus e do Seu Reino cabem o Céu e a Terra e a humanidade inteira. Todos podem fazer parte dele como é a Sua Vontade Amorosa. Depende de cada um a escolha tendo em conta a magnitude e magnificência do prémio a alcançar.

Os discípulos fazem uma pergunta e Jesus responde com toda a clareza. Quem são os bons semeadores – que usam de boa semente que produzirá fruto abundante – e quem são os propagam a má semente que só traz desgraça e fome. As restantes palavras de Cristo são a confirmação da Justiça divina que será aplicada inexoravelmente todos. Portanto, convém que todos, oiçam bem para não terem surpresas.

No mundo coexistem bons e maus, aqueles que ouvem a Palavra de Deus e a seguem semeando-a na sua alma e à sua volta e os que, ao contrário, seguem as instruções do demónio e propagam o joio do erro e da mentira.

Sim, é verdade, podem coexistir mas, os encarregados da ceifa final, não se deixarão enganar e depositarão nos celeiros do Dono da seara os frutos bons e destruirão inexoravelmente o joio inútil fruto do ódio e da mentira.

Nós, cristãos somos a boa semente, é o Senhor quem o afirma.
E o que faz uma boa semente? Está claro, dá muito fruto. Torna-se assim evidente o que o dono da messe, o Semeador Divino, espera de nós: que demos fruto, abundante, duradoiro, que sacie com eficácia quem precisa de alimentar-se da Palavra.

O Reino do Céu tem um valor que não é comparável com nenhum tesouro por mais valioso que possa ser. Por isso mesmo, o cristão o procura com afã, sem descanso e, sendo necessário, desprende-se de tudo para o conseguir. Aliás, não lhe convém proceder de outra forma já que, o Reino de Deus preenche todas as suas necessidades e anseios.

Com exemplos muito concretos, Jesus Cristo fala do Reino do Céu ficando claro que, para o homem, nada há de mais valioso que possa alcançar. Já se sabe, os meios materiais são apelativos e não há quem não tenha dificuldade em desprender-se deles, mas… há que considerar que, se facto não se desprende por um motivo qualquer mas sim para alcançar um bem maior. Parece ser “um bom negócio”. Quem gosta de “deitar contas à vida”, verá aqui um bom motivo de reflexão. A busca incessante de bens materiais não estará a “desviar” a procura do que mais interessa?

O Senhor descreve, explica o que é o Reino dos Céus para que não restem nem dúvidas nem falsos conceitos. É, no fim e a cabo, um tesouro, uma pérola de altíssimo valor, tão grande que se sobrepõe a tudo quanto possamos almejar. Por este Reino, vale a pena desprender-se de tudo quanto julgamos nos faz falta porque o bem a alcançar ultrapassa tudo. E depende da vontade de cada um escolher o que melhor lhe convém e, sendo assim, tudo parece lógico e simples. Ou não?

Nestas parábolas sobre o Reino dos Céus, Jesus não se poupa a comparações claras e compreensíveis para que todos entendam "o que está em jogo". Ninguém poderá dizer que não entendeu e se não toma as devidas atitudes será por sua única exclusiva decisão.

Ficamos com uma imagem muito completa do Reino dos Céus.

Graças às revelações de Cristo é simples e acessível como o grão de mostarda ou um pouco de fermento, ou de grande valor e importante como um tesouro ou uma pérola de alto preço. Requerem o nosso trabalho pessoal, seja semear ou colocar na massa previamente preparada, quer escavando o campo ou negociar a pérola. Nos primeiros casos, os resultados são espectaculares, uma pequena semente que se converte em árvore grandiosa, um pedacinho de fermento que leveda uma grande quantidade de massa. São resultados directos do apostolado. Nos outros dois é a nossa vida pessoal que se altera radicalmente com a posse de bens de enorme valor. Mas parece lógico que os segundos dependam dos primeiros, isto é, primeiro semear e levedar e, depois aproveitar a todo o custo os tesouros que encontramos.

O que o Senhor deseja que fique bem claro é que o Reino do Céu é para todos, sem excluir ninguém. A escolha, isto é, a avaliação do mérito de cada um para pertencer ou não ao Reino, não é feita agora mas só quando terminada a pesca, recolhida a rede. Nesse momento nada há a fazer mas tão só confiar na Justiça divina. Cuidado portanto antes de entrar na rede… enquanto é tempo… que é agora.

Jesus Cristo fala do Reino dos Céus repetidamente ilustrando as Suas palavras com exemplos de modo que todos entendem, como aliás confirmam. Não deixa de dizer que, de facto, há bons e maus e que, a Justiça divina avaliará a conduta de cada um e respeitará as consequências dessa mesma conduta. Não exclui ninguém, todos são chamados “à rede divina” só que, a “pesca”, como sempre sucede na vida de todos os dias, tem resultados diferentes.

Parece normal que se tenha algum pudor ou até vergonha de falar das coisas de Deus, fazer apostolado, com pessoas que nos são próximas, familiares ou amigos íntimos. Afinal conhecem-nos bem e poderão estranhar ou não levar muito a sério a nossa atitude.
É normal, repito, mas nem por isso deixa de ser uma manifestação de respeito humano. Pensemos que se de facto são nossos amigos e nos conhecem poderão estranhar que não lhes falemos do que nos move na nossa vida de cristãos. Que nos pode importar que quem nos ouve não nos reconheça autoridade para expor o que dizemos? Dizemos a verdade, contamos o que é certo, baseamo-nos na Palavra de Deus Nosso Senhor que é o Evangelho. Não falamos por nós ou para nós, falamos em nome de Jesus Cristo e por Jesus Cristo. E, isto, basta!

São Mateus refere algo que merece um comentário: «E não fez ali muitos milagres, por causa da falta de fé daquela gente». Concretamente esta referência significa duas coisas: A primeira é que, não obstante o ambiente de suspeição e preconceituoso, Jesus fez alguns milagres. A segunda é que os milagres que Jesus faz são sempre movidos pela fé das pessoas não porque lhe apetece mas porque a Fé comove o Seu Coração amantíssimo e entranhas de misericórdia.

01/04/2023

Comunicações em Abril 1



MT XII


1 Naquele tempo, num dia de Sábado, passava Jesus por umas searas, e os Seus discípulos, tendo fome, começaram a colher espigas e a comê-las. 2 Vendo isto os fariseus disseram-Lhe: «Olha que os Teus discípulos fazem o que não é permitido fazer ao Sábado». 3 Jesus respondeu-lhes: «Não lestes o que fez David e os seus companheiros, quando tiveram fome? 4 Como entrou na casa de Deus, e comeu os pães sagrados, dos quais que não era lícito comer, nem a ele, nem aos que iam com ele, mas só aos sacerdotes? 5 Não lestes na Lei que ao Sábado os sacerdotes no Templo violam o Sábado e ficam sem culpa? 6 Ora Eu digo-vos que aqui está alguém que é maior que o Templo. 7 Se vós soubésseis o que quer dizer: “Quero misericórdia e não sacrifício”, jamais condenaríeis inocentes. 8 Porque o Filho do Homem é senhor do próprio Sábado». 9partindo dali foi à sinagoga deles, onde se encontrava um homem que tinha uma das mãos atrofiada 10 e eles, para terem de que O acusar, perguntaram-lhe: «É permitido curar aos sábados?» 11 Ele respondeu-lhes: «Que homem haverá entre vós que, tendo uma ovelha, se esta cair num dia de Sábado a uma cova, não agarre e não a tire de lá? 12 Ora quanto mais vale um homem que uma ovelha? Logo é permitido fazer o bem no dia de Sábado». 13 Então disse ao homem: «Estende a tua mão. Ele estendeu-a e ela tornou-se são como a outra. 14 Os fariseus, saindo dali, tiveram conselho contra Ele sobre o modo de O levarem á morte. 15 Jesus, sabendo isto, retirou-se daquele lugar. 16 Muitos seguiram-no, e curou-os a todos. 17 Ordenou-lhes que não O descobrissem, para que se cumprisse o que tinha sido anunciado pelo profeta Isaías: 18 «Eis o Meu servo, que Eu escolhi, o Meu amado, em quem a Minha alma pôs as suas complacências. Farei repousar sobre Ele o Meu Espírito, e Ele anunciará a justiça às nações. 19 Não discutirá nem clamará, nem ouvirá alguém a Sua voz nas praças; 20 Não quebrará a cana rachada, nem apagará a torcida que fumega, até que faça triunfar a justiça; 21 e as nações esperarão no Seu nome». 22 Então trouxeram-lhe um endemoninhado cego e mudo, e Ele curou-o, de modo que falava e via. 23 E as multidões ficaram admiradas e diziam: «Não será este o Filho de David?».  24 Mas os fariseus, ouvindo isto, disseram: «Este não expulsa os demónios senão por virtude de Belzebu, príncipe dos demónios. 25 Porém, Jesus, conhecendo os pensamentos deles, disse-lhes: «Todo o reino dividido contra si mesmo será destruído; e toda a cidade ou família dividida contra si mesma não subsistirá. 26 Ora, se Satanás expulsa a Satanás, está dividido contra si mesmo, como subsistirá, então, o seu reino?» 27 E se Eu expulso os demónios por virtude de Belzebu, por virtude de quem os expulsam os vossos filhos? Por isso é que eles serão os vossos juízes. 28 Se Eu, porém, expulso os demónios por virtude do Espírito de Deus, chegou a vós o reino de Deus. 29 Como pode alguém entrar em casa de um valente, e saquear os seus móveis, se antes não prender o valente? Só então poderá saquear a casa. 30 Quem não é comigo é contra Mim; e quem não junta comigo, desperdiça. 31 Por isso vos digo: todo o pecado e blasfémia será perdoado aos homens, mas a blasfémia contra o Espírito Santo não será perdoada. 32 Todo aquele que disser uma palavra contra o Filho do Homem, ser-lhe-á perdoado; porém, o que a disser contra o Espírito Santo, não se lhe perdoará, nem neste mundo nem no futuro. 33 Ou dizeis que a árvore é boa e o seu fruto bom, ou dizeis que a árvore é má e o seu fruto mau, porque pelo fruto se conhece a árvore. 34 Raça de víboras, como podeis dizer coisas boas, vós que sois maus? Porque a boca fala da abundância do coração. 35 O homem bom tira coisas boas do seu bom tesouro, e o homem mau tira coisas más do seu mau tesouro. 36 Ora eu digo-vos que de qualquer palavra inútil que os homens tiverem proferido, darão conta dela no dia do juízo. 37 Porque pelas suas palavras será justificado ou condenado.38 Então replicaram-lhe alguns dos escribas e fariseus, dizendo: «Mestre, nós desejávamos ver algum prodígio Teu». 39 Ele respondeu-lhes: «Esta geração má e adúltera pede um prodígio, mas não lhe será dado outro prodígio senão o prodígio do profeta Jonas.40 Porque, assim como Jonas esteve no centro da baleia três dias e três noites, assim estará o Filho do Homem e três dias e três noites no centro da terra. 41 Os habitantes de Nínive levantar-se-ão no dia do juízo contra esta geração, e a condenarão, porque se converteram com a pregação de Jonas. Ora aqui está Quem é maior que Jonas. 42  A rainha do Meio-Dia levantar-se-á no dia do Juízo contra esta geração e a condenará, porque veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria de Salomão. Ora aqui está Quem é mais que Salomão. 43  «Quando o espírito imundo de um homem, anda errando por lugares áridos, à busca de repouso, enão o encontra. 44 Então diz: voltarei para minha casa, donde saí. E, quando vem, a encontra desocupada, varrida e adornada. 45 Então vai e toma consigo outros sete espíritos piores do que ele e, entrando, habitam ali; e o último estado daquele homem torna-se pior que o primeiro. 46 Estando Ele ainda a falar ao povo, eis que Sua mãe e Seus irmãos se achavam fora desejando falar-lhe. 47 Alguém disse-Lhe: «Tua mãe e teus irmãos estão ali fora e desejam falar-Te». 48 Ele, porém, respondeu ao que falava: «Quem é a Minha mãe e quem são os meus irmãos?» 49 E, estendendo a mão para os Seus discípulos, disse: 50 «Eis Minha mãe e Meus irmãos. Porque todo aquele que fizer a vontade de Meu Pai que está nos Céus, esse é Meu irmão e Minha irmã e Minha mãe».

 

Comentários:

O constante conflito entre os chefes do povo e Jesus Cristo por causa do Sábado é por demais comentado e, parece-me, pouco há a acrescentar ao que tem sido dito a propósito. Prefiro, antes, deter-me um pouco sobre os dois primeiros versículos deste Capítulo XII de São Mateus para realçar a escassez de meios que Jesus e os Seus discípulos dispunham ao ponto de serem “forçados” a uma frugalidade por demais evidente: saciar a fome com umas simples espigas! Todos sabemos – os Evangelhos referem-nos algumas vezes – que o muito trabalho mal lhes consentia tempo para comer ou como nem um simples estáter - moeda de prata que equivalia a quatro denários - possuíam para pagar os impostos. Não fora o auxílio inestimável de algumas mulheres que os assistiam com os seus bens dificilmente sobreviveriam. Seria como parte da sua formação como futuros apóstolos tal como Jesus lhes confirmará: «não vos preocupeis nem com o que vestir ou o que comer, Deus não vos faltará com o sustento…»

Há, infelizmente, muitas pessoas que cumprem com rigor todas as chamadas “ regras de comportamento” e, com tal, sentem que o seu papel nesta vida que vivemos está completo e, mais, servirá de exemplo a outros. Decerto estaria correcto se não se ficassem por aí porque o rigor no cumprimento das leis não é suficiente quando não há amor. Referimo-nos, claro está, às Leis da Igreja e, em última análise, à Lei de Deus. Cumprir, observar, ser rigoroso na observância de deveres e obrigações fica-se aquém de fazer tudo isto – que normalmente são escrúpulos – sem a oferta pessoal de si mesmo a Deus e aos outros.

Umas espigas de trigo para "matar a fome"! A gente pasma com a exiguidade de bens ou recursos  de Cristo e os Seus discípulos! E, no entanto, segem-No, porque, sabem que segui-Lo é garantia de encontrar alimento bastante para todas as necessidades que possam ter. A grande família de Cristo - que somos todos os baptizados - reúne-se sob o manto protector da Mãe comum para expressar com o coração, desejos e sobretudo obras a decisão de fazer em tudo a Vontade do Pai.

Sinais, sinais... eis o que muitos pedem e até exigem para acreditar. Talvez desejem que o próprio Deus Nosso Senhor lhes apareça pessoalmente! Só que, nem mesmo se tal acontecesse, acreditariam porque, ter fé, não é um direito, mas um privilégio que Deus concede a quem entende e sobretudo aqueles que verdadeiramente a desejam.

Não se compreende o que os escribas e os fariseus entendem por “prodígio”. Jesus Cristo tem feito – aos olhos de todos – inúmeros prodígios como dar vista aos cegos, ouvido aos surdos, ressuscitar mortos, alimentar milhares com uns poucos de pães e peixes… então, tudo isto – e muito mais – não são prodígios? A esta “cegueira” persistente, Jesus só dá uma resposta: a geração dos que assim O interpelam é uma «geração má e adúltera» que será condenada por todos os que virão a seguir e, também pelos que a antecederam e, a razão é simples e concreta: Não se converteu!

Também hoje em dia – desde sempre, aliás – há quem diga: ‘Mostra-me Deus e acreditarei’! Como se tal fosse possível a um ser humano! Como se Deus fosse um Ser – Superior, embora – mas que estivesse às nossas ordens, para satisfazer os nossos caprichos! Quem quer – de facto, realmente – acreditar, não precisa nem de prodígios nem de evidências concretas, bastando-lhe o que consta nos Evangelhos que, se ler com são espírito e recta intenção, contêm tudo quanto baste para remover dúvidas, aclarar questões, resolver preconceitos. A Fé não se obtém, não se adquire, não está, assim, disponível para quem se “lembre que lhe convém”. A Fé é um dom de Deus que a dará aos que lha pedirem com são espírito e desejo verdadeiro.

Penso que não há muito a dizer acerca das palavras de Cristo. Deixam-nos um misto de alegria e responsabilidade: Alegria porque Ele quer que façamos parte da Sua família mais íntima: a Sua Mãe, os Seus Irmãos. Responsabilidade porque apenas depende de nós alcançar tal "estatuto".

Eis mais uma resposta de Jesus algo desconcertante. Das três vezes que os Evangelhos relatam uma intervenção directa da Virgem, as respostas de Jesus surpreendem. A primeira em Jerusalém: ‘porque me procuráveis?’. Depois em Caná ‘o que temos nós com isso…’ E, agora... Como se as relações de Jesus com Sua Mãe fossem frias, distantes, sem amor. A importância das relações entre Mãe e Filho ficam como que num segundo plano em relação às relações do homem com Deus que estão sempre em primeiro lugar e, uma não colide com as outras, bem ao contrário, o amor de Mãe, de Jesus, é semelhante ao amor que devemos a Deus.

Jesus não poderia ter sido mais claro e – perdoe-se a expressão – lógico. Fazer a Vontade de Deus significa estar com Ele em todos os momentos e circunstâncias da vida corrente, ora, isto, é exactamente o que acontece numa família unida, daí a lógica. O que é extremamente relevante é que Cristo parece comparar-nos – aos homens cumpridores da Vontade de Deus – à Sua Excelsa Mãe. Mas, de facto, Ele não disse tal, o que disse foi que a Sua Família divina se completa com a Sua família humana dos filhos de Deus.

Quando nos deparamos com estas declarações de Jesus Cristo ficamos como que paralisados na nossa compreensão ou, melhor, nos nossos esforços por compreender o alcance que as mesmas têm. Ficamos assim porque temos consciência que somos simples criaturas e que, O Senhor, nos compara à Sua Família mais íntima. Aliás, mais que comparar, afirma claramente que sim, o somos só pelo facto de cumprirmos a Vontade de Deus. Como não desejar de todo o coração fazê-lo? Como não pedir auxílio, coragem, determinação e perseverança para conseguir tão extraordinário bem?

Quanto Jesus Cristo fez durante a Sua passagem pela terra está rigorosamente de acordo com a Escritura. Mais se acentua a obrigação dos Doutores da Lei em reconhecerem na Sua Pessoa O Filho de Deus, o Messias Salvador e Redentor.

São Mateus cita com alguma extensão, o Profeta Jeremias. Parece clara a sua intenção de, mais uma vez, esclarecer o povo sobre a Figura, a Pessoa de Jesus Cristo e a missão que O trouxe até nós. O próprio Jesus tinha afirmado mais que uma vez que não vinha abolir a Lei mas completá-la e dar-lhe o verdadeiro sentido divino retirando quanto tinha sido acrescentado ao longo dos tempos pelos Escribas e Doutores da Lei. Mais: afirma que nunca, absolutamente, as Suas palavras deixarão de se cumprir e que nem um simples acento seria retirado da Lei Divina.                                                  

 

31/03/2023

Comunicações em Março 31


 


1 Quando Jesus acabou de dar estas instruções aos doze discípulos, partiu dali, a fim de ir ensinar e pregar nas suas cidades. 2 Ora João, que estava no cárcere, tendo ouvido falar das obras de Cristo, enviou-lhe os seus discípulos 3 com esta pergunta: «És Tu aquele que há-de vir, ou devemos esperar outro?» 4 Jesus respondeu-lhes: «Ide contar a João o que vedes e ouvis: 5 Os cegos vêem e os coxos andam, os leprosos ficam limpos e os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e a Boa-Nova é anunciada aos pobres. 6 E bem-aventurado aquele que não encontra em mim ocasião de escândalo.» 7 Depois de eles terem partido, Jesus começou a falar às multidões a respeito de João: «Que fostes ver ao deserto? Uma cana agitada pelo vento? 8 Então que fostes ver? Um homem vestido de roupas luxuosas? Mas aqueles que usam roupas luxuosas encontram-se nos palácios dos reis. 9 Que fostes, então, ver? Um profeta? Sim, Eu vo-lo digo, e mais que um profeta. 10 É aquele de quem está escrito: Eis que envio o meu mensageiro diante de ti, para te preparar o caminho. 11 Em verdade vos digo: Entre os nascidos de mulher, não apareceu ninguém maior do que João Baptista; e, no entanto, o mais pequeno no Reino do Céu é maior do que ele. 12 Desde o tempo de João Baptista até agora, o Reino do Céu tem sido objecto de violência e os violentos apoderam-se dele à força. 13 Porque todos os Profetas e a Lei anunciaram isto até João. 14 E, quer acrediteis ou não, ele é o Elias que estava para vir. 15 Quem tem ouvidos, oiça!» 16 «Com quem poderei comparar esta geração? É semelhante a crianças sentadas na praça, que se interpelam umas às outras, 17 dizendo: ‘Tocámos flauta para vós e não dançastes; entoámos lamentações e não batestes no peito!’ 18 Na verdade, veio João, que não come nem bebe, e dizem dele: ‘Está possesso!’ 19 Veio o Filho do Homem, que come e bebe, e dizem: ‘Aí está um glutão e bebedor de vinho, amigo de cobradores de impostos e pecadores!’ Mas a sabedoria foi justificada pelas suas próprias obras.» 20 Jesus começou então a censurar as cidades onde tinha realizado a maior parte dos seus milagres, por não se terem convertido: 21 «Ai de ti, Corozaim! Ai de ti, Betsaida! Porque, se os milagres realizados entre vós, tivessem sido feitos em Tiro e em Sídon, de há muito se teriam convertido, vestindo-se de saco e com cinza. 22 Aliás, digo-vos Eu: No dia do juízo, haverá mais tolerância para Tiro e Sídon do que para vós. 23 E tu, Cafarnaúm, julgas que serás exaltada até ao céu? Serás precipitada no abismo. Porque, se os milagres que em ti se realizaram tivessem sido feitos em Sodoma, ela ainda hoje existiria. 24 Aliás, digo-vos Eu: No dia do juízo, haverá mais tolerância para os de Sodoma do que para ti.» 25 Naquela ocasião, Jesus tomou a palavra e disse: «Bendigo-te, ó Pai, Senhor do Céu e da Terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e aos entendidos e as revelaste aos pequeninos. 26 Sim, ó Pai, porque isso foi do teu agrado. 27 Tudo me foi entregue por meu Pai; e ninguém conhece o Filho senão o Pai, como ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar.» 28 «Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, que Eu hei-de aliviar-vos. 29 Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração e encontrareis descanso para o vosso espírito. 30 Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.»

 

Comentários:

 

Compreende-se a atitude de João: quer que os seus enviados confirmem pessoalmente quanto lhes tem dito sobre Jesus Cristo. Ouvindo da boca do próprio Senhor o que tem feito na sua missão por terras de Israel, compreendem que tal corresponde ao que estava anunciado a respeito do Messias, ou seja, que as Escrituras se cumprem à letra na Pessoa de Cristo. Assim se confirma a sua fé e podem seguir sem medo os ensinamentos de João Baptista seguros que eles os levam ao Redentor.

Será que, ao ler este trecho de São Mateus, podemos concluir que João não sabia quem era Jesus? Não! Em primeiro lugar eram primos, familiares próximos, João tinha – ainda no seio de sua mãe, Isabel, reconhecido Cristo como consta no trecho de São Lucas relativo à Visitação de Nossa Senhora – então, porque envia os seus discípulos a obter, directamente, uma confirmação do que já sabe? Pois… por eles mesmos, os seus discípulos que vendo o Senhor e ouvindo as Suas palavras ficam sem dúvidas ou quaisquer perguntas por responder. E, isto, é muito importante, porque serão estes mesmos discípulos de João que, mais tarde, se tornarão discípulos de Jesus, certos que seguem o caminho certo e a Pessoa que convém. Assim, o mestre, seja quem for, deve pôr à disposição dos seus seguidores a “chave” do conhecimento que tem e a origem do mesmo para que, quando oportuno, possam beber directamente da “fonte”, quanto lhes transmitiu e, assim, fortalecerem a sua fé e garantirem a verdade do que aprenderam.

Terão os ouvintes de Jesus percebido exactamente o que lhes disse sobre João Baptista? Talvez não e, por isso mesmo, o Senhor termina com um apelo: «Quem tem ouvidos, oiça!» Isto como se dissesse: Perguntai o que não sabeis, esclarecei o que não entenderdes, não vos fiqueis na dúvida, na interrogação, dando voltas à imaginação. Se quiserdes e assim pedirdes, tudo vos será explicado com meridiana clareza.

O Senhor discorre sobre a figura do Baptista com palavras simples que só podem ter uma interpretação. Deve-se ouvir mas também compreender o que se ouve. As dúvidas, se as houver, devem ser expostas de modo que fique bem ciente do que se ouviu e não haja “desculpas” para não proceder de acordo com o que se aprendeu.

O que na realidade interessa na vida do cristão são as obras que leva a cabo e não as intenções que possa ter. Qualquer pessoa é avaliada pelo que faz e não pelo que apregoa ou sugere. Porquê? Porque o exemplo vem das acções e não das intenções e, para arrastar outros há que dar o exemplo.

Muitos pensam que basta falar apregoar até pregar para arrastar outros para o caminho que leva a Deus. Não chega! Sem o exemplo de obras concretas que correspondam tudo não passará de intenções e acabará por não resultar.

Quando, mais tarde, Jesus afirmar que «Elias já veio» não fará mais que confirmar as palavras do Arcanjo na sua mensagem a Zacarias. Confirma, portanto, que o Baptista é um profeta que, como Elias, tem como principal missão anunciar a vinda do Messias.

João negará que seja Elias e não há aqui qualquer contradição, bem ao contrário, afirma o seu papel, a sua missão de Percursor. O Senhor que sabe tudo - o passado, o presente e o futuro - lamenta e deixa o Seu Coração Amantíssimo exprimir essa pena que sente. Ao mesmo tempo deixa um claro aviso: as acções divinas, os milagres, as graças, têm o objectivo claro de nos chamar a atenção para a necessidade de correcção de vida - emendatio vitae - enquanto temos tempo, isto é, agora! Esperar para mais tarde é um risco enorme que não devemos correr. Não sabemos nem o dia nem a hora. Portanto...

Jesus Cristo é O Profeta por excelência porque Ele sabe, conhece o passado, o presente e o futuro. Por isso mesmo não profetiza: afirma! Ao revelar o que acontecerá aquelas cidades quer que os que O ouvem tomem consciência da gravidade dos seus actos e as consequências destes no futuro. Apela à conversão e à penitência como o caminho a seguir – com urgência – para evitarem esses terríveis castigos.

Por vezes pode parecer-nos que Jesus Cristo tem um discurso algo “duro” e pronunciador de desgraças e cataclismos. Sim, também estes “elementos” fazem parte do discurso de Jesus porque, a Sua Missão principal – diria – é conduzir os homens ao arrependimento absolutamente necessário para obterem o perdão pelas suas faltas e, com esse perdão, conquistarem a Vida Eterna. Portanto, do que realmente se trata, é que o Senhor que só diz a verdade “doa a quem doer” e, a verdade que é por vezes difícil de aceitar, não pode ser escondida ou “camuflada” com belas palavras. Nunca – absolutamente – ninguém poderá dizer: ‘Se eu tivesse sabido a tempo…’

Os milagres que o Senhor prodigaliza destinam-se fundamentalmente a consolidar a fé dos que os constatam e a empreender uma revisão de vida conducente com o objectivo de alcançar a felicidade eterna. Não são um espectáculo mas sim sinais marcantes da verdade que O Senhor nos trouxe: «Quem puser em prática as Minhas palavras será salvo».

Nós cristãos dos dias de hoje, somos mais afortunados que os Apóstolos porque graças ao Espírito Santo conhecemos as verdades da nossa fé. Sabemos que Deus é Uno e Trino: Pai, Filho e Espírito Santo. De tal forma acreditamos que este é o Símbolo da nossa Fé.

Porquê o Senhor escondeu as verdades aos prudentes? O próprio Jesus Cristo aconselha os Seus discípulos a serem prudentes com as serpentes! Uma coisa não tem que ver com a outra. O conselho de Cristo refere-se ao apostolado, à difusão do Reino de Deus. As escolhas têm de obedecer a critérios que necessitam por sua vez de direcção espiritual. O que no Evangelho se refere é aquela prudência que leva muitos a tudo questionarem antes de aceitar seja o que for, mesmo que seja uma verdade evidente e venha de quem merece todo o crédito. Muitos dizem: ‘esperar para ver.´ É uma atitude cobarde e perigosa porque pode acontecer que essa espera não traga nenhum resultado.

Pode pensar-se que se as revelações de Jesus tivessem sido feitas aos sábios – os chefes do povo – estes poderiam ter acreditado e, assim, conduzirem por caminho seguro aqueles que deles dependiam. Mas, de facto, o Senhor falou sempre para todos e, a prova disso, é que vários chefes – do Sinédrio, como Nicodemos, ou de sinagogas – ouviram, entenderam e acreditaram. Mas, também de facto, os que acreditaram em Jesus e O seguiram, foram muito mais gente do povo anónimo, talvez sem grande instrução, mas sequiosos de uma doutrina que lhes trouxesse esperança e alívio ao mesmo tempo. Quem sabe muito tem muito maior responsabilidade, esta é a verdade, mas, quem sabe pouco tem em si mesmo uma muito maior disposição para ver e ouvir e, sobretudo, acreditar no que vêm e ouvem.

Uma e outra vez, a Liturgia apresenta este trecho do Evangelho escrito por São Mateus. A intenção é clara: que os cristãos fixem bem a importância – sim, digo bem – a importância que Jesus dá aos Seus irmãos os homens, a todos, sem fazer acepção de pessoas nem com critérios de cultura ou conhecimentos. Naturalmente que compreendemos que, quem mais precisa, serão aqueles que menos sabem, porque são menos dotados ou, simplesmente porque ninguém os ensina. As pessoas simples têm uma avidez - que não disfarçam – de ouvir as palavras de Jesus Cristo porque as compreendem e, compreendendo, acreditam e, acreditando, sabem que têm aberto o caminho para a salvação.

A revelação da figura de Deus Pai não está aberta a todos os homens? Segundo as palavras de Jesus Cristo, essa revelação depende exclusivamente da Sua vontade. Parece ser absolutamente natural já que "ninguém vai ao Pai senão através do Filho". Daí que seja fundamental conhecer intimamente o Filho antes de tudo o resto.

Acaso já pensámos que de facto somos esses "pequeninos" que o Senhor refere no Evangelho aos quais revela e mostra as verdades da fé, dando a conhecer o Pai? E, chegando a esta conclusão, não é natural e lógico que nos enchamos de alegria e demos frequentes graças por tão grandes benefícios? Aliás, a nossa vida inteira deveria ser uma constante acção de graças por tudo – absolutamente – tudo quanto temos e recebemos nos vem das mãos de Deus.

Nos dias de hoje a "pressão" sobre as pessoas é quase insuportável. Os "media" encarregam-se de nos fazer chegar em profusão notícias preocupantes de toda a ordem e, muitos, não sabemos os que fazer e, até, o que pensar. São as sociedades - os países - a desfazer-se nos princípios, nas raízes, nos costumes. É a "sanha" legislativa que atenta contra os mais elementares direitos das pessoas, das famílias, de sociedades inteiras impondo - ou pelo menos tentado impor - leis atentatórias da moral mais básica e elementar, os direitos decorrentes da própria dignidade do ser humano. De facto, nada disto é inteiramente novo, - basta-nos ler as Epístolas de São Paulo - mas a facilidade de comunicação e difusão actuais tornam-nos como que participantes involuntários e não podemos ignorar ou descartar o perigo - autêntico, real - para os mais novos, desprotegidos, ignorantes. Os "pequeninos" de que Jesus fala! Ponhamo-nos a Seu lado e confiemos na Sua protecção e Amor, rezemos sem descanso por todos esses "que não sabem o que fazem", mas que são nossos irmãos em Cristo.

A "escolha" de Deus a quem revelar as verdades da Fé, os princípios do comportamento dos Seus filhos de modo a merecerem o destino glorioso que lhes tem reservado, fica bem claro nas palavras de Jesus. A mim parece-me lógico e muito justo. Lógico porque os "sábios" não deveriam precisar de revelações, mas sim, utilizando os seus conhecimentos, chegarem a conhecer o que precisavam. Justo porque os "pequeninos" como Jesus lhes chama, não recebiam - como era seu direito - os ensinamentos fundamentais da doutrina. Apenas eram "massacrados" por um sem-fim de regras e disposições que os convertiam em "ovelhas sem pastor", ou seja, sem guia nem programa, auxílio ou refúgio. Nós somos, afortunadamente, esses pequeninos que o Senhor elegeu dando-nos os meios de salvação suficientes e seguros - os Sacramentos - e a possibilidade de a Ele recorrer sempre que necessário. Depois, o Espírito Santo infundiu em nós os Seus Dons tornando-nos aptos a compreender as verdades da Fé.

Jesus Cristo diz a respeito de Si próprio que é «manso e humilde de coração» duas virtudes que qualquer um de nós, cristãos, deve esforçar-se por cultivar. A mansidão é a virtude dos que «verão a Deus», segundo dirá no Sermão da Montanha. A humildade será, talvez, a mais perfeita e difícil de obter. A mansidão atrai, a humildade convence e não há apostolado credível sem que estas duas virtudes estejam presentes. Ambas são a expressão mais completa do cristão autêntico e, atrevo-me a dizer, arrastam com elas muitas outras virtudes necessárias para uma vida coerente e unidade de comportamento.

Somos, a maioria dos cristãos, pessoas normais e correntes, isto é, sem nenhuns atributos especiais que nos distingam. Somos, portanto, desses “pequeninos” que o Senhor elege com especial carinho. Que afortunados somos!

Mansidão o que é? Parece-me que a melhor definição se encontra no próprio Jesus Cristo: Ser como Ele foi em todas as circunstâncias da Sua vida terrena. Nunca deixou de afirmar e, por vezes com expressa veemência, a verdade, a justiça e, sempre, denunciando o erro, a hipocrisia, os falsos e pusilânimes. Ser manso não é fugir á luta quando é preciso lutar, evitar o confronto quando a verdade está em causa. Note-se que o Senhor, associa a mansidão à humildade e, se esta virtude é difícil de alcançar aquela não o será menos de conseguir.

Quer queiramos quer não, aceitemos ou repudiemos, Deus é o nosso Senhor. Criou-nos, mantém a nossa vida, pertence-lhe a decisão do momento da nossa morte. Ignorar estas verdades é andar pela vida de olhos fechados e ouvidos moucos comparando-nos aos irracionais que não pensam nem dominam a vontade. Para alguns, tal é limitar a sua liberdade que tanto estimam e defendem, mas estão errados porque o Senhor apenas convida não impõe.

São Mateus encerra o capítulo 11 do Evangelho que escreveu com estas palavras de Jesus. São palavras de misericórdia, de esperança, de confiança. Deseja que todos saibam que, Ele, está sempre presente para nos ajudar e socorrer e que o que temos de fazer para obter esse auxílio e conforto não pesa, não esmaga, antes é suave e compensador.

Sabendo o que somos e como somos, conhecendo intimamente os nossos defeitos e debilidades o Senhor propõe-nos como que um contrato de amor adequado para cada um. Esse contrato de amor não é mais que aceitar e cumprir, em tudo, a Sua vontade tendo a certeza que não só é o melhor para nós como a garantia do Seu auxílio para o fazer. No fim e ao cabo: confiança e humildade!

Um jugo suave e uma carga leve! É com certeza o que desejamos. Por vezes a vida traz-nos cargas difíceis de suportar sofrimento amargura e não sabemos o que fazer para ultrapassar esses momentos. Outras vezes é o jugo dos nossos defeitos e vícios que nos mantém amarrados, incapazes de dar um passo em frente. (O jugo era um colar, normalmente de ferro que os conquistadores colocavam ao pescoço dos conquistados não só para marcar a sua propriedade mas, também, para mais facilmente os poderem amarrar obrigando-os a ir para onde queriam.) Rezar é a única solução. Não pedir ao Senhor que nos poupe até porque Ele nunca consentirá que sejamos provados além das nossas forças, mas antes oferecer essa provação pedindo que nos ajude a superá-la.

Quantas vezes não comprovámos a realidade prática destas palavras de Cristo! Sabemos muito bem recorrer a Ele quando os revezes da vida parecem esmagar-nos e não encontramos soluções. Espanta-me sempre a atenção com que O Senhor escuta os meus pedidos de ajuda como se eu merecesse! Depois penso que nunca merecerei e que apenas e exclusivamente se deve à Bondade do Senhor. Sim, é verdade, sou pronto e rápido na petição, mas, e em agradecer?

30/03/2023

Comunicações em Março 30


 

DENTRO DO EVANGELHO

 


(Mt X)

 

1 Jesus chamou doze discípulos e deu-lhes poder de expulsar os espíritos malignos e de curar todas as enfermidades e doenças. 2 São estes os nomes dos doze Apóstolos: primeiro, Simão, chamado Pedro, e André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão; 3 Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o cobrador de impostos; Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu; 4 Simão, o Zelota, e Judas Iscariotes, que o traiu. 5 Jesus enviou estes doze, depois de lhes ter dado as seguintes instruções: «Não sigais pelo caminho dos gentios, nem entreis em cidade de samaritanos. 6 Ide, primeiramente, às ovelhas perdidas da casa de Israel. 7 Pelo caminho, proclamai que o Reino do Céu está perto. 8 Curai os enfermos, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demónios. Recebestes de graça, dai de graça. 9 Não possuais ouro, nem prata, nem cobre, em vossos cintos; 10 nem alforge para o caminho, nem duas túnicas, nem sandálias, nem cajado; pois o trabalhador merece o seu sustento. 11 Em qualquer cidade ou aldeia onde entrardes, procurai saber se há nela alguém que seja digno, e permanecei em sua casa até partirdes. 12 Ao entrardes numa casa, saudai-a. 13 Se essa casa for digna, a vossa paz desça sobre ela; se não for digna, volte para vós. 14 Se alguém não vos receber nem escutar as vossas palavras, ao sair dessa casa ou dessa cidade, sacudi o pó dos vossos pés. 15 Em verdade vos digo: No dia do juízo, haverá menos rigor para a terra de Sodoma e de Gomorra do que para aquela cidade.» 16 «Envio-vos como ovelhas para o meio dos lobos; sede, pois, prudentes como as serpentes e simples como as pombas. 17 Tende cuidado com os homens: hão-de entregar-vos aos tribunais e açoitar-vos nas suas sinagogas; 18 sereis levados perante governadores e reis, por minha causa, para dar testemunho diante deles e dos pagãos. 19 Mas, quando vos entregarem, não vos preocupeis nem como haveis de falar nem com o que haveis de dizer; nessa altura, vos será inspirado o que tiverdes de dizer. 20 Não sereis vós a falar, mas o Espírito do vosso Pai é que falará por vós. 21 O irmão entregará o seu irmão à morte, e o pai, o seu filho; os filhos hão-de erguer-se contra os pais e hão-de causar-lhes a morte. 22 E vós sereis odiados por todos, por causa do meu nome. Mas aquele que se mantiver firme até ao fim será salvo. 23 Quando vos perseguirem numa cidade, fugi para outra. Em verdade vos digo: Não acabareis de percorrer as cidades de Israel, antes de vir o Filho do Homem.» 24 «O discípulo não está acima do mestre, nem o servo acima do senhor. 25 Basta ao discípulo ser como o mestre e ao servo ser como o senhor. Se ao dono da casa chamaram Belzebu, o que não chamarão eles aos familiares! 26 Não os temais, portanto, pois não há nada encoberto que não venha a ser conhecido. 27 O que vos digo às escuras, dizei-o à luz do dia; e o que escutais ao ouvido, proclamai-o sobre os terraços. 28 Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma. Temei antes aquele que pode fazer perecer na Geena o corpo e a alma. 29 Não se vendem dois pássaros por uma pequena moeda? E nem um deles cairá por terra sem o consentimento do vosso Pai! 30 Quanto a vós, até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados! 31 Não temais, pois valeis mais do que muitos pássaros.» 32 «Todo aquele que se declarar por mim, diante dos homens, também me declararei por ele diante do meu Pai que está no Céu. 33 Mas aquele que me negar diante dos homens, também o hei-de negar diante do meu Pai que está no Céu. 34 Não penseis que vim trazer a paz à terra; não vim trazer a paz, mas a espada. 35 Porque vim separar o filho do seu pai, a filha da sua mãe e a nora da sua sogra; 36 de tal modo que os inimigos do homem serão os seus familiares. 37 Quem amar o pai ou a mãe mais do que a mim, não é digno de mim. Quem amar o filho ou filha mais do que a mim, não é digno de mim. 38 Quem não tomar a sua cruz para me seguir, não é digno de mim. 39 Aquele que conservar a vida para si, há-de perdê-la; aquele que perder a sua vida por causa de mim, há-de salvá-la.» 40 «Quem vos recebe, a mim recebe; e quem me recebe, recebe aquele que me enviou. 41 Quem recebe um profeta por ele ser profeta, receberá recompensa de profeta; e quem recebe um justo, por ele ser justo, receberá recompensa de justo. 42 E quem der de beber a um destes pequeninos, ainda que seja somente um copo de água fresca, por ser meu discípulo, em verdade vos digo: não perderá a sua recompensa.»

 

Comentários:

 

Eis os Doze! Eis as colunas sobre as quais, Cristo levantará a Sua Igreja! Homens comuns sem grandes predicados ou instrução e, no entanto, levaram a cabo o que poderíamos apelidar “missão impossível” e, mais, completando-a gloriosamente quase todos “pagando” com a própria vida a sua ousadia. Devemos, todos os homens em geral e os cristãos em particular, uma autêntica e profunda gratidão pelo que nos deram: A Santa Igreja!

As instruções de Jesus são claras: «Ide, primeiramente, às ovelhas perdidas da casa de Israel» Parece muito lógico porque o Senhor procura, quer recuperar o que está perdido, desorientado, sem caminho seguro. Depois, sim, depois virão todos os outros de todos os lugares da terra porque por todos o Senhor deu a Sua Vida e Ressuscitou. A partir da Sua Ressurreição todos os homens serão convertidos em filhos de Deus e, então sim, têm “direito” a conhecer o Reino, a Doutrina para terem pleno acesso à Fé que salva.

Eis o Colégio Apostólico. Nome muito apropriado a estes doze homens escolhidos pessoalmente por Jesus Cristo. Apropriado porque, Ele é o Mestre que ensina e guia. Os doze são os alunos que O seguem mais de perto, aprendem e põem em prática o que lhes manda.

Quando um chefe, um rei, um proprietário encomenda a alguém uma tarefa dá instruções precisas aos enviados para fazerem o que deseja e como o devem fazer. A iniciativa pessoal será sempre necessária, mas, o deveras importante, é cumprir quanto e como lhe é encomendado por quem tem o múnus ou o poder para tal. Seguramente que não será aceite um trabalho mal feito, apressadamente levado a cabo, sem empenho nem dedicação que garantam a satisfação de quem deu as ordens e instruções.
Os cristãos têm de ter bem presente que as instruções do Senhor são para cumprir sem o que correm o risco de se apresentarem julgamento final e decisivo de mãos vazias, e, aí, já será tarde demais para corrigir.

Como um excelente “director espiritual” Jesus Cristo não só dá instruções precisas de como actuar como, além disso, recomenda a postura correcta que o apóstolo deve ter. A nossa iniciativa pessoal fica assim enformada por estas instruções e não teremos que “inventar” nada para cumprirmos o que nos propomos. Vamos – todos os homens devem ir – apresentar algo que não é nosso mas do Senhor, é natural, portanto, que usemos as Suas instruções com o rigor possível e adequado a cada circunstância. Se assim procedermos, estamos certos que o nosso trabalho apostólico dará frutos.

Jesus Cristo, o Príncipe da Paz, insiste na paz interior de quem tem por missão difundir a Sua Palavra. Ninguém pode conseguir o que for se não estiver em paz consigo próprio e, esta, só se alcança quando se está absolutamente seguro de que o que se faz é bem feito, com o empenho total e a disponibilidade absoluta que Cristo pede aos Seus pastores. Homens santos, autênticos, de altar, que ponham no seu trabalho de pastores de almas estritamente o que a Igreja manda, sem acrescentar da sua lavra o que for. A Santa Igreja é de Cristo, sua Cabeça, a Doutrina é a Doutrina de Cristo e, o modo de a aplicar é seguindo com obediência e fidelidade estritas o que manda o Magistério.

Senhor, eu julgo precisar dessas coisas todas: o oiro, a prata, o vestido, o alforge o calçado…  Agarrado a tudo isto e, a tudo o mais que a minha pobre humanidade me prende, mal me sobra “cabeça” para me entregar ao que de mim esperas e porque esperas de mim tais coisas como se, eu, fosse alguém em que merecesse a pena confiar? Tu não me conheces, Senhor! Não sabes das minhas fraquezas, do pouco que sou! Ah!... Mas, Tu, sabes mais, esta é a verdade, e se me escolhes é porque eu terei capacidade de para corresponder. Ajuda-me, Senhor, a não defraudar a Tua confiança em mim. Serviam!

Despido de coisas supérfluas, nu de roupagens excessivas e atavios desnecessários, lanço-me à tarefa que me ordenas, meto ombros aos encargos que me entregas sem me deter a considerar as minhas misérias, o pouco que sou, o nada que valho. Se o fizesse, ficaria parado, aturdido pela grandeza da tarefa para os meus fraquíssimos recursos. Não! Se me escolhes é porque me encontras préstimo; se me chamas é porque desejas que corresponda. Por isso e sem mais Te digo: Ecce ego quia vocasti me!

Não obstante ser um costume daqueles tempos - desejar a paz - e, ainda hoje ser comum sobretudo no Oriente, perdeu-se o sentido profundo do seu verdadeiro significado. Desejar a paz é a melhor coisa que podemos querer para alguém, querer a paz deveria ser o desejo de qualquer ser humano. Não esqueçamos, porém, que a paz pessoal, a paz de espírito é o bem mais precioso que podemos ambicionar porque não é possível propagar a paz à nossa volta - como é dever de todo o cristão - se nós próprios não a tivermos em nós.

Fala-se constantemente de paz, justamente por ela não estar, como deveria, instalada no mundo. A paz verdadeira, a única que nos deve interessar, é a paz de Cristo. A paz que os homens almejam não é a conseguida com a imposição, à força quer seja à mesa de negociações quer alcançada no campo de batalha. Para ter paz é preciso, antes de mais, estar pronto, disponível para não ceder sem hesitação naquilo que, em nós, não passa de capricho ou teimosia. Enquanto o não fizermos é inútil perseguir a paz porque, não a tendo em nós mesmos, jamais a alcançaremos.

Não vamos fazer apostolado carregados - por assim dizer – com inúmeras virtudes, bens, poderes. Vamos como simples cristãos confiados que o Senhor porá o que nos faltar, que, talvez seja muito, para nós, mas, para Ele, nada representa. Não esqueçamos nunca que o apostolado é um trabalho pessoal que devemos fazer, sempre em nome de Jesus Cristo e nunca nos preocupemos com a possibilidade de “não estarmos à altura da tarefa”. Ele, conhece-nos intimamente – melhor que nós próprios nos conhecemos – e, se nos incita a ser apóstolos é porque, na Sua Infinita Sabedoria, quer que o façamos. Mal fora se o apostolado estivesse reservado só aos sábios e dotados de inúmeras virtudes, não teríamos, a maior parte de nós, lugar nessa tarefa. Não esqueçamos que tudo começou com uns simples doze homens, de escassa cultura e com inúmeros defeitos e debilidades e, no entanto, o que fizeram ficou para sempre, ficará para sempre!

Tudo quanto Jesus Cristo anuncia não é um vaticínio, uma previsão, mas sim uma profecia e, como todas as profecias, há-de verificar-se palavra por palavra, tal qual sem qualquer alteração. Os profetas do A T, falavam de forma figurada, por imagens mais ou menos claras, muitas vezes algo enigmáticas. Jesus Cristo não! Revela com clareza - e até detalhe - o que acontecerá. Eles profetizavam em nome d’Ele, Ele, afirma o que sabe irá acontecer.

Parece que Jesus Cristo convida os Seus seguidores a uma vida impossível, nada atraente. De facto, ao longo dos tempos e até aos dias de hoje, tudo quanto diz se tem verificado e, às vezes, com violência e “ferocidade” tais que raiam o inumano. Não obstante, nunca faltaram seguidores – nem faltarão – alguns de forma tão completa e total que entregam as suas vidas única e exclusivamente ao Seu serviço. Será que, esta atracção que Cristo exerce sobre os que O ouvem é assim tão forte e irrecusável? Será que o prémio prometido excederá em muito o imaginável? Ambas são razões fundamentais e bastantes para justificar esse cortejo santo de homens e mulheres que seguem Cristo e vão pela vida espalhando a Sua Palavra, arrastando outros com o seu exemplo.

Porque será que, seguir Cristo, é tarefa tão difícil e, ao mesmo tempo, atraente? É possível que – como alguns defendem – o homem seja intrinsecamente mau e, portanto, seguir Jesus que É intrinsecamente Bom vai contra a sua natureza? Não! Em primeiro lugar porque o homem não é intrinsecamente mau nem nunca o poderia ser porque Deus não pode criar nada que não seja muito bom. E, depois, porque o Demónio se esforça continuamente por o afastar do caminho recto apresentando-lhe visões de felicidade pessoal que o atraem e, não poucas vezes, o arrastam. Só que o demónio não pode prometer nada porque, embora tenha um enorme poder, não pode “comandar” o futuro e, muito menos, que o que promete seja bom porque, ele, sim, é intrinsecamente mau. Por isso mesmo Cristo nos ensinou a pedir no “Pai-Nosso”: «não nos deixeis cair em tentação e livrai-nos do mal»

Não parece muito atraente a decisão de seguir Jesus se considerar-mos todas as vicissitudes que se apresentarão aos Seus fiéis seguidores. Há, no entanto, uma promessa solene que o Senhor faz: a assistência do Espírito Santo em todos os momentos, particularmente naqueles em que o perigo ou a complexidade da situação seja difícil ou mesmo impossível de “controlar”. E, como para Deus não há impossíveis e Ele nunca falta ao que promete, podemos estar descansados e em paz.

De todas a virtudes humanas a perseverança será, talvez, a mais difícil de conseguir em plenitude. Porque tem de ser diária, constante, sem pausa. Não se persevera em algo de “tempos a tempos” mas com tenaz constância como algo que nos torna iguais a nós mesmos, ao que queremos ser, ao que devemos ser. A perseverança traz consigo um cortejo de virtudes que dificilmente sobreviveriam se a não tivéssemos.

Não é próprio do cristão ter medo das consequências que possam advir por seguir Cristo. Isso, que é fácil de dizer, ganha especial relevância nos dias de hoje em que em diversas partes do mundo se manifesta, por vezes de forma brutal, o ódio a Cristo, à Sua Igreja, aos cristãos. Por aqui, na Europa, parece estarmos a salvo dessas perseguições, mas, de facto, continua e cada vez mais, a necessidade de afirmar as verdades da e agir sem receio e decididamente contra essas outras formas de ataque à Santa Igreja, à Fé e princípios cristãos que se manifestam sob a forma de leis iníquas e atentatórias da dignidade do ser humano em geral e do cristão em particular.

Jesus Cristo ”sossega” os espíritos dos que O ouvem e se sentem atraídos pela Sua doutrina mas, ante as dificuldades e obstáculos que advinham hesitam em dar o “passo decisivo”. Assegura os “cuidados” e atenção de Deus Pai por cada um dos Seus Filhos e o que, secretamente alguns tentarão dizer para os afastar ou atemorizar, se virá a saber publicamente como sendo obra do demónio, o pai da mentira. Diremos: Eu sou de Cristo! E ouviremos a Sua iniludível confirmação: E, Eu, sou Teu irmão!

Temer o demónio? Parece que é esta a recomendação de Jesus, tal como Evangelista escreve, mas o que na verdade quer dizer é que devemos ter cuidado com as tentações que, quando menos esperamos, ele insinua no nosso espírito. Já o dissemos e repetimos com absoluta segurança: o demónio não tem qualquer poder sobre nós a menos que nós próprios lho outorguemos. Nem devemos ter medo das tentações porque o Senhor prometeu que jamais consentiria que fossemos tentados além das nossas forças. Uma coisa é ter medo outra, completamente diferente, é ter cuidado e cautela redobrados, sobretudo naquelas situações ou circunstâncias em que podemos estar mais frágeis ou pouco vigilantes. No Pai-Nosso, Jesus Cristo ensinou-nos que não devemos pedir não ser tentados, mas sim força, ânimo e ajuda para não cairmos na tentação. Ah! E sabemos muito bem que quanto mais progredimos na nossa união com Cristo mais o demónio se encarniçará contra nós, por isso, tenhamos especial cuidado na vigilância e unidade de vida e, assim, estaremos a salvo.

Sem dúvida que a forma mais eficaz de não cair em tentação é evitar decididamente e sem delongas as ocasiões e circunstâncias que, bem sabemos, são propícias para que ocorram. Mais vale prevenir…

Audácia e confiança! É o que o Senhor nos pede a todos os cristãos. A história da humanidade está repleta de exemplos – que continuam um pouco por toda a parte ainda nos dias de hoje – desses muitos milhares e pessoas que escolheram não ter medo, nem receio, nem respeitos humanos, antes foram por toda a parte anunciando o Evangelho cumprindo o mandato recebido de Cristo. A Sua Igreja, continuamente regada pelo sangue destes mártires, é Santa e imperecível. A todos, nós cristãos de hoje, devemos muito, muitíssimo, a estes autênticos heróis da cristandade.

Em síntese o que o Senhor nos recomenda é critério na ordem do nosso amor, das nossas prioridades. Sempre e em qualquer circunstância, o que interessa é termos Deus em primeiro lugar e observar as condições para O seguir. Senhor: Que eu saiba ordenar bem o meu amor. Em primeiro lugar… Tu, Senhor do Céu e da Terra, Criador de todas as coisas. Todos os outros amores, por limpos, honestos, verdadeiros que sejam, ou possam parecer, devem ordenar-se a este. De Ti me vem tudo, a própria vida. Tudo, absolutamente, quanto tenho, Te pertence. Para Ti caminho, de Ti recebo a força, a inspiração, o alento para a caminhada e ainda o perdão das minhas numerosas faltas. Não guardando agravos, demonstras, a cada instante, a Tua Omnipotente Misericórdia. Peço-te, Senhor, que recebas o meu amor como se fosse o único amor que tens na terra. Assim não notarás como é pequeno, miserável... Serei feliz porque mesmo sabendo o pouco que é, como to dou todo... fico disponível para me “encher” do Teu...»

Jesus Cristo não poupa os avisos sobre as dificuldades que, os que O seguirem, hão-de encontrar. Dificuldades e obstáculos de toda a ordem muitas vezes parecendo impossíveis de superar. E, de facto, são-no para nós que nada podemos, mas, Ele não nos faltará nunca para que possamos. Este Senhor, Todo-Poderoso, promete uma recompensa por um simples copo de água dado em Seu Nome! Vale a pena, pois, perseverar e lutar sem descanso com confiança absoluta naquele que tudo pode.

A Liturgia repete, no mesmo ano, o mesmo trecho de São Mateus. Porquê? Julgo que o tema é por demais importante para que os cristãos tenham bem claro o que Ele pede aos que O seguem ou, desejam segui-lo. Não esconde nem “emoldura” a verdade, bem ao contrário, mostra as dificuldades e obstáculos que, os que optarem por esse caminho, hão-de encontrar. Mas, a verdade, é que nunca faltaram – nem faltarão jamais- homens e mulheres de todas as raças e condições sociais, que optarão por esse caminho e – atenção – não necessariamente retirados do mundo, nos claustros de um convento. Na vida corrente, podemos encontrar a cada passo pessoas que vivem no mundo, mas “não são do mundo” porque tudo quanto fazem é para honrar e dar glória Deus. São estes “alicerces” em que se apoia a santidade da Igreja de Jesus Cristo, em que nos apoiamos todos os cristãos, que nos servem e exemplo a seguir, nos animam e são, de certo modo, a garantia de que é possível viver como Deus quer que vivamos.

A vida de um cristão é uma vida de luta. Em primeiro lugar consigo próprio no esforço contínuo de fazer a Vontade de Deus. Para alguns esta luta reveste-se de particular dificuldade e, até, violência, sobretudo para os que vivem em ambientes adversos onde a prática da fé requer heroicidade denodada. Temos todos a obrigação de ajudar estes muitos irmãos nossos rezando por eles e com a oferta de algum sacrifício ou privação.

O grande tema deste trecho de São Mateus é o amor. Porquê? Porque, na verdade, se trata de ordenar convenientemente o nosso amor. Se bem que todos os amores sadios, honestos, sinceros sejam de cultivar e ter em conta é fundamental ter muito claro as prioridades. Em primeiro lugar amar a Deus sem limites ou condições e, em consequência, amar o próximo. Estes dois “amores” encerram em si mesmos toda a Lei e garantem a felicidade eterna. É fácil amar a Deus? Não é, o próprio Jesus Cristo o infere nas palavras deste texto, mas, por isso mesmo, a recompensa – que na verdade não tinha porque nos dar – é de tal forma grandiosa e extraordinária que vale bem o esforço da vontade em consegui-lo.

Parece haver alguma contradição nas palavras de Jesus e o Seu “título” de PRÍNCIPE DA PAZ. Na verdade, não há porque, como nós próprios constatamos cada dia que passa é que a paz só é possível com o amor. Ora, se este amor não está devidamente ordenado, os conflitos são inevitáveis. Amar a Deus sobre todas as coisas e pessoas, com amor total e sem condições e, depois, amar os outros – todos os outros – como a nós mesmos. Só cumprindo estas “condições” da Lei de Deus, pode haver felicidade e paz.