25/12/2022

Publicações em Dezembro 25

 


Dia de Natal

 

 

DENTRO DO EVANGELHO

Re: Lc II, 1-20

Sentia-me completamente transformado pelo que ontem acontecera, compreendi que tinha presenciado o Nascimento do Salvador, Aquele que os Profetas tinham anunciado que haveria de chegar.

Não podia deixar aquela singela Família por mais tempo no estábulo onde a jovem Mãe dera à luz e, por isso, preparei a minha própria casa para os receber dignamente.

De facto, não me poupei a esforços ou gastos e convocando pessoal para me ajudar tudo ficou pronto em dois dias.

Practicamente construi um casa nova separada da outra, com duas amplas salas e demais divisões e acrescentei um grande alpendre onde a gente que não parava de chegar pudesse albergar-se com algum conforto durante o tempo necessário para poderem regressar à sua terra.

O Marido ajudou sobremaneira, sobretudo nos trabalhos de carpintaria nomeadamente na construção do parco mobiliário.

A única coisa que não providenciei foi iluminação, não era preciso, o ambiente estava permanentemente inundado daquela luz extraordinária que já tinha visto no presebre.

Bem por cima, a mesma estrela continuava a brilhar dia e noite indicando o caminho aos muitos, não só os pastores mas também outras pessoas que vinha de povoações próximas para verem o Menino.

Estranhamente, com toda esta actividade, não parava um minuto, não estava cansado tal era a alegria que me inundava, a minha casa era a Morada da Excelente Família de Jesus Cristo.

Hoje, já passados alguns anos, tenho gravadas na memória e, sobretudo no coração, esses dias extraordinários.

Peço ferverosamente ao Menino que continue a morar, permanentemente, no meu pobre coração.

  

 

 

 

 

24/12/2022

Publicações em Dezembro 24

         


       DENTRO DO EVANGELHO

Devo a São Lucas esta dissertação que hoje me ocorre.

Não tive de fazer grande esforço, o génio literário do Evangelista, pinta as cenas com tal detalhe e nitidez que basta contemplar para as viver intensamente...

A minha é a última casa da povoação, a seguir são pequenos armazéns de produtos agrícolas, alfaias, etc.

Pela noitinha bateram à minha porta e deparei-me com um casal jovem de aspecto simples e anódino.

Ele disse-me que vinham de viagem há três dias para virem cumprir o Édito de César q,ue obrigava ao recenciamento de todo os súbditos do Império Romano.

Disse-me que não tinham encontrado alojamento em lado nenhum e implorava que lhes desse guarida; não poderiam pagar porque não tinham recursos mas que, ele, estava disposto a prestar os serviços que pudesse precisar nomeadamente de carpinteiro que era a sua profissão e insistia dizendo que a sua esposa estava prestes a dar à luz.

Fiquei ali, à porta, sem saber o que dizer, sou um homem de negócios e, reconheço, de coração duro... mas, ao olhar para a jovem Mâe sentada no burrico, a serenidade da sua face foi como que um choque no meu coração, de modos que, sem saber muito bem o que dizia, respondi:

A estalagem está a abarrotar, a casa está cheia de amigos e parentes... mas... aqui a uns metros tenho uma gruta que uso como depósito agrícola e também estábulo... se quiserem... está ao dispor.

Agradeceram muito e lá foram.

Uma estranha sensação de bem-estar invadia o meu coração... tinha feito algo bom e fui deitar-me muito contente.

Pela meia-noite, acordei com um ruído inusitado, fui ver...

Da gruta irradiava uma luz iridiscente que iluminava tudo em redor, no Céu soavam cânticos e Hossanas, uma fila de pastores dirigia-se ao local, pareceu-me que guiados por uma estrela de brilho nunca visto que pairava sobre a gruta.

Como já disse, sou um homem prático e não muito dado a acreditar em "fenómenos" ou coisas que não se apresentam claras, naquele tempo eram frequentes os "mágicos" dominarem os incautos com truques e artimanhas para obterem os proventos de que viviam, mas, fui ver o que se passava.

A gruta estava limpa, a palha arrumada, o chão varrido, a vaca e o burrico deitados remoiam pacificamente; no centro uma pequena manjedoura onde um recém nascido, envolto em paninhos, sorria e agitava os braços.

Não sei como... caí de joelhos em terra e fiquei-me a olhar para aquele Menino enquanto uma alegria e paz indizíveis me inundavam o coração. Nesta noite, eu, este sujeito inteligente, escritor brilhante, sinto-me um "analfabeto" incapaz de encontrar as palavras certas que descrevam o que sinto.

Nesta noite santa, eu, ajoelho-me ante o Presépio e digo:

- Meu Menino Jesus, faz com que o meu pobre coração seja o Teu Presépio!

 

CONSIDERANDO NO ADVENTO

 

Considero o Natal, entre muitas outras, a Festa da Serenidade.

No maior, mais extraordinário acontecimento da História da Salvação Humana - o Nascimento do Salvador - tudo se processa sem tumultos, algazarras, foguetes pelos ares, gente a correr ávida de notícias; não! Uns simples pastores, avisados pelos Anjos, deslocam-se curiosos ao Presépio de Belém para ver Aquele Menino recém nascido.

O ambiente é extremamente sereno, uma jovem Mâe e o seu Marido, debruçam-se sobre uma manjedoura onde um Menino envolto em paninhos, sorri agitando os braços.

Testemunhas? Dois animais pacíficos por natureza... uma vaca e um jumento.

De repente tudo se modifica quando um extraordinário coro celeste rompe em hinos de alegria e louvor, as estrelas parecem dançar no céu e a Lua brilha com uma intensidade nunca vista.

São sinais suficientes para os simples pastores compreenderem que estão na presença de algo absolutamente extraordinário e, por isso, caem de joelhos em terra, prostram-se comovidos e, depois, oferecem o que têm: leite, queijo fresco, talvez um cordeiro.

Quando regressam e contam o que constataram, muitos acreditam mas, há muitos outros que se encarniçam contra estas notícias opinando que são delírios de gente sem instrução nem gabarito.

Entre estes avultam os Escribas e os Fariseus chefes do povo. Sabem muito bem intrepertar os acontecimentos, constam nas Escrituras; e entendem que o Tempo de Mudança conforme anunciado chegou; vêem com extrema inquietação o fim do seu despótico domínio... um "desastre" com consequências irreparáveis.

Aqui não há serenidade mas temor e raiva.

 

Na véspera do Natal tomam vulto as memórias de outros tempos em que, estes dias que antecedem uma Festa especialíssima, eram como que um “frenesim” de tarefas que se impunham: construir o Presépio, considerar as ementas para as refeições, comprar os “presentes” para os mais pequenos, para os outros todos da família, grande ou pequena, enfim…

Agora, neste ano de 2021 que vivemos, tudo parece um pouco “esfumado”, incerto…

Mas, temos de pensar e ter bem presente, que o Natal é a Festa do Nascimento de Jesus e que, Ele é que deve merecer todo o nosso reparo e atenção.

Tudo o resto… sim… faz parte da nossa humanidade mas, o que realmente interessa é prepararmos o nosso espírito para O receber condignamente com a alegria e esperança que o Seu Nascimento nos deve trazer.

Uma vez mais, Senhor Jesus, se comemora o Teu Nascimento na gruta de Belém.

A Tua humanização real e verdadeira como qualquer comum mortal.

Não Te contentasTe em amar perdidamente estes homens que se esquecem tantas vezes do Teu amor e, não ficando apenas por esse esquecimento, ainda Te ofendem negando a Tua realidade.

Não Te bastava todos os bens, a Terra inteira posta à disposição dos homens para que a gozem e dela usufruam, todas as maravilhas que criasTe, todas as belezas que a cada momento descobrimos nos mais pequenos detalhes de tudo quanto nos rodeia. Não, Senhor, não te bastavam todas estas coisas, quisesTe ainda ir mais longe, tomar a forma e o corpo humanos, Tu, Deus, Senhor absoluto de tudo, quisesTe nascer como qualquer vulgar filho Teu, no meio das dores do parto, no choque abrupto com o meio ambiente e, ainda por cima, quase despercebido de toda a humanidade.

Não fora os pastores e aqueles sábios que de longe vieram adorarTe e Tu, meu Senhor, nascerias sozinho na companhia apenas da Tua Santíssima Mãe e do maravilhoso e santo Pai Adoptivo.

Bem sei que os Anjos do Céu, os Teus Anjos, não poderem resistir e vieram adorarTe, ali, no Teu berço improvisado.

Bem sei que toda uma legião de homens bons e justos aguardavam ansiosamente o Teu nascimento e depois a Tua morte para poderem entrar no gozo pleno do Céu, estavam estáticos e maravilhados olhando para a cena encantadora e singela de um Deus omnipotente a tronar-Se Homem Verdadeiro.

Sim, sei isso tudo, mas,  a minha imaginação defeituosa leva-me a ter uma inveja enorme e uma pena profunda de ainda não existir naquele momento e não estar naquele local para Te adorar, para Te embalar com os meus cânticos, para simplesmente Te mirar admirado e contrito.

Inveja e pena, não tenho infelizmente outras palavras para descrever o que sinto, porque se me tivesse sido dada tal ventura, estou certo que teria merecido o Céu e a Ventura Eterna.

Porque estou convencido que nenhum daqueles homens simples que acorreram ao chamamento dos anjos estará noutro sitio que não no Céu pois só a Tua presença é suficiente e bastante para santificar um homem.

Pena, porque seria um homem simples, com uma vida simples e sem grandes preocupações nem grandes sonhos disparatados e impossíveis e, na sua grande maioria, sem interesse nenhum.

Seria já feliz na Terra e seria, com certeza, muito feliz no Céu.

Tu, assim não o quisesTe, ou melhor, Tu quisesTe que eu nascesse muito depois e tivesse muito mais coisas que aqueles pastores, muito mais bens, mais cultura mais preocupações intelectuais, talvez mais capacidades humanas e, sem duvida nenhuma, muito mais responsabilidades porque muito mais me foi dado.

Não estou, Senhor, descontente com a minha situação e por não ter usufruído dessa graça extraordinária de Te adorar em Belém. Estou descontente, isso sim, comigo mesmo e com o que tenho feito e deixado de fazer para merecer todos os dons e benefícios de acima falo.

Do rendimento que tenho dado a tudo quanto me desTe e comulasTe.

Os avanços e recuos da minha vida, os esquecimentos, os comodismos, a falta de perseverança, o orgulho tonto e desmedido em coisas que não são minhas mas que Te pertencem inteiramente.

A pena que tenho e o desgosto que sinto pelas inúmeras ofensas da minha vida passada e presente.

Assisti indiferente ao Teu sofrimento e Morte na Cruz.

Não me comoveram as Tuas feridas, as Tuas dores e o certo é que, muitas delas, eram de minha responsabilidade pessoal minhas e Tu as acarregasTe por mim.

Por isso, Senhor, por isso Tu não me quisesTe em Belém quando nascesTe; eu não sou digno, não seria digno, de tal graça.

Contento-me, pois, meu Menino Jesus, em olhar-Te de longe no Teu berço e pedirTe com fervor que é também contrição e adoração profundas, que não Te esqueças deste pobre irmão Teu, nascido depois de Ti, e que me dês a graça de poder adorarTe por toda a vida que me restar, louvarTe no Teu Nascimento que amanhã se comemora, de forma a poder merecer a Tua morte na Cruz e obter a salvação eterna da minha alma.

Só isso realmente me interessa.

Bendito sejas Senhor Jesus, pela Tua Natividade e benditos sejam todos os homens que Te receberam no Teu Presépio.

 

23/12/2022

Publicações em Dezembro 23

 


 

CONSIDERAÇÕES NO ADVENTO 

 

A Paz autêntica só se pode encontrar junto de Jesus Cristo, o PRÍNCIPE DA PAZ.

Sabemos, os cristãos que esta é uma verdade porque Ele Próprio disse:

"Dou-vos a Minha Paz".

Admira-me, por vezes, que tenha sido necessário um sofrimento e uma morte inauditos para a consumação desta promessa mas, compreendo que para alcançar a  paz de Cristo seja absolutamente necessário estar disposto a quanto for necessário.

A Paz é um bem de inestimável valor e, por isso mesmo, os homens procuram alcançá-la a qualquer preço, só que muitas vezes procuram-na onde ela não está porque não sabem o caminho ou não se dispõem a andá-lo.

"Si vis pax para belum", dizia Séneca e, eu, acrescentaria:

Procura a paz preparando-te para a guerra sem quartel nem descanso contra os teus defeitos, a tua maneira de ser, orgulhos e preconceitos, julgamentos dos outros, criticas exarcebadas, culto da personalidade, e essa paz que procuras virá pouco a pouco até tomar total conta de ti".

Procura o Menino no Presépio, contempla-O devagar e encontrarás Paz.

 

A hipocrisia é um defeito terrível que Jesus Cristo veementemente condena como com frequência os Evangelhos referem.

Pretender que nos tomem por alguém que não somos, aparentar virtudes que não possuímos, dizer que não sabemos o que realmente conhecemos enfim, deturpar, enganar, fingir são próprios de alguém detestável em quem não se pode confiar o que for.

Amiúde somos levados a julgar, ou pelo menos, avaliar, as atitudes e comportamentos dos outros.

Seria muito útil para nós pensar que esses outros talvez tenham a mesma atitude para connosco e tal deveria levar-nos a uma conduta irrepreensível.

O são critério deve estar sempre presente quando se trata de falar de Deus aos outros.

É contraproducente falar de Deus e de coisas santas - «as vossas pérolas» - a pessoas que ou não sabem ou não têm qualquer interesse em saber e, nalguns casos – bastantes infelizmente – as perguntas que possam fazer têm como intenção encontrar argumentos de discussão e desafio.

Porque que, se de facto alguém quer ouvir para entender e saber deve estar disposto desde logo a assumir as dificuldades, obstáculos e eventuais renúncias que o seguimento de Cristo implica.

Transportar a cruz de cada dia será sempre difícil pela «porta estreita» por isso mesmo muitos preferem usar o caminho largo e fácil onde não são necessários nem muitos esforços ou sacrifícios.

A prudência é uma virtude que devemos pedir com insistência sobretudo quando se trata de responder a questões que, de algum modo, tenham a ver com a nossa Santa Religião Cristã.

Já referimos algumas vezes que nem todas as perguntas merecem resposta porque feitas com espírito malévolo e intencionalmente crítico.

Ser prudentes no que dizemos e também no que escrevemos e, em caso de dúvida, pedir conselho.

Sim, algumas vezes o que escrevemos pode ou não ser adequado ou pela forma poderá ser deficientemente interpretado.

Nós, cristãos, não somos mestres em coisa nenhuma, «um só é o Nosso Mestre» (cfr. Mt 2 3-8) como muito bem frisou Jesus Cristo.

Faz parte da condição humana o exercer quase que de forma automática pensamentos, obras e opiniões sobre os outros que se cruzam na nossa vida.

Nem sempre, evidentemente, sob o aspecto da crítica e reprovação, também o fazemos para louvar e de alguma forma sublinhar algo que achamos bem e até invejamos.

Pois seja qual for a intenção devemos abster-nos porque em caso algum fomos constituídos juízes..

A hipocrisia merece de Jesus Cristo veemente repúdio e, os Evangelhos, relatam várias ocasiões em que esse repúdio constitui uma acusação claríssima.

De facto, o hipócrita age como um actor, fingindo o que não é, oferecendo o que não tem, aconselhando o que não pratica.

A hipocrisia pode espalhar-se como uma praga sobretudo quando se quer alguma coisa ou atingir um fim seja de que maneira for.

Ninguém pode dar o que não tem ou aconselhar o que não sabe.

Ser verdadeiro e honesto quer no procedimento quer nas intenções é o que deve caracterizar o cristão, este, além de merecer crédito no que diz, tem de convencer pelo exemplo do que faz.

 

Solidez da Fé

 

Temos de encarar - seriamente - a solidez da nossa fé.

Acreditamos porque é nossa convicção, séria, intelectualmente honesta, ou "porque sim", é tradição de família, algo que consideramos desde crianças?

Não há alternativa: ou se verifica a primeira ou, então, a fé que julgamos ter não resistirá aos embates e vicissitudes que a vida nos trará.

Pedir, pedir... parece ser esta a atitude da criatura em relação ao seu Criador. E não é nem demais nem ousadia porque foi O próprio Jesus Cristo Quem nos instruiu para que o fizéssemos e, mais, pedíssemos perseverantemente, sem descanso.

De que precisamos? De tudo, absolutamente porque por nós mesmos não podemos nada.

Não tenhamos medo de pedir ou receio de pedirmos demais.

O Senhor sabe muito bem o que realmente nos faz falta e, na Sua Infinita Sabedoria nos dará o que entender que realmente precisamos.

Por vezes na nossa vida surgem momentos em que estas palavras de Jesus Cristo nos levantam algumas dúvidas.

Com efeito aquilo que vimos pedindo há tanto tempo parece não ser atendido como se o Senhor estivesse desinteressado.

Pensemos bem: será que na verdade não nos concede o que pedimos?

Talvez o faça de outra forma e não exactamente como pedimos como, por exemplo, a cura de uma doença persistente que nos aflige.

Podemos, é verdade, continuar na mesma situação e essa cura não surgir, mas, consideremos, se não recebemos graça para suportar a doença, se os méritos que possamos obter com o nosso sofrimento não serão “aplicados” onde ou em quem esteja mais necessitado, se, no fim e ao cabo, a nossa doença não é caminho da nossa salvação?

 

Construir, construir…

 

É a tarefa de todos os homens que foi dada pelo Criador.

O quê e como?

Pois, com critério e empenho para que a construção seja não só estável como duradoura.

E verdade, estamos de passagem, mas as nossas obras ficarão como testemunho dessa passagem.

O Senhor contemplará o que construirmos e, se achar digno, habitará na nossa morada.

Guardar a fé como um Tesouro, Pérolas Preciosas, é um dever de qualquer cristão, como guardião fiel e Depósito Seguro das verdades reveladas por Cristo Nosso Senhor.

A nossa Santa religião tem de ser preservada dos que a combatem usando por vezes as próprias fraquezas dos que deviam protegê-la e actuando, por isso mesmo, com eficácia.

Tenhamos a coragem e desassombro necessários para mantermos com firmeza as nossas convicções alicerçadas nas verdades da nossa Santa Fé.

O poder da Fé converte quem a possui em alguém indestrutível, como que imune às vicissitudes e perigos que podem deparar-se nesta vida.

Com a confiança em Deus que a Fé consolida, o homem nunca será vencido no seu caminhar para Deus.

Passamos pela vida curta ou longa em permanente actividade de construtores.

Fazemos pontes entre uns e outros tentando unir o que por qualquer motivo se separou, pomos de pé leis e regras para reger a sociedade; fazemos o que muitos recusam por apatia vergonha ou outro motivo qualquer e sobretudo construímos, passo a passo, uma vida que desejamos exemplar não nos poupando a esforços ou por vezes sacrifícios.

Bom... tudo  isto é, deve ser o ideal da vida de um cristão.

Mas se não nos apoiarmos na oração constante e perseverante tudo isso carecerá da solidez indispensável para resistir aos vendavais e tormentas que constantemente o demónio levanta contra nós.

O poder da Fé converte quem a possui em alguém indestrutível, como que imune às vicissitudes e perigos que podem deparar-se nesta vida.

Com a confiança em Deus que a Fé consolida, o homem nunca será vencido no seu caminhar para Deus.

Com a sua vida bem assente nas bases da verdadeira fé, pode estar seguro que cumpre o necessário para alcançar a vida eterna, ou seja, como o Senhor afirma: «entrará no Reino do Céu, (…) aquele que faz a vontade de meu Pai que está no Céu».

 

Links sugeridos:

 

Opus Dei

Evangelho/Biblia

Santa Sé

Religión en Libertad

 

 

 

22/12/2022

Publicações em Dezembro 22

  


CONSIDERAÇÕES NO ADVENTO

Considero o Natal, entre muitas outras, a Festa da Serenidade.

No maior, mais extraordinário acontecimento da História da Salvação Humana - o Nascimento do Salvador - tudo se processa sem tumultos, algazarras, foguetes pelos ares, gente a correr ávida de notícias; não! Uns simples pastores, avisados pelos Anjos, deslocam-se curiosos ao Presépio de Belém para ver Aquele Menino recém nascido.

O ambiente é extremamente sereno, uma jovem Mâe e o seu Marido, debruçam-se sobre uma manjedoura onde um Menino envolto em paninhos, sorri agitando os braços.

Testemunhas? Dois animais pacíficos por natureza... uma vaca e um jumento.

De repente tudo se modifica quando um extraordinário coro celeste rompe em hinos de alegria e louvor, as estrelas parecem dançar no céu e a Lua brilha com uma intensidade nunca vista.

São sinais suficientes para os simples pastores compreenderem que estão na presença de algo absolutamente extraordinário e, por isso, caem de joelhos em terra, prostram-se comovidos e, depois, oferecem o que têm: leite, queijo fresco, talvez um cordeiro.

Quando regressam e contam o que constataram, muitos acreditam mas, há muitos outros que se encarniçam contra estas notícias opinando que são delírios de gente sem instrução nem gabarito.

Entre estes avultam os Escribas e os Fariseus chefes do povo. Sabem muito bem intrepertar os acontecimentos, constam nas Escrituras; e entendem que o Tempo de Mudança conforme anunciado chegou; vêem com extrema inquietação o fim do seu despótico domínio... um "desastre" com consequências irreparáveis.

Aqui não há serenidade mas temor e raiva.

 

Vale a pena reler,não importa se pela milionésima vez, quanto São Lucas escreve sobre o Nascimento de Jesus.

Na verdade, penso que estou a ler uma descrição directa feita pela Santíssima Virgem porque só Ela, que «guardava no seu Coração todas as coisas» poderia descrever com tal fidelidade e abundância de detalhes quanto aconteceu.

São Lucas surge assim como que um repórter cuidadoso e fiel ao que ouve de uma fonte absolutamente fidedigna.

Imagino a sua atenção total ao que lhe era revelado.

De facto, estes trechos de São Lucas são escritos pela Santíssima Virgem e, nessa convicção, atrevo-me a considerá-los como o Evangelho de Nossa Senhora.

Na verdade, nos quatro Evangelhos que nos chegaram, a Santíssima Virgem está sempre presente não num "segundo plano" mas como uma referência constante.

São Lucas teve a oportunidade, a Graça de "entrevistar" a Mãe do Salvador e desempenhou essa missão exemplarmente, não acrescentando nada da "sua lavra", interpretando ou perdendo-se em considerações pessoais, dando-me assim exemplo de como tenho de "apreciar" o Evangelho em que me detenho: o que consta é quanto me deve bastar, não há nem "entrelinhas" nem lugar a ilacções especulativas, é o que é e ponto...

Curioso, debruço-me sobre o seu ombro tentando ler o que vai escrevendo mas, quase sempre, tenho de voltar atrás porque me "perdi" abismado com a SIMPLICIDADE da Magnitude de Deus.

Sendo Deus a MAGNITUDE na sua expressão absoluta, concluo que esta MAGNITUDE tem uma base: a SIMPLICIDADE!

Chegado a esta conclusão considero como absolutamente conveniente e necessário pedir: 'Senhor... ajuda-me a ser simples!

 

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