13/12/2022

Publicações em Dezembro 13

  


DENTRO DO EVANGELHO

Por vezes, ao ler um trecho do Evangelho, contraio-me um pouco no meu desejo de o "explorar" devidamente, detidamente.

Já conheço, já meditei... até já escrevi sobre o texto... que poderei acrescentar?

Porque tal "contracção' me desagrada - percebo que é uma tentação - releio o que escrevi e descubro sempre que me "escapou" algo.

Não posso mais que pensar que a fonte de inspiração do Evangelho não se esgota nunca, é um manancial de água viva, corrente, sempre renovada.

Como a água que passa por nós num rio não é igual à que já passou.

Só nos charcos estagnados a água não se renova.

Eu, decididamente, não quero ser um charco fétido, irrespirável, um caldo de bichos horríveis.

Quem em seu perfeito juízo poderá desejar tal coisa!?!

Não! Pretendo ser um curso de águas cristalinas que realmente sirvam para dar de beber a quem tenha sede.

A sede de saber mais, conhecer melhor, compreender com maior clareza é, deve ser, um desejo de qualquer ser humano que não se acomoda ao que a vida corrente lhe vai proporcionando. Quer compreender a razão, o motivo que está na raiz do que se lhe depara.

Só assim terá elementos indispensáveis para escolher, decidir o que lhe convém em cada circunstância.

Se não fizer esta inquirição desapaixonada, simples e concreta corre o sério risco de não escolher o melhor.

Tudo isto envolve uma coisa a ter em conta: CRITÉRIO.

Ao criar-nos Deus concedeu-nos algo precioso, um tesouro que tem de ser guardado como tal: A LIBERDADE PESSOAL.

Poder escolher entre uma coisa e outra é uma faculdade que os seres humanos têm. Para usar essa faculdade é absolutamente necessário o CRITÉRIO.

E o que vem a ser o CRITÉRIO?

Diria simplesmente que o critério é a capacidade de equacionar o que se apresenta, comparando com outras coisas semelhantes ou parecidas.

No entanto, para ter critério é indispensável conhecer a fundo a matéria em apreciação. Nunca se poderá exercer esse critério de que falo sem estar razoavelmente seguro do que avaliamos.

Daqui, parece-me óbvio, a necessidade do estudo cuidado e atento das questões.

"A mim parece-me que...) não é aceitável, "julgo que..." tão pouco e, muito menos... 'ouvi dizer que...' ”.

Isto não é condizente com uma pessoa dotada de juízo mas desculpas esfarrapadas para não fazer o que devo: não titubear na decisão de perguntar quando tenho alguma incerteza.

Perguntar a quem se não ao meu Director Espiritual?

Pôr a nu com clareza o tema que não compreendo bem, as dúvidas que possa suscitar-me resultará num sossego e paz interiores inestimaveis, não o fazer, ao contrário, será uma manifestação de orgulho pateta e sem sentido.

Esta postura tem de ser permanente e não apenas quando o impasse tem algum vulto. As coisas grandes só se conseguem atingir com a resolução de muitas coisas pequenas.

Parece-me lógica e acertada esta conclusão por isso me disponho a cumprir.

 

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12/12/2022

Publicações em Dezembro 12

  


DENTRO DO EVANGELHO

 

Mais uma vez abordo este tema: A VIDA ETERNA.

Penso nos muitos que nos hospitais ou em casa esperam um "desfecho inevitável" e que não têm ninguém que lhes "segure a porta" para o enfrentar. Não têm um familiar, um amigo que os ajude nessa "passagem". A maior parte das vezes, talvez, porque nem lhes ocorre, outras... porque não se dispõem a sugerir algo tão delicado e, pensam, constrangedor.

Eu tenho "algumas experiências" pessoais sobre este assunto. A primeira que refiro é o indescritível rosto da minha Querida Fernandinha,  momentos antes de partir para a Eternidade, depois de ter recebido os três Sacramentos: a Absolvição, a Comunhão Eucarística e a Unção dos Doentes. Espelhava uma serenidade tão profunda que parecia irreal. Percebi que contemplava a Face de Deus. Uma segunda que refiro foi no "velório" de uma grande amiga nossa. O mesmo rosto espelhando serenidade, tranquilidade, paz. Soube, depois, que uma amiga comum lhe tinha proporcionado  receber os mesmos Sacramentos administrados por um Sacerdote amigo comum.

Que maior prova de amizade se pode prestar!

Aflige-me pensar que muitos Médicos e outros profissionais hospitalares não estejam preparados para estas situações,mas, aflige-me mais o saber que muitos destes profissionais são cristãos mas como que põem de lado essa condição, como se aduzissem: sou um profissional de saúde não sou um Sacerdote!

Sinceramente penso que, hoje em dia, dificilmente se poderia esperar outra coisa. A vida humana e, sobretudo a sua dignidade intrínseca, não é uma preocupação dos que gerem a política e aprovam as leis. Os seus olhos baços não distinguem o importante do acessório, a sua mentalidade quadriculada só lhes permite equacionar números e tabelas estatísticas. Falta humanismo, consideração pelo outro seja quem for e, talvez pior, falta honestidade intelectual, pessoal, que os conduza a não opinar e, muito menos legislar, sobre o que não sabem, não estão em condições de entender.

Claro que admito que essa gente ocupa esses lugares porque outros os elegeram, daí que o voto eleitoral seja muito mais que um dever cívico, é uma obrigação moral. Não me interessa escrever sobre política mas, todavia, não posso ignorar que o o ser humano tem a política como que incrustada no seu ser essencial, daí que, abstrair-se dela seja como que uma fuga inadmissível.

Conheci pessoas que, quase liminarmente se escusavam a ser "políticos" mas que postos perante o dever de aceitar um cargo qualquer nessa área, o aceitaram pondo como condição a quem os convidava para esse cargo, o agir segundo a sua própria consciência e nunca pelo considerado "políticamente correcto" ou as orientações dos Chefes, fossem quem fossem. Ou seja... aceito servir mas recuso a servir-me.

Destas pessoas que referi, avulta o meu Querido Pai, que, quase obrigado aceitou ser Governador Civil de um dos maiores Distritos do País. Serviu tal qual impôs como condição: desempenhar o seu encargo como quem era e, nunca, de outra forma qualquer. Esta postura teve "custos" para a sua vida pessoal, a sua família, deixou de ter tempo para assistir à sua empresa pessoal sempre em evolução, ao acompanhamento mais próximo da sua numerosa família, durante 12 anos mas... cumpriu a tarefa que tinha aceite, até que, exausto disse BASTA!

Deixo de ser eu próprio a falar para deixar que muitos outros o façam muito melhor que eu o faria, até porque poderei parecer "suspeito", as honras, condecorações, referências com que foi comulado atestam quanto digo. Nunca vi lá em sua casa nenhum "quadro" com estas honrarias ou condecorações. Estava tudo guardado numa gaveta do seu escritório pessoal. Penso, estou convicto, que nunca a deve ter aberto para "se comprazer" com tais provas de admiração. O meu Querido Pai é um exemplo daquilo que repetia sem cessar: 'um homem, só é homem se for igual a si mesmo'.

"Igual a si mesmo"... esta é a minha verdadeira herança que o meu Querido Pai me deixou: ser, sempre e em qualquer circunstância igual a mim mesmo!

Comparo tal com as palavras de Jesus: "Sede homens de uma só palavra: sim... si, não... não, o que vá além disto...".

Volto ao princípio: A Vida Eterna. O tema é tão vasto e, para mim, tão importante, que não posso mais que tentar discorrer sobre ele. Na verdade sinto-me como que impotente para tal, que sei eu sobre a Vida Eterna? Mas, no entanto... deveria - devo fazer o possível - saber.

Jesus Cristo nas Suas pregações, discursos e conversas mais circunscritas aos Seus mais próximos seguidores, abordava constantemente o tema... A Vida Eterna. Se o fazia era porque, seguramente, o considerava de extrema importância. Ao longo dos quase três anos de convívio assíduo com os Doze, foi repetidamente falando sobre o tema. Concluo que o faria porque era, de facto importante que tivessem presente a Verdade Absoluta. A Vida Eterna, naquele tempo, era um conceito algo indefenido e, para muitos, insustentável. Por exemplo, os Saduceus, não acreditavam que existisse. Isto dever-se-á, principalmente, aos Chefes do Povo, muito mais preocupados com a vida presente, com os seus negócios e oportunidades que com a salvação eterna. É sempre assim que acontece quando o ser humano resolve ignorar a visão sobrenatural considerando apenas o presente, imediato, expectável.

Triste decisão! Quando o homem, eu, decido optar por esta, perco uma como que "vantagem ou dom" únicos que possuo: Fui criado, existo... para sempre! Inestimável conclusão: Fui criado, existo... para sempre! O que tenho de considerar que realmente importa que deixe como herança aos que de mim vierem a herdar, é esta certeza absoluta: Fui criado, existo... para sempre! Os "meus herdeiros" terão de reconhecer que esta herança é  consistente, real, verdadeira porque ao herdar reconhecerão que a herança existe realmente, tem razão de ser. Como? Pelo exemplo que dei.

Talvez que, ao considerar o que acabo de escrever, me assuste... eu... exemplo!?! Sim... tenho forçosamente de ser exemplo se não... que pode aproveitar aos "herdeiros"? Daqui extraio a minha responsabilidade, a minha obrigação e dever: Ser exemplo! Que nunca alguém possa dizer que fiz o que não disse, que pratiquei o que combati, que, em suma, não fui "igual a mim mesmo".

 

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11/12/2022

Publicações em Dezembro 11

  


DENTRO DO EVANGELHO

 

Apercebi-me que Jesus ia iniciar um dos Seus discursos porque fez um sinal com as mãos como que a mandar que se suspendessem as perguntas dos inúmeros circunstantes que se atabalhoavam na sua ânsia de obter respostas aos seus problemas. Começou por dizer: «Quem quiser ganhar a vida tem de perdê-la...».

Todos, incluindo-me a mim, ficam perplexos. Que quer isto dizer!?!

Claro que a "explicação" veio logo a seguir. Nessa explicação Jesus deixou bem claro que a vida a que Se referia era a Vida Eterna. Prosseguindo no Seu discurso muitos, eu, compreendemos que a vida terrena não passa de como que uma passagem, longa ou não, para a verdadeira Vida, a Eterna, mas, mais que uma passagem é, deve ser, uma preparação necessária e absolutamente essencial para essa Vida.

Ao imprimir em nós, seres humanos, a Sua Imagem e Semelhança, logo quando da nossa concepção no seio materno, recebemos essa herança: Criados para a Eternidade.

Tenho frequentes debates interiores sobre a Eternidade. Compreendo que sendo algo tão extraordinário e de alguma forma misterioso me será muito difícil assimilar mas,  sendo como é uma realidade, sinto que devo esforçar-me o quanto for possível para me aproximar dessa compreensão. Jesus Cristo revelou muitas coisas sobre a Vida Eterna, escusando-Se falar sobre outras que iriam além do que eu poderia entender. Ao falar da Eternidade, a Vida Eterna, tenho sempre subjacente que falo do Reino do Céu. Creio, sinceramente, que Esta é, como dizer, a mais,  vivida, já que os outros que vivem essa Vida no castigo eterno serão apenas os que conscientemente escolheram essa opção. Esta afirmação que faço baseia-se nas próprias palavras de Jesus Cristo que disse «todas as ofensas serão perdoadas excepto as feitas ao Espírito Santo», o que quer dizer, tal como entendo, que é o homem quem se condena a si mesmo; nem é admissível outra ilacção porque Deus não condena o homem, condena o pecado. Então, poder-se-á dizer que os "habitantes" do Reino do Céu são em  número muito maior, inexcedívelmente maior que os que "habitam" o  inferno? Não temo afirmar que estou absolutamente convicto que sim! Ninguém, em seu juízo lúcido e coerente, pode desejar para si próprio algo mau.

A este propósito refiro o que se passou - é histórico e está documentado - com um dos mais brilhantes pensadores dos nossos tempos: Voltaire. (Afirmar tal não significa estar de acordo com as ideias que expressou, mas tão só reconhecer a sua poderosa inteligência).

Nas vascas da agonia, Voltaire pediu a Condorcet, seu fiel amigo e amirador, que chamasse um Sacerdote para lhe administrar a Extrema Unção (o que agora chamamos Unção dos Doentes). Condorcet ficou espantado: 'Tu pedes-me uma coisa dessas depois de toda a tua vida teres negado haver o que fosse para além da morte?!?’ Voltaire respondeu: 'É verdade, toda a minha vida neguei haver o que fosse depois da morte, mas... e se HÁ!? Condorcet "rendeu-se" a este último argumento do seu amigo e foi buscar o Padre Lubac que administrou a Voltaire o Sacramento que desejava. Concluo que Voltaire agiu como deve fazer qualquer pessoa... na dúvida, optar pelo que íntimamente parece ser o mais certo e seguro. Portanto, julgo que posso afirmar que Voltaire está gozando o Reino de Deus.

Aflige-me pensar em tantos que se julgam possuidores da verdade absoluta que assenta apenas no que podem constatar, ver ou sentir e põem de lado, liminarmente qualquer preocupação que vá além disso. No fim e ao cabo são pessoas cujo único interesse é o EU, o centro e o universo, o resto que me rodeia, só me interessa na medida em que me for conveniente e útil. Bom... nestes casos, o EU acaba, extingue-se definitivamente com a morte e... não resta nada, não fica nada... e, questiono-me... o que será desses?

Naturalmente a minha humanidade leva-me a imaginar a Vida Eterna como um lugar, um local onde estão quantos a morte levou. Mas... não deve ser exactamente assim porque o que morre é o corpo, a alma vive para sempre, assim sendo, considerando que a alma é espírito, não ocupa nem lugar nem espaço a conclusão a que chego é que a Vida Eterna não é um espaço nem um local mas um "estado". Sendo assim, e não tendo como ultrapassar a minha compreensão humana, sou conduzido a pensar que a Vida Eterna pode muito bem ser a que já vivo... olho para o Céu, claro, porque o Céu é a expressão humana de elevação suprema, mas, uma vez mais o Céu pode muito bem estar aqui, onde vivo e não noutro lugar etéreo qualquer. O Céu, o Reino dos Céus, está no «meio de vós» foi Cristo Quem o afirmou e, portanto, parece-me que a minha ilacção está correcta. É claro que esta "conclusão" me leva a pensar que tenho de viver a minha vida como que de facto estivesse no Céu, o que quer dizer, já que no Céu só habitam santos, que tenho, custe o que custar, ser Santo. Confesso que numa primeira reacção me assusta esta conclusão: ser Santo!

Medito e considero o que conheço da vida de muitos Santos. A maior parte foram pessoas simples com defeitos e debilidades, orgulho pessoal, intransigente apreciação dos outros, quedas frequentes. A santidade atingiram-na porque venceram essas debilidades e limitações com o esforço contínuo, a oração permanente. Ler as histórias dos Santos é muito útil para qualquer cristão porque lhe dará uma certeza... qualquer um, eu, posso ser Santo.

Eu leio inúmeras vezes e, até vejo documentários, filmes sobre São Filipe de Néri. Digo sem rebuço que me apaixona este homem cuja simplicidade de comportamento raia, por vezes, a patetice. Sim… São Filipe de Néri preferia ser tido como tonto e irrealista do que alguém pudesse pensar que era portador de graças ou virtudes especiais. Na agitação tremenda que a Igreja vivia naquele tempo o Santo de Néri encarava as ordens ou instruções dos que as podiam dar, com seriedade e humildade mas nunca deixava de levantar os olhos ao Céu pedindo luz e sabedoria para fazer a Vontade de Deus.

A verdadeira humildade não estará tanto em aceitar, sem mais, o que nos exige quem o pode exigir, mas em realmente fazer o que se deve fazer. Não se trata de questionar ou pôr em causa mas de aferir se está de acordo com a Amabilissima e Justíssima Vontade de Deus.

A santidade pessoal é algo que devo procurar atingir enquanto tenho tempo, ou seja enquanto vivo, depois já não será possível. A questão resume-se, tenho a certeza, em tentar fazer, cumprir em tudo a Vontade de Deus. Este É, conforme Jesus deu claramente a entender o único caminho, a verdadeira solução. Se Deus meu Senhor e Criador me fez pessoa foi para que fosse Santo, à Sua Imagem e Semelhança, e, portanto, tenho a certeza absoluta que me dará os meios para o conseguir.Senhor... faz-me santo nem que seja à força... repito constantemente confiante esta exclamação de Santa Teresa de Ávila. Ela tinha uma intimidade com Cristo que ultrapassa quanto posso imaginar. Uma vez, numa viagem a caminho de uma localidade onde iria fundar um Convento - mais um dos muitos que fundou - a carruagem onde seguia ficou imobilizada no meio de um curso de água... nem para trás nem para diante. Naquela aflição, com água pelos joelhos, a Santa terá exclamado: 'Senhor... que mal Te fiz?', e, Jesus respondeu: 'Teresa... assim trato os meus amigos'; Teresa não "se ficou": 'Ah! Senhor... por isso tens tão poucos'!

Este diálogo que revela uma intimidade singular, leva-me a concluir que, sem pôr em causa a Vontade de Deus, Lhe devo perguntar o porquê do que Ele consente que me aconteça e que eu julgue que, talvez, seja como que estranho, inapropriado. Se, como sinceramente creio, obtiver uma resposta, desejo do fundo da minha alma que seja a mesma que Ele deu a Teresa: 'Assim trato os Meus amigos'. Ser amigo de Jesus! Que coisa! Que maravilha! Um Amigo que deu a vida por mim!!! Quando me detenho a pensar nisto sou levado a dizer: Jesus é meu Amigo! Sendo eu o que sou...

A amizade é um tema muito versado, desde sempre, nos escritos de autores cristãos (que são os que me interessa considerar) que referem muitas vezes que ficaram devedores a amigos por terem encontrado o caminho que os levou à vida verdadeira e  no final, ao seu encontro com Deus. Nenhum se refere a si próprio como santo mas atribui a outro(s) o ter encontrado o caminho que na verdade procurava. A amizade,  verdadeira, autêntica vai muito além do fazer o bem que possa fazer ao meu amigo, significa que tenho de estar presente SEMPRE, tanto na alegria como nos momentos menos agradáveis, só assim serei um verdadeiro amigo. Estar sempre disponível e atento aos sinais que me possam levar a entender que, ele, precisa de mim mas talvez não queira "abrir-se", incomodar-me.

Muitas pessoas carregam fardos insuportáveis porque ou têm pudor, vergonha de os partilhar com os amigos. Com prudência e respeito pela sua intimidade devo ir ter com ele e levá-lo a compreender que estou à sua disposição para o que for. Ah! Que satisfação tão grande quando vemos o sorriso o ar de alívio quando depois de ter "despejado" o que o consumia, o nosso amigo nos diz: Obrigado!

Pessoalmente tenho por norma rezar todos os dias pelos meus amigos; acho que faço bem porque penso que os meus amigos me "pagam na mesma moeda". Com esta conclusão fica-me uma certeza: quantos mais amigos tiver mais pessoas rezarão por mim. Por uma especial graça, que não mereço, tenho muitos amigos "destes" que me falam "só para saber como estás... precisas de alguma coisa...'. Eu, como tenho muito que fazer, frequentemente esqueço essa demonstração de amizade. Reconheço a "estupidez" da minha conduta. E se, um dia, um ou vários, decidir: 'Não falo mais a este fulano... nem me atende o telefone...'o que será de mim sem esses telefonemas que expressam uma amizade? Ficarei para aqui imóvel na minha "importância" sem nada nem ninguém!

 

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10/12/2022

Publicações em Dezembro 10

 


Confissão frequente

 

Porque as circunstâncias, o ambiente, o estado de ânimo... não! Nada disso tem a ver com o pecado ou pode constituir desculpa; por isso mesmo é importante a Confissão frequente porque além de receber orientações preciosas sobre o meu comportamento colho força e ânimo para melhor resistir às tentações.

Volto a insistir: o matrimónio não é possível subsistir sem respeito.

Respeito por si mesmo como pessoa, como cristão e respeito pelo outro também como pessoa e como filho de Deus.

Quem não se respeita a si próprio na sua dignidade humana dificilmente respeitará o outro e, com tal é impossível subsistir o amor cuja base assenta na confiança absoluta que deve existir entre os cônjuges.

Cristo afirma, uma vez mais, que a Missão que O trouxe ao mundo encarnando no seio puríssimo da Santíssima Virgem, não foi para instituir uma Nova Lei mas sim para aperfeiçoar e tornar sólida e decisiva a Lei dada por Moisés no monte Sinai.

Toda a Sua pregação confirma este propósito: o Reino de Deus está no meio dos homens – todos os homens – sem distinção nem condições.

Dependerá do homem aceitá-lo e cumprir a Lei e, só assim terá garantida a salvação eterna.

Deus, contudo, é Absolutamente Justo e, por isso mesmo, não impõe mas convida.

Jesus Cristo é muito claro: «Não jureis de maneira nenhuma»; Mas, vai mais longe: «Seja este o vosso modo de falar: Sim, sim; não, não. Tudo o que for além disto procede do espírito do mal.»

Parece lógico porque, se considero que o Demónio é o pai da mentira, confirmar com juramento seja o que for equivale a mentir.

Quem acreditará em alguém que, para convencer outro a propósito do que for, sente a necessidade de jurar?

Há, evidentemente, juramentos, que fazem parte de rituais solenes mas, fora estes, jurar seja pelo que for ou a propósito do que seja, não só não faz sentido como deve ser evitado a todo o custo.

Não fará sentido, sobretudo, porque o cristão é homem de palavra, faz o que diz e diz o que faz e, os outros, acreditam nele porque vêem o exemplo que dá: pessoa em quem se acredita e confia.

Assim, à primeira vista, parece que o Senhor aconselha a passividade.

De facto, há muita gente – muito mais que o que possamos imaginar – que a primeira palavra que lhes sai da boca ante qualquer solicitação ou pedido é: NÃO!

Nem sequer pensam que quem pede o fará porque tem uma necessidade concreta, real, premente e que, poderá muito bem estar na sua mão resolver – ou ajudar a solucionar – o assunto. E não se trata de ceder – sem mais – ao que nos é pedido sob, digamos, exigência – dar o manto, a capa, andar duas milhas – mas com sensatez e simplicidade convencer pela bondade, pela caridade, tirando importância às coisas que não a têm. Por outras palavras: “desarmar” o importuno.

Compreendo perfeitamente que este discurso de Jesus deve ter causado um impacto enorme nos que os escutaram. Naquele tempo era inconcebível não devolver – olho por olho e dente por dente – o mal que alguns infligiam a outros.

Começa – ou melhor, continua – a Lei do Amor que é a que Jesus Cristo veio pregar e ensinar aos homens como a única que pode trazer a paz às sociedades e a tranquilidade aos corações.

Não se trata de passividade, mas de contenção e, sobretudo, perdão porque, se pensarmos bem, talvez alguma vez mereçamos que nos tratem menos bem. Pensemos antes: se fulano diz isto de mim é porque não me conhece tão bem quanto julga, senão… diria muito pior. E… se não for verdadeiro ou justo? Somos, nós discípulos, mais que o Mestre? Pensemos no que disseram dele e o que Lhe fizeram?

A chamada Lei de Talião que imperava naqueles tempos bárbaros era o oposto da nova ordem que Jesus Cristo vinha instalar: A ordem do amor que, depois há-de instituir como o mandato novo para todos os homens.

Não é fácil pagar o mal com o bem, mas na sua busca incessante pela paz a humanidade não terá outro caminho.

Como cumprir tal mandato? Não será, Senhor, que mandas algo impossível?

Tu, que sabes tudo, conheces as minhas fraquezas e limitações, como nos mandas tal coisa tão grande! Sim, Tu, sabes tudo e, por isso sabes que Te amo e que, nesse amor, ponho toda a minha esperança e confiança em Ti.

Esperança que me ajudarás com o que me falta; confiança em que, sabendo o que preciso, providenciarás o necessário para poder cumprir o que mandas. Da quod iube et iube quod vis! Manda o que quiseres e dá-me o que queres.

Jesus Cristo enuncia um ideal de conduta humana.

Como todos os ideais, também este é difícil de atingir. Mas não impossível, porque o Senhor nunca pede impossíveis aos Seus filhos.

Com interpretar, então, o que diz?

Faltará, talvez, acrescentar: Este é - deve ser - o vosso ideal; esforçai-vos por consegui-lo.

A mim, pobre homem, que de ideais percebo muito pouco, não me resta fazer senão o que Jesus me sugere: Fazei o possível! E, com a segurança do Seu auxílio e apoio, sei muito bem que para Ele, nada é impossível. 

Não houve no seu tempo luz que mais brilhasse que a que o Santo António espalhava à sua volta sobretudo através da palavra fluida, portentosa, atraente.

Luz que brilha ainda hoje com um fulgor sempre novo porque as suas palavras emanavam directamente do Evangelho, da Palavra de Deus.

O fogo interior que o consumia na ansiosa busca de almas para Cristo levava-o a um incessante peregrinar para levar esse sal e essa luz onde fosse preciso.

Jesus Cristo confirma, uma vez mais, que não veio trazer uma Lei nova, bem pelo contrário, confirma a Lei e os Profetas e o que pretende é «levá-los à perfeição».

Esta perfeição não é outra coisa que os atributos e encargos específicos dos Seus seguidores: os cristãos. Serem sal da terra e luz do mundo eis os atributos e encargos que deseja e quer para todos – sem nenhuma excepção – os baptizados.

Não é pouca coisa, longe disso, é uma missão de altíssimo valor e importância e, mais, considerando que o Senhor nos quer como Seus “embaixadores” junto dos homens, de enorme responsabilidade e honra.

Ele nunca me faltará com a Sua Graça para suprir o que me possa faltar para a levar a cabo.

 

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